Exercitando o pensamento crítico: FRIENDS

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Este é a o segundo post da experiência que eu me propus a fazer aqui. Leia se quiser entender melhor. Ele também foi feito voltado para pessoas que já assistiram/assistem FRIENDS. Se você for “leigo”, perdoe-me se o texto ficar um pouco confuso.

 

    Depois de falar sobre um dos meus filmes favoritos, é a hora de uma das minhas séries favoritas. “FRIENDS” divide com “Doctor Who”, o topo do ranking das minhas paixões televisivas (não, eu não consigo escolher uma só). Comecei a assisti-la em 2010, fora de ordem, pela Warner. Não foi a primeira série que assisti freneticamente (deve ter sido alguma da Nickelodeon), mas foi a primeira que me fez ir atrás de séries.

     Relutei muito em ver na ordem, para não ter vazio existencial, mas um dia a vontade de ver tudo foi maior que o medo de não ter mais o que assistir. Atualmente estou revendo aos poucos os episódios pelo box que me dei de presente na Black Friday do ano passado. Sim, sou fã, estou em grupos da série, faço inúmeras referências a ela, salvo várias imagens e gifs, sou 100% Mondler shipper, mas isso não me impede de ver seus problemas. A máxima que eu levo não só para esta coluna e para o blog, como para a vida, é que é possível ser fã e raciocinar direito.

     Foto do meu Instagram pessoal pra provar: meu box aí

     Enfim, protocolo seguido, vamos aos elementos que eu quero apontar. Lembrando da questão do cuidado com o anacronismo: ser algo do passado não ameniza as falhas, mas as vezes as “justifica” até certa medida. “FRIENDS” foi exibida entre 1994 e 2004, numa época em que preocupações sobre representatividade, por exemplo, estavam só engatinhando. E esse é, inclusive, o maior problema da produção.

     Além do núcleo principal – não apenas dos protagonistas, mas de todos os recorrentes – ser inteiro caucasiano, em 10 anos de série, apenas 2 pessoas não-brancas apareceram em mais de um episódio. É tanta brancura que nem sei como os dentes do Ross ainda ofuscaram alguém no s6e8. Esse é um padrão que infelizmente era muito forte na época. Ou a série era “de negros” (como “Um Maluco no Pedaço”), ou o elenco é branquíssimo. E isso é algo que ainda hoje tem melhorado beeeeeem devagar.

Charlie e Julie, únicas personagens não-brancas a aparecerem em mais de um episódio. Ambas saíram com o Ross, tendo Charlie saído também com o Joey. Imagens: reprodução/internet. Montagem: Tamires Arsênio, via Canva

      A questão LGBT, apesar de mais presente, não é apresentada da melhor forma possível. Até dá para considerar progressista a presença, como personagens recorrentes, de um casal de duas mulheres, que ainda por cima compartilhavam a guarda de um filho com o pai biológico. Mas algumas das piadas sobre isso têm caráter lesbofóbico gritante, mesmo sendo reprovadas pelos próprios personagens da série – o que acaba parecendo uma tentativa falha de amenização, já que o público ri da piada, e não do contexto.

     Sem falar de Charles Bing, pai do Chandler, que na verdade é trans e carrega estereótipos, piadas preconceituosas e desinformações sobre gênero/sexualidade. Apesar da maioria dessas brincadeiras serem feitas sob a ótica de um filho “traumatizado” e mostrando sua lenta desconstrução, há o mesmo problema da situação anterior. O que causa o riso é a ridicularização da personagem trans, e não o preconceito dos demais.

Kathleen Turner como Charles Bing/Helena Handbasket. A personagem é tratada como gay, drag queen, trans, cross-dresser… Enfim, uma enorme confusão. Imagem: reprodução/internet

      A série ainda traz uma falha que as grandes produções até hoje insistem em repetir: a escalação de uma atriz cis para uma personagem trans, o que reduz as já limitadas oportunidades para essas pessoas. E reforça a higienização, uma vez que a sociedade e a mídia em si tendem a acolher (quando acolhem) apenas trans com passabilidade cis.

     Outro problema gritante em “FRIENDS” é a gordofobia. Foram várias as vezes em que o peso de alguém rendeu deboches, e “Fat Monica” é tratada quase como uma personagem à parte, que serve apenas como piada. Na verdade, a série praticamente não tem personagens gordos que não estejam ali única e exclusivamente para provocar risadas pelos estereótipos, em vez de serem tratados como pessoas reais.

    Ainda não dá para não ver o problema do machismo que permeia vários episódios. Apesar das protagonistas femininas serem liberadas sexualmente, outros personagens e até elas mesmas ocasionalmente praticam slut shame umas com as outras. Há piadas que se sustentam em estereótipos de gênero, como o episódio em que Joey estava “virando uma mulher”. E mais uma vez, várias piadas e objetificações são falsamente amenizadas pela reprovação de outros personagens (tá aí algo que parece uma constante).

Imagem: reprodução/internet. Montagem: Tamires Arsênio, via Canva

    O ódio criado em cima da Emily também é desproporcional, já que sua reação era totalmente coerente com o trauma que havia sofrido. E, por fim, Ross é extremamente machista e um clássico “nice guy”. Mas salvo raríssimas exceções, isso nunca é posto como algo tão negativo quanto de fato é (o que renderia um post inteiro à parte).

    Eu poderia me prolongar em cada tópico e citar situações específicas que me incomodaram (como o fato da Phoebe, personagem com maior potencial feminista da série, ter feito uma vez um comentário desmerecendo a causa). Infelizmente, como típica série americana dos anos 90 que é, FRIENDS tem inúmeros problemas.

Phoebe sobre feministas: “Nós podemos dirigir. Nós podemos votar. Nós podemos trabalhar. O que mais essas garotas quererm?” Ok, não preciso explicar por que isso tá errado, né? Espero que não. Imagem: reprodução/internet

    Mas isso, apesar de me entristecer, não me impede de ainda amá-la. Assim como eu citei vários pontos negativos, eu poderia citar muitos positivos. Mas esse não é o foco desta série de posts, então só me limito a dizer que, quando nós assistimos às coisas que gostamos criticamente, podemos até sofrer um pouco. Mas isso faz muito bem para a nossa consciência, além de até mesmo nos ajudar a valorizar ainda mais as coisas boas.

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“Johnny Depp em Animais Fantásticos e Onde Habitam: um texto sobre decepção e impunidade” está bloqueado Johnny Depp em Animais Fantásticos e Onde Habitam: um texto sobre decepção e impunidade

Johnny Depp em Animais Fantásticos e Onde Habitam: um texto sobre decepção e impunidade

 “Johnny Depp em Animais Fantásticos e Onde Habitam: um texto sobre decepção e impunidade” está bloqueado Johnny Depp em Animais Fantásticos e Onde Habitam: um texto sobre decepção e impunidade
Imagens: reprodução/internet. Montagem: Tamires Arsênio

Eu não sabia se eu deveria mesmo escrever sobre esse assunto na coluna, porque ele está um pouco passado e já foi falado inúmeras vezes. Muitos dos vídeos, textos e comentários feitos, inclusive, continham quase tudo que eu penso sobre. Mas eu sinto que se eu não fizer isso eu estarei sendo omissa, então vou tentar passar minha visão mais pessoal.

