É tão agressivo assim limpar sujeira? E a sensibilidade do resíduo, como fica?

Helena sabe o que quer, mas não vê como pesar esse custo. Ela vai atrás, mas quem a segue e distancia ainda mais? Se vê cercada de pontos finais, algumas reticências e se aborrece com a quebra da continuidade. Helena quer. O quê? Viver(se). Ser. Clarear a vista nublada da miopia emocional dessa avenida de cruzamentos, semáforos e ladeiras. Mas então há subidas e descidas? E o topo, quanto dura? O verde apagou… Tudo agora é vermelho. O sangue pula das gengivas de Helena quando escova os dentes. É tão agressivo assim limpar sujeira? E a sensibilidade do resíduo, como fica? Tem tártaro nesse molho. Bom… é forte mas doce. Como Helena. Um toque azedo também, aquele azedinho na medida que faz falta no meio de tanto açúcar refinado. Amarelo seria o equilíbrio? Helena não clareia a mente para todos nem para si, sequer consegue clarear seus dentes. Não há retorno para o que foi nem desejo para voltar-se. Ela só segue a avenida a pé, sentindo a leveza do seu corpo limpar tanto vermelho. Helena não busca o branco. Espera por uma nova paleta de cor.

ceder

Ceder

Um bicho sem nenhum senso de nada abanando o rabo, balançando o rabo, babando, sacudindo. Eu-festa. Cheiro, dedo, olho, desaconselhável. Eu que sempre trava, peso, ombro doído. Eu que sempre chão agora tenho asas. Meu bem, eu preciso pousar em algum momento, mas estou acoplada ao mundo no céu. Estou fodendo. Não tomei nenhuma droga. Não bebi nenhuma gota. A garganta estava completamente seca. Um bicho com sede de boca e de barba. Um olho com sede de tudo que a vida pode pra sempre. Não consigo ser gente depois de ver de dentro o homem da minha vida.

Aline Dias

 

Assista ao vídeo poesia: Elas Declamam – Ceder

 

Autora Convidada

Aline Dias nasceu em Cachoeiro de Itapemirim, em 1988. Publicou “Vermelho” (2012), “Além das Pernas,” (2015) e organizou a coletânea “Sem a Loucura não Dá” (2017), com contos inspirados em músicas de Sergio Sampaio. Aprendeu a chorar este ano e acredita no amor. O texto “Ceder” integra as páginas de seu mais recente livro, “A única coisa que fere é manhã pós-amor” (2017). Assista a entrevista com a autora.

uma mulher nada de bem

Uma mulher – nada – de bem

Short curto e cabelos na cintura

Via de baixo para cima pela falta de altura

Inocência minha pela falta de idade

Mas metralhavam a moça por estar à vontade

Apelido não positivo é o que mais chovia

E, vira e mexe, na rua eu a via

As mulheres daqui a olhavam com desdém

As mesmas que se auto chamavam “mulheres de bem”

 

O tempo então, como sempre, voava

E sempre que a mesma moça passava, eu olhava

Percebi que xingava a moça sem nem perceber

Até que um dia pensei “O que ela fez para você?”

Me choquei com a resposta, pois não havia nenhuma

Se ela quiser, use salto, vestido ou pluma

Dali senti a liberdade saindo de dentro

Quando aprendi a ver a moça sem julgamento

 

Enxerguei a rivalidade que me foi imposta

Nos jogam contra todas com um tapa nas costas

Passei a vê-la com inveja branca

Abri a cabeça e quebrei a tranca

Soltei o cabelo, abusei do decote

Não somos cabritas, não existe “o bode”

