Carta de(s)amor

Carta de(s)amor

Talvez isso me classifique como uma pessoa fraca ou tola. Se for assim, tudo bem. Mas a verdade é que por muito tempo escondi meus sentimentos por não me sentir capaz de revelá-los.

Não me abri com qualquer pessoa, esse tempo todo. Pode ser que alguém até desconfiasse, mas sei que escondi bem, já que certeza ninguém nunca apresentou.

Em parte guardei para mim por me contentar com a situação. Amar, sem precisar de mais que isso. Mas confesso que também o fiz por não conseguir tirar do meu coração o desejo e a esperança de que um dia esse amor seria recíproco e tudo aconteceria naturalmente.

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Bobeira é não viver a realidade – Por Luara Alves de Abreu

Reprodução/internet


Ontem voltei a assistir àquela série que começamos juntos. Que boba eu, estava até agora perdendo uma série sensacional, tudo só por querer me afastar de qualquer coisa que me remetesse a você. Vez ou outra algo ainda me faz lembrar e dói, dói muito, mas não mais por saber que te perdi e sim por entender que aquela pessoa que eu conheci, nunca sequer existiu. É como naquela música “minha maior ficção de amor” porque sim, foi isso que você foi, uma ficção, não existiu de verdade, só na minha cabeça.

E sabe, até que não tem sido tão ruim olhar as coisas por esse ângulo. Do lado de cá enxergo com mais clareza e vejo que nunca daria certo mesmo. Esses dias li um texto que fez muito sentido, dizia que às vezes estamos numa cama tão quentinha que é difícil sair dela, mas nem sempre essa cama é a nossa. E é bem isso… Casas a gente tem várias, lar é só um. O meu não era em você então não foi perda, foi livramento. 

Não tenho culpa se meu Vênus é em Leão e então me entrego, me doo, me permito. Eterna filosofia do trate como gostaria de ser tratado. Alguém ainda vai retribuir! E vai ser de verdade. Enquanto isso, estou leve e hoje vou viver pra mim, o verdadeiro amor da minha vida. Porque eu sim não sou ficção, sou real, de carne, osso, sangue e coração. Como diria Cássia Eller, bobeira é não viver a realidade. E a minha realidade é amar.



Quem escreve

Luara é geminiana com ascendente em câncer. Intensa por natureza, socióloga por profissão, atriz por paixão, bailarina por amor e feminista por dever!

Quem é você?!

Ela sabe o que eu penso. De olhos vendados e braços abertos para toda e qualquer aventura, é assim que eu a sinto sob o olhar de um vazio: Serena, imutável, ausente.

Um pequeno momento em que me recolho ao inatingível, ao mais próximo do miserável e longínquo sonhador. Sou o contento de um instante perpetrado nessa eternidade de sonhar.  Fantasia pura, tocada pelo desejo daquela que, com gestos de loucura, coexiste em minhas invenções de por um pardo momento não existir.

Atravesso com olhar intrigante e desiludido a ambição dos movimentos que se combinam. Tudo ali se constrói em um cenário de muitos sentidos.  Quem me dera se, de verdade, eu estivesse presente nas percepções de um segundo.

 Usurpada pelo espectro de um ser irredutível na sua rigidez mais tangível para não estar ali, toco vacilante a imagem que me seduz.  Fecho meus olhos e me sinto parte singela de uma realidade que se contempla com os pés fora do chão. Ao fechar a porta, é como se tivesse perdido para sempre o caminho que me levaria de volta para casa.

Sobre duas de nós, nós

Sabe quando você olha o céu e sente aquele vento gelado que se adianta à tempestade? Pois é, eu estava me sentindo assim até você voltar. Até você voltar e distribuir palavras vazias e promessas inúteis que um dia me conquistaram como o pesar dos navegantes que anseiam por novos mares em dias de tormenta. Ah, seu eu pudesse alcançá-la e tocar-lhe o corpo que outrora teria sido meu. Não nos amamos dentro desse infortúnio de pequenos hábitos e cóleras, mas nos apaixonamos como quem nasce predestinado à escuridão dos amantes. Eu e você. Quem dera se eu tivesse, um dia, abandonado a rigidez que se revela inoportuna nesse momento de reencontro e me laçado aos seus braços estremecidos por não saber onde se apoiar, e com você caminhasse mundo afora sem saber pra onde ir ou como chegar. Talvez tivéssemos conseguido, assim, aliviar os pesares intimamente trocados em noites de vinho e pequenos afagos. Talvez assim, tivéssemos seguidos sozinhas o caminho que cada qual decidiu trilhar e, enfim, nos aventuraríamos à cegueira inconstante de um universo que tateia com as plantas dos pés as maravilhas do submundo, mas dele desconhece o prazer e as dores que só nossas almas mutiladas pelo exercício da realidade conseguiram encontrar. Impotentemente me vem à memória a doçura letárgica dos seus lábios, nos quais por algum tempo eu me fiz permanente. Ah, quem me dera se Flaubert pudesse explicá-la. Quem me dera se o tempo nos eximisse de um reencontro e nos afagasse com as belezas de outros corpos. Mas parece que quanto mais nos arriscamos à solidão, mais e mais nos aproximamos, como que se os deuses nos tivessem sangrado em conjunto e com isso conseguido, com gestos infantis, lograr uma aliança eterna, cuja ausência se faz mais presente e sensível que o selo de nossos braços e uma existência fragmentada pelos desencontros. Foram muitos os pousos em lugares áridos e temerárias as convivências que não me agraciaram com o seu encanto. Foram inúmeras as palavras rabiscas em livros e que se perderam na linha tênue entre o deixar falar e o se manter distante. Foram muitas as músicas ouvidas e dançadas enquanto permaneciam vivas na memória as madrugadas nas ruas de uma cidade inerte às experiências que nos fizeram rir. Foram cartas trocadas sem remorso ou pesar, desculpas pedidas aos quatro ventos sem razão e muitas, muitas (des)ilusões. E agora? Gostaria que vivêssemos naquele quarto de hotel abandonado que um dia nos permitimos criar. Beber aquele vinho amargo e barato que por alguns anos compartilhou das mesmas mãos que hoje, após longo tempo, tentam, novamente, se tocar.