À época das notícias sobre a agressão de Johnny Depp à ex-mulher Amber Heard, eu cheguei a elaborar um textinho para postar aqui sobre o assunto, mas por transtornos pessoais acabei não conseguindo. Nele eu falava que se tivesse que escolher um dos dois para oferecer meu benefício da dúvida, seria ela.

Isso não apenas porque “mulheres são sempre inocentes” ou qualquer coisa do tipo. Há evidências contra ele mas não provas concretas, coisa que dificilmente teremos dado o acordo feito entre os dois. Mas isso leva também a não haver provas da inocência dele (e consequente mentira dela).

Meu benefício fica com a Amber simplesmente pela observação de padrões. Como o fato de ela ter retirado as acusações e aceitado um acordo, comum nesses casos (salvo proporções), ainda mais quando o homem é mais influente que a mulher. E o descrédito pelas acusações é um dos motivos que fazem investigações de crimes contra a mulher não irem adiante. Outro padrão que se repete é a invariável culpabilização da vítima. Cheguei a ler recentemente ela sendo julgada por ter retirado a ação, tendo mentido ou não (o que demonstra tanta falta de empatia que eu mal consigo expressar).

Finalmente, há o fator importância que eu já citei. Ele, por ser homem, já tende a ter a imagem mais protegida pela sociedade. Winona Ryder foi pega roubando em lojas e sua carreira nunca mais foi a mesma. Mel Gibson, entre outras ações deploráveis, bateu na ex-namorada e segue renomado. Sendo Depp alguém mais expressivo dentro do meio em que eles estão (e tendo uma legião de fãs absurdamente fiéis, por sinal), isso se potencializa. A imagem de Amber é que fica manchada, tendo mentido ou não. Ela inclusive correu risco de perder seu papel no filme da Liga da Justiça à época das denúncias.

Bojack Horseman. Imagem: O Filme é Legal, Mas

Depois de explicar minha posição sobre o caso em si, é hora de falar sobre a escalação. Harry Potter é uma coisa tão ligada à minha vida e à minha história que eu nem lembro mais como eu era antes de conhecer a saga. Fui apresentada a ela aos 8 anos, quando minha tia me indicou o primeiro livro – “já que você gosta tanto de ler, tá saindo filme dele agora” –, e depois disso não parei mais. O fato de ter tido contato com ela tão jovem ajuda a mesclá-la ao que eu sou, mas não dá para negar que é uma obra com potencial transformador.

Os livros falam sobre tolerância, respeito, amizade, coragem e outros valores que são essenciais para qualquer ser humano. Valores que, por mais óbvios que pareçam, não são todos tão facilmente encontrados assim. Caso contrário, não existiria tanta injustiça e opressão no mundo, e nem este blog em que agora escrevo precisaria existir. Mas há pessoas que sabem a importância dessas questões e me atrevo a dizer que algumas delas aprenderam isso com Harry Potter. Não sem bases: leitores de Harry Potter são menos propensos a serem preconceituosos, segundo estudos.

J.K. Rowling esteve em um relacionamento abusivo antes da fama e chegou a ser agredida pelo ex-marido. Este fato foi uma parte triste e importante da sua trajetória, tendo inclusive contribuído para sua depressão, que mais tarde inspiraria a criação dos Dementadores (e quem os conhece e/ou teve a doença sabe o quanto ambos podem ser terríveis).

É por esses motivos que para mim (e para uma boa parcela do público) a saga é simplesmente incompatível com a presença do Johnny Depp, ainda mais em um papel de destaque como Grindelwald. Eu entendo que contratos são complicados e que as gravações provavelmente ocorreram antes das acusações, mas por bem menos atores são substituídos. Jammie Waylett, que interpretou Crabbe, não retomou o papel no último filme por ter sido condenado por porte de drogas. Para seu azar, Waylett nunca teve o renome de Depp.

Isso, sem falar que o diretor David Yates defendeu a escolha amenizando o acontecimento e, em outras palavras, reforçando a ideia de que “vida pessoal não interfere em vida profissional”. Ou seja, dando a entender que Depp seria escolhido de todo modo. Como eu citei acima, isso seria verdade se substituições não fossem feitas apenas pela vida pessoal dos atores, e se a imagem de um filme não estivesse intrinsecamente ligada à imagem de sua equipe.

Seguir dando destaque e defendendo um ator acusado de violência contra a mulher é reforçar a sensação de impunidade com a qual nós já estamos tão acostumadas a conviver. Todas as nossas ações são políticas, absolutamente tudo. Por que uma produção audiovisual de amplo alcance e influência, que inclusive prega ideais de justiça, não o seria?

Mais um ponto que me incomoda: o fato de eu rejeitar a escolha por motivos ideológicos leva as pessoas a descartarem todos os meus outros motivos. MESMO se Johnny Depp não estivesse envolvido nessas polêmicas eu não teria gostado. O fato de ele ser americano e o personagem alemão (ou coisa do tipo) é o menor dos problemas (mas é um deles).

Eu já fui fã dele, e costumava defender que, apesar dos trabalhos ruins, ele também podia ser muito bom. Mas eu não era cega e sabia que quanto mais “pop” era o filme, pior era sua atuação. E qualquer coisa ligada ao nome Harry Potter é inegavelmente pop. Ir de um vilão tão bem interpretado como o Voldemort de Ralph Fiennes para um Grindewald muito provavelmente caricato não me agrada nem um pouco.

E os dois aspectos nem precisam ser totalmente desassociados. Yates defendeu a escolha com base na ideia de que Depp seria o melhor para o papel. O fato dele não ser só dá mais força para a ideia de que não importa nem se a pessoa está envolvida em um caso de agressão, nem se ele não é tão essencial assim para a trama: ele vai seguir impune.

Por fim, lembro que sim, eu realmente acredito na ressocialização e recuperação das pessoas, mas isso não significa que eu deva aceitar impunidade. E é isso que esse caso GRITA em todos os seus aspectos. Sem falar que em menos de um ano após as denúncias Depp já está sendo não apenas defendido, mas também vangloriado e recebendo aplausos. E, meus amigos, se isso não é um belo tapa na cara de qualquer pessoa que luta pelo fim da violência contra a mulher e sua banalização, eu não sei mais o que é.

Sexualização feminina não é estilo p**ra nenhuma

Imagens: reprodução/internet. Montagem: Tamires Arsênio/via Canva

Quando acreditamos estar vencendo barreiras e prestes a viver uma ótima era como mulheres consumidoras de cultura pop/nerd, a verdade nos dá uma rasteira e mostra que esse ambiente (como todos os outros) continua extremamente tóxico para nós.

Sim, as produções têm cada vez mais colocado a mão na consciência e percebido o óbvio: mulheres também são público. Isso vale em filmes, HQs, livros, séries e outros conteúdos tradicionalmente voltados para o público masculino (mas que sempre foram amplamente consumidos por mulheres).

Eu, particularmente, comecei a ler quadrinhos seriamente há pouco tempo. Antes, consumia mais revistas justamente voltadas para o público feminino (colecionei W.I.T.C.H. por muito tempo) ou misto (e dá-lhe MSP nas minhas seleções).

