ceder

Ceder

Um bicho sem nenhum senso de nada abanando o rabo, balançando o rabo, babando, sacudindo. Eu-festa. Cheiro, dedo, olho, desaconselhável. Eu que sempre trava, peso, ombro doído. Eu que sempre chão agora tenho asas. Meu bem, eu preciso pousar em algum momento, mas estou acoplada ao mundo no céu. Estou fodendo. Não tomei nenhuma droga. Não bebi nenhuma gota. A garganta estava completamente seca. Um bicho com sede de boca e de barba. Um olho com sede de tudo que a vida pode pra sempre. Não consigo ser gente depois de ver de dentro o homem da minha vida.

Aline Dias

 

Assista ao vídeo poesia: Elas Declamam – Ceder

 

Autora Convidada

Aline Dias nasceu em Cachoeiro de Itapemirim, em 1988. Publicou “Vermelho” (2012), “Além das Pernas,” (2015) e organizou a coletânea “Sem a Loucura não Dá” (2017), com contos inspirados em músicas de Sergio Sampaio. Aprendeu a chorar este ano e acredita no amor. O texto “Ceder” integra as páginas de seu mais recente livro, “A única coisa que fere é manhã pós-amor” (2017). Assista a entrevista com a autora.

A única coisa que fere é manhã pós-amor

Novo livro de Aline Dias mergulha na prosa poética

O verão de Aline Dias foi na Bahia, com a promessa de que voltaria com um livro. Em seu regresso para Vitória, percebeu que suas vivências e jornadas pelo litoral baiano se transformaram em páginas de prosa e poesia. “A única coisa que fere é manhã pós-amor” é o terceiro livro de Aline, “pequeno porque está muito denso”, afirma. No vídeo abaixo, a escritora e jornalista capixaba, de mudança para Recife (PE), fala sobre a construção espontânea e intensa da obra, da viagem de autoconhecimento e  a coragem para se jogar.

Lançamento

“A única coisa que fere é manhã pós-amor” será lançado em Vitória, seguindo para outras duas cidades, pertencentes à jornada da escritora: Iúna (ES) e Trancoso (BA). Acompanhe o evento no Facebook. O livro também pode ser adquirido no valor de R$15,00 pela página da Editora Cousa.

A autora

Aline Dias nasceu em Cachoeiro de Itapemirim, em 1988. Publicou “Vermelho” (2012), “Além das Pernas,” (2015) e organizou a coletânea “Sem a Loucura não Dá” (2017), com contos inspirados em músicas de Sergio Sampaio. Aprendeu a chorar este ano e acredita no amor.

A única coisa que fere é manhã pós-amor

Editora: Cousa

Páginas: 63 páginas
Valor: R$ 15,00

Jornalista cultural escreve sobre literatura contemporânea

Livros por Lívia: jornalista escreve sobre suas leituras

No ar há quatro anos, blog reúne resenhas de autores contemporâneos

www.livrosporlivia.com

 

     Baiana de Salvador, Lívia Corbellari reside no Espírito Santo desde os sete anos de idade – Vitória é sua cidade natal do coração. Aos 27, a jornalista cultural mantém uma profunda relação com a literatura desde suas primeiras leituras. “Me encanta muito conhecer outras histórias. A leitura sempre me ajudou a lidar com meus próprios problemas”, lembra.

Suas resenhas literárias deram vida ao Livros por Lívia, blog que reúne reportagens e resenhas de autores contemporâneos. Hoje com quatro anos de funcionamento, o endereço é referência na divulgação de obras capixabas, sendo ponte também de outros projetos, a exemplo do Cachaçada Literária, evento propõe aproximar o público leitor dos escritores de forma descontraída – com sarau, apresentações musicais e drinks especiais. Nessa simples entrevista para coluna Ideia D´elas, Lívia Corbellari fala sobre a trajetória do blog, literatura feminina e o mercado de editoras independentes.

