Pseudo-gaia

Existem várias maneiras de virar o mundo de alguém de ponta cabeça, ter um filho pode estar no topo da lista de muitas pessoas.

Nunca foi o meu caso.

Sou uma feminista vadia, odiadora de homens, apoiadora de assistência médica em abortos (cof cof itonia cof cof)… e eu sempre quis ser mãe.

Então a minha única reação possível seriam sorrisos durante nove meses.
Vou te dizer uma coisa amiga, minha gravidez foi tranquila.

Continue reading “Pseudo-gaia”

Libertando-me

Estava pensando em plena véspera de aniversário, que muito do meu crescimento emergiu dos meus maiores desalentos. Nos meus desesperados momentos de solidão que eu aprendi a lidar com o jeitinho que a vida tem de nos fazer crescer.

 

Arte Egon Schiele

Músicas tristes, festas, álcool, amores tapa buraco, orações milagrosas, livros de autoajuda. Nada disso, absolutamente nada, me fez evoluir tanto quanto o meu próprio caos pessoal. O meu próprio caos fez com que eu aprendesse o que é a liberdade em sua essência.
Quando tinha 15 anos achava que a liberdade era sair a hora que eu quisesse, aos 18 achei que era apenas me sustentar, agora vejo a liberdade como um estado de alma e não físico.

Quando a dureza do coração se transforma em calmaria e depois em dureza de novo, e calmaria, e por aí em diante até chegar no equilíbrio perfeito onde os sentimentos não são mais necessidades e sim complementos de uma alma que já transborda por si só.
A saudade, as coisas que deixei pra trás, o amor próprio que aprendi a cultivar sem ajuda mas por mim mesma. Admiração,coragem acabaram se tornando fundamentos que construí em meu próprio eu, tornou-me densa. Mais densa do que todos os amores que achei que seriam eternos, do que todas as amizades fogo de palha, de todas as questões vividas que me arrebentavam a alma.
Hoje eu aprendi que a liberdade nasce de mim, do meu amor por mim mesma, na confiança do meu eu, das minhas palavras boas para comigo, e da certeza que a minha felicidade só pode ser dada pelo meu próprio eu, e que ela sempre esteve lá, eu que não tinha fé que meus braços podiam alcançá-la.
A idade não traz diplomas, nem casamentos, nem nada sólido(independente do desejado)  se você não estiver sólida. Se eu não tivesse trocado minhas certezas de boteco por experiências de “óleo quente na ferida” talvez eu nunca estivesse escrevendo esse texto . Quando parei de me culpar, e deixei ir tudo que me podava, quando parei de me comparar com outras vidas e passei a olhar para meu progresso do ontem para hoje foi que me libertei.
É uma delícia a descoberta de que pertenço a mim mesma, que todo ódio e correntes vinham de mim. Hoje sei o que sou, e amo ser essa pessoa consciente de suas escolhas, responsabilidades e principalmente a mulher consciente de não ser apenas completa mas inundada.

Carta para uma versão mais evoluída de mim mesma

 

 

 

Poderia começar dizendo “Olá!”, mas ambas sabemos que eu não falo “olá”. Eu mal falo “oi”, apesar de não saber para qual lado pode ocorrer essa evolução, né. Hoje, nesse momento, as coisas estão em processo, como sempre. Talvez essa seja a hora que eu, ou você, consiga ver que eu posso fazer melhor do que isso, em alguns aspectos, e começar a arrumar a casa daqui.

(Será que daqui 5 anos vou estar morando em um apartamento? Espero que não, mas, se tiver, nada contra.)

Hoje as coisas não estão tão ruins, apesar de ainda ficar meio perdida por alguns momentos, sabe. Eu já consegui listar as coisas que me trazem mal estar – todo tipo de mal estar – e tenho desenrolado um por um, aos poucos, sem pressa, já que a noite é uma criança e, em milhões de aspectos, eu também. Tanto que, mesmo odiando recomeçar, tenho usado o otimismo para assumir que é preciso recomeçar quando se encontra algumas falhas. E pretendo não usar tanto os verbos “odiar/detestar”, porque né, convenhamos, que coisa boa isso pode trazer?

