A roupa que oprime

Desde pequenas, nós mulheres, somos moldadas e influenciadas pelo patriarcado e machismo em relação a como nos vestimos.

 

Menina usa rosa. Menina não usa coisa de super herói. Menina que usa saia curta é “puta”. Menina que usa roupa “comportada” demais é puritana. Menina tem que gostar de maquiagem. Menina tem que usar salto.

Imagem: internet 

A necessidade de uma mulher “feminina”, cheia de padrões estéticos e consequentemente, de um modelo de mulher perfeita, vem de uma sociedade que idealiza um comportamento de nós.

 

Incomoda os ouvidos escutar alguém falando “ela foi estuprada por que estava de saia curta” ou “olha como ela se veste, estava pedindo”. Até quando nossas roupas vão ser julgadas em prol de culpar a vítima?

Imagem: internet 

 

Além disso, mulheres​ pouco femininas são rotuladas e criticadas, em uma sociedade que luta cada dia mais para reforçar que mulher precisa se maquiar, usar salto e roupas adequadas.

 

É claro que nós mulheres donas das nossas vidas e corpos, podemos nos arrumar da forma que quisermos, isso é apenas uma reflexão sobre o que as vezes nem percebemos que é imposto é fruto da nossa sociedade patriarcal.

Sou eu mesma nua e crua em corpo e essência. E não há mais espelho para fechar meus olhos novamente.

Eu posei nua

E não há mais espelho para fechar meus olhos novamente

Para me olhar frente a frente, chegava ao meu reflexo com os olhos semifechados, abrindo-os lentamente como uma preparação psicológica para o objeto estranho que estaria por vir, logo ali.
Foto: Ana Luiza Calmon

     Eu nasci preta. Uma pretinha de 50 cm, cabeluda de fios escuros e olho castanho escuro. Meu pai, moreno, minha mãe, branca. Meu irmão veio loiro de olhos azuis, pálido e avermelhado. Diferente dele, eu sou a confirmação da miscigenação dos dois lados da minha família: indígena, negra, francesa, portuguesa e espanhola.

     Mas eu nunca estive em paz com o espelho. Para me olhar frente a frente, chegava ao meu reflexo com os olhos semifechados, abrindo-os lentamente como uma preparação psicológica para o objeto estranho que estaria por vir, logo ali. Sim, objeto. Como me reconhecer sujeito se tento moldar meu corpo como uma jarra de cerâmica?

     Eu queria ser loira. Magra, esguia e de olhos azuis. Ou então aquela morena de olhos verdes, sensual e de pele bronzeada. Lembro que queimava horas no sol e ia correndo para o espelho para checar meus olhos. Eu acreditava que o sol poderia transformar o castanho em verde cor de mel. Mas o espelho me mostrava a real. Ali só tinha eu comigo mesma. Espelho mostra corpo. E por corpo, ali se encontrava uma artista frustrada por não conseguir concluir sua obra. Sempre inacabada, sempre em construção.

Destruição.

     Meu corpo objeto queria ser de cintura fina, seios menores, braços fininhos, pele lisa e macia, rosto simétrico, bochechas menores, cabelos melhores e mais controlados. Moldada aos olhos e semelhança da menina moça sem referências. E quem disse que aquele moço bonito iria se interessar por mim? Eu não me achava merecedora de alguém tão legal e bonito assim, e logo empurrava para outra amiga, porque ela sim estava a sua altura.

Quando você se liberta e se enxerga de forma plena, não há reflexo que ofusque o seu brilho

    Sou a única prima de ambas famílias que é avantajada em todas as partes do corpo. Eu cresci ouvindo isso. Sempre quiseram minha bunda, sempre quiseram meus seios. Todos. Primas, tias, amigas, colegas, homens. Eu tava sozinha sem saber quem eu era. Quem fui?

     Foram 25 longos anos sem entender meu lugar na classificação da beleza feminina brasileira. Tenho uma boca grande, olhos expressivos, nariz gordinho, cabelos ondulados e frisados. Tenho seios, bunda e coxa grande, um quadril largo e uma cintura mediana. Não é um corpo magro, fino. É largo, é grande, é forte. Tudo concentrado numa estatura de 1,53 cm.

     Hoje sou sujeito. Determino as ações de meu próprio corpo e no espelho me enxergo de forma plena, completa. Percebo cada curva, linha, marca presente em mim e vejo que elas formam quem eu sou. Eu percebo a mim mesma. E amo tudo que sou. Meus seios, minha (feliz) barriguinha de chopp, meus braços gordinhos, minhas costas. Meu largo e radiante sorriso, meu queixo, minhas bochechas, meus olhos expressivos, minha sobrancelha. Minhas estrias, minha celulite, minhas espinhas. Meu cabelo misturado, de fios finos, ondulados, cacheados e lisos, com tons loiros, pretos e brancos.

