Prazer, Norma Jeane

Símbolo sexual, suicídio, estereótipos, abuso, casos escandalosos. Tudo isso misturado a um caos mental que se pode ouvir em suas sessões gravadas e expostas no documentário “Marilyn no Divã”. A mídia, como sempre, impecável quando se trata de diminuir mulheres e desvalorizar seres humanos, a via como louca. Mas o quanto escolhemos não ver e o quanto crescemos com a ideia de que ela era, nada mais e nada menos, que uma loira burra em Hollywood?

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“Mulher do fim do mundo, eu sou e vou até o fim: cantar” – Sejamos todas Elza Soares

“Não se faz mais músicas como antigamente” é uma frase clichê das pessoas com mais de 25 anos e, talvez, elas tenham razão. Porque, realmente, não existe nada nesse mundo que possa ser comparado com os tapas dados por Elza Soares no seu último CD, “A mulher do fim do mundo”, de 2015. Talvez um pouco exagerado esse título, não? Ok, não, não é nada exagerado.

Elza nasceu em 23 de junho de 1930 e, por ordem do pai, parou de estudar e se casou aos 13 anos, tendo seu primeiro filho com 14. Com o filho recém-nascido e doente, ela une sua vontade de cantar com a necessidade financeira e participa de um programa na Rádio Tupi. Por ser uma criança simples, foi vítima de chacota até mesmo do apresentador Ary Barroso, sendo perguntada de qual país ela veio. Não, ela não se abalou e levou o prêmio para casa. Seu filho, infelizmente, não sobreviveu.

Perdeu seu segundo filho com 15 anos, e, quando tinha 21, ficou viúva, com 5 filhos para criar. Dentre mais coisas negativas, incluindo o sequestro de uma de suas crianças, ela teve um relacionamento com o jogador Garrincha que durou de 1968 até 1982. Em 1969, em um acidente de carro, ela perdeu a mãe. Garrincha, bêbado, dirigia quando foi fechado por um caminhão. Estava o casal, sua mãe e uma de suas filhas. Como ele sempre teve um problema grave com bebidas, Elza era vista como a bruxa da história por tentar impedir seu marido de beber cada vez mais. Eles tiveram apenas um filho.

Por mais que já pareça muito, as tragédias não pararam por aí. Garrincha morreu de cirrose em 1983 e o filho do casal morreu em outro acidente de carro em 1986, com 9 anos. Nessa época, sua carreira musical estava alavancada e, após uma tentativa de suicídio, ela resolve fazer uma turnê pela Europa e pelos EUA.

Ela cresceu musicalmente, persistiu e se tornou alguém em que todas nós deveríamos nos inspirar. As perdas são mais do que significativas, claro, mas ela foi considerada a cantora no milênio em 1999, fora fatos incríveis como ir ao Chile em 1962 representando o Brasil na Copa do Mundo, ter conhecido Louis Armstrong e ter conseguido encontrar a filha sequestrada.

Talvez ela seja mesmo uma mulher do fim do mundo.

E que todas nós possamos ter um pouco de Elza dentro de nós.

Só… Sintam!

Diane Arbus e o retrato da diferença

 

Dificilmente se consegue sair ileso do foco de Diane Arbus. Ainda hoje os seus registros mexem com os preconceitos, padrões e nervos da sociedade, do expectador que vê o belo como uma caixa, na qual poucos cabem. Uma vez que ela se concentrou em buscar pessoas que não estampavam revistas e nem caminhavam por passarelas.

Na contramão do American way of life, Diane abandonou a fotografia de moda – e um casamento – para se dedicar a modelos reais. A essência do seu trabalho consistia em conhecer, compreender e registrar pessoas, grupos e famílias que estavam em desacordo com o que era considerado certo ou normal.

Assim, Arbus registrou pessoas de quem a maioria desviava o olhar, que estavam à margem da sociedade. Seus modelos eram grupos discriminados, rotulados como anormais e impróprios para convivência. Muitos deles levavam a alcunha de freak e eram, por isso, atração de circo –literalmente.

