“Mulher do fim do mundo, eu sou e vou até o fim: cantar” – Sejamos todas Elza Soares

“Não se faz mais músicas como antigamente” é uma frase clichê das pessoas com mais de 25 anos e, talvez, elas tenham razão. Porque, realmente, não existe nada nesse mundo que possa ser comparado com os tapas dados por Elza Soares no seu último CD, “A mulher do fim do mundo”, de 2015. Talvez um pouco exagerado esse título, não? Ok, não, não é nada exagerado.

Elza nasceu em 23 de junho de 1930 e, por ordem do pai, parou de estudar e se casou aos 13 anos, tendo seu primeiro filho com 14. Com o filho recém-nascido e doente, ela une sua vontade de cantar com a necessidade financeira e participa de um programa na Rádio Tupi. Por ser uma criança simples, foi vítima de chacota até mesmo do apresentador Ary Barroso, sendo perguntada de qual país ela veio. Não, ela não se abalou e levou o prêmio para casa. Seu filho, infelizmente, não sobreviveu.

Perdeu seu segundo filho com 15 anos, e, quando tinha 21, ficou viúva, com 5 filhos para criar. Dentre mais coisas negativas, incluindo o sequestro de uma de suas crianças, ela teve um relacionamento com o jogador Garrincha que durou de 1968 até 1982. Em 1969, em um acidente de carro, ela perdeu a mãe. Garrincha, bêbado, dirigia quando foi fechado por um caminhão. Estava o casal, sua mãe e uma de suas filhas. Como ele sempre teve um problema grave com bebidas, Elza era vista como a bruxa da história por tentar impedir seu marido de beber cada vez mais. Eles tiveram apenas um filho.

Por mais que já pareça muito, as tragédias não pararam por aí. Garrincha morreu de cirrose em 1983 e o filho do casal morreu em outro acidente de carro em 1986, com 9 anos. Nessa época, sua carreira musical estava alavancada e, após uma tentativa de suicídio, ela resolve fazer uma turnê pela Europa e pelos EUA.

Ela cresceu musicalmente, persistiu e se tornou alguém em que todas nós deveríamos nos inspirar. As perdas são mais do que significativas, claro, mas ela foi considerada a cantora no milênio em 1999, fora fatos incríveis como ir ao Chile em 1962 representando o Brasil na Copa do Mundo, ter conhecido Louis Armstrong e ter conseguido encontrar a filha sequestrada.

Talvez ela seja mesmo uma mulher do fim do mundo.

E que todas nós possamos ter um pouco de Elza dentro de nós.

Só… Sintam!

10 canais para seguir

    A internet hoje é muito mais que um veículo de entretenimento. Através delas é possível se comunicar, aprender, conhecer pessoas, participar de debates, trabalhar, entre outras coisas.

    O YouTube surgiu há mais ou menos 11 anos e hoje é uma plataforma de multifunções. Uma plataforma que tem crescido e dado oportunidade para pessoas compartilharem opiniões sobre diversos assuntos. E  o feminismo tem sido mais explorado e mais falado em muitos canais.

Pensando no crescimento dos debates sobre o tema, separei alguns canais voltados para o empoderamento feminino, canais que também falam de questões importantes sobre a mulher na sociedade atual, feminismo, desconstrução de conceitos e entretenimento com informação de qualidade. Canais de mulheres que falam sobre mulheres, que valem a pena acompanhar e abrir mais espaço para a discussão desses temas, de forma saudável.

 

1- Alexandrismos por Alexandra Gurgel

O canal fala sobre a vida da mulher gorda na sociedade, machismo, empoderamento, aceitação e situações atuais de forma clara, objetiva, abrindo nossa mente para questionamentos e reflexões.

Link para o canal: www.youtube.com/channel/UC2LQ5jMieMZjb5k5Gprp2JQ

 

2- Nunca te pedi nada por Maíra Medeiros

Além de falar sobre situações cotidianas, o canal aborda entretenimento, quadros que ressaltam feitos de mulheres importantes na nossa história e no mundo.

Maíra também criou a série Por que mulher?, onde cada vídeo falava sobre os estigmas impostos às mulheres pela sociedade.

Link para o canal: www.youtube.com/channel/UCYWtYb0GcYrhDxOykcUpzJw

 

3- Mais magenta por Dani Cruz

Dani traz temas mais relacionados ao feminismo didático, falando sobre vertentes, também aborda tutoriais de maquiagem, faça você mesmo e música.

