Eu ainda estou aqui

 

                                            Foto: Tumblr

É tão difícil se libertar dessa situação de não se pertencer a nada, os anos passam e não sou mais uma criança, já era para eu ter me encontrado, e realmente me encontrei, mas não acredito que eu mesma me aceite totalmente.

Considero-me uma pessoa bem resolvida, e bem desconstruída, mas ainda tenho resquícios de uma sociedade que cria as mulheres para odiarem a si mesmas. Não me sinto encaixada, nem feliz com o meu corpo, possuo inseguranças de carreira e não me acho adequada o suficiente para muitos aspectos.

Vejo mulheres que nem imaginam a sua própria capacidade de brilhar por inseguranças incutidas em seus inconscientes, assim como eu sinto minha criatividade e motivação sendo reprimidos por uma sociedade completamente fechada para emponderamento de ideias. Por mais que tenhamos avançado e conquistamos cada vez mais espaço, eu me sinto ameaçada pela a vida em sociedade, ver um grande ator assumir um assedio sexual e continuar sendo protegido por muitos, me assusta.

Ligar a televisão e ver o corpo da mulher como um objeto usado para agregar valores a um homem me desmotiva, sinto como se essa situação nunca fosse mudar, como se estivéssemos estática nessa porra de era dos retrocessos.  Pode parecer besteira, mas me sinto presa no meu próprio corpo, uma alma liberta grudada em um uma carne que me judia, presa e intoxicada em um corpo mundano que ainda é obrigada a sobreviver nesta equação insolúvel.

Tenho medo de nunca me encontrar neste mundo, e mais medo ainda de me encontrar, queria deixar minha solidão de lado, mas ao mesmo tempo não quero me tornar parte desse pesadelo, nem compactuar com esse espiral de silencio sufocante.

Eu não mereço descontar um ódio que não é meu no meu próprio ser, não tem culpa dos absurdos impostos a mim.  Tenho meu próprio poder, e francamente, tenho tudo que eu preciso para me fazer feliz, e me satisfazer no aspecto que for.

Não vale a pena se padronizar, fingir sorrisos, abaixar a cabeça para as agressões que somos expostas todos os dias direta e indiretamente. Lutar vale a pena, porque independente do jeito que somos se andarmos unidas o amor, respeito, sororiedade jamais nos faltará.

Nós nos bastamos.

Tem que ser pra sempre?

Imagem: Tumblr

Na nossa condição irracional, impetuosa, e muitas vezes invejosa temos ânsia de um pra sempre.

Seja o que for, temos a ideia de que todas as coisas não possuem a necessidade de fluir mas sim permanecer estáticas em nossas vidas, como se a escolha fosse apenas nossa, ou melhor necessária.

Vi amigas sustentando um relacionamento abusivo, quantos casamentos sem amor, quantos amigos cursando faculdades infelizes por não se identificarem com a carreira escolhida… Pra que?

Pra que relutar com o destino? Pra que sofrer em vão e derramar gotas de vida lutando por um pra sempre que supostamente deixa sua vida mais sólida ou mais “feliz”?

Por que não deixar o curso da vida nos arrebatar, e nos deixar livres, recomeçar do zero, até que por fim nos encontremos com nós mesmos?

Se pertencer talvez seja a missão mais complexa de nossas vidas, vivemos em busca da liberdade, mas talvez não saibamos ser livres, vivemos em buscas de correntes que fazem nossas vidas fazerem sentido sendo que só é possível viver sem correntes.

Não existem segredos para se viver, e nem livro de autoajuda que nos tire do abismo que chamamos de vida.

Opiniões alheias já não acrescentam mais. Relacionamento bengala, amizade interesseira, faculdade sem vocação, nada disso é vida! A vida tá no respirar livre, no dormir em paz, no reconhecimento de si mesmo quando olha para trás e possui orgulho do caminho seguido.

Só você pode se fazer feliz, e só você é pra sempre seu.

Desculpa, mas é um simples desabafo.

Hoje cheguei em minha cidade natal para matar a saudade que sinto da minha família. Sempre que vou visitá-los acabo saindo para passear  com alguém, e dessa vez não foi diferente, sai com minha vozinha e uma de minhas primas.

