Tem que ser pra sempre?

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Na nossa condição irracional, impetuosa, e muitas vezes invejosa temos ânsia de um pra sempre.

Seja o que for, temos a ideia de que todas as coisas não possuem a necessidade de fluir mas sim permanecer estáticas em nossas vidas, como se a escolha fosse apenas nossa, ou melhor necessária.

Vi amigas sustentando um relacionamento abusivo, quantos casamentos sem amor, quantos amigos cursando faculdades infelizes por não se identificarem com a carreira escolhida… Pra que?

Pra que relutar com o destino? Pra que sofrer em vão e derramar gotas de vida lutando por um pra sempre que supostamente deixa sua vida mais sólida ou mais “feliz”?

Por que não deixar o curso da vida nos arrebatar, e nos deixar livres, recomeçar do zero, até que por fim nos encontremos com nós mesmos?

Se pertencer talvez seja a missão mais complexa de nossas vidas, vivemos em busca da liberdade, mas talvez não saibamos ser livres, vivemos em buscas de correntes que fazem nossas vidas fazerem sentido sendo que só é possível viver sem correntes.

Não existem segredos para se viver, e nem livro de autoajuda que nos tire do abismo que chamamos de vida.

Opiniões alheias já não acrescentam mais. Relacionamento bengala, amizade interesseira, faculdade sem vocação, nada disso é vida! A vida tá no respirar livre, no dormir em paz, no reconhecimento de si mesmo quando olha para trás e possui orgulho do caminho seguido.

Só você pode se fazer feliz, e só você é pra sempre seu.

AMOR (IM)PROVÁVEL

Quando a noite cai, surge a mais solitária das estrelas. Sirius, a estrela mais brilhante do céu noturno, brilho esse que atrai muitos olhares. Nenhum que a fizesse feliz. Não posso dizer que ela não conhecia a felicidade, mas garanto a vocês, ela estava incompleta. Sempre cercada de outros como ela, sempre cercada de outros diferentes dela, sempre olhando ao redor à procura de algo mais.

A noite caiu, Sirius surgiu. Sua procura estava quase no fim quando se deparou com o olhar do Astrônomo. Seus lindos olhos a atraíam de forma extrema, era como se eles fizessem um pedido… “Sorria para mim, minha linda estrela”. E assim ela o fez.

E essa cena foi se repetindo por muitas noites. Eles se encontravam (da maneira que lhes era possível), conversavam, sorriam, se olhavam, se sentiam, se amavam. Mas Sirius tentava ir contra tudo o que se passava. Como poderia se deixar apaixonar por alguém tão inalcançável? Jamais poderiam ficar juntos!

Ela quis aumentar a distância entre eles, mas não conseguiu. E de que forma? Não era possível se afastar, tarde demais para fugir e intenso demais para ignorar.

Ao mesmo tempo em que ela negava seus sentimentos, ela também se apegava. Passou a enxergar um homem incrível. “Ele é tão inteligente, dedicado, carinhoso, verdadeiro, apaixonado… eu estou apaixonada”, assim ela começou a pensar.

O Astrônomo alcançou o coração da estrela. E de tal forma, que não foi necessário criar uma galáxia para viverem juntos, Sirius desceu do céu só para poder entregar todo o amor que ele despertou dentro dela. Não era mais necessário procurar por algo que a fizesse feliz. A estrela mais brilhante do céu noturno uniu-se a um Astrônomo para provar ao mundo que o amor existe para todos. Não importa onde você está.

Poesia e Hip- Hop: Conheça Kate Tempest

                                              Foto: Divulgação

Kate começou sua carreira em competições de hip-hop, e no teatro com renomadas companhias inglesas, todas as diversas experiências tornaram sua obra tão multifacetada e rica em diferenciais.

Embora desconhecida em solos brasileiros à britânica de 30 anos  é um dos nomes que mais crescem na cena do Hip-Hop Londrino, além de já ter vencido com sua poética o  premio “Ted Hughes ”
Com  textos teatrais e coletâneas de poemas publicadas, seu primeiro romance “Os tijolos nas paredes das casas” lançado este ano  foi sua primeira obra a chegar no Brasil.
Flip 2016
A poetisa foi aplaudida de pé na flip 2016 (Evento literário de Paraty) com sua intensidade  sem  tradução simultânea conquistou e emocionou o publico ao recitar dois de seus longos poemas.
 

