A história de hoje é…

Laura

Primeira Parte

A dúvida toma conta de cada passo que dou. Talvez eu devesse ter dado ouvidos a Tia Marli, ela estava certa, vir aqui foi um erro.

_ Boa noite senhorita, posso apanhar o seu casaco?

_ Ah sim, obrigada.

_ Adessa, você veio!

Tudo o que eu queria era chegar e ficar escondida em um canto, mas com essa sorte que tenho, claro que a escandalosa da Lola seria a primeira a me notar.

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O feminismo e o ensino fundamental

 

Imagem reprodução/internet

 Muito tem se falado sobre feminismo nos últimos anos. O movimento cresceu assim como o ódio por ele.

Mas em dias em que meninas ainda na infância são alvos de pequenos gestos machistas, de opressões mascaradas de brincadeiras e baixa estima, precisamos mais do que nunca iniciar ainda mais cedo a educação aliada ao feminismo.
E eu explico.

Em algumas escolas da região, meninas são obrigadas a passar parte do intervalo, recreio, ou chame como quiser, sentadas para que os meninos possam correr livremente, sem as tocar, sem as observar ou fazer “brincadeiras” sobre seus corpos ainda em formação.

Em algumas escolas é ensinado às meninas que devem se omitir perante os meninos. Que devem não se misturar, não devem fazer as mesmas atividades porque não são apropriadas para meninas.

Como se isso já não fosse ruim, as meninas são as únicas que sofrem a ditadura do uniforme, a advertência pelo tamanho do short, a pressão para estarem sempre alinhadas.

E tem mais: em casa, a rotina dessas meninas não muda. Pois os pais, por hora despreparados, incentivam a anulação das meninas, bem como romantizar os relacionamentos abusivos de desde a infância da criança.

Percebemos que as escolas que se intitulam a extensão de nossas casas, tomaram como regra punir as meninas por serem mulheres. Ora, é mais fácil do que ensinar o respeito aos meninos, afinal eles são homens. É isso é normal, não é?

Se um colega bate em você, isso é sinal de que ele te ama. Se ele puxa seu cabelo é demonstração de carinho. Se ele te zoa no intervalo é porque secretamente é apaixonado. Se ele passa a mão em seu corpo sem a sua permissão, você devia agradecer por ele te achar linda.

Esse tipo de atitude reforça o machismo e seus privilégios. Esses meninos precisam aprender que ser criança não invalida a crueldade de seus atos. E é na escola onde a gente começa a nossa formação social. É na escola que aprendemos como ser indivíduos de uma sociedade. E é nesta mesma escola que todos deveriam se sentir seguros e confortáveis, independente de sua condição sexual ou gênero.

Isso só vai mudar quando ensinarmos nossas meninas a não se calar. Quando ensinarmos que elas são mais especiais e importantes do que está refletido em um espelho. Que elas podem e devem experimentar toda e qualquer atividade escolar, desde o futebol até a horta comunitária. Que elas não vieram ao mundo para servir e sim para somar. Que elas são lindas, cada uma com sua característica, e que ninguém que diga o contrário deve ser levado em conta.

Isso vai mudar quando meninos, homens, forem punidos por invadir os corpos das nossas meninas. Quando forem punidos por agredirem e violarem o espaço delas. Quando entenderem que mulheres devem ser respeitadas. Quando pararem de responsabilizar as mulheres pelos seus atos.

Temos um longo caminho. Mas pra começar precisamos apenas de um passo.

A Rainha de Benguela

Imagem: Google/internet

     Existem heroínas os quais merecem igualmente o nosso reconhecimento assim como as que vemos em quadrinhos e séries de televisão, e uma delas é Teresa de Benguela.

     Mulher negra e forçada a escravidão como muitas no século 18 ( vide  Dandara e Aqualtune já citadas), com a morte de seu marido, José do Piolho, comandara o Quilombo do Piolho ou dp Quariterê, localizado no atual estado do Mato Grosso, entre o rio Guaporé e a atual cidade de Cuiabá.

     Conhecida como Rainha Teresa, negros e indígenas faziam o uso da plantação de algodão – privilégio dos senhores do engenho – para a produção de tecidos, e também do uso da agricultura, cultivando desde milho a mandioca.

     Quando o Quilombo foi destruido pelos homens de Luiz Pinto de Souza Coutinho em 1770, população de 79 negros e 30 índios, rumores que Benguela cometera suícidio ou foi morta por uma doença jamais foram confirmados. Teresa manteve um sistema de trocas de  armas com os brancos resgatados de vilas próximas, transformando os objetos de ferro em instrumentos de trabalho, pois os quilombos da Benguela possuíam exímio dominio da forja. 

