A única coisa que fere é manhã pós-amor

Novo livro de Aline Dias mergulha na prosa poética

O verão de Aline Dias foi na Bahia, com a promessa de que voltaria com um livro. Em seu regresso para Vitória, percebeu que suas vivências e jornadas pelo litoral baiano se transformaram em páginas de prosa e poesia. “A única coisa que fere é manhã pós-amor” é o terceiro livro de Aline, “pequeno porque está muito denso”, afirma. No vídeo abaixo, a escritora e jornalista capixaba, de mudança para Recife (PE), fala sobre a construção espontânea e intensa da obra, da viagem de autoconhecimento e  a coragem para se jogar.

Lançamento

“A única coisa que fere é manhã pós-amor” será lançado em Vitória, seguindo para outras duas cidades, pertencentes à jornada da escritora: Iúna (ES) e Trancoso (BA). Acompanhe o evento no Facebook. O livro também pode ser adquirido no valor de R$15,00 pela página da Editora Cousa.

A autora

Aline Dias nasceu em Cachoeiro de Itapemirim, em 1988. Publicou “Vermelho” (2012), “Além das Pernas,” (2015) e organizou a coletânea “Sem a Loucura não Dá” (2017), com contos inspirados em músicas de Sergio Sampaio. Aprendeu a chorar este ano e acredita no amor.

A única coisa que fere é manhã pós-amor

Editora: Cousa

Páginas: 63 páginas
Valor: R$ 15,00

7 músicas da Pitty que me colocaram no cantinho da disciplina para pensar na vida

“Cantinho da disciplina”, para quem não sabe, é para onde as crianças que não foram tão boazinhas ficam para realizar o maior ato de crescimento pessoal: pensar na vida. Cada música dessa lista me fez sentar no meu cantinho imaginário e pensar. Na vida, nas pessoas, na sociedade, nos meus atos e, principalmente, onde eu posso melhorar. Segue a lista:

7 – Admirável Chip Novo

Nome do primeiro álbum da baiana, que saiu em 2003, “Admirável Chip novo” me fez ver e pensar na manipulação que sofremos mesmo sem perceber. Fora o clipe que é uma chacoalhada digna de “eita”.

(Informação inútil: o Duda, baterista, ainda tinha cabelo)

A música fala sobre a sensação de nos sentirmos únicos e totalmente independentes (“Nada é orgânico/É tudo programado/E eu achando que tinha me libertado”). Mostra também algo que lembra uma lista de coisas que precisam ser feitas (“Pense, fale, compre, beba/Leia, vote, não se esqueça/ Use, seja, ouça diga/ Tenha, more, gaste, viva”) e finaliza o refrão com aquele tapa carinhoso no meio da nossa cara, mostrando a nossa submissão (“Não senhor, sim senhor, não senhor, sim senhor”).

6 – Na Sua Estante

 

Música do segundo álbum, “Anacrônico”, lançado em 2005, “Na Sua Estante” conta a história de amor de um robô por uma humana. Deixo o clipe aqui pois a versão ao vivo é a que mais me faz sentir, seja lá o que for isso que sobe pelo meu corpo quando a música começa.

Essa música me fez ter gotas maiores de amor próprio e me preparar para as pessoas que vêm e vão (“Você está sempre indo e vindo, tudo bem/Dessa vez eu já vesti minha armadura”), mostrando também que, independente do que aconteça, eu sou mais do que isso (“E mesmo que nada funcione/Eu estarei de pé/De queixo erguido”). Me fez ver que eu não sou troféu de ninguém (“Eu não ficaria bem na sua estante”) e que eu sou suficiente, mesmo que demore, mesmo que doa, mesmo que seja difícil, um dia de cada vez (“Só por hoje não quero mais te ver/Só por hoje não vou tomar minha dose de você/Cansei de chorar feridas que não se fecham, não se curam/ E essa abstinência uma hora vai passar”).

5 – Seu Mestre Mandou

Do álbum “Des{concerto}”, de 2007, ela nós trás um tapa ainda maior do que em “Admirável Chip Novo” porque, convenhamos, me sinto submissa só de ler o nome da música.

A letra fala sobre nós, no sentido de sociedade, e em como somos mandados a tudo, indo da parte pessoal (“Pra que emprego? Que coisa chata/Aproveite o carnaval/Mesmo sem luz, proteção nem dinheiro/Por favor, não mude o canal”) passando pela política (“Vote em mim/Não discuta”) e uma cutucada em religião (“Tenha fé/Carregue a cruz”). A música termina com “E daqui a pouco vão querer/Morar em você.” Sim, sobra tapa e falta luva.

4 – Todos Estão Mudos

Do álbum “Chiaroscuro”, de 2009, “Todos Estão Mudos” me disse, com todas as letras, que era hora lutar.

Com frases como “Não parece haver mais motivos/Ou coragem pra botar a cara pra bater” e “Não espere, levante/Sempre vale a pena bradar/ É hora/ Alguém tem que falar” ela acendeu uma luz dentro de mim que eu não sabia que existia. Pela primeira vez eu havia sentido um sensação de que eu posso, sim, lutar contra as coisas que eu considero errado, e me orgulhar de lutar.

