Leitura necessária: Chimamanda Ngozie Adichie

(Foto: Divulgação)

 

Chimamanda Ngozie Adichie  é uma das escritoras nigerianas mais influentes e jovens da atualidade. Sua obra tem um enfoque feminista didático responsável por atrair cada vez mais a atenção das Africanas. Trata a importância dos temas de extrema importância com a leveza da literatura, sua escrita envolve ao mesmo tempo que mostra a partir de suas vivências os desafios sociais que a mulher vive na Nigéria de antes e de agora.

 

Conheça um pouco de sua obra, que já foi traduzida para mais de trinta línguas:

 

Meio sol amarelo: O livro agradou tanto que virou filme, conta a história de  irmãs gêmeas que não são nada parecidas. Enquanto uma abandona os jogos sociais de sua influente família para dar aulas e viver a revolução, a outra participa de todas as situações possíveis para se favorecer. O livro ilustra bem a divisão social da Nigéria, inclusive nos tempos da ditadura.

Meio sol amarelo, Companhia das letras

Americanah: Conta a história de amor entre dois jovens nigerianos em meio ao cenário da ditatorial. A menina passa por cima de todos os preconceitos e consegue estudar em uma das mais aclamadas universidades Dos EUA, porém quando retorna às suas raízes já como uma conceituada blogueira, se choca com a mudança do cenário e o que deixou para trás.

O livro vai bem além de uma história de amor, ele faz uma crítica social importantíssima de maneira inspiradora.

 

Americanah, Companhia das letras

Hibisco Roxo: Narradora e personagem, Kambili conta a sua história mostrando as opressões que sofreu por seu pai que abominava as raízes nigerianas e idolatrava o segmento católico, tal opressão religiosa o levou a negar o próprio pai e sua outra filha, porém ao decorrer da história a jovem se apaixona por um padre, e sua falta de perspectiva faz com que ela seja obrigada a sair da Nigéria.

Hibisco roxo, companhia das letras

Sejamos todos feministas: Uma palestra da autora que virou livro, e trata da importância da igualdade de gêneros, a partir de situações que ela mesma viveu durante o decorrer da sua vida em uma nigeria machista;  além de contar a experiência de outras mulheres e expor os julgamentos que sofreu.

Um livro super curtinho e gostoso de ler, fundamental para quem quer compreender um pouco mais sobre igualdade.

Sejamos todos feministas, companhia das letras

Extremamente inspiradora, Chimamanda tem uma escrita necessária, inclusive um de seus discursos foi musicado pela Beyonce, (https://www.youtube.com/watch?v=IBe9Vtodzg4)

Uma obra útil apenas para  maior conhecimento da Nigéria, mas sim livros  que mostram os desafios de ser mulher em países de construções machistas e preconceituosas, valorizando e apresentando o poder do feminismo e da liberdade de qualquer preconceito.

Site oficial: http://chimamanda.com/

Frida Kahlo

A eterna Frida Kahlo

Frida Kahlo
Artista mexicana multifacetada completaria, no ultimo dia seis, 109 anos

 

A mulher que deixava as suas dores, desgostos, feridas, cicatrizes escondidos por debaixo do vestido colorido, enterrado nas flores que enfeitavam sua cabeça, e na sobrancelha que estampava a imagem forte de artista, de simplesmente Frida.

Muito além de sua imagem, suas pinturas mágicas, encantavam e brincava com o que para muitos era surrealismo mas como a própria dizia era apenas retratos de sua realidade.

 

La Columna 1944
La Columna 1944

Nem a poliomielite, uma coluna fraturada adquirida com apenas 18 anos em um acidente, e tão pouco a impossibilidade de ter filhos calou a sua intensidade e emponderamento.  Militou no partido comunista, e muitas de suas pinturas possuíam a nítida influencia marxista, expondo seus pontos de vista de forma autentica, subjetiva e singular.

A frente do seu tempo, ela não se limitava a seu casamento (Com o muralista Diego Riviera), mantinha sua liberdade possuindo relações com homens e mulheres, escolheu manter seu casamento, embora cheio defeitos, devido o amor irremediável que sentia por Riviera.

 

Frida e Diego
Frida e Diego

 

A presença feminina em suas obras, e seu total rompimento com os padrões estéticos impostos pela sociedade de sua época tornou Frida o principal símbolo feminista, a imortalizando até os dias de hoje.

 

Frida

 

Bem mais que uma pintora, seu dom de transformar as tragédias de sua vida em beleza, arte e renovação, a tornaram a mais pura representação de toda mulher que não permite que a dor e os desgostos da vida calem suas bocas, a personificação da força, da persistência e da natureza feminina.

Por que sair de um relacionamento abusivo não é tão simples quanto parece? – Por Luiza Pion

Reprodução/Internet
Eu escrevo esse texto por três motivos: porque eu já estive em um, porque minhas amigas já estiveram/estão em um e o mais importante: porque sempre vejo muitos julgamentos entorno do que é estar em um.
Quantas de nós já não ouviram coisas do tipo: “Você está nessa situação por que quer.”, “Você gosta de sofrer?”, “Você é cega?”, “Será que você não percebe o que está acontecendo?”. Dentre muitas outras perguntas que nos são feitas no intuito de ajudar, mas, que na verdade só nos magoam ainda mais. Como diria a brilhante Jout Jout sobre relacionamentos abusivos; “Uma parte de você sabe, mas, você meio que não sabe ao mesmo tempo.”(Para quem não conhece o vídeo, clique aqui)
Mas, a questão é: “Se sabemos, não deveria ser fácil então dar um basta?”. Bom, deveria, mas não é. Usando meu relacionamento abusivo como exemplo, e analisando outros relatos que já ouvi, não é tão simples acabar com um relacionamento assim por inúmeros fatores, vou citar alguns que eu considero os principais:

Você demora a acreditar que a pessoa que você ama não te ama também.


Cada um tem sua forma de demonstrar amor, carinho e afeto. Ok. O ponto é que; por estarmos muito envolvidas naquela situação, não percebemos que a pessoa com quem estamos, demonstra através de censuras, descasos, violência verbal e/ou física, ignorar nossas necessidades, além de muitas outras formas de abusos, não se importar conosco e com nosso bem estar. Então, começamos a nos enganar para justificar aquela situação: “Ele é assim mesmo.”, “Ele não estava num dia bom”, “Ele não foi acostumado a pedir desculpas.”, “No fundo ele também estava sofrendo.”


Ele te faz crer que a culpa é SUA, e assim você começa a aceitar que é mesmo.