Quando meu interesse em expandir esse consumo aumentou, eu já estava inserida no feminismo e pendendo a consumir produtos feitos sobre mulheres e por mulheres. Entretanto, apesar de estar ficando cada vez mais fácil encontrar conteúdos que se adequem ao primeiro requisito, o segundo continua escasso.

A nova revista da Miss Marvel foi uma das responsáveis pelo aumento do meu interesse por quadrinhos, e foge totalmente do padrão de personagens sexualizadas. Por trás de sua produção, nomes femininos. Imagem: reprodução/internet

E isso provavelmente explica por que a gente continua se decepcionando com a indústria cultural. Eu mal havia elogiado a Marvel (que, em detrimento da DC, estava reduzindo bastante a sexualização de personagens femininas e dando cada vez mais protagonismo para elas), e me surge a polêmica da capa variante da Invincible Iron Man que trazia a personagem Riri Williams, de apenas 15 anos, objetificada.

A arte era de J. Scott Campbell e teve que ser alterada (às pressas e com um resultado bem ruim, diga-se de passagem). O desenhista reclamou das críticas dizendo que sua intenção era desenhar “uma jovem mulher atrevida e em fase de crescimento”. A justificativa, que leva em conta características menos importantes (e às vezes até inexistentes) de personagens femininas já é clássica.

Da esquerda para a direita: a primeira capa com a personagem a ser apresentada, a versão original da capa feita por Campbell e a versão modificada. Imagens: reprodução/internet. Montagem: Tamires Arsênio

O grupo que sai em defesa de Campbell alega que esse é o seu estilo, que reclamar disso é limitar um artista. Seria como reclamar do surrealismo da obra de Dali. Ou, pegando algo ainda mais próximo, reclamar da sexualização das personagens de Milo Manara, famoso por suas histórias eróticas.

Este, por sinal, está envolvido em outro acontecimento que foi um belo tapa na cara das mulheres consumidoras de HQs. Na verdade, foram dois absurdos reunidos em pouquíssimo tempo. Primeiro: Milo Manara e Frank Cho foram protagonistas de um painel na Comic Com italiana sobre… mulheres no quadrinhos.

Cho também é conhecido por retratar personagens femininas extremamente sexualizadas e desproporcionais. Manara pode ter sido revolucionário quando surgiu, mas hoje em dia é só mais um homem desenhando mulheres sob uma ótica masculina – não tem absolutamente nada de novo nisso. Os dois são as ÚLTIMAS pessoas que se pode esperar em um painel decente sobre desenhar mulheres.

Segundo: os dois teriam “unido forças para combater a censura nos quadrinhos” e blablablá. Nisso, Manara presenteou Cho com uma ilustração da Mulher-Aranha ainda mais sexualizada que sua famosa capa para uma edição da revista da heroína. Seria algo apenas de mau gosto e material de punheta presente para o Cho, se este não tivesse a brilhante ideia de publicar a imagem explícita no seu Facebook. E ainda se vangloriar pela sua “luta contra tabus”.

Ninguém é obrigado a ver essa imagem escrota explícita, então deixo a borrada aqui e quem quiser pode clicar acima ou aqui pra ser redirecionado a ela

Eu vou evitar falar sobre o choro de Cho, que até eu que estou há pouco tempo no mundo dos quadrinhos não aguento mais. Deixo aqui um texto excelente do Collant Sem Decote sobre o mesmo caso e que foca nesse aspecto.

Agora eu vou tentar fazer uma convergência sobre os dois casos e o que mais me incomodou sobre eles. Claro, além da ofensiva objetificação das duas personagens (que atinge as mulheres em geral). Eu estou falando da defesa incansável, para não falar endeusamento, dos três artistas.

Já era de se esperar que a tal “broderagem” entraria em cena nesse contexto, assim como a galera conservadora/machista. Mas nesse caso entram também os que, assim como Cho, se acham subversivos e destruidores de tabus, e ainda os que colocam artistas masculinos num pedestal intocável.

O argumento do estilo ecoa por todo lado em que alguém se posiciona a favor deles. Mas vamos lá, não é no mínimo curioso que TRÊS artistas envolvidos em polêmicas recentes tenham como “estilo” a sexualização? Manara ainda é um artista de nicho (mas que curiosamente estava em um painel sobre quadrinhos para um público amplo). Mas Campbell e Cho estão inseridos num meio bem menos específico.

Tão repetitivo que chega a cansar, sério. Imagens: reprodução/internet. Montagem: Tamires Arsênio/via Canva

Meio esse que usa o corpo feminino como produto há tanto tempo que isso provavelmente nunca foi realmente marca de estilo. É algo que todo mundo faz. O diferente, inclusive, é a criação de personagens femininas que sejam mais que apenas adereços de cena para agradar os olhos (e os hormônios) masculinos.

Campbell postou em seu Facebook uma arte (desvinculada) com uma releitura da Riri. E provou ali que era capaz sim de sair de sua zona de conforto (o tal do “estilo”), respeitando a proposta da personagem. Será que era tão difícil assim fazer o mesmo em um trabalho oficial?

“Riri Rethink” (Riri reimaginada), legenda que Campbell deu para a própria postagem. Imagem: reprodução/J. Scott Campbell

Não dá pra chamar de estilo algo que se repete incansavelmente, na indústria cultural como um todo e também especificamente nos quadrinhos. No máximo é mais do mesmo com algumas variações pessoais. Também não dá pra chamar de estilo algo que estereotipa, ofende e oprime um grupo de pessoas.

Enfim, indo na vibe boca suja do título desse texto, não dá pra aceitar que um monte de homens escrotos siga fazendo trabalhos ofensivos. E que um monte de cuzão no público os defenda como intocáveis apenas por serem homens e atenderem suas “necessidades” sexuais. Não, não é defender estilo porra nenhuma: é só privilégio masculino, mesmo.

[ATUALIZAÇÃO: a imagem postada por Campbell acabou se tornando capa variante da edição #2 de Invincible Iron Man. Veja a arte finalizada aqui]

Exercitando o pensamento crítico: Bonequinha de Luxo

Bonequinha de Luxo

Este é a o primeiro post da experiência que eu me propus a fazer aqui. Leia se quiser entender melhor.

Bonequinha de Luxo é um dos meus filmes preferidos, e sem dúvida o mais icônico da maravilhosa Audrey Hepburn. Eu me encantei por ele pela primeira vez aos 17 anos, e foi justamente nessa época que surgiu o meu amor pela atriz.

Entretanto, por mais que então eu não me atentasse tanto aos detalhes, é inegável que a produção possui, sim, alguns problemas. O mais explícito e exaustivamente apontado se trata do yellowface feito pelo ator Mikey Rooney, intérprete do japonês caricato Sr. Yunioshi. O personagem faz uma representação completamente negativa dos orientas: racista, estereotipada e como um mero alívio cômico.

Senhor Yunioshi
Mikey Rooney como senhor Yunioshi (reprodução/internet)

As cenas em que ele aparece, inclusive, são totalmente descartáveis. O que só aumenta a sensação de que era um erro “evitável”. Lógico que não dá para cair no anacronismo: em 1961 as preocupações atuais com representatividade simplesmente não existiam. Mas isso não anula e nem mesmo diminui ou justifica o erro. No máximo o explica e contextualiza.