3 – Desconstruindo Amélia

Também do álbum “Chiaroscuro”, “Desconstruindo Amélia” afoga aquela famosa música que diz “Amélia que é a mulher de verdade”. Não, não é. Ouça o hino:

(Informação inútil²: Nunca vi tanto sentido na frase “Hoje aos 30 é melhor que aos 18/ Nem Balzac poderia prever”)

Não comentarei, apenas deixarei o refrão:

“Disfarça e segue em frente, todo dia, até cansar (ÔH-ÔH)

E, eis que, de repente, ela resolve então mudar

Vira a mesa, assume o jogo, faz questão de se cuidar (ÔH-ÔH)

Nem serva nem objeto, já não quer ser o outro

Hoje ela é um também”

2 – Pra Onde Ir

Faixa do DVD “Chiaroscope”, também de 2009, “Pra Onde Ir” me deixou menos perdida e mais tranquila para enfrentar o começo da vida adulta.

Cada ônibus que eu peguei na vida, depois dessa música, me fez sentir leveza e pensar que tudo bem ficar meio perdida as vezes, porque “A vida, as vezes, cansa por demais/Dispersa e enlouquece até o mais capaz”. Eu senti muito o peso que eu colocava nas coisas e o quanto a minha auto-cobrança me endoidava e que, com o tempo, eu saberia para onde ir (“Endurecer sem perder a ternura jamais/E descobrir pra onde ir”).

1 – Serpente

Do último álbum de estúdio chamado “SeteVidas”, que saiu em 2014, “Serpente” é a música que fecha.

Me vem uma sensação de evolução, de crescimento, de recomeço. Aquela sensação de ser sobrevivente e que “O que sobra é cicatriz/A sustentação é que o amanhã já vem”. É quase a vida me dizendo que as mudanças acontecem, nós gostando ou não, e temos que fazer o melhor (“Chega dessa pele, é hora de trocar/Por baixo ainda é serpente e devora a calda/Pra continuar”).

Porque “Logo mais o amanhã já vem”.

Gostou da lista? Mudaria alguma coisa? Conta aí!

Obirin o Trio

Hoje é dia de luta

Hoje é dia de luto.

Não quero seu parabéns

Quero seu respeito

Não quero suas rosas

Quero meu direito

Meu corpo, meus pelos, meu peito…”

Foi através dessa canção que conheci o trabalho de Lana Lopes (bateria, percussão e voz), Elis Menezes e Raíssa Lopes (ambas violão, percussão e voz).

Três mulheres que se conheceram no carnaval de 2016, que em pouco mais de um ano já fizeram tanto pela representatividade da mulher no cenário da música popular brasileira. O amor pela música as uniu, com o intuito de estudar, pesquisar e resgatar a tradição dos ritmos da MPB, trazendo em suas letras a força do movimento feminista e a luta pela igualdade de gênero, bem como o reconhecimento da mulher enquanto indivíduo da sociedade, e não um corpo andante, trazendo em seu nome também essa representatividade (Obirin significa Mulher em Iorubá, uma língua nativa da África Ocidental).

A música Elas por elas foi lançada no dia 8 de março de 2017, dia mais conhecido como Dia internacional da Mulher. Uma música que fala sobre respeito, liberdade de ir, vir e de ser.

Um trio de Mulheres que falam sobre mulheres, machismo, lesbofobia, aborto, em forma de poema e de canção.

Um trio de Mulheres que em pleno 2017 precisa escrever sobre como a mulher é parte atuante desta sociedade, sobre como é ser mulher e sobre como tratar uma mulher, respeitando sua individualidade como pessoa. Um projeto lindo também de resgate da nossa cultura.

A arte com um propósito.

A luta.

 

Conheça mais sobre o trabalho dessas mulheres, agenda, eventos : https://www.facebook.com/ObinrinTrio/

 

*Algumas informações foram tiradas da página oficial do trio e de sites de pesquisa.
**Imagem de reprodução página oficial do trio, com autorização prévia das mesmas.

 

 

Mulheres fortes em séries que vimos por aí – mas não enxergamos – Parte II

Na semana passada eu comecei uma lista com mulheres fortes e emponderadas enfiadas em “meios masculinos”, mas que raramente prestamos atenção. Perdeu a parte I? Clica aqui!

Continuando…

4 – Miranda Hobbes (Sex And The City)

Sex And The City conta, basicamente, a história de quatro amigas (Carrie, Charlotte, Samantha e Miranda) e suas vidas, tanto pessoal quanto profissional. No início da série, todas são solteiras, cada uma com seu sonho e sua forma de imaginar a vida, mas algumas com a parte profissional um tanto quanto encaminhada. Caso de Miranda.

 

Miranda é advogada, totalmente independente e sem nenhuma ideia de romance. Sonha em ter a sua própria firma e não se permite levar em quase nenhuma situação.

“Eu não consigo dizer ‘eu te amo’. Não consigo. Não está no meu DNA.”

O interessante de Miranda é ela aprender a respeitar as idéias diferentes que as amigas acreditam e as defende, não só graças a sua formação acadêmica, mas existe uma conexão entre elas, que defende a irmandade, independente da forma de pensar de cada uma.

