Leitura necessária: Chimamanda Ngozie Adichie

(Foto: Divulgação)

 

Chimamanda Ngozie Adichie  é uma das escritoras nigerianas mais influentes e jovens da atualidade. Sua obra tem um enfoque feminista didático responsável por atrair cada vez mais a atenção das Africanas. Trata a importância dos temas de extrema importância com a leveza da literatura, sua escrita envolve ao mesmo tempo que mostra a partir de suas vivências os desafios sociais que a mulher vive na Nigéria de antes e de agora.

 

Conheça um pouco de sua obra, que já foi traduzida para mais de trinta línguas:

 

Meio sol amarelo: O livro agradou tanto que virou filme, conta a história de  irmãs gêmeas que não são nada parecidas. Enquanto uma abandona os jogos sociais de sua influente família para dar aulas e viver a revolução, a outra participa de todas as situações possíveis para se favorecer. O livro ilustra bem a divisão social da Nigéria, inclusive nos tempos da ditadura.

Meio sol amarelo, Companhia das letras

Americanah: Conta a história de amor entre dois jovens nigerianos em meio ao cenário da ditatorial. A menina passa por cima de todos os preconceitos e consegue estudar em uma das mais aclamadas universidades Dos EUA, porém quando retorna às suas raízes já como uma conceituada blogueira, se choca com a mudança do cenário e o que deixou para trás.

O livro vai bem além de uma história de amor, ele faz uma crítica social importantíssima de maneira inspiradora.

 

Americanah, Companhia das letras

Hibisco Roxo: Narradora e personagem, Kambili conta a sua história mostrando as opressões que sofreu por seu pai que abominava as raízes nigerianas e idolatrava o segmento católico, tal opressão religiosa o levou a negar o próprio pai e sua outra filha, porém ao decorrer da história a jovem se apaixona por um padre, e sua falta de perspectiva faz com que ela seja obrigada a sair da Nigéria.

Hibisco roxo, companhia das letras

Sejamos todos feministas: Uma palestra da autora que virou livro, e trata da importância da igualdade de gêneros, a partir de situações que ela mesma viveu durante o decorrer da sua vida em uma nigeria machista;  além de contar a experiência de outras mulheres e expor os julgamentos que sofreu.

Um livro super curtinho e gostoso de ler, fundamental para quem quer compreender um pouco mais sobre igualdade.

Sejamos todos feministas, companhia das letras

Extremamente inspiradora, Chimamanda tem uma escrita necessária, inclusive um de seus discursos foi musicado pela Beyonce, (https://www.youtube.com/watch?v=IBe9Vtodzg4)

Uma obra útil apenas para  maior conhecimento da Nigéria, mas sim livros  que mostram os desafios de ser mulher em países de construções machistas e preconceituosas, valorizando e apresentando o poder do feminismo e da liberdade de qualquer preconceito.

Site oficial: http://chimamanda.com/

Eu ainda estou aqui

 

                                            Foto: Tumblr

É tão difícil se libertar dessa situação de não se pertencer a nada, os anos passam e não sou mais uma criança, já era para eu ter me encontrado, e realmente me encontrei, mas não acredito que eu mesma me aceite totalmente.

Considero-me uma pessoa bem resolvida, e bem desconstruída, mas ainda tenho resquícios de uma sociedade que cria as mulheres para odiarem a si mesmas. Não me sinto encaixada, nem feliz com o meu corpo, possuo inseguranças de carreira e não me acho adequada o suficiente para muitos aspectos.

Vejo mulheres que nem imaginam a sua própria capacidade de brilhar por inseguranças incutidas em seus inconscientes, assim como eu sinto minha criatividade e motivação sendo reprimidos por uma sociedade completamente fechada para emponderamento de ideias. Por mais que tenhamos avançado e conquistamos cada vez mais espaço, eu me sinto ameaçada pela a vida em sociedade, ver um grande ator assumir um assedio sexual e continuar sendo protegido por muitos, me assusta.

