Lotte Reiniger


Acho incrível como, não importa o ramo, sempre nos lembramos mais das contribuições dos homens do que das mulheres. Aprendemos na escola nomes de vários cientistas, compositores, romancistas e artistas, mas quantos deles eram mulheres? Quantas mulheres tiveram a honra de terem seus nomes mencionados em uma sala de aula do ensino médio junto com sua importância?
Eu só consigo me lembrar de três, mas não sei se o problema era específico da minha escola, ou com minha memória. Conversando com outras pessoas em vários outros lugares, incluindo países, não creio que seja o caso.

O ponto em que quero chegar é, essa é uma tendência que vejo acontecendo em praticamente todos os ramos, e com a animação não é diferente.

Charlotte “Lotte” Reiniger (1899 – 1981) foi uma grande animadora e fez grandes contribuições técnicas para o ramo. Walt Disney mesmo só conseguiu Branca de Neve e os Sete Anões (1937) graças a algumas das técnicas desenvolvidas por Lotte e seu marido. Uma delas foi sua técnica de utilizar camadas de vidro para poder dar o efeito de profundidade em suas obras.

Lotte Reinigier em sua mesa de trabalho. O mecanismo serve para ajustar e acionar a câmera localizada logo acima da mesa. Assim, foto a foto, Lotte animava suas silhuetas.

Aliás, contrária a crença popular, o mais antigo longa de animação não foi Branca de Neve, e sim As Aventuras do Príncipe Achmed (1926), produzido pela nossa querida Reiniger em um tempo em que ninguém realmente considerava a ideia e uma animação que durasse mais de 10 minutos e não servisse apenas para fazer o público rir.

Seu estilo de animação com silhuetas foi grandemente inspirado pela arte chinesa de teatro de sombras e seu amor pelo cinema. Enquanto a maioria dos filmes na época dependiam das expressões faciais para demonstrar emoções e ações, Reiniger utilizava-se apenas da linguagem corporal de seus personagens para passar as histórias de suas animações.

Frame do curta Däumelinchen.

Em vida, Lotte Reiniger produziu cerca de 40 animações em seu estilo único. Uma boa parte delas pode ser encontrada no youtube, inclusive o longa As Aventuras do Príncipe Achmed. Fora, é claro, as inúmeras homenagens e referências que encontramos por aí, como a animação d’O Conto dos Três Irmãos em Harry Potter e As Relíquias da Morte – Parte II, e a homenagem do Google em seu 117º aniversário.

E deixo aqui, com vocês, um dos meus curtas favoritos produzidos por ela, Däumelinchen (Polegarzinha. Alemão é uma língua tão desnecessariamente agressiva), para vocês terem um gostinho da graciosidade que são as animações dela.

5 filmes leves que passam nos testes de Bechdel e Mako Mori – animações

Imagem: reprodução/internet

Semana passada listamos aqui no blog 5 filmes leves, live-action, que passam nos testes Bechdel e Mako Mori. Para entender o funcionamento dos dois testes, clique aqui. Como prometido, hoje eu trago a continuação do post anterior, dessa vez com 5 animações que passam nos mesmos testes. 

E por via das dúvidas, os avisos de sempre: talvez até surjam alguns pequenos spoilers, mas para evitar ainda maiores eu não vou citar as cenas ou os motivos que fazem esses filmes passarem nos testes. Confiem em mim e aproveitem a lista!
Coraline

Imagem: reprodução/internet

Baseado no livro de Neil Gaiman, essa animação em stop motion segue a história da protagonista homônima, uma menina que acabou de se mudar para uma casa entediante. Ela acaba descobrindo uma porta secreta em seu quarto que leva a uma versão alternativa (e muito mais interessante) do seu mundo. Só que aos poucos ela vai descobrindo que toda aquela perfeição é o que parece.

