O que temos que enxergar no Feminismo Radical?

Como foi prometido, vamos conversar sobre o Feminismo Radical hoje, de uma forma mais profunda mas ainda sim de fácil compreensão. Antes eu quero avisar que eu não sigo a vertente RadFem, portanto criei esse texto para ser objetivo, sem qualquer menção de uma opinião contra ou a favor proveniente da minha parte.
Reprodução/Onda Feminista

Primeiramente, vamos deixar claro que as Feministas Radicais são contra qualquer tipo de discriminação, desumanização e violência contra qualquer ser humano. Elas apenas discordam de certos pontos, e discordar (respeitosamente) de alguém, não é um ato violento!!!

O RadFem tem uma visão própria sobre as definições de gênero e sobre o peso que a sociedade tem sobre a existência social do ser humano. A seguir, vamos conhecer os principais pontos abordados por essa vertente feminista.
RadFems não defendem os gêneros,  mas sim a abolição deles. Os gêneros são divisores de classes que delimitam o papel de cada indivíduo perante a sociedade. A extinção dele faria cair por terra os códigos sociais que ditam o que indivíduos masculinos e femininos podem ou não fazer.
O patriarcado faz uso da divisão do gênero para separar a classe masculina da feminina, permitindo assim uma soberania de uma sobre a outra. 

    Reprodução/Internet
    O feminismo radical é um ato revolucionário que tem como objetivo derrubar toda e qualquer forma de divisão de grupos que tenham como função favorecer a soberania um sobre o outro (divisão sócio-econômica [ricos prevalecendo sobre os pobres] e divisão racial [brancos prevalecem sobre os negros] por exemplo).
    Não são transfóbicas. Reformistas de gêneros veem o gênero como: forma de identidade, sentimentos, natural, fluido, até mesmo biológico. Radicais enxergam os gêneros como: criação social (que favorece o lado masculino), hierárquico e divisor de classes. Se um indivíduo é nascido e criado no gênero masculino, mesmo se anunciando como trans posteriormente, ainda é colocado (segundo as divisões SOCIAIS que regem a classificação dos gêneros) como um ser masculino, ou seja, não é visto como mulher.
    Acreditam que a opressão sofrida pelas mulheres ocorre justamente por serem colocadas nessa classificação. Tudo que é criado para marcar coisas de menino e coisas de menina é também uma arma usada para subjugar indivíduos enquadrados em pré determinado gênero.
      Encontrei essa frase no site Escrituras Radicais (link abaixo) que descreve bem os pensamentos de que os conceitos de gêneros são opressores:

      Mulheres: aquelas que pertencem à classe sexual de pessoas historicamente definidas, limitadas, classificadas e designadas como o gênero feminino pelo patriarcado para que possam ter sua subjetividade, seus corpos, sexo, sexualidade e capacidades reprodutivas dominadas, controladas e exploradas por ele para gerar riqueza para os homens.

      Como eu disse, eu não sigo essa vertente feminista, então existem grandes chances de que eu tenha dito (merda) coisa errada ou ter deixado de falar algo importante. Portanto, se você é feminista radical comente o que achou do texto, será um prazer conversar e concertarei o que for necessário. 
      Vou deixar alguns textos que a Mandy do blog Mandy Francesa forneceu aqui. Eles serão muito uteis para quem quiser saber ainda mais sobre o Feminismo Radical. Obrigada Mandy.