Link para o canal: www.youtube.com/user/BlogMaisMagenta

 

4- Olívia do Olivices por Olívia Godoy

Olívia é uma pessoa que reflete pura luz, fala sobre autoconhecimento, vida, sexualidade e feminismo de uma forma leve, além de compartilhar experiências pessoais

Link para o canal: www.youtube.com/user/ligmoreira101

 

5-  Ellora Haone

Um canal que fala sobre relacionamentos, sexualidade, feminismo, vivências e saúde mental. Totalmente descontraída e genuína.

Hellora fala sobre também aceitação, privilégios e assuntos cotidianos.

Link para o canal: www.youtube.com/user/ElloraHaonne

 

6- Jana Viscardi

Fala sobre tudo. Educação, feminismo, machismo, como lidar com algumas frustrações da vida, sobre saúde e sobre assuntos polêmicos, política, atualidades. Sempre abrindo o espaço para refletirmos enquanto parte dessa sociedade cheia de tabus e conceitos padronizados e impostos ao longo dos tempos.

Link para o canal: www.youtube.com/user/janaisaviscardi

 

7- DePretas por Gabi Oliveira

Um canal sobre questões raciais e estética da mulher negra, vivências e atualidades. A pessoa mais sorridente que está plataforma já teve, mesmo quando fala de assuntos mais sérios como racismo.

Link para o canal: www.youtube.com/channel/UCF108KZPnFVxP8lILiJ1kng

 

8-  Bonjur monamour por Ju Giampaoli

Um misto de ativismo lgbt, feminismo, arte e vivências. Problematizações, políticas, ocupação do nosso espaço são uns dos assuntos que ela também aborda no canal.

Link para o canal:  https://www.youtube.com/channel/UCQMkZR8vkwPdxzgOxvTwd2Q

 

9- Barraco da Rosa

Vivências da mulher transsexual, periférica e negra e afro-latina, em toda sua extensão.

Um canal que todos, independente de gênero deveriam conhecer, e consequentemente ter maior visibilidade.

Link para o canal: www.youtube.com/channel/UCCX7dUMgO8_ORxWQ4PU4ISA

 

10- Sheylli Caleffi

Aborda a liberdade de expressão e a liberdade sexual da mulher, quebra de tabus, experiências pessoais, formas de amor, feminismo, arte e cultura.

Link para o canal: www.youtube.com/channel/UCUf6JNKUrzEdppdOt2-Xk-Q

 

    Há vários outros canais que poderiam ter sido listados, mas além de canais já conhecidos houve a intenção de mostrar os canais que tem surgido com a proposta de sempre abrir mais espaço ao debate e a discussão de temas importantes para a nossa desconstrução pessoal, além de uma quebra de padrões e uma série de possibilidades para as mulheres.

     Aproveita esse fim de semana e dá uma passada nesses canais para fortalecer as criadoras de conteúdo e abrir seu leque de conhecimentos​ não só sobre feminismo, mas também sobre a vida e o universo.

 

Ser. E só

Sobe a sensação do poder
Do ser, do querer, do saber
Através dos dedos eu descubro
Dentro de todo o meu silencio imundo
Todas as palavras que eu fujo
Os assuntos que eu me inundo
As roupas que eu não me desfaço
Meus medos com roupas de palhaço

Sinto o cheiro de uma chance maior
O coração se sente menos só
História antiga se reescrevendo
“Não acredito que está acontecendo”
Crio ideias para o feriado
Assumo. No fundo, nada de errado
Observo o motivo inicial
Talvez, no fundo, não seja tão mal

Voltamos aos verbos do começo
“Ser, querer, saber”. Ok, eu mereço
Noites de paz dentro de mim
Talvez seja simples assim
Video game com música no fundo
Assumir totalmente esse meu mundo
Esse recomeço com sentimentos mistos
Desculpa, mas… [ainda] Não falo sobre isso.

Angélique Namaika

 

Imagem de reprodução Google imagens 

 

Uma mulher simples. Poucos recurso.       Um coração gigante.

     Tamanho é este coração, e tamanha é a sua fé na vida, no recomeço, que está simples mulher é a maior inspiração para nós.

     Uma freira congolesa, premiada pelo Alto Comissionado das Nações unidas (ACNUR), ganhadora do prêmio Nansen 2013, por ajudar mulheres vítimas de violência sexual e crimes brutais de gênero, cometidos pelo Exército de Resistência do Senhor (LRA, em inglês), e por outros grupos.

