O quanto somos vendíveis?

 

 

 

Se tem uma coisa que a maioria das pessoas têm em comum, essa coisa é a vontade de ter mais dinheiro. Sim, me incluo, sinto muito por isso, mas todos nós sabemos que as contas não são pagas nem com abraço nem com energia positiva, e sinto muito pelo trocadilho. Mas até onde vale ter dinheiro, quando a forma de ganhá-lo mexe com a sua essência? Quando isso acontece, o que estamos vendendo, exatamente? Nosso trabalho ou nossa saúde mental? Se a sua resposta for a segunda opção, espero que você seja mais que milionário. É, eu sei, não somos.

Existem algumas propostas de trabalho que, por mais que nosso bolso peça ajuda, a nossa mente entra em curto e é como se houvesse uma traição nossa com nós mesmos. A ideia do dinheiro entrando é sensacional, mas e a noite? Está bem dormida?

A minha não estaria.

Nosso sono pode ser reembolsável?

Vejo pessoas fazendo coisas que o dinheiro entra por um bolso, enquanto a sanidade sai pelo outro. O tempo e a sensação da falta de espaço em um mercado de trabalho nos traz a ideia de que a única opção que temos é nos moldar a um espaço escroto, onde fazemos coisas que não gostamos, por um salário baixo e por um emprego ruim, mas algumas coisas não precisam seguir esse padrão.

Nossa saúde vale mais, assim como nossas lembranças e a leveza que ninguém nunca nos ensinou a ter, e quando conseguimos escolher nós ao invés de nossas contas, parece que o travesseiro é novo, que a cama tem mola e que recebemos uma visita de uma massagista chinesa.

Em momento algum busquei colocar em cheque opções que não são minhas, mas sempre vale questionar a que ponto escolhemos ter dinheiro ao invés de ter saúde mental, já que a ideia é sempre sermos a melhor pessoa para nós e, principalmente, por nós.

Sabe aquela história de que tudo tem seu preço? Então.

Ter a sensação de escolha certa não tem.

Não peça por paz. Transforme-se

Desde pequena eu usei o fim de ano para fazer promessas e pedir coisas. Geralmente, eu fundia as duas coisas e tentava tirar o máximo da minha responsabilidade sobre esses atos, já que, né, quem dá presente é o Papai Noel. Eu só recebo. E olhe lá, já que eu nunca levei a sério essa coisa de ser uma boa menina.

Conforme o tempo passa e amadurecer deixa de ser opcional, você começa a sentir o peso dos pedidos, pelo menos eu comecei a sentir. Parei de pedir amigos e relacionamentos novos, porque amigos não são plantas que você vai lá as vezes e coloca um pouco de água; parei de pedir para perder peso, já que me amar é mais importante do que o número da minha roupa e, principalmente, parei de pedir paz.

Sim, eu sei que eu sou responsável apenas por aquilo que me rodeia, e olhe lá, mas se eu não puder transformar esse espaço em um espaço pacífico, como eu posso pedir consciência por outras pessoas que ainda fogem das responsabilidades, independentemente de quais sejam?

A ideia, deixaremos claro, não é entrar em crenças, mas entrar em um ponto que toda a humanidade tem em comum: o ato de mudar.

Nós, como seres pensantes, agimos da mesma forma todos os finais de ano, pedindo coisas que poderíamos conseguir – se isso depender só de nós – e tirando a nossa responsabilidade sobre atos que envolvem mais do que um cara rico nos dar um emprego. É fácil acendermos uma vela pedindo por um ano melhor, sendo que na nossa primeira oportunidade de transformar o nosso ambiente em um ambiente mais amigável e pacífico, nós distribuímos pedras e paus à todos os navegantes.

Paz não deveria ser um pedido, mas um exercício de consciência diário.

É super fácil jogarmos a responsabilidade de uma humanidade sedenta de sangue em um ser acima de nós. É cômodo, prático, simples. É super fácil fazermos pedidos de paz pra o Bom Velhinho enquanto fazemos da vida dos outros um inferno particular.

