Libertando-me

Estava pensando em plena véspera de aniversário, que muito do meu crescimento emergiu dos meus maiores desalentos. Nos meus desesperados momentos de solidão que eu aprendi a lidar com o jeitinho que a vida tem de nos fazer crescer.

Músicas tristes, festas, álcool, amores tapa buraco, orações milagrosas, livros de autoajuda. Nada disso, absolutamente nada, me fez evoluir tanto quanto o meu próprio caos pessoal. O meu próprio caos fez com que eu aprendesse o que é a liberdade em sua essência.
Quando tinha 15 anos achava que a liberdade era sair a hora que eu quisesse, aos 18 achei que era apenas me sustentar, agora vejo a liberdade como um estado de alma e não físico.

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Apaixone-se por Rupi Kaur

A poesia construída através dos traumas existenciais do cotidiano trouxe  sucesso a escritora

Apesar de ser mais reconhecida por seus versos românticos, sentimentais, muitas vezes ligados à dores de amor Rupi também escreve sobre maternidade, machismo, violência com a delicadeza poética facilitando o reconhecimento por si própria e da sociedade em que vivemos.
Tive contato com a obra da  indiana no final de um relacionamento conturbado e apesar de assumir que realmente sua poética tem pontos clichês, também digo que talvez nunca ninguém tenha traduzido tão bem os sentimentos e o cotidiano como ela fez.

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O Jardim de ossos

O Jardim de Ossos, Tess Gerritsen

Sinopse

Ossos desconhecidos, segredos não revelados e crimes não resolvidos lançam sombras ameaçadoras sobre o presente.

A recém-divorciada Julia Hamill acaba de se mudar para a casa de seus sonhos, uma mansão em um enorme terreno. Tudo parece perfeito, até que, durante a reforma do jardim, Julian desenterra um crânio humano com indícios de homicídio. E o mais intrigante: a cova data do século XIX.

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Eu amo o que acredito que você cause em mim

 

 

    (Foto: Tumblr)

 

A manhã dá as caras, e me escancaram no espelho mais uma noite mal dormida, olheiras profundas e o desejo de uma alforria inalcançável.

Talvez eu devesse parar de fumar, ou até ler menos, esses fatores principais da minha personalidade são as que mais destroem minha pele e meu sono. A minha cabeça trovoa, talvez se você estivesse aqui eu saberia silenciar minha mente insana com o timbre da tua voz, ou  umas caminhadas pelas ruas da augusta me deixariam mais leve,mesmo me lembrando com nostalgia um passado recente que tanto me tortura.

O cigarro que citei no começo do texto já se faz aceso novamente, minha cabeça cigana circula por entre portas e janelas, as nuvens me fazem pensar em tudo que eu já fiz na minha vida, tento entender meus desejos e controlo minha vontade de me atirar na vida e quem sabe gritar seu nome, ou talvez caçar o seu perfume em algum outro corpo por aí.

Construir mais um texto sem padrões, sem métrica, sem rima, sem coesão, talvez minhas linhas sejam só agudas como um reflexo do meu próprio eu, talvez meu negócio seja o estrago, a bagunça, a tara por algo que eu nem sei o que.

Escrevo a você porque supostamente a sua presença é o que existe de mais sutil e ligeira em minha vida, a bagunça dos meus vícios, e a ilusão de uma calmaria. Eu não te amo, eu amo o que eu acredito que você cause em mim, e eu nem ao menos sei qual o sentido de tantas linhas tortas às 10h59 da manhã, eu só sei que preciso escrever para me manter acordada em meio a fuligem, e as obrigações do cotidiano.

Já dizia Rubi:

“Se teu amor te pesa mais que o mundo que carregas: degela-o e deixa-o beber os deltas”

A Solidão foi uma escolha que eu sempre fiz, mas sempre relutei com os meus próprios princípios. Eu me amo, eu me admiro, eu me conheço, mas os  freaks pela marginalidade que me habitam, confundem e me transtornam. Talvez você possa vir aqui para fumarmos um cigarro, e tomarmos um café como nos velhos tempos, eu finjo que não te conheço, e talvez não conheça mesmo mais.

