Apaixone-se por Rupi Kaur

A poesia construída através dos traumas existenciais do cotidiano trouxe  sucesso a escritora

Foto Divulgação

 

Apesar de ser mais reconhecida por seus versos românticos, sentimentais, muitas vezes ligados à dores de amor Rupi também escreve sobre maternidade, machismo, violência com a delicadeza poética facilitando o reconhecimento por si própria e da sociedade em que vivemos.
Tive contato com a obra da  indiana no final de um relacionamento conturbado e apesar de assumir que realmente sua poética tem pontos clichês, também digo que talvez nunca ninguém tenha traduzido tão bem os sentimentos e o cotidiano como ela fez.

Pessoalmente, senti que Rupi chegou em minha vida em um momento em que eu realmente precisava de suas palavras de amor próprio, sororidade e até mesmo curtir o luto do amor mal acabado. As temáticas voltadas para a depressão, abuso físico e mental estão sempre presentes em sua escrita o que faz com que ler  a Rupi vá muito além de uma experiência sentimental e  transcenda as vitrines da realidade feminina.

O livro fundamental para quem quer se aventurar nas linhas dessa maravilhosa com certeza é o “outros jeitos de usar a boca” só o título da obra já arrebata e faz com que o leitor deseje se afundar ainda mais. Foi através deste que me apaixonei pela escritora ( que também é responsável pelas ilustrações que dão sustentação poética para todas as suas obras).

Para apresentar um pouco essa mulher que arrebatou meu coração que se faz presente na minha vida em diversas situações, separei alguns dos meus poemas e fragmentos favoritos.

 

“O amor vai chegar
e quando o amor chegar
o amor vai te abraçar
o amor vai dizer o seu nome
e você vai derreter
só que às vezes
o amor vai te machucar mas
o amor nunca faz por mal
o amor não faz jogo
porque o amor sabe que a vida
já é difícil o bastante”

“Toda vez que você
Diz à sua filha
Que você grita com ela
Porque a ama
Você a ensina a confundir
Raiva com bondade
O que parece uma boa ideia
Até que ela cresce
E passa a confiar em homens
que as machucam
Porque eles se parecem
Demais com você.”

“Não quero ter você para preencher minhas partes vazias.
Quero ser plena sozinha.
Quero ser tão completa que poderia iluminar a cidade.
E só aí quero ter você, porque nós dois juntos botamos fogo em tudo.”

“Quando você estiver machucada e ele estiver bem longe, não se pergunte se você foi o bastante. O problema é que você foi mais que o bastante e ele não conseguiu carregar.”

Bibliografia da Rupi

                  

Série One Day at a Time

Dica de série imperdível: One Day at a Time

Quando o assunto é engajamento social e político, a maioria das produções audiovisuais opta por uma ou duas pautas a serem abordadas, muitas vezes para evitar o risco (real) de se criar algo forçado ou raso. São poucas as obras que conseguem trazer múltiplos assuntos relevantes de forma orgânica e bem trabalhada. One Day at a Time (Netflix, 2017) é uma delas.

A série é um reboot da sitcom de mesmo nome exibida entre 1975 e 1984, que relatava o dia-a-dia de uma mãe solteira (vivida por Bonnie Franklin) criando suas duas filhas (Mackenzie Phillips e Valerie Bertinelli) em Indianápolis. A nova versão transformou a família em cubano-americana, com Justina Machado (Six Feet Under) como Penelope, a mãe, Isabella Gomez e Todd Grinnell como os filhos e Rita Moreno (a Anita de West Side Story e ganhadora dos EGOT) como a “abuelita” Lydia.

Série One Day at a Time
Os elencos da série original e do reboot, respectivamente