     Quando você se liberta e se enxerga de forma plena, não há reflexo que ofusque o seu brilho. Eu posei nua. Tirei minha roupa e encarei olhos nos olhos a lente da câmera. Dancei, gargalhei, expressei meu charme e desenvoltura. Disse para mim mesma:

– Ana, você é tão bonita. Olha essa beleza que vem de você e reflete no seu sorriso. Tá sentindo? São raios de luz. Você é o Sol, Ana.

     Sim, eu sou o Sol. Eu sou a minha própria luz. Sou eu mesma nua e crua em corpo e essência. E não há mais espelho para fechar meus olhos novamente.

Sou eu mesma nua e crua em corpo e essência. E não há mais espelho para fechar meus olhos novamente.
Foto: Ana Luiza Calmon

 

Projeto Ocupa Corpos - Ensaio Ana Luiza
Foto: Thais Carletti

 

A namorada louca?

a namorada louca
Foto: Tumblr

Eu sinto ciúmes, portanto sou louca.

Sou neurótica, crio paranoias, sinto medo de perder, tenho medo do futuro e de estar fazendo tudo errado.

Tenho dificuldades de te imaginar com outro alguém, portanto sou louca.

Sou super a favor do poliamor, desde que seja bem longe do meu relacionamento.

Uma típica louca.

Meu ciúme não me faz ter ódio de outras mulheres, apenas me deixa insegura comigo mesma, louca.

Sou namorada louca que provavelmente muitas pessoas falam mal pelas costas, até porque a culpa vai ser sempre minha, da namorada.

Pense em um homem com as mesmas inseguranças e atributos que eu, ah ele será normal, apenas, amará demais sua companheira. Ou então a culpa vai ser da namorada pelos ciúmes do parceiro, ela deve provocar…

Imagine se um homem ficasse agressivo com uma curtida de um ex no facebook da companheira, quem seria o culpado?

Lógico que a namorada, porque de qualquer forma a loucura segundo a sociedade não é pertencente ao mundo masculino, mas o amor sim.

Um homem pode amar sentindo ciúmes, uma mulher não.

Um homem pode dar uma bofetada na cara da namora, porque afinal ela é a  louca não é mesmo? Um a mulher tem que tolerar um relacionamento abusivo regado a inseguranças e torturas mentais sem se defender, afinal o homem nunca é o culpado.

A mulher é sempre a vadia, e quando não é vadia é sonsa ou louca.

Não existe meio termo para a sociedade em relação às mulheres, todas merecem pedradas por suas insensatezes e supostas loucuras, já o homem… Ah o homem, pra que falar dele, coitado!

 

Eu estou de pé

A bagunça se disfarça. É uma coisa doida. Cada respiração funda é uma viagem de ida e volta para qualquer situação aleatória que a minha mente lembra.

– Você precisa filtrar – Diz o Eu, o que mais sofre – Olha essas caixas! Como você vai arrumar isso?

Estou sentada no canto da mente, observando o Eu no meio da bagunça:

– E se eu não arrumar isso?

Ele me fita com raiva. E conheço aquela raiva. Ela é minha.

– Não quer mais histórias novas? Gostou de passar os últimos meses nesse canto, apenas existindo? – Ele chuta uma caixa – “Março a maio/2015”. Isso tem quase dois anos e você trás isso à tona como se fosse algo bom de se lembrar!

– Olha o tamanho disso. É maior do que eu e você juntos. E não foram só 3 meses, nós dois sabemos.

Ele chuta outra caixa, um pouco menor:

– “Novembro/2016”. E essa? Qual a sua desculpa? “Está recente”?

Sim, está.

– Queima essa merda. – Levanto do meu canto e vou até a caixa – De que adianta você ser dominado por um mês de esperança para depois acabar desse jeito de novo?

Fico de pé, encarando o último trauma, fingindo para o Eu que aquela caixa de traumas não é a mais perigosa.

– Megan, você precisa filtrar isso. O nosso lar sempre foi aqui e olha esse lugar agora! Tem trauma aberto desde 2008.

2008. Caixa de traumas lotada de crises que, até então, não sabia que eram crises. Lembro como se fosse ontem do dia que chorei desesperada no banheiro da escola, enquanto meu corpo todo tremia e suava.

– Megan, nós precisamos trabalhar juntos.