Consegui chegar no consenso de que não vale perder o meu – nosso – tempo falando sobre coisas que não gostamos, e isso inclui tanto vida de vizinhos quanto mal daquela banda ruim. Sabe aquela coisa de que, no fim das contas, não faz diferença? Porque não faz. Eu perder meu tempo para falar mal de alguém ou de alguma coisa não me faz ter mais tempo, não me faz ter mais dinheiro, não me faz ser um ser humano melhor, e é isso que eu tenho buscado nos últimos meses.

Ser um ser humano melhor.

Ser um ser humano que as pessoas possam contar, caso queiram, e que fique em paz com as escolhas que faz, porque hoje, especificamente, as coisas ainda não funcionam assim.

Só quero que você saiba que hoje eu estou tentando. Em vários sentidos, para vários lados. Quero que você saiba que hoje a vida anda meio bagunçada, e eu sei que você vai lembrar disso quando ler. Sei que você vai lembrar das dúvidas que rodeiam a minha cabeça, dos fantasmas que eu ando encarando no espelho, da falta de apoio que, nesse momento, é latente.

Mas eu não vou parar.

Apesar dos pesares, do medo, da vontade de fugir, eu não vou parar.

Nós merecemos coisas muito maiores do que eu tenho nesse exato momento, e eu sei que você vai ficar grata à essa adulta sem muita experiência por continuar tentando.

E, por favor, não alugue um apartamento. Se você estiver morando em um apartamento, receio não poder ter um gato, e eu quero muito ter um gato.

A gente se vê daqui uns anos.

Megan.

Amizades instantâneas não me nutrem

Uns minutos de total descontrole e caí, sabe-se lá como, em um mar de dúvidas e opiniões sobre a onda de pessoas que passam pela nossa vida e, principalmente, o tanto que eu acreditei que durariam para sempre.

(Um asterisco fofo: eu sempre acreditei que todos nós temos, ou teremos, uma pessoa para a vida toda.)

Tudo bem se eu me tornar uma pessoa ingênua à partir de agora, mas eu simplesmente não consigo mais acreditar na ideia de que as pessoas apenas vem e vão. Não consigo ignorar o fato de que eu, pau para toda obra, passo na vida das pessoas com mesma frequência que almas em fuga desaparecem de listas de contatos e números de emergência, e por vários anos eu achei que o problema fosse eu.

E talvez seja mesmo.

Por mais que eu ache linda essa coisa de você criar uma conexão rápida com alguém, no meu caso, conexões não salvam amizades fracas que surgem quando a agenda deixa. Ao meu ver, amizade é mais do que ir do começo ao fim em 3 meses, e talvez hoje eu entenda o por que.

Amizades instantâneas não me nutrem. E talvez não nutra ninguém.

Continue reading “Amizades instantâneas não me nutrem”

O quanto somos vendíveis?

 

Se tem uma coisa que a maioria das pessoas têm em comum, essa coisa é a vontade de ter mais dinheiro. Sim, me incluo, sinto muito por isso, mas todos nós sabemos que as contas não são pagas nem com abraço nem com energia positiva. E sinto muito pelo trocadilho. Mas até onde vale ter dinheiro, quando a forma de ganhá-lo mexe com a sua essência? Quando isso acontece, o que estamos vendendo, exatamente? Nosso trabalho ou nossa saúde mental? Se a sua resposta for a segunda opção, espero que você seja mais que milionário. É, eu sei, não somos.

Existem algumas propostas de trabalho que, por mais que nosso bolso peça ajuda. A nossa mente entra em curto e é como se houvesse uma traição nossa com nós mesmos. A ideia do dinheiro entrando é sensacional, mas e a noite? Está bem dormida?

A minha não estaria.

Nosso sono pode ser reembolsável?

Continue reading “O quanto somos vendíveis?”

Não peça por paz. Transforme-se

Desde pequena eu usei o fim de ano para fazer promessas e pedir coisas. Geralmente, eu fundia as duas coisas e tentava tirar o máximo da minha responsabilidade sobre esses atos, já que, né, quem dá presente é o Papai Noel. Eu só recebo. E olhe lá, já que eu nunca levei a sério essa coisa de ser uma boa menina.