Diane os fotografava em seus ambientes e momentos cotidianos, íntimos, como se não existissem o preconceito e a segregação. Clicados sem nenhuma vergonha de demonstrar o que eram. Por meio dessas fotos eles podiam expressar suas identidades, independente da imagem que as outras pessoas possuíssem deles.

O propósito dessa abordagem era fazer com que as pessoas se despissem da imagem pública que vestiam em busca de aceitação, tanto modelo, quanto expectador. A fotografia de Arbus procurou mostrar que por trás da imagem classificada (erroneamente) como bizarra, existiam os sentimentos de dor, alegria, ódio, amor, prazer. Emoções inerentes à humanidade e que nos tornam essencialmente iguais.

Dessa forma, ela fez de suas fotos não apenas imagens tocantes, mas um registro poético da história e dramaticidade carregadas pelo indivíduo retratado. Além disso, seus ensaios continuam pertinentes, levantando reflexões extremamente atuais e necessárias.

Afinal, vivemos na sociedade do espetáculo; cultuamos a imagem em detrimento da identidade; continuamos fazendo das diferenças uma justificativa para a exclusão e ainda metemos as pessoas em caixas chamadas carinhosamente de padrões.

Diane Arbus. Child with Toy Hand Grenade in Central Park, N.Y.C. 1962 (1962)

 

Diane Arbus. A Young man in curlers at home on West 20th Street (1966).

 

Diane Arbus. Child Crying, New Jersey, 1967
Diane Arbus. Mexican nation in his hotel room, 1970
Diane Arbus’s photograph of Eddie Carmel in “A Jewish giant at home with his parents, in the Bronx, N.Y., 1970,” is the centerpiece of a small exhibition at the Jewish Museum that runs
Diane Arbus. Patriotic young man with a flag, 1967
Diane Arbus, Tattooed man at a carnival, Md., 1970

Diane Arbus, Man Being a Woman, 1960

Diane Arbus. Untitled #21, 1970–1971 Robert Koch Gallery Price on Request

 

Dicas extras:

  • Mais fotos, informações e documentários sobre a vida e obra de Diane Arbus clique aqui e aqui
  • O filme A Pele (Fur: An Imaginary Portrait of Diane Arbus, 2006) com Nicole Kidman e Robert Downey Jr. apresenta um retrato imaginário e fictício da vida da fotógrafa Diane Arbus, apesar de não ser uma biografia, mostra um pouco do processo de criação de Diane, que consistia, entre outras coisas, de conhecer, conversar e conviver com que pousaria para ela. Confira o trailer:

 

O rock’n’roll é filho de mãe – e ela é negra!

Sabe essa história que o pai do rock é aquele homem que nasceu nos anos 30, estourou nos anos 50, com um baita topete, toda aquela malemolência e jogatina nas pernas? Então. Pasmem, mas quem criou o rock foi uma mulher.

Apresento-lhes Irmã Rosetta!

Rosetta Nubin nasceu em Cotton Plant, na cidade de Arkansas, nos EUA, em 1915. Aos 4 anos, Rosetta já se apresentava acompanhando sua mãe em igrejas pelo sul do país. Quando a família se mudou para Chicago, no final da década de 20, ela tocava blues e jazz as escondidas, mas apresentava música gospel publicamente. Alguns anos depois, ela se casa com o pastor Thomas Thorpe, virando assim Rosetta Tharpe graças a um erro de ortografia.

Convenhamos, não deve ter sido fácil você se apaixonar por um estilo de música e ter que tocar outro. Até que ela uniu os dois!

Blues e Jazz tem características próprias, que nada tem a ver com as letras em si, mas é impossível negar o descontentamento de frequentadores da igreja quando, em 1938, ela gravou seu primeiro disco, pela gravadora Decca Records. A divisão entre os que a odiaram e os que a amaram era evidente. Alguns criticavam o fato dela unir duas coisas tão distintas em uma só (no caso, a música sacra com outros ritmos) enquanto outros se apaixonaram pela mistura.