Ligar a televisão e ver o corpo da mulher como um objeto usado para agregar valores a um homem me desmotiva, sinto como se essa situação nunca fosse mudar, como se estivéssemos estática nessa porra de era dos retrocessos.  Pode parecer besteira, mas me sinto presa no meu próprio corpo, uma alma liberta grudada em um uma carne que me judia, presa e intoxicada em um corpo mundano que ainda é obrigada a sobreviver nesta equação insolúvel.

Tenho medo de nunca me encontrar neste mundo, e mais medo ainda de me encontrar, queria deixar minha solidão de lado, mas ao mesmo tempo não quero me tornar parte desse pesadelo, nem compactuar com esse espiral de silencio sufocante.

Eu não mereço descontar um ódio que não é meu no meu próprio ser, não tem culpa dos absurdos impostos a mim.  Tenho meu próprio poder, e francamente, tenho tudo que eu preciso para me fazer feliz, e me satisfazer no aspecto que for.

Não vale a pena se padronizar, fingir sorrisos, abaixar a cabeça para as agressões que somos expostas todos os dias direta e indiretamente. Lutar vale a pena, porque independente do jeito que somos se andarmos unidas o amor, respeito, sororiedade jamais nos faltará.

Nós nos bastamos.

A revolução está no amor

(Foto: reprodução/internet)

 

É muito comum ver uma mulher tentando difamar outra como se precisasse disso para se acrescer como mulher, ou como ser humano.

Me digam por que caralhos existe essa necessidade de buscar defeito na outra? Pra que detonar a ex do atual sendo que ela fez parte da vida do seu atual tanto quanto você está fazendo?

A mídia, e a sociedade tentam o tempo todo rivalizar mulheres ou para vender cosméticos ou simplesmente para sustentar essa sociedade machista onde tudo gira em torno do p…. de homens, uma construção grosseira, mas extremamente verdadeira.

Do que adianta o seu feminismo, se ele humilha outras mulheres, se ele é racista, exclusivo ou difamatório?

A revolução começa no amor, não apenas pelo amor próprio, mas pelo amor entre nós mulheres umas pelas outras.

Pensem em um mundo onde ao invés de putas, gordas, feias, fossemos amigas, aliadas, seres que desconstroem juntas um universo podre voltado sempre para patriarcas.

Não vamos olhar para a outra como se ela fosse uma ameaça, uma inimiga, vamos dar as mãos, queremos as mesmas coisas à luta não é alcançável se deixarmos o ódio nos isolar e nos cegar.

Vamos chegar ao fim do caminho de mãos dadas, nos amando, nos apoiando e sendo muuito mais do que um instrumento de prazer masculino, sendo Irmãs que juntas fizeram a revolução acontecer com o amor.

Casamento x Feminismo – Parte 1

Reprodução/internet

Eu nasci em um lar machista, onde a violência doméstica se alojou em cadeira cativa. Havia o controle sobre a esposa e sobre a filha.

Isso me fez decidir, desde muito nova, nunca me casar. Pra que arriscar uma réplica do casamento dos meus pais? Obviamente eu tentaria percorrer um caminho diferente, mas e se no meio desse caminho minha vida se tornasse um remake de toda aquela violência que eu presenciei e sofri quando criança?

Resolvi que não valia o risco.

Mas o padrão de vida esperado de uma mulher sempre envolve um homem. Somos educadas para gostar de cozinhar, lavar, limpar, cuidar da boneca. Qualidades muito valorizadas quando se diz respeito à uma boa futura esposa. Jamais me perguntaram se eu queria ser uma chef, mas eu era questionada se seria capaz de prender um homem pelo estômago. Me perguntavam se já tinha algum namoradinho, mas nunca qual profissão queria seguir.

Tudo me levando a crer que deveria almejar  um  bom casamento, com filhos felizes e blá blá blá. Então fui planejando minha vida… só que ela seguia a contramão.