     Uma freira, que percorre todo o Nordeste da República Democrática do Congo, na tentativa de minimizar os danos e traumas sofridos por essas mulheres, covardemente agredidas, abusadas de todas as formas, e como se não bastasse, também privadas da convivência com suas famílias e a sociedade. Mulheres julgadas culpadas pela violência que sofreram.

     Namaika é líder no Centro de Reintegração e Desenvolvimento, e já ajudou mais de duas mil mulheres e meninas, que foram.obrigadas a deixar suas casa após sofrerem violência.

     Nakaima, considerada como mãe por muitas, tem um cuidado especial. Ajuda na recuperação da vida, incentiva a volta aos estudos e ensina atividades remuneradas, assim como empreender.

      Parte da motivação de Nakaima vem do seu próprio sofrimento, após ser vítima do LRA em 2009, e ser obrigada a deixar sua casa, e sair de sua cidade, Dungu.

     Uma mulher guerreira de verdade, que transformou sua dor em amor ao próximo, em empatia, em sororidade. Em compaixão.

“Jamais vou parar de fazer tudo o que estiver ao alcance para dar- lhes esperança é uma chance de viver de novo.”

Uma mulher que traz um sorriso, uma marca é uma lição à nós todas.

 

7 músicas da Pitty que me colocaram no cantinho da disciplina para pensar na vida

“Cantinho da disciplina”, para quem não sabe, é para onde as crianças que não foram tão boazinhas ficam para realizar o maior ato de crescimento pessoal: pensar na vida. Cada música dessa lista me fez sentar no meu cantinho imaginário e pensar. Na vida, nas pessoas, na sociedade, nos meus atos e, principalmente, onde eu posso melhorar. Segue a lista:

7 – Admirável Chip Novo

Nome do primeiro álbum da baiana, que saiu em 2003, “Admirável Chip novo” me fez ver e pensar na manipulação que sofremos mesmo sem perceber. Fora o clipe que é uma chacoalhada digna de “eita”.

(Informação inútil: o Duda, baterista, ainda tinha cabelo)

A música fala sobre a sensação de nos sentirmos únicos e totalmente independentes (“Nada é orgânico/É tudo programado/E eu achando que tinha me libertado”). Mostra também algo que lembra uma lista de coisas que precisam ser feitas (“Pense, fale, compre, beba/Leia, vote, não se esqueça/ Use, seja, ouça diga/ Tenha, more, gaste, viva”) e finaliza o refrão com aquele tapa carinhoso no meio da nossa cara, mostrando a nossa submissão (“Não senhor, sim senhor, não senhor, sim senhor”).

6 – Na Sua Estante

 

Música do segundo álbum, “Anacrônico”, lançado em 2005, “Na Sua Estante” conta a história de amor de um robô por uma humana. Deixo o clipe aqui pois a versão ao vivo é a que mais me faz sentir, seja lá o que for isso que sobe pelo meu corpo quando a música começa.

Essa música me fez ter gotas maiores de amor próprio e me preparar para as pessoas que vêm e vão (“Você está sempre indo e vindo, tudo bem/Dessa vez eu já vesti minha armadura”), mostrando também que, independente do que aconteça, eu sou mais do que isso (“E mesmo que nada funcione/Eu estarei de pé/De queixo erguido”). Me fez ver que eu não sou troféu de ninguém (“Eu não ficaria bem na sua estante”) e que eu sou suficiente, mesmo que demore, mesmo que doa, mesmo que seja difícil, um dia de cada vez (“Só por hoje não quero mais te ver/Só por hoje não vou tomar minha dose de você/Cansei de chorar feridas que não se fecham, não se curam/ E essa abstinência uma hora vai passar”).

5 – Seu Mestre Mandou

Do álbum “Des{concerto}”, de 2007, ela nós trás um tapa ainda maior do que em “Admirável Chip Novo” porque, convenhamos, me sinto submissa só de ler o nome da música.

A letra fala sobre nós, no sentido de sociedade, e em como somos mandados a tudo, indo da parte pessoal (“Pra que emprego? Que coisa chata/Aproveite o carnaval/Mesmo sem luz, proteção nem dinheiro/Por favor, não mude o canal”) passando pela política (“Vote em mim/Não discuta”) e uma cutucada em religião (“Tenha fé/Carregue a cruz”). A música termina com “E daqui a pouco vão querer/Morar em você.” Sim, sobra tapa e falta luva.

