Glossário LGBT+, entenda e nos ajude a entender

Não se esqueça, nossos glossário sempre serão corrigidos/atualizados de acordo com o que aprendemos, nos deixe suas considerações nos comentários.

Existem muitas nomenclaturas no mundo LGBT+ e nem todas são familiares. Por isso, resolvi criar nosso segundo glossário (o primeiro), para que possa ajudar a todos os que tenham interesse em saber mais.

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Casamento x Feminismo – Parte 1

Reprodução/internet

Eu nasci em um lar machista, onde a violência doméstica se alojou em cadeira cativa. Havia o controle sobre a esposa e sobre a filha.

Isso me fez decidir, desde muito nova, nunca me casar. Pra que arriscar uma réplica do casamento dos meus pais? Obviamente eu tentaria percorrer um caminho diferente, mas e se no meio desse caminho minha vida se tornasse um remake de toda aquela violência que eu presenciei e sofri quando criança?

Resolvi que não valia o risco.

Mas o padrão de vida esperado de uma mulher sempre envolve um homem. Somos educadas para gostar de cozinhar, lavar, limpar, cuidar da boneca. Qualidades muito valorizadas quando se diz respeito à uma boa futura esposa. Jamais me perguntaram se eu queria ser uma chef, mas eu era questionada se seria capaz de prender um homem pelo estômago. Me perguntavam se já tinha algum namoradinho, mas nunca qual profissão queria seguir.

Tudo me levando a crer que deveria almejar  um  bom casamento, com filhos felizes e blá blá blá. Então fui planejando minha vida… só que ela seguia a contramão.

  • **Viajar para Florianópolis
  • **Morar sozinha
  • **Curso Superior em Ciências Biológicas
  • **Adoção

Nada me levava aos homens, eu tive poucos namorados (poucas pegações, namorado mesmo foi só um). Fui seguindo os planos, criando novos, abandonando vários. Mas nada sobre longos relacionamentos. No fim, a vida amorosa da adolescência fugia de mim por livre e espontânea vontade.

Então, próxima dos 18 aninhos, conheci o feminismo. Ao contrário do que muitos podem estar pensando agora, ele não me afastou de vez dos homens, ele me aproximou das pessoas certas. Aprendi que desejar a igualdade é maior do que aceitar a submissão, é mais importante do que rejeitar os relacionamentos.

Eu AMO cozinhar, gosto de tudo muito bem organizado e sempre exijo tudo limpo. Aprendi essas essas quando criança para ser uma boa dona de casa, hoje faço tudo isso e gosto. Sabe o que mais aprendi e dessa vez com o feminismo? Que o marido deve cozinhar, organizar e limpar tanto quanto a esposa. Sabe o mais legal? Me casei com um homem que está aprendendo tudo isso.

Ser ou não uma feminista não é motivo  para casar ou não casar. Pare de procurar/aceitar a hierarquia no casamento. Procure pela igualdade, verá como é muito melhor.

