Série One Day at a Time

Dica de série imperdível: One Day at a Time

Quando o assunto é engajamento social e político, a maioria das produções audiovisuais opta por uma ou duas pautas a serem abordadas, muitas vezes para evitar o risco (real) de se criar algo forçado ou raso. São poucas as obras que conseguem trazer múltiplos assuntos relevantes de forma orgânica e bem trabalhada. One Day at a Time (Netflix, 2017) é uma delas.

A série é um reboot da sitcom de mesmo nome exibida entre 1975 e 1984, que relatava o dia-a-dia de uma mãe solteira (vivida por Bonnie Franklin) criando suas duas filhas (Mackenzie Phillips e Valerie Bertinelli) em Indianápolis. A nova versão transformou a família em cubano-americana, com Justina Machado (Six Feet Under) como Penelope, a mãe, Isabella Gomez e Todd Grinnell como os filhos e Rita Moreno (a Anita de West Side Story e ganhadora dos EGOT) como a “abuelita” Lydia.

Série One Day at a Time
Os elencos da série original e do reboot, respectivamente

Continue reading “Dica de série imperdível: One Day at a Time”

O que chamou nossa atenção em 2017: 4 séries, 1 filme e 1 bônus

2017 foi um ano marcante para o entretenimento, especialmente no que diz respeito às mulheres. Por um lado, inúmeras denúncias de casos de assédio, violência sexual e machismo escancararam a face mais feia dessa indústria, ao mesmo tempo em que foram uma vitória da voz feminina, que começa a se fazer ouvir. Por outro, o protagonismo das mulheres teve destaque na mídia, com feitos históricos e grandes sucessos de público, crítica e premiações.

Alguns acontecimentos importantes e recordes (como Lady Bird, de Greta Gerwig, se tornando o filme mais bem avaliado da história do Rotten Tomatoes) estão na ótima retrospectiva do Mulher no Cinema. Inclusive, além do próprio site, fica a recomendação do post deles Os 10 melhores filmes de/sobre mulheres de 2017.

Para o último post do ano da coluna Culturarte, optamos por uma visão pessoal, e escolhemos algumas das produções que mais chamaram a nossa atenção ao longo dele. As indicações vêm com os nomes das autoras do blog que as fizeram. A última e o bônus são as minhas. Confira:

Continue reading “O que chamou nossa atenção em 2017: 4 séries, 1 filme e 1 bônus”

5 Produções que subvertem a rivalidade feminina

Há duas semanas, eu postei um texto sobre a falta de filmes, séries e etc sobre amizade feminina e o excesso de produções sobre rivalidade entre mulheres. Prometi que traria semana passada uma lista de obras que subvertem esse conceito machista, mas alguns contratempos me fizeram atrasar um pouco. Eu tardo, mas não falho, e aqui está ela!

Como recorte, trouxe produções que ou poderiam optar por seguir o caminho da rivalidade, mas não o fazem, ou que propositalmente trazem uma rivalidade e a abandonam (transformando-a em amizade, ou não). Apesar disso, sabemos que elas não são perfeitas e podem apresentar falhas (por exemplo, quanto à diversidade). Outro recorte: optei apenas por séries ou filmes dos quais nunca falei aqui no blog.

Apesar dos contras e da escassez de obras assim, é bom saber que ao menos temos opções. Vamos valorizar o que temos, e torcer para que haja cada mais espaço para essa subversão. Espero que gostem!

 

Meninas Malvadas

 

Meninas Malvadas

Sinopse: Cady Heron foi criada na África e educada em casa por seus pais biólogos. Sua família então se muda para os EUA, e ela precisa se inserir no Ensino Médio e se adaptar ao convívio social, já com 16 anos. Na nova escola, ela tem que lidar com as “panelinhas” e rivalidades estudantis, e ainda encarar as Plásticas, grupo de populares lideradas por Regina George.

Um clássico quando falamos desse assunto. A essência de Meninas Malvadas é exatamente a ideia de que mulheres não precisam ser rivais umas das outras. E o ato do final (não custa nada avisar: SPOILER), quando Cady quebra a coroa de rainha do baile e distribui para todas as meninas, é um símbolo e tanto disso.