Que nesse finzinho de ano nós possamos colocar as duas mãos na consciência – as duas porque as coisas andam complicadas – e que estejamos aptos a arrumar os nossos erros e excessos, para que o ano que está chegando não venha com preconceitos sobre os humanos pidões. Todos nós queremos um ano bom, mas ninguém se preocupa em ser bom para o ano que está vindo, muito menos com as coisas que estão vindo.

E ainda dá tempo. De mudar, melhorar, evoluir. A paz não vem dos outros, mas vem de nós.

Transforme-se.

Liberdade de escrita

Tudo pode ser descrito

Escrito

Até mesmo o silêncio

         O vácuo também transpassa entre meus dedos

Atravessa o azul

Alcançando o branco

E assim nada mais é silêncio

De repente o mundo transborda sobre mim

          E tudo é música

Vento, desejo, fome, insegurança

Revista, trabalho, viagem

Ovos, animais, imagens

Sexo, raiva, fantasia

Cores, futuro, revolta

Tudo pode ser escrito

 

 

   Essa é a beleza das palavras, elas revelam tudo, me mostram tudo, amo a liberdade de escrita. Não importa quão bloqueada eu me sinta, todos os meus pensamentos podem dançar por entre meus dedos.

 

   Comecei no ensino médio, quando aproveitava pequenos intervalos para escrever o que eu sentia naquele momento. Meus escritos deveriam ficar escondidos naquela época.

 

   Trancado à 10.000.000 de chaves, mas hoje não! Tudo o que sinto eu preciso deixar bem à vista, aberto, escancarar ao mundo o que sou e penso sem temer as críticas e os risos.

 

   Hoje foi assim, um breve lampejo que pode parecer insignificante para você, mas para a Alessandra foi libertador. Então eu escrevi, me faz bem, então por quê não?

   De agora em diante, vou escrever e mostrar tudo o que vier de mim.

 

 

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Eu sou meu próprio mar

Não preciso de um marinheiro para me navegar. Quero que ele fique se for para acompanhar meu movimento.  O controle não faz parte da minha travessia, mesmo o mar entende que as ondas do meu cabelo formam seu próprio caminho. Elas se tornam. O marinheiro tentou tomar posse dessas ondas. Ele quis prendê-las num coque, deixá-las menos selvagens e mais retas. Desde quando onda forma linha?  Marinheiro que é marinheiro respeita e compreende o mar, se deixa levar.  Entende essa mansidão que logo se transforma em tempestade, que vem chegando sereno, logo expande e te abraça para o fundo. Como estar com um homem que não aprecia as ondas? Não há fórmula para domar o oceano. Ele é seu próprio domínio, sua casa, sua morada, ele também só deixa entrar quem se entrega e mergulha profundo, não importa o tamanho. Só se apaixona pelo mar quem ama sua intensidade e imprecisão. Sei da minha impulsividade e fraqueza. Sei também da minha força, minha feminilidade. Só quero que o marinheiro entenda: sou eu quem escolho minha forma. São as minhas ondas que me levam.

por que eu ainda me lembro de você

Por que eu ainda me lembro de você?

As quintas-feiras ficaram marcadas na minha vida assim que eu comecei a usar a minha insônia para ver séries durante a madrugada, mas algumas coisas mudam. Sempre mudam. Eu me lembro de uma ligação, na quinta à noite, com a ideia de parabenizar alguém, no caso eu, por ter sobrevivido ao último ano. Eu detesto ligações (colocarei isso na minha mini biografia ali em baixo). Detesto atendê-las, detesto falar no telefone, detesto ver o celular tocando e só quero que acabe logo para eu poder voltar ao meu mundo “digitativo”, mas foi algo que me trouxe sorrisos e uma conversa longa, de quase uma hora.

Me considerando alguém adaptável, posso afirmar que sobreviver à experiência de conversar com alguém por quase uma hora, no celular se transformou em algo de orgulho. Mas eu queria mais. Infelizmente, eu queria mais. Mais risadas, mais conversas, mais coisas, mais quintas, mais comidas. Sempre achei lindo o excesso quando se trata de algo somativo, mas quando temos a certeza de que algo realmente veio para somar? Será que foi com você que eu aprendi que conexão é só a ponta de um iceberg?