Reprodução/internet

O casamento entre a hipocrisia e o preconceito

Ontem à tarde, ao entrar no ônibus, me deparei com uma conversa que estava acontecendo no banco de trás, que chamou muito minha atenção (não que eu fique prestando atenção em conversa de ônibus). O diálogo se passava entre um pai e sua filha: 
“_ Mas pai, não tem problema algum. Tem tanta gente por aí que tem tatuagem.
_ Você não é ‘tanta gente’! Não vai fazer tatuagem nenhuma.
_ Mas…
_ Gente tatuada tem problemas para arrumar  emprego, é chamado de maloqueiro, vagabundo ou bandido. A pessoa pinta o corpo, achando que é bonito, que é ter personalidade própria, ser diferente e mais um monte de outras coisas. Mas depois que amadurece vê que é a maior burrice. Que não trás nada de bom. Só atrapalha…”
A conversa continuou, mas eu havia chegado em meu ponto e tive de descer. Só que antes eu me virei para dar uma olhada nas pessoas que conversavam; uma menina de aparentes 14 anos e um pai com um dragão vermelho desenhado no braço esquerdo! o.O
Aquela imagem me fez rir, mas um riso de espanto. É incrível como a hipocrisia, a intolerância e o preconceito estão muito mais perto e presentes do que parece. Como alguém que se tatuou é capaz de dizer ao filho que isso é uma “burrice”? O homem praticamente disse que, quando crescemos, nos entregamos aos preconceitos da sociedade. Ele se assumiu um ser humano incapaz de se manter naquilo em que acredita, preferindo se curvar ao controle imposto pelos intolerantes.
E não é apenas com tatuagens, pensamentos como os dele estão ao montes por aí, acontece com muitas outras pessoas. Um padre que não respeita as crenças de um monge; um branco que se acha melhor que um negro; ou um negro que pensa ser mais que um branco; uma bailarina que critica um estilo de dança diferente do dela (e esses são exemplos até “pequenos”), enfim, um infinito número de hipócritas preconceituosos existentes ao nosso redor.
É incrível como podemos nos achar no direito de criticar alguém sem antes olhar para os próprios erros… Não, ‘erros’ não é a palavra, afinal de contas, ter uma visão diferente das coisas não é um erro. Criticamos sem considerar nossas próprias atitudes. Aquele homem do ônibus já agiu de uma forma que, hoje, condena de forma agressiva, contribuindo para a dissipação de discursos ofensivos contra quem é diferente, contra ele mesmo.
Inacreditável como é gigantesca a ‘habilidade’ que alguns homens possuem para ser hipócritas e cínicos. Não importa o que ele tenha feito ou venha a fazer, o problema se dá quando outros estão fazendo. Somos capazes de enxergar erros nas atitudes de quem está ao nosso redor. E, na maioria das vezes, temos uma atitude igual.
A verdade é que deveríamos abrir nossos olhos e mentes. É óbvio que não somos iguais, com diferentes ideias, gostos, atitudes, crenças, tipo físico. E, pelo que parece, uma outra coisa que é muito igual é a ignorância humana. Quanto tempo teremos de esperar para enxergarem que esse é o motivo das tristezas que assolam nosso mundinho?

A propósito, vou fazer ,minha primeira tatuagem! E meu pai pensa como o pai do ônibus.

Mulheres que representam!

   

Oi pessoal. Tudo bem com vocês? Querem que fique melhor? Então vieram ao lugar certo.
O post de hoje será um dos queridinhos dos fãs da representativa, pelo menos eu me senti super representada. Quem não se sentiria? Como lançamento da coluna “Mulheres que amamos”, trago para você uma lista com cinco lindas desse planeta que aproveitam seu tempo para melhorar nosso mundinho.
Sejam famosas ou não, essas manas possuem muito o que falar e fazer. Eu as tenho como algumas de minhas inspirações. Suas atitudes e escolhas de como se posicionar perante a sociedade servem para nos ensinar sobre lutas, sejam em âmbito pessoal e/ou através da união. As descrições que fiz sobre cada uma podem ser curtas, mas de forma alguma diminuem a grandeza de suas existências.
Vamos as apresentações?

  • Catharina Dória

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    Fonte/Internet
    Catharina Doria é uma estudante que, com apenas 17 anos, decidiu trocar sua viagem de formatura para poder usar o dinheiro na criação de um novo aplicativo, chamado “Sai Pra Lá”. A intenção dele é mapear casos de assédios nas ruas. O app facilita a denúncia, divulga os lugares em que há esse tipo de ocorrência e intimida os agressores.
    • Amandla Stenberg

      Fonte/Time
      A atriz é inspiradora não só pelo trabalho que faz, como também por seu posicionamento contra o racismo na Internet, manifestando-se contra a apropriação cultural e o estereótipo da “mulher negra raivosa”. Nesse vídeo, MARAVILHOSO, podemos ver como o posicionamento da Amandla é importante nas lutas que ela representa. Ela também entrou para a lista dos “100 Adolescentes Mais Influentes do Ano” (de 2015) da Revista Time e está envolvida com a “Partilhe nossa Força”, organização que luta para acabar com a fome infantil nos Estados Unidos.
      • Kaol Porfírio

        Fonte/Twitter

         Kaol é ilustradora, desenvolvedora de jogos, gamer e criadora da maravilhosa série “Fight Like a Girl” (“Lute Como Uma Garota”), que destaca guerreiras inspiradoras de games, filmes, séries e também da vida real. A ideia até original uma coleção de camisetas que é vendida em parceria com a Toda Frida, pra você ajudar a passar a mensagem pra frente e mostrar que lutar como uma garota é motivo de orgulho!

