Casamento x Feminismo – Parte 1

Reprodução/internet

Eu nasci em um lar machista, onde a violência doméstica se alojou em cadeira cativa. Havia o controle sobre a esposa e sobre a filha.

Isso me fez decidir, desde muito nova, nunca me casar. Pra que arriscar uma réplica do casamento dos meus pais? Obviamente eu tentaria percorrer um caminho diferente, mas e se no meio desse caminho minha vida se tornasse um remake de toda aquela violência que eu presenciei e sofri quando criança?

Resolvi que não valia o risco.

Mas o padrão de vida esperado de uma mulher sempre envolve um homem. Somos educadas para gostar de cozinhar, lavar, limpar, cuidar da boneca. Qualidades muito valorizadas quando se diz respeito à uma boa futura esposa. Jamais me perguntaram se eu queria ser uma chef, mas eu era questionada se seria capaz de prender um homem pelo estômago. Me perguntavam se já tinha algum namoradinho, mas nunca qual profissão queria seguir.

Tudo me levando a crer que deveria almejar  um  bom casamento, com filhos felizes e blá blá blá. Então fui planejando minha vida… só que ela seguia a contramão.

  • **Viajar para Florianópolis
  • **Morar sozinha
  • **Curso Superior em Ciências Biológicas
  • **Adoção

Nada me levava aos homens, eu tive poucos namorados (poucas pegações, namorado mesmo foi só um). Fui seguindo os planos, criando novos, abandonando vários. Mas nada sobre longos relacionamentos. No fim, a vida amorosa da adolescência fugia de mim por livre e espontânea vontade.

Então, próxima dos 18 aninhos, conheci o feminismo. Ao contrário do que muitos podem estar pensando agora, ele não me afastou de vez dos homens, ele me aproximou das pessoas certas. Aprendi que desejar a igualdade é maior do que aceitar a submissão, é mais importante do que rejeitar os relacionamentos.

Eu AMO cozinhar, gosto de tudo muito bem organizado e sempre exijo tudo limpo. Aprendi essas essas quando criança para ser uma boa dona de casa, hoje faço tudo isso e gosto. Sabe o que mais aprendi e dessa vez com o feminismo? Que o marido deve cozinhar, organizar e limpar tanto quanto a esposa. Sabe o mais legal? Me casei com um homem que está aprendendo tudo isso.

Ser ou não uma feminista não é motivo  para casar ou não casar. Pare de procurar/aceitar a hierarquia no casamento. Procure pela igualdade, verá como é muito melhor.

Reprodução/internet

Quatro livros de simples leitura sobre feminismo

 

A introdução do feminismo desde cedo se faz fundamental para o inicio de um empoderamento e para a quebra da sociedade machista construída pela cabeça patriarcal que vem perdurando de séculos ate os dias atuais.

Por esse motivo fiz uma seleção de livros com historias, e introduções ao feminismo de fácil leitura para todas com uma linguagem acessível a todas.

 

(divulgação)

     1-     Capitolina (Varias autoras) 

Uma seleção de textos de diversos temas escritos por feministas na revista virtual Capitolina (As ilustrações também.

 

 

(divulgação)

     2-     Eu quero ser eu (Clara Averbuck)

Com humor, senso critico e sensibilidade, a escritora Clara Averbuck conta a historia de uma menina rebelde que se recusava a mudar sua opinião para se encaixar na normalidade do mundo atual

 

 

(divulgação)

 3-  O Que É O Feminismo (Branca Moreira)

O livro da Branca Moreira confronta os problemas vivenciados pelas mulheres na sociedade atual fazendo um paralelo com os tempos medievais.

 

(divulgação)

     4-     Feminismo e política (Flavia Birolli e Luis Felipe Miguel)

O livro destaca temas de debates feministas e políticos explicando as teorias de forma simples fazendo com que todas as mulheres compreendam e se familiarizem com o assunto.

Poesia e Hip- Hop: Conheça Kate Tempest

                                              Foto: Divulgação

Kate começou sua carreira em competições de hip-hop, e no teatro com renomadas companhias inglesas, todas as diversas experiências tornaram sua obra tão multifacetada e rica em diferenciais.

Embora desconhecida em solos brasileiros à britânica de 30 anos  é um dos nomes que mais crescem na cena do Hip-Hop Londrino, além de já ter vencido com sua poética o  premio “Ted Hughes ”
Com  textos teatrais e coletâneas de poemas publicadas, seu primeiro romance “Os tijolos nas paredes das casas” lançado este ano  foi sua primeira obra a chegar no Brasil.
Flip 2016
A poetisa foi aplaudida de pé na flip 2016 (Evento literário de Paraty) com sua intensidade  sem  tradução simultânea conquistou e emocionou o publico ao recitar dois de seus longos poemas.
 