Usando um exemplo pessoal, muitas vezes meu ex me tratou mal, mas não deliberadamente, e sim de uma forma muito articulada, para que eu acreditasse, que se ele estava agindo daquela forma, bom, alguma coisa EU tinha feito. Óbvio, que erros todo mundo comete na vida, e não estamos isentos de irritar alguém uma vez ou outra. Só que quando se trata de relacionamentos abusivos, não percebemos de forma clara como as situações são sempre projetadas para o nosso comportamento, por exemplo: “Eu desligo o telefone na sua cara, porque você chora demais”, “Eu não vou mais sair com você, você é muito histérica”, “Você é a pior mulher de todas” (sim, isso já foi me dito).
E é aí que ao invés de nos perguntamos: mas eu SOU assim, ou eu ESTOU me sentindo assim por algum motivo? Com quem me trata bem, eu ajo da mesma forma?, Eu tinha esse comportamento antes de conhecê-lo? Nós começamos a pensar: “puxa, ele tem razão, vou me controlar mais.” Mas depois de dias, meses ou até anos, nos damos conta de que nunca é o suficiente.

No fundo, você acredita que o amor cura tudo.


Desde nossa infância, a maioria de nós (mulheres) éramos educadas para sermos, gentis, dóceis, amorosas e prestativas. (algumas não foram criadas assim, e outras simplesmente não têm todas essas características, mas vou abordar o que acontece na grande maioria das vezes). Crescemos com o nosso imaginário sendo moldado para que não importa o que aconteça, no fim, o amor triunfará. Isso está nos filmes, nas novelas e nos milhares de livros de auto-ajuda que em sua grande maioria são destinados a nós. Nós temos uma imensa variedade de textos nos dizendo como deveríamos agir para conquistar o homem amado, (até nas revistas voltada paras as adolescentes), enquanto que para o gênero masculino, esse tipo de “manual sobre o gênero oposto” é ínfimo.
Sendo assim, é muito difícil dar um basta em algo que no fundo, você acredita que possa dar certo. Isso se aplica até a aquele emprego que você detesta, ou aquela faculdade que você não suporta, mas, permanece, porque tem a sensação de que um dia tudo vai melhorar. (Ainda assim, outros tipos envolvimentos, como faculdade ou emprego, por exemplo, geralmente, dependem SÓ de você e do seu comportamento para prosperar. O seu relacionamento não, ele depende de DUAS pessoas. E infelizmente, nos esquecemos disso.). Dessa forma, tentamos amar por dois. Conciliar por dois. Conversar por dois. Entender por dois.

Como sua auto-estima foi bombardeada com negatividade, você sente que ninguém mais vai te dar uma chance “como ele deu”.


“Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade” – Joseph Goebbels. Essa frase dita Goebbels, traduz o que acontece na nossa mente, depois de se incutir uma ideia várias e várias vezes. (Para quem não sabe, Joseph Goebbels era ministro de propaganda de Adolf Hitler.).
Logo, se é possível “moldar” o pensamento de milhares de pessoas, usando um ideal, também moldamos os nossos, quando sofremos abusos de nossos parceiros. Começamos a nos questionar, quem mais poderia ficar conosco, se somos assim tão: “loucas”, “gordas’, “burras”, “histéricas”, “choronas”, “____insira aqui mais adjetivos depreciativos que eles dizem___”. Dessa forma, começamos a acreditar que é melhor estar com alguém mesmo que te trate mal, AINDA está contigo.


Depois de um tempo, ele parece ter melhorado (mas só parece).


Isso acontece muito depois de um término, um tempo, ou uma briga muito feia. Ele depois de um tempo, parece ter finalmente assimilado que as coisas estavam ruins, e que a partir de agora ele vai fazer de tudo para que nada daquilo se repita, e fique agradável novamente. Isso também aconteceu comigo, depois de um ano, meu ex voltou querendo falar comigo, parecendo realmente muito arrependido do que aconteceu. Não deu duas semanas e ele voltou a me tratar mal novamente, e agir como um completo egoísta. O porquê de isso acontecer? Bom, eu não sei dizer o que se passa na cabeça alheia, e meu texto nem está aqui pra isso. Está aqui para dizer: não se culpe caso isso tenha acontecido. Mesmo que essa chance tenha sido dada muitas vezes. Como eu disse, quando nós realmente queremos acreditar que tudo vai ficar bem, às vezes, é só de uma promessa (mesmo que falsa) que um coração machucado precisa.

Ele te ameaça.


Você já percebeu que há algo errado, e conseguiu ter forças para acabar com o relacionamento. No entanto, você começa a receber ameaças para que mude de ideia: “Eu vou aparecer no seu trabalho.”, “Eu vou me suicidar se você fizer isso.”, “Eu vou tomar os seus filhos.”, “Se você fizer isso, eu nunca mais vou te deixar em paz..”. E como obviamente você não quer que nada disso aconteça, você desiste do término e permanece.
Portanto, eu escrevi esse texto não só para ajudar as minas que estão passando por isso, mas para principalmente dizer: tentem não julgar. Eu sei que é difícil, e às vezes eu mesma caio nessa armadilha. Se essa mina é sua mãe, filha, amiga, irmã, colega… Não aponte o dedo, fazendo-a se sentir (mais) culpada por não conseguir sair de um relacionamento. Veja, bem, meu texto de forma alguma, está aqui para apoiar, ou incentivar as minas a continuarem em relacionamentos abusivos, muito pelo contrário. Eu citei quatro possíveis justificativas, mas, eu tenho certeza que existem muitas outras. Às vezes ela simplesmente não tem forças, por estar extremamente deprimida, não tem informação, não tem apoio, está sendo ameaçada… Então se você se encontra nessa situação, não vou terminar esse texto com a frase: sai logo dessa. E sim: um dia você vai sair, mas enquanto esse dia não chega, estaremos aqui.
 Ps1: Meu texto foi baseado em relacionamentos heterossexuais, homem (cis) (abusivo) – mulher (cis) (“vítima”), mas, eu sei que existem outros tipos de relacionamentos em que o abuso também acontece. Escolhi falar sobre esse parâmetro porque é onde muito vejo mais relatos e vítimas, principalmente pelo machismo tão claro na nossa sociedade.
 Ps2: Se você não se sente a vontade com seu relacionamento, procure ajuda. Converse com alguém, existem diversos tipos de terapias que você pode procurar para recuperar sua auto-estima. Em casos de violência, ligue 180.

Quem escreve

Luiza Pion, estudante de produção cultural, aquariana, feminista, idealista e empreendedora. CEO da Dulce Tangerine. Acredita que a arte pode mudar o mundo.

