Apaixone-se por Rupi Kaur

A poesia construída através dos traumas existenciais do cotidiano trouxe  sucesso a escritora

Apesar de ser mais reconhecida por seus versos românticos, sentimentais, muitas vezes ligados à dores de amor Rupi também escreve sobre maternidade, machismo, violência com a delicadeza poética facilitando o reconhecimento por si própria e da sociedade em que vivemos.
Tive contato com a obra da  indiana no final de um relacionamento conturbado e apesar de assumir que realmente sua poética tem pontos clichês, também digo que talvez nunca ninguém tenha traduzido tão bem os sentimentos e o cotidiano como ela fez.

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Série One Day at a Time

Dica de série imperdível: One Day at a Time

Quando o assunto é engajamento social e político, a maioria das produções audiovisuais opta por uma ou duas pautas a serem abordadas, muitas vezes para evitar o risco (real) de se criar algo forçado ou raso. São poucas as obras que conseguem trazer múltiplos assuntos relevantes de forma orgânica e bem trabalhada. One Day at a Time (Netflix, 2017) é uma delas.

A série é um reboot da sitcom de mesmo nome exibida entre 1975 e 1984, que relatava o dia-a-dia de uma mãe solteira (vivida por Bonnie Franklin) criando suas duas filhas (Mackenzie Phillips e Valerie Bertinelli) em Indianápolis. A nova versão transformou a família em cubano-americana, com Justina Machado (Six Feet Under) como Penelope, a mãe, Isabella Gomez e Todd Grinnell como os filhos e Rita Moreno (a Anita de West Side Story e ganhadora dos EGOT) como a “abuelita” Lydia.

Série One Day at a Time
Os elencos da série original e do reboot, respectivamente

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Para as Marias

Eu vejo o feminismo gourmetizado, polido e bilíngue nas discussões em redes sociais, grupos, sites, blogs, política, mídias.
Eu vejo mulheres, em sua maioria, jovens, engajadas, sedentas, impacientes, com fome do agora e do já, cansadas das imposições de um patriarcado machista.
Eu vejo campanhas, hashtags, protestos, porque machistas não passarão.
Eu observo mulheres inteligentes, cultas, fortes, politizadas, exigentes.
Vejo também mulheres alheias. Que não acreditam na causa, na luta, desnecessária elas dizem, coisa de desocupada, coisa de puta.
Vejo mulheres que se atacam, se destroem, competem, se anulam, se matam, morrem, sofrem, desunião.

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Rivalidade feminina Música

Rivalidade feminina na música pop: por quê?

Rivalidade feminina definitivamente é meu tema da vez. Já falei sobre ele nos meus dois últimos posts nesta coluna, que você pode ler aqui e aqui.

Disputas entre fanbases são o tipo de coisa que a gente até pensa que ficou lá em 2012, mas elas ainda são reais – e intensas. Um rápido passeio por portais do gênero pode chegar a ser assustador para os mais desavisados.

Fonte: @reasonyoutalita

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oaboab, abcabc.

naquele dia resolvi me entregar ao luxo-lixo de despertar apenas na hora em que meu corpo bem escolhesse, fazendo-o sorrir como um corpo sem patrão, um corpo desmandado, reforçando o cotidiano de sarros que tiramos um com o outro entre uma ou outra aposta na liberdade. um corpo ele que, de tão desapregoado, tornou-se digno de ser reconhecido não mais como ninguém, mas sim, como ela. ela, eu, nós.

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5 Produções que subvertem a rivalidade feminina

Há duas semanas, eu postei um texto sobre a falta de filmes, séries e etc sobre amizade feminina e o excesso de produções sobre rivalidade entre mulheres. Prometi que traria semana passada uma lista de obras que subvertem esse conceito machista, mas alguns contratempos me fizeram atrasar um pouco. Eu tardo, mas não falho, e aqui está ela!

