A dama dos Palmares: o verdadeiro ícone da mulher negra contra o racismo

Dandara do Palmares

Novembro esta metendo o pé na porta e definitivamente é o mês da Consciência Negra. Para o Brasil, em especial, tal “evento” tem um grau de importância maior e mais necessário, pois todo o país foi sustentado por séculos de escravidão negra abolida a muitos poucos anos atrás.

Milhares, até mesmo milhões de homens, mulheres, crianças e velhos pereceram e tiveram seu passado apagado devido a violenta colonização eurocêntrica, que afetou a vida de muitos negros até os tempos atuais, vide a miscigenaçãoo problema de algumas pessoas ainda terem dúvidas sobre quem são etnicamente, fora assuntos mais agravantes.

A existência de um mês, ou até mesmo uma data comemorativa sobre esse cenário, ainda causa bastante incômodo em algumas pessoas, que acham injusto mesmo tendo um enorme legado histórico, os negros ganharem uma data, ou um mês só deles. Em controvérsia, outras pessoas se mobilizam, como Movimento Negro ou Militância Negra, disseminando informações relevantes para conscientizar as pessoas sobre questões relacionadas centralmente a racismo, ganhando força mais para agora, com o empoderamento negro e negralismo.

A mídia e os sistemas de ensino como escolas, também despertam um interesse passageiro, abordando os temas de pautas negras de maneira rasa e sem informações mais embasadas, aprofundadas, mesmo todos citando um ícone em comum: Zumbi dos Palmares.

Zumbi virou símbolo da resistência escravista da época e na atualidade, um representante da luta contra o racismo em uma sociedade onde ele é tão enraizado quanto a nossa. Todos nós aprendemos na escola o quanto o líder do Quilombo foi de suma importância para os negros e negras que fugiam de seus cativos e precisavam de abrigo, mas a história dele possui outros segmentos e personagens igualmente importantes; muito poucos ou talvez ninguém saiba quem foi Dandara dos Palmares, uma figura tão notável para a história do país.

Dandara e Zumbi foram marido e mulher, e ela lutou lado à lado de Zumbi contra o sistema escravista, buscando liberdade para seus irmãos negros.

Ilustração do livro

Ela comandava tanto mulheres quanto homens e criava estratégias que resolviam os mais diversos problemas, bolava planos de fuga, e quebrava os estereótipos de gênero da época, que até hoje são impostos a nós mulheres, ao domiar técnicas de capoeira. Apesar de lamentavelmente sua figura ser encoberta de mistérios, Dandara foi esquecida de modo descarado dos livros de história, que de forma machista, apagaram sua já bem pouca história.

Muitos poucos movimentos megros e feministas a mencionam, fazendo com que ela tenha que quebrar as amarras do patriarcado – que cala a mulher – e do racismo ‘ que cala o negro – até agora, na atualidade, numa luta por reconhecimento que já não favorece a mulher, e ainda menos a mulher negra.

As mulheres negras são subjugadas, colocadas para escanteio no cenário político, musical, histórico, literário, artístico e afins, mas Dandara não deu por vencida, e assim como revindicou seu papel na resistência negra, revindica seu papel na história do país e da sociedade.

Ela não aceitava acordos de meia boca e mesmo sabendo-se quase nada de sua origem ou até mesmo figura física, é de conhecimento básico que Dandara morreu como a heroina que foi em vida, fazendo que as negras da nossa época, tenham uma inspiração para lutarem contra o racismo, machismo e misógino aintão plantado no Brasil e no brasileiro.

A morte de mulheres negras avançou nos últimos 54% nos últimos 10 anos.

Três a cada quatro mulheres são vítimas de pelo menos um crime de violência no pais.

Mulheres negras são as maiores vítimas de violência médica no SUS (sistema único de saúde.

55,2 % das vítimas de crimes dolosos – com intenção de mata- são mulheres negras.

52,1% de vítimas de lesões corporais são também mulheres negras.

Mulher preta resiste…

+ dados, referências e informações: Geledés

Ser o que sou – por Kéuri Santos

Reprodução/Internet

Eu gosto de cálculo, biologia e ciência, mas também gosto de cozinhar. Faço ballet e passo horas fazendo ponto cruz mas também gosto de catuaba e cerveja. 

Nunca fui boa em videogame mas eu gosto de tentar, nunca aprendi a dirigir mas isso nunca me impediu de chegar onde eu quisesse. Eu gosto de ler e amo estudar, mas eu também amo ir à academia, sair à noite e voltar de manhã.
Ter filhos é um dos meus maiores sonhos, assim como terminar três graduações, fazer mestrado e doutorado. Agora aqui no meu computador tem aba aberta sobre planta, psicologia, circuitos eletrônicos, sexo, fisiologia, blog de moda e política. Eu nunca fui uma coisa só, nunca me encaixei na ideia bizarra de que mulher TEM QUE SER algo – porque desde que a gente nasce somos definidas pelos outros, nunca por nós.