Dama da noite – por Ana Paula Lopes

No princípio, era apenas uma estrela, um pequeno ponto brilhante entre tantos que enfeitava a infinita escuridão daquela noite de outono. Não era nenhuma estrela especial. Apenas uma ideia solta, flutuando no céu. Sabe-se lá por que razão não se perdeu no espaço. Talvez porque soubesse que ser somente mais uma entre tantas não era suficiente, talvez porque estivesse presa a Terra, porque estivesse presa a você.
Todas as noites a estrelinha aparecia no céu e ficava horas piscando consigo mesma, tentando de todo modo imaginar o que se passava em sua mente. Pobre estrelinha… descobriu que, na verdade, o que a prendia a você era amor, em toda a sua pureza e simplicidade.
Mas uma estrela não pode amar um homem. Ela está tão longe, tanto que seu calor nunca tocaria o coração de seu amado. Pôs-se, então, a chorar lá do céu. Vendo as lágrimas de luz que lançava sobre a Terra, a bondosa Lua se compadeceu da estrela:
– Diga-me, filha, por que chora?
– Meu amado, senhora Lua, nem sabe que existo. Eu, daqui de cima, só posso brilhar e esperar que ele me veja. Mas parece que ele nunca olha pra mim…
– Compreendo sua dor. Gostaria de poder ajudá-la de alguma forma.
– Oh, não! – disse a estrelinha se apagando entre soluços – A menos que consiga me mandar à Terra, não há nada que possa fazer. 
A Lua sorri redondamente mostrando toda sua face iluminada de sol. 
– Acho que posso ajudá-la… – respondeu a Lua – mas você deve saber que para descer até ele, não poderá ir com sua forma original. Diga-me o que gostaria de ser, entre qualquer dos seres terrestres, e lhe realizarei o pedido.
A estrelinha lançou um ultimo brilho sobre você, que estava sentado sozinho na praça com uma flor nas mãos, pensando em sabe-se lá o quê…
– Faça de mim uma flor – pediu a estrelinha – mas que possua o mais doce perfume, para que ele saiba que estou lá.
Assim a Lua fez. Logo que a cidade adormeceu, ela desceu à Terra, mas já sem seu brilho de estrela, agora era uma flor, tão branca, tão pequena e tão delicada que passaria despercebida a olhos desatentos. Seu perfume, porém, era tão doce que chegava a ser enjoativo a narizes mais sensíveis. 
Orgulhosa de si mesma, a estrelinha que agora era flor, agradeceu a Lua com um balanço de suas folhas ao vento, ao que a Lua respondeu com um sorriso de luz.
Com o passar dos dias, a flor crescia e expandia rapidamente seus ramos e flores, mas você parecia não se importar com a presença de uma nova planta na praça. Vinha até ela, sentava-se ao no banco seu lado, mas nem olhava para a pobre flor que insistia em envolvê-lo com seu perfume. 
O que haveria de se passar em sua mente sempre que vinha para a praça se assentar naquele banco? E a flor se irritava por não entender você. Queria gritar para que você ouvisse, queria que você a notasse ao seu lado. Mas flores não falam, assim como as estrelas.
Foi quando a flor percebeu que se as estrelas não podiam amar um homem, as flores também não, pois nenhuma das duas tem o poder de confessar esse amor. De que valeu então abandonar sua vida de estrela para se tornar uma simples flor presa a terra por suas raízes que não a deixavam se mover? Como doía vê-lo partir todas as noites sem que nada ela pudesse fazer que não fosse deixá-lo ir.
Se uma flor pudesse chorar, aquele seria o momento, já que havia se tornado tão simples, se rendido tão completamente a um amor impossível. Uma flor não podia amar um homem, pois este nunca entenderia este amor. 
Numa dessas noites que você ia a praça, a flor conseguiu, enfim, ver o motivo de seus passeios noturnos por ali. A sombra de uma moça que se formou pela janela atraiu como ímã seus olhos atentos. Era ela a dona de seu coração.
A florzinha ficou triste, pois sabia que não podia competir com uma mulher de verdade, nem que fosse somente com sua sombra, pois flores não têm olhos sedutores, nem lábios delicadamente pintados. Nunca poderia abraçá-lo, nem sequer dizer o quanto o amava.
Então a florzinha chorou lagrimas de orvalho. Lágrimas que foram logo acolhidas pelo brilho da bondosa Lua.
– E desta vez, minha filha, por que chora?
Pobre florzinha… Soluçava perfumosa de arrependimento. Como pode acreditar que o simples fato de estar na Terra faria você se apaixonar? Respondeu envergonhada de sua ingenuidade:
– Meu amado, senhora Lua, nem sabe que existo. Eu, daqui de baixo, só posso me perfumar e esperar que ele me veja, mas parece que nunca olha pra mim… Acho que me enganei. Ser flor de nada adianta.
– Pois me diga então o que gostaria de ser?
A flor suspirou a brisa da madrugada. Sabia o que queria, mas sentiu medo de estar novamente enganada ou se arrepender mais tarde. E o temor se tornou maior do que a força que ela tinha para lutar pelo seu amor. Talvez aquele fosse mesmo um amor impossível. Até que ponto vale a pena lutar por uma utopia?
– Se não for pedir demais – a flor secava nas folhas suas lágrimas de orvalho – gostaria de voltar para a minha antiga vida no céu. Voltar a ser estrela.