Como recorte, trouxe produções que ou poderiam optar por seguir o caminho da rivalidade, mas não o fazem, ou que propositalmente trazem uma rivalidade e a abandonam (transformando-a em amizade, ou não). Apesar disso, sabemos que elas não são perfeitas e podem apresentar falhas (por exemplo, quanto à diversidade). Outro recorte: optei apenas por séries ou filmes dos quais nunca falei aqui no blog.

Apesar dos contras e da escassez de obras assim, é bom saber que ao menos temos opções. Vamos valorizar o que temos, e torcer para que haja cada mais espaço para essa subversão. Espero que gostem!

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Poliamor e o Feminismo

Imagem: Sucesso nos Relacionamentos

Com toda a discussão sobre liberdade, escolhas, relações abusivas, denúncias, machismo, é quase impossível não falar sobre Poliamor.

Primeiro, gostaria de deixar claro que se trata de um ponto de vista e opinião pessoal. E a liberdade para contrapor sua opinião é assegurada aqui nos comentários.

O Poliamor é muitas vezes confundido com o relacionamento aberto. Mas são formas de se relacionar bem distintas.

Seria o Poliamor um relacionamento intimo e simultâneo entre três ou mais pessoas, de forma respeitosa, responsável e consciente de todos os envolvidos. Se trata de uma relação com vínculo afetivo, e não somente sexual ou casual. E é essa intimidade e compromisso que o difere do relacionamento aberto ou livre, que em sua grande maioria é uma busca por outros parceiros sexuais apenas.

A relação com base no Poliamor requer uma certa evolução, um autoconhecimento e autocontrole. Uma relação onde não há espaço para o ciúmes, as comparações, controle sobre a vida do parceiro ou exigências em relação a sua agenda ou disponibilidade. Há um acordo entre as partes, onde o respeito, a sinceridade, o amor e a estabilidade emocional são peças fundamentais para que a relação flua e seja prazerosa.

Mas onde entra o feminismo?

Justamente por ser uma relação não exclusiva que o feminismo tem uma preocupação para com as pessoas envolvidas, principalmente por essa relação ter potencial para servir como desculpa e apoio de um relacionamento abusivo e de infidelidade.

O mais importante antes de entrar em qualquer relacionamento é desconstruir a visão de amor romântico padrão das novelas e filmes.

Você precisa se conhecer, saber como seria lidar com seu parceiro ou parceira se relacionando com outra pessoa, com o seu conhecimento. Como vc lidaria com o ciúmes. Qual seria seu nível de satisfação nessa relação. Tudo deve ser questionado.

Você não pode e não deve se relacionar com o intuito de salvar uma relação monogâmica em crise, muito menos se anular para satisfazer a outra parte. Deve ser uma escolha mútua e negociável.

Entenda que uma pessoa infiel é diferente de uma pessoa com espírito livre, e que o pilar mais importante de toda relação, poli ou monogâmica, aberta ou livre deve ser o respeito.

É preciso avaliar se está pronto (a) para algo semelhante e se isso será prazeroso para ambos. A relação deve ser fluida, não um sacrifício. Tudo deve ser previamente discutido, consensual, garantindo a integridade e a segurança dos envolvidos.

Dessa forma o Poliamor exige um olhar para si, uma autoestima, uma desconstrução.

Questione- se, você se adaptaria à essa forma de relação? Você conseguiria controlar ou extinguir o ciúmes, as cobranças, saber do envolvimento sexual do seu parceiro ou parceira com outras pessoas?

Lembrem-se de se respeitar. De se cuidar. Não se anular em função de viver uma relação que não é prazerosa para você.

Não se intoxique para beneficiar outra pessoa.

 

 

Leitura necessária: Chimamanda Ngozie Adichie

(Foto: Divulgação)

 

Chimamanda Ngozie Adichie  é uma das escritoras nigerianas mais influentes e jovens da atualidade. Sua obra tem um enfoque feminista didático responsável por atrair cada vez mais a atenção das Africanas. Trata a importância dos temas de extrema importância com a leveza da literatura, sua escrita envolve ao mesmo tempo que mostra a partir de suas vivências os desafios sociais que a mulher vive na Nigéria de antes e de agora.