Kate Tempest durante a Flip 2016 (Foto:Divulgação)

 Os tijolos nas paredes das casas
O livro conta a historia de três jovens que  resolvem  sair da cidade a fim de escapar de suas vidas vazias, com a esperança de escapar do tédio inesgotável, em busca de lugar nenhum. A obra explora a vida urbana em um aspecto moral e detalhista.

                                                                    Foto: Divulgação
                                                                                                         
Everybody Down
O álbum deu origem ao romance “Os tijolos nas paredes das casas” que trata das mesmas personagens com a poética do hip-hop. 


O livro já está disponível no Brasil pelo site da Saraiva
Para mais informações da escritora: site oficial 

A atual literatura russa tem rosto de mulher: um pouco sobre Svetlana Alexievic

                                                                 

                                      Foto: Divulgação



Com suas obras engajadas e revolucionárias,Svetlana  Alexievich. É a segunda homenageada da Flip deste ano (festa literária que começará no próximo sábado em Paraty)

Assumidamente feminista, a jornalista e escritora possui obras diferencias que vão muito além de uma crônica ou um trabalho documental jornalístico, seus livros possuem um tom revolucionário e amostral que fazem sua escrita única.

A bielorrussa venceu o premio Nobel, sendo a 14ª mulher a ser reconhecida na história da premiação, com a obra “As vozes de Tchernóbil”. O livro soa como um coro de choro sofrido, reunindo depoimentos tocantes e por muitas vezes desesperadores de homens e mulher que sofreram com o desastre radioativo.

Já em sua obra recém-lançada “A guerra não tem rosto de mulher” Svetlana estampou o protagonismo feminino no exercito vermelho durante a segunda guerra, mostrando que a mulher estava presente mesmo em um uma situação que é sempre ligada ao sexo masculino.

Com um trabalho que discorre através da crônica habitual até a literatura engajada, aos problemas e conflitos da antiga URSS, até os problemas que afetam sua nação atualmente, seus livros são fundamentais para quem possui interesse por história, engajamento feminino e protagonismo proletário.

Ser o que sou – por Kéuri Santos

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Eu gosto de cálculo, biologia e ciência, mas também gosto de cozinhar. Faço ballet e passo horas fazendo ponto cruz mas também gosto de catuaba e cerveja. 

Nunca fui boa em videogame mas eu gosto de tentar, nunca aprendi a dirigir mas isso nunca me impediu de chegar onde eu quisesse. Eu gosto de ler e amo estudar, mas eu também amo ir à academia, sair à noite e voltar de manhã.
Ter filhos é um dos meus maiores sonhos, assim como terminar três graduações, fazer mestrado e doutorado. Agora aqui no meu computador tem aba aberta sobre planta, psicologia, circuitos eletrônicos, sexo, fisiologia, blog de moda e política. Eu nunca fui uma coisa só, nunca me encaixei na ideia bizarra de que mulher TEM QUE SER algo – porque desde que a gente nasce somos definidas pelos outros, nunca por nós.

Eu passei muito tempo confusa por gostar de tudo e por muito tempo não consegui ser uma coisa sem me culpar por não ser outra. Até o dia em que eu entendi que eu só tenho que ser o que eu quiser, mesmo. 
O absurdo é que esse texto tenha tantas palavras “mas”, porque na realidade estudar pra caralho não tem nada a ver com gostar ou não de ir pro bar. Eu gosto de carnaval e de física quântica, sou sensível e tô aprendendo a reagir quando devo, sou namorada e independente, curto maquiagem e as vezes passo meses sem depilar a perna e bem, nenhuma dessas coisas anula a outra, e o principal: ninguém tem merda alguma a ver com isso, eu posso ser e sou muito mais do que qualquer um ache que eu deva.