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Para as Marias

Eu vejo o feminismo gourmetizado, polido e bilíngue nas discussões em redes sociais, grupos, sites, blogs, política, mídias.
Eu vejo mulheres, em sua maioria, jovens, engajadas, sedentas, impacientes, com fome do agora e do já, cansadas das imposições de um patriarcado machista.
Eu vejo campanhas, hashtags, protestos, porque machistas não passarão.
Eu observo mulheres inteligentes, cultas, fortes, politizadas, exigentes.
Vejo também mulheres alheias. Que não acreditam na causa, na luta, desnecessária elas dizem, coisa de desocupada, coisa de puta.
Vejo mulheres que se atacam, se destroem, competem, se anulam, se matam, morrem, sofrem, desunião.
Mas, elas não me preocupam. Escolhas, elas tiveram.
Me preocupam mais as Marias.
Me chame de seletiva, sim, talvez seja.
Mas as Marias, essas eu tenho quase uma insônia ao lembrá-las.
As Marias, que são de outras gerações, não são bilíngues, nem politizadas, quiçá alfabetizadas.
As Marias, que nunca ouviram Elza Soares ou Pitty, nem Karol Konka, Mulamba ou Elis.
As Marias, que desconhecem o significado de vontade, de prazer, de não.
As Marias, que a única opção foi o sim, o casamento, o marido provedor, que jurou amar e cuidar, até o fim.
As Marias, que só aprenderam as receitas da vovó, a dizer sim Senhor, nunca questionar e servir sempre.
As Marias, que conheceram o amor/ dor, que são apontadas como culpadas pela infidelidade ou infelicidade. Aquelas que a salvação é a novela das 8, a globo, a bíblia, a missa de domingo, o terço na mão, a prece.
As Marias que não descansam, de pés inchados, que sobem e descem ladeiras, que as mãos estão calejadas do fogo, que o serviço não tem fim. E nem valor.
As Marias que não sabem quem é Simone de Beauvoir. Nem Frida. Nem o atual Girl Power.
E por essas Marias, eu luto, pacificamente.
As vezes só emprestando meus ouvidos ao teu choro, ou meu carinho ao teu rosto marcado.
Por essas Marias eu falo português mal falado, mal conjugado, simplista.
Por elas permaneço, resisto, persisto, canto, protesto, sacrifício.
Por elas tenho fé, esperança. Esperança que as Marias das periferias, ladeiras, cortiços, roças, sertões, tenham força, voz, e uma nova história, uma chance, escolha.
Às Marias eu desejo amor genuíno, paz, e que cesse sua dor.

Tomo a liberdade de usar meu espaço nesta coluna, onde explicamos e falamos sobre o feminismo para lembrar das milhares de mulheres humildes, às vezes sem instrução e sem acesso à informação, sem a liberdade e oportunidade que muitas de nós temos. Lembrarmos que antes de julgar uma mulher é preciso calçar seus chinelos, andar por seus caminhos, vestir a sua pele.
É maravilhoso que podemos ter entendimento sobre a causa, termos, livros, pautas. Mas há mulheres presas em uma realidade aquém à nossa.
O feminismo é coletivo, uníssono, e para todas. Até para as que não o querem.
Segregação não é o caminho para a libertação das mulheres.
Seremos mais fortes quando descobrirmos que juntas podemos muito mais.

Rivalidade feminina Música

Rivalidade feminina na música pop: por quê?

Rivalidade feminina definitivamente é meu tema da vez. Já falei sobre ele nos meus dois últimos posts nesta coluna, que você pode ler aqui e aqui.

 

Disputas entre fanbases são o tipo de coisa que a gente até pensa que ficou lá em 2012, mas elas ainda são reais – e intensas. Um rápido passeio por portais do gênero pode chegar a ser assustador para os mais desavisados.

 

 

Fonte: @reasonyoutalita

 

Apesar de render piadas, o cenário de guerra, no entanto, denuncia algo extremamente grave: a mais pura misoginia. É verdade que no universo dos fandoms a rivalidade é bem comum, mesmo em assuntos que não envolvam, necessariamente, figuras femininas – vide disputas como Marvel x DC Comics, por exemplo.

Mas quando vamos para o campo das divas pop, a coisa fica muito mais séria. A rivalidade não só cria uma atmosfera hostil, como vira uma desculpa para serem destiladas ofensas machistas e ataques baixíssimos.

 

Rivalidade feminina - música
Alguns comentários coletados hoje em páginas do Facebook

 

O fato desse público ser composto principalmente por pessoas LGBT+ ainda reforça algo importante: gays também podem ser misóginos. Homens gays ainda são homens, e o fato deles sofrerem um tipo de opressão não apaga aquelas que eles venham a causar. Mulheres hétero sofrem machismo mas podem ser homofóbicas, não é? Opressões podem se complementar, mas não se anulam. E são justamente homens gays os que mais vemos perpetuando a rivalidade no universo da música pop.