      Ser Bonita… – por Josiane Rodrigues

                                                                                                  Reprodução/Internet

      Xiiii, já perdi as contas de quantas vezes já ouvi a expressão, “Nossaaaaaa!! que negra bonita!”
      E isto é um problema, sim, sim é sim.
      Vamos começar. Quando você encontra uma mulher branca na rua, que você acha muito bonita você por acaso fala, ”nossa! Que branca bonita!!”, não né? E por que, cargas d’agua, quando vai uma mulher negra precisa primeiro dizer que ela é negra?
      Antes que você pense, ué, mas ela era mesmo negra…
      Talvez eu consiga te explicar porque. Desde os tempos mais primórdios, as negras não estão inclusas no padrão de beleza, somos o contrário, o não linear, com nossos cabelos crespos e volumosos, ou nossas tranças, coloridas, e toda nossa infinita variedade de tons e cores, somos explosão, indagação, a fuga.
      Mas, ainda assim, somos mulheres. E como uma mulher, pura e simples, merecemos o elogio, não por ser fora do comum, porque simplesmente não somos. Existe uma ideia de beleza, em que diversos padrões são impostos e disso todos já sabemos, mas, vivemos aqui neste mundão há algum tempo, temos noção que nem todas as ideias preestabelecidas são a verdade absoluta.
      E, vamos combinar né?! não são raras as negras bonitas. Então, caso pense em dizer que uma negra é bonita, esqueça de ressaltar que ela é negra antes do elogio, apenas elogie.

      Quem escreve

      Josiane, mas prefiro ser chamada de Josi, estudante de letras e amante das milhões de formas que estas tem de juntar-se e assim, me faço poesia, as vezes crítica, as vezes observação, só pelo prazer e o alívio que a escrita traz.

      Quero abraçar Freddie Oversteegen e nunca mais largar

      Quer saber porque eu amo a Freddie Oversteegen? Porque em sua juventude, ela foi integrante da resistência holandesa durante a Segunda Guerra Mundial.
      A família de Freddie já escondia pessoas que sofriam perseguição em sua casa, antes da convocação.
      Freddie, hoje com 90 anos, foi recrutada juntamente com a irmã, Truus (16 anos), por um homem (cujo nome eu não descobri) quando ela tinha 14 anos. Ele pediu a permissão da mãe delas, para que ambas, que não passavam a suspeita de serem rebeldes, pudessem agir contra os nazistas. 
      O grupo do qual as irmãs faziam parte também tinha uma jovem chamada Hannie Schaft, a garota dos cabelos vermelhos, a mais famosa entre as três.
      Hannie Schaft e Truus, irmã de Freedie, durante a resistência
                            Truus (à esquerda) e Hannie                               
      Hannie morreu antes do fim da guerra, um documentário foi feito sobre ela e seu corpo foi enterrado novamente, com a presença da Rainha Wilhemina e do Príncipe Bernhard da Holanda. Há 15 cidades na Holanda com ruas que receberam seu nome. Já  Truus, após o fim da guerra, se tornou porta-voz dos serviços memoriais e artista plástica.
         
      Você acha que ela participava da guerra como soldado? Carregando armas e lançando granadas? Não! O trabalho dela (assim como das outras jovens) era seduzir soldados e lideres nazistas. Ela os levava para a floresta, onde membros armados da resistência os matavam, tiravam as roupas e enterravam o corpo. Freddie garante que nunca participou dessa parte e que sempre preferiu assim.
      Thijs Zeeman, cineasta holandês, fez um documentário chamado Duas Irmãs na Resistência para a TV, onde conta sobre Freddie e também sobre sua irmã.
      Ela deu uma entrevista para a VICE Holanda contando um pouco sobre como foi sua participação na guerra: 

      Qual foi o papel de vocês nessa missão?

      Não atirei nele — um dos homens foi quem atirou. Eu tinha que ficar de olho na minha irmã e manter um posto de guarda na floresta, para ver se ninguém mais estava vindo. Truus tinha encontrado o homem num bar caro, o seduzido e o levado para dar um passeio na floresta. Ela disse “Você gostaria de dar uma volta?” E claro que ele quis. Aí eles encontraram alguém — o que era para ser visto como uma coincidência, mas ele era um dos nossos — e o amigo disse para a Truus: “Menina, você sabe que não deveria estar aqui”. Aí eles se desculparam, deram a volta e foram embora. Aí vieram os tiros, então aquele homem nunca soube o que o acertou. Eles já tinham cavado a cova, mas não tivemos permissão para ver essa parte.