Carta a você, que espera pela mulher ideal

Olha, cara, eu tô de boa com esse seu desejo, sabe? É sério, eu não vou brigar por esse motivo. Na verdade, eu até aceito que você tenha suas vontades e preferências. Tranquilo se você curte minas assim ou assado, e que não queira nem passar perto das que não são do estilo que combina com o seu. Olha só, parece que a evolução até explica que você procure sempre pela bunda mais redondinha e pelo peito mais empinado, e eu entendo isso.

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LOVE IT FORWARD LIST: Envie amor para quem está passando por um momento difícil

Você conhece o projeto ‘Love it Forward List’? Ele foi criado pela brasileira Carolina Areas e tem uma função maravilhosa. A ideia consiste em uma pequena lista de pessoas dispostas a ajudar alguém que esteja passando por algum momento difícil através de cartas/cartões.

“Quando fico sabendo de alguém que está passando por um momento difícil, eu aciono esta lista de pessoas e todo mundo manda uma lembrança, o que puder. Neste mundo em que se digita mais do que se escreve, o poder de um envelope recheado de palavras amorosas é incrível. Imagina, então, quando são vários?! Um cartão, uma carta, um poema, um desenho, uma foto, uma lembrança… É tão fácil doar amor!”  Carol  para o site Follow the Colours.

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Carta a mim mesma, quatro anos atrás

Você ainda não me conhece. Essa versão de você, a quem esta carta se dirige, ainda não tem a menor ideia do que é ser quem eu sou. As únicas verdades que você conhece são as que já vivenciou, por isso eu compreendo se você não conseguir aceitar minha carta ainda. Mas eu preciso te avisar: um dia, em outra fase da sua vida, haverá uma outra “você” que compreenderá cada palavra que eu escrevo aqui. No momento, o que quero não é que concorde comigo, nem que sinta empatia por mim. Só o que eu quero é que você saiba que eu te entendo.
 
Entendo quando você se olha no espelho e se acha desinteressante. Não, você não é. Mas eu sei que você aprendeu a acreditar que essa é a verdade. Te ensinaram isso. E certas coisas, por termos aprendido de uma forma tão aguda, para nós parecem naturais e corretas. Mesmo que elas não sejam, de forma alguma.
 
Também entendo a forma como você vê o mundo e as pessoas. Sua dificuldade de identificação com algumas coisas e os ideais que você formou ao redor disso. Sei que ainda é difícil para você abraçar as irmãs que agem e pensam de um jeito diferente do seu. Você ainda não vivenciou a sororidade*, por isso eu sei que você pode não ser ainda capaz de empregá-la.
 
E, acima de tudo, entendo que você não me entenda. Porque eu sei que não foi por mágica que você chegou ao ponto em que está agora, então também não será assim que sairá dele. Tudo ao seu redor construiu sua mente agora, assim como construiu a mente de muitas das nossas irmãs. Eu as entendo.
 
E justamente por entender tudo isso eu estou aqui, te dando hoje o abraço que ninguém te deu ainda. Não, não é um abraço de autocompaixão, mas de pura e sincera compreensão. Pode parecer inútil fazê-lo agora que você não existe mais (a não ser na memória do que eu fui um dia). Mas, simbolicamente, eu quero que esse abraço se estenda além de você.
 
Quero que ele chegue a cada uma das meninas que ainda são como eu era quatro anos atrás. Meninas que ainda não receberam esse apoio de uma irmã. E que elas saibam que eu as entendo. E quero que, um dia, elas também possam escrever esta mesma carta a uma versão passada de si mesmas. Porque seguir em frente é aceitar o que já fomos.
Assinado: Você, sabe.
 

*Sororidade: sentimento de amor e união entre mulheres, formando uma grande irmandade feminina.