  • **Viajar para Florianópolis
  • **Morar sozinha
  • **Curso Superior em Ciências Biológicas
  • **Adoção

Nada me levava aos homens, eu tive poucos namorados (poucas pegações, namorado mesmo foi só um). Fui seguindo os planos, criando novos, abandonando vários. Mas nada sobre longos relacionamentos. No fim, a vida amorosa da adolescência fugia de mim por livre e espontânea vontade.

Então, próxima dos 18 aninhos, conheci o feminismo. Ao contrário do que muitos podem estar pensando agora, ele não me afastou de vez dos homens, ele me aproximou das pessoas certas. Aprendi que desejar a igualdade é maior do que aceitar a submissão, é mais importante do que rejeitar os relacionamentos.

Eu AMO cozinhar, gosto de tudo muito bem organizado e sempre exijo tudo limpo. Aprendi essas essas quando criança para ser uma boa dona de casa, hoje faço tudo isso e gosto. Sabe o que mais aprendi e dessa vez com o feminismo? Que o marido deve cozinhar, organizar e limpar tanto quanto a esposa. Sabe o mais legal? Me casei com um homem que está aprendendo tudo isso.

Ser ou não uma feminista não é motivo  para casar ou não casar. Pare de procurar/aceitar a hierarquia no casamento. Procure pela igualdade, verá como é muito melhor.

Reprodução/internet
Frida Kahlo

A eterna Frida Kahlo

Frida Kahlo
Artista mexicana multifacetada completaria, no ultimo dia seis, 109 anos

 

A mulher que deixava as suas dores, desgostos, feridas, cicatrizes escondidos por debaixo do vestido colorido, enterrado nas flores que enfeitavam sua cabeça, e na sobrancelha que estampava a imagem forte de artista, de simplesmente Frida.

Muito além de sua imagem, suas pinturas mágicas, encantavam e brincava com o que para muitos era surrealismo mas como a própria dizia era apenas retratos de sua realidade.

 

La Columna 1944
La Columna 1944

Nem a poliomielite, uma coluna fraturada adquirida com apenas 18 anos em um acidente, e tão pouco a impossibilidade de ter filhos calou a sua intensidade e emponderamento.  Militou no partido comunista, e muitas de suas pinturas possuíam a nítida influencia marxista, expondo seus pontos de vista de forma autentica, subjetiva e singular.

A frente do seu tempo, ela não se limitava a seu casamento (Com o muralista Diego Riviera), mantinha sua liberdade possuindo relações com homens e mulheres, escolheu manter seu casamento, embora cheio defeitos, devido o amor irremediável que sentia por Riviera.

 

Frida e Diego
Frida e Diego

 

A presença feminina em suas obras, e seu total rompimento com os padrões estéticos impostos pela sociedade de sua época tornou Frida o principal símbolo feminista, a imortalizando até os dias de hoje.

 

Frida

 

Bem mais que uma pintora, seu dom de transformar as tragédias de sua vida em beleza, arte e renovação, a tornaram a mais pura representação de toda mulher que não permite que a dor e os desgostos da vida calem suas bocas, a personificação da força, da persistência e da natureza feminina.

Sou a mulher presa que foge do mundo predador!

 

Caminhando pela selva de pedra e aço, me esquivando a cada passo para não me deparar com o leão que me cobiça como um pedaço de carne em seu prato. Ou em seu carro? Talvez em sua esquina? Será que é em sua moita que de tudo disfarça? Vai ser onde ninguém puder me ouvir gritar.

As pessoas (as muitas pessoas) não compreendem que meu medo é real e aprisionador. O medo de viver que foi impregnado em minha pele. Assim como se impregna o cheiro do esgoto ao corpo dos ratos, que precisam estar escondidos e acuados em buracos para escapar de todos que os veem como um ser dispensável. Ele nada merece além do sofrimento e os ataques por ser quem é. Eu sou o rato!