        • Camila Pitanga

          Fonte/Internet
          A atriz brasileira foi a primeira personalidade das Américas a receber o título de embaixadora da ONU Mulheres. Ao entrar no site ONU Mulheres, encontramos as seguintes realizações dela: “diretora geral da ONG Movimento Humanos Direitos, onde se dedica contra o trabalho escravo, abusos contra crianças e adolescentes e na promoção de direitos de jovens negros, quilombolas, povos indígenas e meio ambiente; foi conselheira da WWF e apoiadora de campanhas da Anistia Internacional “Jovem Negro Vivo – #EuMeImporto”; do Greenpeace contra o desmatamento; do MhuD contra a prostituição infantil e contra a terceirização do trabalho”, e essas são só algumas de suas realizações. Que mulher!
          • Gabourey Sidibe

               
            Gabourey é uma atriz norte-americana que atua na serie “Empire”, onde protagonizou uma cena de sexo explícito ao lado do ator Mo McRae. Por causa disso, ela sofreu ataques nas redes sociais por conta de seu físico, negro e gordo. Ela não se abalou e ainda inspirou a hashtag #MyFatSexStory (Minha Grande História de Sexo, no trocadilho em inglês), onde usuárias e usuários reagiam contra a gordofobia.
            Ficaram fã que eu sei! Mas não acabou por aqui, eu trarei muitas outras mulheres para amarmos. Obviamente, como somos um blog que colabora e recebe colaborações, queremos que tragam suas inspirações aqui pra gente. Eu sempre fico feliz quando conheço mais ações representativas, o poder delas sempre nos trará mais e mais exemplos como os dessas mulheres.
            Espero que vocês gostem de ler tanto quando gostei de escrever e que o exemplo delas entre em seus corações e não sai mais!

            Entendendo melhor o que é esse tal de feminismo intersecional

            Reprodução/Pinterest

            Atualmente, temos visto várias vertentes do feminismo sendo citadas em conversas. A que eu vou tratar com vocês hoje é o termo Feminismo Intersecional.


            Esse termo é cunhado pela professora norte-americana Kimberlé Crenshaw em seu livro e ela o define como:

            A visão de que as mulheres experimentam a opressão em configurações variadas e em diferentes graus de intensidade. Padrões culturais de opressão não só estão interligados, mas também estão unidos e influenciados pelos sistemas intersecionais da sociedade. Exemplos disso incluem: raça, gênero, classe, capacidades físicas/mentais e etnia.

            Para entenderem um pouco melhor sobre o que estamos falando, vou explicar da seguinte forma, intersecionalidade fala sobre como os diferentes tipos de discriminação interagem. Não há um tipo de feminismo tamanho único e tanto as campanhas feministas como as antirracistas tem deixado as “mulheres de cor invisíveis na visão geral”. 

            Por exemplo, eu sou uma mulher negra e, como resultado, enfrento tanto o racismo como o sexismo ao caminhar em minha vida cotidiana. E nunca essas duas formas de discriminações passaram de forma separada em minha vida.


            Kimberlé Crenshaw em foto do seu twitter oficial
                                         

            Acho importante esclarecer, para uma melhor compreensão, que o termo foi utilizado inicialmente para verificar a aplicabilidade do feminismo negro em leis anti discriminação. Crenshaw citou em uma palestra o caso de Degraffenreid vs General Motors, em que cinco mulheres negras processaram a GM por discriminação de raça e gênero. “O principal desafio da lei é a forma como foi fundamentada, porque a lei anti discriminação olha para raça e gênero como elementos separados”, diz ela. “A consequência disso, é que as mulheres negras americanas — ou quaisquer outras mulheres não-brancas — vivem a experiência de uma discriminação por sobreposição ou conjunta. A lei, inicialmente, não estava lá para vir em sua defesa”.


            A principal coisa que a ‘intersecionalidade’ está tentando fazer, eu diria, é evidenciar que o feminismo, que é em certos discursos excessivamente branco e classe média, representa apenas um tipo de ponto de vista — e não reflete sobre as experiências de diferentes mulheres, que enfrentam múltiplas facetas e camadas presentes em suas vidas.