3 – Kate Beckett (Castle)

A série conta a vida de Richard Castle, um escritor de suspense, com milhares de livros vendidos e um ego que não cabe aqui no texto. Esquece o Castle. Em uma festa de lançamento, Castle conhece a detetive Beckett.

Dando um spoiler fofo, ele começa a trabalhar junto com a equipe de polícia de Nova York para escrever outra franquia de livros. Mas, como eu disse, esquece o Castle. Kate entra para a polícia para investigar o assassinato da mãe e vingar a sua morte. A trama vai muito além de um romance e Kate acaba chegando a pessoas grandes, praticamente intocáveis, colocando sua carreira em risco.

SIM! TEM MUITO TIRO!

O mais importante? Ela não pára. Ela abre mão, muitas vezes, das suas relações para responder as perguntas que a levaram até ali. E, cá entre nós, o Castle nem faz muita diferença.

2 – Addison Montgomery (Private Practice)

Addison sai de Grey’s Anatomy no final da terceira temporada para ser dona da p… parada toda em Private Practice.

Ginecologista, obstetra e, simplesmente, a melhor cirurgiã uterina do país, Addison cai na ironia de se descobrir estéril quando decide ser mãe. Não posso mentir falando que isso não faz muita diferença, porque faz, não só da história da série, mas também na história da ruiva. O ponto é o foco.

Ela não desiste. Ela simplesmente coloca na cabeça que ela quer um filho, e luta para conseguir. Aja poder, gente. Eu não teria essa garra não…

E a número 1, na minha mega humilde opinião…

[tambores rufando]

1 – Samantha Jones (Sex And The City)

SIM! Samantha Jones!

Sam Jones é promotora de eventos e faz a sua maior descoberta ainda durante a série, onde ela encontra um cara simples e transforma em um dos maiores modelos do mundo. Eu escolhi a Sam para estar aqui, como número 1, pela forma simples que ela encara os problemas das amigas e, óbvio, pelo seu amor próprio.

“Eu te amo mas eu me amo mais.”

Que frase mais linda né, gente! Ainda não vi nada que me trouxesse mais amor próprio do que essa personagem. Vale até um coração!

<3

Gostou da lista? Mudaria alguma coisa? Conta pra gente!

A Teta Racional e a Maternidade Desmistificada

Texto da nossa colaboradora Luana Krüger, Mestranda em Literatura pela UFPel.

O primeiro livro que recebi do Clube do Garimpo foi o “A Teta Racional” de Giovana Madalosso. Li em dois dias – um livro curtinho, mas cheio de conteúdo e vozes de mulheres. Um livro com dez contos e a primeira publicação da autora.

Imagem: Divulgação

As vozes vêm de vários lugares e vários momentos – mas eu, hoje, vou falar do que mais me tocou como leitora: a maternidade. Giovana conseguiu em diferentes contos mostrar a maternidade como algo sofrido, algo cansativo, e em alguns momentos, ruim. Não, não tem mãe abandonando filho, não tem mãe batendo no filho, não tem o estereótipo da ‘louca’, ‘dissimulada’ – não estamos condenando as mulheres que se sentem exaustas na maternidade, e por isso mesmo esse discurso não cabe aqui.

Imagina como é difícil para as mulheres serem mães: tu tens que estar sempre linda, feliz, amando o mundo com um ar sereno. Se teu filho chora, teu instinto tem que ser de correr para acalmá-lo. Se teu filho se suja, teu instinto deve ser limpá-lo (sem nojo, claro). PARA! Quantas mães não puderam dizer o que de fato sentem por medo de serem reprimidas pela sociedade? Quantas mulheres criam os seus filhos completamente sozinhas porque afinal de contas “quem mandou fazer?!”? Esse tipo de ideia e de julgamento já está mais que na hora de ser rejeitado. Esse tipo de julgamento, tem base em uma ideia de mulher que está determinada a ser mãe, que nasce para exercer uma função e que não tem opção de fugir para ser outra coisa. É como se ‘mulher e mãe’ fossem a mesma coisa. Beauvoir já falou sobre isso, vale a pena ler.

Nesse livro, há mulheres que sofrem e que mostram um lado da maternidade até hoje escondido para a sociedade e para mídia. Mostra a mãe indo ao banheiro com o filho no colo, sendo amamentado, e por mais nojento que isso pode parecer, não é! Isso mostra sim, o amor dela, a intenção de não deixar o filho sozinho ou chorando de fome. A narradora do conto “XX + XY” nos lembra que o corpo da mulher ainda é preparado para ser mãe precocemente e que carregar um bebê na barriga e no colo machuca o corpo – dói assim como amamentar. Uma mãe não dorme mais que duas horas continuas e isso irrita, isso causa desconfortos, isso dá vontade de chorar. Porque a mulher, antes de ser mãe, é humano.

Imagem: Divulgação.