 

O papel da mídia

Acontece que, como é falado diversas vezes no meio feminista, não é tão fácil resistir a uma opressão, muito menos a conceitos sociais que somos ensinadas a reproduzir. Em parte este é um dos motivos de existir sim rivalidade entre mulheres. E o ambiente competitivo – mercadologicamente falando – da música, com charts, premiações, e todo tipo de disputa do tipo “quem é melhor” apenas contribui para seu surgimento.

No entanto, mesmo quando a rivalidade simplesmente não existe, ela pode ser vista como extremamente lucrativa. A indústria musical faz rios de dinheiro com brigas reais, e disso é apenas um pulo para serem insinuadas em situações irreais. Afinal de contas, tudo é válido enquanto o dinheiro estiver entrando.

 

Money
Topa tudo por dinheiro

 

Tudo isso com aval – e incentivo – da mídia, que constrói narrativas inteiras ao redor dessas disputas, e do público, que compra um lado – mesmo nas situações onde não há lados a serem comprados. E isso se mostra também de forma sutil, não apenas com os ataques mostrados no início do texto, mas também com insinuações, alfinetadas e coisas do tipo.

Lutar contra a rivalidade feminina não necessariamente significa que não possam existir desavenças reais, muito menos que todas as mulheres devam passar pano umas para as outras. Existem sim ocasiões em que mulheres são nocivas e dignas de repreensão. E também não queremos culpabilizar mulheres que estão inseridas numa sociedade que as ensina a competirem entre si.

O que não pode acontecer é a naturalização desses discursos, especialmente quando isso significa inocentar os principais responsáveis pela sua manutenção. A crítica deve ser feita sempre ao sistema machista e suas consequências. E podemos sim apontar os problemas do comportamento de mulheres que reproduzem machismo, mas isso não é desculpa para julgá-las sem compreender o que há por trás disso.

 

Mas é só com as mulheres?

Como sempre, tudo fica mais gritante quando fazemos a comparação com o outro gênero. Na música, especificamente, além da competição entre homens não resultar em ataques direcionados ao sexo masculino e suas vidas pessoais, ela é definitivamente muito menos acirrada. Isso também em todas as esferas: indústria, mídia e público.

Fãs do Bruno Mars e do Drake não aproveitam toda matéria sobre eles para falarem mal um do outro, visando exaltar seus ídolos. Por que fãs da Lady Gaga e da Katy Perry precisam fazer o mesmo?

A coexistência entre homens talentosos e/ou que fazem sucesso parece ser algo completamente natural e aceitável. Mulheres, no entanto, só podem ser boas se forem melhores que as outras. E isso não é nada normal.

oaboab, abcabc.

naquele dia resolvi me entregar ao luxo-lixo de despertar apenas na hora em que meu corpo bem escolhesse, fazendo-o sorrir como um corpo sem patrão, um corpo desmandado, reforçando o cotidiano de sarros que tiramos um com o outro entre uma ou outra aposta na liberdade. um corpo ele que, de tão desapregoado, tornou-se digno de ser reconhecido não mais como ninguém, mas sim, como ela. ela, eu, nós.

olhos ainda marejados em sono, corpo ainda quente de horas de cama, abri a janela e assisti papéis voarem já na primeira jarrada de vento. vi quase tombar de dentro de um copo americano – esses de proveito de um furto noturno mal lembrado e cheio de graça, atestado recorrente de uma adolescência mal atravessada – todas aquelas contas emboladas, atrasadas. vi como parte da estranha reunião de papéis no chão o carnê da minha dita profissão, ainda sem o carimbo de satisfação anual. ela, um projeto de sonho do ontem, hoje quase um atravanque, um corpo apatronado, e por homens. nós, eu, ela.