Também sou mulher que tem a cor e função de ser húmus. Produzida com o dever de ser fertil, fácil, abundante, útil para a agricultura machista que insiste em me alocar onde achar devido para produzir o que for de seu maior interesse. Sou uma escultura de terracota, que esbanja todo sua cor nos museus criados para a degustação masculina. A arte que deve ser apreciada e usada por todos aqueles que se mostrarem mais afim de impor seu direito de tocar quando quiser, levar para onde mais convier, fazer o que seu instinto primitivo disser, me obrigar ao que eu não quiser.

Nasci com um crachá que me rotula como “ser a ser moldado pelo mundo”, de forma que fique mais fácil de ser aceita no mundo. Afinal, o mundo nos fará arrepender de ser diferente do que ele almeja para nós. Mundo, mundo, mundo… Mundo? Nem tanto. Nem todos. Você é diferente, sua amiga pensa de outro jeito, sua vizinha também não quer fazer uso desse rotulo que colocaram em meu crachá. Eu sei, são todas como eu.

O problema não é todo o Mundo, o problema é uma gigantesca parcela dele que insiste em querer molda-lo a sua maneira. O problema esteve em minhas tias que me disseram para andar como moça ao invés de correr feito um cavalo.

” – Parece um menino, tá doido!”

O problema sempre estará nos crachás. São eles que ditam o que você DEVE SER, nunca o que você quer ser. Querer não é poder , afinal. Mas eu quis! Então fiz uso de um pincel permanente para escrever de forma escarranchada em meu peito:

APENAS EU

Eu quis ser, então eu serei. Serei a menina que corre como cavalo/menino, que fala alto, usa samba canção enquanto está na frente do marido e fio dental quando está sozinha em casa.

Serei a feminista, já que ele me deu o tal pincel permanente; serei a dona de casa, porque ninguém mais tem capacidade de cuidar da minha casa melhor do que eu; serei a vadia; a recatada, a chefe, a menina, a mãe, a grossa, a meiga.

Mas sabe o que eu nunca mais vou ser? A presa.

‘Caçadoras de Mitos’: mentiras sobre o feminismo

O feminismo cresceu muito recentemente, mas também apareceram muitas pessoas contrárias a ele. Não apenas opressores assumidos, mas também pessoas desinformadas, alimentadas pelo senso comum, repetem e propagam mitos sobre o movimento. Algumas dessas inverdades são tão comuns em posts e comentários pela internet que achamos que já era hora de fazer uma “versão feminista” do Mythbusters. Segue abaixo uma seleção de mentiras sobre o movimento, e nossa resposta a elas.

“O feminismo prega a superioridade da mulher sobre o homem”

O feminismo luta a favor de direitos iguais para ambos os sexos. Simples assim. Ele quer corrigir as injustiças sociais do patriarcado e dos papéis de gênero. Cada vertente e cada feminista tem pontos sobre essas questões, mas nisso todas elas convergem. 
Imagem: reprodução/internet


“Feministas querem apenas os direitos, nunca os deveres”

É muito comum ouvirmos essa frase acompanhada de outras como “alistamento obrigatório não querem” ou “na hora que pagar menos na balada não reclamam”. Antes, vamos entender que tudo depende da sua concepção de deveres. O feminismo luta por direitos, e se a esses direitos vêm atreladas responsabilidades, nós as queremos SIM.
Mas algumas ideias, como as que eu citei, não fazem sentido. A primeira porque não há por que lutar por ainda menos liberdade. A segunda porque nós também não gostamos desse fato. Como já disse uma pessoa sábia: “se você não paga pelo produto, o produto é você”. E entre nossas pautas, está o direito de não sermos tratadas como mercadoria.