Entre uma sessão e outra do supermercado, o assunto que surgiu foi o casamento da minha tia, que está muito próximo, e a necessidade de encontrar uma roupa que esconda todas as nossas gorduras. Nossa família só tem gordas e a preocupação em se boicotar é constante, principalmente com minhas primas adolescentes. Percebi como a festa do casamento aumentou ainda mais a gordofobia existente entre elas, “não tem vestido bonito para mim”, “nenhuma blusa vai esconder que sou gorda”, “vou de calça, para apertar minha barriga”.

Como é difícil ver como elas se menosprezam apenas para agradar toda uma sociedade que não as quer bonitas, mas sim padronizadas e adestradas.

Em uma das lojas em que estivemos paramos para escolher biquínis (o casamento será em um sítio com piscina), aí sim foi um menosprezo total. Não é fácil transmitir amor próprio, na verdade isso é impossível, não podemos transferir. Porém, a desconstrução que eu tenho cada dia mais não as alcança da mesma forma.

Estar de acordo com o que os outros querem é prioridade, cabelo liso e longo, corpo sarado, roupas da moda. Não conseguimos ser nós mesmos no dia a dia, imagina em uma festa de casamento? Onde tudo é  milimetricamente criticado.

Isso foi mais um desabafo eu acho, bem diferente dos textos que procuramos oferecer à vocês. Desculpe por isso, é que me canso do mal que provocam em mim e em todas as mulheres do mundo.

Felicidade – Por Luara Alves de Abreu

 

Já fazem alguns dias que sinto vontade de transbordar para as palavras um sentimento que sei lá ao certo o que é. Talvez gratidão.

Há tempos não me sentia assim, tão satisfeita com tudo, tão contemplando o mundo… Por ora até me escapa alguma lágrima involuntária, mas em momento algum é de tristeza. Combinaria mais com um excesso de transbordar, acho que é isso. É permitir-me.

Hoje vi um parque com cheiro de infância. Daqueles de cidade pequena sabe? Cheio de luzes coloridas. As luzes do parque fizeram acender em mim cores que eu mal sabia que tinha… Ah, que graça elas são!

Os gritos misturados com risadas e gente saindo daquele lugar com algodão doce na mão me fizeram lembrar o quão efêmera é a felicidade. Talvez dure o segundo de um dos brinquedos quando está parado no ar de ponta cabeça ou talvez dure os minutos enquanto se dissolve na boca o açúcar do algodão.

Não sei se é a chegada da primavera, se é a tensão pré-menstrual… Só sei que hoje fiz de mim parque. E só torço para que valha a pena o preço do ingresso. Que seja doce como o algodão e leve como a brisa que bate na nuca quando o brinquedo vira. Que seja. E assim seja!

O tratamento da auto estima e a saúde do bem estar pessoal

Imagem/Google

De acordo com os dados do Instituto Nacional do Câncer – INCA, a estimativa de novos casos de neoplasia mamária são de mais de 50.000 mil ao ano, acarretando de forma mais comum entre mulheres, apesar de afetar 1% dos homens na avaliação total de casos da doença.

O câncer de mama é umas das causas que mais matam mulheres no Brasil, entretanto, Flávia Flores, ex-modelo de 37 anos, saiu dessa estatística e agora ajuda a outras mulheres a lidarem com os desafios da doença, e entre eles, a baixa auto estima, mantendo um blog de moda e beleza para mulheres que enfrentam o câncer. A ex-modelo descobriu a doença em outubro de 2012 e acabou deixando São Paulo para voltar para a cidade natal, visando se tratar perto da família que vivi em Florianópolis.

Imagem/Google

Como sempre foi vaidosa, Flávia optou por auto estima para vencer a doença, e se manteve entusiasmada até mesmo após a retirada das mamas, depois das meses de quimioterapia, que altera a pele e faz perder os cabelos, algo que atormenta inúmeras mulheres que interligam beleza a isso.

E foi essa vaidade que a motivou a criar o blog a três anos atrás, o Quimioterapia e Beleza, que hoje ajuda mais 86 mil seguidores.

Imagem/Google

O blog compartilha das histórias das seguidoras que enviam fotos enquanto estão em tratamento, ou já passaram por ele, mostrando sua luta diária contra a neoplasia. A blogueira também mantém uma rede de doação, o Banco de Lenços, o qual qualquer pessoa pode receber um lenço em qualquer lugar do Brasil, basta se cadastrar no blog, tudo isso de graça, inclusive a entrega.

Apesar de Flávia ainda precisar tomar medicamentos, ela voltou para SP e diz completamente feliz e realizada ” Eu acho que sou uma fadinha que realiza desejos, e isso me faz tão bem” finaliza, a fadinha das flores mais que especiais.