Acho que minha vida é uma inspiração de Baden, e você é  meu samba triste, talvez o destino seja rimas tortas de amor e travesseiro que nunca farão sentido pra ninguém.

A penumbra é o consolo da almas solitárias que esquecem ter sangue circulando nas veias, que se escondem atrás de seus próprios descaminhos, nos salve do fim, ou engula minhas linhas aleatórias, dificuldades com vírgulas e crases por mais umas centenas de textos.

Um amor intenso e livre como eu

 

 

(Imagem: Tumblr)

Sabia que a cada dia que passa eu me torno mais apaixonada por você? Cada detalhe seu me encanta, a sua cara séria enquanto dirige, a sua boca bem desenhada pelo meu corpo, a maciez da sua pele contra a minha, a delicadeza dos seus traços, o cheiro suave de perfume do seu cabelo e contrapartida ao teu cheiro de homem do restante do corpo.

O seu beijo amoroso na minha bochecha até o seu beijo faminto quando me pega com desejo.

Me sinto perdida nos teus braços,  na ânsia de naufragar em você inteiro e de me agarrar nos teus cachos como uma tentativa de provar a mim mesma que tudo isso não é um sonho.

Sinto você em mim quando fecho meus olhos, e meu corpo estremece quando te vejo parado em meu portão com esses olhos profundos de menino.

Eu não me encontro em outro abraço,  nunca me encontrei em outro beijo e não sei lidar muitas vezes com as neuroses que o medo de te perder me traz.

Quero você como meu menino, meu homem, sem metades. Não me tire dos teus braços e nem dos teus pensamentos, preciso de você desesperadamente como uma necessidade básica, como um fruto maduro que que não aguenta o próprio peso em si e se derrama pelo o chão.

Teu peito é o meu chão, a segurança que eu preciso para continuar, para não me derramar, para não chegar ao fim.

Eu te amo por tudo aquilo que se atreve a ser teu, tudo que não te pertence, tudo que te constrói. E te amo mais ainda por esse sentimento não me podar de ser eu mesma.

Leitura necessária: Chimamanda Ngozie Adichie

(Foto: Divulgação)

 

Chimamanda Ngozie Adichie  é uma das escritoras nigerianas mais influentes e jovens da atualidade. Sua obra tem um enfoque feminista didático responsável por atrair cada vez mais a atenção das Africanas. Trata a importância dos temas de extrema importância com a leveza da literatura, sua escrita envolve ao mesmo tempo que mostra a partir de suas vivências os desafios sociais que a mulher vive na Nigéria de antes e de agora.

 

Conheça um pouco de sua obra, que já foi traduzida para mais de trinta línguas:

 

Meio sol amarelo: O livro agradou tanto que virou filme, conta a história de  irmãs gêmeas que não são nada parecidas. Enquanto uma abandona os jogos sociais de sua influente família para dar aulas e viver a revolução, a outra participa de todas as situações possíveis para se favorecer. O livro ilustra bem a divisão social da Nigéria, inclusive nos tempos da ditadura.

Meio sol amarelo, Companhia das letras

Americanah: Conta a história de amor entre dois jovens nigerianos em meio ao cenário da ditatorial. A menina passa por cima de todos os preconceitos e consegue estudar em uma das mais aclamadas universidades Dos EUA, porém quando retorna às suas raízes já como uma conceituada blogueira, se choca com a mudança do cenário e o que deixou para trás.

O livro vai bem além de uma história de amor, ele faz uma crítica social importantíssima de maneira inspiradora.