 

Don't Trust The Bitch in Apartment 23

 

 

Don’t Trust The Bitch in Apartment 23

Sinopse: June é uma jovem do interior que se muda para Nova York em busca de um sonho. Certinha, com pouco trato social e (aparentemente) ingênua, ela vai morar com Chloe (a “Bitch” do título). Esta tenta aplicar em June o mesmo golpe que aplica às que vieram antes dela: infernizar sua vida ao ponto dela querer sair e deixar o dinheiro do adiantamento. Mas June se prova muito mais determinada que o esperado, não só vencendo Chloe em seu próprio jogo, mas também conquistando seu respeito e sua amizade.

Chloe e June são completos opostos. Logo no começo elas se encontram em uma situação de conflito, mas acabam se tornando amigas. Obviamente essa amizade não é perfeita (principalmente porque Chloe não se apega às pessoas). Mesmo assim, há um certo respeito por suas diferenças. Até há momentos em que uma tenta mudar a outra, mas isso serve apenas para elas aprenderem que essas divergências não precisam necessariamente atrapalhar a relação.

 

 

Legalmente Loira

Sinopse: Depois de ser dispensada pelo namorado, Warner, por ser superficial demais, Elle decide entrar no mesmo curso de Direito que ele, para provar sua inteligência. Vivian, nova namorada de seu ex, acaba se tornando sua rival também dentro do curso. Elle passa por vários obstáculos e enfrenta a descrença de muitos, mas acaba aprendendo que o curso pode ser mais que apenas uma forma de impressionar um homem.

Aqui temos a situação clássica da rivalidade feminina: a disputa por um homem. Mas esse filme, além de trazer a jornada de Elle enquanto descobre que não precisa impressionar homem nenhum (podendo ainda ser inteligente e gostar de coisas superficiais ao mesmo tempo), ainda desconstrói a rivalidade na raiz. (SPOILER) Quando Vivian descobre que Warner não era confiável, ela percebe também que não tinha motivos para perseguir Elle, e ainda aprende a respeitar sua personalidade.

 

Encantada

 

Encantada

Sinopse: A princesa Giselle é enfeitiçada para fora do reino de contos de fadas de Andalasia e vai parar em Manhattan, no mundo real. Lá ela conhece o advogado de divórcios Robert e sua filha Morgan. Enquanto Giselle descobre o novo mundo e enfrenta os perigos do seu próprio, ela e Robert começam a se envolver aos poucos.

Antes de conhecer Giselle, Robert era noivo de Nancy. A personagem poderia ser a figura típica da megera de comédias românticas. Aquela que geralmente aterroriza o/a(s) filho/a(s) do protagonista masculino, não aceita o término do relacionamento e ainda serve de contraponto para a “perfeição” da mocinha. Isso não acontece aqui. Nancy não chega a se tornar amiga de Giselle, mas elas nunca chegam a ser rivais. (SPOILER vai que, né) E ao término do relacionamento, quando Giselle obviamente acaba ficando com Robert, Nancy ainda tem um final feliz ao lado do príncipe Edward, pretendente anterior da princesa. Para esse filme ficar ainda melhor, só se a figura da bruxa malvada fosse trocada por um vilão.

 

Grande Menina, Pequena Mulher

 

Grande Menina, Pequena Mulher

Sinopse: Molly é uma jovem mimada que nunca precisou trabalhar, vivendo da fortuna deixada por seu falecido pai, um famoso astro do Rock. No entanto, ela é roubada por seu contador, sendo obrigada a arrumar um emprego. Molly acaba então como babá da pequena Ray, uma precoce menina de 8 anos.

A maturidade que falta a Molly, mesmo já passando da hora, mais que sobra a Ray. As duas vivem em pé de guerra em boa parte do filme por isso. Com o tempo, Molly vai aprendendo ao lado de Ray a ser mais madura, ao mesmo tempo em que conquista seu respeito e entende melhor seu comportamento. A amizade que as duas cultivam ainda é um exemplo de respeito acima da divergência etária.