      E vocês não tiveram problema com isso?

      Não, eu não queria ver mesmo. Mais tarde eles nos disseram que tiraram todas as roupas dele para que o corpo não pudesse ser identificado. Acho que ele ainda deve estar lá.

      Vou deixar o link com a entrevista completa aqui. Freddie se mostra encantadora, uma mulher admirável que fez muito por seu país. A luta, a coragem e a resistência dela servem de inspiração para todas nós.

      Duas – por Mariana V. Lazzari

      RENOIR – Duas meninas lendo no jardim



      Eu era ainda menina na escola quando estabeleci minha amizade com ela. Era de uma quietude confortável porque não esperávamos nada uma da outra. Muitos se enganam desmerecendo as ambições infantis. Mesmo as que corriam à nossa volta queriam, das outras crianças, ganhar rir, mexer-lhes nos cabelos, rolar sobre a areia. E correr. Eu aceitava dela um pedaço do sanduíche. Ela, um gole do meu suco. E só.

      Conversávamos bastante. No entanto, às vezes, como quem nada diz. “Tenho dentista hoje”, eu disse uma vez. “Morro de medo e você?” E eu orgulhosa “Nem um pouco.” e sorríamos sem nos espantar. Ela nunca era novidade: Linda era como uma extensão alourada e miúda de mim.
      Não que não fôssemos crianças comuns, de modo que brincávamos, brigávamos – nunca entre nós -, fazíamos as lições, errávamos os exercícios e vibrávamos com os esportes no recreio. E corríamos. Nossa unidade serena era do tipo que algumas pessoas passam a vida sonhando em ter e parecem procurar em todo lugar, exceto numa escolinha provincial, no meio de duas menininhas, apagadas e inocentes.
      Depois de um intervalo que passei sem ver Linda, ela entrou atrasada na sala, com o rosto vermelho e molhado de dar dó, alcançando um nível novo de pureza, agora frágil. Ela se sentava na minha frente e eu mal levantei os olhos à chegada polêmica. A professora, ocupada com o outro lado da classe, não notara nem tampouco a maioria dos alunos. A aula prosseguia normalmente.
      Os colegas próximos a nós que, não por coincidência, eram-nos os mais afetuosos, miraram-na curiosos e lhe ofertaram uma tonelada de perguntas doces e docemente inquisitivas. Ela se mantinha calada, familiar ao silêncio como eu sabia que era. Muda sem desespero. Mas triste. Os olhinhos preocupados dos outros voltavam-se, então, a mim, indecisos e sem entender se as lágrimas separavam Linda de mim ou se ainda eu poderia lhes amansar a curiosidade. Eu acenava tranquilamente, com todos os meus sete anos, mesmo sem saber o que a fazia chorar com mais precisão do que os outros. Eu era como uma extensão morena e crescida dela.
      De Linda de costas eu só via os fios louros e Linda não me via (Por quê chorava não caberá a este texto revelar. Caso encontrasse Linda hoje, ela talvez risse de tanta desimportância. Acho que tudo isso foi por demais irrelevante e decisivo, como são os acontecimentos dessa remota infância) e, embora não me visse, quando a toquei no ombro – nada perguntaria, só o toque já iria dizer – ela já olhava pra mim. Me flagrara o movimento ou antecipara-o? Os olhinhos úmidos agradeceram e, com os mistérios de si, questionaram-me graves: “Vai dar tudo certo?”, me flagrando e antecipando agora o consolo clichê.
      E, bom, deu.”

      Quem escreve

                         

      20 anos, estudando história, a doida do violão e da piada do pavê. Acabei deixando a escrita de lado por falta de tempo e incentivo, mas com uma dorzinha no coração.