Um comparativo: o mesmo filme traz um ator espanhol (José Luis de Vilallonga) como um personagem brasileiro. Primeiramente, tal fato é recorrente ainda hoje. Vide a mesma troca feita em Comer, Rezar, Amar (2010), onde Javier Bardem também interpreta um brasileiro, e o recente caso do Wagner Moura interpretando o colombiano Pablo Escobar. E, mas importante ainda, apesar de pecar em representatividade, o personagem não é caricato ou ofensivo. Sr. Yunioshi é isso tudo, com o adicional da prática do yellowface, o que aumenta o absurdo.

Villalonga
Villalonga em Bonequinha de Luxo (reprodução/internet)

Apesar de ser o mais famoso – e óbvio –, esse não é o único ponto do filme que pede reflexão. No que diz respeito à trama em si, há dois pontos que eu queria destacar. Um deles é meio baseado em “achismo”, porque eu ainda não tive oportunidade de ler a novela na qual o filme se inspira para tirar melhores conclusões. Mas pelo que sei, comparada à obra original de Truman Capote, a versão cinematográfica pode ser considerada meio medrosa.

Como tantas adaptações da época, a película deixou de lado alguns aspectos considerados polêmicos e/ou pesados do livro. Como, por exemplo, a sexualidade dos protagonistas: Holly seria supostamente bissexual, e Paul/Fred, gay. Isso tudo não apenas tornou Bonequinha de Luxo menos representativo, como menos subversivo – e mais despretensioso.

O outro ponto, e provavelmente o que eu tenho mais dificuldade de admitir, faz parte justamente da mensagem do filme. Não custa nada avisar sobre spoilers (mesmo sendo de algo de 55 anos), já que vou citar mais detalhes, inclusive o final. Holly é uma personagem complexa. Dá para dizer que ela esconde muitas características através de seus opostos: insegura, mas se faz de forte; profundamente ligada ao irmão, mas age como desapegada; indecisa, mas se enche de planos mirabolantes.

Mas nada disso a torna uma personagem fraca, pelo contrário. E, apesar de muitos desses opostos serem usados como casca, alguns são naturais. Como o seu espírito livre, a despeito de sua vontade de encontrar seu lugar. Essa liberdade a faz fugir de Paul até o final, quando ela finalmente se rende e os dois ficam juntos. A mensagem que fica é que, assim, ela encontrou seu lugar.

Talvez isso não fosse tão incômodo se não desse a sensação de descarte do diálogo que os dois têm na cena anterior (imagem abaixo).

Bonequinha de Luxo
Paul: Holly, eu estou apaixonado por você / Holly: E daí? /  Paul: E daí? Tudo! Eu amo você! Você pertence a mim. /  Holly: Não. Pessoas não pertencem umas às outras. /  Paul: Claro que elas pertencem! /  Holly: Não vou deixar ninguém me colocar em uma jaula! /  Paul: Eu não vou colocá-la em uma jaula! Eu quero amá-la! /  Holly: É a mesma coisa!

Holly acredita que o amor é uma prisão. Não há nada entre esse diálogo e a cena final que realmente demonstre que ela mudou esse pensamento. A sensação que fica é, ao contrário, que ela escolhe abdicar da própria liberdade em prol desse amor. E é um pouco decepcionante que uma personagem tão interessante e, principalmente, livre, abra mão de algo tão importante para ela, bem… por um homem. Talvez se houvesse algo mais claro que demonstrasse que ela passou a enxergar o amor de outra forma, o final não passasse essa sensação. Mas da forma como foi apresentado, infelizmente é isso que fica.

Mas, hei, eu ainda amo esse filme. Enxergo suas falhas, mas não deixo de amá-lo. E, aproveitando a oportunidade, quero fazer o inverso nesse último parágrafo e apresentar uma “contra-crítica”. Eu sempre vejo a Holly sendo incluída nas listas de Manic Pixie Dream Girls do cinema (como você vê aqui, em inglês), e não consigo concordar. MPDG são personagens femininas “maluquinhas”, sem muito pano de fundo, com defeitos “adoráveis” e que só servem de motivação para um pobre e infeliz protagonista masculino. Exemplos clássicos: a personagem que fez surgir o conceito, Claire (Kirsten Dunst), de Elizabethtown, e Allison (Zooey Deschanel), de Sim, Senhor.

Kirsten Dunst e Zooey Deschanel
Claire e Alisson (reprodução/internet)

Eu não vejo sentido nessa classificação. Na verdade, várias personagens da Audrey o são, mas não vejo a Holly assim. Tanto pela complexidade da personagem, que eu já apresentei, quanto pela sensação de que, na verdade, Paul é o personagem raso da história. Holly tem pano de fundo, defeitos de verdade e muda ao longo da trama. Já Paul permanece praticamente o mesmo do começo ao fim. Ele no máximo tem bons momentos com Holly, mas não sofreu realmente nenhuma grande transformação. Isso, se pararmos para pensar, quem passou foi ela. Seria Paul, então, um Manic Pixie Dream Boy? Algo a se pensar…

Seu gosto pessoal não precisa engolir seu pensamento crítico

Reprodução/internet
Quando gostamos muito de alguma coisa, muitas vezes acabamos tendo dificuldade para ver as suas imperfeições. É como quando estamos apaixonados por alguém, né? Pensando bem, é mais fácil ver os defeitos das pessoas que amamos (ainda mais quando eles irritam) do que ver os dos filmes, livros e séries dos quais somos fãs. E se os vemos, acabamos sentindo até uma dorzinha por aquela falha existir.
Dor e sofrimento (reprodução/internet)
Mas isso não deveria e nem precisa ser assim. Dá pra analisar  friamente uma produção e ainda assim ser fã dela. É difícil e eu sei bem disso, mas não são coisas desassociadas. Gosto pessoal e pensamento crítico, ao mesmo tempo que são idéias completamente diferentes, não são antônimos e podem andar lado a lado. Uma coisa pode inclusive complementar e contribuir com a outra.
E como eu falei, tudo bem ter essa dificuldade ou até sentir aquela dorzinha que eu já citei. Eu mesma ainda passo por isso. O problema é que muita gente simplesmente não consegue ver o pensamento crítico e o gosto pessoal dessa forma, e ainda não aceita que alguém veja. Ou acham que fãs devem idolatrar cegamente aquilo de que gostam, ou que seu gosto pessoal é uma regra absoluta, ou que, por ser só entretenimento, não podemos ficar “pensando demais” em vez de “só curtir” aquela coisa.
Não sei lidar… (reprodução/internet)
Nenhuma dessas hipóteses parece muito saudável. Não vou nem entrar no mérito da arrogância de achar que sua opinião é a única coisa importante no mundo, mas os outros dois exemplos acima têm problemáticas semelhantes. Tanto a ideia de “só curtir” quanto a de ser fã de algo sem questionamentos são alienadoras e, de certo modo, até ingênuas.
Produtos culturais possuem panos de fundo além daquilo que mostram, além de refletirem a sociedade em que vivemos. Uma produção cultural pouco representativa, que cria esteriótipos ou preconceituosa demonstra desinteresse dos produtores de fugirem disso e refletem uma sociedade que segue os mesmos moldes. Além do mais, como o nome já diz, esses produtos são feitos visando o lucro. E nós, como público, deveríamos ao menos parar para pensar em quem nós estamos enriquecendo (direta ou indiretamente) com os nossos gostos.
O pessoal da indústria já tá assim, aliás (reprodução/internet)
Pensando nisso e em outras coisas, decidi começar aqui no blog um projeto de exercício de pensamento crítico. Eu me englobo de verdade no grupo que “sofre” para ver defeitos nas coisas de que gosto. Por isso vou começar a fazer análises mais frias de produções das quais eu gosto muito e postar no blog. Será uma série, mas não obrigatoriamente os posts serão feitos em sequência. E a ótica será principalmente dentro da temática do Elas por Elas (ou seja, feminista).
Vai ser duro? Vai. Justamente por isso vou tentar começar devagar, por coisas com as quais tenho menos apego e ir aumentando gradativamente. Assim eu tenho fé que vai dar certo. Quem sabe um dia não chego a falar mal de Harry Potter? -sqn
Enfim, espero que gostem dos próximos posts, e que eles ajudem quem tiver as mesmas dificuldade que eu a exercitar a visão analítica. Até o próximo post!
lolita