Permiti me tornar um ser humano só meu

Hoje a cabeluda de short sou eu

Precisamos falar sobre Kelvin

Precisamos falar sobre Kelvin

A gente tem uma temperatura de pele incontrolada. Não podemos habitar o mesmo espaço, sem evitar abraços e afagos. Você me pergunta se isso é saudável para nós. Eu também não sei. Quero o que tivemos, quero a leveza e a sinceridade da paixão descomprometida. Era bom. Foi. Você me olha com olhar de apaixonado, mas eu sei que sou apaixonante e você também se apaixona fácil. Percebo o mesmo sobre você. “O melhor”, elas disseram. Não discordo. É difícil escrever sobre algo inacabado, diante desse meio com linhas desfiadas. Você não consegue me dizer o que quer. Não quero controlar o roteiro, só vivê-lo. Mas falta gás, falta cor. Volume. Quero ondas. Brisa do mar com aroma de melancia. Sim, melancia. Eu estou seca do seu silêncio, preciso dessa fruta fluída para hidratar o corpo. Quero água corrente misturada com chama flamejante, quero juntar as temperaturas de pele e chegar a uma escala bonita para nós dois, que dá para ir e voltar com fogo ardente. Não seja ausente. Detesto esse seu jeito incapaz de lidar com sentimentos. Você que tanto escreve e sente, por que se cala? Eu preciso achar novas temperaturas como a sua, mas sem tantas oscilações que só me ferem. Nosso Kelvin deveria permanecer em zero absoluto.

Chega de Correr

Fim da linha

O que fazer quando um sentimento não vai embora?
Como agir quando não se consegue fugir?
A quem pedir socorro, quando o socorro falha?
Onde se esconder, quando todos os esconderijos se esgotaram?

A todas as perguntas, a mesma resposta
Simplesmente porque não há solução
Não há nada o que fazer
Não há maneira melhor de fugir
Ninguém mais pode dar o socorro
Não há lugar onde se esconder

A única saída é se deixar ficar onde está
É firmar os pés no chão e enfrentar o que vem pela frente
Aprender a lidar
Você, sozinho, tem que aprender a ser forte
Porque mais ninguém pode sê-lo por você

 

Nota sobre o poema: Até alguns anos atrás, eu tinha um padrão recorrente em alguns sonhos meus. Neles eu estava sempre correndo de alguma coisa, que geralmente mudava (um assassino, uma criatura, um espírito). Eu corria sem parar, desesperadamente, sempre esperando chegar a algum lugar onde eu estaria enfim segura. A coisa nunca me alcançava, mas o local seguro também nunca chegava. E o pesadelo só acabava quando eu acordava: era o fim da linha. Os sonhos pararam, por algum motivo. Não sei se também parei de fugir dos meus medos da minha vida real. Acho que ainda preciso aprender a ser forte.

Achei o poema acima por acaso, enquanto procurava outro completamente diferente no meu computador. Não me lembrava dele, e também não sei se o escrevi inspirada nos pesadelos. Só achei extremamente pertinente a eles, por isso escolhi escrever esta pequena nota sobre o assunto. Talvez você ache que a minha decisão de escrever um relato em texto corrido tenha tornado este post menos artístico ou literário. Mas para mim essas pequenas curiosidades e coincidências da vida são um poema por conta própria, por isso a história ficará aqui.

atemporal

Atemporal

Tic tac, tic tac

Para mim funciona diferente.

Diferente de você,

Dela,

Dos outros,

Diferente de mim.

Por vezes passei por ele com indiferença,

Mas hoje corro atrás, só quero andar lado a lado.

 

Há quem não goste de ver o tempo passar.

As despedidas, muitas mudanças, velhice, vem a morte.

Então voltemos,

Voltemos tudo o que for possível

E ficaremos lá.

Escolha o melhor momento

Pressione o botão e fique por lá.

Atrás.

Vegete!

 

Você quer continuar,

Ou melhor, atropelar, sobrepor a ordem certa.

Nada está certo!?

Por que esperar? Não precisa.

Apenas se erga até o fim de tudo.

É necessário acelerar os dias

Para que o melhor surja,

Esse é o seu momento.

Perder tudo.

 

O meio é mais adequado a mim.

Lembra-se? Lado a lado.

Sentir cada brisa gélida,

Ouvir todas as notas,

Talvez conhecer ontem, amar hoje, terminar amanhã.

