O que chamou nossa atenção em 2017: 4 séries, 1 filme e 1 bônus

2017 foi um ano marcante para o entretenimento, especialmente no que diz respeito às mulheres. Por um lado, inúmeras denúncias de casos de assédio, violência sexual e machismo escancararam a face mais feia dessa indústria, ao mesmo tempo em que foram uma vitória da voz feminina, que começa a se fazer ouvir. Por outro, o protagonismo das mulheres teve destaque na mídia, com feitos históricos e grandes sucessos de público, crítica e premiações.

Alguns acontecimentos importantes e recordes (como Lady Bird, de Greta Gerwig, se tornando o filme mais bem avaliado da história do Rotten Tomatoes) estão na ótima retrospectiva do Mulher no Cinema. Inclusive, além do próprio site, fica a recomendação do post deles Os 10 melhores filmes de/sobre mulheres de 2017.

Para o último post do ano da coluna Culturarte, optamos por uma visão pessoal, e escolhemos algumas das produções que mais chamaram a nossa atenção ao longo dele. As indicações vêm com os nomes das autoras do blog que as fizeram. A última e o bônus são as minhas. Confira:

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sociedade idolatra machistas

Dudu Camargo é a prova que nossa sociedade idolatra machistas

Antes de tudo, uma contextualização: no dia 18/06, foi ao ar uma edição do Programa Silvio Santos, com participação de Maisa e Dudu Camargo no Jogo das 3 Pistas. Na ocasião, o apresentador começou a fazer “brincadeiras”, dizendo que eles deveriam formar um casal, já que ambos estavam solteiros. Além de dizer que o rapaz não fazia seu tipo, a insistência de Silvio a levou a criticar o rapaz e chamá-lo de engessado. Durante o quadro, as brincadeiras e as provocações se seguiram, e ainda com o ingresso de Dudu em certo ponto.

sociedade idolatra machistas
Incentivado por Silvio, Dudu dançou em torno de Maisa para provocá-la (Imagem: reprodução/internet)

Alguns dias depois, Dudu Camargo foi ao programa da Sônia Abrão, que não apenas defendeu o comportamento do apresentador, como rechaçou as críticas de Maisa. Nessa ocasião, inclusive, Dudu disse que convidou a garota para dormir com ele. E a mesma que criticou a “grosseria” de Maisa, gargalhou com um claro episódio de assédio. Lembrando ainda que Maisa é menor de idade (tem recém completados 15 anos) e Dudu já é um adulto de 19.

Até selinho o rapaz recebeu de Sônia (Imagem: reprodução/internet)

A novela se seguiu. Durante a última gravação de seu programa, Silvio Santos convidou Maisa para participar do Jogo dos 3 Pontinhos. E achou uma boa ideia fazer uma “surpresa” para a garota, levando Dudu Camargo sem avisar a menina. Sem suportar mais humilhações, assédio e provocações, Maisa teria abandonado o palco do programa aos prantos.

E no meio de toda essa polêmica, ainda surgiu nas redes sociais um relato de Robert Oliveira, que se diz ex-namorado de Dudu Camargo. O rapaz denunciava no texto que eles tiveram um relacionamento permeado por abusos psicológicos, físicos e sexuais. A assessoria de Dudu insiste que o conteúdo da postagem é falsa e que “Dudu é hétero”, bem como pretende processar Robert, ainda que haja na web fotos dos dois juntos e um vídeo em que eles dão um selinho.

Robert Oliveira e Dudu Camargo (Imagem: reprodução/internet)

Continuando sobre a repercussão que Dudu recebeu com tudo isso. O rapaz participou, no último domingo (25/06), do programa Pânico na Band. Quem está familiarizado com seu conteúdo já consegue imaginar o tipo de cena que ele protagonizou. Não faço a menor questão de incluir esse tipo de imagem aqui, então quem tiver interesse pode ver neste link (Fonte: Diva Depressão). Já na segunda-feira seguinte (26), participou do talk show The Noite, apresentado por Danilo Gentili.

Para entender o que tudo isso significa, é muito importante fazer um exercício de distanciamento. Primeiro: nas redes sociais, Maisa recebeu um amplo apoio na forma como tratou Silvio Santos e Dudu Camargo. Se nos limitarmos a considerar esse espaço de amostra da reação do público, podemos ter uma interpretação favorável à garota. Mas mesmo esse apoio, no entanto, não foi unânime: assim como Sonia Abrão, muitos a consideraram grossa e/ou exagerada. Mesmo no ambiente em que recebeu o maior suporte, Maisa ainda encontrou opositores.

Segundo: numa primeira vista, a repercussão oferecida a Dudu aparenta vir apenas de seus semelhantes. Os programas onde ele teve palco são conhecidos pelo seu machismo escrachado (no caso do Pânico e The Noite), sua toxicidade e o desprezo pela dignidade humana. Mas mesmo nesses ambientes, é importante refletir sobre o que significa toda essa visibilidade que ele vem recebendo. E o que a audiência desses programas diz não apenas sobre a TV brasileira, como sobre o seu público.