“O feminismo faz discurso de ódio contra o sexo masculino”

Como já falei nesse post, explicando por que algumas feministas usam ironicamente de repulsa aos homens em memes, misandria não mata ninguém. Ela no máximo é usada de modo irônico contra os opressores, enquanto a misoginia mata, estupra e agride.
De todo modo, tirando essa ironia, feministas não pregam ódio aos homens. Quando fazemos afirmações generalistas sobre seu gênero, estamos tratando de seus papéis sociais. Quando alguma feminista diz, por exemplo, que “todo homem é um estuprador em potencial”, não significa que todos vão estuprar, mas que se ele quiser, provavelmente vai conseguir, porque tem poder para isso.

“Feministas são todas (complete aqui com qualquer clichê sobre aparência, hábitos ou sexualidade)”

Nos parênteses entram, usualmente: gorda, peluda, mal comida, lésbica, feia, puta… Dica: feminista não é tudo igual. Dá pra ser feminista e não ser nada disso, assim como dá pra ser e, adivinha? Não é da conta de ninguém. O fato de pessoas julgarem mulheres por sua aparência, hábitos e sexualidade só reforça a importância do feminismo.
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“Feministas querem ser iguais aos homens”

Não, feministas querem ter os mesmos direitos e liberdades que os homens. É comum que essa frase venha junto com ideias como “já é feio para o homem fazer (complete aqui)”. Geralmente a frase é completada com aspectos que se referem à liberdade sexual. O maior problema é que, geralmente, essa frase é usada como máscara. O homem dificilmente é julgado por sua liberdade da forma que a mulher é. E mesmo se fosse, sexo é algo saudável, e a quantidade de parceiros e os hábitos sexuais de cada um não deveriam incomodar tanto.

“Feministas são comunistas”

Esse mito é completamente ligado à dificuldade que as pessoas têm de separar ideologia de esquerda e comunismo. Não, não é a mesma coisa. Todo movimento que visa a subversão de padrões vigentes é de esquerda, e isso inclui o comunismo, mas não só ele. E por natureza, o feminismo pode ser considerado um movimento de esquerda. Mas isso não é regra nem para o movimento, nem para cada feminista. O feminismo liberal, por exemplo, acredita na livre iniciativa, tendo portanto traços de ideologias de direita.

“Feminina sim, feminista não”

O que representa “ser feminina”? A sociedade dita papéis para nossos gêneros, e muitos dos traços dos gêneros são construção social. Questionar isso é pauta do feminismo. Mas não significa que feministas precisem abdicar de características atribuídas a seu gênero. Dá para ser feminista e ser tida como “feminina” pela sociedade.
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“Donas de casa não podem ser feministas”

Se relaciona ao tópico acima. O feminismo promove a problematização dos papéis, o que inclui a delegação dos deveres de casa às mulheres. Mas isso não impede uma mulher, consciente disso e por vontade própria, de ser dona de casa e feminista.

“O feminismo de antes que era bom, hoje em dia elas só querem mostrar os peitos”

Sempre que eu topo com esse tipo de comentário eu me pergunto se quem tem fixação por peitos somos nós ou quem é contra o feminismo. Uma passada rápida em algumas das principais páginas feministas no Facebook mostra que as pautas são muito diversificadas. Além disso, nem toda manifestação que usa o corpo para protestar é totalmente incoerente, mas isso não significa que toda feminista concorda com elas.
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“O feminismo não respeita as religiões”

Fato surpreendente: muitas feministas têm uma religião, e algumas são até cristãs! Acontece que o feminismo permite o questionamento de dogmas e costumes religiosos que não são condizentes com nossas noções de respeito, igualdade e liberdade. E, por isso, é comum a problematização desses valores religiosos, assim como dos males que instituições como a Igreja Católica e outras fizeram a mulheres e outras minorias. Mas nada disso apaga o respeito pela fé de cada uma.

“O problema são as feministas radicais, que estragam o movimento”

Existem várias vertentes do feminismo, mas é importante entender que “radical” vem de raiz, e não de extremismo. Deixo aqui o post da Alessandra sobre o feminismo radical.