+

Você é linda Moça – Por Nathalia Lourenço

Texto escrito pela Nathalia Lourenço para o Elas Por Elas
Era uma vez, uma moça inteligente, divertida, linda, simpática… e insegura.

Não posso nomear a moça, elas são muitas, são minhas amigas, são mulheres que nem conheço, sou eu mesma.

Não sou capaz de contar a quantidade de garotas que conheço que são inseguras, muito inseguras. Também não sou capaz de contar a quantidade de relatos diferentes e ainda assim tão parecidos sobre suas inseguranças.

Ah, moça… se soubesse que isso tudo são armadilhas que colocaram na nossa cabeça…

Desde muito cedo somos ensinadas sobre como devemos nos vestir, falar, como nosso corpo deve parecer. E ai, se foge desses padrões, bom, vão te aconselhar “amigavelmente” a mudar. Afinal, é para seu próprio bem que você seja magra, tenha cabelos lisos, que fale como uma moça deve falar, que se porte como uma dama e outras coisas.

O que as pessoas não percebem, ou resolvem ignorar, é o quanto isso é tóxico, ter que fingir ser quem não se é ou perseguir um ideal de beleza mesmo que isso custe sua saúde.

Pretty Hurts (A beleza dói), música de Beyoncé
Acredito que toda essa exposição do “normal” e padrão na mídia a qual estamos acostumadas seja a maior culpada por toda nossa insegurança.
A beleza é uniformizada, e todas devemos ser assim, idênticas, mesmo que tenhamos um metabolismo ou genética diferentes e outro estilo de vida.
E, supostamente, quando atingirmos esse tão desejado padrão seremos mais felizes do que somos agora.
Sinto muito moça. Sinto muito por terem colocado essas coisas todas na sua cabeça, por terem te feito pensar que não é boa o bastante, linda, inteligente. Sinto muito por não terem te ensinado a se amar, a ver todas as suas qualidades e a ressalta-las sejam elas físicas ou não.
Você é gentil, você é inteligente, você é importante. (Filme: Histórias Cruzadas)

 

Te convido a olhar para o espelho, a enxergar sua beleza e a pensar nas suas qualidades. Pode ser um pouco difícil se não estiver acostumada a se ver dessa maneira, então peça ajuda as suas amigas, com certeza elas saberão te apontar os motivos por você ser bela e especial.

Eu escrevi tudo isso só para dizer que você é linda moça. Acredite.

Acima de sua serei eternamente minha

Acima de sua serei eternamente minha
(Foto: Tumblr)

Sempre fui poliamor e favorável ao poliamor, mas de uns tempos pra cá o apego tomou conta de mim. Posso parecer uma louca desvairada e anacrônica, mas no momento só uma pessoa me faz feliz dentro de uma relação de dependência.

Eu tenho ciúmes sim, medo de perder e vontade de ficar perto do fulaninho a todo o momento e me julguei muito por essa necessidade absurda e metódica de ter e ser completada por um só alguém sendo que existem 7 bilhões de pessoas no mundo.

Apesar das minhas pequenas crises meu amor e desejo não faz com que todas as mulheres do mundo tornem-se minhas inimigas, meu choro de ciúme é pelo medo de perder e não culpa das outras mulheres.

Minha intensidade sempre foi sufocante, e se eu to só com uma pessoa ela terá de mim tudo, mas isso não fará com que eu abra mão de quem eu sou, nem das minhas lutas e ideias, o meu amor anda de mãos dadas com a calmaria de saber que tenho do meu lado um alguém recíproco, que me ama com a minha intensidade e paranoias sem abusar do meu eu.

Eu não quero perder esse alguém, mas também não quero me perder em devaneios de posse e muito menos em histerias sem sentidos. Eu mereço e quero um alguém que me de as mãos nos momentos de desespero, e os beijos mais alucinados nos momentos que o tesão toma conta do meu pequeno ser.

Não desista de mim, mas não espere que um dia eu mude, eu quero você com todos os defeitos e artimanhas que te pertencem, e quero que me queira  inteira, maluca, neurótica, e acima de sua,  minha , toda e eternamente minha.

Precisamos falar sobre depressão

Precisamos falar sobre depressão

 

Escrevi esse texto porque estou cansada de ver gente romantizando depressão.

