Libertando-me

Estava pensando em plena véspera de aniversário, que muito do meu crescimento emergiu dos meus maiores desalentos. Nos meus desesperados momentos de solidão que eu aprendi a lidar com o jeitinho que a vida tem de nos fazer crescer.

 

Arte Egon Schiele

Músicas tristes, festas, álcool, amores tapa buraco, orações milagrosas, livros de autoajuda. Nada disso, absolutamente nada, me fez evoluir tanto quanto o meu próprio caos pessoal. O meu próprio caos fez com que eu aprendesse o que é a liberdade em sua essência.
Quando tinha 15 anos achava que a liberdade era sair a hora que eu quisesse, aos 18 achei que era apenas me sustentar, agora vejo a liberdade como um estado de alma e não físico.

Quando a dureza do coração se transforma em calmaria e depois em dureza de novo, e calmaria, e por aí em diante até chegar no equilíbrio perfeito onde os sentimentos não são mais necessidades e sim complementos de uma alma que já transborda por si só.
A saudade, as coisas que deixei pra trás, o amor próprio que aprendi a cultivar sem ajuda mas por mim mesma. Admiração,coragem acabaram se tornando fundamentos que construí em meu próprio eu, tornou-me densa. Mais densa do que todos os amores que achei que seriam eternos, do que todas as amizades fogo de palha, de todas as questões vividas que me arrebentavam a alma.
Hoje eu aprendi que a liberdade nasce de mim, do meu amor por mim mesma, na confiança do meu eu, das minhas palavras boas para comigo, e da certeza que a minha felicidade só pode ser dada pelo meu próprio eu, e que ela sempre esteve lá, eu que não tinha fé que meus braços podiam alcançá-la.
A idade não traz diplomas, nem casamentos, nem nada sólido(independente do desejado)  se você não estiver sólida. Se eu não tivesse trocado minhas certezas de boteco por experiências de “óleo quente na ferida” talvez eu nunca estivesse escrevendo esse texto . Quando parei de me culpar, e deixei ir tudo que me podava, quando parei de me comparar com outras vidas e passei a olhar para meu progresso do ontem para hoje foi que me libertei.
É uma delícia a descoberta de que pertenço a mim mesma, que todo ódio e correntes vinham de mim. Hoje sei o que sou, e amo ser essa pessoa consciente de suas escolhas, responsabilidades e principalmente a mulher consciente de não ser apenas completa mas inundada.

Índia cria dicionário para preservar o idioma nativo do seu povo.

Imagem/Internet

Segundo o Ethnologue, que mantêm um catálogo de todos os dialetos do mundo, existem mais de 6.000 línguas faladas em nosso planeta.

Já podemos imaginas (concluir) que a maior parte desses dialetos está se perdendo.
Esse é o caso do idioma da tribo Wukchumi, situada no Condado de Tulare, na Califórnia. Atualmente a tribo é composta por cerca de 200 membros, e apenas uma deles, a Marie Wilcox, é fluente na língua nativa da tripo.
Na verdade, ela ERA a única. Juntamente com sua filha, Jennifer (que aprendeu o idioma com a mãe), Marie criou um dicionário com o dialeto do seu povo para que ele [o dialeto] não se perca na história.
Marie e Jennifer
Marie fala que tem duvidas sobre a perpetuação do seu idioma nativo, pois muitos não parecem se importar ou querer aprender. Mas sua motivação se mantem forte, pois ela e a filha ensinam a língua para os outros membros da tripo, além de estarem criando a versão em áudio do dicionário.
Para quem quiser conhecer melhor Marie e o trabalho que ela criou em sua tribo, a Global Oneness Project produziu o documentário Marie’s Dictionary que pode ser encontrado no Youtube ou no próprio site da Oneness Project.

