5 games com personagens femininas fortes e não sexualizadas

games personagens femininas

 

Como prometido, hoje eu trago uma lista de 5 jogos com personagens femininas fortes e não sexualizadas. Para quem não sabe, este post era para ter saído na semana passada, mas durante a minha pesquisa uma coisa me incomodou profundamente, resultando nesse texto: A invisibilidade da mulher gamer vs a objetificação feminina nos jogos. E se antes eu já queria trazer esta lista, agora estou ainda mais motivada.

Importante frisar que eu sou uma gamer beeeem iniciante. Apesar de viciada em jogos casuais e para celular, só comecei a jogar em consoles e computadores no ano passado. A história de por que eu demorei tanto a me enveredar por esse lado renderia até outro post, mas enfim. Por isso, eu apenas tive oportunidade de jogar três dos itens da lista, sendo ela completada por indicações de terceiros e pesquisa. Mas eu digo que pode confiar sim, tá? E lá vamos nós:

 

Child of Light

Esse e Ori and the Blind Forest são os mais lindos que eu já joguei (e os meus favoritos também). Ele tem uma história ao mesmo tempo delicada e grandiosa, narrada em versos. Child of Light é uma mistura de RPG e plataforma, que se passa no reino fantástico de Lemuria. Entre pequenas aventuras e batalhas, a protagonista Aurora deve buscar e devolver o Sol, a Lua e as estrelas, que foram roubadas pela Rainha da Noite.

Aurora é uma princesa (que não gosta de ser chamada assim), de uma região da Áustria governada por seu pai, um duque. Ela, no entanto, morre e acorda em Lemúria, o que faz seu pai adoecer e seu povo ficar à mercê dos que querem usurpar seu trono. Aurora deve então entrar numa jornada para salvá-los. A sua única ajuda são os vários amigos que encontra pelo caminho, mas ela não precisa ser salva por ninguém. Ela vai desenvolvendo suas habilidades e cresce ao longo do jogo, e nenhuma de suas fases é sexualizada.

Plataformas: PlayStation 4, Xbox One, PlayStation 3, PlayStation Vita, Xbox 360, Wii U, PlayStation Portable, Microsoft Windows

 

Life is Strange            

De uma Áustria fantasiosa do século XIX para a costa oeste americana dos tempos atuais. Life is Strange conta a história de Max, uma estudante de fotografia que presencia o assassinato de uma jovem e ao impedi-lo, descobre ter o poder de voltar no tempo. Os primeiros momentos do jogo mostram um sonho de Max (que mais tarde se revela como um presságio) em que uma enorme tempestade ameaça Arcadia Bay, a cidade fictícia onde se passa a história, levando a garota a tentar salvá-la.

Max também começa a ajudar na investigação do desaparecimento de Rachel Amber, amiga e antiga paixão de Chloe, a garota que ela salvou e que na verdade era sua melhor amiga de infância. O jogo permite que suas escolhas definam o destino do jogo, de modo que Chloe possa ser também o interesse amoroso de Max. Desse modo, Life is Strange não apenas foge dos estereótipos das personagens femininas nos games, como também quebra tabus e traz representatividade LGBT.

Plataformas: PlayStation 4, Xbox One, PlayStation 3, Xbox 360, Microsoft Windows, Mac OS Classic, Linux

 

Alice: Madness Returns

Este jogo é a sequência de American McGee’s Alice, de 2000, inspirado no clássico infantil de Lewis Carroll. Em ambos, uma Alice adulta passa por terapia para superar acontecimentos traumáticos do passado, como a morte de seus pais e sua irmã em um incêndio, que a levam a pesadelos e alucinações. Após uma tentativa de suicídio, Alice é convocada pelo Coelho Branco a retornar ao País das Maravilhas e salvar o local da tirania da Rainha de Copas.

Eu tenho um pouco de relutância com jogos que você tem que controlar a câmera e o personagem separadamente, ainda mais por ser iniciante. Me falta coordenação motora. Por isso, ainda não explorei muita coisa desse. Mas a temática é bem interessante, a trilha sonora é incrível e o visual é bem legal. E a protagonista trazida aqui se encaixa muito bem nas exigências para estar nesta lista.

Plataformas: PlayStation 3, Xbox 360, Microsoft Windows (Madness Returns) e PlayStation 3, Xbox 360, Microsoft Windows, Mac OS Classic (American McGee’s)

 

Mirror’s Edge

Taí um jogo que eu ainda não joguei, perdi a oportunidade de baixar free pro Xbox e agora me arrependo. Mas isso não vem ao caso. Mirror’s Edge é uma mistura de ação, aventura e esporte, tudo em primeira pessoa. O pano de fundo é um regime totalitário onde a privacidade, a liberdade de expressão e a comunicação são suprimidos e controlados. Como alternativa, corredores são usados para transmitir mensagens, utilizando o parkour. A protagonista Faith é uma entre esses corredores.