      Para eles – por Sara Tude

      Para eles não é com quem eu me deito
      Para eles não é com quem acordo
      Para eles é quem assina
      Para eles é quem dissemina
      Para eles não é quem me faz rir
      Para eles não é quem me faz gozar
      Para eles é quem aparece
      Para eles é o que parece
      Para eles não é sobre ser feliz
      É sobre ser correto
      Para eles não é sobre ser família
      É sobre ser estatuto
      Para eles não é sobre fé
      É sobre religião
      Para eles não é sobre aceitação
      É sobre negação
      Para eles não é sobre escolha
      É sobre tradição 
      Para eles não é sobre liberdade
      É sobre sacrifício
      Para eles não é sobre sentir
      É sobre escolher
      Para eles não é sobre querer
      É sobre poder
      Para eles não é sobre corpo 
      É sobre sexo
      Para eles não é sobre desejo
      É sobre trauma 
      Para eles não é sobre afeto
      É sobre carência
      Para eles não é sobre beleza
      É sobre aparência 
      Para eles não é sobre gosto
      É sobre vício 
      Para eles não é sobre ser
      Para eles não é sobre amar
      Para eles não é sobre Deus
      Para eles eu não passo de um conceito
      Muito bem estruturado
      Totalmente programado
      Para carregar a minha cruz
      Enquanto só o que eu quero
      É ser

      Quem Escreve

                                            
      Me chamo Sara, tenho 19 anos, sou geminiana, artista, bailarina, poetiza, professora de dança contemporânea e apaixonada pela arte em todas as suas formas de expressão.

      Seios – por Sara Tude

      Reprodução/Pinterest

               

      Redondos, ou não
      Firmes, ou não
      Proporcionais, ou não
      Grandes, ou não
      Pequenos, talvez
      Ou nem tanto assim
      Caídos, ou não
      Iguais, ou não
      Naturais, ou não
      Com leite, ou não
      Fabricados, talvez
      Ou nem tanto assim
      Sejam como forem, mulher
      São teus
      E são assim
      Também formam a tua beleza
      É teu corpo, mulher
      Se ame assim
      É teu o seio
      É tua a madre
      São tuas as curvas
      É você
      É teu o coração
      Que o teu próprio seio esconde
      Guarda
      É a tua casa
      E é linda assim.

      Quem escreve 

                                                        
      Me chamo Sara, tenho 19 anos, sou geminiana, artista, bailarina, poetiza, professora de dança contemporânea e apaixonada pela arte em todas as suas formas de expressão.