            Falando como exemplo pessoal, quando o racismo é levantado no feminismo, ele acaba sendo tratado da mesma forma de quando esse tema é proposto em qualquer outro espaço de debate. Os discursos banais habituais são usados ​​e a acusação de “dividir o movimento” é muitas vezes atirada ​​ao redor.

            Então, existem muitas opiniões acreditando que até que o movimento feminista majoritário comece a ouvir os diferentes grupos de mulheres dentro dele, ele corre o risco de se tornar estagnado e não será capaz de seguir em frente. O único resultado disso é que o movimento torna-se fragmentado e continuará a ser menos eficaz.

            Pela eterna união do #movimentovamosjuntas

            Imagem: Vamos Juntas?

            Na próxima vez que estiver em uma situação de risco, observe: do seu lado pode estar outra mulher passando pela mesma insegurança. Que tal irem juntas?

            Vamos juntas?

             

            Hoje eu quero realizar um post sobre uma das idéias mais incríveis desse mundo: o movimento Vamos Juntas?.
            Moro em uma cidade do interior, e sempre que saio do trabalho tenho uma reta para atravessar até chegar à minha casa. Essa reta está quase sempre deserta e o fato da minha cidade ser pequena não diminui muito o meu medo. Já tive cães andando atrás de mim, o que me deixou assustada, assim como já tive bêbados me chamando, pedindo para que eu esperasse porque queria conversar comigo.
            Hoje novamente ouvi passos atrás de mim, mas dessa vez eram de uma moça que estava saindo da escola noturna. Isso me deixou mais tranquila. Olhei para ela e perguntei se poderia pegar carona em sua companhia, ela logo me deu um sorriso e disse estar justamente tentando me alcançar.
            Falei pra ela que essa nossa atitude de querer andar uma ao lado da outra só fortalece o movimento Vamos Juntas?,  foi quando ela me perguntou que movimento era essa do qual eu falava. E é nesse ponto que eu quero chegar, nem todas as mulheres conhecem esse projeto e ainda tem várias que a considera uma perda de tempo.
             
            Portanto, resolvi explicar para minha parceira da reta deserta e a todas as mais que se mostram interessadas/necessitadas do que é que eu estou falando.
             
            Imagem: Vamos Juntas?
               
            Vamos Juntas? É um movimento criado pela jornalista Babi Souza no ano de 2015. A Babi apenas publicou no seu perfil pessoal do Facebook a ideia de que as mulheres não precisam andar sozinhas pela rua, é muito melhoror se unir para atravessar uma praça deserta. Como a própria criadora do movimento diz, só as mulheres entendem o medo que as outras mulheres sentem ao andar por aí.
             
            Cada vez mais mulheres compartilham na pagina oficial do movimento como suas vidas foram modificadas ao se unirem umas as outras e ajudam no crescimento desse projeto.
             
            O movimento se mostra tão importante na união feminina que possui grande força na sororidade. Não é apenas andarmos juntas nas ruas e depois dizer adeus, é ESTARMOS JUNTAS. União total na luta pela igualdade, segurança e valorização da mulher.
             
            O movimento já possui mais de 340 mil seguidoras, e cresce cada dia mais. Já até temos um livro que a babi escreveu, é o “Vamos juntas? O Guia da sororidade para todas”.
            Entende qual o real valor disso tudo? Você não está sozinha, todas temos medo. Só que todas temos a força para nos unir e nos defender, só precisamos aumentar a corrente para ver isso acontecendo.
             
            Depois de hoje, sei que minha parceira da reta deserta passou a ser mais uma com a qual sei que poderei contar quando estiver com medo de seguir meu caminho para casa.