     Dia 25 de julho foi instituído pelo Brasil e pela Lei n. 12 987 como dia nacional de Teresa de Benguela e dia da Mulher Negra.

A princesa à frente de 10 mil

Possível registro de Aqualtune

Aproveitando o mês da visibilidade negra, mas um ícone de resistência histórica será enaltecido, e esse ícone é Aqualtune, a princesa do Congo, que no ano de 1665, Aqualtune comandou um exército de 10 mil soldados congolenses contra uma invasão – alguns dizem que de portugueses colonizadores, outros de uma tribo inimiga. Todavia, infelizmente perdeu, sendo capturada e seu pai, o rei do Congo, morte e tendo sua cabeça exposta em praça pública.

Sendo levada até o forte de Elmina na época, em Gana, foi batizada por um padre católico e marcada a ferro com uma flor acima do seio, acabou sendo vendida como escrava reprodutora. Desembarcando em solo recifience, acredita que tenha chegado já grávida de outro negro escravo, pois havia sido estuprada diversas vezes durante sua travessia no mar. Ao chegar ao Recife, Aqualtune tentou se jogar no oceano, na tentativa de voltar para a sua já muito longica terra natal.

Ouvindo falar do ” Reino dos Palmares” já num estado avançado de gravidez, a princesa se juntou a um grupo de escravos que iria destruir a Casa Grande e fugiu para Palmares, chegando por lá com mais de 200 refugiados, tendo sido reconhecida sua origem real.

Dando a luz ali a dois dos maiores lideres do Quilombo dos Palmares: Ganga – Zumba e Ganga Zona, conhecidos por sua liderança e coragem, Aqualtune deu a luz também a Sabine, mãe de Zumbi dos Palmares.

Sua morte possui muitas controvérsias, alguns dizendo que ela foi queimada durante as expedições e outros que ela conseguiu escapar e morreu de velhice anos depois, mas de uma coisa a história esta certa, Aqualtune, princesa do Congo, deve ser lembrada como um grande ícone feminino de resistência até a atualidade.

Incorporando o vísceral na pintura

Desde que eu entrei no movimento feminista e agreguei isso tanto a minha vida quanto em internet, tenho ganhado uma enorme soma de amigos maravilhosos – awoman – e um desses foi o Juno Lavigne.

Homem trans e dono muito recentemente da page Juno Dexter – Art , fui arrebatada muitas vezes pelos seus textos didáticos e esclarecedores sobre inúmeros aspectos de seus transtornos neuroatípicos, como autismo e disforia corporal, e por sua arte, que expõe seus sonhos mais intrínsecos e perturbadores, revelando mesmo que indiretamente e não plenamente a sua verdadeira face e vivência como pessoa transgênero, algo que ele transmite através de suas pinturas sem querer falando coisas muito íntimas aos espectadores; algo muito pessoal, que para os mais sensivéis desenvolve certa estranheza e simpatia as obras que abusam do vermelho e tons mais escuros por motivos óbvios, para quem acompanha suas postagens.

Vide algumas perguntas sobre as influências do seu trabalho e sentimentos sobre o mesmo:

>  Como surgiu seu primeiro quadro?

Mano, eu não sei, na real eu sempre gostei de arte, e meu pai sempre me estimulou a desenvolver isso, assim, na real meu primeiro quadro eu devo ter feito antes de completar 4 anos -e vou aproveitar pra lembrar que deve ter ficado uma merda, anyway, eu só comecei a levar minha arte a sério de verdade ano passado, quando eu percebi que passar meus sonhos pro papel não era uma “brincadeira” (risos).

> Que relação seus quadros possuem com os seu autismo e outros “transtornos”  neuroatipicos? E com a sua transexualidade?

– Isso depende, cada quadro tem uma relação muito íntima com uma ou mais questões muito intrínsecas de mim, alguns quadros eu mostro pessoas com os seios mutilados e feridos, eles podem representar minha disforia (na vrdd vc precisaria ser cego pra não entender que se trata de uma pessoa disfórica na imagem ), assim como eu tenho quadros que falam de crises, auto-mutilação etc, figuras com rostos cansados, sangue, lâminas e presas em camisa de força tão aí pra representar essas questões
O que os quadros mostram é só uma mistura, na verdade, de todos os meus sonhos e sentimentos, que foram de alguma forma “cuspidos” no papel. Uma vez que a arte é o que eu tenho feito pra não me matar no fim do dia, a relação que minhas pinturas possuem com meus transtornos e minha transexualidade é essa: eles impedem que a depressão e a disforia me consumam até o ponto de o pior acontecer. E quanto ao autismo, bom, ele na verdade me ajuda a querer pintar mais e mais.