Outra narrativa nos leva a relação entre mãe e filha, a preocupação e a possessão de algumas relações. Penso que isso se explica muito pela pressão que se tem na sociedade em fazer com que as mulheres cuidem (e muito bem) dos seus filhos. Essa possessão é quase uma imposição social, porque se algo der errado, ela é quem será a culpada. No conto “Suíte das Sobras” temos o questionamento: “Por que será que até amar tem que ser tão difícil?”. E não é?! E esse amor de mãe, mais difícil ainda. Nesse conto conhecemos mãe e filha fazendo uma viagem, e o que parece ser somente um passeio com alguns flashbacks, mostra muito mais. Mostra uma relação quebrada e sofrida – uma relação quase de fuga entre mãe e filha, que se restabelece quando alguns padrões são deixados de lado, quando os papeis sociais de mãe se suavizam.

O conto que dá título ao livro mostra uma mulher que se divide entre o trabalho e a maternidade. Algo bem comum hoje em dia, mas ainda assim, ignorado. “… trancada no banheiro da agência ordenhando” essa mulher separa o leite para o filho. Mas ordenhar é uma palavra forte! Parece referência aos animais! E não é assim?! E por que não pode falar assim? Ofende quem? A mãe idealizada da novela?! O pai?! Uma mulher, por muitas vezes, vive uma maternidade solitária, vira escrava desse momento. E no final das contas, o discurso não é que ela tem o que escolheu? Veja bem, não tem aqui nenhum tipo de compaixão! O discurso que recebemos todos os dias é assim, e dói, mas não só para mãe. Dói em todas as mulheres!

Giovana conseguiu desmistificar essa maternidade – e sim, deixou claro para mim o que de fato é a beleza disso tudo. Porque ninguém deve disputar mais disposição, a questão aqui é mostrar que a beleza disso tudo é a força das mulheres que ainda sozinhas na sociedade se mantém firmes. Giovana mostra que não é errado a forma como falamos sobre a maternidade e sim, a maneira como compreendem a maternidade, quase como um produto vendido pelas telenovelas com intuito de reforçar a feminilidade.

Eu, que nunca quis ser mãe, agora quero. Porque pela primeira vez, eu li algo que vez eu me identificar. Eu li o que minha mãe e as mulheres da minha vida nunca disseram, por medo de serem mais punidas do que já foram. Eu li o que eu sempre pensei e pela primeira vez eu senti que está tudo bem.

Deixo vocês com um book trailer do livro. Deixo também uma leitura!

Mulheres fortes em séries que vimos por aí – mas não enxergamos – Parte I

Eu poderia começar o texto falando da personagem de Viola Davis em How To Get Away With Murderer ou com a personagem de Kerry Washington em Scandal, mas acho que não fomos acostumadas a ver empoderamento em meio ao machismo, então decidi escolher mulheres fortes em séries que todos conhecemos. Ou quase.

Escolhi 10 personagens mulheres que nos mostram que empoderamento não é só ter seu nome em primeira mão.

Aliás, o texto pode definitivamente conter spoilers.

10 – Jane Villanueva (Jane, The Virgin)

Ok, nesse caso, ela tem o nome em primeira mão. 23 anos, noiva de Michael Cordeiro há 2.  Jane é fã de telenovelas e mora com a mãe, Xiumara, e com a avó, Alba. No começo, Jane não conhece o pai e, como diz o título, sim, ela é virgem.  Jane acidentalmente engravida através de uma inseminação artificial e decide manter a gravidez.

“- Michael, o que você está fazendo?

– Pedindo em casamento

– Eu estou grávida.

– O_O”

Como se a bagunça não fosse suficiente, o esperma do doador é de Rafael Solano, dono do hotel que ela trabalha e, 4 anos atrás, houve uma leve faísca entre eles.

“- Eu trabalhei no Clube Golden Harbor. É de lá que nos conhecemos.

– Isso!”

Ah! E hoje Rafael é casado com Petra, que quer um filho mais do que tudo.

O empoderamento? Jane engravida – mas não engravida – de um homem rico, renomeado e casado. Ela continua trabalhando, estudando e vivendo. Jane não abre mão da sua vida por ver uma oportunidade de diminuir o ritmo e, muito menos, desiste do seu noivado. Algumas vezes se dar o direito de dizer não também é ser forte.

9 – Calliope Torres ( Grey’s Anatomy)

Dando um breve resumo de Grey’s: a história começa com Meredith e mais 4 colegas (George, Izzie, Alex e Cristina) trabalhando como internos, sonhando com cirurgias de 18 horas e plantão de 3 dias. Após duas temporadas e meia, chega a deusa da ortopedia: Callie Torres.

“O coração dispara/ Tropeça, quase pára…”

Callie cheira empoderamento. A personagem é uma daquelas histórias que a gente não acredita que o personagem sobreviveu. Callie (SPOILER!) casa com George e, logo em seguida, é traída (ele pega a Izzie. Sério). No primeiro momento ela tenta perdoar, mas não é algo que parece muito possível, então vem a separação. Um tempo depois ela se envolve com uma mulher que simplesmente a abandona, do dia para a noite. Em meio as bebedeiras de ter sido traída por um homem e abandonada por uma mulher, ela se apaixona por uma pediatra. O pai de Callie tentar levá-la de volta para casa e chama um padre para exorcizá-la (uma das cenas mais fortes desse atrito que se forma):

“ – Você acha que pode exorcizar a parte gay. Você não pode exorcizar a parte gay!”