Eu já não sei mais separá-los. Virou simplesmente um chão cheio de lembranças negativas de histórias que simplesmente aparecem diante dos meus olhos. Dentre todos os meus erros, durante toda a minha vida, não valorizar a minha paz mental é, definitivamente, o que mais sai caro.

– Megan…

Encaro o meu Eu. Ainda apavorado, mas continua lutando. Houve um tempo onde ele não tinha forças para tentar, e hoje ele cobra algum tipo de melhora, seja qual for. Caminho diante todos os traumas espalhados e pego a caixa do ano passado. Pequena mas pesada, muito pesada:

– Não consigo tirar daqui…

– Mas podemos fechar.

– Já fizemos isso antes…

– Podemos fazer de novo. – Ele pega minha mão e me dá um sorriso – Nós merecemos mais do que existir.

Nos sentamos do lado da caixa, pegamos uma fita adesiva e dobramos as bordas. Saía da caixa seu cheiro, nossos assuntos, nossas risadas. Meus olhos lacrimejam enquanto eu ouço a cola da fita grudando. É hora de assumir para mim mesma que alguns ciclos precisam ser fechados e seguir em frente, porque não dá mais para deixar as caixas ali, daquele jeito, tropeçando em traumas dentro da minha própria cabeça.

Terminamos de fechar e, magicamente, a bagunça diminui.

– Faltam muitas ainda.

O Eu enxuga minhas lágrimas e sorri:

– Não importa o quanto falta, fechamos uma. Você não está mais apenas existindo, não nesse momento, e eu estou de pé.

Eu estou de pé. Faltam muitas caixas, de muitos anos, de muitos traumas, mas eu estou de pé. Sorrio para o Eu que, após um momento longo de desespero, eu reconheço. Ele me oferece o braço e sua aliança dourada brilha na mão direita. Nesse momento, minha cabeça não parece mais o inferno de algumas horas atrás, e a esperança de dias melhores invade minhas veias.

Porque eu estou de pé.

A tirania dos cachos

Arte: Kai Samuel-Davis

Uma gigante empresa do ramo de cosméticos recentemente lançou mão de uma propaganda utilizando o seguinte jargão: “Em terra de chapinha quem tem cachos é rainha.”

A partir disso, passei a me questionar: e quem não tem cachos, é o quê? Na época em que “cabelo bom era cabelo liso” o jargão obscuro e obsceno que transpassou tempos e tempos e “tentou” (e tenta) suprimir a autonomia de escolha da mulher era: “se não está liso está feio, portanto, engula seu orgulho e seu desejo e siga a tendência” – as mulheres negras sabem bem.

Mas e hoje, será que está diferente? sim, está, mas nem tanto, escuto cada vez mais alto a voz feminina ecoar pelo mundo, mas também vejo grandes empresas de cosméticos se aproveitando do alcance dessa voz com o intuito não de transformar cabelos, mas de lucrar domando corpos. E como fazem isso? simples, lançam uma nova tirania: a dos cachos. Eis um assunto aparentemente banal, mas creio que diz muito sobre nós, como estamos nos percebendo e nos posicionando. Esse é um verdadeiro assunto de cabeça- temos de pensar.

É correto que para vender um produto tenha que se elaborar estratégias de marketing, publicidade e propaganda a fim de que o produto seja desejado e adquirido pelos consumidores, o que não é aceitável, é que em pleno século XXI, onde ocorre um verdadeiro “Bum” de discursos e análises sociológicas e históricas sobre os padrões de beleza impostos às mulheres, uma empresa ainda elabore uma campanha utilizando argumentos com potencial de segregação- queria acreditar na pura falta de criatividade. Infelizmente pude presenciar algumas mulheres hostilizando umas as outras pelo fato de que algumas optaram por manter seus cabelos alisados- lamentável.

Observando várias páginas sobre transição capilar nas redes sociais, deparei-me com uma grande quantidade de depoimentos de mulheres contando sobre os efeitos da transição capilar em suas vidas. O que pude ver e sentir, é que cada mulher que se submeteu ao processo, atribuiu um significado único a experiência, embora o sentimento de libertação seja comum entre a maioria. Trata-se também de uma transformação que a olho nu parece proceder apenas de uma mera mudança capilar, mas aos olhos da alma e da história, trata-se de uma mudança profunda que tem a ver com a vivência e singularidade de cada mulher, escolha e autonomia, e sobretudo, de um ato político, cujo jargão poderia ser: lisa ou cacheada, black, careca, descabelada ou rasta, quem escolhe sou eu e a indústria não manda em nada.

É inegável a visibilidade progressiva que a luta feminina vem ganhando nos últimos tempos, isso é uma vitória, mas é importante que estejamos atentas a determinados movimentos que podem transformar essa vitória em um “presente de grego”.