A magia do stop motion! <3
Coraline é uma menina curiosa, forte e inteligente. Apesar de seguir as características base da maioria das meninas protagonistas de histórias infantis, ela não é “perfeitinha” como elas, e aprende muita coisa com os “perrengues” que passa ao longo da trama. O filme também tem uma estética e um clima mais sombrios, então não espere por uma obra fofinha demais.
Lilo e Stitch

Imagem: reprodução/internet
A pequena Lilo vive no Havaí, sob a guarda de sua irmã, Nani. Ela vai a um abrigo para adotar um cãozinho e acaba pegando o mais estranho de todos, que ela batiza de Stitch. Só que o “bichinho de estimação” é na verdade uma experiência alienígena que escapou de seu criador ao ser exilada junto com ele, por ser hostil e perigosa. Enquanto o cientista tenta recapturá-lo, Stitch convive com Lilo e vai aprendendo valores e criando apego pela menina.

Essa cena é uma fofura, sério haha

Esse filme, além de ser um amorzinho, trás uma penca de novidades entre animações da Disney. Lilo e Nani formam uma família não convencional, e uma faz tudo pela outra. Nenhuma das duas segue padrões convencionais de beleza, nem têm foco em interesses românticos (o que Hollywood adora fazer inclusive com crianças). Ambas as personagens são muito bem construídas, e até o elenco secundário é recheado de mulheres.
Frozen

Imagem: reprodução/internet 

Todo mundo conhece a história, mas lá vai sinopse. Elsa e Ana são princesas do reino de Arendelle. A primeira possui poderes de gelo que, desde criança, foi obrigada a reprimir. Os pais das duas acabam morrendo num naufrágio e, na coroação de Elsa, seus poderes acabam se revelando, obrigando-a a fugir. O problema é que sua escapada mergulhou Arendelle num gélido inverno, e Ana vai atrás da irmã, a fim de fazer as pazes e acabar com o frio.

Eu não sou “hater” de Frozen, mas reconheço que esse filme tem algumas falhas. Apesar disso, não há como negar que ele representa, sim, uma fase de mudanças entre as animações infantis. Assim como Lilo e Stitch, o foco é a relação das duas irmãs e o amor entre elas. A animação também traz algumas ironias e desconstruções de clichês e estereótipos de filmes de princesa. Apesar de escorregar no gelo em alguns momentos (trocadilho inevitável, desculpa), a mensagem é passada de forma descontraída para crianças, que aderiram massivamente ao filme.
Valente

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Merida é filha do rei Fergus e da rainha Elinor. Determinada a seguir seu próprio destino, ela desafia a tradição local de criar uma competição pela mão da princesa, e entra na disputa por sua própria mão. Ela acaba despertando a fúria de todos, inclusive sua própria família, que invalida a disputa. Seus atos seguintes desencadeiam em graves consequências para todos.

A Merida é linda e gente como a gente
Mais uma vez, o foco da animação é na relação familiar (especialmente de Merida e sua mãe). Elinor é a representação da esposa-e-mãe-de-família-perfeita, enquanto Merida é rebelde e dona de si mesma. O choque entre as duas é grande, enquanto a trama se desenvolve em torno da aceitação de uma pela outra.
Meu Amigo Totoro

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Mei e Satsuki acabaram de se mudar para uma comunidade rural, para ficarem mais próximas da mãe, que está se recuperando em um hospital. Elas exploram animadas a nova casa e as redondezas, Além de ajudarem o pai nos afazeres domésticos, elas cuidam uma da outra. Em uma de suas brincadeiras, Mei acaba encontrando uma grande criatura adormecida, que ela chama de Totoro. Com o tempo as meninas acabam virando amigas da adorável criatura.

Grandalhão adorável!

Novamente, as relações familiares entram em cena nessa produção. Assuntos sérios são tratados com delicadeza, assim como as aventuras das meninas com Totoro. De fato, a delicadeza é exatamente a característica principal dessa animação, que tem uma história simples, mas muito agradável de se ver.

Gostaram da lista? Tem mais alguma animação para citar? Conta tudo pra gente nos comentários!