4 – Todos Estão Mudos

Do álbum “Chiaroscuro”, de 2009, “Todos Estão Mudos” me disse, com todas as letras, que era hora lutar.

Com frases como “Não parece haver mais motivos/Ou coragem pra botar a cara pra bater” e “Não espere, levante/Sempre vale a pena bradar/ É hora/ Alguém tem que falar” ela acendeu uma luz dentro de mim que eu não sabia que existia. Pela primeira vez eu havia sentido um sensação de que eu posso, sim, lutar contra as coisas que eu considero errado, e me orgulhar de lutar.

3 – Desconstruindo Amélia

Também do álbum “Chiaroscuro”, “Desconstruindo Amélia” afoga aquela famosa música que diz “Amélia que é a mulher de verdade”. Não, não é. Ouça o hino:

(Informação inútil²: Nunca vi tanto sentido na frase “Hoje aos 30 é melhor que aos 18/ Nem Balzac poderia prever”)

Não comentarei, apenas deixarei o refrão:

“Disfarça e segue em frente, todo dia, até cansar (ÔH-ÔH)

E, eis que, de repente, ela resolve então mudar

Vira a mesa, assume o jogo, faz questão de se cuidar (ÔH-ÔH)

Nem serva nem objeto, já não quer ser o outro

Hoje ela é um também”

2 – Pra Onde Ir

Faixa do DVD “Chiaroscope”, também de 2009, “Pra Onde Ir” me deixou menos perdida e mais tranquila para enfrentar o começo da vida adulta.

Cada ônibus que eu peguei na vida, depois dessa música, me fez sentir leveza e pensar que tudo bem ficar meio perdida as vezes, porque “A vida, as vezes, cansa por demais/Dispersa e enlouquece até o mais capaz”. Eu senti muito o peso que eu colocava nas coisas e o quanto a minha auto-cobrança me endoidava e que, com o tempo, eu saberia para onde ir (“Endurecer sem perder a ternura jamais/E descobrir pra onde ir”).

1 – Serpente

Do último álbum de estúdio chamado “SeteVidas”, que saiu em 2014, “Serpente” é a música que fecha.

Me vem uma sensação de evolução, de crescimento, de recomeço. Aquela sensação de ser sobrevivente e que “O que sobra é cicatriz/A sustentação é que o amanhã já vem”. É quase a vida me dizendo que as mudanças acontecem, nós gostando ou não, e temos que fazer o melhor (“Chega dessa pele, é hora de trocar/Por baixo ainda é serpente e devora a calda/Pra continuar”).

Porque “Logo mais o amanhã já vem”.

Gostou da lista? Mudaria alguma coisa? Conta aí!

Homem, você tem medo de quê?

Em uma sala de aula de inglês, dividi os oito alunos em dois grupos – quatro mulheres e quatro homens – e pedi para que eles conversassem entre eles sobre quais seriam as vantagens de ser do sexo oposto. Os homens conversaram sobre as vantagens de ser mulher, e as mulheres sobre as vantagens de ser homem. Até então, havia sido uma aula bem leve, engraçada, sobre os estereótipos de gênero presentes na sociedade e o quão distantes da realidade eles de fato são. A maioria das minhas alunas, por exemplo, não gostava de crianças e não pretendia ser mãe. Meus alunos todos gostavam de cozinhar e eram responsáveis por afazeres domésticos. Até aí, ok.

A discussão em grupos, no entanto, tomou uma proporção que talvez eu já devesse ter esperado. Ao listarem as vantagens de ser mulher, meus alunos – talvez inocentemente – apontaram que mulheres pagam menos para entrar nas festas, recebem bebidas e geralmente não precisam pagar a conta em um encontro. Da mesma forma, mulheres não são obrigadas a se alistarem, se aposentam mais cedo e etc.

Podemos discutir sobre a forma como meus alunos, enquanto homens, são alheios ao real significado dessas supostas vantagens: pagamos menos em festas pois somos a mercadoria da festa; recebemos bebidas pois os homens tendem a esperar receber algo em troca; não pagamos a conta pois o cavalheirismo assim o dita, e o que é o cavalheirismo se não uma forma de afirmação de superioridade, de dominação?; podemos dizer que o alistamento não é obrigatório a mulheres por que, majoritariamente, não nos querem lá, porque não somos consideradas fortes o suficiente, boas o suficiente; nos aposentamos mais cedo pois vivemos, ainda, uma dupla jornada que nos liquida no decorrer dos anos e, muitas vezes, impede o nosso progresso profissional. Mas não é sobre isso que precisamos conversar.