Bônus:

É bônus, então posso trazer item repetido de outro post (já falei desse jogo aqui).

 

 

Life is Strange

Sinopse: Life is Strange conta a história de Max, uma estudante de fotografia que presencia o assassinato de uma jovem e ao impedi-lo, descobre ter o poder de voltar no tempo. Os primeiros momentos do jogo mostram um sonho de Max (que mais tarde se revela como um presságio) em que uma enorme tempestade ameaça Arcadia Bay, a cidade fictícia onde se passa a história, levando a garota a tentar salvá-la.

O jogo é definido pelas escolhas do jogador. Além da trama principal, várias subtramas e aspectos da história podem mudar de acordo com as ações da protagonista. (SPOILER) Entre elas, sua relação com os personagens, como Victoria Chase. Logo no começo do jogo ela é a jovem rica e popular, rival de Max. Entretanto, dependendo das suas escolhas ao longo da história (como apoiar ou zombar de Victoria em algum momento), essa rivalidade pode ser deixada de lado.

É uma forma interessante de observar como a rivalidade não é necessariamente algo inevitável na convivência feminina, e o quanto nossas próprias escolhas (na vida real) podem influenciar na sua manutenção ou subversão.

Gostaram da lista? Têm mais sugestões? Deixem nos comentários!

Por que é mais fácil achar produções sobre rivalidade do que sobre amizade feminina?

 

A ideia de que mulheres são rivais por natureza é um dos conceitos machistas mais sutis entre os que encaramos no dia a dia. Ele parece inofensivo, mas quando paramos para pensar melhor sobre isso vemos que não é.

Uma das formas de chegar a essa constatação é pensando no poder que a união e a amizade feminina podem ter. A forma como a naturalização da rivalidade feminina sabota a criação desses laços é apenas um dos problemas, sobre o qual a Jade já falou nesse post aqui.

Na cultura pop, essa ideia é presente em músicas, filmes, séries, animações, novelas, livros e até em narrativas da imprensa… É extremamente fácil encontrar produções que se sustentem nela ou a reforcem. O oposto, nem tanto.

 

Bad Blood
Imagem do clipe da música Bad Blood, da Taylor Swift (reprodução/internet)

 

É até grave pensar que, enquanto histórias sobre amizades masculinas são muito populares e até consagradas como clássicos, relatos sobre união entre mulheres são bem menos comuns.

Sim, também há grandes histórias sobre inimigos masculinos. Mas é importante lembrar que há diferenças não tão sutis assim no tratamento da rivalidade masculina e da feminina. Enquanto a primeira é pautada geralmente em motivos ideológicos ou de poder, a segunda costuma ser jogada como inevitável ou motivada por interesses românticos.

Isso faz com que seja muito importante a valorização de produções sobre amizade e/ou união feminina. Algumas delas, como já mencionado, são fortes exemplos do que mulheres juntas podem fazer.

 

Mad Max
Mad Max: Estrada de Fúria (imagem: reprodução)

 

Outras, não tão pretensiosas, ao menos servem para mostrar que nada se compara a ter uma amiga mulher. Elas nos entendem em nossos conflitos e necessidades, ao mesmo tempo que podem apresentar vivências completamente diferentes das nossas.

 

Quatro Amigas e um Jeans Viajante
Quatro Amigas e um Jeans Viajante (imagem: reprodução)

 

Há ainda as produções que fazem uma completa (ou ao menos parcial) desconstrução da rivalidade feminina, sobre as quais trarei uma lista no meu próximo post. São histórias que em um primeiro momento parecem se render ao conceito machista, mas que em algum ponto o desconstroem e passam uma mensagem oposta.

 

Meninas Malvadas
Meninas Malvadas (imagem: reprodução/internet)

 

Em resumo, os meios de comunicação e a arte podem sempre ser ferramentas para reforçar ou reverter elementos machistas. Com a rivalidade feminina não é diferente. Quando escolhemos valorizar a desconstrução dela estamos, ao mesmo tempo, abrindo nossos próprios olhos para a importância da amizade feminina, e preparando o terreno para que mais mulheres enxerguem o mesmo.