Hoje!!

Esse é o único momento.

Algumas concepções sobre a tristeza

 

      É preocupante ver como algumas pessoas se referem à tristeza como se esta fosse um demônio e não um sentimento legítimo e inerente a todos os seres humanos.

      Questiono em que ponto da história ela ganhou esse título, e percebo que no momento atual também é de se espantar com o que algumas pessoas fazem para serem “felizes”. A impressão que se tem é de que estas pessoas vivem apenas uma expectativa de futuro, um futuro onde todos os seus mais doces desejos seriam saciados, um futuro completamente feliz e em contrapartida, a vivência do presente segue sendo prejudicada.

      Honestamente, já tentou imaginar como seria o mundo se todas as pessoas fossem completamente felizes? acredito que o mundo seria um caos. Há quem viva seus dias tentando burlar cada sinal de tristeza que aparece, e isso é adoecedor.

      Eu penso que a tristeza é como se fosse a pitada de sal que equilibra o sabor do doce- é extremamente importante.

      Às vezes, quando escuto a palavra “felicidade” me vem instantaneamente à cabeça a palavra “venda”, que por sua vez me lembra a palavra “produto”. A ideia que fica é a de que “felicidade” é um produto que se vende no mercado, é algo que se vende e muita gente compra, mas ninguém tem- o que as pessoas compram na verdade é uma ideia de mercado.

      Acredito que o grande desafio é viver os dias como se é possível viver e não fazer da vivência dos dias uma busca insana pela felicidade. É se permitir ser capturado por um momento puro de alegria que pode surgir a qualquer hora pelos mais diversos motivos, é viver cada momento com suas dores e alegrias.

      A tristeza tem sua importância em nossas vidas, não me refiro aqui à depressão e seus desdobramentos, mas a tristeza nossa de cada dia. O grande desafio referente à tristeza é tentar produzir algo com essa experiência é usá-la a nosso favor ao invés de extirpar toda possibilidade de sentir.

      Por fim, se para ser feliz eu tiver que adoecer e prejudicar o tempo presente que é onde as coisas acontecem, eu desisto, e concordo plenamente com o que disse certa vez o psicanalista Contardo Calligares: “Não quero ser feliz, quero é ter uma vida interessante”.

 

oaboab, abcabc.

naquele dia resolvi me entregar ao luxo-lixo de despertar apenas na hora em que meu corpo bem escolhesse, fazendo-o sorrir como um corpo sem patrão, um corpo desmandado, reforçando o cotidiano de sarros que tiramos um com o outro entre uma ou outra aposta na liberdade. um corpo ele que, de tão desapregoado, tornou-se digno de ser reconhecido não mais como ninguém, mas sim, como ela. ela, eu, nós.

olhos ainda marejados em sono, corpo ainda quente de horas de cama, abri a janela e assisti papéis voarem já na primeira jarrada de vento. vi quase tombar de dentro de um copo americano – esses de proveito de um furto noturno mal lembrado e cheio de graça, atestado recorrente de uma adolescência mal atravessada – todas aquelas contas emboladas, atrasadas. vi como parte da estranha reunião de papéis no chão o carnê da minha dita profissão, ainda sem o carimbo de satisfação anual. ela, um projeto de sonho do ontem, hoje quase um atravanque, um corpo apatronado, e por homens. nós, eu, ela.

amassei os olhos, os vesti com os velhos óculos, avaliei todos aqueles manuais de sermões completos que ainda perduravam numa prateleira qualquer, pesada de tantos desmotivos. perguntei quem me fizera ler aquele conjunto de tantos contos – da carochinha e de réis – de capa impenetravelmente grossa. perguntei em qual momento permiti atestarem a necessidade de me converter em reprodutora daqueles artigos definidos de tolos e por tolos em coleguismo engravatado com tantos outros tolos reprodutores. perguntei quando que resolvi sangrar minha língua naquele linguajar morimbundo – nunc, tunc, omnes, data, vênia, obladi, obladá – e naqueles pronomes que se convertiam tão facilmente e propositalmente em elogios e vice-versa. eram tantas as excelências, tantos senhores – querendo ser de si e de nós – doutores do nada. e todos são ele.