A bissexualidade da Callie e a força com que ela abraça isso é a maior prova de amor próprio que eu já vi, fora essa fé na vida que, olha, que mulher, hein. Continuando…

8 – Olivia Benson (Law and Order – Special Victims Unit)

Law and Order – Special Victmis Unit é uma unidade especial que investiga crimes relacionados a mulheres e crianças. É uma série relativamente forte onde Olivia é uma detetive e tem um passado não muito bom de se lembrar, incluindo abuso sexual.

Olivia é, basicamente, um exemplo. O fato de só descobrirmos sobre seu passado não o deixa mais fácil de ser absorvido. Ela luta e faz o possível para prender homens que fizeram com outras mulheres exatamente aquilo que foi feito com ela. Se lutar de frente contra suas piores lembranças para salvar outras mulheres não for poder, então algo de errado não está certo.

7  – Lilly Rush (Cold Case)

Arquivo Morto é uma séria policial que investiga crimes antigos. Antigos tanto no sentido de 10 anos atrás quanto no começo do século passado. É uma daquelas séries que você consegue assistir uns episódios aleatórios que está tudo bem, mas a história de vida da detetive Rush merece uma atenção especial.

Rush mal fala da família e, em alguns episódios, onde a irmã aparece, a tensão é eminente. É aquela personagem fechada que quase nunca solta algo sobre a vida pessoal, sabe, mas que, quando solta, ficamos de boca aberta por 6 dias. E, como se não fosse suficiente, ela é a única mulher da equipe de detetives, com um passado muito bem escondido. Todo o tempo ela é testada por suspeitos com piadas machista e comentários desnecessários sobre sua aparência mas, claro, ela não se entrega e mostra que ela não está ali por ser mulher. Ela está ali por ser a melhor naquilo que faz.

 

6 – Cristina D-E-U-S-A Yang (Grey’s Anatomy)

Sim, Cristina. Uma das internas que começam a trabalhar no mesmo dia que Meredith.

“Se não tem comida, eu vou embora.”

Quem nunca, né.

Yang começa um relacionamento com seu chefe, Preston Burke, cirurgião cardíaco, que é exatamente a área onde ela mais ama, mas Burke queria casar. Bom, (OUTRO SPOILER), ela cedeu, mas (MAIS UM SPOILER) o casamento não aconteceu, pois (S-P-O-I-L-E-R) Burke desistiu de última hora, quando ele já estava no altar, dizendo que se ele realmente a amasse, ele não a faria passar por aquilo.

Faço questão de mostrar uma das minhas cenas favoritas (depois que Burke foi embora) :

 

Ela perde o marido, que nem chegou a ser marido, e deu a volta por cima. Colocou a cabeça no lugar e se tornou uma das melhores cirurgiãs cardíacas do mundo, criando procedimentos e cirurgias revolucionárias.

5 – Charlotte King (Private Practice)

Private Practice é uma história que anda junto com Grey’s Anatomy, começando quando Addison Montgomery deixa Seattle (cidade que se passa Grey’s Anatomy) atrás de um recomeço. Ela encontra esse recomeço em uma clínica particular. A clínica tem convênio com o hospital St. Ambrose. Sabe quem manda no St. Ambrose? Exatamente.

 

Charlotte é um demônio, mas é um demônio que você ama de paixão. Ela é a mais odiada no começo, por ser totalmente casca grossa e antipática, mas isso passa quando a história se desenrola. Ela passa por (PERIGO – SPOILER) perdas na família, acidentes com os médicos e, principalmente, ( FOGE QUE DÁ TEMPO) um abuso durante a série. A força de querer continuar é invejável e admiração é inevitável. Sua luta para associar sua vida junto com a mente no lugar nos faz ser fortes também, sabe. Ver uma mulher querendo ser melhor nos ajuda a sermos melhores também.

Curiosa para saber quem são as 4 mulheres empoderadas escondidas por trás de séries comuns? Volta aqui semana que vem que eu conto!

livros de fácil leitura e importantes temáticas

Foto: Divulgação

Durante a pausa do blog, resolvi aproveitar meus tempinhos vagos para renovar minhas leituras e experimentar coisas novas diferentes da minha área de conforto.

Entre essas diversas leituras duas me chamaram muito atenção e mereceram estar nessa publicação. 

Ambos os livros que citarei tratam violências que mulheres sofrem todos os dias e que muitas vezes passam batidas. A  visibilidade desses temas por um público mais jovem se faz cada vez mais necessário, e ambos cada um em seu estilo cumpre esse papel de modo satisfatório. 

O primeiro é um mangá, nunca fui muito de ler mangas, mas a arte da capa me conquistou. “Helter Skelter” pelo desenho e titulo me remeteram ao caso Tate- La Bianca, inclusive achei que o manga falava justamente disso, mas logo que comecei a leitura percebi que não havia mínima relação entre as historias.

Helter Skelter conta a historia de Liliko uma superstar idolatrada, que deixou de ser ela mesma para se encaixar aos padrões da sociedade, resultado disso é uma completa destruição de sua vida e carreira. 

