Amor

Amor é só um sentimento

O nosso grande erro é idealizar o amor. E isso não só diminui a gente perante o amor, como diminui o amor perante a gente.

Temos a mania de achar que o amor se basta e que ele é uma espécie de elemento inigualável em todo o universo. Que o amor é uma divindade que não apenas deve ser cultuada, como que também exige uma série de dogmas a serem seguidos.

Aí nós achamos que temos que fazer as coisas por amor. Largar tudo por amor. Correr atrás do amor. Não desistir do amor. E só por ele ser o que é, e não pelo que ele faz pela gente. Ao mesmo tempo, os que “não ligam pro amor”, os ateus e agnósticos do amor, acham que a gente não tem que fazer nada por ele.

E é engraçado como, ao mesmo tempo que essa questão pode ser tão complexa, a resposta pode ser tão simples… Porque a gente só precisa colocar o amor no seu lugar de um sentimento. E sentimento por sentimento, faz muito mais sentido fazer as coisas por felicidade.

Largar tudo pra ficar com alguém porque aquela pessoa te faz mais feliz que aquele “tudo”. Correr atrás da felicidade ao lado de alguém. Não desistir de ser feliz. Mas também deixar um amor ir porque ele não traz mais felicidade.

E apesar de parecer, isso não significa só trocar palavras e seguir agindo do mesmo jeito. Mas fazer uma troca completa na forma como a gente encara nossas escolhas e ações. E principalmente na forma que a gente vê o amor.

O amor é um sentimento forte e importante, sim, assim como a amizade, a empatia, a tolerância e, claro, a felicidade. Mas ele definitivamente não é uma divindade. Não é uma seita. Não é um culto. Não precisamos fazer nada “por amor” nem deixar de fazer nada porque “não preciso do amor”. E a gente tendo tanta coisa que deixa a nossa vida tão complicada, poderíamos ter pelo menos essa complicação a menos.

Felicidade – Por Luara Alves de Abreu

 

Já fazem alguns dias que sinto vontade de transbordar para as palavras um sentimento que sei lá ao certo o que é. Talvez gratidão.

Há tempos não me sentia assim, tão satisfeita com tudo, tão contemplando o mundo… Por ora até me escapa alguma lágrima involuntária, mas em momento algum é de tristeza. Combinaria mais com um excesso de transbordar, acho que é isso. É permitir-me.

Hoje vi um parque com cheiro de infância. Daqueles de cidade pequena sabe? Cheio de luzes coloridas. As luzes do parque fizeram acender em mim cores que eu mal sabia que tinha… Ah, que graça elas são!

Os gritos misturados com risadas e gente saindo daquele lugar com algodão doce na mão me fizeram lembrar o quão efêmera é a felicidade. Talvez dure o segundo de um dos brinquedos quando está parado no ar de ponta cabeça ou talvez dure os minutos enquanto se dissolve na boca o açúcar do algodão.

Não sei se é a chegada da primavera, se é a tensão pré-menstrual… Só sei que hoje fiz de mim parque. E só torço para que valha a pena o preço do ingresso. Que seja doce como o algodão e leve como a brisa que bate na nuca quando o brinquedo vira. Que seja. E assim seja!