A Lua se espantou com o pedido.
– Mas e o seu amado? Vai desistir do amor sem lutar por ele? Vai deixar o pessimismo vencê-la assim?
– E de que vale ser otimista se a realidade nos mostra sempre o quanto nossos sonhos não se realizam?
A Lua foi obrigada a aceitar a opinião da florzinha. Porém, naquele instante, lhe veio uma luz, uma idéia que poderia ajudar a pequena flor.
– Eu lhe tenho uma sugestão – sorriu a Lua – Eu lhe transformo em mulher, por uma única noite, para que possa confessar seu amor. Voltarei para saber sua decisão final.
E assim aconteceu. Na noite seguinte, assim que você se sentou na praça, a Lua lançou sobre a florzinha um raio de luz encantado e a florzinha se transformou na mais bela moça que você já tinha visto. A pele tão branca, macia e aveludada que mais lembravam as próprias pétalas da flor que havia sido. Os olhos eram brilhantes como um par de estrelas roubadas do céu. O cabelo longo e negro como a noite lhe caia sobre um dos ombros, transado com flores, e o vestido que lhe cobria o corpo era de uma seda branca nunca vista por ninguém.
Vendo-se naquele corpo, a florzinha (que antes era estrela e agora era mulher) soube o que deveria fazer. Viu a sombra da moça na janela e, engolindo seco, foi até você.
– Boa noite. – ela disse sorrindo.
– Boa noite. – você respondeu.
A moça pensou por um instante e continuou:
– É sua namorada? A moça da janela?
Você se espantou com a pergunta atrevida da moça. Pensou por um momento e respondeu:
– Não.
– Mas você gosta dela, não é verdade?
Você já ia responder quando se deu conta da situação: estava falando de sua vida particular com uma desconhecida que acabara de chegar e que, julgando pela aparência dela, nem era dali.
– E quem é a senhorita?
– Eu… – ela pensou – Sou uma amiga. Mas você não respondeu a minha pergunta. Você ama aquela moça?
– Amo, mas de que adianta? Ela nem sabe que eu existo… Eu, pobre que sou, não sou digno nem mesmo de sua sombra projetada na janela. Daqui da praça, tudo que posso fazer é apreciá-la em seu quarto e esperar que, quem sabe um dia, ela me veja, mas parece que nunca olha pra mim.
A moça compreendeu, pois percebeu que mesmo entre seres de uma mesma espécie, poderia existir amor não correspondido. Que você sofria do mesmo mal que ela, sem que nenhum dos dois tivesse coragem para se declarar. Estava ali um perfeito triangulo amoroso. Mais uma vez o silêncio se espalhou pela praça.
Foi nesse momento que a moça soube que a coisa certa a fazer, nem sempre é aquilo que mais nos agrada. Que amar muitas vezes significa fazer sacrifícios para ver a pessoa amada feliz. Percebeu que juntos nunca ia dar certo. Era mulher a menos de cinco minutos, o que ela poderia saber sobre a vida em sociedade, sobre civilização, sobre família, sobre ser mulher? Ser humana exigia responsabilidades que ela desconhecia. E uma estrela nasceu para brilhar por conta própria e não para depender de outro ser. Mesmo que esse ser fosse você.
Tirou de seu cabelo cada uma das flores e, com elas, fez um belo buquê. Colocou-o em suas mãos como se entregasse a você o puro coraçãozinho dela e disse num sorriso triste:
– Tome estas flores. Entregue-as a sua amada e diga o quanto à ama. Ela saberá retribuir esse amor.
Dizendo isso, ela lhe abraçou forte e longamente. O abraço que esperou tanto para receber era agora um abraço de despedida. E a moça chorou sobre seu peito. Pela primeira vez, eram lágrimas reais, lágrimas doidas e apaixonadas que você não compreendeu. Então ela o deixou ir. 
E você foi. Quando olhou para trás e não viu mais a moça, pensou ter tido uma alucinação. Mas as flores eram reais e as lágrimas em seu peito também. Você bateu à porta. Uma velha senhora atendeu.
– Como posso ajudá-lo?
Você hesitou por um instante antes de responder:
– A sua filha está em casa?
A senhora soltou uma risada.
– Filha? O moço deve ter se confundida de casa. Eu moro sozinha.
Você se sentiu tonto. Ou aquela mulher não queria que você falasse com sua filha ou algo muito estranho estava acontecendo. Não era aquela mulher a dona da sombra na janela, pois a sombra ainda estava lá. 
– A senhora tem certeza que não mora com outra moça em casa?
– Claro que sim – a senhora respondeu um pouco desconfiada. – Só eu de Deus.
– Mas a sombra de uma moça que eu vejo todas as noites com a senhora, de quem é?
A senhora sorriu. Você não entendeu. Então ela o levou até o quarto de sua amada. 
– Viu? – a senhora explicou – Este é meu atelier. Eu sou costureira. A sombra que você vê pela janela não passa de um manequim.
Você pediu desculpas e se afastou da casa entristecido. Trazia o coração partido por saber que tinha se entregado a alguém que não era real, a uma simples imagem, uma boneca. O perfume das flores em suas mãos ainda o envolvia, lembrou-se da misteriosa moça e olhou para o céu. Mal sabia você que quem mais sofria com isso era a pobre estrelinha, que desistiu de seu grande amor por uma mentira.