Edit: não vou deixar uma resposta explícita à pergunta do título (apesar de ter algumas opiniões. Spoiler: todas envolvem machismo). Prefiro deixar em aberto, para promover a reflexão. E você, o que acha?

 

Exercitando o pensamento crítico: FRIENDS

Reprodução/internet


Este é a o segundo post da experiência que eu me propus a fazer aqui. Leia se quiser entender melhor. Ele também foi feito voltado para pessoas que já assistiram/assistem FRIENDS. Se você for “leigo”, perdoe-me se o texto ficar um pouco confuso.

 

    Depois de falar sobre um dos meus filmes favoritos, é a hora de uma das minhas séries favoritas. “FRIENDS” divide com “Doctor Who”, o topo do ranking das minhas paixões televisivas (não, eu não consigo escolher uma só). Comecei a assisti-la em 2010, fora de ordem, pela Warner. Não foi a primeira série que assisti freneticamente (deve ter sido alguma da Nickelodeon), mas foi a primeira que me fez ir atrás de séries.

     Relutei muito em ver na ordem, para não ter vazio existencial, mas um dia a vontade de ver tudo foi maior que o medo de não ter mais o que assistir. Atualmente estou revendo aos poucos os episódios pelo box que me dei de presente na Black Friday do ano passado. Sim, sou fã, estou em grupos da série, faço inúmeras referências a ela, salvo várias imagens e gifs, sou 100% Mondler shipper, mas isso não me impede de ver seus problemas. A máxima que eu levo não só para esta coluna e para o blog, como para a vida, é que é possível ser fã e raciocinar direito.

     Foto do meu Instagram pessoal pra provar: meu box aí

     Enfim, protocolo seguido, vamos aos elementos que eu quero apontar. Lembrando da questão do cuidado com o anacronismo: ser algo do passado não ameniza as falhas, mas as vezes as “justifica” até certa medida. “FRIENDS” foi exibida entre 1994 e 2004, numa época em que preocupações sobre representatividade, por exemplo, estavam só engatinhando. E esse é, inclusive, o maior problema da produção.

     Além do núcleo principal – não apenas dos protagonistas, mas de todos os recorrentes – ser inteiro caucasiano, em 10 anos de série, apenas 2 pessoas não-brancas apareceram em mais de um episódio. É tanta brancura que nem sei como os dentes do Ross ainda ofuscaram alguém no s6e8. Esse é um padrão que infelizmente era muito forte na época. Ou a série era “de negros” (como “Um Maluco no Pedaço”), ou o elenco é branquíssimo. E isso é algo que ainda hoje tem melhorado beeeeeem devagar.

Charlie e Julie, únicas personagens não-brancas a aparecerem em mais de um episódio. Ambas saíram com o Ross, tendo Charlie saído também com o Joey. Imagens: reprodução/internet. Montagem: Tamires Arsênio, via Canva

      A questão LGBT, apesar de mais presente, não é apresentada da melhor forma possível. Até dá para considerar progressista a presença, como personagens recorrentes, de um casal de duas mulheres, que ainda por cima compartilhavam a guarda de um filho com o pai biológico. Mas algumas das piadas sobre isso têm caráter lesbofóbico gritante, mesmo sendo reprovadas pelos próprios personagens da série – o que acaba parecendo uma tentativa falha de amenização, já que o público ri da piada, e não do contexto.

     Sem falar de Charles Bing, pai do Chandler, que na verdade é trans e carrega estereótipos, piadas preconceituosas e desinformações sobre gênero/sexualidade. Apesar da maioria dessas brincadeiras serem feitas sob a ótica de um filho “traumatizado” e mostrando sua lenta desconstrução, há o mesmo problema da situação anterior. O que causa o riso é a ridicularização da personagem trans, e não o preconceito dos demais.