Eu passei muito tempo confusa por gostar de tudo e por muito tempo não consegui ser uma coisa sem me culpar por não ser outra. Até o dia em que eu entendi que eu só tenho que ser o que eu quiser, mesmo. 
O absurdo é que esse texto tenha tantas palavras “mas”, porque na realidade estudar pra caralho não tem nada a ver com gostar ou não de ir pro bar. Eu gosto de carnaval e de física quântica, sou sensível e tô aprendendo a reagir quando devo, sou namorada e independente, curto maquiagem e as vezes passo meses sem depilar a perna e bem, nenhuma dessas coisas anula a outra, e o principal: ninguém tem merda alguma a ver com isso, eu posso ser e sou muito mais do que qualquer um ache que eu deva.

Quem escreve

Kéuri Santos, 23 anos, estudante de Neurociência na UFABC por paixão e professora de inglês por amor.

Quero abraçar Freddie Oversteegen e nunca mais largar

Quer saber porque eu amo a Freddie Oversteegen? Porque em sua juventude, ela foi integrante da resistência holandesa durante a Segunda Guerra Mundial.
A família de Freddie já escondia pessoas que sofriam perseguição em sua casa, antes da convocação.
Freddie, hoje com 90 anos, foi recrutada juntamente com a irmã, Truus (16 anos), por um homem (cujo nome eu não descobri) quando ela tinha 14 anos. Ele pediu a permissão da mãe delas, para que ambas, que não passavam a suspeita de serem rebeldes, pudessem agir contra os nazistas. 
O grupo do qual as irmãs faziam parte também tinha uma jovem chamada Hannie Schaft, a garota dos cabelos vermelhos, a mais famosa entre as três.
Hannie Schaft e Truus, irmã de Freedie, durante a resistência
                      Truus (à esquerda) e Hannie                               
Hannie morreu antes do fim da guerra, um documentário foi feito sobre ela e seu corpo foi enterrado novamente, com a presença da Rainha Wilhemina e do Príncipe Bernhard da Holanda. Há 15 cidades na Holanda com ruas que receberam seu nome. Já  Truus, após o fim da guerra, se tornou porta-voz dos serviços memoriais e artista plástica.
   
Você acha que ela participava da guerra como soldado? Carregando armas e lançando granadas? Não! O trabalho dela (assim como das outras jovens) era seduzir soldados e lideres nazistas. Ela os levava para a floresta, onde membros armados da resistência os matavam, tiravam as roupas e enterravam o corpo. Freddie garante que nunca participou dessa parte e que sempre preferiu assim.
Thijs Zeeman, cineasta holandês, fez um documentário chamado Duas Irmãs na Resistência para a TV, onde conta sobre Freddie e também sobre sua irmã.
Ela deu uma entrevista para a VICE Holanda contando um pouco sobre como foi sua participação na guerra: 

Qual foi o papel de vocês nessa missão?

Não atirei nele — um dos homens foi quem atirou. Eu tinha que ficar de olho na minha irmã e manter um posto de guarda na floresta, para ver se ninguém mais estava vindo. Truus tinha encontrado o homem num bar caro, o seduzido e o levado para dar um passeio na floresta. Ela disse “Você gostaria de dar uma volta?” E claro que ele quis. Aí eles encontraram alguém — o que era para ser visto como uma coincidência, mas ele era um dos nossos — e o amigo disse para a Truus: “Menina, você sabe que não deveria estar aqui”. Aí eles se desculparam, deram a volta e foram embora. Aí vieram os tiros, então aquele homem nunca soube o que o acertou. Eles já tinham cavado a cova, mas não tivemos permissão para ver essa parte.

E vocês não tiveram problema com isso?

Não, eu não queria ver mesmo. Mais tarde eles nos disseram que tiraram todas as roupas dele para que o corpo não pudesse ser identificado. Acho que ele ainda deve estar lá.

Vou deixar o link com a entrevista completa aqui. Freddie se mostra encantadora, uma mulher admirável que fez muito por seu país. A luta, a coragem e a resistência dela servem de inspiração para todas nós.

Carta para a nova geração de mulheres – por Luara Alves de Abreu

Hoje os amores da titia fazem dois meses de vida e como coincidentemente é Dia Internacional da Mulher, vai ter post especial!

Meninas, não gosto muito de chamá-las de princesas, porque na maioria das vezes, a ideia de princesa remete a uma mocinha indefesa a espera de um príncipe. Vocês não são nem indefesas nem precisam de um príncipe. Vocês são guerreiras desse o ventre! Heroínas por terem sobrevivido a uma gravidez de risco.

