Libertando-me

Estava pensando em plena véspera de aniversário, que muito do meu crescimento emergiu dos meus maiores desalentos. Nos meus desesperados momentos de solidão que eu aprendi a lidar com o jeitinho que a vida tem de nos fazer crescer.

Músicas tristes, festas, álcool, amores tapa buraco, orações milagrosas, livros de autoajuda. Nada disso, absolutamente nada, me fez evoluir tanto quanto o meu próprio caos pessoal. O meu próprio caos fez com que eu aprendesse o que é a liberdade em sua essência.
Quando tinha 15 anos achava que a liberdade era sair a hora que eu quisesse, aos 18 achei que era apenas me sustentar, agora vejo a liberdade como um estado de alma e não físico.

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Apaixone-se por Rupi Kaur

A poesia construída através dos traumas existenciais do cotidiano trouxe  sucesso a escritora

Apesar de ser mais reconhecida por seus versos românticos, sentimentais, muitas vezes ligados à dores de amor Rupi também escreve sobre maternidade, machismo, violência com a delicadeza poética facilitando o reconhecimento por si própria e da sociedade em que vivemos.
Tive contato com a obra da  indiana no final de um relacionamento conturbado e apesar de assumir que realmente sua poética tem pontos clichês, também digo que talvez nunca ninguém tenha traduzido tão bem os sentimentos e o cotidiano como ela fez.

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Contos Aleatórios sobre elas – Adessa

Adessa

 

Primeira Parte

A dúvida toma conta de cada passo que dou. Talvez eu devesse ter dado ouvidos a Tia Marli, ela estava certa, vir aqui foi um erro.

_ Boa noite senhorita, posso apanhar o seu casaco?

_ Ah sim, obrigada.

_ Adessa, você veio!

Tudo o que eu queria era chegar e ficar escondida em um canto, mas com essa sorte que tenho, claro que a escandalosa da Lola seria a primeira a me notar.

_ Olá Lola. Como você está?

_ Estou ótima! Melhor agora por saber que você e a Laura conseguiram se entender.

Falsa.

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Amizades instantâneas não me nutrem

Uns minutos de total descontrole e caí, sabe-se lá como, em um mar de dúvidas e opiniões sobre a onda de pessoas que passam pela nossa vida e, principalmente, o tanto que eu acreditei que durariam para sempre.

(Um asterisco fofo: eu sempre acreditei que todos nós temos, ou teremos, uma pessoa para a vida toda.)

Tudo bem se eu me tornar uma pessoa ingênua à partir de agora, mas eu simplesmente não consigo mais acreditar na ideia de que as pessoas apenas vem e vão. Não consigo ignorar o fato de que eu, pau para toda obra, passo na vida das pessoas com mesma frequência que almas em fuga desaparecem de listas de contatos e números de emergência, e por vários anos eu achei que o problema fosse eu.

E talvez seja mesmo.

Por mais que eu ache linda essa coisa de você criar uma conexão rápida com alguém, no meu caso, conexões não salvam amizades fracas que surgem quando a agenda deixa. Ao meu ver, amizade é mais do que ir do começo ao fim em 3 meses, e talvez hoje eu entenda o por que.

Amizades instantâneas não me nutrem. E talvez não nutra ninguém.

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A história de hoje é…

Laura

Primeira Parte

A dúvida toma conta de cada passo que dou. Talvez eu devesse ter dado ouvidos a Tia Marli, ela estava certa, vir aqui foi um erro.

_ Boa noite senhorita, posso apanhar o seu casaco?

_ Ah sim, obrigada.

_ Adessa, você veio!

Tudo o que eu queria era chegar e ficar escondida em um canto, mas com essa sorte que tenho, claro que a escandalosa da Lola seria a primeira a me notar.

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O Jardim de ossos

O Jardim de Ossos, Tess Gerritsen

Sinopse

Ossos desconhecidos, segredos não revelados e crimes não resolvidos lançam sombras ameaçadoras sobre o presente.

A recém-divorciada Julia Hamill acaba de se mudar para a casa de seus sonhos, uma mansão em um enorme terreno. Tudo parece perfeito, até que, durante a reforma do jardim, Julian desenterra um crânio humano com indícios de homicídio. E o mais intrigante: a cova data do século XIX.

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A importância da educação para as mulheres

Falamos várias vezes da importância de valorizar as diversas artes feitas por mulheres, principalmente literária, porém não levamos em consideração o fato de que vivemos em uma sociedade em que nem todas as mulheres tem acesso à educação. As causas dessa, não educação as mulheres, são muitas e não podemos deixar de enfatizar que em sua maioria as mais atingidas são mulheres negras e periféricas.

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Eu amo o que acredito que você cause em mim

 

 

    (Foto: Tumblr)

 

A manhã dá as caras, e me escancaram no espelho mais uma noite mal dormida, olheiras profundas e o desejo de uma alforria inalcançável.

Talvez eu devesse parar de fumar, ou até ler menos, esses fatores principais da minha personalidade são as que mais destroem minha pele e meu sono. A minha cabeça trovoa, talvez se você estivesse aqui eu saberia silenciar minha mente insana com o timbre da tua voz, ou  umas caminhadas pelas ruas da augusta me deixariam mais leve,mesmo me lembrando com nostalgia um passado recente que tanto me tortura.

O cigarro que citei no começo do texto já se faz aceso novamente, minha cabeça cigana circula por entre portas e janelas, as nuvens me fazem pensar em tudo que eu já fiz na minha vida, tento entender meus desejos e controlo minha vontade de me atirar na vida e quem sabe gritar seu nome, ou talvez caçar o seu perfume em algum outro corpo por aí.

Construir mais um texto sem padrões, sem métrica, sem rima, sem coesão, talvez minhas linhas sejam só agudas como um reflexo do meu próprio eu, talvez meu negócio seja o estrago, a bagunça, a tara por algo que eu nem sei o que.

Escrevo a você porque supostamente a sua presença é o que existe de mais sutil e ligeira em minha vida, a bagunça dos meus vícios, e a ilusão de uma calmaria. Eu não te amo, eu amo o que eu acredito que você cause em mim, e eu nem ao menos sei qual o sentido de tantas linhas tortas às 10h59 da manhã, eu só sei que preciso escrever para me manter acordada em meio a fuligem, e as obrigações do cotidiano.

Já dizia Rubi:

“Se teu amor te pesa mais que o mundo que carregas: degela-o e deixa-o beber os deltas”

A Solidão foi uma escolha que eu sempre fiz, mas sempre relutei com os meus próprios princípios. Eu me amo, eu me admiro, eu me conheço, mas os  freaks pela marginalidade que me habitam, confundem e me transtornam. Talvez você possa vir aqui para fumarmos um cigarro, e tomarmos um café como nos velhos tempos, eu finjo que não te conheço, e talvez não conheça mesmo mais.

Acho que minha vida é uma inspiração de Baden, e você é  meu samba triste, talvez o destino seja rimas tortas de amor e travesseiro que nunca farão sentido pra ninguém.

A penumbra é o consolo da almas solitárias que esquecem ter sangue circulando nas veias, que se escondem atrás de seus próprios descaminhos, nos salve do fim, ou engula minhas linhas aleatórias, dificuldades com vírgulas e crases por mais umas centenas de textos.