            Glossário feminista

            Minhas flores e meus espinhos, a alguns dias eu estava participando de uma conversa sobre as diversas formas usadas por machista para atacar as mulheres. O assunto estava tomando um caminho legal, repleto de bons argumentos e tal, até que a palavra misógino foi incluída em um dos comentários, pois logo em seguida uma garota que participava da conversa perguntou: “O que é isso?”.
            Eu levei um susto quando percebi a duvida dela, porque ela se declarava feminista com veemência, mas ficou claro que ela não sabia exatamente a abrangência dessa luta.
            OBVIO que ninguém tem a obrigação de saber de tudo, mas para opinar sobre determinado assunto é necessário, primeiramente,  possuir um conhecimento prévio do mesmo. E é por isso que estou aqui hoje.
            Está surgindo aqui no blog a coluna ‘Entendendo o feminismo’, e vamos inicia-la com um glossário para as leigas e leigos no assunto, um dicionário completo (o mais completo possível) para quem tem alguma duvida sobre esse universo ou quer dar o primeiro passo para se tornar uma miga emponderada.
            Vamos lá?
            FEMINISMO: é um movimento social, filosófico e político que tem como objetivo direitos equânimes (iguais) e uma vivência humana por meio do empoderamento feminino e da libertação de padrões opressores patriarcais, baseados em normas de gênero.
            MISANDRIA: é o ódio, aversão, preconceito ou desprezo a pessoas do sexo masculino.
            MISOGINIA: ódio ou aversão às mulheres.
            SEXISMO: se refere à discriminações sexuais e conjuntos de idéias ou ações que privilegiam um indivíduo de determinado sexo (gênero ou orientação sexual).
            FILANDRIA: admiração ou amor pelo sexo masculino. Paixão por homens e carinho especial pelo sexo masculino. Gostar de estar na companhia masculina, achar belo o corpo do homem, assim como todo o universo masculino.
            SORORIDADE: união poderosa e transformadora entre mulheres, que visa romper com o estigma de rivalidade. A sororidade é importante para fortalecer a ação coletiva do movimento feminista.
            EMPODERAMENTO: (conscientização) é um processo de aquisição de ferramentas para combater nossas opressões. É quando nos tornamos mais fortes para desconstruir os papéis que nos impõem e para lutar por equidade.
            MACHISMO: é o comportamento, expresso por opiniões e atitudes, de um indivíduo que recusa a igualdade de direitos e deveres entre os gêneros sexuais, favorecendo e enaltecendo o sexo masculino sobre o feminino. Tipo de opressão que a sociedade patriarcal produz contra mulheres. Ele se expressa de diversas formas, das mais evidentes até as mais sutis.
            PATRIARCADO: Sistema social baseado no controle dos machos sobre as fêmeas, em que estes ocupam uma posição central. O patriarcado é o sistema no qual o machismo se baseia – é sob ele que se conformaram historicamente os privilégios da classe masculina em relação à classe de mulheres.

            FEMINISMO RADICAL (radfem): é uma perspectiva dentro do feminismo que exige um reordenamento radical da sociedade em que a supremacia masculina é eliminada em todos os contextos sociais e econômicos. As feministas radicais procuram abolir o patriarcado, papéis tradicionais de gênero e  acreditam em um comportamento de gênero condicionado.

            FEMINISMO INTERSECCIONAL: defende a intersecção entre diversas opressões: de gênero, raça e classe social.
            EQUIDADE: igualdade, imparcialidade, respeito à igualdade de direitos.
            MANSPLAINING: o termo, que vem do inglês, quer dizer algo como “explicação masculina”. Você logo vai se lembrar de algum exemplo de um conhecido seu, homem, tentando te explicar um assunto que você provavelmente domina mais que ele.
            MANTERRUPTING: do inglês “interrupção masculina”, é quando um homem constantemente interrompe uma mulher falando.
            GASLIGHTING: que é quando uma pessoa tenta te convencer de que você está louca, paranoica e, com isso, invalidar seus sentimentos. O gaslighting está geralmente associado ao relacionamento abusivo, sendo utilizado pelo parceiro para o controle da mulher.
            SLUTSHAMING: quando julgamos uma mulher por ter comportamentos “de vadia”, o que quer que isso signifique. Basicamente, é quando se repudia uma mulher por dispor de sua sexualidade e de seu corpo livremente.

            TOKEN: tokenizar é quando uma pessoa, acusada de alguma opressão, já vem com a resposta pronta “Mas eu até tenho amigos que são…”, como uma tentativa de invalidar a crítica que está recebendo.

            SILENCIAMENTO: no contexto feminista, é o apagamento da voz das mulheres, através de diversos artifícios, como descreditar suas opiniões ou mesmo através de violência.

            REPRESENTATIVIDADE: ato de representar uma minoria e trazer à ela força e formas de seguir com a sua luta.