Vamos lá, depressão é uma coisa séria e não um capricho adolescente, e nem uma invenção para chamar a atenção.

As crises são terríveis a ponto de não permitir que a pessoa saia da cama, se entregue a choros  pouco a pouco perdendo a vontade de fazer qualquer tipo de atividade.

Aceitação e tratamento são o fundamental para a sua vida, a doença em si não te prejudicará em nada, mas o modo que você digere palavras alheias sim.

Não deve ser normal falar para uma pessoa que sofre desse mal que a culpa é dela, que tudo pode se resolver basta querer. Assim como um monstro de mil braços a depressão agarra as vitimas e as sufoca de modo que elas nem ninguém são capazes impedir.

Tenho depressão desde os 16 e sinto crises existenciais constantes, por muito tempo me senti pressionada achando que a culpa era minha, que precisava me render alguma forma, ser grata a minha vida ou simplesmente “parar de frescura” como todos a minha volta recomendava.

Meu recado não é para essas pessoas que por muitas vezes por falta de informação ou simplesmente falta do que fazer recomendam para que pessoas que sofram desse mal simplesmente o deixem pra lá e aproveitem a vida que tem. A única coisa que eu tenho a dizer a pessoas que rodeiam alguém que sofre com depressão é: cuidado com suas palavras, algo que não te fere pode soar brutal a esse alguém, tomar cuidado com as palavras ditas é o mínimo que você deveria ter aprendido com a tia do pré.

Pessoa como eu que possuem o diagnostico, precisam mais do que nunca acreditar em si mesmas, realizar o tratamento e por hipótese nenhuma deixar seu brilho se corromper com amarguras alheias.

A culpa não é sua, e você não tem controle sobre seus sentimentos e tão pouco sobre esse monstro que te rouba à vitalidade, você não precisa da opinião dos outros e tão pouco da pena de ninguém.

Você é bem mais que tudo isso e não precisa de boas palavras e tão pouco de más, só precisa da coragem de ser tudo que és, sem limites, ou mentiras, mas com devaneios, ânsias, amores e loucuras, como qualquer outro ser. Acredite no atual momento estamos todos inabitáveis.

Diferente dos contos de fada: seis livros infantis que vão além de um “felizes para sempre”

O universo infantil é regado de futilidades, princesas de corpos magros e feições delicadas, fadas madrinhas, príncipes encantados que surgem para salvar donzelas submissas e indefesas, além de outros estereótipos “encantados” prontos para modelar crianças para a vida adulta integrada a uma sociedade onde não existe espaço para as diferenças e tão pouco para uma igualdade de gêneros.
Pensando nisso, fiz questão de selecionar seis livros onde contos de fada são desbancados por histórias que realmente possuem algo a dizer.

1-    Malala, a menina que queria ir para a escola
A protagonista da história, além de real dá um exemplo de resistência, luta e emponderamento. Atualmente com 19 anos continua na luta pela a educação das mulheres de seu Pais.

2-    Procurando firme
Conta a história da personagem Linda- flor, uma princesa que deseja bem mais do que um marido e a submissão das regras de seu reino. Seu maior desejo é conhecer o mundo e se aventurar!

3-    Olivia não quer ser princesa
Olivia é uma porquinha irreverente que enfrenta uma crise de identidade infantil. Enquanto todas as suas amigas querem se tornar uma princesa, Olivia sente a necessidade de ser diferente, sonhar sonhos diferentes. Isso faz com que a contestadora porquinha busque alternativas para descobrir o que deseja ser

4-     Quase de verdade
Ulisses é um cachorro que late histórias para a sua dona, entre essas histórias uma aventura que viveu no quintal da senhora Oniria. Lá existia vários galos e galinhas felizes, porém a enorme figueira que tinha inveja de toda essa alegria  estava disposta a tudo para acabar com ela. 
Clarice Lispector mostra de forma suave e infantil  sentimentos humanos.

5-    Cici tem pipi?
Para Max a sociedade  era dividida em pessoas com pipi, que eram mais fortes por terem pipi, e as sem pipi. Até que em um belo dia, uma nova aluna entra para a turma de Max e o deixa intrigado. Cici não desenha florzinhas, joga bola, e anda de bicicleta. Logo o menino levanta a hipótese: Será que Ceci tem Pipi?
A história é incrível e trata as semelhanças e diferenças entre meninos e meninas.