É sobre as vantagens de ser homem.

Minhas alunas, todas novas, adolescentes e jovens adultas, entre risadas desconfortáveis, sorrisos resignados e olhares para mim – como elas, uma mulher – listavam as vantagens de ser homem: as pessoas te respeitam sem você precisar fazer nada de mais; você pode andar na rua de noite sem ter medo de ser estuprada; se é um assalto, só levam as suas coisas, você não corre outros riscos; você pode beber em festas sem ser julgada por isso e sem se tornar vulnerável aos avanços de homens ao redor.

Se algum leitor homem chegar a esse texto, gostaria que me respondesse essa pergunta: Qual é o seu maior medo? Por que o nosso, claramente, é você.

Me chocou naquele momento, como sempre me choca quando escuto relatos de mulheres sobre as batalhas de se ser mulher, a quantidade extrema de medo com a qual convivemos diariamente. Temos medo de sair de casa, temos medo, em alguns casos, de voltar para casa. Temos medo no nosso ambiente de trabalho, de estudo, de lazer. Carregamos esse medo conosco todo o dia, e ele pesa, e ele nos limita. Me pergunto agora, assim como me perguntei naquela hora, olhando para os meus alunos calmos e leves, e para as minhas alunas que traziam um misto de tensão, tristeza e revolta, se os homens fazem ideia do medo que sentimos, do que é viver com pavor.

Me lembrei, compartilhei com eles, e venho aqui compartilhar com vocês, uma frase da maravilhosa Margaret Atwood que resume bem a discrepância entre os pesos que sujeitos masculinos e femininos carregam na nossa sociedade, na esperança de gerar uma reflexão da importância do feminismo como um movimento filosófico e político, e do longo caminho que ainda temos a percorrer para que uma total igualdade seja alcançada:

“Homens têm medo que mulheres riam deles. Mulheres têm medo que homens as matem.”

Stella Gibson,  The Fall – BBC

Mulheres fortes em séries que vimos por aí – mas não enxergamos – Parte II

Na semana passada eu comecei uma lista com mulheres fortes e emponderadas enfiadas em “meios masculinos”, mas que raramente prestamos atenção. Perdeu a parte I? Clica aqui!

Continuando…

4 – Miranda Hobbes (Sex And The City)

Sex And The City conta, basicamente, a história de quatro amigas (Carrie, Charlotte, Samantha e Miranda) e suas vidas, tanto pessoal quanto profissional. No início da série, todas são solteiras, cada uma com seu sonho e sua forma de imaginar a vida, mas algumas com a parte profissional um tanto quanto encaminhada. Caso de Miranda.

 

Miranda é advogada, totalmente independente e sem nenhuma ideia de romance. Sonha em ter a sua própria firma e não se permite levar em quase nenhuma situação.

“Eu não consigo dizer ‘eu te amo’. Não consigo. Não está no meu DNA.”

O interessante de Miranda é ela aprender a respeitar as idéias diferentes que as amigas acreditam e as defende, não só graças a sua formação acadêmica, mas existe uma conexão entre elas, que defende a irmandade, independente da forma de pensar de cada uma.

3 – Kate Beckett (Castle)

A série conta a vida de Richard Castle, um escritor de suspense, com milhares de livros vendidos e um ego que não cabe aqui no texto. Esquece o Castle. Em uma festa de lançamento, Castle conhece a detetive Beckett.

Dando um spoiler fofo, ele começa a trabalhar junto com a equipe de polícia de Nova York para escrever outra franquia de livros. Mas, como eu disse, esquece o Castle. Kate entra para a polícia para investigar o assassinato da mãe e vingar a sua morte. A trama vai muito além de um romance e Kate acaba chegando a pessoas grandes, praticamente intocáveis, colocando sua carreira em risco.

SIM! TEM MUITO TIRO!

O mais importante? Ela não pára. Ela abre mão, muitas vezes, das suas relações para responder as perguntas que a levaram até ali. E, cá entre nós, o Castle nem faz muita diferença.

2 – Addison Montgomery (Private Practice)

Addison sai de Grey’s Anatomy no final da terceira temporada para ser dona da p… parada toda em Private Practice.