A emissora de Silvio Santos constantemente comemora seu espaço garantido nas televisões brasileiras (muitas vezes apoiado por polêmicas)

Silvio Santos continuou se aproveitando da situação que beneficiava Dudu Camargo, contra o bem estar de Maisa. Importante abrir um parêntese para algo importante: a atitude do apresentador já no primeiro programa era errada de inúmeras formas. Insinuações e “brincadeiras” sobre relacionamentos podem ser meramente inconvenientes, mas a forma como ele as fez (como se o temperamento da garota fosse justificado por “sua falta de namorado”) já era machista por si só. E fazer esse tipo de brincadeira com uma menina de apenas 15 anos, dizendo inclusive que já estava na hora dela casar e pensar em ter filhos (!!!), é absurdo.

Retomando, sabemos que Silvio Santos gosta de alimentar sua audiência com boas doses de polêmica (não é de se espantar que o The Noite seja de sua emissora). De certo modo já era de se esperar algum tipo de atitude como a tomada em sua última gravação. Ele é, afinal, não apenas um dos que têm todo o caráter para dar palco para um indivíduo como Dudu Camargo, como aquele que o deu desde o início. O pseudo-jornalista (já que não é nem formado, nem competente) apresenta o telejornal sensacionalista Primeiro Impacto, bem adequado para o seu perfil caricato. Telejornal esse, do SBT.

Imagem: reprodução/internet

SBT esse, de Silvio Santos. O mesmo Silvio Santos que submeteu Maisa a tamanho assédio e humilhação. O mesmo Silvio Santos que levou Dudu Camargo mais uma vez a seu programa para aumentar a humilhação da menina. Que permite programas como o The Noite. E dono da emissora com a segunda maior audiência do Brasil. Do programa vice de audiência em seu horário – inclusive no domingo 18/06.

Não só é importante ver todos os envolvidos diretos nessa situação, como os indiretos. Essa audiência toda não é coisa de nicho. Nichos não sustentam por muito tempo – muito menos com tanto alcance – toda essa repercussão positiva. O problema é geral, e denuncia algo grave sobre nossa sociedade: ela não é apenas machista, como aplaude o machismo.

PS: E ainda é curioso que a idade justifique tanto as besteiras que Dudu (jovem demais) e Silvio Santos (velho demais) fazem. Mas não protege Maisa em instante algum. Nem do que passou, nem das críticas por sua suposta “grosseria”.

Rivalidade feminina Música

Rivalidade feminina na música pop: por quê?

Rivalidade feminina definitivamente é meu tema da vez. Já falei sobre ele nos meus dois últimos posts nesta coluna, que você pode ler aqui e aqui.

 

Disputas entre fanbases são o tipo de coisa que a gente até pensa que ficou lá em 2012, mas elas ainda são reais – e intensas. Um rápido passeio por portais do gênero pode chegar a ser assustador para os mais desavisados.

 

 

Fonte: @reasonyoutalita

 

Apesar de render piadas, o cenário de guerra, no entanto, denuncia algo extremamente grave: a mais pura misoginia. É verdade que no universo dos fandoms a rivalidade é bem comum, mesmo em assuntos que não envolvam, necessariamente, figuras femininas – vide disputas como Marvel x DC Comics, por exemplo.

Mas quando vamos para o campo das divas pop, a coisa fica muito mais séria. A rivalidade não só cria uma atmosfera hostil, como vira uma desculpa para serem destiladas ofensas machistas e ataques baixíssimos.

 

Rivalidade feminina - música
Alguns comentários coletados hoje em páginas do Facebook

 

O fato desse público ser composto principalmente por pessoas LGBT+ ainda reforça algo importante: gays também podem ser misóginos. Homens gays ainda são homens, e o fato deles sofrerem um tipo de opressão não apaga aquelas que eles venham a causar. Mulheres hétero sofrem machismo mas podem ser homofóbicas, não é? Opressões podem se complementar, mas não se anulam. E são justamente homens gays os que mais vemos perpetuando a rivalidade no universo da música pop.

 

O papel da mídia

Acontece que, como é falado diversas vezes no meio feminista, não é tão fácil resistir a uma opressão, muito menos a conceitos sociais que somos ensinadas a reproduzir. Em parte este é um dos motivos de existir sim rivalidade entre mulheres. E o ambiente competitivo – mercadologicamente falando – da música, com charts, premiações, e todo tipo de disputa do tipo “quem é melhor” apenas contribui para seu surgimento.

No entanto, mesmo quando a rivalidade simplesmente não existe, ela pode ser vista como extremamente lucrativa. A indústria musical faz rios de dinheiro com brigas reais, e disso é apenas um pulo para serem insinuadas em situações irreais. Afinal de contas, tudo é válido enquanto o dinheiro estiver entrando.

 

Money
Topa tudo por dinheiro

 

Tudo isso com aval – e incentivo – da mídia, que constrói narrativas inteiras ao redor dessas disputas, e do público, que compra um lado – mesmo nas situações onde não há lados a serem comprados. E isso se mostra também de forma sutil, não apenas com os ataques mostrados no início do texto, mas também com insinuações, alfinetadas e coisas do tipo.

Lutar contra a rivalidade feminina não necessariamente significa que não possam existir desavenças reais, muito menos que todas as mulheres devam passar pano umas para as outras. Existem sim ocasiões em que mulheres são nocivas e dignas de repreensão. E também não queremos culpabilizar mulheres que estão inseridas numa sociedade que as ensina a competirem entre si.