Outro fato inegável é que o que tornou Irmã Rosetta no que é hoje foi exatamente essa mistura junto com, claro, uma guitarra SG pendurada no pescoço. Existem relatos de pessoas que conviveram com Rosetta dizendo que ninguém, até então, dominava uma guitarra como ela. Ela se tornou inspiração para nomes fortes como Elvis Presley e Johnny Cash.

Continuando…

Rosetta continuou gravando inclusive durante a segunda guerra mundial, onde exibe toda sua virtuosidade como guitarrista. Na música “Strange Things Happening Every Day”, gravada em 1944, seu sucesso foi tanto que essa foi a primeira música gospel a entrar para o top 10 da Billboard. Foi também considerada por algumas fontes como a primeira gravação de uma música de rock’n’roll. A passagem dos anos levou Irmã Rosetta para uma montanha russa. Divorciou e se casou mais duas vezes, se casando pela última vez em 1951. Quando se dedicou ao blues, sua popularidade diminuiu, mas ainda assim fez uma turnê pelo Reino Unido junto com outros músicos.

Em 1970, Rosetta sofreu um derrame e teve de amputar a perna graças a uma complicação de diabetes. Infelizmente, 3 anos depois, após outro derrame, ela faleceu, nos deixando com 6 álbuns gravados em estúdio: Gospel Train, Up Above My Head, Precious Memories, Didn’t It Rain, Rock Me e This Train.

 

Como pode não existir um filme sobre Sister Rosetta? Pensando com os meus botões e com as palhetas espalhadas pelo chão, em poucos minutos, eu consigo me lembrar de “Johnny & June”, que conta a história de Johnny Cash; e “Elvis and Me”, que conta a vida de Elvis Presley. A representatividade de Rosetta Nubin para mulheres instrumentistas com aquele pé no rock não podia ser maior, mesmo isso não sendo tão mostrado quanto os homens do mesmo período.  É como uma luz no fim do túnel.

Só consigo comparar com a sensação de pintar o cabelo de vermelho e sorrir após um único comentário: “Seu cabelo está parecendo o da Rita Lee.”

Sister Rosetta, obrigada por ter existido. Mulheres do rock, como eu, agradecemos.

A ‘Cidade Persa’ de Marjane Satrapi

Nascida em Rasht e crescendo durante os primeiros anos da guerra Irã- Iraque em Teerã, a franco-iraniana Marjane Satrapi o qual adotou o nome artístico de Marjane Ebhamis anos mais tarde, passou a ser conhecida como a primeira mulher do Oriente Médio a ser indicada ao Oscar por sua série animada adaptada de seus quadrinhos, Persépoles, que retrata da sua infância até a vida adulta.
Crescendo num âmbito familiar instruído e politizado, pois seus pais eram comunistas, Marjane foi criada ouvindo histórias sobre os rebeldes e a queda do governo do Xá, Ruhollah Khomeini,  formando suas próprias opiniões sobre diversos assuntos, como os diretos femininos e religião. Ainda na pré adolescência, ao desafiar o sistema fanático de seu rígido colégio, seus pais decidiram manda-la para morar com uma amiga da família na Áustria, visando livrar-la da represália ditatorial.
Já em Viena ela começou estudar no Liceu Francês de Viena durante todo ensino médio, o qual nesse período teve que sair da casa dos amigos da família, passando pela casa de oito homossexuais, diversas republicas estudantis e pensionatos, o qual desse último, passou a morar nas ruas, adquirindo assim uma pneumonia grave que quase a levou a morte.
De volta a Teerã, mesmo rodeada pelos parentes e pela família, incluindo sua tão amada avó, dona de um perfume peculiar emanado das margaridas em seus seios, presas ao sutiã, Marji, apelido carinhoso de menina, adquirira uma depressão profunda. Após sair do momento depressivo, decidiu por se casar com Reza aos 21 anos por conta das leis iranianas de proibirem o namoro, forçando o matrimônio, mas contrariou as mesmas restrições três anos depois, pedindo o divórcio num país onde as mulheres que o conseguem , passam a ser vistas como constantemente prostitutas.
Com o seu diploma de Comunicação Visual pela faculdade de Belas Artes, a Universidade Islâmica Azad, Marjane se mudou para Estrasburgo, França, mas atualmente mora em Paris, onde trabalha como autora e ilustradora livros infantis.

