Contos Aleatórios sobre elas – Adessa

Adessa

 

Primeira Parte

A dúvida toma conta de cada passo que dou. Talvez eu devesse ter dado ouvidos a Tia Marli, ela estava certa, vir aqui foi um erro.

_ Boa noite senhorita, posso apanhar o seu casaco?

_ Ah sim, obrigada.

_ Adessa, você veio!

Tudo o que eu queria era chegar e ficar escondida em um canto, mas com essa sorte que tenho, claro que a escandalosa da Lola seria a primeira a me notar.

_ Olá Lola. Como você está?

_ Estou ótima! Melhor agora por saber que você e a Laura conseguiram se entender.

Falsa.

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Amizades instantâneas não me nutrem

Uns minutos de total descontrole e caí, sabe-se lá como, em um mar de dúvidas e opiniões sobre a onda de pessoas que passam pela nossa vida e, principalmente, o tanto que eu acreditei que durariam para sempre.

(Um asterisco fofo: eu sempre acreditei que todos nós temos, ou teremos, uma pessoa para a vida toda.)

Tudo bem se eu me tornar uma pessoa ingênua à partir de agora, mas eu simplesmente não consigo mais acreditar na ideia de que as pessoas apenas vem e vão. Não consigo ignorar o fato de que eu, pau para toda obra, passo na vida das pessoas com mesma frequência que almas em fuga desaparecem de listas de contatos e números de emergência, e por vários anos eu achei que o problema fosse eu.

E talvez seja mesmo.

Por mais que eu ache linda essa coisa de você criar uma conexão rápida com alguém, no meu caso, conexões não salvam amizades fracas que surgem quando a agenda deixa. Ao meu ver, amizade é mais do que ir do começo ao fim em 3 meses, e talvez hoje eu entenda o por que.

Amizades instantâneas não me nutrem. E talvez não nutra ninguém.

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A história de hoje é…

Laura

Primeira Parte

A dúvida toma conta de cada passo que dou. Talvez eu devesse ter dado ouvidos a Tia Marli, ela estava certa, vir aqui foi um erro.

_ Boa noite senhorita, posso apanhar o seu casaco?

_ Ah sim, obrigada.

_ Adessa, você veio!

Tudo o que eu queria era chegar e ficar escondida em um canto, mas com essa sorte que tenho, claro que a escandalosa da Lola seria a primeira a me notar.

_ Olá Lola. Como você está?

_ Estou ótima! Melhor agora por saber que você e a Laura conseguiram se entender.

Falsa.

_ Venha, faço questão que se sente ao meu lado para colocarmos a conversa em dia, afinal, não nos falamos desde de setembro. Já se passou quase um ano!

_ Claro, me dê apenas um minuto irei cumprimentar a Rachel e o Guilherme.

E espero não ter que falar com você novamente.

_ Oi pessoal.

_ Oi Dessa!

_ Olá! Que bom que resolveu aparecer.

_ Não comemore Guilherme, ainda posso sair correndo.

_ Pensei que você e a Lau já haviam se perdoado.

_ Laura me chamou de interesseira oportunista e eu disse que ela é uma estúpida que será infeliz para o resto da vida. Não são palavras fáceis de perdoar, para nenhuma das duas.

_ Mas não foi ela mesma quem te convidou?

_ Sim.

_ Mas convidou para esfregar na cara Guiga, a Adessa sabe disso. Não sabe amiga?

_ Sei sim Raquel! Não tenho dúvidas da falta de sinceridade dela ao me ligar. Laura precisa provar ao mundo que sabe o que está fazendo, então por que não convidar a amiga mentirosa e interesseira para ser uma das madrinhas? Não existe melhor maneira de me perdoar, com o complemento de mostrar à todos como confia no amado noivo.

_ Por falar em noivos.

Eu e a Laura eramos muito unidas, nosso grupo teve inicio com nossa amizade. Brigávamos sim, brigávamos muito, mas nunca foi nada sério, que durasse mais de um dia. Até pararmos de nos falar no aniversário dela do ano passado.

Durante a festa, o Vitor, na época namorado dela, tentou me beijar à força. Eu sou bem esquentadinha e esse sujeito não me descia fazia muito tempo. Estourei na hora dizendo boas verdades na cara dele, depois fui imediatamente contar à Laura. Ela ouviu tudo e depois foi embora, sem falar nada. Pensei que tinha ido terminar com o escroto, mas não. No dia seguinte foi até minha casa falar comigo.

“_ Você inventou aquela história para me fazer terminar com o Vitor e ficar com ele pra você. Eu deveria saber que você é uma vadia cretina!”

Discutimos muito naquele dia, foi horrível sim, mas não sei bem se me arrependo de tudo o que eu disse. Parece que a Laura retrocedeu, esqueceu tudo o que formava aquela personalidade linda que tinha. A mulher independente que conheci se deixou enterrar e não é mais a mesma pessoa.

Não sei se acredito nessa alegria que ela está mostrando durante o ensaio de casamento.

_ Oi Adessa.

_ Oi Laura.