O que não pode acontecer é a naturalização desses discursos, especialmente quando isso significa inocentar os principais responsáveis pela sua manutenção. A crítica deve ser feita sempre ao sistema machista e suas consequências. E podemos sim apontar os problemas do comportamento de mulheres que reproduzem machismo, mas isso não é desculpa para julgá-las sem compreender o que há por trás disso.

 

Mas é só com as mulheres?

Como sempre, tudo fica mais gritante quando fazemos a comparação com o outro gênero. Na música, especificamente, além da competição entre homens não resultar em ataques direcionados ao sexo masculino e suas vidas pessoais, ela é definitivamente muito menos acirrada. Isso também em todas as esferas: indústria, mídia e público.

Fãs do Bruno Mars e do Drake não aproveitam toda matéria sobre eles para falarem mal um do outro, visando exaltar seus ídolos. Por que fãs da Lady Gaga e da Katy Perry precisam fazer o mesmo?

A coexistência entre homens talentosos e/ou que fazem sucesso parece ser algo completamente natural e aceitável. Mulheres, no entanto, só podem ser boas se forem melhores que as outras. E isso não é nada normal.

10 canais para seguir

    A internet hoje é muito mais que um veículo de entretenimento. Através delas é possível se comunicar, aprender, conhecer pessoas, participar de debates, trabalhar, entre outras coisas.

    O YouTube surgiu há mais ou menos 11 anos e hoje é uma plataforma de multifunções. Uma plataforma que tem crescido e dado oportunidade para pessoas compartilharem opiniões sobre diversos assuntos. E  o feminismo tem sido mais explorado e mais falado em muitos canais.

Pensando no crescimento dos debates sobre o tema, separei alguns canais voltados para o empoderamento feminino, canais que também falam de questões importantes sobre a mulher na sociedade atual, feminismo, desconstrução de conceitos e entretenimento com informação de qualidade. Canais de mulheres que falam sobre mulheres, que valem a pena acompanhar e abrir mais espaço para a discussão desses temas, de forma saudável.

 

1- Alexandrismos por Alexandra Gurgel

O canal fala sobre a vida da mulher gorda na sociedade, machismo, empoderamento, aceitação e situações atuais de forma clara, objetiva, abrindo nossa mente para questionamentos e reflexões.

Link para o canal: www.youtube.com/channel/UC2LQ5jMieMZjb5k5Gprp2JQ

 

2- Nunca te pedi nada por Maíra Medeiros

Além de falar sobre situações cotidianas, o canal aborda entretenimento, quadros que ressaltam feitos de mulheres importantes na nossa história e no mundo.

Maíra também criou a série Por que mulher?, onde cada vídeo falava sobre os estigmas impostos às mulheres pela sociedade.

Link para o canal: www.youtube.com/channel/UCYWtYb0GcYrhDxOykcUpzJw

 

3- Mais magenta por Dani Cruz

Dani traz temas mais relacionados ao feminismo didático, falando sobre vertentes, também aborda tutoriais de maquiagem, faça você mesmo e música.

Link para o canal: www.youtube.com/user/BlogMaisMagenta

 

4- Olívia do Olivices por Olívia Godoy

Olívia é uma pessoa que reflete pura luz, fala sobre autoconhecimento, vida, sexualidade e feminismo de uma forma leve, além de compartilhar experiências pessoais

Link para o canal: www.youtube.com/user/ligmoreira101

 

5-  Ellora Haone

Um canal que fala sobre relacionamentos, sexualidade, feminismo, vivências e saúde mental. Totalmente descontraída e genuína.

Hellora fala sobre também aceitação, privilégios e assuntos cotidianos.

Link para o canal: www.youtube.com/user/ElloraHaonne

 

6- Jana Viscardi

Fala sobre tudo. Educação, feminismo, machismo, como lidar com algumas frustrações da vida, sobre saúde e sobre assuntos polêmicos, política, atualidades. Sempre abrindo o espaço para refletirmos enquanto parte dessa sociedade cheia de tabus e conceitos padronizados e impostos ao longo dos tempos.

Link para o canal: www.youtube.com/user/janaisaviscardi

 

7- DePretas por Gabi Oliveira

Um canal sobre questões raciais e estética da mulher negra, vivências e atualidades. A pessoa mais sorridente que está plataforma já teve, mesmo quando fala de assuntos mais sérios como racismo.

Link para o canal: www.youtube.com/channel/UCF108KZPnFVxP8lILiJ1kng

 

8-  Bonjur monamour por Ju Giampaoli

Um misto de ativismo lgbt, feminismo, arte e vivências. Problematizações, políticas, ocupação do nosso espaço são uns dos assuntos que ela também aborda no canal.

Link para o canal:  https://www.youtube.com/channel/UCQMkZR8vkwPdxzgOxvTwd2Q

 

9- Barraco da Rosa

Vivências da mulher transsexual, periférica e negra e afro-latina, em toda sua extensão.

Um canal que todos, independente de gênero deveriam conhecer, e consequentemente ter maior visibilidade.

Link para o canal: www.youtube.com/channel/UCCX7dUMgO8_ORxWQ4PU4ISA

 

10- Sheylli Caleffi

Aborda a liberdade de expressão e a liberdade sexual da mulher, quebra de tabus, experiências pessoais, formas de amor, feminismo, arte e cultura.