amassei os olhos, os vesti com os velhos óculos, avaliei todos aqueles manuais de sermões completos que ainda perduravam numa prateleira qualquer, pesada de tantos desmotivos. perguntei quem me fizera ler aquele conjunto de tantos contos – da carochinha e de réis – de capa impenetravelmente grossa. perguntei em qual momento permiti atestarem a necessidade de me converter em reprodutora daqueles artigos definidos de tolos e por tolos em coleguismo engravatado com tantos outros tolos reprodutores. perguntei quando que resolvi sangrar minha língua naquele linguajar morimbundo – nunc, tunc, omnes, data, vênia, obladi, obladá – e naqueles pronomes que se convertiam tão facilmente e propositalmente em elogios e vice-versa. eram tantas as excelências, tantos senhores – querendo ser de si e de nós – doutores do nada. e todos são ele.

perguntei-me em que momento nos convencem de que o recalcar a própria essência deve ser maior do que o poder exteriorizá-la, agir conforme se é, de facto e de juri. questionei em qual momento nos convencem a adentrar a maratona por caber em muito mais que duas camisas pretas, uma calça jeans, tênis, caderno e lápis, muito mais este que acaba por sempre se converter em algo que afague a alguém, e aqui alguém sempre é ele. rasguei, larguei, convencendo-me a seguir como se ainda estivesse parada no momento anterior à estação das decisões, aquele das despreocupações de uma quase-juventude ocupada apenas da liberdade de exercer seu vazio de expectativas. expectativas também são elas, nós.

perguntei em que momento fizemos do corpo a contingência de uma enorme fila para fotos e autógrafos; perguntei quando nos desfiguramos numa berlinda de uma entidade relatora que, ao dizer revelar de tudo, assombreia o mais elementar: os seus tantos recados às mulheres-alunas, dichavados nos grupos e nos convites meramente formais em saguões de hotéis, circulo infinito, bis in idem de tentativas de sujeitação.

– vamos escrever um artigo juntos, menina? tão jovem e bonita, mas tão inteligente.

– a mulher linda encanta. a mulher que é inteligente é interessante. se ela for as duas coisas, e inventar de ser criminalista, é invencível.

– te trouxe um livro meu autografado. sobe ali no quarto comigo pra buscar?

– amanhã venha assim, de salto e vestido, pois vais despachar com o juiz. é causa ganha na certa.

– quer um chocolate, querida? trouxe da viagem do congresso pra você.

do alto do palanque, que imensa a tontura, que imensa a tontidão. balas e recados perdidos nas confrarias dos rostos-homens marcados, e os vinhos, a lógica-mercado, os restaurantes e as cadeiras nas quais o objeto do desejo jamais faria casa, se fazendo presente sempre apenas como pauta maliciosa de pensamentos.

milionárias famílias trajadas de verde-esperança, ainda que já desvelado em seu tom musgo morto, meio de cujus, que segue pedindo que confiemos. eles são e estão na Ordem, e em seu discurso repetem oaboaboab. dizem que eu, mulher culpada de ser desconforme, só sou hábil de dizer abcabcabc.

não podendo recolher os papéis, juntei-me à sua reunião e sustentei perante eles todas essas coisas, já que coisas também são ela, e ela também sou eu e somos nós. e foi assim que, quando vi, já estava tudo aqui, tudo dito, e alea jacta est.

5 Produções que subvertem a rivalidade feminina

Há duas semanas, eu postei um texto sobre a falta de filmes, séries e etc sobre amizade feminina e o excesso de produções sobre rivalidade entre mulheres. Prometi que traria semana passada uma lista de obras que subvertem esse conceito machista, mas alguns contratempos me fizeram atrasar um pouco. Eu tardo, mas não falho, e aqui está ela!

Como recorte, trouxe produções que ou poderiam optar por seguir o caminho da rivalidade, mas não o fazem, ou que propositalmente trazem uma rivalidade e a abandonam (transformando-a em amizade, ou não). Apesar disso, sabemos que elas não são perfeitas e podem apresentar falhas (por exemplo, quanto à diversidade). Outro recorte: optei apenas por séries ou filmes dos quais nunca falei aqui no blog.

Apesar dos contras e da escassez de obras assim, é bom saber que ao menos temos opções. Vamos valorizar o que temos, e torcer para que haja cada mais espaço para essa subversão. Espero que gostem!

 

Meninas Malvadas

 

Meninas Malvadas

Sinopse: Cady Heron foi criada na África e educada em casa por seus pais biólogos. Sua família então se muda para os EUA, e ela precisa se inserir no Ensino Médio e se adaptar ao convívio social, já com 16 anos. Na nova escola, ela tem que lidar com as “panelinhas” e rivalidades estudantis, e ainda encarar as Plásticas, grupo de populares lideradas por Regina George.