Kathleen Turner como Charles Bing/Helena Handbasket. A personagem é tratada como gay, drag queen, trans, cross-dresser… Enfim, uma enorme confusão. Imagem: reprodução/internet

      A série ainda traz uma falha que as grandes produções até hoje insistem em repetir: a escalação de uma atriz cis para uma personagem trans, o que reduz as já limitadas oportunidades para essas pessoas. E reforça a higienização, uma vez que a sociedade e a mídia em si tendem a acolher (quando acolhem) apenas trans com passabilidade cis.

     Outro problema gritante em “FRIENDS” é a gordofobia. Foram várias as vezes em que o peso de alguém rendeu deboches, e “Fat Monica” é tratada quase como uma personagem à parte, que serve apenas como piada. Na verdade, a série praticamente não tem personagens gordos que não estejam ali única e exclusivamente para provocar risadas pelos estereótipos, em vez de serem tratados como pessoas reais.

    Ainda não dá para não ver o problema do machismo que permeia vários episódios. Apesar das protagonistas femininas serem liberadas sexualmente, outros personagens e até elas mesmas ocasionalmente praticam slut shame umas com as outras. Há piadas que se sustentam em estereótipos de gênero, como o episódio em que Joey estava “virando uma mulher”. E mais uma vez, várias piadas e objetificações são falsamente amenizadas pela reprovação de outros personagens (tá aí algo que parece uma constante).

Imagem: reprodução/internet. Montagem: Tamires Arsênio, via Canva

    O ódio criado em cima da Emily também é desproporcional, já que sua reação era totalmente coerente com o trauma que havia sofrido. E, por fim, Ross é extremamente machista e um clássico “nice guy”. Mas salvo raríssimas exceções, isso nunca é posto como algo tão negativo quanto de fato é (o que renderia um post inteiro à parte).

    Eu poderia me prolongar em cada tópico e citar situações específicas que me incomodaram (como o fato da Phoebe, personagem com maior potencial feminista da série, ter feito uma vez um comentário desmerecendo a causa). Infelizmente, como típica série americana dos anos 90 que é, FRIENDS tem inúmeros problemas.

Phoebe sobre feministas: “Nós podemos dirigir. Nós podemos votar. Nós podemos trabalhar. O que mais essas garotas quererm?” Ok, não preciso explicar por que isso tá errado, né? Espero que não. Imagem: reprodução/internet

    Mas isso, apesar de me entristecer, não me impede de ainda amá-la. Assim como eu citei vários pontos negativos, eu poderia citar muitos positivos. Mas esse não é o foco desta série de posts, então só me limito a dizer que, quando nós assistimos às coisas que gostamos criticamente, podemos até sofrer um pouco. Mas isso faz muito bem para a nossa consciência, além de até mesmo nos ajudar a valorizar ainda mais as coisas boas.

Reprodução/internet

5 séries que passam nos Testes de Bechdel e Mako Mori (e fazem muito mais) – Parte II

Olá, pessoal! Finalmente, esta é a segunda parte do post sobre séries. Clicando aqui vocês vão conhecer a primeira e entender melhor os assuntos que iremos tratar, que são os testes de Bechdel e Mako Mori e quais são os requisitos que permitem que determinados seriados passem por esses testes. Então não vamos entrar em detalhes agora, ok? Vamos logo conhecer as outras cinco series que selecionamos para vocês.
Orange Is The New Black
Imagem: reprodução/internet

Para quem ainda não sabia, a personagem da Taylor Schilling (Piper Chapman) é baseado na vida da ex presidiária Piper Kerman, que publicou uma biografia contando como foi sua vida durante o tempo em que esteve presa. Piper Chapman é condenada a quinze anos de prisão por trafico de drogas, já que depois da faculdade ela entregou uma maleta com dinheiro para ajudar a namorada traficante. E é dentro dessa prisão que a história se passa. Piper passa a conviver com uma nova fase da sua vida, onde precisa se cuidar sozinha em um lugar que é tão perigoso quanto é inusitado.
Só tem mulher forte em OITNB

Nossa heroína também se vê envolvida com histórias de outras mulheres (um monte de mulheres, cis, gorda, alta, trans, mais velhas, baixas, negras, novas, …) que precisam viver suas vidas de presidiárias sem deixar de sonhar com a liberdade, como por exemplo Sophia Burset, um ex policial que sempre soube ser uma mulher; Galina ‘Red’ Reznikov, durona e um pouco ameaçadora, mas que só quer proteger suas amigas dos males da prisão (uma mãezona). Além de precisarem lidar com o assedio e com os constantes e sempre emocionantes dilemas da amizade que cresce entre elas.