Lotte Reiniger


Acho incrível como, não importa o ramo, sempre nos lembramos mais das contribuições dos homens do que das mulheres. Aprendemos na escola nomes de vários cientistas, compositores, romancistas e artistas, mas quantos deles eram mulheres? Quantas mulheres tiveram a honra de terem seus nomes mencionados em uma sala de aula do ensino médio junto com sua importância?
Eu só consigo me lembrar de três, mas não sei se o problema era específico da minha escola, ou com minha memória. Conversando com outras pessoas em vários outros lugares, incluindo países, não creio que seja o caso.

O ponto em que quero chegar é, essa é uma tendência que vejo acontecendo em praticamente todos os ramos, e com a animação não é diferente.

Charlotte “Lotte” Reiniger (1899 – 1981) foi uma grande animadora e fez grandes contribuições técnicas para o ramo. Walt Disney mesmo só conseguiu Branca de Neve e os Sete Anões (1937) graças a algumas das técnicas desenvolvidas por Lotte e seu marido. Uma delas foi sua técnica de utilizar camadas de vidro para poder dar o efeito de profundidade em suas obras.

Lotte Reinigier em sua mesa de trabalho. O mecanismo serve para ajustar e acionar a câmera localizada logo acima da mesa. Assim, foto a foto, Lotte animava suas silhuetas.

Aliás, contrária a crença popular, o mais antigo longa de animação não foi Branca de Neve, e sim As Aventuras do Príncipe Achmed (1926), produzido pela nossa querida Reiniger em um tempo em que ninguém realmente considerava a ideia e uma animação que durasse mais de 10 minutos e não servisse apenas para fazer o público rir.

Seu estilo de animação com silhuetas foi grandemente inspirado pela arte chinesa de teatro de sombras e seu amor pelo cinema. Enquanto a maioria dos filmes na época dependiam das expressões faciais para demonstrar emoções e ações, Reiniger utilizava-se apenas da linguagem corporal de seus personagens para passar as histórias de suas animações.

Frame do curta Däumelinchen.

Em vida, Lotte Reiniger produziu cerca de 40 animações em seu estilo único. Uma boa parte delas pode ser encontrada no youtube, inclusive o longa As Aventuras do Príncipe Achmed. Fora, é claro, as inúmeras homenagens e referências que encontramos por aí, como a animação d’O Conto dos Três Irmãos em Harry Potter e As Relíquias da Morte – Parte II, e a homenagem do Google em seu 117º aniversário.

E deixo aqui, com vocês, um dos meus curtas favoritos produzidos por ela, Däumelinchen (Polegarzinha. Alemão é uma língua tão desnecessariamente agressiva), para vocês terem um gostinho da graciosidade que são as animações dela.

A Rainha de Benguela

Imagem: Google/internet

     Existem heroínas os quais merecem igualmente o nosso reconhecimento assim como as que vemos em quadrinhos e séries de televisão, e uma delas é Teresa de Benguela.

     Mulher negra e forçada a escravidão como muitas no século 18 ( vide  Dandara e Aqualtune já citadas), com a morte de seu marido, José do Piolho, comandara o Quilombo do Piolho ou dp Quariterê, localizado no atual estado do Mato Grosso, entre o rio Guaporé e a atual cidade de Cuiabá.

     Conhecida como Rainha Teresa, negros e indígenas faziam o uso da plantação de algodão – privilégio dos senhores do engenho – para a produção de tecidos, e também do uso da agricultura, cultivando desde milho a mandioca.