 

Americanah, Companhia das letras

Hibisco Roxo: Narradora e personagem, Kambili conta a sua história mostrando as opressões que sofreu por seu pai que abominava as raízes nigerianas e idolatrava o segmento católico, tal opressão religiosa o levou a negar o próprio pai e sua outra filha, porém ao decorrer da história a jovem se apaixona por um padre, e sua falta de perspectiva faz com que ela seja obrigada a sair da Nigéria.

Hibisco roxo, companhia das letras

Sejamos todos feministas: Uma palestra da autora que virou livro, e trata da importância da igualdade de gêneros, a partir de situações que ela mesma viveu durante o decorrer da sua vida em uma nigeria machista;  além de contar a experiência de outras mulheres e expor os julgamentos que sofreu.

Um livro super curtinho e gostoso de ler, fundamental para quem quer compreender um pouco mais sobre igualdade.

Sejamos todos feministas, companhia das letras

Extremamente inspiradora, Chimamanda tem uma escrita necessária, inclusive um de seus discursos foi musicado pela Beyonce, (https://www.youtube.com/watch?v=IBe9Vtodzg4)

Uma obra útil apenas para  maior conhecimento da Nigéria, mas sim livros  que mostram os desafios de ser mulher em países de construções machistas e preconceituosas, valorizando e apresentando o poder do feminismo e da liberdade de qualquer preconceito.

Site oficial: http://chimamanda.com/

A roupa que oprime

Desde pequenas, nós mulheres, somos moldadas e influenciadas pelo patriarcado e machismo em relação a como nos vestimos.

 

Menina usa rosa. Menina não usa coisa de super herói. Menina que usa saia curta é “puta”. Menina que usa roupa “comportada” demais é puritana. Menina tem que gostar de maquiagem. Menina tem que usar salto.

Imagem: internet 

A necessidade de uma mulher “feminina”, cheia de padrões estéticos e consequentemente, de um modelo de mulher perfeita, vem de uma sociedade que idealiza um comportamento de nós.

 

Incomoda os ouvidos escutar alguém falando “ela foi estuprada por que estava de saia curta” ou “olha como ela se veste, estava pedindo”. Até quando nossas roupas vão ser julgadas em prol de culpar a vítima?

Imagem: internet 

 

Além disso, mulheres​ pouco femininas são rotuladas e criticadas, em uma sociedade que luta cada dia mais para reforçar que mulher precisa se maquiar, usar salto e roupas adequadas.

 

É claro que nós mulheres donas das nossas vidas e corpos, podemos nos arrumar da forma que quisermos, isso é apenas uma reflexão sobre o que as vezes nem percebemos que é imposto é fruto da nossa sociedade patriarcal.

Eu ainda estou aqui

 

                                            Foto: Tumblr

É tão difícil se libertar dessa situação de não se pertencer a nada, os anos passam e não sou mais uma criança, já era para eu ter me encontrado, e realmente me encontrei, mas não acredito que eu mesma me aceite totalmente.

Considero-me uma pessoa bem resolvida, e bem desconstruída, mas ainda tenho resquícios de uma sociedade que cria as mulheres para odiarem a si mesmas. Não me sinto encaixada, nem feliz com o meu corpo, possuo inseguranças de carreira e não me acho adequada o suficiente para muitos aspectos.

Vejo mulheres que nem imaginam a sua própria capacidade de brilhar por inseguranças incutidas em seus inconscientes, assim como eu sinto minha criatividade e motivação sendo reprimidos por uma sociedade completamente fechada para emponderamento de ideias. Por mais que tenhamos avançado e conquistamos cada vez mais espaço, eu me sinto ameaçada pela a vida em sociedade, ver um grande ator assumir um assedio sexual e continuar sendo protegido por muitos, me assusta.

Ligar a televisão e ver o corpo da mulher como um objeto usado para agregar valores a um homem me desmotiva, sinto como se essa situação nunca fosse mudar, como se estivéssemos estática nessa porra de era dos retrocessos.  Pode parecer besteira, mas me sinto presa no meu próprio corpo, uma alma liberta grudada em um uma carne que me judia, presa e intoxicada em um corpo mundano que ainda é obrigada a sobreviver nesta equação insolúvel.