 

Continua…

 

 

 

Outros textos que você pode adorar

Uma mulher – nada – de bem

Fim da linha

Atemporal

Liberdade de escrita

Tudo pode ser descrito

Escrito

Até mesmo o silêncio

         O vácuo também transpassa entre meus dedos

Atravessa o azul

Alcançando o branco

E assim nada mais é silêncio

De repente o mundo transborda sobre mim

          E tudo é música

Vento, desejo, fome, insegurança

Revista, trabalho, viagem

Ovos, animais, imagens

Sexo, raiva, fantasia

Cores, futuro, revolta

Tudo pode ser escrito

 

 

   Essa é a beleza das palavras, elas revelam tudo, me mostram tudo, amo a liberdade de escrita. Não importa quão bloqueada eu me sinta, todos os meus pensamentos podem dançar por entre meus dedos.

 

   Comecei no ensino médio, quando aproveitava pequenos intervalos para escrever o que eu sentia naquele momento. Meus escritos deveriam ficar escondidos naquela época.

 

   Trancado à 10.000.000 de chaves, mas hoje não! Tudo o que sinto eu preciso deixar bem à vista, aberto, escancarar ao mundo o que sou e penso sem temer as críticas e os risos.

 

   Hoje foi assim, um breve lampejo que pode parecer insignificante para você, mas para a Alessandra foi libertador. Então eu escrevi, me faz bem, então por quê não?

   De agora em diante, vou escrever e mostrar tudo o que vier de mim.

 

 

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Eu sou meu próprio mar

Não preciso de um marinheiro para me navegar. Quero que ele fique se for para acompanhar meu movimento.  O controle não faz parte da minha travessia, mesmo o mar entende que as ondas do meu cabelo formam seu próprio caminho. Elas se tornam. O marinheiro tentou tomar posse dessas ondas. Ele quis prendê-las num coque, deixá-las menos selvagens e mais retas. Desde quando onda forma linha?  Marinheiro que é marinheiro respeita e compreende o mar, se deixa levar.  Entende essa mansidão que logo se transforma em tempestade, que vem chegando sereno, logo expande e te abraça para o fundo. Como estar com um homem que não aprecia as ondas? Não há fórmula para domar o oceano. Ele é seu próprio domínio, sua casa, sua morada, ele também só deixa entrar quem se entrega e mergulha profundo, não importa o tamanho. Só se apaixona pelo mar quem ama sua intensidade e imprecisão. Sei da minha impulsividade e fraqueza. Sei também da minha força, minha feminilidade. Só quero que o marinheiro entenda: sou eu quem escolho minha forma. São as minhas ondas que me levam.

Elas por Elas chegou!

É bom estar de volta. Estamos com cara e espírito renovados. Durante o período de hiato, aproveitamos para resolver questões pessoais e dar um fôlego antes de retornarmos à rotina. E também trabalhamos em mudanças e aprimoramentos para tornar o projeto algo não apenas mais agradável para a gente, mas principalmente mais bacana para vocês.

Entre as novidades, estamos de roupa nova! O template que usamos agora é mais completo (o antigo, por exemplo, não tinha nem barra de busca!) e com elementos que conversam melhor com nossa proposta. A navegação é mais fácil e dinâmica, e a aparência tem mais elementos do que queríamos para o nosso cantinho.

Também estamos nos organizando para trazer um conteúdo cada vez melhor e mais diversificado pro nosso público. Por isso, vamos mergulhar de cabeça em novos e maiores projetos e formatos. Vamos nos aventurar cada vez mais em vídeo e postagens mais elaboradas, posts colaborativos, reportagens, mas sem deixar nossas raízes de lado: a literatura. Inclusive, em breve devemos ter mais uma novidade com relação a isso, mas por enquanto fica o suspense!

Além disso tudo, esperamos poder ir além desse espaço de uma URL. Vamos produzir mais conteúdo para as redes sociais, tentando não apenas aumentar o nosso alcance em números, mas principalmente em engajamento na nossa causa. Que mais e mais mulheres possam ser lidas, ouvidas e respeitadas. E, quem sabe, não possamos logo derrubar mais uma barreira, e tirar o Elas por Elas do mundo virtual?

Agrademos a paciência de todos vocês e podemos dizer de peito aperto, em alto e bom som: o Elas por Elas está de volta.

O Jardim de ossos

O Jardim de Ossos, Tess Gerritsen

Sinopse

Ossos desconhecidos, segredos não revelados e crimes não resolvidos lançam sombras ameaçadoras sobre o presente.

A recém-divorciada Julia Hamill acaba de se mudar para a casa de seus sonhos, uma mansão em um enorme terreno. Tudo parece perfeito, até que, durante a reforma do jardim, Julian desenterra um crânio humano com indícios de homicídio. E o mais intrigante: a cova data do século XIX.