“Eu não preciso do feminismo”

Eu fico particularmente incomodada com essa. Primeiro que duvido muito que alguma mulher no planeta não precise nem um pouco do feminismo. Segundo porque, suponhamos, essas moças realmente não precisem. Elas usam a frase para deslegitimar o movimento, mas acabam demonstrando egoísmo, pois desconsideram as mulheres que mais precisam dele. Uma moça que nunca foi violentada, sofreu violência doméstica, ou teve sua sexualidade julgada demonstra falta de empatia ao dizer tal coisa.
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“Homens e mulheres já têm os mesmos direitos”

Outra frase que eu realmente fico chocada em ler/ouvir. Nossos direitos civis (aqui no ocidente) podem ser bem próximos de uma igualdade, mas nem isso está perfeito. Aos poucos vamos evoluindo na correção de diferenças através de leis, mas ainda há muito a ser percorrido. Ao final deste link, são citadas algumas das leis sexistas no Brasil.

Mas o grande problema é que direitos civis nem sempre são suficientes para garantir direitos sociais. Várias desigualdades ocorrem apesar das leis, e às vezes até com conivência do governo pela ausência de ferramentas para corrigi-las.

Espero que o post tenha ajudado a esclarecer algumas coisas!

A atual literatura russa tem rosto de mulher: um pouco sobre Svetlana Alexievic

                                                                 

                                      Foto: Divulgação



Com suas obras engajadas e revolucionárias,Svetlana  Alexievich. É a segunda homenageada da Flip deste ano (festa literária que começará no próximo sábado em Paraty)

Assumidamente feminista, a jornalista e escritora possui obras diferencias que vão muito além de uma crônica ou um trabalho documental jornalístico, seus livros possuem um tom revolucionário e amostral que fazem sua escrita única.

A bielorrussa venceu o premio Nobel, sendo a 14ª mulher a ser reconhecida na história da premiação, com a obra “As vozes de Tchernóbil”. O livro soa como um coro de choro sofrido, reunindo depoimentos tocantes e por muitas vezes desesperadores de homens e mulher que sofreram com o desastre radioativo.

Já em sua obra recém-lançada “A guerra não tem rosto de mulher” Svetlana estampou o protagonismo feminino no exercito vermelho durante a segunda guerra, mostrando que a mulher estava presente mesmo em um uma situação que é sempre ligada ao sexo masculino.

Com um trabalho que discorre através da crônica habitual até a literatura engajada, aos problemas e conflitos da antiga URSS, até os problemas que afetam sua nação atualmente, seus livros são fundamentais para quem possui interesse por história, engajamento feminino e protagonismo proletário.

Se esse post existe, graças a Deus, porque ele existe? – Os memes como arma

O humor sempre foi uma forte ferramenta social e política. Desde comédias teatrais de cunho crítico até esquetes de humor na televisão, passando por paródias no cinema e charges nos jornais, o tom contestador se mostra presente em várias ocasiões. 
E quando praticamente tudo no mundo já passou ou está passando por transformações para se adequar à internet, o humor não poderia ficar de fora. E os memes são, provavelmente, a forma mais popular de humor na web.
-sqn
E, claro, os memes com características políticas acabam surgindo também. Os mais diversos movimentos sociais têm os seus, e o feminismo não poderia ficar de fora. E as minas usam cada vez mais essas imagens de forma crítica, e até panfletária.
Mas e misandria? Pode?
É comum que muitos desses memes falem de misandria. Muitas meninas se incomodam com isso, já que consideram a misandria tão errada quanto a misoginia.
Mas é importante esclarecer uma coisa: socialmente e na prática, misandria e femismo não existem. Mulheres não têm poder estrutural para oprimir homens. E a forma como a misandria é usada nesses memes é, acima de tudo, irônica.
Assim como existe a ironia em cima da heterofobia (também inexistente, pelos mesmos motivos), existe a ironia em cima da misandria. Elas vêm justamente para se contrapôr às opressões sofridas por minorias. Além de criticar os próprios opressores que se dizem “atacados” quando os oprimidos buscam seus direitos.
Só para reforçar e deixar a diferença ainda mais explícita: enquanto misoginia e homofobia matam, violentam e agridem minorias diariamente, misandria e heterofobia no máximo ironizam os opressores.
Se aplica a femismo e misandria também (já que eles não existem)
Enfim, depois de esclarecer esses pontos, vamos a uma novidade: a partir de hoje, o blog terá uma página com uma galeria permanente de memes e imagens feministas. Aproveitando o espaço, postaremos um compilado não apenas de imagens engraçadas (para postarem em seus perfis ou quando uma discussão com mascus que não valem a pena), como várias imagens legais que encontramos pela rede. 
Podem aproveitar pra atualizar as imagens de capa, papéis de parede, até imprimir. E melhor ainda: como vai ser uma página fixa e com constante atualização, você sempre pode voltar para salvar mais imagens!
Quer contribuir? Mande na página do blog, no post que reservamos para isso! Espero que gostem!