Um clássico quando falamos desse assunto. A essência de Meninas Malvadas é exatamente a ideia de que mulheres não precisam ser rivais umas das outras. E o ato do final (não custa nada avisar: SPOILER), quando Cady quebra a coroa de rainha do baile e distribui para todas as meninas, é um símbolo e tanto disso.

 

Don't Trust The Bitch in Apartment 23

 

 

Don’t Trust The Bitch in Apartment 23

Sinopse: June é uma jovem do interior que se muda para Nova York em busca de um sonho. Certinha, com pouco trato social e (aparentemente) ingênua, ela vai morar com Chloe (a “Bitch” do título). Esta tenta aplicar em June o mesmo golpe que aplica às que vieram antes dela: infernizar sua vida ao ponto dela querer sair e deixar o dinheiro do adiantamento. Mas June se prova muito mais determinada que o esperado, não só vencendo Chloe em seu próprio jogo, mas também conquistando seu respeito e sua amizade.

Chloe e June são completos opostos. Logo no começo elas se encontram em uma situação de conflito, mas acabam se tornando amigas. Obviamente essa amizade não é perfeita (principalmente porque Chloe não se apega às pessoas). Mesmo assim, há um certo respeito por suas diferenças. Até há momentos em que uma tenta mudar a outra, mas isso serve apenas para elas aprenderem que essas divergências não precisam necessariamente atrapalhar a relação.

 

 

Legalmente Loira

Sinopse: Depois de ser dispensada pelo namorado, Warner, por ser superficial demais, Elle decide entrar no mesmo curso de Direito que ele, para provar sua inteligência. Vivian, nova namorada de seu ex, acaba se tornando sua rival também dentro do curso. Elle passa por vários obstáculos e enfrenta a descrença de muitos, mas acaba aprendendo que o curso pode ser mais que apenas uma forma de impressionar um homem.

Aqui temos a situação clássica da rivalidade feminina: a disputa por um homem. Mas esse filme, além de trazer a jornada de Elle enquanto descobre que não precisa impressionar homem nenhum (podendo ainda ser inteligente e gostar de coisas superficiais ao mesmo tempo), ainda desconstrói a rivalidade na raiz. (SPOILER) Quando Vivian descobre que Warner não era confiável, ela percebe também que não tinha motivos para perseguir Elle, e ainda aprende a respeitar sua personalidade.

 

Encantada

 

Encantada

Sinopse: A princesa Giselle é enfeitiçada para fora do reino de contos de fadas de Andalasia e vai parar em Manhattan, no mundo real. Lá ela conhece o advogado de divórcios Robert e sua filha Morgan. Enquanto Giselle descobre o novo mundo e enfrenta os perigos do seu próprio, ela e Robert começam a se envolver aos poucos.

Antes de conhecer Giselle, Robert era noivo de Nancy. A personagem poderia ser a figura típica da megera de comédias românticas. Aquela que geralmente aterroriza o/a(s) filho/a(s) do protagonista masculino, não aceita o término do relacionamento e ainda serve de contraponto para a “perfeição” da mocinha. Isso não acontece aqui. Nancy não chega a se tornar amiga de Giselle, mas elas nunca chegam a ser rivais. (SPOILER vai que, né) E ao término do relacionamento, quando Giselle obviamente acaba ficando com Robert, Nancy ainda tem um final feliz ao lado do príncipe Edward, pretendente anterior da princesa. Para esse filme ficar ainda melhor, só se a figura da bruxa malvada fosse trocada por um vilão.

 

Grande Menina, Pequena Mulher

 

Grande Menina, Pequena Mulher

Sinopse: Molly é uma jovem mimada que nunca precisou trabalhar, vivendo da fortuna deixada por seu falecido pai, um famoso astro do Rock. No entanto, ela é roubada por seu contador, sendo obrigada a arrumar um emprego. Molly acaba então como babá da pequena Ray, uma precoce menina de 8 anos.

