A Rainha de Benguela

Imagem: Google/internet

     Existem heroínas os quais merecem igualmente o nosso reconhecimento assim como as que vemos em quadrinhos e séries de televisão, e uma delas é Teresa de Benguela.

     Mulher negra e forçada a escravidão como muitas no século 18 ( vide  Dandara e Aqualtune já citadas), com a morte de seu marido, José do Piolho, comandara o Quilombo do Piolho ou dp Quariterê, localizado no atual estado do Mato Grosso, entre o rio Guaporé e a atual cidade de Cuiabá.

     Conhecida como Rainha Teresa, negros e indígenas faziam o uso da plantação de algodão – privilégio dos senhores do engenho – para a produção de tecidos, e também do uso da agricultura, cultivando desde milho a mandioca.

     Quando o Quilombo foi destruido pelos homens de Luiz Pinto de Souza Coutinho em 1770, população de 79 negros e 30 índios, rumores que Benguela cometera suícidio ou foi morta por uma doença jamais foram confirmados. Teresa manteve um sistema de trocas de  armas com os brancos resgatados de vilas próximas, transformando os objetos de ferro em instrumentos de trabalho, pois os quilombos da Benguela possuíam exímio dominio da forja. 

     Dia 25 de julho foi instituído pelo Brasil e pela Lei n. 12 987 como dia nacional de Teresa de Benguela e dia da Mulher Negra.

A dama dos Palmares: o verdadeiro ícone da mulher negra contra o racismo

Dandara do Palmares

Novembro esta metendo o pé na porta e definitivamente é o mês da Consciência Negra. Para o Brasil, em especial, tal “evento” tem um grau de importância maior e mais necessário, pois todo o país foi sustentado por séculos de escravidão negra abolida a muitos poucos anos atrás.

Milhares, até mesmo milhões de homens, mulheres, crianças e velhos pereceram e tiveram seu passado apagado devido a violenta colonização eurocêntrica, que afetou a vida de muitos negros até os tempos atuais, vide a miscigenaçãoo problema de algumas pessoas ainda terem dúvidas sobre quem são etnicamente, fora assuntos mais agravantes.

A existência de um mês, ou até mesmo uma data comemorativa sobre esse cenário, ainda causa bastante incômodo em algumas pessoas, que acham injusto mesmo tendo um enorme legado histórico, os negros ganharem uma data, ou um mês só deles. Em controvérsia, outras pessoas se mobilizam, como Movimento Negro ou Militância Negra, disseminando informações relevantes para conscientizar as pessoas sobre questões relacionadas centralmente a racismo, ganhando força mais para agora, com o empoderamento negro e negralismo.

A mídia e os sistemas de ensino como escolas, também despertam um interesse passageiro, abordando os temas de pautas negras de maneira rasa e sem informações mais embasadas, aprofundadas, mesmo todos citando um ícone em comum: Zumbi dos Palmares.

Zumbi virou símbolo da resistência escravista da época e na atualidade, um representante da luta contra o racismo em uma sociedade onde ele é tão enraizado quanto a nossa. Todos nós aprendemos na escola o quanto o líder do Quilombo foi de suma importância para os negros e negras que fugiam de seus cativos e precisavam de abrigo, mas a história dele possui outros segmentos e personagens igualmente importantes; muito poucos ou talvez ninguém saiba quem foi Dandara dos Palmares, uma figura tão notável para a história do país.

Dandara e Zumbi foram marido e mulher, e ela lutou lado à lado de Zumbi contra o sistema escravista, buscando liberdade para seus irmãos negros.

Ilustração do livro

Ela comandava tanto mulheres quanto homens e criava estratégias que resolviam os mais diversos problemas, bolava planos de fuga, e quebrava os estereótipos de gênero da época, que até hoje são impostos a nós mulheres, ao domiar técnicas de capoeira. Apesar de lamentavelmente sua figura ser encoberta de mistérios, Dandara foi esquecida de modo descarado dos livros de história, que de forma machista, apagaram sua já bem pouca história.