Conforme o tempo passa e amadurecer deixa de ser opcional, você começa a sentir o peso dos pedidos, pelo menos eu comecei a sentir. Parei de pedir amigos e relacionamentos novos, porque amigos não são plantas que você vai lá as vezes e coloca um pouco de água; parei de pedir para perder peso, já que me amar é mais importante do que o número da minha roupa e, principalmente, parei de pedir paz.

Sim, eu sei que eu sou responsável apenas por aquilo que me rodeia, e olhe lá, mas se eu não puder transformar esse espaço em um espaço pacífico, como eu posso pedir consciência por outras pessoas que ainda fogem das responsabilidades, independentemente de quais sejam?

A ideia, deixaremos claro, não é entrar em crenças, mas entrar em um ponto que toda a humanidade tem em comum: o ato de mudar.

Nós, como seres pensantes, agimos da mesma forma todos os finais de ano, pedindo coisas que poderíamos conseguir – se isso depender só de nós – e tirando a nossa responsabilidade sobre atos que envolvem mais do que um cara rico nos dar um emprego. É fácil acendermos uma vela pedindo por um ano melhor, sendo que na nossa primeira oportunidade de transformar o nosso ambiente em um ambiente mais amigável e pacífico, nós distribuímos pedras e paus à todos os navegantes.

Paz não deveria ser um pedido, mas um exercício de consciência diário.

É super fácil jogarmos a responsabilidade de uma humanidade sedenta de sangue em um ser acima de nós. É cômodo, prático, simples. É super fácil fazermos pedidos de paz pra o Bom Velhinho enquanto fazemos da vida dos outros um inferno particular.

Que nesse finzinho de ano nós possamos colocar as duas mãos na consciência – as duas porque as coisas andam complicadas – e que estejamos aptos a arrumar os nossos erros e excessos, para que o ano que está chegando não venha com preconceitos sobre os humanos pidões. Todos nós queremos um ano bom, mas ninguém se preocupa em ser bom para o ano que está vindo, muito menos com as coisas que estão vindo.

E ainda dá tempo. De mudar, melhorar, evoluir. A paz não vem dos outros, mas vem de nós.

Transforme-se.

Liberdade de escrita

Tudo pode ser descrito

Escrito

Até mesmo o silêncio

         O vácuo também transpassa entre meus dedos

Atravessa o azul

Alcançando o branco

E assim nada mais é silêncio

De repente o mundo transborda sobre mim

          E tudo é música

Vento, desejo, fome, insegurança

Revista, trabalho, viagem

Ovos, animais, imagens

Sexo, raiva, fantasia

Cores, futuro, revolta

Tudo pode ser escrito

 

 

   Essa é a beleza das palavras, elas revelam tudo, me mostram tudo, amo a liberdade de escrita. Não importa quão bloqueada eu me sinta, todos os meus pensamentos podem dançar por entre meus dedos.

 

   Comecei no ensino médio, quando aproveitava pequenos intervalos para escrever o que eu sentia naquele momento. Meus escritos deveriam ficar escondidos naquela época.

 

   Trancado à 10.000.000 de chaves, mas hoje não! Tudo o que sinto eu preciso deixar bem à vista, aberto, escancarar ao mundo o que sou e penso sem temer as críticas e os risos.

 

   Hoje foi assim, um breve lampejo que pode parecer insignificante para você, mas para a Alessandra foi libertador. Então eu escrevi, me faz bem, então por quê não?

   De agora em diante, vou escrever e mostrar tudo o que vier de mim.

 

 

Continue reading “Liberdade de escrita”

Eu sou meu próprio mar

Não preciso de um marinheiro para me navegar. Quero que ele fique se for para acompanhar meu movimento.  O controle não faz parte da minha travessia, mesmo o mar entende que as ondas do meu cabelo formam seu próprio caminho. Elas se tornam. O marinheiro tentou tomar posse dessas ondas. Ele quis prendê-las num coque, deixá-las menos selvagens e mais retas. Desde quando onda forma linha?  Marinheiro que é marinheiro respeita e compreende o mar, se deixa levar.  Entende essa mansidão que logo se transforma em tempestade, que vem chegando sereno, logo expande e te abraça para o fundo. Como estar com um homem que não aprecia as ondas? Não há fórmula para domar o oceano. Ele é seu próprio domínio, sua casa, sua morada, ele também só deixa entrar quem se entrega e mergulha profundo, não importa o tamanho. Só se apaixona pelo mar quem ama sua intensidade e imprecisão. Sei da minha impulsividade e fraqueza. Sei também da minha força, minha feminilidade. Só quero que o marinheiro entenda: sou eu quem escolho minha forma. São as minhas ondas que me levam.

por que eu ainda me lembro de você

Por que eu ainda me lembro de você?