Dito isso, eu grito bem alto de cá: em terra de chapinha, quem tem cachos é quem quer, quem escolheu ter cachos e todas, são rainhas.

 

A Liberdade do Poder

Image: Reprodução/Google

     “Onde estão minhas meninas?” pergunta Taylor Momsen em um show do The Pretty Reckless, na Argentina, em julho de 2012. No show, que eu já vi infinitas vezes, ela usa uma bota de cano longo, que fica acima dos joelhos, e uma camiseta do Che Guevara. Sim, apenas isso. O cabelo loiro, longo e fino chega até a cintura e a sexualidade transmitida vai além da ausência de sutiãs e meias. Vai além dos estereótipos, além do salto, do lápis preto, do rock no fundo: é liberdade que vaza.

     A representatividade da mulher que me transmite liberdade me faz vagar sobre a vida real. Aquela fora do palco, fazendo eu me encontrar com uma adolescente de 17 anos, que foi criada através da ideologia de mulheres comportadas e futuras mães de família. Cair no estereótipo de “boa moça” nunca esteve nos planos, mas a ideologia era forte e persistente. “Aumenta esse shorts”, “sobe esse blusa”, “eu não quero você transando por aí”. Legal, mas e o que eu quero? E a minha liberdade? E o meu prazer? Onde fica?

     Parece tendência podar asas de meninas que querem voar, porque, claro, pássaros fora de gaiolas são donos de si mesmos e sabe-se lá o que pode acontecer. Imagina se elas aprendem a se amar e descobrem, dentro delas, a liberdade da auto-suficiência?  A ideia de uma mulher mandando no próprio sexo deixa a sociedade em choque, já que é a sociedade que nos obriga a seguir roteiros escritos para nós, só que por outras pessoas. Querem que vivamos histórias que não são nossas, com pessoas que não se importam. Porque, seremos sensatas, eles não se importam. Eles não nos querem opinando, pensando, crescendo, vivendo. Mas, pasmem, quem tem que querer, seja o que for, somos nós.

     Não acredito que algum dia a sociedade vá deixar as nossas meninas em paz, mas eu me tornei uma fonte de criação de asas e, cada vez mais, pregadora da liberdade e do direito de viver a vida à sua própria forma. O tabu do sexo nos cria como se querer algo fora dos padrões fosse algo incomum, mas não é. Afinal, o que são padrões? Somos mais do que listas riscadas e mulheres sem histórias. Somos mais do que padrões.

     Hoje sinto minha liberdade vazar. Pelos olhos, pelos dedos, pela boca. Hoje eu entendo que tesão é dizer sim quando quer e, principalmente, falar não; é se permitir querer mudar e poder voltar ao começo quantas vezes quiser. É se sentir bem com suas escolhas e viver com elas; é ser amiga da pequena morte e, ao mesmo tempo, não querer dormir. Liberdade é poder.

     Que poder nunca nos falte.

Tem que ser pra sempre?

Imagem: Tumblr

Na nossa condição irracional, impetuosa, e muitas vezes invejosa temos ânsia de um pra sempre.

Seja o que for, temos a ideia de que todas as coisas não possuem a necessidade de fluir mas sim permanecer estáticas em nossas vidas, como se a escolha fosse apenas nossa, ou melhor necessária.

Vi amigas sustentando um relacionamento abusivo, quantos casamentos sem amor, quantos amigos cursando faculdades infelizes por não se identificarem com a carreira escolhida… Pra que?

Pra que relutar com o destino? Pra que sofrer em vão e derramar gotas de vida lutando por um pra sempre que supostamente deixa sua vida mais sólida ou mais “feliz”?

Por que não deixar o curso da vida nos arrebatar, e nos deixar livres, recomeçar do zero, até que por fim nos encontremos com nós mesmos?

Se pertencer talvez seja a missão mais complexa de nossas vidas, vivemos em busca da liberdade, mas talvez não saibamos ser livres, vivemos em buscas de correntes que fazem nossas vidas fazerem sentido sendo que só é possível viver sem correntes.

Não existem segredos para se viver, e nem livro de autoajuda que nos tire do abismo que chamamos de vida.

Opiniões alheias já não acrescentam mais. Relacionamento bengala, amizade interesseira, faculdade sem vocação, nada disso é vida! A vida tá no respirar livre, no dormir em paz, no reconhecimento de si mesmo quando olha para trás e possui orgulho do caminho seguido.

Só você pode se fazer feliz, e só você é pra sempre seu.

Desculpa, mas é um simples desabafo.