 

Conheça um pouco de sua obra, que já foi traduzida para mais de trinta línguas:

 

Meio sol amarelo: O livro agradou tanto que virou filme, conta a história de  irmãs gêmeas que não são nada parecidas. Enquanto uma abandona os jogos sociais de sua influente família para dar aulas e viver a revolução, a outra participa de todas as situações possíveis para se favorecer. O livro ilustra bem a divisão social da Nigéria, inclusive nos tempos da ditadura.

Meio sol amarelo, Companhia das letras

Americanah: Conta a história de amor entre dois jovens nigerianos em meio ao cenário da ditatorial. A menina passa por cima de todos os preconceitos e consegue estudar em uma das mais aclamadas universidades Dos EUA, porém quando retorna às suas raízes já como uma conceituada blogueira, se choca com a mudança do cenário e o que deixou para trás.

O livro vai bem além de uma história de amor, ele faz uma crítica social importantíssima de maneira inspiradora.

 

Americanah, Companhia das letras

Hibisco Roxo: Narradora e personagem, Kambili conta a sua história mostrando as opressões que sofreu por seu pai que abominava as raízes nigerianas e idolatrava o segmento católico, tal opressão religiosa o levou a negar o próprio pai e sua outra filha, porém ao decorrer da história a jovem se apaixona por um padre, e sua falta de perspectiva faz com que ela seja obrigada a sair da Nigéria.

Hibisco roxo, companhia das letras

Sejamos todos feministas: Uma palestra da autora que virou livro, e trata da importância da igualdade de gêneros, a partir de situações que ela mesma viveu durante o decorrer da sua vida em uma nigeria machista;  além de contar a experiência de outras mulheres e expor os julgamentos que sofreu.

Um livro super curtinho e gostoso de ler, fundamental para quem quer compreender um pouco mais sobre igualdade.

Sejamos todos feministas, companhia das letras

Extremamente inspiradora, Chimamanda tem uma escrita necessária, inclusive um de seus discursos foi musicado pela Beyonce, (https://www.youtube.com/watch?v=IBe9Vtodzg4)

Uma obra útil apenas para  maior conhecimento da Nigéria, mas sim livros  que mostram os desafios de ser mulher em países de construções machistas e preconceituosas, valorizando e apresentando o poder do feminismo e da liberdade de qualquer preconceito.

Site oficial: http://chimamanda.com/

Eu ainda estou aqui

 

                                            Foto: Tumblr

É tão difícil se libertar dessa situação de não se pertencer a nada, os anos passam e não sou mais uma criança, já era para eu ter me encontrado, e realmente me encontrei, mas não acredito que eu mesma me aceite totalmente.

Considero-me uma pessoa bem resolvida, e bem desconstruída, mas ainda tenho resquícios de uma sociedade que cria as mulheres para odiarem a si mesmas. Não me sinto encaixada, nem feliz com o meu corpo, possuo inseguranças de carreira e não me acho adequada o suficiente para muitos aspectos.

Vejo mulheres que nem imaginam a sua própria capacidade de brilhar por inseguranças incutidas em seus inconscientes, assim como eu sinto minha criatividade e motivação sendo reprimidos por uma sociedade completamente fechada para emponderamento de ideias. Por mais que tenhamos avançado e conquistamos cada vez mais espaço, eu me sinto ameaçada pela a vida em sociedade, ver um grande ator assumir um assedio sexual e continuar sendo protegido por muitos, me assusta.

Ligar a televisão e ver o corpo da mulher como um objeto usado para agregar valores a um homem me desmotiva, sinto como se essa situação nunca fosse mudar, como se estivéssemos estática nessa porra de era dos retrocessos.  Pode parecer besteira, mas me sinto presa no meu próprio corpo, uma alma liberta grudada em um uma carne que me judia, presa e intoxicada em um corpo mundano que ainda é obrigada a sobreviver nesta equação insolúvel.