Quero abraçar Freddie Oversteegen e nunca mais largar

Quer saber porque eu amo a Freddie Oversteegen? Porque em sua juventude, ela foi integrante da resistência holandesa durante a Segunda Guerra Mundial.
A família de Freddie já escondia pessoas que sofriam perseguição em sua casa, antes da convocação.
Freddie, hoje com 90 anos, foi recrutada juntamente com a irmã, Truus (16 anos), por um homem (cujo nome eu não descobri) quando ela tinha 14 anos. Ele pediu a permissão da mãe delas, para que ambas, que não passavam a suspeita de serem rebeldes, pudessem agir contra os nazistas. 
O grupo do qual as irmãs faziam parte também tinha uma jovem chamada Hannie Schaft, a garota dos cabelos vermelhos, a mais famosa entre as três.
Hannie Schaft e Truus, irmã de Freedie, durante a resistência
                      Truus (à esquerda) e Hannie                               
Hannie morreu antes do fim da guerra, um documentário foi feito sobre ela e seu corpo foi enterrado novamente, com a presença da Rainha Wilhemina e do Príncipe Bernhard da Holanda. Há 15 cidades na Holanda com ruas que receberam seu nome. Já  Truus, após o fim da guerra, se tornou porta-voz dos serviços memoriais e artista plástica.
   
Você acha que ela participava da guerra como soldado? Carregando armas e lançando granadas? Não! O trabalho dela (assim como das outras jovens) era seduzir soldados e lideres nazistas. Ela os levava para a floresta, onde membros armados da resistência os matavam, tiravam as roupas e enterravam o corpo. Freddie garante que nunca participou dessa parte e que sempre preferiu assim.
Thijs Zeeman, cineasta holandês, fez um documentário chamado Duas Irmãs na Resistência para a TV, onde conta sobre Freddie e também sobre sua irmã.
Ela deu uma entrevista para a VICE Holanda contando um pouco sobre como foi sua participação na guerra: 

Qual foi o papel de vocês nessa missão?

Não atirei nele — um dos homens foi quem atirou. Eu tinha que ficar de olho na minha irmã e manter um posto de guarda na floresta, para ver se ninguém mais estava vindo. Truus tinha encontrado o homem num bar caro, o seduzido e o levado para dar um passeio na floresta. Ela disse “Você gostaria de dar uma volta?” E claro que ele quis. Aí eles encontraram alguém — o que era para ser visto como uma coincidência, mas ele era um dos nossos — e o amigo disse para a Truus: “Menina, você sabe que não deveria estar aqui”. Aí eles se desculparam, deram a volta e foram embora. Aí vieram os tiros, então aquele homem nunca soube o que o acertou. Eles já tinham cavado a cova, mas não tivemos permissão para ver essa parte.

E vocês não tiveram problema com isso?

Não, eu não queria ver mesmo. Mais tarde eles nos disseram que tiraram todas as roupas dele para que o corpo não pudesse ser identificado. Acho que ele ainda deve estar lá.

Vou deixar o link com a entrevista completa aqui. Freddie se mostra encantadora, uma mulher admirável que fez muito por seu país. A luta, a coragem e a resistência dela servem de inspiração para todas nós.

Vamos aumentar nossa representatividade?

Reprodução/Internet
Quem aqui conhece o Aurélia levanta a mão! Calma, se você nunca ouviu falar não precisa se sentir fora da casinha. Já explico.
Aurélia – dicionário ilustrado de mulheres é um projeto feito pelas Cecilia Silveira (idealizadora) e Fernanda Drummond, que tem como finalidade ser um dicionário que oferece resumidas biografias de mulheres desse mundão com uma ilustração de cada uma delas.

Segundo a descrição do projeto (que à proposito, me encanta) “talvez, Aurélia não seja bem um dicionário, mas, antes, um espaço para o exercício do afeto. Surge como possibilidade de articular mulheres – ou seja, todo ser humano que assim se anuncia – a volta de histórias inspiradoras de outras mulheres”, e nós amamos isso não é mesmo?  Para mim é nítida e fundamental a visibilidade que conseguimos com algo desse tipo, através de Aurélia a valorização, o protagonismo e o empoderamento das mulheres é grandioso.