Eu queria te contar sobre os meus dias, sobre as minhas dúvidas, sobre as vontades que mudaram durante o tempo e sobre as coisas que eu cogito fazer hoje, que eu jamais cogitaria um tempo atrás, mas eu não mereço alguém que defenda a conexão sem demonstrar reciprocidade e respeito ao próximo.

Sinto muito, mas eu não mereço.

O tempo me deu muitos tapas na cara mostrando que nada vale mais do que pessoas; que uma tarde com amigos vale mais do que uma semana vivendo a base de fluoxetina ou serenata; que o melhor barbitúrico que alguém pode querer é ter uma mente quieta com um coração que transborda respeito e carinho pelo próximo. E, por mais irônico que isso pareça, foi você quem me ensinou isso. Nas quintas à noite, nos domingos de manhã, nos e-mails de sexta e nas histórias de terça.

Por mais irônico que isso realmente seja, eu aprendi isso quando você foi embora e, nesse momento, me veio uma música dos anos 2000, que diz: “Te perdendo eu cresci tanto que eu não sei/ Se eu quero mais ter encontrar”.

Talvez a reciprocidade seja mais importante do que a conexão em si.

Não.

Conexão me perdoa, mas quero algo mais palpável, mais real, mais possível.

A reciprocidade é mais importante do que a conexão em si.

Marcela

Marcela,

   Nós temos uma usina hidrelétrica no peito. Não cabemos em pouco. Queremos muito da gente mesmo e dos outros. Sem querer exigimos mais do que a realidade oferece. A realidade nunca nos foi palpável. Rasa demais, a propósito. Queremos é invenção, virar de ponta cabeça. Queremos o estômago saindo pela garganta, taquicardia. Que mundo fosse mais rasgado que toque na ponta dos dedos. Que fosse mais pele quente, mais braços, mais pernas. Olhos grandes encarando a gente do lado de cá. A gente faz prece vendo a ressaca do mar, porque a gente respeita a força da sua existência. Tudo que explode e lava tem nosso respeito. Diz: como é que podemos viver sempre ladeira abaixo, ladeira acima? Se arrebentar e se refazer tantas vezes. Com que cara a gente se ergue? Só sei que sobrevivemos. E ainda sobra cara para bater e peito aberto. Marcela, quantos navios já naufragaram no seu oceano?

   Assista ao vídeo poesia: Elas Declamam – Marcela,

 

Autora convidada

Maria Gabriela Verediano escolhe a cada dia quando vai ser Maria, quando vai ser Gabi, quando Gabriela e quando a gravidade de um nome composto. Maria não tem medo de nada, e o que sente escreve. Gira, gira, gira, e sonha. E samba. E mostra. Ela escreve no blog Sambaprasmoças

 

Moça,

 

 

 

Escrevo uma carta para tu. Eu sei que ainda doi, mas resista. A dor tá indo, a vontade de um Oi também. Aguenta! Logo, mais amor surge.

 

 

******

nem sua, nem meu
ainda não somos:
seus
meus
nossos.
ainda não somos eus.

 

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Mas não adianta insistir moça, a flor se abre quando ela quer, quando sente. Pétala quando cai é renovação, um novo começo pra essa flor, seja acompanhada ou só(lidão). Quando fechada, a flor não quer mais seu toque, a flor não quer mais seu amor.
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Eu disse para ele, moça, pelo menos pretendo em meus pensamentos:

 

– Eu preciso achar novas temperaturas como a sua, mas sem tantas oscilações. Nosso Kelvin deveria permanecer em zero absoluto.
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Ai, moça, o concreto virou porta. E a porta, poesia. Eu que antes via de olhos fechados, passei a enxergar. Sorri.