Ginecologista, obstetra e, simplesmente, a melhor cirurgiã uterina do país, Addison cai na ironia de se descobrir estéril quando decide ser mãe. Não posso mentir falando que isso não faz muita diferença, porque faz, não só da história da série, mas também na história da ruiva. O ponto é o foco.

Ela não desiste. Ela simplesmente coloca na cabeça que ela quer um filho, e luta para conseguir. Aja poder, gente. Eu não teria essa garra não…

E a número 1, na minha mega humilde opinião…

[tambores rufando]

1 – Samantha Jones (Sex And The City)

SIM! Samantha Jones!

Sam Jones é promotora de eventos e faz a sua maior descoberta ainda durante a série, onde ela encontra um cara simples e transforma em um dos maiores modelos do mundo. Eu escolhi a Sam para estar aqui, como número 1, pela forma simples que ela encara os problemas das amigas e, óbvio, pelo seu amor próprio.

“Eu te amo mas eu me amo mais.”

Que frase mais linda né, gente! Ainda não vi nada que me trouxesse mais amor próprio do que essa personagem. Vale até um coração!

<3

Gostou da lista? Mudaria alguma coisa? Conta pra gente!

Mulheres fortes em séries que vimos por aí – mas não enxergamos – Parte I

Eu poderia começar o texto falando da personagem de Viola Davis em How To Get Away With Murderer ou com a personagem de Kerry Washington em Scandal, mas acho que não fomos acostumadas a ver empoderamento em meio ao machismo, então decidi escolher mulheres fortes em séries que todos conhecemos. Ou quase.

Escolhi 10 personagens mulheres que nos mostram que empoderamento não é só ter seu nome em primeira mão.

Aliás, o texto pode definitivamente conter spoilers.

10 – Jane Villanueva (Jane, The Virgin)

Ok, nesse caso, ela tem o nome em primeira mão. 23 anos, noiva de Michael Cordeiro há 2.  Jane é fã de telenovelas e mora com a mãe, Xiumara, e com a avó, Alba. No começo, Jane não conhece o pai e, como diz o título, sim, ela é virgem.  Jane acidentalmente engravida através de uma inseminação artificial e decide manter a gravidez.

“- Michael, o que você está fazendo?

– Pedindo em casamento

– Eu estou grávida.

– O_O”

Como se a bagunça não fosse suficiente, o esperma do doador é de Rafael Solano, dono do hotel que ela trabalha e, 4 anos atrás, houve uma leve faísca entre eles.

“- Eu trabalhei no Clube Golden Harbor. É de lá que nos conhecemos.

– Isso!”

Ah! E hoje Rafael é casado com Petra, que quer um filho mais do que tudo.

O empoderamento? Jane engravida – mas não engravida – de um homem rico, renomeado e casado. Ela continua trabalhando, estudando e vivendo. Jane não abre mão da sua vida por ver uma oportunidade de diminuir o ritmo e, muito menos, desiste do seu noivado. Algumas vezes se dar o direito de dizer não também é ser forte.

9 – Calliope Torres ( Grey’s Anatomy)

Dando um breve resumo de Grey’s: a história começa com Meredith e mais 4 colegas (George, Izzie, Alex e Cristina) trabalhando como internos, sonhando com cirurgias de 18 horas e plantão de 3 dias. Após duas temporadas e meia, chega a deusa da ortopedia: Callie Torres.

“O coração dispara/ Tropeça, quase pára…”

Callie cheira empoderamento. A personagem é uma daquelas histórias que a gente não acredita que o personagem sobreviveu. Callie (SPOILER!) casa com George e, logo em seguida, é traída (ele pega a Izzie. Sério). No primeiro momento ela tenta perdoar, mas não é algo que parece muito possível, então vem a separação. Um tempo depois ela se envolve com uma mulher que simplesmente a abandona, do dia para a noite. Em meio as bebedeiras de ter sido traída por um homem e abandonada por uma mulher, ela se apaixona por uma pediatra. O pai de Callie tentar levá-la de volta para casa e chama um padre para exorcizá-la (uma das cenas mais fortes desse atrito que se forma):

“ – Você acha que pode exorcizar a parte gay. Você não pode exorcizar a parte gay!”

A bissexualidade da Callie e a força com que ela abraça isso é a maior prova de amor próprio que eu já vi, fora essa fé na vida que, olha, que mulher, hein. Continuando…

8 – Olivia Benson (Law and Order – Special Victims Unit)

Law and Order – Special Victmis Unit é uma unidade especial que investiga crimes relacionados a mulheres e crianças. É uma série relativamente forte onde Olivia é uma detetive e tem um passado não muito bom de se lembrar, incluindo abuso sexual.