Não chamaria o mangá de leve, pelo contrario ele é bem áspero e desesperador. Porém foi bem simples de ler alem das belíssimas ilustrações, muito intenso, conta com profundidade a vida de uma pessoa escravizada pelos padrões, abrindo mão de si mesma e de sua independência para conquistar almejados holofotes.

Foto: Divulgação

 

O segundo eu chamo de um livro intenso disfarçado de historia adolescente. Um dia de cada vez, conta a historia de Alexi uma menina que tem sua vida devastada devido a um estupro, a moça tenta se reerguer aos poucos e consegue isso com a ajuda de Bodee, jovem que assistiu sua mãe ser assassinada pelo seu próprio pai. Juntos eles se ajudam e se motivam a denunciar os crimes e a retirarem esse peso de suas vidas.

Não quero dar spoiler, por isso não vou dizer quem violentou Alexi, mas após lerem o livro será perceptível que apesar de absurdo o assunto é mais real do que podemos imaginar, conseguimos identificar varias Alexis sem coragem de pedir socorro por ai.

Courtney C. fez um excelente trabalho, trazendo um tema extremamente necessário em pauta para diversas jovens que se calam perante situações assim, e ao mesmo tempo trata o assunto com docilidade e leveza. 

Como leitora confesso que ambos me surpreenderam muito, por trazer a tona diferentes faces da violência contra a mulher de maneira tao delicada para um público mais jovem. Para quem gosta de leituras rápidas e intensas recomendo muito!

Se você gostou e deseja ler um dos livros ou os dois:

Helter Skelter foi o escrito por  Kyoko Okazaki e lançado aqui no Brasil pela NewPop 

Um dia de cada vez foi escrito pela Courtney C. Stevens e lançado pela editora suma de letras

 

 

5 games com personagens femininas fortes e não sexualizadas

games personagens femininas

 

Como prometido, hoje eu trago uma lista de 5 jogos com personagens femininas fortes e não sexualizadas. Para quem não sabe, este post era para ter saído na semana passada, mas durante a minha pesquisa uma coisa me incomodou profundamente, resultando nesse texto: A invisibilidade da mulher gamer vs a objetificação feminina nos jogos. E se antes eu já queria trazer esta lista, agora estou ainda mais motivada.

Importante frisar que eu sou uma gamer beeeem iniciante. Apesar de viciada em jogos casuais e para celular, só comecei a jogar em consoles e computadores no ano passado. A história de por que eu demorei tanto a me enveredar por esse lado renderia até outro post, mas enfim. Por isso, eu apenas tive oportunidade de jogar três dos itens da lista, sendo ela completada por indicações de terceiros e pesquisa. Mas eu digo que pode confiar sim, tá? E lá vamos nós:

 

Child of Light

Esse e Ori and the Blind Forest são os mais lindos que eu já joguei (e os meus favoritos também). Ele tem uma história ao mesmo tempo delicada e grandiosa, narrada em versos. Child of Light é uma mistura de RPG e plataforma, que se passa no reino fantástico de Lemuria. Entre pequenas aventuras e batalhas, a protagonista Aurora deve buscar e devolver o Sol, a Lua e as estrelas, que foram roubadas pela Rainha da Noite.

Aurora é uma princesa (que não gosta de ser chamada assim), de uma região da Áustria governada por seu pai, um duque. Ela, no entanto, morre e acorda em Lemúria, o que faz seu pai adoecer e seu povo ficar à mercê dos que querem usurpar seu trono. Aurora deve então entrar numa jornada para salvá-los. A sua única ajuda são os vários amigos que encontra pelo caminho, mas ela não precisa ser salva por ninguém. Ela vai desenvolvendo suas habilidades e cresce ao longo do jogo, e nenhuma de suas fases é sexualizada.

Plataformas: PlayStation 4, Xbox One, PlayStation 3, PlayStation Vita, Xbox 360, Wii U, PlayStation Portable, Microsoft Windows

 

Life is Strange            

De uma Áustria fantasiosa do século XIX para a costa oeste americana dos tempos atuais. Life is Strange conta a história de Max, uma estudante de fotografia que presencia o assassinato de uma jovem e ao impedi-lo, descobre ter o poder de voltar no tempo. Os primeiros momentos do jogo mostram um sonho de Max (que mais tarde se revela como um presságio) em que uma enorme tempestade ameaça Arcadia Bay, a cidade fictícia onde se passa a história, levando a garota a tentar salvá-la.

Max também começa a ajudar na investigação do desaparecimento de Rachel Amber, amiga e antiga paixão de Chloe, a garota que ela salvou e que na verdade era sua melhor amiga de infância. O jogo permite que suas escolhas definam o destino do jogo, de modo que Chloe possa ser também o interesse amoroso de Max. Desse modo, Life is Strange não apenas foge dos estereótipos das personagens femininas nos games, como também quebra tabus e traz representatividade LGBT.

Plataformas: PlayStation 4, Xbox One, PlayStation 3, Xbox 360, Microsoft Windows, Mac OS Classic, Linux

 

Alice: Madness Returns

Este jogo é a sequência de American McGee’s Alice, de 2000, inspirado no clássico infantil de Lewis Carroll. Em ambos, uma Alice adulta passa por terapia para superar acontecimentos traumáticos do passado, como a morte de seus pais e sua irmã em um incêndio, que a levam a pesadelos e alucinações. Após uma tentativa de suicídio, Alice é convocada pelo Coelho Branco a retornar ao País das Maravilhas e salvar o local da tirania da Rainha de Copas.