Link para o canal: www.youtube.com/channel/UCUf6JNKUrzEdppdOt2-Xk-Q

 

    Há vários outros canais que poderiam ter sido listados, mas além de canais já conhecidos houve a intenção de mostrar os canais que tem surgido com a proposta de sempre abrir mais espaço ao debate e a discussão de temas importantes para a nossa desconstrução pessoal, além de uma quebra de padrões e uma série de possibilidades para as mulheres.

     Aproveita esse fim de semana e dá uma passada nesses canais para fortalecer as criadoras de conteúdo e abrir seu leque de conhecimentos​ não só sobre feminismo, mas também sobre a vida e o universo.

 

5 Produções que subvertem a rivalidade feminina

Há duas semanas, eu postei um texto sobre a falta de filmes, séries e etc sobre amizade feminina e o excesso de produções sobre rivalidade entre mulheres. Prometi que traria semana passada uma lista de obras que subvertem esse conceito machista, mas alguns contratempos me fizeram atrasar um pouco. Eu tardo, mas não falho, e aqui está ela!

Como recorte, trouxe produções que ou poderiam optar por seguir o caminho da rivalidade, mas não o fazem, ou que propositalmente trazem uma rivalidade e a abandonam (transformando-a em amizade, ou não). Apesar disso, sabemos que elas não são perfeitas e podem apresentar falhas (por exemplo, quanto à diversidade). Outro recorte: optei apenas por séries ou filmes dos quais nunca falei aqui no blog.

Apesar dos contras e da escassez de obras assim, é bom saber que ao menos temos opções. Vamos valorizar o que temos, e torcer para que haja cada mais espaço para essa subversão. Espero que gostem!

 

Meninas Malvadas

 

Meninas Malvadas

Sinopse: Cady Heron foi criada na África e educada em casa por seus pais biólogos. Sua família então se muda para os EUA, e ela precisa se inserir no Ensino Médio e se adaptar ao convívio social, já com 16 anos. Na nova escola, ela tem que lidar com as “panelinhas” e rivalidades estudantis, e ainda encarar as Plásticas, grupo de populares lideradas por Regina George.

Um clássico quando falamos desse assunto. A essência de Meninas Malvadas é exatamente a ideia de que mulheres não precisam ser rivais umas das outras. E o ato do final (não custa nada avisar: SPOILER), quando Cady quebra a coroa de rainha do baile e distribui para todas as meninas, é um símbolo e tanto disso.

 

Don't Trust The Bitch in Apartment 23

 

 

Don’t Trust The Bitch in Apartment 23

Sinopse: June é uma jovem do interior que se muda para Nova York em busca de um sonho. Certinha, com pouco trato social e (aparentemente) ingênua, ela vai morar com Chloe (a “Bitch” do título). Esta tenta aplicar em June o mesmo golpe que aplica às que vieram antes dela: infernizar sua vida ao ponto dela querer sair e deixar o dinheiro do adiantamento. Mas June se prova muito mais determinada que o esperado, não só vencendo Chloe em seu próprio jogo, mas também conquistando seu respeito e sua amizade.

Chloe e June são completos opostos. Logo no começo elas se encontram em uma situação de conflito, mas acabam se tornando amigas. Obviamente essa amizade não é perfeita (principalmente porque Chloe não se apega às pessoas). Mesmo assim, há um certo respeito por suas diferenças. Até há momentos em que uma tenta mudar a outra, mas isso serve apenas para elas aprenderem que essas divergências não precisam necessariamente atrapalhar a relação.

 

 

Legalmente Loira

Sinopse: Depois de ser dispensada pelo namorado, Warner, por ser superficial demais, Elle decide entrar no mesmo curso de Direito que ele, para provar sua inteligência. Vivian, nova namorada de seu ex, acaba se tornando sua rival também dentro do curso. Elle passa por vários obstáculos e enfrenta a descrença de muitos, mas acaba aprendendo que o curso pode ser mais que apenas uma forma de impressionar um homem.

Aqui temos a situação clássica da rivalidade feminina: a disputa por um homem. Mas esse filme, além de trazer a jornada de Elle enquanto descobre que não precisa impressionar homem nenhum (podendo ainda ser inteligente e gostar de coisas superficiais ao mesmo tempo), ainda desconstrói a rivalidade na raiz. (SPOILER) Quando Vivian descobre que Warner não era confiável, ela percebe também que não tinha motivos para perseguir Elle, e ainda aprende a respeitar sua personalidade.

 

Encantada

 

Encantada

Sinopse: A princesa Giselle é enfeitiçada para fora do reino de contos de fadas de Andalasia e vai parar em Manhattan, no mundo real. Lá ela conhece o advogado de divórcios Robert e sua filha Morgan. Enquanto Giselle descobre o novo mundo e enfrenta os perigos do seu próprio, ela e Robert começam a se envolver aos poucos.

Antes de conhecer Giselle, Robert era noivo de Nancy. A personagem poderia ser a figura típica da megera de comédias românticas. Aquela que geralmente aterroriza o/a(s) filho/a(s) do protagonista masculino, não aceita o término do relacionamento e ainda serve de contraponto para a “perfeição” da mocinha. Isso não acontece aqui. Nancy não chega a se tornar amiga de Giselle, mas elas nunca chegam a ser rivais. (SPOILER vai que, né) E ao término do relacionamento, quando Giselle obviamente acaba ficando com Robert, Nancy ainda tem um final feliz ao lado do príncipe Edward, pretendente anterior da princesa. Para esse filme ficar ainda melhor, só se a figura da bruxa malvada fosse trocada por um vilão.