Quem escreve

                                
Sou Ana Paula Lopes, jornalista e mestranda em Linguística da UFV. Natural de Viçosa, já me classifiquei em dois concursos de literatura nas categorias conto e história infantil. Sinto-me muito feliz em poder contribuir com o blog mostrando um pouquinho do meu trabalho.

Odette/Odile – por Lana Scott

quinta-feira, 16 de julho de 2015 
Odile
“Esse é o meu lugar.” pensou ela, no exato momento em que pôs um pé para a frente e levou um encontrão de alguém que passava com uma bandeja cheia de módicas porções de algum crustáceo adornado com molho. “Aqui nesse engasgo de encruzilhada”.
Desculpas foram murmuradas e a bandeja seguiu flutuando acima das cabeças, cheias de laquê ou gel de cabelo. 
O pensamento lhe ocorreu, não porque gostasse de crustáceos, ou mesmo do garçom: as palavras lhe vieram meio que como sugestão do universo, metalinguagem do próprio recado que lhe estava dando. 
“Por mais que eu ande, dance, circule e eventualmente coma módicas porções de petiscos com molho, sempre acabo passando de novo neste ponto… Estagnada, o fluxo impedido.” concluiu. 
A mente trabalhava a todo vapor, percebendo o ambiente, enquanto apenas uma parte tinha ciência do pensamento perturbador e tomava nota, como um lembrete deixado na porta da geladeira. 
Ela gostava do fluxo natural das cadências. A fechada de caminho quebrara seu ritmo, que ia embalado pelo ruído das centenas de vozes (eufóricas, talvez até histéricas) que eram emitidas e se batiam e rebatiam diversas vezes nas paredes do imenso recinto. Recuperou-se e retomou a linha principal de seus pensamentos, que envolviam praguejar contra o volume alto demais daquela reprodução estourada do que um dia alguém chamara de música. 
Envolviam também uma urgência não verbal de sentar-se para calar os pés, massacrados por sapatos de salto que ela nem ao menos queria estar usando. Apesar de todos os incômodos, seu saldo de sensações era inexplicavelmente positivo. Talvez fosse um certo contágio com a ideia de grandeza e importância que todos pareciam ter de si mesmos, como se acreditassem estar num baile da nobreza do século XVII. Essa fantasia também a penetrava, numa osmose catalizada por docinhos graciosos, módicas porções de crustáceos com molho e bebidas servidas em copos de cristal. 
Sim, bebidas! Elas ajudariam a neutralizar a dor e seu senso, por demais críticos. 
“Bem que eu sentia falta de alguma coisa…”. 
Houve certo rebuliço e exclamações de prazer na parte do seu cérebro que se sentia um tanto quanto seca, como se vários publicitários trabalhassem num escritório lá dentro e houvesse um boato de aumento. Um pouco de embriaguez talvez tornasse seu peso mais leve sobre os saltos e embaçasse os ouvidos, passando também sobre os olhos um filtro dourado como as sandálias de quem usa estampa de oncinha.
Saiu andando, agora de maneira mais firme e decidida. Era sempre constrangedor andar sem rumo numa festa. Todos pareceiam ter coisas muito importantes ou divertidas para fazer. 
“Bom, agora também tenho.” gracejou consigo mesma, satisfeita. Aliás, quase: a real satisfação viria quando tivesse cristal e líquido âmbar entre seus dedos. Poderia até ficar parada, blindada, bebendo em silêncio… Verdadeiro luxo! Nada autorizava mais alguém a ficar parado numa festa do que ter um copo nas mãos.
Com o repuxo irônico dessa sabedoria entortando os lábios ela foi desviando dos vários paletós e vestidos que ocupavam os espaços, existências febris pulsando dentro deles. Ela quase não reparou em seus rostos. Os olhos corriam, metódicos, em busca de gravatas borboleta – símbolo extra oficial de servidão, que abraçava tal qual coleira o pescoço dos garçons. De forma automática, descia das gargantas para as bandejas, eliminando sistematicamente as que continham alimentos. 
Buscava algo mais interessante para sua própria garganta do que crustáceos, gravatas ou molho, e de preferência em não tão módicas quantias. Avistou afinal taças compridas, cheias de um líquido mais claro e borbulhante que o desejado e projetado por seus pensamentos. 
“Mas serve.” pensou, uma sensação já agradável lhe tomando. 
– O senhor me vê uma taça, fazendo o favor? – pediu ela, tentando não deixar transparecer a sua avidez. O garçom olhou-a de cima a baixo e com a mão livre ajeitou a gravata borboleta, como quem coça uma chaga. 
– Sinto muito, mas a senhorita é obviamente menor de idade e não posso te dar bebida. 
A isto, a princípio, ela não soube como reagir. Aquilo nunca lhe acontecera na vida, nem mesmo quando era menor de idade. Forçando um sorriso simpático, ela perguntou: 
– E quantos anos o senhor acha que eu tenho, pelo amor de deus? 
Talvez captando uma parte da ironia mal contida da pergunta, o homem hesitou por um segundo antes de responder, ensaiando um sorriso triunfante: 
– Quinze. Uns quinze no máximo.
Dessa vez ela não pôde se conter. Um riso lhe sacudiu de tal forma que ela mal reconheceu a própria voz. Enxugando os olhos, apanhou a taça que lhe foi estendida e limpou o riso com um suspiro e um gole. Algo no sarcasmo dos olhos, no cansaço da sua risada, convencera o garçom melhor do que um documento de identidade faria. Não se pode falsificar esse tipo de coisa na impressora de casa, afinal de contas. 
Afastou-se do garçom (e da sua bandeja) meio a contragosto. Gostava do peso da taça nas mãos, mas gostava mais do peso do líquido descendo pela garganta e se alojando no estômago. Seu cérebro contorceu-se de alegria, vibrando como se no escritório todos estivessem assistindo a um jogo de futebol no meio do expediente. Gol. Logo precisaria de refil. Controlou-se para não beber muito rápido e fazer render o momento em que podia parar de fingir estar interessada em qualquer coisa que as pessoas estivessem usando para se entreter. Ah, abençoados minutos! 
Não que ela não gostasse de festas… Estas eram, afinal de contas, um habitat natural de bêbados e ela gostava muitíssimo de pessoas embriagadas. O que mais a incomodava nesse tipo de evento era o quê de histeria na pulsação das pessoas, desesperadas para se divertir. O que festejavam, afinal, se precisavam catar migalhas de alegrias artificiais? 
“Por favor, não tente puxar conversa. Por favor, por favor, por favor…” pensou ela, ao notar a aproximação de um homem à sua esquerda. As palavras se repetindo na cabeça como uma prece, enquanto tentava evitar contato visual. O esforço mostrou-se inútil, como de costume. O homem, não percebendo seu desconforto (ou simplesmente ignorando-o por comodidade) tratou de colocar-se aso seu lado e olhou ao redor em busca de um assunto qualquer para lhe falar. 
“Se ao menos esses copos viessem com um sinal de ‘ocupado’, como quartos de hotel ou plaquinhas de rodízios…” resmungou consigo, enquanto fazia um contorcionismo para parecer desconhecer a tentativa dele de comunicar-se com ela. “Ao menos, pelo cheiro ele parece bêbado. Talvez seja até uma conversa entretível.” pensou, tentando consolar-se. 
– Festão… – começou ele, aparentemente cansado de procurar um motivo mais digno para quebrar o silêncio. 
– É. – disse ela, virando-se para ele, enfim. 
Com o terno já aberto e a gravata frouxa, o homem devia ter seus 40 e poucos anos. O rosto levemente avermelhado e os olhos brilhantes confirmavam o que o cheiro sugerira: ele estava bêbado como um peru de natal. Sentindo sua simpatia crescer quase que automaticamente, ela acrescentou: 
– O buffet é de primeira. 
Quase arrependeu-se do complemento quando ele, sentindo uma abertura, assumiu-se autorizado a intimidades: 
– Você bebe muito pra sua idade. – disse, algo entre risonho e repreensivo.
“Haja!” gritou ela por dentro, sem poder impedir os olhos de se revirarem nas órbitas. Segurou a língua ferina, sem paciência para confusão, e lançou uma resposta ambígua: 
– Fazer o quê? Champagne bom da porra. 
– Você também xinga bastante pra sua idade… 
– E você parece ter bastante ciência dos dados do meu nascimento. – ralhou ela, agora visivelmente irritada – Vamo lá, conte-me mais sobre as minhas primaveras! 
O homem engoliu em seco (talvez não tão seco assim) e balançou de leve para trás como se a raiva tivesse lhe atingido e desequilibrado tal qual corrente de ar. Depois de piscar algumas vezes em silêncio, soltou um arroto de boca fechada e tentou outro caminho: 
– Não provei… Prefiro Whisky. – retomou, o tom de voz já mudado. 
Ela respirou fundo e, olhando para a própria taça, já quase vazia, matutou se saía e o deixava falando sozinho ou se dava chance para a conversa. Acabou optando pela segunda opção, afinal Whisky era bom demais. 
– Eu também, mas não achei e minha garganta estava bem seca… 
– Posso te mostrar onde tem. – ofereceu ele, abrindo um sorriso vesgo. – Peguei tantos que o garçom já sabe até meu endereço. 
– Parece ótimo. – riu ela, virando a taça de champagne e colocando numa mesinha com outros copos e pratos vazios. 
– O nome dele é William e você não acredita em como eles pagam mal… – continuou ele, enquanto abriam caminho pela festa, conversando. 
Arranjei quem me aguente por hoje” pensou ela, satisfeita consigo mesma e com a noite. Módicas porções de interação social não lhe fariam mal, no fim das contas. Principalmente se acompanhadas de não tão módicas quantias do líquido âmbar que era tão aguardado pelos escritórios secos da sua mente.