      O casamento entre a hipocrisia e o preconceito

      Ontem à tarde, ao entrar no ônibus, me deparei com uma conversa que estava acontecendo no banco de trás, que chamou muito minha atenção (não que eu fique prestando atenção em conversa de ônibus). O diálogo se passava entre um pai e sua filha: 
      “_ Mas pai, não tem problema algum. Tem tanta gente por aí que tem tatuagem.
      _ Você não é ‘tanta gente’! Não vai fazer tatuagem nenhuma.
      _ Mas…
      _ Gente tatuada tem problemas para arrumar  emprego, é chamado de maloqueiro, vagabundo ou bandido. A pessoa pinta o corpo, achando que é bonito, que é ter personalidade própria, ser diferente e mais um monte de outras coisas. Mas depois que amadurece vê que é a maior burrice. Que não trás nada de bom. Só atrapalha…”
      A conversa continuou, mas eu havia chegado em meu ponto e tive de descer. Só que antes eu me virei para dar uma olhada nas pessoas que conversavam; uma menina de aparentes 14 anos e um pai com um dragão vermelho desenhado no braço esquerdo! o.O
      Aquela imagem me fez rir, mas um riso de espanto. É incrível como a hipocrisia, a intolerância e o preconceito estão muito mais perto e presentes do que parece. Como alguém que se tatuou é capaz de dizer ao filho que isso é uma “burrice”? O homem praticamente disse que, quando crescemos, nos entregamos aos preconceitos da sociedade. Ele se assumiu um ser humano incapaz de se manter naquilo em que acredita, preferindo se curvar ao controle imposto pelos intolerantes.
      E não é apenas com tatuagens, pensamentos como os dele estão ao montes por aí, acontece com muitas outras pessoas. Um padre que não respeita as crenças de um monge; um branco que se acha melhor que um negro; ou um negro que pensa ser mais que um branco; uma bailarina que critica um estilo de dança diferente do dela (e esses são exemplos até “pequenos”), enfim, um infinito número de hipócritas preconceituosos existentes ao nosso redor.
      É incrível como podemos nos achar no direito de criticar alguém sem antes olhar para os próprios erros… Não, ‘erros’ não é a palavra, afinal de contas, ter uma visão diferente das coisas não é um erro. Criticamos sem considerar nossas próprias atitudes. Aquele homem do ônibus já agiu de uma forma que, hoje, condena de forma agressiva, contribuindo para a dissipação de discursos ofensivos contra quem é diferente, contra ele mesmo.
      Inacreditável como é gigantesca a ‘habilidade’ que alguns homens possuem para ser hipócritas e cínicos. Não importa o que ele tenha feito ou venha a fazer, o problema se dá quando outros estão fazendo. Somos capazes de enxergar erros nas atitudes de quem está ao nosso redor. E, na maioria das vezes, temos uma atitude igual.
      A verdade é que deveríamos abrir nossos olhos e mentes. É óbvio que não somos iguais, com diferentes ideias, gostos, atitudes, crenças, tipo físico. E, pelo que parece, uma outra coisa que é muito igual é a ignorância humana. Quanto tempo teremos de esperar para enxergarem que esse é o motivo das tristezas que assolam nosso mundinho?

      A propósito, vou fazer ,minha primeira tatuagem! E meu pai pensa como o pai do ônibus.

      Sara – por Rebeca Almeida

       
      Reprodução/Internet
      De certa forma, aquele vestido florido era perfeito para o dia. Sara soube disso assim que terminou de abotoar todos os botões, que iam desde a altura do peito até a barra da saia florida. Ela se encarou no espelho por alguns instantes, não precisou de mais que cinco minutos para se arrumar. Não era dada a muita vaidade, e por mais que ainda fosse jovem, costumava de vestir como uma senhora. Pegou um grande chapéu de palha e colocou na cabeça, escondendo os longos cachos dourados. Depois, pegou o pouco dinheiro trocado que tinha e colocou no bolso do vestido. 
      Quando chegou na sala, Roberto já estava pronto também. Ele usava uma camisa social branca, cuja qual Sara teve grande dificuldade para deixar alva daquela maneira. 
      – Bom dia, querido!
      – Ela disse enquanto beijava sua bochecha e dava para ele seu melhor sorriso. Ele não retribuiu, ficou murmurando alguma coisa, ao mesmo tempo em que lia o jornal matinal. 
      Ele já havia feito café e se servido, então ela pegou apenas um caneca no armário. Sentou-se na mesa e começou a passar mateiga em um pedaço de pão. Ricardo não tirou a cara de trás do jornal. Sara teve que se contentar com o rosto de algum político corrupto estampado no papel.
      – Você dormiu bem? – Ela perguntou com a boca cheia de pão.
      – Pare de falar com a boca cheia. E anda logo, temos que sair daqui a pouco.
      Enquanto terminava de comer, também deu uma olhada no periódico, no caderno de entretenimento e depois nas manchetes de um modo geral. Não teve muito tempo de ler com calma porque assim que Roberto terminou de comer ficou apressando a esposa para que saíssem logo.
      – Já são 8hs, já devem estar nos esperando. Vamos.
      – Calma – Ela respondeu com um sorriso. Estava muito feliz para se preocupar junto com o outro.
      – Eles marcaram oito e meia, já são oito e nós ainda nem saímos de casa! – Ele estava começando a ficar mais chateado que o normal.
      – Tudo bem, deixa só eu deixar a caneca na pia. Ela foi até o local, deixou o objeto lá e depois colocou a mão no bolso. Roberto já estava na frente do carro nesse meio tempo.
      Finalmente entraram no fusca vermelho bordô e ele seguiu dirigindo até a rua principal.
      Depois seguiu rumo à autoestrada. Estavam ambos calados desde que saíram de casa. Ele olhava fixamente para frente enquanto ela estava perdida em reflexões. Algum tempo passou até que Sara cortou o silêncio:
      – Querido, por favor, pode parar aqui?
      – Pra quê?! – Ele perguntou, já nervoso. Roberto tinha o defeito de perder a paciência com qualquer coisa que Sara pedia. Sara por sua vez, passou tempo demais tentando ter paciência com esse defeito dele.
      – Por favor, é rápido. – Ela tentou bajular.
      – Não! Aguenta até lá, a gente já está atrasado.
      – Roberto, pára o carro ou eu estouro seus miolos. – Ela falou subitamente, com um pequeno revólver encostada na têmpora do homem.
      Roberto tomou um susto, esboçou um sorriso e perguntou se Sara tinha enlouquecido.
      – Pra falar a verdade, eu nunca estive tão sã em toda a minha vida. – Ela respondeu com seu melhor semblante. 
      Depois, atirou. Um único disparo fez com que os miolos se espalhassem e sujassem parte do carro. O veículo derrapou até o acostamento. Sara que estava segurando a arma com luvas, com cuidado colocou o objeto nas mãos do cadáver e saiu. Andou por algum tempo, cerca de dois quilômetros. Depois pediu carona e conseguiu de um caminhoneiro. Ele ia até a cidade vizinha, disse. Ela sorriu, respondendo que era exatamente para onde queria ir. Na chegada deu algum dinheiro para o homem. Depois foi até a rodoviária pegar um ônibus para outro estado.