Kate Tempest durante a Flip 2016 (Foto:Divulgação)

 Os tijolos nas paredes das casas
O livro conta a historia de três jovens que  resolvem  sair da cidade a fim de escapar de suas vidas vazias, com a esperança de escapar do tédio inesgotável, em busca de lugar nenhum. A obra explora a vida urbana em um aspecto moral e detalhista.

                                                                    Foto: Divulgação
                                                                                                         
Everybody Down
O álbum deu origem ao romance “Os tijolos nas paredes das casas” que trata das mesmas personagens com a poética do hip-hop. 


O livro já está disponível no Brasil pelo site da Saraiva
Para mais informações da escritora: site oficial 
Frida Kahlo

A eterna Frida Kahlo

Frida Kahlo
Artista mexicana multifacetada completaria, no ultimo dia seis, 109 anos

 

A mulher que deixava as suas dores, desgostos, feridas, cicatrizes escondidos por debaixo do vestido colorido, enterrado nas flores que enfeitavam sua cabeça, e na sobrancelha que estampava a imagem forte de artista, de simplesmente Frida.

Muito além de sua imagem, suas pinturas mágicas, encantavam e brincava com o que para muitos era surrealismo mas como a própria dizia era apenas retratos de sua realidade.

 

La Columna 1944
La Columna 1944

Nem a poliomielite, uma coluna fraturada adquirida com apenas 18 anos em um acidente, e tão pouco a impossibilidade de ter filhos calou a sua intensidade e emponderamento.  Militou no partido comunista, e muitas de suas pinturas possuíam a nítida influencia marxista, expondo seus pontos de vista de forma autentica, subjetiva e singular.

A frente do seu tempo, ela não se limitava a seu casamento (Com o muralista Diego Riviera), mantinha sua liberdade possuindo relações com homens e mulheres, escolheu manter seu casamento, embora cheio defeitos, devido o amor irremediável que sentia por Riviera.

 

Frida e Diego
Frida e Diego

 

A presença feminina em suas obras, e seu total rompimento com os padrões estéticos impostos pela sociedade de sua época tornou Frida o principal símbolo feminista, a imortalizando até os dias de hoje.

 

Frida

 

Bem mais que uma pintora, seu dom de transformar as tragédias de sua vida em beleza, arte e renovação, a tornaram a mais pura representação de toda mulher que não permite que a dor e os desgostos da vida calem suas bocas, a personificação da força, da persistência e da natureza feminina.

A atual literatura russa tem rosto de mulher: um pouco sobre Svetlana Alexievic

                                                                 

                                      Foto: Divulgação



Com suas obras engajadas e revolucionárias,Svetlana  Alexievich. É a segunda homenageada da Flip deste ano (festa literária que começará no próximo sábado em Paraty)

Assumidamente feminista, a jornalista e escritora possui obras diferencias que vão muito além de uma crônica ou um trabalho documental jornalístico, seus livros possuem um tom revolucionário e amostral que fazem sua escrita única.

A bielorrussa venceu o premio Nobel, sendo a 14ª mulher a ser reconhecida na história da premiação, com a obra “As vozes de Tchernóbil”. O livro soa como um coro de choro sofrido, reunindo depoimentos tocantes e por muitas vezes desesperadores de homens e mulher que sofreram com o desastre radioativo.

Já em sua obra recém-lançada “A guerra não tem rosto de mulher” Svetlana estampou o protagonismo feminino no exercito vermelho durante a segunda guerra, mostrando que a mulher estava presente mesmo em um uma situação que é sempre ligada ao sexo masculino.

Com um trabalho que discorre através da crônica habitual até a literatura engajada, aos problemas e conflitos da antiga URSS, até os problemas que afetam sua nação atualmente, seus livros são fundamentais para quem possui interesse por história, engajamento feminino e protagonismo proletário.

Conhecendo Toni Morrison

                                                Foto: Divulgação


Chloe Anthony Wofford, a primeira mulher negra a ganhar um Nobel de literatura devido a seus romances que relatavam a árdua realidade vivida pela população negra americana, principalmente as mulheres.
Ler Toni Morrison é uma experiência que vai além de se aventurar através de uma historia, é como se aprofundar em um estudo de raça, gênero e historia, sua obra cultiva a necessidade de refletir e discutir esses assuntos.
Com um vasto e premiado acervo publicado, mergulhado em literatura afro-americana, a também professora universitária possui obras multifacetadas que discorre de romances a literatura infanto-juvenil, marcando com sua escrita forte, realista (e infelizmente mais atual do que deveria) a história da literatura americana.
Mais sobre suas principais obras:
Amada: Conta a história de uma ex-escrava nos anos posteriores a guerra civil, mostrando com lirismo a condição cruel do negro no século XIX

O olho mais azul: História voltada a menina Pecola, personagem que vivia marginalizada e rejeitada devido a sua cor. Em um país onde todas as atenções eram voltadas a pessoas bancas, fazia com que a pequena Pecola rezasse todos os dias para obter olhos azuis.