Olivia é, basicamente, um exemplo. O fato de só descobrirmos sobre seu passado não o deixa mais fácil de ser absorvido. Ela luta e faz o possível para prender homens que fizeram com outras mulheres exatamente aquilo que foi feito com ela. Se lutar de frente contra suas piores lembranças para salvar outras mulheres não for poder, então algo de errado não está certo.

7  – Lilly Rush (Cold Case)

Arquivo Morto é uma séria policial que investiga crimes antigos. Antigos tanto no sentido de 10 anos atrás quanto no começo do século passado. É uma daquelas séries que você consegue assistir uns episódios aleatórios que está tudo bem, mas a história de vida da detetive Rush merece uma atenção especial.

Rush mal fala da família e, em alguns episódios, onde a irmã aparece, a tensão é eminente. É aquela personagem fechada que quase nunca solta algo sobre a vida pessoal, sabe, mas que, quando solta, ficamos de boca aberta por 6 dias. E, como se não fosse suficiente, ela é a única mulher da equipe de detetives, com um passado muito bem escondido. Todo o tempo ela é testada por suspeitos com piadas machista e comentários desnecessários sobre sua aparência mas, claro, ela não se entrega e mostra que ela não está ali por ser mulher. Ela está ali por ser a melhor naquilo que faz.

 

6 – Cristina D-E-U-S-A Yang (Grey’s Anatomy)

Sim, Cristina. Uma das internas que começam a trabalhar no mesmo dia que Meredith.

“Se não tem comida, eu vou embora.”

Quem nunca, né.

Yang começa um relacionamento com seu chefe, Preston Burke, cirurgião cardíaco, que é exatamente a área onde ela mais ama, mas Burke queria casar. Bom, (OUTRO SPOILER), ela cedeu, mas (MAIS UM SPOILER) o casamento não aconteceu, pois (S-P-O-I-L-E-R) Burke desistiu de última hora, quando ele já estava no altar, dizendo que se ele realmente a amasse, ele não a faria passar por aquilo.

Faço questão de mostrar uma das minhas cenas favoritas (depois que Burke foi embora) :

 

Ela perde o marido, que nem chegou a ser marido, e deu a volta por cima. Colocou a cabeça no lugar e se tornou uma das melhores cirurgiãs cardíacas do mundo, criando procedimentos e cirurgias revolucionárias.

5 – Charlotte King (Private Practice)

Private Practice é uma história que anda junto com Grey’s Anatomy, começando quando Addison Montgomery deixa Seattle (cidade que se passa Grey’s Anatomy) atrás de um recomeço. Ela encontra esse recomeço em uma clínica particular. A clínica tem convênio com o hospital St. Ambrose. Sabe quem manda no St. Ambrose? Exatamente.

 

Charlotte é um demônio, mas é um demônio que você ama de paixão. Ela é a mais odiada no começo, por ser totalmente casca grossa e antipática, mas isso passa quando a história se desenrola. Ela passa por (PERIGO – SPOILER) perdas na família, acidentes com os médicos e, principalmente, ( FOGE QUE DÁ TEMPO) um abuso durante a série. A força de querer continuar é invejável e admiração é inevitável. Sua luta para associar sua vida junto com a mente no lugar nos faz ser fortes também, sabe. Ver uma mulher querendo ser melhor nos ajuda a sermos melhores também.

Curiosa para saber quem são as 4 mulheres empoderadas escondidas por trás de séries comuns? Volta aqui semana que vem que eu conto!

O rock’n’roll é filho de mãe – e ela é negra!

Sabe essa história que o pai do rock é aquele homem que nasceu nos anos 30, estourou nos anos 50, com um baita topete, toda aquela malemolência e jogatina nas pernas? Então. Pasmem, mas quem criou o rock foi uma mulher.

Apresento-lhes Irmã Rosetta!

Rosetta Nubin nasceu em Cotton Plant, na cidade de Arkansas, nos EUA, em 1915. Aos 4 anos, Rosetta já se apresentava acompanhando sua mãe em igrejas pelo sul do país. Quando a família se mudou para Chicago, no final da década de 20, ela tocava blues e jazz as escondidas, mas apresentava música gospel publicamente. Alguns anos depois, ela se casa com o pastor Thomas Thorpe, virando assim Rosetta Tharpe graças a um erro de ortografia.