 

 

> Você acha que seus quadros merecem ganhar um grande reconhecimento ou são só um hobbie seu mesmo?

–  Mano, isso é meu trabalho (risos) é o que eu pretendo fazer no futuro, eu não sei se sou a pessoa mais apta a dizer se eles merecem um grande reconhecimento porque minha relação com eles é muito pessoal, o que eu vejo não é nada do que você vê. Você pode ver um menino disfórico e com problemas de auto-imagem e auto-mutilação ou qualquer outra coisa, pode ver só quadros bonitos e um bom uso dos elementos dos quais a arte dispõe, mas man, quando eu olho pra um desenho meu, eu revivo tudo que me levou a fazer ele. Então sim, eu acho que a minha arte é boa e merece o devido reconhecimento, mas eu não sei se posso ditar quanto reconhecimento eu mereço ou não, porque eu estou envolvido demais com minha obra, de uma maneira que não consigo julgar ou, de alguma forma, dar uma opinião realista e imparcial.

> Você acha que esta passando um recado para as outras pessoas? E se não, que recado você queria passar sobre transexualidade e transtornos neuroatipicos para as pessoas?

– Eu não sei se estou passando algum recado, eu não penso em passar nada específico quando eu faço meus quadros, eu simplesmente reproduzo um monte de sonhos e sentimentos, e eu acho que a interpretação disso, tipo… bom, é claro que a MINHA interpretação sendo tão abstrata e pessoal não vai ser a interpretação universal, isso simplesmente vai caber a cada um né, a única coisa que eu procuro passar pra tela é o sofrimento, meio cru até, porque é a única maneira que eu tenho de “tirá-lo” de mim naquele momento. Então… eu não estou tentando dizer alguma coisa específica com esses quadros, eu só estou pintando.

Precisamos falar sobre depressão

Precisamos falar sobre depressão

 

Escrevi esse texto porque estou cansada de ver gente romantizando depressão.

Vamos lá, depressão é uma coisa séria e não um capricho adolescente, e nem uma invenção para chamar a atenção.

As crises são terríveis a ponto de não permitir que a pessoa saia da cama, se entregue a choros  pouco a pouco perdendo a vontade de fazer qualquer tipo de atividade.

Aceitação e tratamento são o fundamental para a sua vida, a doença em si não te prejudicará em nada, mas o modo que você digere palavras alheias sim.

Não deve ser normal falar para uma pessoa que sofre desse mal que a culpa é dela, que tudo pode se resolver basta querer. Assim como um monstro de mil braços a depressão agarra as vitimas e as sufoca de modo que elas nem ninguém são capazes impedir.

Tenho depressão desde os 16 e sinto crises existenciais constantes, por muito tempo me senti pressionada achando que a culpa era minha, que precisava me render alguma forma, ser grata a minha vida ou simplesmente “parar de frescura” como todos a minha volta recomendava.

Meu recado não é para essas pessoas que por muitas vezes por falta de informação ou simplesmente falta do que fazer recomendam para que pessoas que sofram desse mal simplesmente o deixem pra lá e aproveitem a vida que tem. A única coisa que eu tenho a dizer a pessoas que rodeiam alguém que sofre com depressão é: cuidado com suas palavras, algo que não te fere pode soar brutal a esse alguém, tomar cuidado com as palavras ditas é o mínimo que você deveria ter aprendido com a tia do pré.

Pessoa como eu que possuem o diagnostico, precisam mais do que nunca acreditar em si mesmas, realizar o tratamento e por hipótese nenhuma deixar seu brilho se corromper com amarguras alheias.

A culpa não é sua, e você não tem controle sobre seus sentimentos e tão pouco sobre esse monstro que te rouba à vitalidade, você não precisa da opinião dos outros e tão pouco da pena de ninguém.

Você é bem mais que tudo isso e não precisa de boas palavras e tão pouco de más, só precisa da coragem de ser tudo que és, sem limites, ou mentiras, mas com devaneios, ânsias, amores e loucuras, como qualquer outro ser. Acredite no atual momento estamos todos inabitáveis.