Tenho medo de nunca me encontrar neste mundo, e mais medo ainda de me encontrar, queria deixar minha solidão de lado, mas ao mesmo tempo não quero me tornar parte desse pesadelo, nem compactuar com esse espiral de silencio sufocante.

Eu não mereço descontar um ódio que não é meu no meu próprio ser, não tem culpa dos absurdos impostos a mim.  Tenho meu próprio poder, e francamente, tenho tudo que eu preciso para me fazer feliz, e me satisfazer no aspecto que for.

Não vale a pena se padronizar, fingir sorrisos, abaixar a cabeça para as agressões que somos expostas todos os dias direta e indiretamente. Lutar vale a pena, porque independente do jeito que somos se andarmos unidas o amor, respeito, sororiedade jamais nos faltará.

Nós nos bastamos.

livros de fácil leitura e importantes temáticas

Foto: Divulgação

Durante a pausa do blog, resolvi aproveitar meus tempinhos vagos para renovar minhas leituras e experimentar coisas novas diferentes da minha área de conforto.

Entre essas diversas leituras duas me chamaram muito atenção e mereceram estar nessa publicação. 

Ambos os livros que citarei tratam violências que mulheres sofrem todos os dias e que muitas vezes passam batidas. A  visibilidade desses temas por um público mais jovem se faz cada vez mais necessário, e ambos cada um em seu estilo cumpre esse papel de modo satisfatório. 

O primeiro é um mangá, nunca fui muito de ler mangas, mas a arte da capa me conquistou. “Helter Skelter” pelo desenho e titulo me remeteram ao caso Tate- La Bianca, inclusive achei que o manga falava justamente disso, mas logo que comecei a leitura percebi que não havia mínima relação entre as historias.

Helter Skelter conta a historia de Liliko uma superstar idolatrada, que deixou de ser ela mesma para se encaixar aos padrões da sociedade, resultado disso é uma completa destruição de sua vida e carreira. 

Não chamaria o mangá de leve, pelo contrario ele é bem áspero e desesperador. Porém foi bem simples de ler alem das belíssimas ilustrações, muito intenso, conta com profundidade a vida de uma pessoa escravizada pelos padrões, abrindo mão de si mesma e de sua independência para conquistar almejados holofotes.

Foto: Divulgação

 

O segundo eu chamo de um livro intenso disfarçado de historia adolescente. Um dia de cada vez, conta a historia de Alexi uma menina que tem sua vida devastada devido a um estupro, a moça tenta se reerguer aos poucos e consegue isso com a ajuda de Bodee, jovem que assistiu sua mãe ser assassinada pelo seu próprio pai. Juntos eles se ajudam e se motivam a denunciar os crimes e a retirarem esse peso de suas vidas.

Não quero dar spoiler, por isso não vou dizer quem violentou Alexi, mas após lerem o livro será perceptível que apesar de absurdo o assunto é mais real do que podemos imaginar, conseguimos identificar varias Alexis sem coragem de pedir socorro por ai.

Courtney C. fez um excelente trabalho, trazendo um tema extremamente necessário em pauta para diversas jovens que se calam perante situações assim, e ao mesmo tempo trata o assunto com docilidade e leveza. 

Como leitora confesso que ambos me surpreenderam muito, por trazer a tona diferentes faces da violência contra a mulher de maneira tao delicada para um público mais jovem. Para quem gosta de leituras rápidas e intensas recomendo muito!

Se você gostou e deseja ler um dos livros ou os dois:

Helter Skelter foi o escrito por  Kyoko Okazaki e lançado aqui no Brasil pela NewPop 

Um dia de cada vez foi escrito pela Courtney C. Stevens e lançado pela editora suma de letras