A importância da educação para as mulheres

 

Falamos várias vezes da importância de valorizar as diversas artes feitas por mulheres, principalmente literária, porém não levamos em consideração o fato de que vivemos em uma sociedade em que nem todas as mulheres tem acesso à educação. As causas dessa, não educação as mulheres, são muitas e não podemos deixar de enfatizar que em sua maioria as mais atingidas são mulheres negras e periféricas.

Um índice que está interligado a essa problemática, é o Brasil ser o 4º país do mundo com maior número de casos de casamento infantil, segundo a ONU, com 36% das mulheres se casando com menos de 18 anos. Ainda segundo a ONU, o casamento é responsável por 30% da evasão escolar no ensino fundamental e médio, o que deixa as mulheres vulneráveis a maior dificuldade em trabalhar. Além disso, a maternidade precoce também pode ser um motivo para a saída da escola.

Foto: retirada da internet

A exclusão feminina da educação vem de um processo histórico. No Brasil, só em 1755 passou a existir escolas para a educação oficial de meninas. E só em 1887 se formou a primeira medica no Brasil: Rita Lobato Velho.

No século XVI, na própria metrópole não havia escolas para meninas. Educava-se em casa. As portuguesas eram, na sua maioria, analfabetas. Mesmo as mulheres que viviam na Corte possuíam pouca leitura, destinada apenas ao livro de rezas. Por que então oferecer educação para mulheres ‘selvagens’, em uma colônia tão distante e que só existia para o lucro português? (Ribeiro, 2000, p.81).

Assim, nosso papel na sociedade é incentivar cada vez mais que as meninas permaneçam nas escolas e que possam ter um futuro com maiores oportunidades. Para que tenhamos mais mulheres na literatura.

A roupa que oprime

Desde pequenas, nós mulheres, somos moldadas e influenciadas pelo patriarcado e machismo em relação a como nos vestimos.

 

Menina usa rosa. Menina não usa coisa de super herói. Menina que usa saia curta é “puta”. Menina que usa roupa “comportada” demais é puritana. Menina tem que gostar de maquiagem. Menina tem que usar salto.

Imagem: internet 

A necessidade de uma mulher “feminina”, cheia de padrões estéticos e consequentemente, de um modelo de mulher perfeita, vem de uma sociedade que idealiza um comportamento de nós.

 

Incomoda os ouvidos escutar alguém falando “ela foi estuprada por que estava de saia curta” ou “olha como ela se veste, estava pedindo”. Até quando nossas roupas vão ser julgadas em prol de culpar a vítima?

Imagem: internet 

 

Além disso, mulheres​ pouco femininas são rotuladas e criticadas, em uma sociedade que luta cada dia mais para reforçar que mulher precisa se maquiar, usar salto e roupas adequadas.

 

É claro que nós mulheres donas das nossas vidas e corpos, podemos nos arrumar da forma que quisermos, isso é apenas uma reflexão sobre o que as vezes nem percebemos que é imposto é fruto da nossa sociedade patriarcal.

Primeiros passos da revolução

O filme “As sufragistas” é baseado na história das mulheres britânicas que lutaram pelo direito ao voto no século XX, foi inspirado em fatos reais, com início em 1897 com a formação da União Nacional das Sociedades de Mulheres Sufragistas. Antes do movimento em si, foi publicado por Mary Wollstonecraft o livro “Reivindicação dos direitos da mulher” que questionava a realidade da mulher nesse período, influenciando e levando a uma reflexão sobre a organização de um movimento em prol dessas mudanças.

 

Em 1904 começou a Aliança Internacional das Mulheres Sufragistas na tentativa de mais uma vez alcançar uma mudança significativa, porém, todos eram grupos pacíficos que tentavam por meio de diálogo, o que não surtiu efeito. Assim, surgiu a União Social e Política das Mulheres, com o intuito de ser mais incisiva na causa, só aí o movimento sufragista ganhou a forma de uma revolução.

 

Imagem: reprodução/internet

 

 

É retratado no filme o início do que hoje é conhecido como a primeira onda feminista, relatando o ativismo das britânicas (brancas) na luta pela igualdade de direitos. O filme mostra outros tipos de opressões vividas pelas mulheres da época, como: assédio sexual, trabalho análogo à escravidão, submissão feminina e a falta de direito das mulheres em relação aos seus filhos.

 

Imagem: reprodução/internet

 

 

Uma frase que demonstra realmente o que o filme quer passar é a cena em que Emmeline Pankhurst faz um discurso de incentivo às militantes e diz: “Durante cinquenta anos temos trabalhado de forma pacífica para garantir o voto para as mulheres. Temos sido ridicularizadas, maltratadas e ignoradas. Agora percebemos que ações e sacrifícios, devem ser a ordem do dia. Estamos lutando por um tempo em que cada menina nascida neste mundo terá uma oportunidade igual aos seus irmãos. Nunca subestime o poder que as mulheres têm de definir os nossos próprios destinos. Nós não queremos quebrar as leis, nós queremos fazê-las.”.

 

Em 1928 a lei que deu direito ao sufrágio feminino entra em vigor na Inglaterra. A luta das mulheres não terminou e deu origem a segunda e terceira onda feminista. Hoje ainda temos muito o que reivindicar, e o feminismo está aqui para ser usado como principal forma de conseguir a equidade.