      Quem escreve

                             
      Rebeca Almeida é baiana, estudante jornalismo, escritora e desenhista. De modo geral gosta de coisas “nerds” mas odeia ser enquadrada nesse rótulo. Na verdade não gosta de rótulos de forma alguma

      MEU REAL – PARTE 1

      Reprodução/Ultra Curioso

       
      Ao chegar da noite, ela sempre corria para as estrelas.

      Céu escuro, nenhuma nuvem, a bela lua, os astros reluzentes,… esse era o seu cenário preferido. A noite, as árvores e ela. Era assim que se sentia a vontade para se abrir. Talvez porque as estrelas, ao ouvirem seus desejos, não a criticavam. Ao contrário, elas cintilavam juntamente com o seu olhar.

      Você não deve estar entendo, vou começar do início. Era uma vez…

      Uma garota cheia de medos, sonhos, limitações, planos e dúvidas. Principalmente dúvidas! Ela não sabia quem queria ser, aliás, ela queria ser muitas pessoas. O que ela não sabia é quem era de verdade.

      Não lhe faltavam inseguranças. Daí todo aquele receio em se mostrar, era melhor ser como todos eram, como todos queriam que fosse. Por isso, ao chegar da noite ela corria para as estrelas, pois elas sabiam ouvir todos os seus anseios. A lua iluminava seu coraçãozinho sonhador. Era apenas com aquelas amigas que ela se sentia segura para “se sentir” de verdade.

      Mas era necessária uma mudança, uma libertação, ela precisava sair das sombras dos outros, precisava se libertar do medo que sentia dos outros.

      Esse dia chegaria. O momento certo em que as estrelas a levantariam alto o suficiente para que todas as galáxias ouvissem quando ela gritasse: 

       _ Essa sou eu, isso faz parte de mim. Ninguém me impedirá de ser/fazer o que amo. Nem eu mesma!

      Mulheres que representam!