6-    Pippi meialonga

A personagem tem apenas 9 anos, incrivelmente forte, sem pai e nem mãe Pippi aprendeu a ser independente e corajosa desde cedo. Possui sempre a resposta na ponta da língua, além de uma extrema confiança em si mesma.

Por que sair de um relacionamento abusivo não é tão simples quanto parece? – Por Luiza Pion

Reprodução/Internet
Eu escrevo esse texto por três motivos: porque eu já estive em um, porque minhas amigas já estiveram/estão em um e o mais importante: porque sempre vejo muitos julgamentos entorno do que é estar em um.
Quantas de nós já não ouviram coisas do tipo: “Você está nessa situação por que quer.”, “Você gosta de sofrer?”, “Você é cega?”, “Será que você não percebe o que está acontecendo?”. Dentre muitas outras perguntas que nos são feitas no intuito de ajudar, mas, que na verdade só nos magoam ainda mais. Como diria a brilhante Jout Jout sobre relacionamentos abusivos; “Uma parte de você sabe, mas, você meio que não sabe ao mesmo tempo.”(Para quem não conhece o vídeo, clique aqui)
Mas, a questão é: “Se sabemos, não deveria ser fácil então dar um basta?”. Bom, deveria, mas não é. Usando meu relacionamento abusivo como exemplo, e analisando outros relatos que já ouvi, não é tão simples acabar com um relacionamento assim por inúmeros fatores, vou citar alguns que eu considero os principais:

Você demora a acreditar que a pessoa que você ama não te ama também.


Cada um tem sua forma de demonstrar amor, carinho e afeto. Ok. O ponto é que; por estarmos muito envolvidas naquela situação, não percebemos que a pessoa com quem estamos, demonstra através de censuras, descasos, violência verbal e/ou física, ignorar nossas necessidades, além de muitas outras formas de abusos, não se importar conosco e com nosso bem estar. Então, começamos a nos enganar para justificar aquela situação: “Ele é assim mesmo.”, “Ele não estava num dia bom”, “Ele não foi acostumado a pedir desculpas.”, “No fundo ele também estava sofrendo.”


Ele te faz crer que a culpa é SUA, e assim você começa a aceitar que é mesmo.


Usando um exemplo pessoal, muitas vezes meu ex me tratou mal, mas não deliberadamente, e sim de uma forma muito articulada, para que eu acreditasse, que se ele estava agindo daquela forma, bom, alguma coisa EU tinha feito. Óbvio, que erros todo mundo comete na vida, e não estamos isentos de irritar alguém uma vez ou outra. Só que quando se trata de relacionamentos abusivos, não percebemos de forma clara como as situações são sempre projetadas para o nosso comportamento, por exemplo: “Eu desligo o telefone na sua cara, porque você chora demais”, “Eu não vou mais sair com você, você é muito histérica”, “Você é a pior mulher de todas” (sim, isso já foi me dito).
E é aí que ao invés de nos perguntamos: mas eu SOU assim, ou eu ESTOU me sentindo assim por algum motivo? Com quem me trata bem, eu ajo da mesma forma?, Eu tinha esse comportamento antes de conhecê-lo? Nós começamos a pensar: “puxa, ele tem razão, vou me controlar mais.” Mas depois de dias, meses ou até anos, nos damos conta de que nunca é o suficiente.

No fundo, você acredita que o amor cura tudo.


Desde nossa infância, a maioria de nós (mulheres) éramos educadas para sermos, gentis, dóceis, amorosas e prestativas. (algumas não foram criadas assim, e outras simplesmente não têm todas essas características, mas vou abordar o que acontece na grande maioria das vezes). Crescemos com o nosso imaginário sendo moldado para que não importa o que aconteça, no fim, o amor triunfará. Isso está nos filmes, nas novelas e nos milhares de livros de auto-ajuda que em sua grande maioria são destinados a nós. Nós temos uma imensa variedade de textos nos dizendo como deveríamos agir para conquistar o homem amado, (até nas revistas voltada paras as adolescentes), enquanto que para o gênero masculino, esse tipo de “manual sobre o gênero oposto” é ínfimo.
Sendo assim, é muito difícil dar um basta em algo que no fundo, você acredita que possa dar certo. Isso se aplica até a aquele emprego que você detesta, ou aquela faculdade que você não suporta, mas, permanece, porque tem a sensação de que um dia tudo vai melhorar. (Ainda assim, outros tipos envolvimentos, como faculdade ou emprego, por exemplo, geralmente, dependem SÓ de você e do seu comportamento para prosperar. O seu relacionamento não, ele depende de DUAS pessoas. E infelizmente, nos esquecemos disso.). Dessa forma, tentamos amar por dois. Conciliar por dois. Conversar por dois. Entender por dois.