Selecionei algumas das minhas ídolas para mostrar aqui e deixar um gostinho de quero mais em vocês.


Malala Yousafzai

Nina Simone

Laverne Cox

Convido vocês a conhecerem e procurar mais informações na page e no tumblr  do projeto e também a darem sugestões, já que ele funciona de forma colaborativa. É só enviar para dicionarioaurelia@gmail.com. 

Glossário feminista

Minhas flores e meus espinhos, a alguns dias eu estava participando de uma conversa sobre as diversas formas usadas por machista para atacar as mulheres. O assunto estava tomando um caminho legal, repleto de bons argumentos e tal, até que a palavra misógino foi incluída em um dos comentários, pois logo em seguida uma garota que participava da conversa perguntou: “O que é isso?”.
Eu levei um susto quando percebi a duvida dela, porque ela se declarava feminista com veemência, mas ficou claro que ela não sabia exatamente a abrangência dessa luta.
OBVIO que ninguém tem a obrigação de saber de tudo, mas para opinar sobre determinado assunto é necessário, primeiramente,  possuir um conhecimento prévio do mesmo. E é por isso que estou aqui hoje.
Está surgindo aqui no blog a coluna ‘Entendendo o feminismo’, e vamos inicia-la com um glossário para as leigas e leigos no assunto, um dicionário completo (o mais completo possível) para quem tem alguma duvida sobre esse universo ou quer dar o primeiro passo para se tornar uma miga emponderada.
Vamos lá?
FEMINISMO: é um movimento social, filosófico e político que tem como objetivo direitos equânimes (iguais) e uma vivência humana por meio do empoderamento feminino e da libertação de padrões opressores patriarcais, baseados em normas de gênero.
MISANDRIA: é o ódio, aversão, preconceito ou desprezo a pessoas do sexo masculino.
MISOGINIA: ódio ou aversão às mulheres.
SEXISMO: se refere à discriminações sexuais e conjuntos de idéias ou ações que privilegiam um indivíduo de determinado sexo (gênero ou orientação sexual).
FILANDRIA: admiração ou amor pelo sexo masculino. Paixão por homens e carinho especial pelo sexo masculino. Gostar de estar na companhia masculina, achar belo o corpo do homem, assim como todo o universo masculino.
SORORIDADE: união poderosa e transformadora entre mulheres, que visa romper com o estigma de rivalidade. A sororidade é importante para fortalecer a ação coletiva do movimento feminista.
EMPODERAMENTO: (conscientização) é um processo de aquisição de ferramentas para combater nossas opressões. É quando nos tornamos mais fortes para desconstruir os papéis que nos impõem e para lutar por equidade.
MACHISMO: é o comportamento, expresso por opiniões e atitudes, de um indivíduo que recusa a igualdade de direitos e deveres entre os gêneros sexuais, favorecendo e enaltecendo o sexo masculino sobre o feminino. Tipo de opressão que a sociedade patriarcal produz contra mulheres. Ele se expressa de diversas formas, das mais evidentes até as mais sutis.
PATRIARCADO: Sistema social baseado no controle dos machos sobre as fêmeas, em que estes ocupam uma posição central. O patriarcado é o sistema no qual o machismo se baseia – é sob ele que se conformaram historicamente os privilégios da classe masculina em relação à classe de mulheres.

FEMINISMO RADICAL (radfem): é uma perspectiva dentro do feminismo que exige um reordenamento radical da sociedade em que a supremacia masculina é eliminada em todos os contextos sociais e econômicos. As feministas radicais procuram abolir o patriarcado, papéis tradicionais de gênero e  acreditam em um comportamento de gênero condicionado.