Ships problemáticos – parte IV: o fetiche sobre “a novinha”

lolita

Esta é a quarta parte de uma série de posts. Leia a primeira parte aqui. A segunda aqui. E a terceira aqui.

 

Estou entrando em terreno pedregoso com este post, eu sei.  Tanto pela amplitude do tema quanto por sua densidade. O fenômeno da sexualização infantil é muito complexo, o que dificulta um texto breve e recortado sobre ele, com o peso correto nas palavras. Mas vamos tentar…

Quando se fala em proteção às crianças, é importante lembrar que não apenas essa é uma preocupação recente, como o próprio conceito de infância só surgiu na idade moderna. E a sociedade ainda demorou alguns séculos para começar a se atentar a elas. Isso NÃO ameniza os males feitos no passado, mas nos ajuda a entender por que eles faziam parte de um assunto que era deixado de lado.

Hoje em dia, entretanto, ao mesmo tempo em que se fala muito disso, temos muito a melhorar. E uma das coisas que nossa sociedade ainda tem dificuldade de discernir é o conceito de vulnerabilidade. Ao mesmo tempo que se repudia consideravelmente a sexualização de meninas de 11, 12 anos, ela também naturaliza e relativiza a objetificação e adultização de também meninas (sim, meninas) de 16, 17 anos. E isso pode ser exemplificado com um dos ships problemáticos mais antigos: a romantização de Lolita.

Lolita - Poster
reprodução/internet

A personagem título, na obra original de Vladimir Nabokov, tem apenas 12 anos, algo chocante até para a época (1955). Em seu filme de 1962 baseado na obra, Stanley Kubrick, além de amenizar a sexualização e não mostrar o sofrimento de Lolita, teve de escalar uma atriz de 14 anos e aumentar a idade da personagem para passar pela censura.

A redução do impacto, no entanto, levou ao aumento da romantização. Lolita virou sinônimo para adolescentes provocativas e sexualmente atraentes, que ainda guardam aspectos da infância. E ironicamente é esse ar de criança (daqueeeelas mesmas que a sociedade jura querer proteger) que mais contribui para a criação de um fetiche sobre esse esteriótipo.

Mas a “lolitização” não é exclusiva como distorção da noção de vulnerabilidade, uma vez que o inverso também acontece. Se uma menina (inclusive de menos de 13 anos) possui feitios de adulta e uma suposta maturidade, já são depositadas sobre ela responsabilidades e expectativas de adulta.

E qualquer comportamento serve de gatilho para a adultização. Como esquecer o caso de Valentina, participante do MasterChef Jr, que virou alvo na internet por sua aparência, levando até à criação da campanha Meu Primeiro Assédio? O próprio fato da menina cozinhar já era visto como sinal de maturidade.

Print Valentina
Uma parte do assédio sofrido por Valentina (reprodução/internet)

Lembrando que a própria sociedade também pressiona meninas a se tornarem mulheres, e então se aproveita dos resultados para responsabilizá-las. Se uma menina de 13 anos já procura se relacionar com meninos, da sua idade ou mais velhos, consideram que ela sabe o que faz e “dá conta do recado”. Mas se uma menina da mesma idade se comporta como criança, a tratam como imatura (coisa que nem deveria ser um problema, ela é uma CRIANÇA).

Um exemplo curioso: colegas de elenco numa novela infantil, Larissa Manoela e Maisa Silva têm perfis diferentes e consequentes repercussões diferentes na mídia. Enquanto a primeira é considerada responsável pelas próprias ações e até chamada de “puta” por namorar desde os 12 anos, a segunda já teve que rebater críticas por se comportar e se assumir como uma criança.

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Maisa inclusive não escapou do assédio (reprodução/internet)

Voltando aos ships, temos o filme O Profissional, de 1994. No roteiro original, o matador profissional Léon (Jean Reno), e a jovem Mathilda (Natalie Portman), de apenas 12 anos, viravam amantes. Apesar da alteração no resultado final, ainda é possível encontrar quem romantize a relação, tomando como base tanto o vínculo afetivo mostrado nas telas, quanto as ações mais adultas de Mathilda.

O Profissional
Cena de O Profissional (reprodução/internet)

Também dá para fazer um post especial só sobre a fetichização da relação professor-aluna, mas vamos simplificar com um exemplo. Uma das coisas mais lindas no grupo CLAMP é que todas as formas de amor valem. Uma das coisas mais problemáticas do CLAMP é que todas as formas de “amor” valem. E em Sakura Card Captors, no mangá, há um relacionamento entre a estudante Rika Sasaki e seu professor, Yoshiyuki Terada (mesmo ela sendo uma criança). Os dois chegam a ficar noivos.

CCS
Página do Mangá em que Yoshiyuki dá um anel de compromisso a Rika (reprodução/internet)

Indo para um universo mais fanon, temos os inúmeros ships feitos entre Hermione e adultos. Hermione/Snape, Hermione/Sirius, Hermione/Lupin, até Hermione/Dumbledore: tudo isso você encontra em fanfics por aí. A própria intérprete da personagem nos cinemas, Emma Watson, já se queixou sobre a sexualização que sofreu desde muito nova, reconhecida inclusive por seus colegas de elenco. E sua personagem passou pela fetichização e pela adultização forçada, o que inclusive contribui para a objetificação da atriz.

ME-DO. E dica: não pesquise sobre Hermione/Hagrid. Sério, não pesquise (imagens: reprodução/internet)

E como eu já falei inúmeras vezes nessa série, o grande problema da romantização de elementos problemáticos da ficção é justamente o reflexo que isso traz para a realidade. Desde a transferência da carga de um personagem para a atriz que o interpreta, até a naturalização de situações como as pelas quais passaram Valentina, Maisa e Larissa Manoela.

Em tempo: de algum modo essa série está me fazendo notar que Crepúsculo consegue se enquadrar em quase todos os tipos de ships problemáticos dos quais me proponho a falar. E para não dizerem que não citei dessa vez: Bella tinha 16 anos no primeiro livro, e Edward 114. Auto-explicativo? Espero que sim.

stranger things - ships problemáticos

Ships problemáticos – parte III: quando o ‘creepy’ vira ‘fofo’

stranger things - ships problemáticos

Esta é a terceira parte de uma série de posts. Leia a primeira parte aqui. E a segunda aqui.