Apesar de ser em primeira pessoa, os movimentos do jogo permitem que mais do corpo do personagem apareçam na tela, como braços e pernas. No entanto, nem as roupas nem as curvas de Faith são objetificadas, seja nesses momentos, seja em enquadramentos de corpo inteiro. O jogo original de Mirror’s Edge foi lançado em 2008 e em 2016 saiu Mirror’s Edge Catalyst, uma prequel/reboot.

Plataformas: Windows, PlayStation 3, Xbox 360, IOS, Windows Phone (original) e PlayStation 4, Xbox One, Microsoft WindowsMicrosoft (Catalyst).

 

Undertale

Este jogo indie e retrô de RPG é bem humorado e tem uma proposta pacifista (ufa, quantos adjetivos). Nele, dá para resolver todos os conflitos sem machucar ninguém. O personagem principal é um humano que cai por um buraco em um mundo subterrâneo cheio de monstros. É revelado que no passado humanos e monstros viviam na superfície, mas após uma guerra estes foram obrigados a viver sob a terra.

Quem recepciona o protagonista é Toriel, uma cabra que explica a ele como é o local onde foi parar. Entre as demais personagens femininas, temos Undyne, peixe líder da guarda real, Dra. Alphys, uma cientista e Chara, que na verdade é andrógina. É outro jogo a explorar temas que são tabu além de não objetificar nenhuma de suas personagens femininas.

Plataformas: Mac OS Classic, Microsoft Windows, Linux

 

Agradecimento especial pela ajuda da Letícia Rodrigues do blog Gênero e Videogames.

Diferente dos contos de fada: seis livros infantis que vão além de um “felizes para sempre”

O universo infantil é regado de futilidades, princesas de corpos magros e feições delicadas, fadas madrinhas, príncipes encantados que surgem para salvar donzelas submissas e indefesas, além de outros estereótipos “encantados” prontos para modelar crianças para a vida adulta integrada a uma sociedade onde não existe espaço para as diferenças e tão pouco para uma igualdade de gêneros.
Pensando nisso, fiz questão de selecionar seis livros onde contos de fada são desbancados por histórias que realmente possuem algo a dizer.

1-    Malala, a menina que queria ir para a escola
A protagonista da história, além de real dá um exemplo de resistência, luta e emponderamento. Atualmente com 19 anos continua na luta pela a educação das mulheres de seu Pais.

2-    Procurando firme
Conta a história da personagem Linda- flor, uma princesa que deseja bem mais do que um marido e a submissão das regras de seu reino. Seu maior desejo é conhecer o mundo e se aventurar!

3-    Olivia não quer ser princesa
Olivia é uma porquinha irreverente que enfrenta uma crise de identidade infantil. Enquanto todas as suas amigas querem se tornar uma princesa, Olivia sente a necessidade de ser diferente, sonhar sonhos diferentes. Isso faz com que a contestadora porquinha busque alternativas para descobrir o que deseja ser

4-     Quase de verdade
Ulisses é um cachorro que late histórias para a sua dona, entre essas histórias uma aventura que viveu no quintal da senhora Oniria. Lá existia vários galos e galinhas felizes, porém a enorme figueira que tinha inveja de toda essa alegria  estava disposta a tudo para acabar com ela. 
Clarice Lispector mostra de forma suave e infantil  sentimentos humanos.

5-    Cici tem pipi?
Para Max a sociedade  era dividida em pessoas com pipi, que eram mais fortes por terem pipi, e as sem pipi. Até que em um belo dia, uma nova aluna entra para a turma de Max e o deixa intrigado. Cici não desenha florzinhas, joga bola, e anda de bicicleta. Logo o menino levanta a hipótese: Será que Ceci tem Pipi?
A história é incrível e trata as semelhanças e diferenças entre meninos e meninas.

6-    Pippi meialonga

A personagem tem apenas 9 anos, incrivelmente forte, sem pai e nem mãe Pippi aprendeu a ser independente e corajosa desde cedo. Possui sempre a resposta na ponta da língua, além de uma extrema confiança em si mesma.

5 filmes leves que passam nos testes de Bechdel e Mako Mori – animações

Imagem: reprodução/internet

Semana passada listamos aqui no blog 5 filmes leves, live-action, que passam nos testes Bechdel e Mako Mori. Para entender o funcionamento dos dois testes, clique aqui. Como prometido, hoje eu trago a continuação do post anterior, dessa vez com 5 animações que passam nos mesmos testes. 