FEMINISMO INTERSECCIONAL: defende a intersecção entre diversas opressões: de gênero, raça e classe social.
EQUIDADE: igualdade, imparcialidade, respeito à igualdade de direitos.
MANSPLAINING: o termo, que vem do inglês, quer dizer algo como “explicação masculina”. Você logo vai se lembrar de algum exemplo de um conhecido seu, homem, tentando te explicar um assunto que você provavelmente domina mais que ele.
MANTERRUPTING: do inglês “interrupção masculina”, é quando um homem constantemente interrompe uma mulher falando.
GASLIGHTING: que é quando uma pessoa tenta te convencer de que você está louca, paranoica e, com isso, invalidar seus sentimentos. O gaslighting está geralmente associado ao relacionamento abusivo, sendo utilizado pelo parceiro para o controle da mulher.
SLUTSHAMING: quando julgamos uma mulher por ter comportamentos “de vadia”, o que quer que isso signifique. Basicamente, é quando se repudia uma mulher por dispor de sua sexualidade e de seu corpo livremente.

TOKEN: tokenizar é quando uma pessoa, acusada de alguma opressão, já vem com a resposta pronta “Mas eu até tenho amigos que são…”, como uma tentativa de invalidar a crítica que está recebendo.

SILENCIAMENTO: no contexto feminista, é o apagamento da voz das mulheres, através de diversos artifícios, como descreditar suas opiniões ou mesmo através de violência.

REPRESENTATIVIDADE: ato de representar uma minoria e trazer à ela força e formas de seguir com a sua luta.

PROTAGONISMO: relaciona-se à ideia de que a principal voz dentro do feminismo deve ser daquelas a quem ele mais atende, ou seja, as mulheres.

TERF: sigla para “Trans Exclusionary Radical Feminists” (inglês para “Feministas Radicais Trans-Excludentes”). O que isso significa? A ênfase é na exclusão – um ato intencional – e a implicação é que isso é baseado em preconceito e na discriminação propositada.

FEMINISMO LIBERAL (libfem): possui foco na livre iniciativa, que é individual. Para o feminismo liberal, portanto, agimos de acordo com o livre-arbítrio. Exemplos da ideologia das libfem: quando a mulher “consente” não há estupro, quando a mulher intervém no próprio corpo aproximando-o do padrão de beleza hegemônico ela está exercendo liberdade de escolha sobre si.

Ufa! É muita coisa não é? Mas ainda não acabou, nos próximos posts iremos nos aprofundar mais nesses termos para que possamos entende-los melhor. Faremos postagens específicas sobre cada vertente do feminismo e sobre como podemos ser atingidas direta e indiretamente por tudo isso.
Ficou com dúvida sobre alguma coisa ou percebeu que me esqueci de algo? Então deixa nos comentários, assim você ajudara a elevar cada vez mais os nossos conhecimentos.
Beijos e até a próxima.

Dos outros e de nós

 

     A xícara de café esfriava, repousada sobre uma das cadeiras do auditório, enquanto a garrafa d’água em sua mão esquentava. Já era a quinta vez que o texto era repassado, e ninguém ficava satisfeito. Estavam todos cansados, permaneciam ali há horas, mas o resultado não estava bom. Mais que ninguém, Miriam sentia a ansiedade a dominando cada vez mais. Era por causa dela que não podiam ir embora, que tinham de ensaiar tantas e tantas vezes.

     Os colegas atores não demonstravam raiva ou a culpavam, mas ela já se sentia mal por conta própria. Os gritos e reprimendas do diretor não passavam de uma ajuda pro serviço. Ela não conseguia entender. Nunca tivera tanta dificuldade para assumir um papel. Já fizera personagens mais velhas que ela, mais jovens, loucas, putas, santas, professoras, até outras artistas. Mas justo aquela ela não conseguia encarnar.

    Qual a grande dificuldade? Ela não conseguia decifrá-la. Era uma mulher comum, e já tinha interpretado mulheres comuns antes. Uma personagem intensa, mas isso também não era difícil para ela. Não era misteriosa, não era elaborada demais, mas era diferente. Por que? Por que ela não conseguia entendê-la?