O ano é 1830. O jovem estudante de medicina Norris Marshall é o principal suspeito das atrocidades cometidas pelo Estripador de West End. Na companhia do amigo Oliver e da imigrante irlandesa Rose, Norris parte em busca do homem mais perigoso de Boston, a fim de provar a própria inocência, visitando desde lúgubres cemitérios e salas de necropsia até elegantes mansões.
Separadas por quase dois séculos, as duas histórias se desenvolvem de forma precisa e instigante, conduzindo o leitor a um final tão chocante quanto engenhosamente concebido.

Título: O jardim de ossos
Autor (a): Tess Gerritsen
Editora: Record
Páginas: 447
Ano: 2009


Quem gosta de suspense médico, precisa conhecer os livros da Tess Gerritsen. Ela era médica, mas abandonou sua carreira para se dedicar completamente a vida de escritora. Jardim de ossos foi o primeiro livro que li dela e me apaixonei completamente.

O livro trata duas histórias, cada uma ambientada em anos (séculos) diferentes. Nos capítulos que tratam os dias atuais, conhecemos a professora Julia Hamill, que após um divórcio, compra uma casa nova e se muda, em uma tentativa de recomeçar sua vida. Enquanto trabalhava em seu novo jardim ela acaba desenterrando um crânio. Ao descobrir que essa cova é de meados dos ano de 1800, ela se une a familiares da antiga moradora de sua casa para encontrar respostas. Em sua busca, ela encontra cartas que a levam ao nosso segundo personagem: Norris Marshall.

Norris é um fazendeiro, estudante de medicina da cidade de Boston no ano de 1830, ele também é suspeito de ser um serial killer. Tentando se misturar ao seu novo mundo da faculdade, rodeado por pessoas de classe média alta e correndo o risco de perder sua bolsa de estudos, ele também quer respostas. Então pede ajuda a Oliver e Rose, que é perseguida por uma misteriosa pessoa, para encontrar o verdadeiro assassino.

As duas histórias são cheias de tramas, mistérios e vai nos prendendo a cada página. Sem falar em como você se espanta com a medicina do século XIX, é assustador a forma com os pacientes eram tratados e a maneira como conseguiam os corpos para estudos.

Eu terminei de ler em dois dias, porque queria muito saber o que vinha depois. E esse depois é sempre muito bom, sempre uma surpresa, tanto que se eu contar mais do que isso estaria dando muitos spoilers. 

Tess Gerritsen (reprodução/Google)

Tess Gerritsen escreve muito bem, a forma como ela une as duas épocas é perfeita e em momento algum você estranha. É uma leitura simples, direta, envolvente e você consegue enxergar cada cena em sua mente. Acredito que você vai querer conhecer muitos outros livros dela e espero que seja tão gratificante quanto foi pra mim.

Se ficou afim de ler, pode clicar aqui para comprar.

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Sangria e a história do Brasil

O Brasil sob a ótica de um útero

 

Muitos não admitem, muitos nem ao menos o sabem, mas a historia do Brasil é composta por um silenciamento feminino escancarado e continuo. Por inúmeras vezes me deparei com vãos em meus livros de história quando se travado uma personagem feminina, muitas mulheres nem são citadas em notas de roda pé.

Hoje estamos lutando cada dia mais para que nossas marcas seja reconhecidas e mantidas nas nova história do nosso pais, mas quem luta pelas marcas deixadas por mulheres que não estão mais aqui?

Acho que é nesse momento que devemos encontrar pessoas como Luiza Romão, atriz, poetisa e escritora do livro Sangria.

O projeto (sim, projeto, pois é a composição do livro com trabalhos multimídia) é uma coletânea de 28 poemas (como os 28 dias do ciclo menstrual) e cada um deles possui uma foto representando o silenciamento histórico das mulheres. Também foi criada uma websérie onde cada poema é declamado e acompanhado de uma performance, feito por diferentes mulheres de diferentes áreas artísticas.

Reprodução Catarse

 

Segundo a própria autora do livro, ” Nosso intuito é revisitar a história do Brasil sob a ótica de um útero. O que dizer de um país nominalmente fálico (“pau”-brasil)? Pra isso, misturamos os ciclos econômicos (borracha, café, ouro) com os ciclos biológicos e as fases do útero (ovulação, menstruação, concepção). Representamos o país do futuro” como uma gestação impossível (sempre interrompida por golpes de Estado ou “pílulas do dia seguinte”) e contrapomos a figura do patriarca com as “mães solteiras” e as mulheres “para lida, para farra, para fotografias oficiais” “.

As questões histórico-política-sociais que serão tratadas em Sangria são de suma relevância para nosso entendimento pessoal e para um melhor conhecimento do que é o Brasil e de como podemos trabalhar por uma boa gestação, para que o nascimento de um pais melhor seja realmente possível. Afinal, acredito que a melhor forma de garantirmos nosso amanhã é conhecendo os erros de ontem e não repeti-los.

Se você gostou e sabe que vale a pena, ainda da tempo de contribuir. O projeto continua em está em andamento no Catarse por mais 19 dias, você pode acessar para contribuir com um valor e ajudar na publicação do livro clicando aqui Para conhecer a Luiza Romão e seus outros trabalhos é só seguir o perfil dela no facebook