 

Grande Menina, Pequena Mulher

 

Grande Menina, Pequena Mulher

Sinopse: Molly é uma jovem mimada que nunca precisou trabalhar, vivendo da fortuna deixada por seu falecido pai, um famoso astro do Rock. No entanto, ela é roubada por seu contador, sendo obrigada a arrumar um emprego. Molly acaba então como babá da pequena Ray, uma precoce menina de 8 anos.

A maturidade que falta a Molly, mesmo já passando da hora, mais que sobra a Ray. As duas vivem em pé de guerra em boa parte do filme por isso. Com o tempo, Molly vai aprendendo ao lado de Ray a ser mais madura, ao mesmo tempo em que conquista seu respeito e entende melhor seu comportamento. A amizade que as duas cultivam ainda é um exemplo de respeito acima da divergência etária.

Bônus:

É bônus, então posso trazer item repetido de outro post (já falei desse jogo aqui).

 

 

Life is Strange

Sinopse: Life is Strange conta a história de Max, uma estudante de fotografia que presencia o assassinato de uma jovem e ao impedi-lo, descobre ter o poder de voltar no tempo. Os primeiros momentos do jogo mostram um sonho de Max (que mais tarde se revela como um presságio) em que uma enorme tempestade ameaça Arcadia Bay, a cidade fictícia onde se passa a história, levando a garota a tentar salvá-la.

O jogo é definido pelas escolhas do jogador. Além da trama principal, várias subtramas e aspectos da história podem mudar de acordo com as ações da protagonista. (SPOILER) Entre elas, sua relação com os personagens, como Victoria Chase. Logo no começo do jogo ela é a jovem rica e popular, rival de Max. Entretanto, dependendo das suas escolhas ao longo da história (como apoiar ou zombar de Victoria em algum momento), essa rivalidade pode ser deixada de lado.

É uma forma interessante de observar como a rivalidade não é necessariamente algo inevitável na convivência feminina, e o quanto nossas próprias escolhas (na vida real) podem influenciar na sua manutenção ou subversão.

Gostaram da lista? Têm mais sugestões? Deixem nos comentários!

Por que é mais fácil achar produções sobre rivalidade do que sobre amizade feminina?

 

A ideia de que mulheres são rivais por natureza é um dos conceitos machistas mais sutis entre os que encaramos no dia a dia. Ele parece inofensivo, mas quando paramos para pensar melhor sobre isso vemos que não é.

Uma das formas de chegar a essa constatação é pensando no poder que a união e a amizade feminina podem ter. A forma como a naturalização da rivalidade feminina sabota a criação desses laços é apenas um dos problemas, sobre o qual a Jade já falou nesse post aqui.

Na cultura pop, essa ideia é presente em músicas, filmes, séries, animações, novelas, livros e até em narrativas da imprensa… É extremamente fácil encontrar produções que se sustentem nela ou a reforcem. O oposto, nem tanto.

 

Bad Blood
Imagem do clipe da música Bad Blood, da Taylor Swift (reprodução/internet)

 

É até grave pensar que, enquanto histórias sobre amizades masculinas são muito populares e até consagradas como clássicos, relatos sobre união entre mulheres são bem menos comuns.

Sim, também há grandes histórias sobre inimigos masculinos. Mas é importante lembrar que há diferenças não tão sutis assim no tratamento da rivalidade masculina e da feminina. Enquanto a primeira é pautada geralmente em motivos ideológicos ou de poder, a segunda costuma ser jogada como inevitável ou motivada por interesses românticos.

Isso faz com que seja muito importante a valorização de produções sobre amizade e/ou união feminina. Algumas delas, como já mencionado, são fortes exemplos do que mulheres juntas podem fazer.

 

Mad Max
Mad Max: Estrada de Fúria (imagem: reprodução)

 

Outras, não tão pretensiosas, ao menos servem para mostrar que nada se compara a ter uma amiga mulher. Elas nos entendem em nossos conflitos e necessidades, ao mesmo tempo que podem apresentar vivências completamente diferentes das nossas.

 

Quatro Amigas e um Jeans Viajante
Quatro Amigas e um Jeans Viajante (imagem: reprodução)

 

Há ainda as produções que fazem uma completa (ou ao menos parcial) desconstrução da rivalidade feminina, sobre as quais trarei uma lista no meu próximo post. São histórias que em um primeiro momento parecem se render ao conceito machista, mas que em algum ponto o desconstroem e passam uma mensagem oposta.

 

Meninas Malvadas
Meninas Malvadas (imagem: reprodução/internet)

 

Em resumo, os meios de comunicação e a arte podem sempre ser ferramentas para reforçar ou reverter elementos machistas. Com a rivalidade feminina não é diferente. Quando escolhemos valorizar a desconstrução dela estamos, ao mesmo tempo, abrindo nossos próprios olhos para a importância da amizade feminina, e preparando o terreno para que mais mulheres enxerguem o mesmo.

Edit: não vou deixar uma resposta explícita à pergunta do título (apesar de ter algumas opiniões. Spoiler: todas envolvem machismo). Prefiro deixar em aberto, para promover a reflexão. E você, o que acha?