Muitos poucos movimentos megros e feministas a mencionam, fazendo com que ela tenha que quebrar as amarras do patriarcado – que cala a mulher – e do racismo ‘ que cala o negro – até agora, na atualidade, numa luta por reconhecimento que já não favorece a mulher, e ainda menos a mulher negra.

As mulheres negras são subjugadas, colocadas para escanteio no cenário político, musical, histórico, literário, artístico e afins, mas Dandara não deu por vencida, e assim como revindicou seu papel na resistência negra, revindica seu papel na história do país e da sociedade.

Ela não aceitava acordos de meia boca e mesmo sabendo-se quase nada de sua origem ou até mesmo figura física, é de conhecimento básico que Dandara morreu como a heroina que foi em vida, fazendo que as negras da nossa época, tenham uma inspiração para lutarem contra o racismo, machismo e misógino aintão plantado no Brasil e no brasileiro.

A morte de mulheres negras avançou nos últimos 54% nos últimos 10 anos.

Três a cada quatro mulheres são vítimas de pelo menos um crime de violência no pais.

Mulheres negras são as maiores vítimas de violência médica no SUS (sistema único de saúde.

55,2 % das vítimas de crimes dolosos – com intenção de mata- são mulheres negras.

52,1% de vítimas de lesões corporais são também mulheres negras.

Mulher preta resiste…

+ dados, referências e informações: Geledés

Conhecendo Toni Morrison

                                                Foto: Divulgação


Chloe Anthony Wofford, a primeira mulher negra a ganhar um Nobel de literatura devido a seus romances que relatavam a árdua realidade vivida pela população negra americana, principalmente as mulheres.
Ler Toni Morrison é uma experiência que vai além de se aventurar através de uma historia, é como se aprofundar em um estudo de raça, gênero e historia, sua obra cultiva a necessidade de refletir e discutir esses assuntos.
Com um vasto e premiado acervo publicado, mergulhado em literatura afro-americana, a também professora universitária possui obras multifacetadas que discorre de romances a literatura infanto-juvenil, marcando com sua escrita forte, realista (e infelizmente mais atual do que deveria) a história da literatura americana.
Mais sobre suas principais obras:
Amada: Conta a história de uma ex-escrava nos anos posteriores a guerra civil, mostrando com lirismo a condição cruel do negro no século XIX

O olho mais azul: História voltada a menina Pecola, personagem que vivia marginalizada e rejeitada devido a sua cor. Em um país onde todas as atenções eram voltadas a pessoas bancas, fazia com que a pequena Pecola rezasse todos os dias para obter olhos azuis. 

Ser Bonita… – por Josiane Rodrigues

                                                                                            Reprodução/Internet

Xiiii, já perdi as contas de quantas vezes já ouvi a expressão, “Nossaaaaaa!! que negra bonita!”
E isto é um problema, sim, sim é sim.
Vamos começar. Quando você encontra uma mulher branca na rua, que você acha muito bonita você por acaso fala, ”nossa! Que branca bonita!!”, não né? E por que, cargas d’agua, quando vai uma mulher negra precisa primeiro dizer que ela é negra?
Antes que você pense, ué, mas ela era mesmo negra…
Talvez eu consiga te explicar porque. Desde os tempos mais primórdios, as negras não estão inclusas no padrão de beleza, somos o contrário, o não linear, com nossos cabelos crespos e volumosos, ou nossas tranças, coloridas, e toda nossa infinita variedade de tons e cores, somos explosão, indagação, a fuga.
Mas, ainda assim, somos mulheres. E como uma mulher, pura e simples, merecemos o elogio, não por ser fora do comum, porque simplesmente não somos. Existe uma ideia de beleza, em que diversos padrões são impostos e disso todos já sabemos, mas, vivemos aqui neste mundão há algum tempo, temos noção que nem todas as ideias preestabelecidas são a verdade absoluta.
E, vamos combinar né?! não são raras as negras bonitas. Então, caso pense em dizer que uma negra é bonita, esqueça de ressaltar que ela é negra antes do elogio, apenas elogie.

Quem escreve

Josiane, mas prefiro ser chamada de Josi, estudante de letras e amante das milhões de formas que estas tem de juntar-se e assim, me faço poesia, as vezes crítica, as vezes observação, só pelo prazer e o alívio que a escrita traz.