 

Em um episódio de How I Met Your Mother (P.S. I Love You, 8×15), o pior personagem protagonista Ted apresenta a teoria “Dobler-Dahmer”*:

“Se duas pessoas estão a fim uma da outra, então um grande ato romântico funciona: Dobler, mas se uma pessoa não está a fim, o mesmo gesto vira uma loucura de serial-killer: Dahmer”

Ele usa essa teoria para justificar as ações de uma garota em quem ele está interessado, Dobler, mas que ao longo do episódio vai se revelando mais e mais esquisita, até acabar virando uma Dahmer.

Dobler-Dahmer
Reprodução/internet


Por mais que eu deteste o Ted e essa teoria seja problemática, o episódio faz uma brincadeira que ajuda a esclarecer uma coisa: não importa o quanto haja interesse das duas partes, existe um limite, em que você começa a invadir o espaço pessoal de alguém, e em que invariavelmente você se torna um stalker.

Dito isso, é interessante observar o quanto a ficção ignora esse limite, mesmo quando o cara tem tudo para se enquadrar num Dahmer. Isso até quando não existe qualquer reciprocidade (elemento básico para considerá-lo um Dobler, só lembrando).

Finn - Futurama
“Não tenho certeza se é romântico ou assustador” Na dúvida, assustador. Sempre asustador (reprodução/internet)


Ah, e claro, aquela velha regra de “aceitável para homens mas não para mulheres” permanece aqui, viu? Enquanto o cara obcecado é romântico, a moça que faz as mesmas coisas que ele é patética. Por isso é tão mais comum ver ações masculinas do tipo sendo romantizadas na ficção.

Assim, se cria um fenômeno tão assustador quanto seus protagonistas: o “creepy guy” que acaba virando “o fofo”. Não importa se ele se pendura em uma roda gigante e ameaça se matar se a garota não sair com ele, se ele fica no quarto dela escondido a vendo dormir (cof-Crepúsculo de novo-cof) ou se ele é um dos muitos personagens bizarros de filmes do Adam Sandler.

Crepúsculo
“Edward: Eu estou aqui todas as noites… Te observando enquanto dorme. Bella: Oh, Edward! Isso é tão romântico!” “STALKERS: Eles NÃO são românticos. Eles são ASSUSTADORES. Chame a polícia” (reprodução/internet)


Essas coisas não são apresentadas como atos perturbadores e sinais de possíveis distúrbios psicológicos, mas como ações de românticos incorrigíveis. Ah, importante frisar: nem sempre o creepy guy precisa de ajuda psicológica; às vezes ele é só um babaca acostumado a ter tudo o que quer.

E como eu já falei no último post, esses padrões das grandes produções estão entre os responsáveis pelo surgimento e manutenção de ships com a mesma ideia. Em Friends, por exemplo, há um episódio em que a Phoebe passa a ser seguida por um cara que acha que ela é sua irmã gêmea, Ursula. Ela acaba se afeiçoando ao stalker, e inclusive deixa que ele a siga. O relacionamento dos dois não chega nem perto de dar certo por motivos óbvios, mas eu já topei com fãs que chegaram a shippar o “casal”.

Friends
Malcolm (stalker da Ursula) e Phoebe  (reprodução/internet)


Um caso bem recente vem da nova produção da Netflix, Stranger Things – que, aliás, foi o que me fez lembrar desse fenômeno e adicionar este post à série –. Vou tentar não dar spoilers (até porque eu ainda estou no 4º episódio e só vou falar sobre o que já vi e no máximo me basear no que me falaram). Mas se não quiser saber nada sobre, pule os dois próximos parágrafos.

Basicamente, não é nada legal um romance entre a Nancy e o Jonathan depois que ele a espionou e fotografou escondido em um momento de intimidade. Aliás, a espiada já é creepy e invasão de privacidade por si só, mas o registro da sua imagem sem autorização não só é ainda mais assustador como, com o perdão da palavra, bem escroto.

Jonathan e Nancy  (reprodução/internet)

Surge também a questão que shippá-la com ele só por considerar pior o outro pretendente dela, Steve, é um reforço da ideia de que uma personagem feminina precisa de um homem para ter sua trama completa.

E enquanto o padrão da semana passada (o personagem feminino como redenção do masculino) trazia a mulher como recompensa pelo bom comportamento do homem, este de certo modo faz um caminho inverso: não só não importa o quanto o cara ultrapasse o limite pessoal da moça, como é isso que o leva a conquistá-la. Acho que dá pra entender o que tem de errado aí, né?

* A teoria faz referência a Lloyd Dobler, do filme Digam o que quiserem, e ao serial-killer Jeffrey Dahmer

Ships problemáticos – parte II: ‘Ela é a redenção dele’

ships problemáticos


Esta é a segunda parte de uma série de posts. Leia a primeira parte aqui.

Era uma vez, uma mocinha. Essa mocinha era uma pessoa legal, que não desejava mal a quase ninguém, e na maior parte do tempo estava até fazendo o bem. Mas existia também um cara mau que não a deixava em paz. Ele a tratava das piores maneiras possíveis, sem se importar. Os sentimentos dela? Não valiam nada. O que valia era a vontade dele.

Só que, secretamente, esse cara mau escondia um enorme amor pela mocinha. Mas como ele era mau, simplesmente seguiu fazendo essas coisas horríveis com ela. Até que, um dia, alguma coisa fez com que ele deixasse de fazer uma coisa ruim com ela, e o amor falou mais alto. Isso fez então com que a mocinha não apenas o perdoasse, como caísse de amores por ele. E, assim, os dois ficam juntos, se amam, ele se redime de todos os pecados e eles vivem felizes para sempre.

Será?

Essa história te comoveu? Se sim, não deveria. Se não, você consegue ver por que? Há algo de cruel aí. Pra início de conversa, temos a limitação de uma personagem feminina, que poderia ter mil potenciais a serem explorados, a mero interesse romântico do personagem masculino. Mas isso, apesar de ser um problema, ainda é menor do que o que dá nome a esse post: a redução da personagem feminina ao elemento de redenção do cara que a fez tanto mal.

Esse é um elemento comum na ficção: Crepúsculo, 50 Tons de Cinza, Gossip Girl, inúmeras novelas… São várias as tramas em que a personagem feminina é maltratada por um cara (vilão anunciado ou não), mas que no final é o amor dele por ela (e, claro, o fato deles acabarem ficando juntos) que faz com que ele se arrependa dos seus erros e passe a ser um cara legal.

Esse é um padrão que GRITA machismo. Sabemos que a sociedade prioriza os sentimentos dos homens aos das mulheres. Isso a gente vê o tempo todo: com o monte de “not all men” que surgem quando estamos falando de casos de estupro, com o benefício da dúvida que eles sempre recebem ao cometerem violência contra nós (para não correr risco de manchar suas reputações com nosso sangue), com a exaltação dos “heróis da friendzone” que foram rejeitados pelas moças malvadas… E inclusive na ideia de que se um homem te ama, tudo que ele faz se justifica. E consequentemente a arte espelha em si esse padrão.

E como o fandom (universo de fãs) espelha tanto a sociedade quanto a cultura de massas, não chega a ser completamente surpreendente que surjam ships não-canônicos que seguem essa mesma lógica. No primeiro post eu citei um deles, um dos piores aliás: Jessica Jones e Kilgrave. Mas não precisa ir tão longe para encontrar ships que costumam ser defendidos com base na ideia de que o amor da mocinha pode levar o cara mau para o caminho do bem.