We have a ocean

Coração do mar é terra que ninguém conhece – Oswald de Andrade

 

Foto: Ana Luiza Calmon

 

 

– Your hair has waves, just like the ocean.

Foto: Ana Luiza Calmon

 

Sabe, não imaginava que um loiro com olhos cor azul cinza fosse me encantar. Seu olhar reflete a água da Irlanda. Flui. Corre. Percorre. Transpassa pelo seu sorriso, seu sotaque, seu curto, porém musculoso corpo. Nunca havia te visto, mas sinto que já nos cruzamos. Temos aquela sintonia de pronunciar frases idênticas ao mesmo tempo, na mesma respiração. Depois rimos de nós mesmos. Coincidência.

Sua pele é quente. See, you are so warm que toda a minha quentura se reduz a temperatura ambiente quando estou com você. Te toco e não sinto frio. Você me faz rir, parece acreditar em mim. Te pareço idealista, boba e gentil. Sim, eu sou isso tudo. Mas você desperta isso em mim. Me sinto engraçada e feliz conversando com você. Mas foram apenas dois dias. Dois dias. Me sinto confortável, leve, eu mesma. Você tenta me conhecer, me descobrir, me sentir. Você acredita em mim. E eu, acredito?

Talvez.

Talvez, eu precise que você, vindo de outro lado do oceano, me diga que é possível sonhar o meu sonho, realizar o que idealizo. Você me disse para não pensar demais, e eu tenho tentado, acredite. Mas é que nasci sambando com a filosofia mais do que com o próprio som que veio lá do morro. Sim, sambo também. E queria dançar para você como havíamos imaginado. Você me ensinando salsa e eu forró. Como seria nosso gingado, como seria nossa dança?

Não sei por que escrevo isso tudo sobre você, sobre nós. É tão pouco tempo, mas parece tão certo, tão diferente, tão novo. Muitos adjetivos, eu sei. Eu apenas sinto, meu bem. Sinto que é, que está sendo. Você parte daqui a dois dias para o outro continente, pegará outras ondas. “I want to keep contact”, você diz. Sinto que também quero. Mas ai eu penso. É perigoso.

Todo esse tempo eu nunca havia sentido tanta ansiedade e medo ao mesmo tempo ao encontrar um estranho como você. Parecia uma menina toda nervosa porque vai encontrar seu namorado. E parecia uma mulher desconfiada, receosa desse encontro às cegas que não são a primeira vez que lhe ocorrem. Você é o primeiro com quem tenho imensa vontade de arriscar meu inglês, sem vergonha. Talvez seja a autoconfiança finalmente em atividade, talvez seja a coragem, talvez seja você. Está acontecendo.

E nós nos entendemos como eu não entendo sequer um português bem brasileiro. Nós nos entendemos. Você me vê e eu te vejo, e assim trocamos piadas e inventamos histórias futurísticas sobre nosso casamento que sequer existirá porque não queremos uma casa com filhos. Mas até no estilo da casa nós concordamos, sem combinar. A gente pensa tão igual, não é?

Eu tenho medo do que poderá ser, continua novo demais para mim. O que apenas tenho certeza é que você está me entendendo do jeito que eu me entendo. Você percebeu essas ondas em mim que tantos não viram. E você tem toda razão. Meu cabelo tem ondas como o oceano. Assim como eu, por completo. Eu começo pequena, cresço e me transformo, percorrendo aonde eu desejar que seja a minha praia. E ai eu recomeço. Tem dias que sou onda rasa, mansa, outros que sou onda brava, forte e avassaladora. Mas sou toda eu, unicamente meu próprio mar. Se você saberá navegar ou não, ainda não sei. Assustadoramente, sei que quero descobrir.

– Don´t think too much, Ana.
Ok, você tem razão. Estou sendo boba demais.