A maturidade que falta a Molly, mesmo já passando da hora, mais que sobra a Ray. As duas vivem em pé de guerra em boa parte do filme por isso. Com o tempo, Molly vai aprendendo ao lado de Ray a ser mais madura, ao mesmo tempo em que conquista seu respeito e entende melhor seu comportamento. A amizade que as duas cultivam ainda é um exemplo de respeito acima da divergência etária.

Bônus:

É bônus, então posso trazer item repetido de outro post (já falei desse jogo aqui).

 

 

Life is Strange

Sinopse: Life is Strange conta a história de Max, uma estudante de fotografia que presencia o assassinato de uma jovem e ao impedi-lo, descobre ter o poder de voltar no tempo. Os primeiros momentos do jogo mostram um sonho de Max (que mais tarde se revela como um presságio) em que uma enorme tempestade ameaça Arcadia Bay, a cidade fictícia onde se passa a história, levando a garota a tentar salvá-la.

O jogo é definido pelas escolhas do jogador. Além da trama principal, várias subtramas e aspectos da história podem mudar de acordo com as ações da protagonista. (SPOILER) Entre elas, sua relação com os personagens, como Victoria Chase. Logo no começo do jogo ela é a jovem rica e popular, rival de Max. Entretanto, dependendo das suas escolhas ao longo da história (como apoiar ou zombar de Victoria em algum momento), essa rivalidade pode ser deixada de lado.

É uma forma interessante de observar como a rivalidade não é necessariamente algo inevitável na convivência feminina, e o quanto nossas próprias escolhas (na vida real) podem influenciar na sua manutenção ou subversão.

Gostaram da lista? Têm mais sugestões? Deixem nos comentários!

Poliamor e o Feminismo

Imagem: Sucesso nos Relacionamentos

Com toda a discussão sobre liberdade, escolhas, relações abusivas, denúncias, machismo, é quase impossível não falar sobre Poliamor.

Primeiro, gostaria de deixar claro que se trata de um ponto de vista e opinião pessoal. E a liberdade para contrapor sua opinião é assegurada aqui nos comentários.

O Poliamor é muitas vezes confundido com o relacionamento aberto. Mas são formas de se relacionar bem distintas.

Seria o Poliamor um relacionamento intimo e simultâneo entre três ou mais pessoas, de forma respeitosa, responsável e consciente de todos os envolvidos. Se trata de uma relação com vínculo afetivo, e não somente sexual ou casual. E é essa intimidade e compromisso que o difere do relacionamento aberto ou livre, que em sua grande maioria é uma busca por outros parceiros sexuais apenas.

A relação com base no Poliamor requer uma certa evolução, um autoconhecimento e autocontrole. Uma relação onde não há espaço para o ciúmes, as comparações, controle sobre a vida do parceiro ou exigências em relação a sua agenda ou disponibilidade. Há um acordo entre as partes, onde o respeito, a sinceridade, o amor e a estabilidade emocional são peças fundamentais para que a relação flua e seja prazerosa.

Mas onde entra o feminismo?

Justamente por ser uma relação não exclusiva que o feminismo tem uma preocupação para com as pessoas envolvidas, principalmente por essa relação ter potencial para servir como desculpa e apoio de um relacionamento abusivo e de infidelidade.

O mais importante antes de entrar em qualquer relacionamento é desconstruir a visão de amor romântico padrão das novelas e filmes.

Você precisa se conhecer, saber como seria lidar com seu parceiro ou parceira se relacionando com outra pessoa, com o seu conhecimento. Como vc lidaria com o ciúmes. Qual seria seu nível de satisfação nessa relação. Tudo deve ser questionado.

Você não pode e não deve se relacionar com o intuito de salvar uma relação monogâmica em crise, muito menos se anular para satisfazer a outra parte. Deve ser uma escolha mútua e negociável.

Entenda que uma pessoa infiel é diferente de uma pessoa com espírito livre, e que o pilar mais importante de toda relação, poli ou monogâmica, aberta ou livre deve ser o respeito.

É preciso avaliar se está pronto (a) para algo semelhante e se isso será prazeroso para ambos. A relação deve ser fluida, não um sacrifício. Tudo deve ser previamente discutido, consensual, garantindo a integridade e a segurança dos envolvidos.

Dessa forma o Poliamor exige um olhar para si, uma autoestima, uma desconstrução.