 

Leitura necessária: Chimamanda Ngozie Adichie

(Foto: Divulgação)

 

Chimamanda Ngozie Adichie  é uma das escritoras nigerianas mais influentes e jovens da atualidade. Sua obra tem um enfoque feminista didático responsável por atrair cada vez mais a atenção das Africanas. Trata a importância dos temas de extrema importância com a leveza da literatura, sua escrita envolve ao mesmo tempo que mostra a partir de suas vivências os desafios sociais que a mulher vive na Nigéria de antes e de agora.

 

Conheça um pouco de sua obra, que já foi traduzida para mais de trinta línguas:

 

Meio sol amarelo: O livro agradou tanto que virou filme, conta a história de  irmãs gêmeas que não são nada parecidas. Enquanto uma abandona os jogos sociais de sua influente família para dar aulas e viver a revolução, a outra participa de todas as situações possíveis para se favorecer. O livro ilustra bem a divisão social da Nigéria, inclusive nos tempos da ditadura.

Meio sol amarelo, Companhia das letras

Americanah: Conta a história de amor entre dois jovens nigerianos em meio ao cenário da ditatorial. A menina passa por cima de todos os preconceitos e consegue estudar em uma das mais aclamadas universidades Dos EUA, porém quando retorna às suas raízes já como uma conceituada blogueira, se choca com a mudança do cenário e o que deixou para trás.

O livro vai bem além de uma história de amor, ele faz uma crítica social importantíssima de maneira inspiradora.

 

Americanah, Companhia das letras

Hibisco Roxo: Narradora e personagem, Kambili conta a sua história mostrando as opressões que sofreu por seu pai que abominava as raízes nigerianas e idolatrava o segmento católico, tal opressão religiosa o levou a negar o próprio pai e sua outra filha, porém ao decorrer da história a jovem se apaixona por um padre, e sua falta de perspectiva faz com que ela seja obrigada a sair da Nigéria.

Hibisco roxo, companhia das letras

Sejamos todos feministas: Uma palestra da autora que virou livro, e trata da importância da igualdade de gêneros, a partir de situações que ela mesma viveu durante o decorrer da sua vida em uma nigeria machista;  além de contar a experiência de outras mulheres e expor os julgamentos que sofreu.

Um livro super curtinho e gostoso de ler, fundamental para quem quer compreender um pouco mais sobre igualdade.

Sejamos todos feministas, companhia das letras

Extremamente inspiradora, Chimamanda tem uma escrita necessária, inclusive um de seus discursos foi musicado pela Beyonce, (https://www.youtube.com/watch?v=IBe9Vtodzg4)

Uma obra útil apenas para  maior conhecimento da Nigéria, mas sim livros  que mostram os desafios de ser mulher em países de construções machistas e preconceituosas, valorizando e apresentando o poder do feminismo e da liberdade de qualquer preconceito.

Site oficial: http://chimamanda.com/

Outros jeitos de usar a boca de Rupi Kaur – (des)fazendo os nós na garganta

Texto da nossa colaboradora Luana Krüger, Mestranda em Literatura pela UFPel.

 

O livro, originalmente publicado com o título milk and honey da escritora e artista Indiana Rupi Kaur, traz a cada poema um soco e, por vezes, um abraço.

Imagem: divulgação

Éle propõe ao leitor quatro momentos: a dor, o amor, a ruptura e a cura. Em cada um deles encontramos histórias de família, de relacionamentos, histórias que doem em mulheres, histórias que falam daquele relacionamento abusivo disfarçado de amor, daquela ruptura que antes de mais nada é um acordar para um mundo onde conseguimos perceber o abuso psicológico que sofremos diariamente e que por mais libertador que seja, não deixa de ser sofrido. Então vamos lá, vejamos mais detalhadamente o que ela está dizendo e se tu realmente sente esses socos que eu falo.

Todas nós já sabemos que ninguém precisa ser estuprada para sentir o que é a dor de um estupro, além disso, o estupro é diário e, infelizmente, poucas são as mulheres que nunca sofreram nenhum tipo de abuso (ou seria – nenhuma?!). No segundo poema temos:

“o primeiro menino que me beijou

segurou meus ombros com força

como se fossem o guidão da

primeira bicicleta

em que ele subiu

eu tinha cinco anos” (Kaur, 2017, p.12)

Não chegamos ao final, mas aí já temos bastante discussão e questionamentos – afinal de contas em que momento meninos aprendem que ‘podem’ nos segurar dessa forma?, e que lugar é esse que vivemos, e que parece não ter fronteiras, onde o corpo de crianças é sexualizado?

Não é bonitinho ver o menininho agarrando a menininha, é deprimente. Isso é o início da iniciação machista, isso é o inicio da opressão de mulheres e também do silenciamento de muitas delas, que se sentem perdidas e amedrontadas com a normalidade social de um abuso.

“ele tinha cheiro

de fome nos lábios

algo que aprendeu com

o pai comendo a mãe às 4h da manhã” (Kaur, 2017, p.12)

Esse cheiro de fome, lembra esse lado animalesco masculino, já discutido por muitas feministas e nada admirável. Não precisamos ir muito longe pra ver homens achando bonito ser um animal, eles se comportam assim.