Eu tenho um pouco de relutância com jogos que você tem que controlar a câmera e o personagem separadamente, ainda mais por ser iniciante. Me falta coordenação motora. Por isso, ainda não explorei muita coisa desse. Mas a temática é bem interessante, a trilha sonora é incrível e o visual é bem legal. E a protagonista trazida aqui se encaixa muito bem nas exigências para estar nesta lista.

Plataformas: PlayStation 3, Xbox 360, Microsoft Windows (Madness Returns) e PlayStation 3, Xbox 360, Microsoft Windows, Mac OS Classic (American McGee’s)

 

Mirror’s Edge

Taí um jogo que eu ainda não joguei, perdi a oportunidade de baixar free pro Xbox e agora me arrependo. Mas isso não vem ao caso. Mirror’s Edge é uma mistura de ação, aventura e esporte, tudo em primeira pessoa. O pano de fundo é um regime totalitário onde a privacidade, a liberdade de expressão e a comunicação são suprimidos e controlados. Como alternativa, corredores são usados para transmitir mensagens, utilizando o parkour. A protagonista Faith é uma entre esses corredores.

Apesar de ser em primeira pessoa, os movimentos do jogo permitem que mais do corpo do personagem apareçam na tela, como braços e pernas. No entanto, nem as roupas nem as curvas de Faith são objetificadas, seja nesses momentos, seja em enquadramentos de corpo inteiro. O jogo original de Mirror’s Edge foi lançado em 2008 e em 2016 saiu Mirror’s Edge Catalyst, uma prequel/reboot.

Plataformas: Windows, PlayStation 3, Xbox 360, IOS, Windows Phone (original) e PlayStation 4, Xbox One, Microsoft WindowsMicrosoft (Catalyst).

 

Undertale

Este jogo indie e retrô de RPG é bem humorado e tem uma proposta pacifista (ufa, quantos adjetivos). Nele, dá para resolver todos os conflitos sem machucar ninguém. O personagem principal é um humano que cai por um buraco em um mundo subterrâneo cheio de monstros. É revelado que no passado humanos e monstros viviam na superfície, mas após uma guerra estes foram obrigados a viver sob a terra.

Quem recepciona o protagonista é Toriel, uma cabra que explica a ele como é o local onde foi parar. Entre as demais personagens femininas, temos Undyne, peixe líder da guarda real, Dra. Alphys, uma cientista e Chara, que na verdade é andrógina. É outro jogo a explorar temas que são tabu além de não objetificar nenhuma de suas personagens femininas.

Plataformas: Mac OS Classic, Microsoft Windows, Linux

 

Agradecimento especial pela ajuda da Letícia Rodrigues do blog Gênero e Videogames.

Primeiros passos da revolução

O filme “As sufragistas” é baseado na história das mulheres britânicas que lutaram pelo direito ao voto no século XX, foi inspirado em fatos reais, com início em 1897 com a formação da União Nacional das Sociedades de Mulheres Sufragistas. Antes do movimento em si, foi publicado por Mary Wollstonecraft o livro “Reivindicação dos direitos da mulher” que questionava a realidade da mulher nesse período, influenciando e levando a uma reflexão sobre a organização de um movimento em prol dessas mudanças.

 

Em 1904 começou a Aliança Internacional das Mulheres Sufragistas na tentativa de mais uma vez alcançar uma mudança significativa, porém, todos eram grupos pacíficos que tentavam por meio de diálogo, o que não surtiu efeito. Assim, surgiu a União Social e Política das Mulheres, com o intuito de ser mais incisiva na causa, só aí o movimento sufragista ganhou a forma de uma revolução.

 

Imagem: reprodução/internet

 

 

É retratado no filme o início do que hoje é conhecido como a primeira onda feminista, relatando o ativismo das britânicas (brancas) na luta pela igualdade de direitos. O filme mostra outros tipos de opressões vividas pelas mulheres da época, como: assédio sexual, trabalho análogo à escravidão, submissão feminina e a falta de direito das mulheres em relação aos seus filhos.

 

Imagem: reprodução/internet

 

 

Uma frase que demonstra realmente o que o filme quer passar é a cena em que Emmeline Pankhurst faz um discurso de incentivo às militantes e diz: “Durante cinquenta anos temos trabalhado de forma pacífica para garantir o voto para as mulheres. Temos sido ridicularizadas, maltratadas e ignoradas. Agora percebemos que ações e sacrifícios, devem ser a ordem do dia. Estamos lutando por um tempo em que cada menina nascida neste mundo terá uma oportunidade igual aos seus irmãos. Nunca subestime o poder que as mulheres têm de definir os nossos próprios destinos. Nós não queremos quebrar as leis, nós queremos fazê-las.”.