Empire
Imagem: reprodução/internet
Essa serie teria como foco contar a história do rapper Lucious Lyon, que saiu das ruas, criou um império musical e é dono da gravadora Empire. Mas a sua ex-esposa, que esteve presa por 17 anos, Cookie, rouba a cena. Ela retorna para retomar tudo o que roubaram dela. Cookie se envolveu no mundo das dos drogas para ajudar Lucious a criar sua fortuna e ficou na pior depois disso.
Adoro ela!

Ela é negra, encara questões raciais, mas é forte e guerreira. Além dela, muitas outras mulheres circulam pela série, sendo todas complexas e interessantes. Mas Cookie é a melhor de todas.

Scandal
Imagem: reprodução/internet

Olivia Pope (Kerry Washington) trabalhava como consultora de mídia da Casa Branca. A função dela era proteger e defender a imagem de pessoas publicas que pertencem a elite norte-americana. Olivia resolvia os problemas antes mesmo que as outras soubessem da existência deles (e fazia isso com maestria). Depois de deixar a Casa Branca, ela abre sua própria empresa, a Olivia Pope & Associates, para começar um novo capítulo em sua vida – tanto profissional como pessoal.

O fato do Presidente dos EUA estar aos pés da Olivia já é um ponto a mais para mostrar como o poder está nas mãos das mulheres nessa serie. No entanto, existem temas e diálogos muito mais profundos nos episódios. O feminismo está sempre nas entrelinhas, a violência doméstica é abordada por uma das personagens (Abby Whelan, Secretária de Imprensa da Casa Branca e interpreta pela atriz Darby Stanchfield ), como a mídia trata as mulheres e o papel delas na política também é focado.
“Eeles falam sobre suas roupas? Escrevem sobre suas coxas?”

                                                      
Sense8

Imagem: reprodução/internet

Sense8 narra a história de oito estranhos, os chamados sensates, que de repente começam a “compartilhar um cérebro coletivo”. Basicamente, eles compartilham sensações, pensamentos e experiências uns dos outros. A série possui um lindo enredo representativo, as personagens sempre se mostram muito fodas. Não vejo como necessidade um discurso feminista ou contra o preconceito, nada do tipo, já que os momentos de representatividade acontecem de forma natural.

O relacionamento entre Nomi e Amanita é lindo

Nós temos uma hacker transexual lésbica, um ator mexicano gay que tem medo de sair do armário, uma empresária coreana badass que luta às escondidas e uma DJ que vive relacionamentos abusivos: esses são apenas metade dos oito protagonistas de Sense8. 

Como você pode imaginar, não é uma série para qualquer um. A diversidade de sexualidades, etnias, culturas e lugares são pontos marcantes da série, que bate forte na tecla da igualdade de direitos. Mas, mais que isso, ela mostra o quão é importante pensar no próximo e respeitar as diferenças.
Game Of  Thrones
Imagem: reprodução/internet
Sou particularmente muito fã dessa serie (e dos livros) por vários motivos, mas o que mais vale descrever aqui são as mulheres. Guerreiras, protetoras, lideres, perigosas. Tem para todos os gosto. 
Para quem não sabe, Game Of  Thrones se passa em uma época em que as mulheres são menosprezadas o máximo possível, elas devem ser submissas a tudo e todos. Entretanto, muitas delas decidem que seguirão o próprio caminho e passam por cima de quem tenta impedir. Pontos para George R. R. Martin (autor dos livros) que conseguiu retratar várias personagens completamente diferentes, realistas e indispensáveis para o desenrolar da trama.
Dany <3
É fácil se apaixonar por Catelyn, uma super mãe que precisa deixar os filhos para salvar o marido e ainda captura seus inimigos: sentimos o poder de Daenerys, uma jovem que comanda dragões e que decidiu que vai ser rainha (e que não precisa de um rei): lutamos como Brienne de Tarth, considerada estranha pelo seu jeito masculino, mas é uma grande guerreira que sonha em ser cavaleiro. Enfim, essa série também não é para qualquer um.
Gostou da lista? Tem alguma serie que ficou de fora? Então comente aqui com a gente. E não esqueça de acessar o outro post para conhecer os primeiro cinco seriados.
— NOTA—
Este post foi escrito pela Alessandra e revisado por mim (Tamires). Vamos dar os devidos créditos, né? rs
Mulheres na Cultura Pop