 “ele foi o primeiro menino

a ensinar que meu corpo foi

feito para dar aos que quisessem

que eu me sentisse qualquer coisa

menos que inteira

 

 e meu deus

eu de fato me senti tão vazia

quanto a mãe dele às 4h25” (Kaur, 2017, p.12)

Sentir-se vazia, parece que é algo que só pertence à mulher, porque não é só o poema que diz isso, todas nós em algum momento sentimos. Há muitos homens que dentro de famílias, com suas mães sofrendo, reproduzem o mesmo com mulheres na rua. Eu não estou dizendo que eles não sofram, mas estou dizendo que a ideia de empatia entre os dois sexos não parece ser uma via de mão dupla, e se a mãe precisa ter compaixão com o filho, esse mesmo não precisa ter com ela, muito menos compreendê-la antes mesmo de mãe, como mulher.

No amor, ela diz:

“toda revolução

começa e termina

com os lábios dele” (Kaur, 2017, p.48)

Achou bonito? Romântico? Olha, numa primeira leitura é, e eu realmente acho que muitas pessoas podem romantizar tal poema, mas tu já parou pra pensar no significado da palavra revolução? E uma revolução ser motivada por um ‘ele’ e acabar pelo mesmo ‘ele’ não parece ser algo de um universo masculino e dominado por um homem?

Eu não acredito que a revolução tenha que começar e terminar por um ‘ele’, um ‘ele’ que parece ser tão poderoso a ponto de mandar eu agir e parar. Homem não tem que mandar e amor não deveria ser motivado e decidido atráves de um – muito menos um ‘eu – homem’ que historicamente não tem provado muitos atos de amor genuíno pelas mulheres. E falando nesse amor a eu-lirico diz:

“ele só sussura eu te amo

quando desliza a mão

para abrir o botão

de sua calça

 

é aí que você tem

que entender a diferença

entre querer e precisar

você pode querer esse menino

mas você com toda certeza

não precisa dele” (Kaur, 2017, p.86)

Uma ruptura libertadora, afinal de contas, não é facil perceber e se descobrir sendo usada diariamente e abusada emocionalmente. Quantas mulheres já ouviram uma palavra de carinho e logo em seguida um toque malicioso? Muitos homens usam disso para ter o que querem, usam isso, principalmente, em um momento de fragilidade a mulher. Os homens definitivamente não são burros – são maldosos, e pra isso, muito espertos -, mas a ruptura deixa claro que não vamos aceitar esse tipo de comportamento, pois:

 “o amor fez com que o perigo

em você parecesse seguro” (Kaur, 2017, p. 104)

Mas agora não parece mais! E por fim, a cura:

“perder você

foi o que levou

a mim mesma” (Kaur, 2017, p.174)

Aqui ela mostra o quanto juntas podemos ser mais fortes:

“você olha pra mim e chora

tudo dói

 

eu te abraço e susurro

mas tudo pode curar” (Kaur, 2017, p. 181)

Imagem: divulgação

Além de trazer a perspectiva da cura desses ditos ‘amores’, ela também traz a cura atráves da libertação dos padrões sociais que fazem as pessoas achar que devemos ter sempre alguém e que

somos inimigas umas das outras.

Esse livro abre espaço para questionamentos, com poemas curtinhos Kaur nos leva a olhar não só com olhos, ela traz essa sororidade que tanto precisamos, ela traz a empatia que devemos exercer e mostra com toda lírica que esse espaço (dentro e fora da gente) não é determinado por homens e pelos padrões sociais machistas que ainda existem.

E a cura, essa cura que faz com que prestemos atenção em quem realmente importa, nós – e aqui o ‘nós’ é feminino, porque eu falo de nós mulheres.

A única coisa que fere é manhã pós-amor

Novo livro de Aline Dias mergulha na prosa poética

O verão de Aline Dias foi na Bahia, com a promessa de que voltaria com um livro. Em seu regresso para Vitória, percebeu que suas vivências e jornadas pelo litoral baiano se transformaram em páginas de prosa e poesia. “A única coisa que fere é manhã pós-amor” é o terceiro livro de Aline, “pequeno porque está muito denso”, afirma. No vídeo abaixo, a escritora e jornalista capixaba, de mudança para Recife (PE), fala sobre a construção espontânea e intensa da obra, da viagem de autoconhecimento e  a coragem para se jogar.

Lançamento

“A única coisa que fere é manhã pós-amor” será lançado em Vitória, seguindo para outras duas cidades, pertencentes à jornada da escritora: Iúna (ES) e Trancoso (BA). Acompanhe o evento no Facebook. O livro também pode ser adquirido no valor de R$15,00 pela página da Editora Cousa.

A autora

Aline Dias nasceu em Cachoeiro de Itapemirim, em 1988. Publicou “Vermelho” (2012), “Além das Pernas,” (2015) e organizou a coletânea “Sem a Loucura não Dá” (2017), com contos inspirados em músicas de Sergio Sampaio. Aprendeu a chorar este ano e acredita no amor.

A única coisa que fere é manhã pós-amor

Editora: Cousa

Páginas: 63 páginas
Valor: R$ 15,00

7 músicas da Pitty que me colocaram no cantinho da disciplina para pensar na vida

“Cantinho da disciplina”, para quem não sabe, é para onde as crianças que não foram tão boazinhas ficam para realizar o maior ato de crescimento pessoal: pensar na vida. Cada música dessa lista me fez sentar no meu cantinho imaginário e pensar. Na vida, nas pessoas, na sociedade, nos meus atos e, principalmente, onde eu posso melhorar. Segue a lista:

7 – Admirável Chip Novo

Nome do primeiro álbum da baiana, que saiu em 2003, “Admirável Chip novo” me fez ver e pensar na manipulação que sofremos mesmo sem perceber. Fora o clipe que é uma chacoalhada digna de “eita”.