         

      Oi pessoal. Tudo bem com vocês? Querem que fique melhor? Então vieram ao lugar certo.
      O post de hoje será um dos queridinhos dos fãs da representativa, pelo menos eu me senti super representada. Quem não se sentiria? Como lançamento da coluna “Mulheres que amamos”, trago para você uma lista com cinco lindas desse planeta que aproveitam seu tempo para melhorar nosso mundinho.
      Sejam famosas ou não, essas manas possuem muito o que falar e fazer. Eu as tenho como algumas de minhas inspirações. Suas atitudes e escolhas de como se posicionar perante a sociedade servem para nos ensinar sobre lutas, sejam em âmbito pessoal e/ou através da união. As descrições que fiz sobre cada uma podem ser curtas, mas de forma alguma diminuem a grandeza de suas existências.
      Vamos as apresentações?

      • Catharina Dória

        4-catharina-doria
        Fonte/Internet
        Catharina Doria é uma estudante que, com apenas 17 anos, decidiu trocar sua viagem de formatura para poder usar o dinheiro na criação de um novo aplicativo, chamado “Sai Pra Lá”. A intenção dele é mapear casos de assédios nas ruas. O app facilita a denúncia, divulga os lugares em que há esse tipo de ocorrência e intimida os agressores.
        • Amandla Stenberg

          Fonte/Time
          A atriz é inspiradora não só pelo trabalho que faz, como também por seu posicionamento contra o racismo na Internet, manifestando-se contra a apropriação cultural e o estereótipo da “mulher negra raivosa”. Nesse vídeo, MARAVILHOSO, podemos ver como o posicionamento da Amandla é importante nas lutas que ela representa. Ela também entrou para a lista dos “100 Adolescentes Mais Influentes do Ano” (de 2015) da Revista Time e está envolvida com a “Partilhe nossa Força”, organização que luta para acabar com a fome infantil nos Estados Unidos.
          • Kaol Porfírio

            Fonte/Twitter

             Kaol é ilustradora, desenvolvedora de jogos, gamer e criadora da maravilhosa série “Fight Like a Girl” (“Lute Como Uma Garota”), que destaca guerreiras inspiradoras de games, filmes, séries e também da vida real. A ideia até original uma coleção de camisetas que é vendida em parceria com a Toda Frida, pra você ajudar a passar a mensagem pra frente e mostrar que lutar como uma garota é motivo de orgulho!

            • Camila Pitanga

              Fonte/Internet
              A atriz brasileira foi a primeira personalidade das Américas a receber o título de embaixadora da ONU Mulheres. Ao entrar no site ONU Mulheres, encontramos as seguintes realizações dela: “diretora geral da ONG Movimento Humanos Direitos, onde se dedica contra o trabalho escravo, abusos contra crianças e adolescentes e na promoção de direitos de jovens negros, quilombolas, povos indígenas e meio ambiente; foi conselheira da WWF e apoiadora de campanhas da Anistia Internacional “Jovem Negro Vivo – #EuMeImporto”; do Greenpeace contra o desmatamento; do MhuD contra a prostituição infantil e contra a terceirização do trabalho”, e essas são só algumas de suas realizações. Que mulher!
              • Gabourey Sidibe

                   
                Gabourey é uma atriz norte-americana que atua na serie “Empire”, onde protagonizou uma cena de sexo explícito ao lado do ator Mo McRae. Por causa disso, ela sofreu ataques nas redes sociais por conta de seu físico, negro e gordo. Ela não se abalou e ainda inspirou a hashtag #MyFatSexStory (Minha Grande História de Sexo, no trocadilho em inglês), onde usuárias e usuários reagiam contra a gordofobia.
                Ficaram fã que eu sei! Mas não acabou por aqui, eu trarei muitas outras mulheres para amarmos. Obviamente, como somos um blog que colabora e recebe colaborações, queremos que tragam suas inspirações aqui pra gente. Eu sempre fico feliz quando conheço mais ações representativas, o poder delas sempre nos trará mais e mais exemplos como os dessas mulheres.
                Espero que vocês gostem de ler tanto quando gostei de escrever e que o exemplo delas entre em seus corações e não sai mais!