Vocês continuarão sendo guerreiras por suas raízes também. Netas de nordestinos, negras pelo colorismo e além de tudo, mulheres. Que no futuro entendam a importância desse dia!
Não sei como vai ser o mundo quando vocês crescerem, mas atualmente há muito machismo, muita arrogância e ignorância, preconceitos de cor e gênero por todo lado e eu espero de verdade que vocês saibam lidar com tudo isso resistindo com a força que sei que têm! Empoderem-se! E no futuro, dêem um tapa na cara da sociedade. Vocês podem ser o que quiserem, se tem uma coisa que vocês podem, é poder! 
E isso inclui não serem mulheres, se não quiserem também, porque nós temos que estar cientes que gênero é construção social e pode ser que não necessariamente venha a corresponder ao sexo de vocês. Confesso-lhes que vou querer enfeitar vocês com os adereços que dizem ser ~de menina~, mas vocês não são obrigadas a seguir nenhum padrão que não as fizerem bem. Nem de gênero, nem de beleza. Toda mulher é linda a sua maneira. Encontrem a de vocês, não há necessidade de se adequarem a formas prontas. Lindo é ser livre!

Unam-se! E não só por serem irmãs de sangue, mas porque a sororidade é a forma mais eficaz de derrubar o patriarcado. Nós não precisamos competir!

O impossível não existe, mas é preciso crer. Transbordem-se. Permitam-se e sejam felizes!

Quem escreve

Luara é geminiana com ascendente em câncer. Intensa por natureza, socióloga por profissão, atriz por paixão, bailarina por amor e feminista por dever!

Vem novidades por aí

Oi Gente. O post de hoje é muito especial, porque ele vem para contar três novidades para vocês. A primeira é que temos uma nova companheira: Michelle Borges, ela é Mestre em história e leciona Criminologia. A mais nova parceira da nossa equipe irá escrever histórias e poemas. Em breve vocês iram conhecer mais sobre ela em seus posts.
Nossa mais nova parceira: Michelle.
A segunda a gente já devia ter oficializado já faz um tempinho, mas só conseguimos falar sobre isso agora: firmamos uma parceria com o blog Vintezanos. Com foco geek e pop, o Vintezanos é um espaço bem legal criado pela Mandy Castilho. 

Com essa parceria, vamos fazer alguns blogs em conjunto sobre assuntos que têm a ver com os dois blogs. Vamos começar com a continuação do post “5 séries que passam nos testes Bechdel e Mako Mori (e fazem muito mais)”, que vai ser feita lá! Não percam!

E a terceira novidade é que o principal objetivo do blog, que é a literatura colaborativa feita por mulheres e para mulheres, finalmente se tornou real.

Uhuuuh
Iniciamos nossa procura por colaboradoras e, nos últimos dias, estivemos organizando os textos que recebemos de várias autoras diferentes, e iremos publica-los a partir dessa semana. Cada texto virá com uma pequena biografia e a foto das autoras para que possam conhecer cada uma.
Mas nossa procura não acabou. Você tem algum conto, poesia, história, opinião ou qualquer texto que goste? Quer vê-lo publicado em nosso blog? Então envie pra gente no email proj.elasporelas@gmail.com. Lembrando que o texto precisa possuir uma personagem feminina como protagonista, afinal queremos aumentar a representatividade da mulher na literatura. Nossa equipe irá analisar cada um com todo carinho e manteremos você informada desdo dia que o recebermos até o dia de sua publicação. Esperamos ansiosas por sua participação.

Vamos aumentar nossa representatividade?

Reprodução/Internet
Quem aqui conhece o Aurélia levanta a mão! Calma, se você nunca ouviu falar não precisa se sentir fora da casinha. Já explico.
Aurélia – dicionário ilustrado de mulheres é um projeto feito pelas Cecilia Silveira (idealizadora) e Fernanda Drummond, que tem como finalidade ser um dicionário que oferece resumidas biografias de mulheres desse mundão com uma ilustração de cada uma delas.

Segundo a descrição do projeto (que à proposito, me encanta) “talvez, Aurélia não seja bem um dicionário, mas, antes, um espaço para o exercício do afeto. Surge como possibilidade de articular mulheres – ou seja, todo ser humano que assim se anuncia – a volta de histórias inspiradoras de outras mulheres”, e nós amamos isso não é mesmo?  Para mim é nítida e fundamental a visibilidade que conseguimos com algo desse tipo, através de Aurélia a valorização, o protagonismo e o empoderamento das mulheres é grandioso.

Selecionei algumas das minhas ídolas para mostrar aqui e deixar um gostinho de quero mais em vocês.


Malala Yousafzai

Nina Simone

Laverne Cox

Convido vocês a conhecerem e procurar mais informações na page e no tumblr  do projeto e também a darem sugestões, já que ele funciona de forma colaborativa. É só enviar para dicionarioaurelia@gmail.com.