perguntei-me em que momento nos convencem de que o recalcar a própria essência deve ser maior do que o poder exteriorizá-la, agir conforme se é, de facto e de juri. questionei em qual momento nos convencem a adentrar a maratona por caber em muito mais que duas camisas pretas, uma calça jeans, tênis, caderno e lápis, muito mais este que acaba por sempre se converter em algo que afague a alguém, e aqui alguém sempre é ele. rasguei, larguei, convencendo-me a seguir como se ainda estivesse parada no momento anterior à estação das decisões, aquele das despreocupações de uma quase-juventude ocupada apenas da liberdade de exercer seu vazio de expectativas. expectativas também são elas, nós.

perguntei em que momento fizemos do corpo a contingência de uma enorme fila para fotos e autógrafos; perguntei quando nos desfiguramos numa berlinda de uma entidade relatora que, ao dizer revelar de tudo, assombreia o mais elementar: os seus tantos recados às mulheres-alunas, dichavados nos grupos e nos convites meramente formais em saguões de hotéis, circulo infinito, bis in idem de tentativas de sujeitação.

– vamos escrever um artigo juntos, menina? tão jovem e bonita, mas tão inteligente.

– a mulher linda encanta. a mulher que é inteligente é interessante. se ela for as duas coisas, e inventar de ser criminalista, é invencível.

– te trouxe um livro meu autografado. sobe ali no quarto comigo pra buscar?

– amanhã venha assim, de salto e vestido, pois vais despachar com o juiz. é causa ganha na certa.

– quer um chocolate, querida? trouxe da viagem do congresso pra você.

do alto do palanque, que imensa a tontura, que imensa a tontidão. balas e recados perdidos nas confrarias dos rostos-homens marcados, e os vinhos, a lógica-mercado, os restaurantes e as cadeiras nas quais o objeto do desejo jamais faria casa, se fazendo presente sempre apenas como pauta maliciosa de pensamentos.

milionárias famílias trajadas de verde-esperança, ainda que já desvelado em seu tom musgo morto, meio de cujus, que segue pedindo que confiemos. eles são e estão na Ordem, e em seu discurso repetem oaboaboab. dizem que eu, mulher culpada de ser desconforme, só sou hábil de dizer abcabcabc.

não podendo recolher os papéis, juntei-me à sua reunião e sustentei perante eles todas essas coisas, já que coisas também são ela, e ela também sou eu e somos nós. e foi assim que, quando vi, já estava tudo aqui, tudo dito, e alea jacta est.

Não dói em você, mas dói em mim. O que lhe falta é empatia

O tempo, como sempre, confuso. Frio e calor se tornam algo relativo e o uso de meias vira algo opcional. Minha paixão por moletons me faz mantê-lo até a sensação de sol do deserto invadir minhas canelas, que seria pouco depois do meio dia e não, eu não me importo. Primeiramente por ser domingo e segundamente porque…Bom, eu não me importo.

– Nossa, mas é mais de meio dia e você de moletom! – Sabe aquele tom? Então. Naquele tom.

– Eu gosto. – Naquele tom de “fazer o quê?”, junto com um sorriso que escondia palavrões de todos os tamanhos.

– Mas isso é roupa de dormir!

Sorrio com um “haha” sonoro, mas, mentalmente…

Segue o baile.

Tiro o moletom, coloco meias e pego um cobertor para me fundir com o sofá. E vem o mesmo elemento, de novo.

– De que adianta ter o cabelo comprido se ele só fica preso?

– Ué. – Qual a lógica dessa pergunta, gente?! – Eu gosto dele comprido.

– Mas grande assim tem que ficar solto.

Tem que…”

Sabe o “haha”? Então.