 

Em 1928 a lei que deu direito ao sufrágio feminino entra em vigor na Inglaterra. A luta das mulheres não terminou e deu origem a segunda e terceira onda feminista. Hoje ainda temos muito o que reivindicar, e o feminismo está aqui para ser usado como principal forma de conseguir a equidade.

A invisibilidade da mulher gamer vs a objetificação feminina nos jogos

Cristina Santos, mulher gamer que EXISTE

O post que eu ia trazer hoje seria apenas uma lista sobre games e personagens femininas fortes. Só que, logo no início da minha pesquisa, eu acabei mudando de ideia por achar um reforço para algo que na verdade todo mundo já sabe. Você talvez tenha visto um tweet que comparava os resultados das buscas no Google “bombeiro” e “bombeira”, que inclusive rendeu um post do Buzzfeed com algumas outras profissões.

Que sexualização feminina existe a gente já cansou de falar e repetir (mesmo que alguns indivíduos insistam em se fazer de surdos), mas a comparação ajuda a explicitá-la ainda mais. Pois bem, acontece que na minha PRIMEIRA pesquisa pro post, ao jogar inocentemente as palavras “mulheres videogame” no Google, o resultado que obtive foi esse:

De 21 imagens, 13 são sexualizadas, sendo que entre as que não são apenas duas não carregam estereótipos (e são basicamente a mesma imagem). Seguindo a ideia do tweet e do Buzzfeed, experimentei digitar as palavras “homens videogame” e ver o que apareceria. Obviamente, o resultado foi BEM diferente, como você pode ver abaixo:

Zero, absolutamente ZERO sexualização. Várias imagens de bancos de fotos, alguns memes, charges e… estereótipos sobre mulher. O mais “grave” contra homens pode ser a piadinha de que eles largam tudo por um videogame. Mas a contrapartida nessas mesmas piadas é a ideia que mulheres são impacientes e encaram isso como megeras. E, claro, jamais poderiam jogar com seus parceiros, onde já se viu? Videogame pra mulher só se for ferramenta de sedução, mesmo. E essa ideia se reforça quando você desce para as páginas seguintes:

Mesmo na pesquisa sobre homens, ainda aparecem aqui e ali imagens de mulheres sexualizadas

Lembrando que essas pesquisas dão destaque aos resultados mais acessados pelo público. Como isso se relaciona à forma como a sociedade enxerga mulheres gamers (e em geral)? São raros os ambientes realmente receptivos e acolhedores ao nosso gênero, e o universo nerd e principalmente o gamer levam essa máxima a níveis elevados. Mesmo representando 52,6% do público de jogos no Brasil, ainda somos vistas como minoria. E a maioria das mulheres já sofreu algum tipo de assédio ou preconceito nesses espaços, levando muitas a diminuírem o hábito e se afastarem.

Somos invisíveis como consumidoras, mas não como produto. Ou ao menos os nossos corpos não são. Personagens e principalmente protagonistas femininas são menos comuns nos jogos, e, quando aparecem, muitas vezes são postas como meros atrativos para o olhar masculino.

Imagens dos jogos Soul Calibur, Street Fighter, Dragon‘s Crown e Mortal Kombat

Em jogos de luta e RPGs online essa característica é gritante, com personagens sempre curvilíneas e com trajes minúsculos. No segundo, a diferença na forma como personagens masculinos e femininos são tratados explicita ainda mais. Enquanto o visual dos primeiros é trabalhado pensando em funcionalidade e verossimilhança, o dos segundos notavelmente não se preocupa com essas questões.

“‘Armaduras femininas em Fantasia’: uma análise – A ‘armadura com seios’: porque armaduras ajustam ao corpo, não é mesmo? – A ‘armadura com seios +’: Caso você não tenha percebido onde estão os seios, aqui está uma dica sutil! – A ‘qual a porra do sentido’: porque, sério, QUE?” (tradução livre) Além de tudo, a “boob plate” (armadura com seios) ainda poderia matar quem a usasse

Felizmente, esse cenário tem apresentado mudanças, mesmo que lentamente.  Um estudo aponta que a sexualização feminina nos videogames tem diminuído, principalmente se comparado ao seu boom no final da década de 90. Um exemplo claro da forma como o mercado tem notado a necessidade de mudança é o reboot de Tomb Raider. Lara Croft sempre teve sua sensualidade muito explorada (e provavelmente foi uma das personagens que mais contribuíram para a explosão da sexualização), no entanto, em 2013 a personagem voltou com uma aparência mais natural, humanizada e discreta.

Com curvas menos acentuadas (e absurdas) e menos pele à mostra, a sensualidade ainda existe, mas é bem mais sutil

Como tudo na vida, a busca por uma melhor representação nos videogames é uma luta diária. Muitos jogos (como vários de luta e RPG já citados) ainda seguem a mesma cartilha de objetificação e tantos deles não parecem querer mudar a fórmula. Mas saber a importância que isso tem para a gente e a forma como esses valores refletem no tratamento das mulheres no ambiente gamer é muito importante. Não somos objetos. Somos consumidoras e, como consumidoras, queremos nos identificar com as personagens com as quais jogamos, e não nos sentirmos como um mero produto.

Ps: Quanto à lista que citei no primeiro parágrafo, fica para um próximo post. Aguardem que ela ainda virá!