            PROTAGONISMO: relaciona-se à ideia de que a principal voz dentro do feminismo deve ser daquelas a quem ele mais atende, ou seja, as mulheres.

            TERF: sigla para “Trans Exclusionary Radical Feminists” (inglês para “Feministas Radicais Trans-Excludentes”). O que isso significa? A ênfase é na exclusão – um ato intencional – e a implicação é que isso é baseado em preconceito e na discriminação propositada.

            FEMINISMO LIBERAL (libfem): possui foco na livre iniciativa, que é individual. Para o feminismo liberal, portanto, agimos de acordo com o livre-arbítrio. Exemplos da ideologia das libfem: quando a mulher “consente” não há estupro, quando a mulher intervém no próprio corpo aproximando-o do padrão de beleza hegemônico ela está exercendo liberdade de escolha sobre si.

            Ufa! É muita coisa não é? Mas ainda não acabou, nos próximos posts iremos nos aprofundar mais nesses termos para que possamos entende-los melhor. Faremos postagens específicas sobre cada vertente do feminismo e sobre como podemos ser atingidas direta e indiretamente por tudo isso.
            Ficou com dúvida sobre alguma coisa ou percebeu que me esqueci de algo? Então deixa nos comentários, assim você ajudara a elevar cada vez mais os nossos conhecimentos.
            Beijos e até a próxima.

            Sobre leitura (?)

            Ana e João eram vizinhos e amigos. João era popular, e todos o achavam o máximo porque ele lia muito. Toda semana estava com um livro diferente e os amigos adoravam ouvir sobre aquilo. Às vezes ele até gostava de se gabar um pouco quando lia algo muito bom ou conseguia um livro difícil na biblioteca.

            Já Ana não tinha uma fama tão boa assim, porque… também lia. Lia muitos livros, sim, mas nem de longe tantos quanto João. Ainda assim, era para ela que as pessoas olhavam torto. “Nossa, já é o segundo livro que ela lê este mês…” “Essa tem mais carimbo da biblioteca que fios de cabelo, haha”.

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            Escritoras Maravilhosas – Ana Maria Machado

             Foto: Bruno Veiga

            Um pouco sobre a sua vida

            Ana Maria nasceu em Santa Tereza, Rio de Janeiro, em 24 de dezembro de 1941. É casada com o músico Lourenço Baeta, do quarteto Boca Livre, tendo o casal uma filha. Do casamento anterior com o médico Álvaro Machado, Ana Maria teve dois filhos.

            Estudou no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e no MOMA de Nova York, tendo participado de salões e exposições individuais e coletivas no país e no exterior, enquanto fazia o curso de letras (depois de desistir do curso de Geografia). Formou-se em Letras Neolatinas, em 1964, na então Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil, e fez estudos de pós-graduação na UFRJ.

            Considerada pela crítica como uma das mais versáteis e completas das escritoras brasileiras contemporâneas, a carioca Ana Maria Machado ocupa a cadeira numero 1 da Academia Brasileira de Letras, que presidiu de 2011 a 2013.

            Na sua carreira, os números são generosos. São mais de 40 anos escrevendo, mais de cem livros publicados (dos quais 9 romances e 8 de ensaios), mais de vinte milhões de exemplares vendidos, publicados em vinte idiomas e 26 países. Os prêmios conquistados ao longo da carreira também são muitos, de se perder a conta. Entre eles, 3 Jabutis, o Machado de Assis da ABL em 2001 para conjunto da obra, o Machado de Assis da Biblioteca Nacional para romance, o Casa de Las Americas ( 1980, Cuba), o Hans Christian Andersen, internacional, pelo conjunto de sua obra infantil (2000), entre inúmeros outros.

            No final de 1969, depois de ser presa pelo governo militar e ter diversos amigos também detidos,  deixou o Brasil e partiu para o exílio. Na bagagem para a Europa, levava cópias de algumas histórias infantis que estava escrevendo, a convite da revista Recreio.

            A volta ao Brasil veio no final de 1972, quando começou a trabalhar no Jornal do Brasil e na Radio Jornal do Brasil, no Correio da Manhã, n’O Globo, e colaborou com as revistas Realidade, IstoÉ e Veja e com os semanários O Pasquim, Opinião e Movimento.