Como sua auto-estima foi bombardeada com negatividade, você sente que ninguém mais vai te dar uma chance “como ele deu”.


“Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade” – Joseph Goebbels. Essa frase dita Goebbels, traduz o que acontece na nossa mente, depois de se incutir uma ideia várias e várias vezes. (Para quem não sabe, Joseph Goebbels era ministro de propaganda de Adolf Hitler.).
Logo, se é possível “moldar” o pensamento de milhares de pessoas, usando um ideal, também moldamos os nossos, quando sofremos abusos de nossos parceiros. Começamos a nos questionar, quem mais poderia ficar conosco, se somos assim tão: “loucas”, “gordas’, “burras”, “histéricas”, “choronas”, “____insira aqui mais adjetivos depreciativos que eles dizem___”. Dessa forma, começamos a acreditar que é melhor estar com alguém mesmo que te trate mal, AINDA está contigo.


Depois de um tempo, ele parece ter melhorado (mas só parece).


Isso acontece muito depois de um término, um tempo, ou uma briga muito feia. Ele depois de um tempo, parece ter finalmente assimilado que as coisas estavam ruins, e que a partir de agora ele vai fazer de tudo para que nada daquilo se repita, e fique agradável novamente. Isso também aconteceu comigo, depois de um ano, meu ex voltou querendo falar comigo, parecendo realmente muito arrependido do que aconteceu. Não deu duas semanas e ele voltou a me tratar mal novamente, e agir como um completo egoísta. O porquê de isso acontecer? Bom, eu não sei dizer o que se passa na cabeça alheia, e meu texto nem está aqui pra isso. Está aqui para dizer: não se culpe caso isso tenha acontecido. Mesmo que essa chance tenha sido dada muitas vezes. Como eu disse, quando nós realmente queremos acreditar que tudo vai ficar bem, às vezes, é só de uma promessa (mesmo que falsa) que um coração machucado precisa.

Ele te ameaça.


Você já percebeu que há algo errado, e conseguiu ter forças para acabar com o relacionamento. No entanto, você começa a receber ameaças para que mude de ideia: “Eu vou aparecer no seu trabalho.”, “Eu vou me suicidar se você fizer isso.”, “Eu vou tomar os seus filhos.”, “Se você fizer isso, eu nunca mais vou te deixar em paz..”. E como obviamente você não quer que nada disso aconteça, você desiste do término e permanece.
Portanto, eu escrevi esse texto não só para ajudar as minas que estão passando por isso, mas para principalmente dizer: tentem não julgar. Eu sei que é difícil, e às vezes eu mesma caio nessa armadilha. Se essa mina é sua mãe, filha, amiga, irmã, colega… Não aponte o dedo, fazendo-a se sentir (mais) culpada por não conseguir sair de um relacionamento. Veja, bem, meu texto de forma alguma, está aqui para apoiar, ou incentivar as minas a continuarem em relacionamentos abusivos, muito pelo contrário. Eu citei quatro possíveis justificativas, mas, eu tenho certeza que existem muitas outras. Às vezes ela simplesmente não tem forças, por estar extremamente deprimida, não tem informação, não tem apoio, está sendo ameaçada… Então se você se encontra nessa situação, não vou terminar esse texto com a frase: sai logo dessa. E sim: um dia você vai sair, mas enquanto esse dia não chega, estaremos aqui.
 Ps1: Meu texto foi baseado em relacionamentos heterossexuais, homem (cis) (abusivo) – mulher (cis) (“vítima”), mas, eu sei que existem outros tipos de relacionamentos em que o abuso também acontece. Escolhi falar sobre esse parâmetro porque é onde muito vejo mais relatos e vítimas, principalmente pelo machismo tão claro na nossa sociedade.
 Ps2: Se você não se sente a vontade com seu relacionamento, procure ajuda. Converse com alguém, existem diversos tipos de terapias que você pode procurar para recuperar sua auto-estima. Em casos de violência, ligue 180.

Quem escreve

Luiza Pion, estudante de produção cultural, aquariana, feminista, idealista e empreendedora. CEO da Dulce Tangerine. Acredita que a arte pode mudar o mundo.