Questione- se, você se adaptaria à essa forma de relação? Você conseguiria controlar ou extinguir o ciúmes, as cobranças, saber do envolvimento sexual do seu parceiro ou parceira com outras pessoas?

Lembrem-se de se respeitar. De se cuidar. Não se anular em função de viver uma relação que não é prazerosa para você.

Não se intoxique para beneficiar outra pessoa.

 

 

Leitura necessária: Chimamanda Ngozie Adichie

(Foto: Divulgação)

 

Chimamanda Ngozie Adichie  é uma das escritoras nigerianas mais influentes e jovens da atualidade. Sua obra tem um enfoque feminista didático responsável por atrair cada vez mais a atenção das Africanas. Trata a importância dos temas de extrema importância com a leveza da literatura, sua escrita envolve ao mesmo tempo que mostra a partir de suas vivências os desafios sociais que a mulher vive na Nigéria de antes e de agora.

 

Conheça um pouco de sua obra, que já foi traduzida para mais de trinta línguas:

 

Meio sol amarelo: O livro agradou tanto que virou filme, conta a história de  irmãs gêmeas que não são nada parecidas. Enquanto uma abandona os jogos sociais de sua influente família para dar aulas e viver a revolução, a outra participa de todas as situações possíveis para se favorecer. O livro ilustra bem a divisão social da Nigéria, inclusive nos tempos da ditadura.

Meio sol amarelo, Companhia das letras

Americanah: Conta a história de amor entre dois jovens nigerianos em meio ao cenário da ditatorial. A menina passa por cima de todos os preconceitos e consegue estudar em uma das mais aclamadas universidades Dos EUA, porém quando retorna às suas raízes já como uma conceituada blogueira, se choca com a mudança do cenário e o que deixou para trás.

O livro vai bem além de uma história de amor, ele faz uma crítica social importantíssima de maneira inspiradora.

 

Americanah, Companhia das letras

Hibisco Roxo: Narradora e personagem, Kambili conta a sua história mostrando as opressões que sofreu por seu pai que abominava as raízes nigerianas e idolatrava o segmento católico, tal opressão religiosa o levou a negar o próprio pai e sua outra filha, porém ao decorrer da história a jovem se apaixona por um padre, e sua falta de perspectiva faz com que ela seja obrigada a sair da Nigéria.

Hibisco roxo, companhia das letras

Sejamos todos feministas: Uma palestra da autora que virou livro, e trata da importância da igualdade de gêneros, a partir de situações que ela mesma viveu durante o decorrer da sua vida em uma nigeria machista;  além de contar a experiência de outras mulheres e expor os julgamentos que sofreu.

Um livro super curtinho e gostoso de ler, fundamental para quem quer compreender um pouco mais sobre igualdade.

Sejamos todos feministas, companhia das letras

Extremamente inspiradora, Chimamanda tem uma escrita necessária, inclusive um de seus discursos foi musicado pela Beyonce, (https://www.youtube.com/watch?v=IBe9Vtodzg4)

Uma obra útil apenas para  maior conhecimento da Nigéria, mas sim livros  que mostram os desafios de ser mulher em países de construções machistas e preconceituosas, valorizando e apresentando o poder do feminismo e da liberdade de qualquer preconceito.

Site oficial: http://chimamanda.com/

Eu ainda estou aqui

 

                                            Foto: Tumblr

É tão difícil se libertar dessa situação de não se pertencer a nada, os anos passam e não sou mais uma criança, já era para eu ter me encontrado, e realmente me encontrei, mas não acredito que eu mesma me aceite totalmente.

Considero-me uma pessoa bem resolvida, e bem desconstruída, mas ainda tenho resquícios de uma sociedade que cria as mulheres para odiarem a si mesmas. Não me sinto encaixada, nem feliz com o meu corpo, possuo inseguranças de carreira e não me acho adequada o suficiente para muitos aspectos.

Vejo mulheres que nem imaginam a sua própria capacidade de brilhar por inseguranças incutidas em seus inconscientes, assim como eu sinto minha criatividade e motivação sendo reprimidos por uma sociedade completamente fechada para emponderamento de ideias. Por mais que tenhamos avançado e conquistamos cada vez mais espaço, eu me sinto ameaçada pela a vida em sociedade, ver um grande ator assumir um assedio sexual e continuar sendo protegido por muitos, me assusta.