A atual literatura russa tem rosto de mulher: um pouco sobre Svetlana Alexievic

                                                                 

                                      Foto: Divulgação



Com suas obras engajadas e revolucionárias,Svetlana  Alexievich. É a segunda homenageada da Flip deste ano (festa literária que começará no próximo sábado em Paraty)

Assumidamente feminista, a jornalista e escritora possui obras diferencias que vão muito além de uma crônica ou um trabalho documental jornalístico, seus livros possuem um tom revolucionário e amostral que fazem sua escrita única.

A bielorrussa venceu o premio Nobel, sendo a 14ª mulher a ser reconhecida na história da premiação, com a obra “As vozes de Tchernóbil”. O livro soa como um coro de choro sofrido, reunindo depoimentos tocantes e por muitas vezes desesperadores de homens e mulher que sofreram com o desastre radioativo.

Já em sua obra recém-lançada “A guerra não tem rosto de mulher” Svetlana estampou o protagonismo feminino no exercito vermelho durante a segunda guerra, mostrando que a mulher estava presente mesmo em um uma situação que é sempre ligada ao sexo masculino.

Com um trabalho que discorre através da crônica habitual até a literatura engajada, aos problemas e conflitos da antiga URSS, até os problemas que afetam sua nação atualmente, seus livros são fundamentais para quem possui interesse por história, engajamento feminino e protagonismo proletário.

O casamento entre a hipocrisia e o preconceito

Ontem à tarde, ao entrar no ônibus, me deparei com uma conversa que estava acontecendo no banco de trás, que chamou muito minha atenção (não que eu fique prestando atenção em conversa de ônibus). O diálogo se passava entre um pai e sua filha: 
“_ Mas pai, não tem problema algum. Tem tanta gente por aí que tem tatuagem.
_ Você não é ‘tanta gente’! Não vai fazer tatuagem nenhuma.
_ Mas…
_ Gente tatuada tem problemas para arrumar  emprego, é chamado de maloqueiro, vagabundo ou bandido. A pessoa pinta o corpo, achando que é bonito, que é ter personalidade própria, ser diferente e mais um monte de outras coisas. Mas depois que amadurece vê que é a maior burrice. Que não trás nada de bom. Só atrapalha…”
A conversa continuou, mas eu havia chegado em meu ponto e tive de descer. Só que antes eu me virei para dar uma olhada nas pessoas que conversavam; uma menina de aparentes 14 anos e um pai com um dragão vermelho desenhado no braço esquerdo! o.O
Aquela imagem me fez rir, mas um riso de espanto. É incrível como a hipocrisia, a intolerância e o preconceito estão muito mais perto e presentes do que parece. Como alguém que se tatuou é capaz de dizer ao filho que isso é uma “burrice”? O homem praticamente disse que, quando crescemos, nos entregamos aos preconceitos da sociedade. Ele se assumiu um ser humano incapaz de se manter naquilo em que acredita, preferindo se curvar ao controle imposto pelos intolerantes.
E não é apenas com tatuagens, pensamentos como os dele estão ao montes por aí, acontece com muitas outras pessoas. Um padre que não respeita as crenças de um monge; um branco que se acha melhor que um negro; ou um negro que pensa ser mais que um branco; uma bailarina que critica um estilo de dança diferente do dela (e esses são exemplos até “pequenos”), enfim, um infinito número de hipócritas preconceituosos existentes ao nosso redor.
É incrível como podemos nos achar no direito de criticar alguém sem antes olhar para os próprios erros… Não, ‘erros’ não é a palavra, afinal de contas, ter uma visão diferente das coisas não é um erro. Criticamos sem considerar nossas próprias atitudes. Aquele homem do ônibus já agiu de uma forma que, hoje, condena de forma agressiva, contribuindo para a dissipação de discursos ofensivos contra quem é diferente, contra ele mesmo.
Inacreditável como é gigantesca a ‘habilidade’ que alguns homens possuem para ser hipócritas e cínicos. Não importa o que ele tenha feito ou venha a fazer, o problema se dá quando outros estão fazendo. Somos capazes de enxergar erros nas atitudes de quem está ao nosso redor. E, na maioria das vezes, temos uma atitude igual.
A verdade é que deveríamos abrir nossos olhos e mentes. É óbvio que não somos iguais, com diferentes ideias, gostos, atitudes, crenças, tipo físico. E, pelo que parece, uma outra coisa que é muito igual é a ignorância humana. Quanto tempo teremos de esperar para enxergarem que esse é o motivo das tristezas que assolam nosso mundinho?

A propósito, vou fazer ,minha primeira tatuagem! E meu pai pensa como o pai do ônibus.