     – Afinal de contas, Hélio, qual a motivação dessa bendita personagem? – perguntou, exasperada, depois de um dos acessos do diretor.

      Ela já não sabia mais aonde ir para procurar por inspiração. Sua voz já estava mais fraca e se esquecera de tomar água há pelo menos duas horas. A garrafa em sua mão fazia mais o papel de distração para o próprio nervosismo. Se render daquela forma, fazendo uma pergunta que ela sabia que podia desencadear de vez a fúria de Hélio, era uma medida desesperada. Como imaginado, ele respirou fundo, mas não conteve a ferocidade de seus berros:

      – Você não é uma atriz? O papel é seu! Descubra!

    Descubra. A palavra ressoou em sua mente. Se o resto daquela fala era uma chicotada em sua moral, aquela palavra final era o álcool jogado sobre as feridas. Descobrir como? Já era a última semana antes da estreia da peça, e ela ainda não conseguira descobrir absolutamente nada sobre a motivação da personagem. O que mais ela podia fazer? Estava tão cansada…

      Não podia seguir daquele jeito. Com esforço para se manter firme, apesar dos contínuos gritos do diretor, pediu licença e foi para o camarim, sem esperar resposta. Tremendo de cansaço e apreensão, enfiou a cara na pia. Deixou a torneira escorrer por uns segundos e aproveitou para beber um pouco, dali mesmo. Estava no seu limite. Os gritos do diretor, os olhares escrupulosos dos colegas, suas próprias dúvidas, tudo girava dentro de seu cérebro como a água daquele ralo. Mas, ao contrário do conteúdo da pia, o da sua cabeça não se esvaía.

      Levantou-se, deu alguns passos para trás e sentou-se no chão. Pensou rapidamente no texto, tentando não se focar em nenhuma cena ou fala específica. Tinha de haver uma resposta ali, ela só não procurara direito. Todos tem uma motivação, era impossível que aquela mulher fictícia não tivesse. Parou, no entanto, ao pensar em si mesma. E ela? Qual era sua motivação?

     Lembrou-se da primeira vez que fez uma aula de teatro. Criança, tímida, desde aquela época já não era mera diversão, mas também um meio de ser mais extrovertida. Cresceu, adolesceu, e continuava atuando. Era bom fazer uma manutenção, e se o medo de falar em público voltasse? Mas ficava um tempo sem fazer teatro e ele não voltava. Não era pela timidez.

    Época de vestibular, escolheu artes cênicas. Era só o que sabia fazer, afinal. Não. Pensava assim, mas no fundo sabia que era mentira. Sabia escrever, era boa em línguas, em história, até em biologia. Mas era só o teatro que ela amava. Escolheu a profissão, o teatro, por amor. Gostava de ser e vivenciar o outro, podendo voltar a ser ela mesma quando saía do palco. Sentia prazer em mexer com as emoções do público, e via na arte a obrigação de fazer os outros pensarem. E, principalmente, gostava de fazê-lo descobrindo mais sobre seus personagens. Era isso que a motivava.

     Por fim, percebeu que o mesmo motivo que a levara até aqueles palcos era o que a fazia bater tanto com a cabeça na parede para entender uma pessoa que nem existia. Era o que sempre fazia, tentava conhecer o outro. “Afinal de contas, se sou eu essa personagem, por que ela não pode ser motivada pela minha vontade de vivê-la?”, pensou.

     Não estava completamente segura, mas voltou para junto dos colegas mais tranquila – e hidratada. Repassaram a cena mais umas duas vezes, e finalmente começaram a ficar satisfeitos. Não estava perfeito, é verdade, mas já era algo. Ao menos, podiam ir para casa e descansar. E, mesmo não estando perfeita, Miriam não pode deixar de sentir um certo orgulho da própria atuação. Acreditava que, pela primeira vez, ela realmente sabia o que motivava sua personagem. Ela mesma.