Ligar a televisão e ver o corpo da mulher como um objeto usado para agregar valores a um homem me desmotiva, sinto como se essa situação nunca fosse mudar, como se estivéssemos estática nessa porra de era dos retrocessos.  Pode parecer besteira, mas me sinto presa no meu próprio corpo, uma alma liberta grudada em um uma carne que me judia, presa e intoxicada em um corpo mundano que ainda é obrigada a sobreviver nesta equação insolúvel.

Tenho medo de nunca me encontrar neste mundo, e mais medo ainda de me encontrar, queria deixar minha solidão de lado, mas ao mesmo tempo não quero me tornar parte desse pesadelo, nem compactuar com esse espiral de silencio sufocante.

Eu não mereço descontar um ódio que não é meu no meu próprio ser, não tem culpa dos absurdos impostos a mim.  Tenho meu próprio poder, e francamente, tenho tudo que eu preciso para me fazer feliz, e me satisfazer no aspecto que for.

Não vale a pena se padronizar, fingir sorrisos, abaixar a cabeça para as agressões que somos expostas todos os dias direta e indiretamente. Lutar vale a pena, porque independente do jeito que somos se andarmos unidas o amor, respeito, sororiedade jamais nos faltará.

Nós nos bastamos.

livros de fácil leitura e importantes temáticas

Foto: Divulgação

Durante a pausa do blog, resolvi aproveitar meus tempinhos vagos para renovar minhas leituras e experimentar coisas novas diferentes da minha área de conforto.

Entre essas diversas leituras duas me chamaram muito atenção e mereceram estar nessa publicação. 

Ambos os livros que citarei tratam violências que mulheres sofrem todos os dias e que muitas vezes passam batidas. A  visibilidade desses temas por um público mais jovem se faz cada vez mais necessário, e ambos cada um em seu estilo cumpre esse papel de modo satisfatório. 

O primeiro é um mangá, nunca fui muito de ler mangas, mas a arte da capa me conquistou. “Helter Skelter” pelo desenho e titulo me remeteram ao caso Tate- La Bianca, inclusive achei que o manga falava justamente disso, mas logo que comecei a leitura percebi que não havia mínima relação entre as historias.

Helter Skelter conta a historia de Liliko uma superstar idolatrada, que deixou de ser ela mesma para se encaixar aos padrões da sociedade, resultado disso é uma completa destruição de sua vida e carreira. 

Não chamaria o mangá de leve, pelo contrario ele é bem áspero e desesperador. Porém foi bem simples de ler alem das belíssimas ilustrações, muito intenso, conta com profundidade a vida de uma pessoa escravizada pelos padrões, abrindo mão de si mesma e de sua independência para conquistar almejados holofotes.

Foto: Divulgação

 

O segundo eu chamo de um livro intenso disfarçado de historia adolescente. Um dia de cada vez, conta a historia de Alexi uma menina que tem sua vida devastada devido a um estupro, a moça tenta se reerguer aos poucos e consegue isso com a ajuda de Bodee, jovem que assistiu sua mãe ser assassinada pelo seu próprio pai. Juntos eles se ajudam e se motivam a denunciar os crimes e a retirarem esse peso de suas vidas.

Não quero dar spoiler, por isso não vou dizer quem violentou Alexi, mas após lerem o livro será perceptível que apesar de absurdo o assunto é mais real do que podemos imaginar, conseguimos identificar varias Alexis sem coragem de pedir socorro por ai.

Courtney C. fez um excelente trabalho, trazendo um tema extremamente necessário em pauta para diversas jovens que se calam perante situações assim, e ao mesmo tempo trata o assunto com docilidade e leveza. 

Como leitora confesso que ambos me surpreenderam muito, por trazer a tona diferentes faces da violência contra a mulher de maneira tao delicada para um público mais jovem. Para quem gosta de leituras rápidas e intensas recomendo muito!

Se você gostou e deseja ler um dos livros ou os dois:

Helter Skelter foi o escrito por  Kyoko Okazaki e lançado aqui no Brasil pela NewPop 

Um dia de cada vez foi escrito pela Courtney C. Stevens e lançado pela editora suma de letras