Hoje cheguei em minha cidade natal para matar a saudade que sinto da minha família. Sempre que vou visitá-los acabo saindo para passear  com alguém, e dessa vez não foi diferente, sai com minha vozinha e uma de minhas primas.

Entre uma sessão e outra do supermercado, o assunto que surgiu foi o casamento da minha tia, que está muito próximo, e a necessidade de encontrar uma roupa que esconda todas as nossas gorduras. Nossa família só tem gordas e a preocupação em se boicotar é constante, principalmente com minhas primas adolescentes. Percebi como a festa do casamento aumentou ainda mais a gordofobia existente entre elas, “não tem vestido bonito para mim”, “nenhuma blusa vai esconder que sou gorda”, “vou de calça, para apertar minha barriga”.

Como é difícil ver como elas se menosprezam apenas para agradar toda uma sociedade que não as quer bonitas, mas sim padronizadas e adestradas.

Em uma das lojas em que estivemos paramos para escolher biquínis (o casamento será em um sítio com piscina), aí sim foi um menosprezo total. Não é fácil transmitir amor próprio, na verdade isso é impossível, não podemos transferir. Porém, a desconstrução que eu tenho cada dia mais não as alcança da mesma forma.

Estar de acordo com o que os outros querem é prioridade, cabelo liso e longo, corpo sarado, roupas da moda. Não conseguimos ser nós mesmos no dia a dia, imagina em uma festa de casamento? Onde tudo é  milimetricamente criticado.

Isso foi mais um desabafo eu acho, bem diferente dos textos que procuramos oferecer à vocês. Desculpe por isso, é que me canso do mal que provocam em mim e em todas as mulheres do mundo.

A revolução está no amor

(Foto: reprodução/internet)

 

É muito comum ver uma mulher tentando difamar outra como se precisasse disso para se acrescer como mulher, ou como ser humano.

Me digam por que caralhos existe essa necessidade de buscar defeito na outra? Pra que detonar a ex do atual sendo que ela fez parte da vida do seu atual tanto quanto você está fazendo?

A mídia, e a sociedade tentam o tempo todo rivalizar mulheres ou para vender cosméticos ou simplesmente para sustentar essa sociedade machista onde tudo gira em torno do p…. de homens, uma construção grosseira, mas extremamente verdadeira.

Do que adianta o seu feminismo, se ele humilha outras mulheres, se ele é racista, exclusivo ou difamatório?

A revolução começa no amor, não apenas pelo amor próprio, mas pelo amor entre nós mulheres umas pelas outras.

Pensem em um mundo onde ao invés de putas, gordas, feias, fossemos amigas, aliadas, seres que desconstroem juntas um universo podre voltado sempre para patriarcas.

Não vamos olhar para a outra como se ela fosse uma ameaça, uma inimiga, vamos dar as mãos, queremos as mesmas coisas à luta não é alcançável se deixarmos o ódio nos isolar e nos cegar.

Vamos chegar ao fim do caminho de mãos dadas, nos amando, nos apoiando e sendo muuito mais do que um instrumento de prazer masculino, sendo Irmãs que juntas fizeram a revolução acontecer com o amor.

Sobre as ausências de alma

(Foto: Divulgação) 

Eu sempre me senti sozinha mesmo em meio a multidão e achei que isso era apenas um dos meus sintomas depressivos, mas com o tempo tive certeza de que não era só isso.

A falta de dialogo e corpo a corpo nas relações cotidianas me assustava de um modo inexplicável, sai do ensino médio e semestres de faculdade se passaram, e comecei a perceber que minhas amizades corpo a corpo estavam se tornando virtuais. Já quase não encontrava meus amigos e meu único modo de contato com a grande maioria era via facebook.

O fato que que esses trilhões de amigos que tenho no facebook em sua grande maioria já foram meus amores, “crushs”, amigos, conhecidos, e hoje não passam de um numero que estampam a minha  pagina, e infelizmente com alguns nem virtualmente eu mantenho um simples dialogo mais.

Nem precisei de tanta terapia interpessoal para perceber que o que estava faltando na minha vida eram pessoas de alma cheia, olho no olho, sentir o calor, a conversa, e as risadas, discutir politica, sociedade, literatura, sexo, que seja, mas não apenas através de um comentário. 

Acho as relações ciberculturais super importantes para uma construção ativista , talvez, mas sinto falta da revolução humana, de sentir a vida em conjunto como ela é.

Pode parecer besteira, ou mais um texto critico a sociedade atual (se soa assim não foi a intenção) mas tudo que eu queria dizer nesse desenrolar de palavras e que sinto falta da verdade, de amigos do pulsar do meu coração com novidades, desleixos  e loucuras, ser humana me faz falta.