     Quando o Quilombo foi destruido pelos homens de Luiz Pinto de Souza Coutinho em 1770, população de 79 negros e 30 índios, rumores que Benguela cometera suícidio ou foi morta por uma doença jamais foram confirmados. Teresa manteve um sistema de trocas de  armas com os brancos resgatados de vilas próximas, transformando os objetos de ferro em instrumentos de trabalho, pois os quilombos da Benguela possuíam exímio dominio da forja. 

     Dia 25 de julho foi instituído pelo Brasil e pela Lei n. 12 987 como dia nacional de Teresa de Benguela e dia da Mulher Negra.

A princesa à frente de 10 mil

Possível registro de Aqualtune

Aproveitando o mês da visibilidade negra, mas um ícone de resistência histórica será enaltecido, e esse ícone é Aqualtune, a princesa do Congo, que no ano de 1665, Aqualtune comandou um exército de 10 mil soldados congolenses contra uma invasão – alguns dizem que de portugueses colonizadores, outros de uma tribo inimiga. Todavia, infelizmente perdeu, sendo capturada e seu pai, o rei do Congo, morte e tendo sua cabeça exposta em praça pública.

Sendo levada até o forte de Elmina na época, em Gana, foi batizada por um padre católico e marcada a ferro com uma flor acima do seio, acabou sendo vendida como escrava reprodutora. Desembarcando em solo recifience, acredita que tenha chegado já grávida de outro negro escravo, pois havia sido estuprada diversas vezes durante sua travessia no mar. Ao chegar ao Recife, Aqualtune tentou se jogar no oceano, na tentativa de voltar para a sua já muito longica terra natal.

Ouvindo falar do ” Reino dos Palmares” já num estado avançado de gravidez, a princesa se juntou a um grupo de escravos que iria destruir a Casa Grande e fugiu para Palmares, chegando por lá com mais de 200 refugiados, tendo sido reconhecida sua origem real.

Dando a luz ali a dois dos maiores lideres do Quilombo dos Palmares: Ganga – Zumba e Ganga Zona, conhecidos por sua liderança e coragem, Aqualtune deu a luz também a Sabine, mãe de Zumbi dos Palmares.

Sua morte possui muitas controvérsias, alguns dizendo que ela foi queimada durante as expedições e outros que ela conseguiu escapar e morreu de velhice anos depois, mas de uma coisa a história esta certa, Aqualtune, princesa do Congo, deve ser lembrada como um grande ícone feminino de resistência até a atualidade.

O poder da mulher trans

 

Se tem uma personagem que é preterida entre as favoritas do público da série OITNB (Orange Is The New Black), que retrata o cotidiano de penitenciária feminina de uma maneira cômica e com pitadas amargas de drama – vide a última temporada – é Sophie Burset, vivida pela talentosa Laverne Cox, atriz e produtora transexual ganhadora de vários prêmios, entre eles o Emmy de melhor atriz convidada numa série de comédia, se tornando a primeira mulher trans a ganha-lo.

Graduada na Escola de Belas Artes de Alabama, Birmingham, no mesmo condado de sua cidade natal, Mobile, foi na Alabama e Marymount Manhattan College em Nova Iorque, NI, que começou a atuar.

Trocando o curso de escrita criativa por dança, Laverne também escrever sobre transsexualidade e direitos das pessoas trans, assim como outras variedades em lugares como Huffington Post e fez de seu papel na série um lugar onde as pessoas podem notar que os homens ou mulheres trans querem somente seus direitos mais básicos, como o direito de serem eles mesmos, como a própria Laverne diz.

A transsexualidade ainda é um assunto tabu para muitas pessoas, mas com empatia e respeito, e com os seus direitos de saúde mental e física preservados e exercidos, como a mudança do nome social e a inserção ao mercado de trabalho, que apesar de de direitos simples ainda são algo que representam uma árdua luta para a comunidade T.