(Informação inútil: o Duda, baterista, ainda tinha cabelo)

A música fala sobre a sensação de nos sentirmos únicos e totalmente independentes (“Nada é orgânico/É tudo programado/E eu achando que tinha me libertado”). Mostra também algo que lembra uma lista de coisas que precisam ser feitas (“Pense, fale, compre, beba/Leia, vote, não se esqueça/ Use, seja, ouça diga/ Tenha, more, gaste, viva”) e finaliza o refrão com aquele tapa carinhoso no meio da nossa cara, mostrando a nossa submissão (“Não senhor, sim senhor, não senhor, sim senhor”).

6 – Na Sua Estante

 

Música do segundo álbum, “Anacrônico”, lançado em 2005, “Na Sua Estante” conta a história de amor de um robô por uma humana. Deixo o clipe aqui pois a versão ao vivo é a que mais me faz sentir, seja lá o que for isso que sobe pelo meu corpo quando a música começa.

Essa música me fez ter gotas maiores de amor próprio e me preparar para as pessoas que vêm e vão (“Você está sempre indo e vindo, tudo bem/Dessa vez eu já vesti minha armadura”), mostrando também que, independente do que aconteça, eu sou mais do que isso (“E mesmo que nada funcione/Eu estarei de pé/De queixo erguido”). Me fez ver que eu não sou troféu de ninguém (“Eu não ficaria bem na sua estante”) e que eu sou suficiente, mesmo que demore, mesmo que doa, mesmo que seja difícil, um dia de cada vez (“Só por hoje não quero mais te ver/Só por hoje não vou tomar minha dose de você/Cansei de chorar feridas que não se fecham, não se curam/ E essa abstinência uma hora vai passar”).

5 – Seu Mestre Mandou

Do álbum “Des{concerto}”, de 2007, ela nós trás um tapa ainda maior do que em “Admirável Chip Novo” porque, convenhamos, me sinto submissa só de ler o nome da música.

A letra fala sobre nós, no sentido de sociedade, e em como somos mandados a tudo, indo da parte pessoal (“Pra que emprego? Que coisa chata/Aproveite o carnaval/Mesmo sem luz, proteção nem dinheiro/Por favor, não mude o canal”) passando pela política (“Vote em mim/Não discuta”) e uma cutucada em religião (“Tenha fé/Carregue a cruz”). A música termina com “E daqui a pouco vão querer/Morar em você.” Sim, sobra tapa e falta luva.

4 – Todos Estão Mudos

Do álbum “Chiaroscuro”, de 2009, “Todos Estão Mudos” me disse, com todas as letras, que era hora lutar.

Com frases como “Não parece haver mais motivos/Ou coragem pra botar a cara pra bater” e “Não espere, levante/Sempre vale a pena bradar/ É hora/ Alguém tem que falar” ela acendeu uma luz dentro de mim que eu não sabia que existia. Pela primeira vez eu havia sentido um sensação de que eu posso, sim, lutar contra as coisas que eu considero errado, e me orgulhar de lutar.

3 – Desconstruindo Amélia

Também do álbum “Chiaroscuro”, “Desconstruindo Amélia” afoga aquela famosa música que diz “Amélia que é a mulher de verdade”. Não, não é. Ouça o hino:

(Informação inútil²: Nunca vi tanto sentido na frase “Hoje aos 30 é melhor que aos 18/ Nem Balzac poderia prever”)

Não comentarei, apenas deixarei o refrão:

“Disfarça e segue em frente, todo dia, até cansar (ÔH-ÔH)

E, eis que, de repente, ela resolve então mudar

Vira a mesa, assume o jogo, faz questão de se cuidar (ÔH-ÔH)

Nem serva nem objeto, já não quer ser o outro

Hoje ela é um também”

2 – Pra Onde Ir

Faixa do DVD “Chiaroscope”, também de 2009, “Pra Onde Ir” me deixou menos perdida e mais tranquila para enfrentar o começo da vida adulta.

Cada ônibus que eu peguei na vida, depois dessa música, me fez sentir leveza e pensar que tudo bem ficar meio perdida as vezes, porque “A vida, as vezes, cansa por demais/Dispersa e enlouquece até o mais capaz”. Eu senti muito o peso que eu colocava nas coisas e o quanto a minha auto-cobrança me endoidava e que, com o tempo, eu saberia para onde ir (“Endurecer sem perder a ternura jamais/E descobrir pra onde ir”).

1 – Serpente

Do último álbum de estúdio chamado “SeteVidas”, que saiu em 2014, “Serpente” é a música que fecha.

Me vem uma sensação de evolução, de crescimento, de recomeço. Aquela sensação de ser sobrevivente e que “O que sobra é cicatriz/A sustentação é que o amanhã já vem”. É quase a vida me dizendo que as mudanças acontecem, nós gostando ou não, e temos que fazer o melhor (“Chega dessa pele, é hora de trocar/Por baixo ainda é serpente e devora a calda/Pra continuar”).

Porque “Logo mais o amanhã já vem”.

Gostou da lista? Mudaria alguma coisa? Conta aí!