Quem escreve

                      

Me chamo Lana, tenho 20 anos e uma incrível fome de mundo(s). Sou uma amante das histórias. Apaixonada por ouvi-las e contá-las de todas as maneiras, através das mais diversas artes e suportes. Desde pequena fui encantada pela música, pelo movimento do corpo, pela magia… E pela literatura, que me apresentava mundos fantásticos além deste, me dava o direito de viver mil vidas além desta. Talvez seja por isso que escrever seja a arte que eu faça com mais intimidade e coragem.

Seja como for, o importante são as histórias

O que você sabe sobre os coletores menstruais?

Coletores menstruais são copos feitos de silicone que são substitutos para os absorventes. Eles tem como função coletar o sangue menstrual e possuem várias formas, tamanhos e marcas. Aqui na nossa equipe ele é queridinho. Eu começarei a usar no meu próximo ciclo, mas Tamires, Michelle e Bruna já são adeptas.
Você conhece? Já usa? Acha que está em outro planeta e não faz ideia do seja isso? Então deixa eu contar pra você. Primeiramente, vamos a uma aulinha de história para que vocês conheçam a inventora dos copinhos menstruais.
Quando você entra na internet e lê um título citando o coletor menstrual, talvez, um de seus primeiros pensamentos é “Que novidade é essa?”. Mas, e se eu disser que isso não é nenhuma novidade? A primeira menção desses coletores datam de 1867, um americano de Chicago inventou o copo da imagem. Não se sabe a identidade desse americano e nem se esse modelo chegou a ser inventado, mas podemos ter uma boa ideia de copo seria seu design e forma de uso. Medo!
                
Imagine-se usando isso! 
Mas é uma mulher, chamada Leona Chalmers, que é conhecida como a inventora dos coletores. Apesar dos modelos (assustadores) que já existiam antes, foi ela quem patenteou e divulgou a ideia. Leona foi uma inventora e escritora norte-americana que lançou sua criação em 1937. Ele era feito de borracha, mas com a Segunda Guerra Mundial essa matéria prima se tornou escassa e a produção do coletor foi interrompida.

 

Leona Chalmers e seu modelo do coletor menstrual. Além da forma, a maneira de introduzi-lo também é bem semelhante aos coletores atuais.
As mulheres também não se mostraram interessadas em fazer uso da novidade. Vamos lembrar que na década de 30 o corpo feminino sofria muito mais com tabus. A ideia de manusear um objeto dentro da vagina não era bem aceita por ninguém. Essa insegurança em usar os coletores se manteve até os anos 70. Leona se uniu a uma empresa para continuar a produção, e mesmo com as palestras, lançamento do livro sobre cuidados íntimos da mulher, escrito pela própria Leona, e produção de novos modelos (como os descartáveis) a empresa parou de produzir os coletores em 1973.
O lado íntimo da vida de uma mulher, Leona W. Chalmers

Mas quais são as vantagens e desvantagens do uso do coletor? 

VANTAGENS:
Leona criou os coletores para que fossem mais higiênicos, econômicos e saudáveis. E essas são características que ainda se mantem. Mas a lista é muito mais completa. Vamos conhecer?
– Investimento. O custo de um coletor pode variar de R$65,00 à R$80,00, porém, é um valor único. Imagine quanto você gasta por ano nos absorventes comuns. Agora pense em não gastar esse dinheiro por pelo menos 5 anos, que um prazo, considerado mínimo, de validade do produto.
– É reutilizável, flexível, hipoalergênico e antibacteriano.
– Se adapta ao seu corpo. Existem várias formas e tamanhos, é só escolher o que melhor se adapta ao seu corpo. Logo vou explicar como escolher o melhor para você.
– Não te atrapalha ao urinar nem a dormir.
– É sustentável. Cuidem do meio ambiente mocinhas! Um absorvente externo leva cerca de 100 anos para se decompor na natureza, o interna demora 1 ano.
– É higiênico. Você passa a não ter problemas com manchas, vazamentos ou odores.
– Quase não possui contra indicações, só não é indicado para virgens (APENAS se o hímen representar algo para a menina, porque ele pode se romper, o que não significa que ela não será mais virgem) e não pode ser utilizado no pós parto.
DESVANTAGENS:
– Dor e resistência ao retirar (mas isso é resolvido de forma simples, é só você apertar a base do coletor para retirar o vácuo antes de retirar o coletor).
– Incomodo, vazamento e aumento das cólicas.
Porém, todas as usuários garantem que essas desvantagens só ocorrem quando o coletor não é bem posicionado. Percebem como quase não encontramos empecilhos para o uso dessas chamadas tacinhas?

Como escolher o meu coletor e qual a maneira certa de colocar?

Tabela de tamanhos do coletor da marca Me Luna
No site Vai de Copinho existe um artigo completíssimo que você PRECISA MUITO ler para saber a melhor forma de escolher seu coletor. Algumas das considerações que eles dão são:
– Numero de partos
– Estatura corporal
– Condições físicas
SÉRIO, leia o post completo aqui para entender tudinho. É tudo bem explicadinho, de forma fácil e completa.
 Quanto a forma de usar, eu acho mais fácil entender através de vídeos, então índico que vocês assistam esse, e também tem um aqui e aqui.

Mas eu ainda não sei bem o que pensar sobre esses coletores.

Então você precisa de depoimentos, opiniões, amigas. Tem várias mulheres que podem te contar muito sobre como elas se sentem usando as tacinhas.
O primeiro depoimento sairá daqui mesmo, da nossa equipe. 

A Jout Jout tem esse vídeo falando dos coletores e o canal Acidez Feminina fala sobre ele aqui.
Temos os grupos no facebook também, como o Coletor sem censuro – só amor, Coletores Brasil – menstrual cups e o Coletores – além da menstruação. Nesse grupos você muito mais acesso a informações e apoio.
Uma das informações legais que eu encontro neles é o melhor local de compra, que são muitos. Algumas drogarias vendem, mas eu só encontro pela internet em sites como os a Beleza na Web e , também tem loja online das próprias fabricantes, como Inciclo, Fleuritu e Meluna. Eu acho muito melhor comprar diretamente na loja da fabricante.

Não sei para vocês, mas a ideia da Leona vai me ajudar e muuuito! Quem aí usa e quer dar sua opinião? Quem não usa e quer tirar as duvidas com a gente?



Não queria ter de desperdiçar meu tempo afirmando que existe uma cultura do estupro! Mas, infelizmente, isso é preciso.

Não queria ter de desperdiçar meu tempo afirmando que existe uma cultura do estupro! Mas, infelizmente, isso é preciso

 

Não importa o nome dado, estupro é estupro, apesar da relutância vinda de alguns que se negam em reconhecer quando esse estupro acontece. É constante o hábito de modificar o nome da ação para que assim ela passe a ser justificável, aceitável, perdoável, engraçada.