MEU REAL – PARTE 1

Reprodução/Ultra Curioso

 
Ao chegar da noite, ela sempre corria para as estrelas.

Céu escuro, nenhuma nuvem, a bela lua, os astros reluzentes,… esse era o seu cenário preferido. A noite, as árvores e ela. Era assim que se sentia a vontade para se abrir. Talvez porque as estrelas, ao ouvirem seus desejos, não a criticavam. Ao contrário, elas cintilavam juntamente com o seu olhar.

Você não deve estar entendo, vou começar do início. Era uma vez…

Uma garota cheia de medos, sonhos, limitações, planos e dúvidas. Principalmente dúvidas! Ela não sabia quem queria ser, aliás, ela queria ser muitas pessoas. O que ela não sabia é quem era de verdade.

Não lhe faltavam inseguranças. Daí todo aquele receio em se mostrar, era melhor ser como todos eram, como todos queriam que fosse. Por isso, ao chegar da noite ela corria para as estrelas, pois elas sabiam ouvir todos os seus anseios. A lua iluminava seu coraçãozinho sonhador. Era apenas com aquelas amigas que ela se sentia segura para “se sentir” de verdade.

Mas era necessária uma mudança, uma libertação, ela precisava sair das sombras dos outros, precisava se libertar do medo que sentia dos outros.

Esse dia chegaria. O momento certo em que as estrelas a levantariam alto o suficiente para que todas as galáxias ouvissem quando ela gritasse: 

 _ Essa sou eu, isso faz parte de mim. Ninguém me impedirá de ser/fazer o que amo. Nem eu mesma!

Entendendo melhor o que é esse tal de feminismo intersecional

Reprodução/Pinterest

Atualmente, temos visto várias vertentes do feminismo sendo citadas em conversas. A que eu vou tratar com vocês hoje é o termo Feminismo Intersecional.


Esse termo é cunhado pela professora norte-americana Kimberlé Crenshaw em seu livro e ela o define como:

A visão de que as mulheres experimentam a opressão em configurações variadas e em diferentes graus de intensidade. Padrões culturais de opressão não só estão interligados, mas também estão unidos e influenciados pelos sistemas intersecionais da sociedade. Exemplos disso incluem: raça, gênero, classe, capacidades físicas/mentais e etnia.

Para entenderem um pouco melhor sobre o que estamos falando, vou explicar da seguinte forma, intersecionalidade fala sobre como os diferentes tipos de discriminação interagem. Não há um tipo de feminismo tamanho único e tanto as campanhas feministas como as antirracistas tem deixado as “mulheres de cor invisíveis na visão geral”. 

Por exemplo, eu sou uma mulher negra e, como resultado, enfrento tanto o racismo como o sexismo ao caminhar em minha vida cotidiana. E nunca essas duas formas de discriminações passaram de forma separada em minha vida.


Kimberlé Crenshaw em foto do seu twitter oficial
                             

Acho importante esclarecer, para uma melhor compreensão, que o termo foi utilizado inicialmente para verificar a aplicabilidade do feminismo negro em leis anti discriminação. Crenshaw citou em uma palestra o caso de Degraffenreid vs General Motors, em que cinco mulheres negras processaram a GM por discriminação de raça e gênero. “O principal desafio da lei é a forma como foi fundamentada, porque a lei anti discriminação olha para raça e gênero como elementos separados”, diz ela. “A consequência disso, é que as mulheres negras americanas — ou quaisquer outras mulheres não-brancas — vivem a experiência de uma discriminação por sobreposição ou conjunta. A lei, inicialmente, não estava lá para vir em sua defesa”.


A principal coisa que a ‘intersecionalidade’ está tentando fazer, eu diria, é evidenciar que o feminismo, que é em certos discursos excessivamente branco e classe média, representa apenas um tipo de ponto de vista — e não reflete sobre as experiências de diferentes mulheres, que enfrentam múltiplas facetas e camadas presentes em suas vidas.

Falando como exemplo pessoal, quando o racismo é levantado no feminismo, ele acaba sendo tratado da mesma forma de quando esse tema é proposto em qualquer outro espaço de debate. Os discursos banais habituais são usados ​​e a acusação de “dividir o movimento” é muitas vezes atirada ​​ao redor.

Então, existem muitas opiniões acreditando que até que o movimento feminista majoritário comece a ouvir os diferentes grupos de mulheres dentro dele, ele corre o risco de se tornar estagnado e não será capaz de seguir em frente. O único resultado disso é que o movimento torna-se fragmentado e continuará a ser menos eficaz.