Tenho medo de nunca me encontrar neste mundo, e mais medo ainda de me encontrar, queria deixar minha solidão de lado, mas ao mesmo tempo não quero me tornar parte desse pesadelo, nem compactuar com esse espiral de silencio sufocante.

Eu não mereço descontar um ódio que não é meu no meu próprio ser, não tem culpa dos absurdos impostos a mim.  Tenho meu próprio poder, e francamente, tenho tudo que eu preciso para me fazer feliz, e me satisfazer no aspecto que for.

Não vale a pena se padronizar, fingir sorrisos, abaixar a cabeça para as agressões que somos expostas todos os dias direta e indiretamente. Lutar vale a pena, porque independente do jeito que somos se andarmos unidas o amor, respeito, sororiedade jamais nos faltará.

Nós nos bastamos.

Tem que ser pra sempre?

Imagem: Tumblr

Na nossa condição irracional, impetuosa, e muitas vezes invejosa temos ânsia de um pra sempre.

Seja o que for, temos a ideia de que todas as coisas não possuem a necessidade de fluir mas sim permanecer estáticas em nossas vidas, como se a escolha fosse apenas nossa, ou melhor necessária.

Vi amigas sustentando um relacionamento abusivo, quantos casamentos sem amor, quantos amigos cursando faculdades infelizes por não se identificarem com a carreira escolhida… Pra que?

Pra que relutar com o destino? Pra que sofrer em vão e derramar gotas de vida lutando por um pra sempre que supostamente deixa sua vida mais sólida ou mais “feliz”?

Por que não deixar o curso da vida nos arrebatar, e nos deixar livres, recomeçar do zero, até que por fim nos encontremos com nós mesmos?

Se pertencer talvez seja a missão mais complexa de nossas vidas, vivemos em busca da liberdade, mas talvez não saibamos ser livres, vivemos em buscas de correntes que fazem nossas vidas fazerem sentido sendo que só é possível viver sem correntes.

Não existem segredos para se viver, e nem livro de autoajuda que nos tire do abismo que chamamos de vida.

Opiniões alheias já não acrescentam mais. Relacionamento bengala, amizade interesseira, faculdade sem vocação, nada disso é vida! A vida tá no respirar livre, no dormir em paz, no reconhecimento de si mesmo quando olha para trás e possui orgulho do caminho seguido.

Só você pode se fazer feliz, e só você é pra sempre seu.

A revolução está no amor

(Foto: reprodução/internet)

 

É muito comum ver uma mulher tentando difamar outra como se precisasse disso para se acrescer como mulher, ou como ser humano.

Me digam por que caralhos existe essa necessidade de buscar defeito na outra? Pra que detonar a ex do atual sendo que ela fez parte da vida do seu atual tanto quanto você está fazendo?

A mídia, e a sociedade tentam o tempo todo rivalizar mulheres ou para vender cosméticos ou simplesmente para sustentar essa sociedade machista onde tudo gira em torno do p…. de homens, uma construção grosseira, mas extremamente verdadeira.

Do que adianta o seu feminismo, se ele humilha outras mulheres, se ele é racista, exclusivo ou difamatório?

A revolução começa no amor, não apenas pelo amor próprio, mas pelo amor entre nós mulheres umas pelas outras.

Pensem em um mundo onde ao invés de putas, gordas, feias, fossemos amigas, aliadas, seres que desconstroem juntas um universo podre voltado sempre para patriarcas.

Não vamos olhar para a outra como se ela fosse uma ameaça, uma inimiga, vamos dar as mãos, queremos as mesmas coisas à luta não é alcançável se deixarmos o ódio nos isolar e nos cegar.

Vamos chegar ao fim do caminho de mãos dadas, nos amando, nos apoiando e sendo muuito mais do que um instrumento de prazer masculino, sendo Irmãs que juntas fizeram a revolução acontecer com o amor.