Ok, ok! Vou pegar leve com os leigos e explicar.

Estupro segundo o dicionário: crime que consiste no constrangimento a relações sexuais por meio de violência; violação.

Estupro segundo o Wikipedia: estupro, coito forçado ou violação é a prática não consensual do sexo, imposto por meio de violência ou grave ameaça de qualquer natureza por ambos os sexos.

Estupro segundo a legislação brasileira: constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso. O crime pode ser praticado mediante violência real (agressão) ou presumida (quando praticado contra menores de 14 anos, alienados mentais ou contra pessoas que não puderem oferecer resistência). Logo, drogar uma pessoa para manter com ela conjunção carnal configura crime de estupro praticado mediante violência presumida, pois a vítima não pode oferecer resistência.

Vários locais onde se pode pesquisar esse termo. TODOS  em comum acordo quanto ao ser um ato violento e criminoso. Por que certas pessoas não entendem dessa forma? Alguns dos motivos para essa falta de consenso quanto ao que podemos ou não considerar estupro são: abuso sexual e assédio sexual.

cultura do estupro

cultura do estupro

Muita gente entende que esses dois termos que citei a cima são menos agressivos que o estupro e, por isso, mais aceitáveis. E é essa tentativa constante de maquiar as diversas faces da agressão sexual que alimenta as mentes das pessoas que defendem tais atos de violência como pequenos, de pouca importância e até mesmo “invenções de feministas mimizentas”.

Abuso sexual: qualquer forma de constrangimento sexual sobre um indivíduo em situação de inferioridade, envolvendo ou não violência física.

cultura do estupro

Assédio sexual: fazer uso de palavras de baixo calão para ofender ou “elogiar” uma mulher, indiretas sexualizadas dirigidas à mulheres que não às pediram ou permitiram e até mesmo tocar-lhe o corpo (como acontece em ônibus, festas e no trabalho também) sem consentimento da mesma.

Percebe como são atitudes de violação, agressivas, humilhantes e abusivas, assim como o estupro? E, assim como o estupro, são tidos como consequências de atos errados cometidos pela vítima. Veja só:

  1. – andar com roupas curtas ou justas é pedir para sofrer alguma dessas agressões a cima;
  2. – estar na rua até tarde também é;
  3. – beber então, nem se fala;
  4. – jamais pense em pedir respeito, direito de ser, estar, usar, seja o que for. Você está errada, tem que aceitar a agressão e ainda fica sendo a puta que provocou tal ato.
Esses pensamentos estão muito enraizados em nossa sociedade patriarcal, partem das palavras mais simples até a violência em si. E é essa escala de definiu o que é a cultura do estupro.
Cultura do estupro é:
  1. – duvidar da mulher que conta ter sido estuprada;
  2. – levar em conta o passado ou vida sexual da vítima;
  3. – acreditar na malícia naturalmente existente na mulher;
  4. – objetificação do corpo feminino existente na publicidade, na TV, na literatura, etc;
  5. – ensinar a não ser estuprada ao invés de ensinar à não estuprar;
  6. – achar aceitável fazer sexo em alguém enquanto está embriagada, dormindo, desmaiada;
  7. – ter medo de ser uma mulher sozinha saindo do trabalho a noite e achar natural;
  8. – duvidar da real existência de quaisquer violência contra a mulher;
violência
Reprodução/Internet

O silenciamento contribui com a cultura do estupro. Se os casos de violência são tidos como naturais, então para que vamos investigar? Não a motivos para pedir ajuda a família, denunciar seu vizinho, entregar seu patrão. Mães, amigos, tias, colegas de trabalho, delegados, professores, juízes, jornalistas, todos unidos para jogar um caso de estupro, abuso e assédio para debaixo do tapete.

Eu pude perceber que a nomenclatura ajuda a definir o que é ou não relevante, assim como as regras impostas pela sociedade. Siga essas regras de forma indubitável, se mesmo assim você passar por alguma situação de violência sexual vamos ver se podemos enquadrar o caso em alguma  lista mais aceitável.

Com tudo isso, ainda encontramos pessoas que desconhecem ou negam a existência da cultura do estupro. Preferem agir fingindo que não são coniventes com atitudes que permitam um ato abusivo em sua sociedade perfeita. Ou pior, elas REALMENTE ACREDITAM não ser. Isso dificulta tudo não é? Como lutar contra algo que acredita não existir? Como lutar contra algo que acredita ter sido culpa sua?

Freiras fingem ser prostitutas para libertar mulheres e crianças do tráfico humano

Imagem: reprodução/internet

Um grupo de freiras superam na forma de resgatar vítimas do tráfico de mulheres e crianças. Elas se infiltram em bordeis fingindo ser prostitutas e tentam ajudar mulheres que sejam mantidas à força nesses locais.

Nossas heroínas também utilizam do dinheiro a favor da liberdade infantil. Elas “compram” as crianças que são vendidas pelos pais como escravas. Existem casas especificas preparadas para receber as crianças resgatadas aqui no Brasil, na África, nas Filipinas e na Índia.
Reprodução/Talitha Kum
A organização tem o nome de Talitha Kum, Rede Internacional da Vida Consagrada contra o Tráfico de Pessoas.

Reprodução/Talitha Kum
A instituição age em 80 países diferentes e conta com cerca de 1100 de mulheres. Elas explicam que cerca de 73 milhões de pessoas (cerca de 1% da população) são traficadas de alguma forma no mundo. Desse número, 70% são mulheres.

Reprodução/Internet
John Studzinski, banqueiro e diretor da entidade, disse que as irmãs não confiam em ninguém. Elas não confiam nos governos, não confiam em corporações, e não confiam na polícia local. Em alguns casos, elas não podem confiar nem no clero masculino.

Vale muito a pena conhecer o trabalho delas. O tráfico de mulheres não recebe o devido valor das autoridades. Ainda enxergam como garotas que escolheram ser putas e se divertem vivendo ao lado de bandidos que as maltratam e exploram em quanto acham vantajoso.

Esperamos que o trabalho realizada pelas freiras sirva como modelo e inspiração para que um dia não tenhamos mais que temer o trafico humano.

Ser o que sou – por Kéuri Santos

Reprodução/Internet

Eu gosto de cálculo, biologia e ciência, mas também gosto de cozinhar. Faço ballet e passo horas fazendo ponto cruz mas também gosto de catuaba e cerveja. 

Nunca fui boa em videogame mas eu gosto de tentar, nunca aprendi a dirigir mas isso nunca me impediu de chegar onde eu quisesse. Eu gosto de ler e amo estudar, mas eu também amo ir à academia, sair à noite e voltar de manhã.
Ter filhos é um dos meus maiores sonhos, assim como terminar três graduações, fazer mestrado e doutorado. Agora aqui no meu computador tem aba aberta sobre planta, psicologia, circuitos eletrônicos, sexo, fisiologia, blog de moda e política. Eu nunca fui uma coisa só, nunca me encaixei na ideia bizarra de que mulher TEM QUE SER algo – porque desde que a gente nasce somos definidas pelos outros, nunca por nós.