Quem escreve

Kéuri Santos, 23 anos, estudante de Neurociência na UFABC por paixão e professora de inglês por amor.

Ser Bonita… – por Josiane Rodrigues

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Xiiii, já perdi as contas de quantas vezes já ouvi a expressão, “Nossaaaaaa!! que negra bonita!”
E isto é um problema, sim, sim é sim.
Vamos começar. Quando você encontra uma mulher branca na rua, que você acha muito bonita você por acaso fala, ”nossa! Que branca bonita!!”, não né? E por que, cargas d’agua, quando vai uma mulher negra precisa primeiro dizer que ela é negra?
Antes que você pense, ué, mas ela era mesmo negra…
Talvez eu consiga te explicar porque. Desde os tempos mais primórdios, as negras não estão inclusas no padrão de beleza, somos o contrário, o não linear, com nossos cabelos crespos e volumosos, ou nossas tranças, coloridas, e toda nossa infinita variedade de tons e cores, somos explosão, indagação, a fuga.
Mas, ainda assim, somos mulheres. E como uma mulher, pura e simples, merecemos o elogio, não por ser fora do comum, porque simplesmente não somos. Existe uma ideia de beleza, em que diversos padrões são impostos e disso todos já sabemos, mas, vivemos aqui neste mundão há algum tempo, temos noção que nem todas as ideias preestabelecidas são a verdade absoluta.
E, vamos combinar né?! não são raras as negras bonitas. Então, caso pense em dizer que uma negra é bonita, esqueça de ressaltar que ela é negra antes do elogio, apenas elogie.

Quem escreve

Josiane, mas prefiro ser chamada de Josi, estudante de letras e amante das milhões de formas que estas tem de juntar-se e assim, me faço poesia, as vezes crítica, as vezes observação, só pelo prazer e o alívio que a escrita traz.

Me mandaram calar a boca

Imagem: reprodução/internet

Quando eu era pequena, costumava ser faladeira. Vejo vídeos de quando eu tinha uns 5 anos e imagino o quanto devia ser irritante ver aquela miniatura de gente com aquela vozinha esganiçada tagarelando pela casa afora. Eu lembro que também chateava meus colegas de classe e professoras de tanto que eu falava. Eu prestava muita atenção na aula, mas eu gostava de falar. Então me mandaram calar a boca.

E eu me calei. Me calei por anos, ao ponto de, na adolescência, ouvir um “ó, ela fala” depois de algumas semanas numa escola nova. Desenvolvi uma timidez muito grande, medo de me expressar, medo de ser julgada. Também passei a falar baixo (coisa que faço até hoje), e mesmo no único lugar onde eu me sentia à vontade para me expressar (em cima de um palco), eu ouvia meus professores mandarem eu falar mais alto.
Mas dessa vez eu não falei mais alto. Continuo com a voz baixinha, continuo me sentindo à vontade para falar muito apenas entre conhecidos, continuo achando que os incomodo com minhas conversas chatas. Ainda tenho medo de falar algumas coisas que acabam ficando apenas no pensamento, mesmo estando numa roda de conversa. Meu coração ainda palpitava no último ano de faculdade, nas poucas vezes em que eu tinha coragem de levantar a mão em classe.
Não me mandaram calar a boca apenas uma vez, e nem só com palavras. Me mandaram calar a boca praticamente todas as vezes em que eu falava. Sim, recebi castigos mais severos que o aceitável por falar demais, mas ainda acho que esse foi o menor dos fatores. Me mandavam calar a boca quando debochavam do que eu falava, quando me ignoravam por gostar de coisas diferentes dos meus colegas, quando não respeitavam minhas opiniões. E eu, em fase de desenvolvimento, fui acreditando que eu merecia mesmo era calar a boca.
Mas um dia eu descobri que eu não precisava tanto assim da boca para me expressar. Conheci a escrita, e todas as possibilidades que ela me dá. Comecei na literatura amadora, então cursei Jornalismo, e descobri causas sociais. Virei feminista. Ainda escuto calada quando algumas pessoas destilam bobagens, mas não poupo mais palavras quando tenho a oportunidade real de escrever. E não, eu não vou mais me calar.