5 séries que passam nos Testes de Bechdel e Mako Mori (e fazem muito mais)

 

Pensando especialmente em dar visibilidade ao espaço ocupado por mulheres nas diversas mídias, estreia hoje a coluna Mulheres na Cultura Pop. Neste espaço vamos falar de séries, filmes, livros, quadrinhos, games, enfim, as mais diversas produções culturais feitas por, para e sobre mulheres. Esperamos que gostem da novidade!

O teste de Bechdel foi criado em 1987 pela cartunista americana Alison Bechdel, em um de seus quadrinhos. O teste consiste em analisar a representatividade de um filme a partir de três requisitos:

  1. Deve ter pelo menos duas mulheres.
  2. Elas conversam uma com a outra
  3. Sobre alguma coisa que não seja um homem.

O quadrinho que originou o teste – Imagem: reprodução/internet

Sabemos que esse teste é extremamente simples, e muitas vezes um filme que não passa nele pode, sim, ter um potencial representativo. Em contrapartida, filmes que são aprovados podem ser completamente machistas e estereotipados. Acontece que o teste de Bechdel funciona mais como um termômetro social do que como qualificação absoluta de uma obra.

Essa carência motivou, inclusive, a criação do teste Mako Mori. O nome é o mesmo da personagem feminina central de Círculo de Fogo. Mesmo sendo extremamente representativa, a personagem não conversa com nenhuma outra mulher no filme, que não passa no teste de Bechdel. Uma usuária do tumblr então propôs o teste Mako Mori, baseado na personagem. O filme deve, portanto:

  1. Ter ao menos uma personagem feminina
  2. Com seu próprio arco narrativo
  3. E que esse arco não é mero suporte para uma história masculina

A Mako Mori – Imagem: reprodução/internet

Ainda que também não seja absoluto para medir se um filme é bom, ele é bem mais completo para definir a relevância e a representatividade de obras específicas. Por isso, eu fiz uma seleção de 10 séries que eu gosto e que passam NOS DOIS testes. Abaixo seguem 5 delas. As outras 5 virão com uma surpresa! Não vou explicar exatamente por que essas séries passam (pode acabar rolando spoilers e quebrando a magia), então vocês terão que confiar em mim. Espero que este post sirva para enriquecer a sua coleção de novas séries (representativas) preferidas!

Unbreakable Kimmy Schimdt

 

“Seja você. Seja o que você quiser. E então se torne inquebrável” – Imagem: reprodução/internet

Se ainda não viu essa série da Netflix, criada por Tina Maravilhosa Fey e Robert Carlock, corre AGORA! Aproveita que dia 15 estreou a segunda temporada, faz maratona com os 13 primeiros episódios e já emenda uma na outra. A comédia gira em torno das descobertas de Kimmy, que após ser sequestrada pelo líder de um culto apocalíptico e passar 15 anos em um abrigo subterrâneo com mais três mulheres, finalmente conseguiu sair. Sim, a premissa é uma loucura! 

Kimmy e seu jeitinho <3

Além de passar nos dois testes, trabalham a desconstrução de vários estereótipos e clichês machistas. O elenco ainda é recheado de mulheres, de núcleos e personalidades diferentes. Só espero que na próxima temporada tenhamos mais mulheres de outras etnias (já que a primeira temporada já apresentou um homem negro e um oriental, tá na hora, né?).