Eu passei muito tempo confusa por gostar de tudo e por muito tempo não consegui ser uma coisa sem me culpar por não ser outra. Até o dia em que eu entendi que eu só tenho que ser o que eu quiser, mesmo. 
O absurdo é que esse texto tenha tantas palavras “mas”, porque na realidade estudar pra caralho não tem nada a ver com gostar ou não de ir pro bar. Eu gosto de carnaval e de física quântica, sou sensível e tô aprendendo a reagir quando devo, sou namorada e independente, curto maquiagem e as vezes passo meses sem depilar a perna e bem, nenhuma dessas coisas anula a outra, e o principal: ninguém tem merda alguma a ver com isso, eu posso ser e sou muito mais do que qualquer um ache que eu deva.

Quem escreve

Kéuri Santos, 23 anos, estudante de Neurociência na UFABC por paixão e professora de inglês por amor.

5 filmes leves que (também) passam nos testes de Bechdel e Mako Mori

Imagem: reprodução/internet

Nós já tivemos aqui no blog uma lista com 5 séries que passam nos testes de Bechdel e Mako Mori. Para entender mais, leia aqui. Ainda estamos devendo a continuação desse post, mas ela virá, juro! Enquanto isso, trago hoje uma nova lista, dessa vez de filmes que passam nos mesmos testes. 

Para dar uma filtrada, eu optei por filmes pop (como pede a coluna) e mais leves pra essa primeira parte. Novas listas devem aparecer por aqui, e assim vamos trazendo filmes diferentes, com outras propostas. Por enquanto, vamos focar em produções divertidas, mas que além de passarem nos dois testes, fogem de estereótipos e trazem boas mensagens para o público feminino, ao mesmo tempo em que entretêm.
Mais uma vez, para evitar que surjam spoilers em todos os tópicos e não escrever uma página pra cada filme, não vou citar exatamente quais os motivos para esses filmes passarem nos testes. Então pega na minha mão e confia em mim! Nessa primeira leva, vou fazer dois posts: o primeiro só com live-actions e o segundo só só animações. Serão 5 filmes em cada lista. Enfim, chega de falazada! Espero que gostem das sugestões!
Para Sempre Cinderela

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Eu amo esse filme e vou defendê-lo! Pra começar, é uma versão de Cinderela em que a protagonista não é completamente feita de trouxa submissa à madrasta e às irmãs malvadas (que nesse filme é uma só, a outra é boazinha <3 ). Danielle (Drew Barrymore) tem gênio forte e desafia ordens não apenas uma vez, mas várias.

Melhor – Cinderela – EVER

Uma das melhores coisas do filme é a relação de Danielle com o príncipe. POSSÍVEIS SPOILERS, MAS TODO MUNDO JÁ DEVE TER VISTO ESSE FILME. Pra início de conversa, temos um ponto em que os papéis de mocinho e mocinha se invertem, e ELE é salvo por ELA. Gente, isso já é lindo demais e nem precisaria de mais motivos pra acharem esse filme maravilhoso.
Meninas Malvadas

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Assim como minha lista anterior tinha um item obrigatório, esta aqui também tem. Se a gente fala de um filme leve e divertido que passa nos dois testes, na hora vem à mente Meninas Malvadas. Mais uma pérola da Tina Fey, a história gira em torno de Cady (Lindsay Lohan), que viveu até os 16 anos na África com os pais zoólogos, e agora tem que se integrar numa escola normal.

Jingle Bell Rock!

O filme retrata rivalidade feminina como “um mal a ser combatido”, o que já é um ponto positivo. A mesma cena que põe essa rivalidade por terra (que não vou dizer qual é mesmo sabendo que todo mundo viu esse filme também) ainda ressalta que cada um é importante à sua maneira. Isso tudo, na roupagem de uma comédia adolescente super divertida.

Histórias Cruzadas

Imagem: reprodução/internet

Tá que a mensagem desse filme não é exatamente leve, mas especialmente a forma como ela é apresentada o transforma num filme divertido, sem perder o potencial de fazer pensar. Ele retrata o racismo sofrido pelas empregadas negras durante a década de 60, que acaba virando tema de um livro escrito por uma jornalista.

“Ninguém nunca me perguntou como era ser eu”
Ter a Viola Davis já é mais que motivo pra alguém ver qualquer coisa, só falando…

Eu não vou entrar no mérito da relação pessoa-branca-que-salva-pessoas-negras, porque não me acho a melhor pessoa para falar disso. Por isso foco na forma como o filme trata segregação racial, e o fato de que mesmo após o fim da escravidão, os problemas dos negros ainda estavam (e infelizmente, ainda estão) longe de acabar. 

Mamma Mia

Imagem: reprodução/internet

Eu amo ABBA. Dancing Queen leva a movimentos involuntários no meu corpo, e eu literalmente quebrei meu computador para poder assistir à cena de The Winner Takes It All nesse filme (longa história). Então é tamiresmente impossível (neologismo egocêntrico <3) deixar de falar dele. A lista de pontos positivos desse filme é enorme, então fiquem com a sinopse e ASSISTAM.

“Eu sou livre e sou solteira”
E também é maravilhosa!

Sophie (Amanda Seyfried) vai se casar, e quer descobrir quem é seu pai, para que ele possa levá-la ao altar. Ela lê o diário de sua mãe, Donna (Meryl Streep) e descobre três possíveis candidatos e envia convites para todos. Eles acabam aceitando, desejando reconquistar Donna, que se vê numa enorme confusão, segundo o locutor da Sessão da Tarde

Matilda

Imagem: reprodução/internet

Matilda (Mara Wilson) é uma menina extremamente inteligente que nasceu na família errada. Maltratada e menosprezada a vida toda, ela descobre o amor pela leitura e, em um certo momento, desenvolve telecinese. O que poderia ser uma segunda versão de Carrie, a Estranha é um dos filmes infantis mais adoráveis, na minha opinião.

“Aqueles livros deram a Matilda uma mensagem esperançosa e reconfortante: você não está sozinha”
Simplesmente amorzinho <3

A menina acaba usando seus poderes para superar seus problemas e se divertir, além de ajudar sua professora, Jennifer (Embeth Davidtz), a superar seus medos e problemas do passado. A união e a amizade entre as duas é construída de uma forma delicada, e acaba que é isso que faz com que ambas possam vencer os obstáculos da trama.

E aí? Gostaram da lista? Têm sugestões pra gente? Conta nos comentários, e esperem por mais posts como esse!