Nesse momento, me senti em uma propaganda da Polishop, naquela parte do “E NÃO É SÓ ISSO! E TEM MAIS ISSO” porque quando a oportunidade de humilhar outra pessoa bate na porta, tem gente que não a deixa escapar.

– Se for para fazer isso tudo e não deixar ele solto, nem adianta fazer. – E as “observações” continuam.

Porque essa cor não é bonita, porque ele está feio, porque ele está marcado, porque ele é volumoso…

O primeiro impulso é sempre aquele palavrão básico que termina com U, mas eu sempre sou aquela pessoa madura, que tem empatia, que pensa que algumas coisas não foram ensinadas, então eu vou ensinar na maior boa vontade do mundo, começando com o básico: se alguém se incomoda com suas observações, não é engraçado. Você é/se tornou uma pessoa babaca mesmo.

Não sei o que passa na cabeça dos observadores de plantão (ou “fofoqueiros”), mas, independente do que eu faço, eu faço por mim, não pelos outros. Eu faço pelo meu bem estar, e isso inclui a cor do meu cabelo, o tamanho dele, minha coleção de piranhas, de CD’s de jazz, de isqueiros. Por mais que eu fale por mim, eu também falo por outros nesse aspecto porque o foco da nossa vida somos nós mesmos, e nada vai mudar isso. Eu não sei em que parte no aprendizado da comunicação as pessoas são ensinadas a disfarçar falta de noção comentando “observações”, mas meu incômodo era evidente, e a falta de noção do elemento também. E aqui entra aquela palavra linda que as pessoas não dão SEQUER o trabalho de conhecer: empatia.

Pergunta clichê (“Você ia gostar se fizessem isso com você?”) com resposta clichê (“Não”) não parece que funciona mais. O incômodo, que antes era algo pessoal e praticamente intransferível, virou coisa de fresco e eu alguém cheia de mimimi.

Irônico porque, para mim, se meter em uma vida que não seja a sua, é, no mínimo, falta de [muita] educação.

O dia seguiu. Prendi o cabelo (porque eu quis), soltei o cabelo (porque eu quis), voltei meu pijama cinza (porque eu quis). Eu achava que a maioria das pessoas tivesse a decência de pedir desculpas, caso percebessem que alguém havia se incomodado com algo que disseram, mas eu errei. Ontem eu aprendi que só cresce quem quer mesmo e que esse negócio de empatia funciona para quem abre a cabeça e se permite ser ouvinte, mas as pessoas preferem falar. A esmo, sem foco, sem sentido. Humilham porque parece que a ideia de silenciar alguém e se sentir superior é tentadora.

Mal sabem elas, mas aprendemos tanto quando fechamos a boca que, quando eu fechei a minha, eu aprendi muito mais, ao contrário dessa história de rebater coisas que não nos agradam.

No fim era eu com meu cabelo de cor horrível, marcado e preso na cama com o meu gato mordendo meu pescoço. Não tive tempo de pensar em coisas vingativas, de fato, porque eu estava curtindo minha calça cinza enquanto prendia meu cabelo para dormir melhor.

Talvez não ter soltado aquele palavrão que termina com U tenha sido a melhor escolha do dia.

Ok, a segunda melhor.

Ser. E só

Sobe a sensação do poder
Do ser, do querer, do saber
Através dos dedos eu descubro
Dentro de todo o meu silencio imundo
Todas as palavras que eu fujo
Os assuntos que eu me inundo
As roupas que eu não me desfaço
Meus medos com roupas de palhaço

Sinto o cheiro de uma chance maior
O coração se sente menos só
História antiga se reescrevendo
“Não acredito que está acontecendo”
Crio ideias para o feriado
Assumo. No fundo, nada de errado
Observo o motivo inicial
Talvez, no fundo, não seja tão mal

Voltamos aos verbos do começo
“Ser, querer, saber”. Ok, eu mereço
Noites de paz dentro de mim
Talvez seja simples assim
Video game com música no fundo
Assumir totalmente esse meu mundo
Esse recomeço com sentimentos mistos
Desculpa, mas… [ainda] Não falo sobre isso.