Jessica Jones

 

Imagem: reprodução/internet

Eu sei que eu posso estar sendo redundante de falar desse sucesso da Netflix/Marvel, mas acho que é justamente porque ela é item obrigatório nesse tipo de lista que ela está sempre presente. Jessica Jones é uma série não apenas com (forte) elenco feminino em massa, como tem várias mulheres na produção. A trama, pra quem tava vivendo numa caverna não está familiarizado: Jessica é uma investigadora particular que possui super poderes, e está se recuperando do trauma de viver sob o poder de Kilgrave, um homem com habilidade de controlar mentes. Além de usar os poderes de Jessica, ele ainda abusava dela, sexual e psicologicamente. Tire toda a parte fantasiosa, e temos uma história sobre abuso, super plausível na nossa realidade.

Ah, e Jessica é uma FUCKING BADASS!


How To Get Away With Murder

 

Essa mulher!!!! – Imagem: reprodução/internet

Outra pedida obrigatória: uma série da Shonda Rhimes. Shonda é rainha em séries representativas para mulheres e outras minorias. Em HTGAWM, além da MARAVILHOSA (e ganhadora do Emmy pelo papel) Viola Davis como a protagonista Annalise Keating, temos um elenco jovem principal formado por uma mulher e um homem negros, uma latina e dois brancos americanos, sendo um deles homossexual. A diversidade sexual, inclusive, também é uma tema forte no seriado, bem como a própria liberdade sexual feminina.

Quem mais adora quando falam o nome da série/filme? haha

A série gira em torno de Annalise, uma professora de direito penal, que recruta cinco alunos para trabalharem com ela em seus casos. Diversos acontecimentos começam a se desenrolar quando quatro dos estudantes se envolvem num assassinato.

My Mad Fat Diary

Imagem: reprodução/internet

Eu sou a louca das séries britânicas, então vai ter uma (ótima) série britânica aqui, sim. My Mad Fat Diary é uma dramédia baseada no livro autobiográfico “My Fat, Mad Teenage Diary”, escrito por Rae Earl. A história começa com a saída de Rae da clínica psiquiátrica onde está internada após ferimentos auto infligidos, e tentando retomar uma vida normal ao lado dos amigos. Apesar de falar de assuntos sérios, especialmente doenças psicológicas, o humor é constante (e muitas vezes sobre pênis) e acabamos rindo mais do que chorando.

Tá, o gif é meio tristinho, mas eu juro que a série é super divertida!

A série é toda subversiva: Rae é gorda, mas é divertida (mas sem aquele estereótipo do “gordinho simpático”) e pega o cara mais bonito da escola. Apesar de ter pontos de rivalidade feminina, esse conceito está sempre sendo quebrado, reforçando a amizade, especialmente entre a protagonista e sua amiga popular, Chloe. É uma série curta (o lado bom e o ruim das séries britânicas), então dá pra maratonar rapidinho.

Buffy, a Caça-Vampiros

Photoshoots e design dos anos 90: os melhores haha – Imagem: reprodução/internet

Aqui também tem espaço pra série que acabou há bastante tempo, viu? Sim, eu confesso que eu arrumei um espacinho aqui pra ela porque eu comecei a ver recentemente e só conseguia me perguntar: “COMO eu não peguei pra ver essa série antes?”. Essa eu acho que todo mundo sabe a premissa, né? Buffy é a escolhida para caçar vampiros, demônios e outras criaturas das trevas. E, pra piorar, está no meio da sua adolescência e quer viver uma vida ao menos um pouco normal em sua nova escola.

Além de chutar (vários) traseiros, Buffy é atrevida e sarcástica. Como não amar?

Mais uma vez, vemos estereótipos sendo quebrados nessa série: Buffy era popular na escola antiga, e atualmente anda com “os normais”. A famosinha da escola, Cordelia, apesar de fútil, acaba indo e vindo numa relação com eles. Um bônus: além de ser uma personagem forte em vários sentidos, as cenas de luta de Buffy são incríveis!

Por enquanto é isso. Aguardem as próximas 5! Tem sugestões de séries que ficaram faltando? Deixa aí nos comentários!