Em Star Wars VII, há pessoas que shippam Rey e Kylo Ren por esse motivo, mesmo depois dele tentar matá-la. Mas a ideia de que ele poderia sair do lado negro da força se ficar com ela parece ser argumento suficiente para isso acontecer, né? Né? Este texto no Tumblr (em inglês) faz uma excelente análise do caso, que também  se aplica a este post em geral.

É justamente no Tumblr que esse ship é tão  popular, e onde mais aparecem fanarts como essa

 

Não, nem o seu Dramione escapa desse padrão. Draco é sim um personagem complexo, que cresceu numa família que não lhe passou outro tipo de comportamento senão o elitista e preconceituoso. Mas isso não muda o fato de que ele era racista e cruel, inclusive com a Hermione. Só por um instante, traga a situação para a vida real e substitua a expressão “sangue-ruim” por “macaca” ou qualquer outra ofensa racista. Ia continuar sendo legal que os dois ficassem juntos, depois de tudo que ele fez com ela, só porque isso significaria que ele estava se redimindo? Esse tipo de bullying pesado, especialmente o bullying racista, deixa marcas profundas. Até a ideia dos dois ficarem juntos só depois que ele encontrasse essa redenção, sozinho, me desagrada. É um tipo de passado difícil de ser deixado para trás.

Snape/Lily é outro ship que se assemelha a Dramione e não  deixa de ser complicado. Apesar de “Always” ter virado um lema entre os potterheads, não dá para esquecer  que Snape praticou esse mesmo bullying racista contra Lily, que pra piorar era sua amiga. Isso tudo além  de ter colocado essa amizade abaixo do orgulho e seguido por um caminho que faria mal a ela mesma.

Em suma, o problema é que esse tipo de ship nunca leva em conta os sentimentos da personagem feminina. Quando muito, dão uma medalhinha de honra ao mérito pela conquista de ter mudado a vida de alguém. Só que mulher nenhuma tinha que ter uma obrigação moral de mudar um homem, muito menos de um que a fez tanto mal. E esse papel parece inofensivo quando falamos de ficção, mas aplicado à vida real ele é extremamente nocivo. E assim como a ficção reproduz elementos da vida, ela também faz a manutenção de  valores e padrões sociais.

Ah, algo que eu já falei na primeira parte dessa série, mas sempre é bom reforçar. Quando falamos de ships não-canônicos temos uma margem muito grande, feita pela imaginação dos fãs. Um ship muito problemático pode virar algo muito mais complexo dependendo da motivação de cada pessoa. O importante aqui é fazer uma reflexão sincera sobre a sua, e se necessário admitir que alguma coisa não tá legal aí.

SPOILER DE BUFFY: THE VAMPIRE SLAYER

Deixo aqui um mea culpa: já shippei Buffy e Spike por esse motivo. Quando caiu minha ficha, me senti mal, mas fiquei feliz por ter refletido sobre o assunto. Lógico que não vou negar que eu ainda vejo certa química entre eles, mas não mais ao ponto de querer que ele fique com ela só porque ficou (ou para ficar) bonzinho, né? E, olha, uma coisa a ser aprendida com a série: o cara pode ficar bonzinho (ou mais ou menos) porque gosta da garota legal, mas ele não precisa ficar com ela ou ganhar uma estrela dourada por/para isso.

Ships problemáticos – Parte I

Ship é o termo usado para designar o casal (real ou em potencial) apoiado por um ou mais fãs. Essa ação se chama shippar. Ou seja, por exemplo, Rony e Hermione é um ship, e eu, que sempre torci para que eles ficassem juntos, shippo os dois. O universo de fãs é imenso e cheio de termos e definições, inclusive no que diz respeito aos ships, mas esse é o básico.

Quando se está há muito tempo envolvido nesse meio, a gente acaba aprendendo e se acostumando com o fato de que quase tudo é shippável. Desde personagens sem química, ou que nunca apresentaram qualquer intenção romântica, até personagens que nunca se conheceram (e aí se inclui até crossovers).

Recentemente até viralizaram umas fanfics super trashFaustão e Selena Gomez, Faustão/Ana Maria Braga/Harry StylesSelena Gomez e Stalin. Por algum motivo, brasileiros têm fixação por fanfics bizarras. Mas lááá atrás, no Orkut, eu já havia me deparado com uma comunidade chamada “Gina, Grope e o Salgueiro Lutador, melhor ship”. Sério.

O melhor do Brasil é o brasileiro (Imagens: reprodução/internet)

O problema é que atualmente eu vejo uma adesão e uma defesa cada vez maiores de ships realmente problemáticos, e que são levados de forma séria pelo público. Não que a romantização e naturalização de relacionamentos tóxicos seja um fenômeno recente; desde sempre eles são retratados pela mídia como histórias de amor, e com apoio do público. Entretanto, quase sempre essa problemática se escondia sob sutilezas, que não amenizavam a situação, mas que dificultavam o entendimento de que havia algum problema.

Estranhezas à parte, essas coisas são tão absurdas (e muitas vezes assumidas como tal) que não há muito questionamento a ser feito, no máximo alguns “wtf?”. Na verdade, me lembro que na época do Orkut havia duas “correntes” principais: as disputas de ships – Rony/Hermione VS Harry Hermione, por exemplo – e a “o ship é estranho, mas é meu”, das pessoas que gostavam, mas sabiam que havia algo de estranho ou mesmo de errado ali.

Apesar de não ser mais tão bem aceito, esse fenômeno até segue acontecendo. Vide a legião de fãs da Saga Crepúsculo que sonhavam com Edwards Cullens, e mais grave, o estouro 50 Tons de Cinza e a paixão despertada pelo obsessivo Christian Grey. Não à toa o segundo é inspirado no primeiro, mas isso já é assunto para outro post…

Enfim, eu não estou falando aqui de histórias de abuso disfarçadas de romance, mas de casos que se vestem e se apresentam como tóxicos, mas que parte do público insiste em enfiar romance em algum lugar. Nesses casos, geralmente, os idealizadores dessas histórias fazem até certo esforço para explicitar que ao menos uma pessoa está ficando machucada com aquilo.

Provavelmente um dos casos mais clássicos e antigos é o relacionamento entre Harley Quinn e Coringa. Pessoas chegam ao ponto de colocá-los como exemplo e ideal de casal que “aceita e ama as loucuras um do outro”. NÃO. Isso não é amor, é abuso. A “loucura” da Harley é Síndrome de Estocolmo causada pelo próprio Coringa, e seu “amor” é o mesmo que incapacita mulheres todos os dias de saírem de relacionamentos abusivos. A “loucura” do Coringa é o que o torna cruel e egoísta, e seu “amor” é seu sentimento de posse e prazer de manipular, ferir e maltratar alguém que faz tudo por ele.

 

“Você não precisa ser louco para se apaixonar. Mas ajuda” Não, isso não é amor (reprodução/internet)

 

Tudo isso era explícito, mas uma grande parte do público seguiu e segue shippando os dois. Mesmo depois de a Harley ter finalmente caído fora dessa relação e engatado um romance com a Hera Venenosa (desmitificando a ideia de que um relacionamento entre vilões só poderia ser doentio). Até hoje eles são vistos apenas como um casal de loucos, que se merecem e foram feitos uma para o outro.