Convenhamos, não deve ter sido fácil você se apaixonar por um estilo de música e ter que tocar outro. Até que ela uniu os dois!

Blues e Jazz tem características próprias, que nada tem a ver com as letras em si, mas é impossível negar o descontentamento de frequentadores da igreja quando, em 1938, ela gravou seu primeiro disco, pela gravadora Decca Records. A divisão entre os que a odiaram e os que a amaram era evidente. Alguns criticavam o fato dela unir duas coisas tão distintas em uma só (no caso, a música sacra com outros ritmos) enquanto outros se apaixonaram pela mistura.

Outro fato inegável é que o que tornou Irmã Rosetta no que é hoje foi exatamente essa mistura junto com, claro, uma guitarra SG pendurada no pescoço. Existem relatos de pessoas que conviveram com Rosetta dizendo que ninguém, até então, dominava uma guitarra como ela. Ela se tornou inspiração para nomes fortes como Elvis Presley e Johnny Cash.

Continuando…

Rosetta continuou gravando inclusive durante a segunda guerra mundial, onde exibe toda sua virtuosidade como guitarrista. Na música “Strange Things Happening Every Day”, gravada em 1944, seu sucesso foi tanto que essa foi a primeira música gospel a entrar para o top 10 da Billboard. Foi também considerada por algumas fontes como a primeira gravação de uma música de rock’n’roll. A passagem dos anos levou Irmã Rosetta para uma montanha russa. Divorciou e se casou mais duas vezes, se casando pela última vez em 1951. Quando se dedicou ao blues, sua popularidade diminuiu, mas ainda assim fez uma turnê pelo Reino Unido junto com outros músicos.

Em 1970, Rosetta sofreu um derrame e teve de amputar a perna graças a uma complicação de diabetes. Infelizmente, 3 anos depois, após outro derrame, ela faleceu, nos deixando com 6 álbuns gravados em estúdio: Gospel Train, Up Above My Head, Precious Memories, Didn’t It Rain, Rock Me e This Train.

 

Como pode não existir um filme sobre Sister Rosetta? Pensando com os meus botões e com as palhetas espalhadas pelo chão, em poucos minutos, eu consigo me lembrar de “Johnny & June”, que conta a história de Johnny Cash; e “Elvis and Me”, que conta a vida de Elvis Presley. A representatividade de Rosetta Nubin para mulheres instrumentistas com aquele pé no rock não podia ser maior, mesmo isso não sendo tão mostrado quanto os homens do mesmo período.  É como uma luz no fim do túnel.

Só consigo comparar com a sensação de pintar o cabelo de vermelho e sorrir após um único comentário: “Seu cabelo está parecendo o da Rita Lee.”

Sister Rosetta, obrigada por ter existido. Mulheres do rock, como eu, agradecemos.

Até breve! | Pausa no Blog

     Se tem uma coisa que eu aprendi nessa vida é que a gente tem que saber a hora de dar uma pausa e respirar. Com o blog isso não poderia ser diferente. Nós amamos o que fazemos e temos muito orgulho do conteúdo que entregamos para vocês. Mas, infelizmente, nosso trabalho estava sendo comprometido por inúmeros fatores.

     Nós somos quatro autoras, e se as quatro estão tendo dificuldades de continuar postando e estão estafadas pelos compromisso (com o blog ou não), é sinal que precisamos de férias. Infelizmente de outros compromissos nós não podemos nos desvincular, mas o blog era pra ser uma atividade prazerosa. Como escrevemos aqui por amor e despretensiosamente, optamos por parar por uns dias.

     Não, isso definitivamente não é um adeus. É sim um até breve. Não temos uma data certa de retorno, mas será dentro de alguns meses. Nesse tempo, além de refrescar a mente (o que pode até nos ajudar a ter mais ideias para vocês), nós vamos também fazer uma pequena reforma no blog. Reforma essa que já estamos planejando há tempos.

     Isso não significa, no entanto, que nossa ausência será garantida nesse período. Nos demos o direito de não postar com obrigatoriedade, mas ocasionalmente podem surgir posts descompromissados aqui, assim como na página. Esperamos que possam aguardar pelo nosso retorno e que nosso trabalho melhore cada vez mais. Voltaremos logo, com energias renovadas e cheias de mudanças positivas pra vocês!