Evas Poderosas

Evas Poderosas

 

Quando me elegeram para falar sobre as mulheres que amamos, pensei no grande trauma que eu, como historiadora que sou, possuo em razão das ausências femininas em suas mais variadas formas de sucumbir à inexistência. Mas, foi justamente dentro desse alvoroço de ideias, que comecei a colecionar alguns nomes que me vieram rapidamente à memória e, enfim, alavancaram a possibilidade de não só “reconstruir” nosso legado de mulheres, como também a de dissipar fantasmas que, assim como eu, assolam outros tantos sujeitos dessa trama social acortinada pelo masculino.

Minha primeira dama da corte…mentira! Minha primeira revolucionária, rebelde, subversiva e pioneira na ruptura dos arcabouços másculos, viris, intimidadores e autoritário para com as mulheres é…de impulso sou levada a citar, novamente, Lilith, mas isso nada mais é do que reflexo de uma sociedade que, até hoje, impõe a nós preceitos assentados em dogmas tão religiosos que poderia até afirmar a sensação de me sentir sob a cólera silenciosa  de veículos simbólicos que repudiam minha existência, tal como ela é. Logo, Lilith, única e diferentona:

I Love You

 

 

 

I LOVE YOU!  

 

 

 

Após uma pausa para retomar a coragem da escrita, penso em Joana D´Arc, em Edith Piaf, em Ana Bolena, na Cleópatra. Mas todas elas não são capazes de, neste exato momento, atender a um anseio que se mostra mais profundo, comedido e, confesso, pouco explorado. De qualquer forma, após uma longa análise, escolho Annette Marie Sarah Kellermann (1886-1975). Estranha, não?! Pois é, concordo! Mas ela me atraiu por uma ocorrência Mulheres Poderosasmuito particular da minha própria jornada como mulher e ativista no movimento feminista: o uso de roupas curtas

Foi em 1907, quando Annette foi presa por indecência ao usar maiô em uma das praias de Boston. E o que isso tem a ver com o “mulheres que amamos”? TUDO! Pois foi após esse incidente que emergiram discussões acerca dos trajes de roupas utilizados pelas mulheres, e que as roupas de banho ganharam novas dimensões. Entretanto foi só a partir dos anos 1930 que nossas roupas de praia assumiram as duas peças com as quais estamos tão acostumadas.

Eu sei que poderia ter citado o famoso episódio, com foto e tudo, das duas mulheres que usaram shorts curtos pela primeira vez em Toronto, no Canadá, em 1937. Mas, justamente, por uma questão de imagem é que decidi pela australiana. Dá uma olhada na tão famosa roupa que a fez ser presa e, aí então, me diga onde mora nossa velha questão de liberdade.

E ainda tem gente que acredita que vivemos em um estado de igualdade entre mulheres e homens. Então tá, né?!