“Finalmente estamos tendo voz”

Lívia Corbellari

ANA: O Livros por Lívia¸ até onde sei, começou com o objetivo de publicar resenhas de obras capixabas. Como foi o desenrolar desse objetivo?

LÍVIA CORBELLARI: Na verdade, no começo era muito mais amplo. Eu resenhava tudo que eu lia, livros capixabas, de outros estados, de outros países. Em 2013, eu trabalhava como jornalista cultural no Século Diário [jornal online de Vitória] e recebia muitos livros de diversas editoras. Fui percebendo que quando resenhava um livro daqui, o retorno era muito mais legal, o autor vinha falar comigo e muitas pessoas iam atrás do livro porque não sabiam que tinha literatura de qualidade sendo produzida aqui.

O Livros por Lívia nasceu como um portfólio desses textos que eu escrevia para o jornal e aos poucos foi ganhando vida própria. Foi nesse momento que resolvi focar nos autores daqui. Depois o blog foi desenvolvendo outros trabalhos envolvendo autores capixabas, como produção de eventos, lançamentos de livros, assessoria para escritores e o próprio Cachaçada Literária.

ANA: Escrever sobre literatura requer um conhecimento aprofundado, mais sensível às palavras e leitura. Quando e como se deu sua relação com a literatura?

LÍVIA: De fato, a leitura quando você vai escrever sobre a obra é diferente. Às vezes, leio duas vezes. A primeira só para me divertir mesmo e a segunda para escrever, onde separo trechos interessantes, faço observações, busco referências. Sobre a minha relação com a literatura, não lembro bem quando começou. Acho que desde que aprendi a ler, eu estou lendo rsrsrs. Claro que essa relação foi mudando com o tempo. Acho que me encanta muito conhecer outras histórias, a leitura sempre me ajudou a lidar com meus próprios problemas.

ANA: Para a produção das resenhas literárias, quais critérios você utiliza para escolher a obra a ser resenhada e como esta análise é feita?

LÍVIA: Meu critério é muito subjetivo. Eu leio de tudo, mas acabo resenhando só o que eu gosto. Ainda não consigo escrever textos negativos sobre os livros, quando não gosto, prefiro não escrever. Eu faço críticas e aponto as questões que não gostei, mas não me sinto uma crítica literária porque me falta estudo, acaba sendo algo intuitivo mesmo. Minhas resenhas são sobre o que senti lendo o livro, elas quase beiram a crônicas.

Escritoras capixabas: Cora Made

ANA: Como você avalia o mercado editorial e a produção literária capixaba?

LÍVIA: A literatura produzida aqui é muito diversa, temos romances policiais, contos longos, contos curtos, poesia de diversos estilos e temos escritores e escritoras produzindo em igualdade e muitos escritores das idades mais variadas. A literatura tem se voltado cada vez mais para mercados pequenos e de nicho e aqui no estado temos esse mercado bem dinâmico também.

ANA: Em Vitória, temos um crescimento visível de escritoras e poetas. Mulheres escrevendo sobre mulheres. Qual a importância desse novo movimento da literatura feminina para nossa cidade?

LÍVIA: Esse movimento é muito importante e é incrível. Vejo as meninas se movimento em todas as áreas e não só na literatura, finalmente estamos tendo voz. Claro que o caminho ainda é muito logo, mas estamos dando um primeiro passo para as novas gerações terem muito mais espaço do que nós tivemos.

ANA: Quais obras de escritoras que te marcaram você recomenda?

LÍVIA: A teus pés, de Ana Cristina Cesar; Um útero é do tamanho de um punho, de Angelica Freitas; Amora, de Natalia Borges; Hibisco Roxo, de Chimamanda Ngozi; Afazeres domestico, de Lilian Aquino.

ANA: E escritoras capixabas?

LÍVIA: Aline dias, Isabella Mariano, Fabíola Colares, Sarah Vervloet, Cora Made, Benadette Lyra e Ingrid Carrafa.

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