A dama dos Palmares: o verdadeiro ícone da mulher negra contra o racismo

Dandara do Palmares

Novembro esta metendo o pé na porta e definitivamente é o mês da Consciência Negra. Para o Brasil, em especial, tal “evento” tem um grau de importância maior e mais necessário, pois todo o país foi sustentado por séculos de escravidão negra abolida a muitos poucos anos atrás.

Milhares, até mesmo milhões de homens, mulheres, crianças e velhos pereceram e tiveram seu passado apagado devido a violenta colonização eurocêntrica, que afetou a vida de muitos negros até os tempos atuais, vide a miscigenaçãoo problema de algumas pessoas ainda terem dúvidas sobre quem são etnicamente, fora assuntos mais agravantes.

A existência de um mês, ou até mesmo uma data comemorativa sobre esse cenário, ainda causa bastante incômodo em algumas pessoas, que acham injusto mesmo tendo um enorme legado histórico, os negros ganharem uma data, ou um mês só deles. Em controvérsia, outras pessoas se mobilizam, como Movimento Negro ou Militância Negra, disseminando informações relevantes para conscientizar as pessoas sobre questões relacionadas centralmente a racismo, ganhando força mais para agora, com o empoderamento negro e negralismo.

A mídia e os sistemas de ensino como escolas, também despertam um interesse passageiro, abordando os temas de pautas negras de maneira rasa e sem informações mais embasadas, aprofundadas, mesmo todos citando um ícone em comum: Zumbi dos Palmares.

Zumbi virou símbolo da resistência escravista da época e na atualidade, um representante da luta contra o racismo em uma sociedade onde ele é tão enraizado quanto a nossa. Todos nós aprendemos na escola o quanto o líder do Quilombo foi de suma importância para os negros e negras que fugiam de seus cativos e precisavam de abrigo, mas a história dele possui outros segmentos e personagens igualmente importantes; muito poucos ou talvez ninguém saiba quem foi Dandara dos Palmares, uma figura tão notável para a história do país.

Dandara e Zumbi foram marido e mulher, e ela lutou lado à lado de Zumbi contra o sistema escravista, buscando liberdade para seus irmãos negros.

Ilustração do livro

Ela comandava tanto mulheres quanto homens e criava estratégias que resolviam os mais diversos problemas, bolava planos de fuga, e quebrava os estereótipos de gênero da época, que até hoje são impostos a nós mulheres, ao domiar técnicas de capoeira. Apesar de lamentavelmente sua figura ser encoberta de mistérios, Dandara foi esquecida de modo descarado dos livros de história, que de forma machista, apagaram sua já bem pouca história.

Muitos poucos movimentos megros e feministas a mencionam, fazendo com que ela tenha que quebrar as amarras do patriarcado – que cala a mulher – e do racismo ‘ que cala o negro – até agora, na atualidade, numa luta por reconhecimento que já não favorece a mulher, e ainda menos a mulher negra.

As mulheres negras são subjugadas, colocadas para escanteio no cenário político, musical, histórico, literário, artístico e afins, mas Dandara não deu por vencida, e assim como revindicou seu papel na resistência negra, revindica seu papel na história do país e da sociedade.

Ela não aceitava acordos de meia boca e mesmo sabendo-se quase nada de sua origem ou até mesmo figura física, é de conhecimento básico que Dandara morreu como a heroina que foi em vida, fazendo que as negras da nossa época, tenham uma inspiração para lutarem contra o racismo, machismo e misógino aintão plantado no Brasil e no brasileiro.

A morte de mulheres negras avançou nos últimos 54% nos últimos 10 anos.

Três a cada quatro mulheres são vítimas de pelo menos um crime de violência no pais.

Mulheres negras são as maiores vítimas de violência médica no SUS (sistema único de saúde.

55,2 % das vítimas de crimes dolosos – com intenção de mata- são mulheres negras.

52,1% de vítimas de lesões corporais são também mulheres negras.

Mulher preta resiste…

+ dados, referências e informações: Geledés