As quintas-feiras ficaram marcadas na minha vida assim que eu comecei a usar a minha insônia para ver séries durante a madrugada, mas algumas coisas mudam. Sempre mudam. Eu me lembro de uma ligação, na quinta à noite, com a ideia de parabenizar alguém, no caso eu, por ter sobrevivido ao último ano. Eu detesto ligações (colocarei isso na minha mini biografia ali em baixo). Detesto atendê-las, detesto falar no telefone, detesto ver o celular tocando e só quero que acabe logo para eu poder voltar ao meu mundo “digitativo”, mas foi algo que me trouxe sorrisos e uma conversa longa, de quase uma hora.

Me considerando alguém adaptável, posso afirmar que sobreviver à experiência de conversar com alguém por quase uma hora, no celular se transformou em algo de orgulho. Mas eu queria mais. Infelizmente, eu queria mais. Mais risadas, mais conversas, mais coisas, mais quintas, mais comidas. Sempre achei lindo o excesso quando se trata de algo somativo, mas quando temos a certeza de que algo realmente veio para somar? Será que foi com você que eu aprendi que conexão é só a ponta de um iceberg?

Eu queria te contar sobre os meus dias, sobre as minhas dúvidas, sobre as vontades que mudaram durante o tempo e sobre as coisas que eu cogito fazer hoje, que eu jamais cogitaria um tempo atrás, mas eu não mereço alguém que defenda a conexão sem demonstrar reciprocidade e respeito ao próximo.

Sinto muito, mas eu não mereço.

O tempo me deu muitos tapas na cara mostrando que nada vale mais do que pessoas; que uma tarde com amigos vale mais do que uma semana vivendo a base de fluoxetina ou serenata; que o melhor barbitúrico que alguém pode querer é ter uma mente quieta com um coração que transborda respeito e carinho pelo próximo. E, por mais irônico que isso pareça, foi você quem me ensinou isso. Nas quintas à noite, nos domingos de manhã, nos e-mails de sexta e nas histórias de terça.

Por mais irônico que isso realmente seja, eu aprendi isso quando você foi embora e, nesse momento, me veio uma música dos anos 2000, que diz: “Te perdendo eu cresci tanto que eu não sei/ Se eu quero mais ter encontrar”.

Talvez a reciprocidade seja mais importante do que a conexão em si.

Não.

Conexão me perdoa, mas quero algo mais palpável, mais real, mais possível.

A reciprocidade é mais importante do que a conexão em si.

Marcela

Marcela,

   Nós temos uma usina hidrelétrica no peito. Não cabemos em pouco. Queremos muito da gente mesmo e dos outros. Sem querer exigimos mais do que a realidade oferece. A realidade nunca nos foi palpável. Rasa demais, a propósito. Queremos é invenção, virar de ponta cabeça. Queremos o estômago saindo pela garganta, taquicardia. Que mundo fosse mais rasgado que toque na ponta dos dedos. Que fosse mais pele quente, mais braços, mais pernas. Olhos grandes encarando a gente do lado de cá. A gente faz prece vendo a ressaca do mar, porque a gente respeita a força da sua existência. Tudo que explode e lava tem nosso respeito. Diz: como é que podemos viver sempre ladeira abaixo, ladeira acima? Se arrebentar e se refazer tantas vezes. Com que cara a gente se ergue? Só sei que sobrevivemos. E ainda sobra cara para bater e peito aberto. Marcela, quantos navios já naufragaram no seu oceano?

   Assista ao vídeo poesia: Elas Declamam – Marcela,

 

Autora convidada

Maria Gabriela Verediano escolhe a cada dia quando vai ser Maria, quando vai ser Gabi, quando Gabriela e quando a gravidade de um nome composto. Maria não tem medo de nada, e o que sente escreve. Gira, gira, gira, e sonha. E samba. E mostra. Ela escreve no blog Sambaprasmoças