E por via das dúvidas, os avisos de sempre: talvez até surjam alguns pequenos spoilers, mas para evitar ainda maiores eu não vou citar as cenas ou os motivos que fazem esses filmes passarem nos testes. Confiem em mim e aproveitem a lista!
Coraline

Imagem: reprodução/internet

Baseado no livro de Neil Gaiman, essa animação em stop motion segue a história da protagonista homônima, uma menina que acabou de se mudar para uma casa entediante. Ela acaba descobrindo uma porta secreta em seu quarto que leva a uma versão alternativa (e muito mais interessante) do seu mundo. Só que aos poucos ela vai descobrindo que toda aquela perfeição é o que parece.

A magia do stop motion! <3
Coraline é uma menina curiosa, forte e inteligente. Apesar de seguir as características base da maioria das meninas protagonistas de histórias infantis, ela não é “perfeitinha” como elas, e aprende muita coisa com os “perrengues” que passa ao longo da trama. O filme também tem uma estética e um clima mais sombrios, então não espere por uma obra fofinha demais.
Lilo e Stitch

Imagem: reprodução/internet
A pequena Lilo vive no Havaí, sob a guarda de sua irmã, Nani. Ela vai a um abrigo para adotar um cãozinho e acaba pegando o mais estranho de todos, que ela batiza de Stitch. Só que o “bichinho de estimação” é na verdade uma experiência alienígena que escapou de seu criador ao ser exilada junto com ele, por ser hostil e perigosa. Enquanto o cientista tenta recapturá-lo, Stitch convive com Lilo e vai aprendendo valores e criando apego pela menina.

Essa cena é uma fofura, sério haha

Esse filme, além de ser um amorzinho, trás uma penca de novidades entre animações da Disney. Lilo e Nani formam uma família não convencional, e uma faz tudo pela outra. Nenhuma das duas segue padrões convencionais de beleza, nem têm foco em interesses românticos (o que Hollywood adora fazer inclusive com crianças). Ambas as personagens são muito bem construídas, e até o elenco secundário é recheado de mulheres.
Frozen

Imagem: reprodução/internet 

Todo mundo conhece a história, mas lá vai sinopse. Elsa e Ana são princesas do reino de Arendelle. A primeira possui poderes de gelo que, desde criança, foi obrigada a reprimir. Os pais das duas acabam morrendo num naufrágio e, na coroação de Elsa, seus poderes acabam se revelando, obrigando-a a fugir. O problema é que sua escapada mergulhou Arendelle num gélido inverno, e Ana vai atrás da irmã, a fim de fazer as pazes e acabar com o frio.

Eu não sou “hater” de Frozen, mas reconheço que esse filme tem algumas falhas. Apesar disso, não há como negar que ele representa, sim, uma fase de mudanças entre as animações infantis. Assim como Lilo e Stitch, o foco é a relação das duas irmãs e o amor entre elas. A animação também traz algumas ironias e desconstruções de clichês e estereótipos de filmes de princesa. Apesar de escorregar no gelo em alguns momentos (trocadilho inevitável, desculpa), a mensagem é passada de forma descontraída para crianças, que aderiram massivamente ao filme.
Valente

Imagem: reprodução/internet


Merida é filha do rei Fergus e da rainha Elinor. Determinada a seguir seu próprio destino, ela desafia a tradição local de criar uma competição pela mão da princesa, e entra na disputa por sua própria mão. Ela acaba despertando a fúria de todos, inclusive sua própria família, que invalida a disputa. Seus atos seguintes desencadeiam em graves consequências para todos.

A Merida é linda e gente como a gente
Mais uma vez, o foco da animação é na relação familiar (especialmente de Merida e sua mãe). Elinor é a representação da esposa-e-mãe-de-família-perfeita, enquanto Merida é rebelde e dona de si mesma. O choque entre as duas é grande, enquanto a trama se desenvolve em torno da aceitação de uma pela outra.
Meu Amigo Totoro

Imagem: reprodução/internet


Mei e Satsuki acabaram de se mudar para uma comunidade rural, para ficarem mais próximas da mãe, que está se recuperando em um hospital. Elas exploram animadas a nova casa e as redondezas, Além de ajudarem o pai nos afazeres domésticos, elas cuidam uma da outra. Em uma de suas brincadeiras, Mei acaba encontrando uma grande criatura adormecida, que ela chama de Totoro. Com o tempo as meninas acabam virando amigas da adorável criatura.

Grandalhão adorável!

Novamente, as relações familiares entram em cena nessa produção. Assuntos sérios são tratados com delicadeza, assim como as aventuras das meninas com Totoro. De fato, a delicadeza é exatamente a característica principal dessa animação, que tem uma história simples, mas muito agradável de se ver.

Gostaram da lista? Tem mais alguma animação para citar? Conta tudo pra gente nos comentários!