Tem algo errado aqui, né? (reprodução/internet)

Outro ship, provavelmente ainda mais extremo – e talvez por isso com menos adeptos – é Jessica Jones e Kilgrave. A HQ já trazia explícito o fato de que Kilgrave era um abusador, e a série da Netflix fez o mesmo, para um novo público. Mas, por algum motivo, algumas pessoas começaram a sentir empatia e até carinho pelo vilão. Eu não aceito a desculpa de que os responsáveis por isso sejam o carisma e a afeição pelo seu intérprete, David Tennant (que arrastou a legião de fãs de seu trabalho em Doctor Who para JJ).

 

Reprodução/internet

Tennant é um excelente ator, que conseguiu passar a essência cruel e manipuladora do personagem. Mesmo sendo fã dele e adorando suas aparições, eu torci pela morte do desgraçado do personagem. Mas eu cheguei a ver pessoas que acreditavam no “amor” de Kilgrave e que, por isso, torciam para que Jessica o perdoasse e, assim, ele encontrasse sua redenção. E é nesse ponto que mora todo o perigo e é um dos motivos de existirem ships como esses.

Enquanto o “casal” Harley/Coringa é defendido pelo suposto “merecimento” de um pelo outro, “relacionamentos” como o de Jessica e Kilgravesão apoiados pela ideia do merecimento dele à redenção, e a quase obrigatoriedade dela curá-lo. Não importa o quanto a vítima tenha sofrido nas mãos do abusador, o quanto ela tenha sido controlada, traumatizada e atormentada. Ela pode – e deve – usar seu amor para salvar o vilão e leva-lo para o caminho do bem.

Ships baseados em pensamentos como os dois acima são absurdamente comuns, e ainda existem outros tão problemáticos quanto. Todos eles, no entanto, possuem um ponto em comum: são reflexos de comportamentos e problemáticas do mundo real. Costumamos direcionar para os personagens os direitos e deveres que a sociedade impões sobre homens e mulheres. No caso da Harley e do Coringa, por exemplo. A sociedade tende a amenizar a dor da mulher abusada quando acredita que ela deseja estar naquela relação (quem nunca ouviu a expressão “mulher de malandro gosta de apanhar”?). E, como de costume, esse mesmo pensamento é transferido para a ficção.

Note-se que nem todo ship com potencial para ser problemático sempre é. Outra peculiaridade do universo dos fãs é a capacidade que eles têm de moldar as produções e os personagens a sua própria vontade, principalmente quando falamos de ships não canônicos (aqueles que não têm existência romântica na história original). Por isso é fundamental tentar entender os motivos de existir aquele ship, e não necessariamente classificar todos como problemáticos (o que pode, inclusive, diminuir a força do questionamento).

Eu fiz uma pequena pesquisa sobre o assunto e acabei descobrindo que a temática é muito mais extensa que eu pensava. Por isso, em vez de fazer um único post sobre isso, resolvi fazer uma série. Nas próximas postagens da coluna Mulheres na Cultura Pop você confere reflexões mais detalhadas de cada caso. Lembrando que esta semana houve um atraso e o texto saiu no domingo, mas a previsão é que a coluna saia sempre na quinta-feira. Continue com a gente nas próximas semanas, e não deixe de comentar com a sua opinião.

Para quem acha que HQ é coisa de homem!

Quando se trata de leitura o pensamento das pessoas se volta para livros, contos, poemas, crônicas, enfim. São os mais comuns no mundo da literatura.

Mas e os quadrinhos, eles não entram na lista de leitura de pessoas acima dos 10 anos? Pelo contrário, faz parte do mundo adulto e é coisa séria. Trabalhar com as HQs é algo elaborado, difícil, que requer muita dedicação e paciência. Afinal, criar uma obra é sempre um exercício que demanda tempo.

No mundo dos quadrinhos, o destaque maior sempre foi para os homens. Eles são visto como personagens principais, publico principal e criadores principais. Porém, é enorme a presença feminina nesse meio, só não recebemos os merecidos louros (típico). Em minhas pesquisas sobre o assunto eu encontrei esse documento aqui, ele contém mais de quatrocentos nomes de mulheres que trabalham com histórias em quadrinhos (isso só no Brasil). E em todas as áreas, desenham, criam, editam, colorem, entre outras funções.

Não será possível falar de todos esses talentos de uma vez, então selecionei seis nomes de talentos femininos envolvidos nos quadrinhos, tanto brasileiras quanto estrangeiras.
G. Willow Wilson



Ela é uma escritora norte-americana que se converteu ao islamismo. Ele começou a escrever com 17 anos, foi jornalista no Egito, escreveu artigos sobre o Oriente Médio, foi a primeira mulher ocidental a entrevistar Xeique Ali Gomaa, um dos mais influentes clérigos do islã moderno e lançou seu primeiro romance Alif, o invisível.

Willow é a autora dos quadrinhos da Miss Marvel, da Marvel Comics. Sua história é recheada de representatividade, boas referências e diversidade. Miss Marvel é Kamala, uma adolescente de 16 anos muçulmana com descendência islâmica. Em sua história ela aborda valores (sociais, religiosos, morais, etc). O quadrinho também aborda o fato de Kamala defender um homem e isso mexer com a masculinidade dele.



Patrícia Rehder Galvão – Pagu



Escritora, jornalista, diretora de teatro, desenhista e militante política combativa. Essas são algumas das facetas de Pagu. Seus trabalhos como cartunista não são dos mais reconhecidos, mas após criar o jornal “O Homem do Povo” com seu então companheiro Oswald de Andrade, ela passou a desenvolver tirinhas e publicar no jornal, que teve apenas oito edições, pois foi proibida na Era Vargas. Ela fez tiras para cada uma das edições. No site Lady’s Comicsvocês encontraram todas elas.

Suas tirinhas tinham os personagens Malakabeça, Fanika, um casal rico que não teve filhos e que aceitaram a sobrinha Kabelluda para morar com eles, sobrinha essa que protagonizada cenas de subversão e contestação dos valores morais e políticos daquela época.

Pagu foi homenageada pela quadrinista Ana Recalde que está lançando um selo de trabalhos feitos exclusivamente por autoras mulheres em parceria com o Social Comics.

Carolina Ito


A Carolina é formada em Jornalismo pela UNESP de Bauru e se aventurar pelo universo dos quadrinhos desde pequena, quando passou a ler mangás e, quando mais velha, as Graphic Novels. Sua carreia é movida pela paixão de poder unir o jornalismo com as histórias em quadrinho. Ela é a autora do blog “Salsicha em Conserva” onde publica suas tirinhas e também reportagens feitas toda em quadrinhos. Ela sempre me faz pensar quando leio suas HQs.



Gostaram? Claro que não acaba por aí. São muitas as mulheres que merecem um espaço para falar, mostra ao que vieram. E sempre vamos ter espaço para elas aqui no blog. Se você também quer mostrar seu trabalho para o mundo nos quadrinhos é só entrar em contado pelo email proj.elasporelas@gmail.com. Esse espaço é seu e será um prazer ajudar a divulgar seu talento.