            Em 1980, junto com Maria Eugênia Silveira, decidiu abrir a Malasartes, a primeira livraria infantil do Brasil , que co-dirigiu por 18 anos, apostando na inteligência do leitor, na criteriosa seleção dos títulos a partir de um conhecimento acumulado, na liberdade de escolha, na convicção de que ler livro bom é uma tentação irresistível e um direito de toda criança. O sucesso foi tal que, daí a um ano, só no Rio de Janeiro, havia 14 livrarias que buscavam seguir o mesmo modelo.

            Algumas de suas obras



            Era uma menina linda. A pele era escura e lustrosa, que nem pêlo da pantera quando pula na chuva. Do lado da casa dela morava um coelho que achava a menina a pessoa mais linda que ele já vira na vida. Queria ter uma filha linda e pretinha como ela.



            A menina Bel encontra um dia uma foto de sua bisavó Bia, entre as coisas de sua mãe. A partir daí, ela inicia uma relação de muitas descobertas com essa pessoa tão importante na vida de sua família e na da própria. Até que surge uma menina inesperada (esse é o meu preferido).



            Como a Alice de Carroll, ela está disposta a explorar o país das maravilhas e experimentar todas as novas sensações. Como Ulisses, ele está disposto a grandes aventuras e a se divertir pelo caminho, mas não perde de vista que um dia vai voltar para casa.

            #LeiaMulheresSempre

             

            É fato que o papel da mulher na literatura, assim como em muitas outras áreas, não é tão grande e valorizada quanto a dos homens. Citando a literatura nacional como exemplo, é muito mais fácil uma pessoa dizer que já leu um livro do Machado de Assis do que da escritora Ana Maria Machado. Então por que não tentar fazer diferente dessa vez?

            No ano de 2014, a escritora e ilustradora inglesa Joanna Walsh propôs que as pessoas decidissem conscientemente ler mais obras escritas por mulheres. A iniciativa no Twitter, onde foi criada a hashtag “#readwomen2014”, teve uma repercussão tão grande e inesperada, que a própria criadora ficou impressionada com a proporção da sua ideia

            Em entrevista a Revista Língua, Joanna contou como foi o inicio de tudo:

            “Eu sinto que o #readwomen2014 na verdade aconteceu comigo. Fiz alguns marcadores de página para enviar como cartões de Ano Novo, em resposta a dois revisores com quem eu estava em contato no Twitter (Mateus Jakubowski nos EUA e Jonathan Gibbs no Reino Unido) que decidiram ler escritoras por um período de tempo definido. A partir daí, fiz o hashtag e publiquei as imagens dos marcadores. O hashtag decolou no Twitter ao ponto de eu ter que iniciar uma conta à parte (@readwomen2014). Nesta conta, hoje, tento reunir tweets sobre mulheres escritoras: recomendações, projetos, notícias, comentários… Eu também comecei a trabalhar em colaborações, o que é emocionante, começando com uma edição só de mulheres da revista Hamish Hamilton, Five Dials (Fivedials.com)”

            Mesmo sendo através de um acidente, o #readwomen2014 contemplou iniciativas e ânsias de muita gente, não à toa se espalhou tão rapidamente pela Inglaterra e pelo resto do mundo. No Brasil, foram criadas as hashtags #leiamulheres #umquartosóseu. O site oficial desse projeto aqui no Brasil, leiamulheres.com.br, tem como objetivo levar a leitura de livros escrito por mulheres para espaços culturais e livrarias através de encontros.

            O machismo é uma força atuante e dominante na grande maioria das sociedades contemporâneas. E o mundo literário não foge à hegemonia. Não é o fato da alfabetização das mulheres ter ocorrido de forma tardia que as impede de crescer no mundo da literatura, o que nem é aceito como justificativa, mas sim o preconceito. Existem pesquisas comprovando que escritoras ainda são marginalizadas por editoras, revistas literárias e jornais.

            Contudo, nós vamos fazer nossa parte para mudar essa realidade. Hoje estamos iniciando a coluna Escritoras Maravilhosas. Através dela vamos apresentar aos nossos leitores a historia de vida e o trabalho de mulheres talentosas, seja ela conhecida ou não. Dessa forma, esperamos conseguir complementar a iniciativa da Joanna Walsh e continuar difundindo a literatura feminina, quebrando as barreiras erguidas pela discriminação.