Em um mundo de fugitivos, revolucione: Fique

 

 

 

O sol da tarde engole minha disposição enquanto minha bagunça mental atravessa barreiras e passa o dia no meu quarto. Tênis, livros, histórias, CDs, músicas. É como se tudo fosse uma caixa grande de madeira, com uma luz no teto e ursos fofos sobre a cabeceira. É inevitável não lembrar os dias que você aparecia e me deixava mais calma, mais viva, mais eu mesma. Talvez eu seja uma pessoa dependente, talvez eu goste de pessoas que aparecem, talvez eu mereça mais do que pessoas que se sentem no direito de entrar e sair da minha vida como se ela fosse uma festa open bar.

E olha que eu nem bebo mais.

Dentre um devaneio aqui e uma paz emocional ali, eu me deparo com uma expressão não muito nova sobre coisas passageiras: Amor de verão.

Vocês sabem, né? Aquela coisa que ferve, que é sensacional, que te vira do avesso, e que acaba quando o verão acaba. Curto, intenso e, mesmo você acreditando que é mais do que você vê, é exatamente só aquilo que você vê, porque na hora que o inverno pessoal chega, é onde as pessoas fogem para lugares mais quentes.

Elas não esperam o frio passar. Elas não se importam em ser presente ou em ajudar você a se manter aquecida durante o inverno que parece sempre ser infinito, então elas fogem. Sinceramente, não sei por que. Pode ser que seja mais fácil, que seja mais cômodo, que seja hábito. A vida é corrida e eu sei, e sempre foi, e sempre será, mas nada justifica abandonar pessoas em seus invernos particulares, sabe. Nada justifica.

Então sejamos o melhor futuro imaginável: ficaremos. Enfrentaremos. Tentaremos.

Amor de verão é legal e tudo mais, mas eu mereço um amor para a vida toda, por todos os dias. Eu vejo cada indivíduo como um ser cheio de histórias e aprendizados a ensinar, com um coração fofo e cheio de amor, então eu sempre escolho ficar. Por mim, por elas, por nós, por tudo. Enfrentar todas as estações possíveis me deixa com o coração quente e a alma leve.

Eu escolho revolucionar.

Sempre tive problemas com os excessos, mas eu não abandono pessoas. Eu não fujo, eu não me escondo.

Eu escolho ficar.

“Ai de mim que sou romântica…”

Ai de mim que sou romantica

Chego ao compromisso na hora exata, com aquela pitada de atraso, e, de longe, vejo ele me vendo chegar. Sentado, tranquilo, fofo calmo. A praça quase vazia não surpreende, pois o vento rasga pernas peladas como as minhas. Ele pergunta:

– Que horas você sai?

– Em uma hora, mas tudo bem se você não ficar.

– Em uma hora?

– Sim.

“Ué”.

Subo, finalizo e trombo com a praça na saída. Nem parece que ele saiu dali.

– Ué.

– Passei pra te dar um beijo.

Fofo Bacana.

Um beijo, um sorriso, um abraço e um convite:

– Quer pipoca?

Pipoca, praça, noite fria e eu de mãos dadas. Fofo Clichê.

Não tenho histórico de namoricos em praças públicas, mas sempre achei algo que deveria ser feito mais vezes. Não só por casais que estão começando, mas acho que a simplicidade é um ponto que vale voltar de tempos em tempos. Talvez esse seja o nosso tempo de voltar aos princípios.

Entre “me dá um queijo” e “não come meu bacon”, me imaginei em um futuro – espero que um pouco – distante com uma barriga um pouco maior, sentindo um corpo chutando costelas e dizendo que “não é desejo, é só vontade”. Sem muita pressão, sem planos, sem por quês. Apenas curti um banco duro e gelado enquanto o fofo do meu lado fingia que não estava comendo meus amendoins. Pela primeira vez em algum tempo, eu simplesmente estava ali, da forma mais leve e mais gostosa possível.

A pipoca acabou e o tempo dizia que era hora de ir embora. Ele segura minha mão e me acompanha até a próxima praça, contando coisas corriqueiras e sem sentido enquanto eu analiso suas expressões.

Fim da linha. Um beijo, um sorriso e um abraço. Dessa vez, o convite virou lembrete (“Durmo com você amanhã”) e veio acompanhado por outra afirmação:

– Eu te amo.

Fofo.