Em um mundo de fugitivos, revolucione: Fique

 

 

 

O sol da tarde engole minha disposição enquanto minha bagunça mental atravessa barreiras e passa o dia no meu quarto. Tênis, livros, histórias, CDs, músicas. É como se tudo fosse uma caixa grande de madeira, com uma luz no teto e ursos fofos sobre a cabeceira. É inevitável não lembrar os dias que você aparecia e me deixava mais calma, mais viva, mais eu mesma. Talvez eu seja uma pessoa dependente, talvez eu goste de pessoas que aparecem, talvez eu mereça mais do que pessoas que se sentem no direito de entrar e sair da minha vida como se ela fosse uma festa open bar.

E olha que eu nem bebo mais.

Dentre um devaneio aqui e uma paz emocional ali, eu me deparo com uma expressão não muito nova sobre coisas passageiras: Amor de verão.

Vocês sabem, né? Aquela coisa que ferve, que é sensacional, que te vira do avesso, e que acaba quando o verão acaba. Curto, intenso e, mesmo você acreditando que é mais do que você vê, é exatamente só aquilo que você vê, porque na hora que o inverno pessoal chega, é onde as pessoas fogem para lugares mais quentes.

Elas não esperam o frio passar. Elas não se importam em ser presente ou em ajudar você a se manter aquecida durante o inverno que parece sempre ser infinito, então elas fogem. Sinceramente, não sei por que. Pode ser que seja mais fácil, que seja mais cômodo, que seja hábito. A vida é corrida e eu sei, e sempre foi, e sempre será, mas nada justifica abandonar pessoas em seus invernos particulares, sabe. Nada justifica.

Então sejamos o melhor futuro imaginável: ficaremos. Enfrentaremos. Tentaremos.

Amor de verão é legal e tudo mais, mas eu mereço um amor para a vida toda, por todos os dias. Eu vejo cada indivíduo como um ser cheio de histórias e aprendizados a ensinar, com um coração fofo e cheio de amor, então eu sempre escolho ficar. Por mim, por elas, por nós, por tudo. Enfrentar todas as estações possíveis me deixa com o coração quente e a alma leve.

Eu escolho revolucionar.

Sempre tive problemas com os excessos, mas eu não abandono pessoas. Eu não fujo, eu não me escondo.

Eu escolho ficar.

“Ai de mim que sou romântica…”

Ai de mim que sou romantica

Chego ao compromisso na hora exata, com aquela pitada de atraso, e, de longe, vejo ele me vendo chegar. Sentado, tranquilo, fofo calmo. A praça quase vazia não surpreende, pois o vento rasga pernas peladas como as minhas. Ele pergunta:

– Que horas você sai?

– Em uma hora, mas tudo bem se você não ficar.

– Em uma hora?

– Sim.

“Ué”.

Subo, finalizo e trombo com a praça na saída. Nem parece que ele saiu dali.

– Ué.

– Passei pra te dar um beijo.

Fofo Bacana.

Um beijo, um sorriso, um abraço e um convite:

– Quer pipoca?

Pipoca, praça, noite fria e eu de mãos dadas. Fofo Clichê.

Não tenho histórico de namoricos em praças públicas, mas sempre achei algo que deveria ser feito mais vezes. Não só por casais que estão começando, mas acho que a simplicidade é um ponto que vale voltar de tempos em tempos. Talvez esse seja o nosso tempo de voltar aos princípios.

Entre “me dá um queijo” e “não come meu bacon”, me imaginei em um futuro – espero que um pouco – distante com uma barriga um pouco maior, sentindo um corpo chutando costelas e dizendo que “não é desejo, é só vontade”. Sem muita pressão, sem planos, sem por quês. Apenas curti um banco duro e gelado enquanto o fofo do meu lado fingia que não estava comendo meus amendoins. Pela primeira vez em algum tempo, eu simplesmente estava ali, da forma mais leve e mais gostosa possível.

A pipoca acabou e o tempo dizia que era hora de ir embora. Ele segura minha mão e me acompanha até a próxima praça, contando coisas corriqueiras e sem sentido enquanto eu analiso suas expressões.

Fim da linha. Um beijo, um sorriso e um abraço. Dessa vez, o convite virou lembrete (“Durmo com você amanhã”) e veio acompanhado por outra afirmação:

– Eu te amo.

Fofo.

Resiliência: A arte de sobreviver

O dia aberto me chama através da porta, mesmo eu não querendo ir. Ouço uma voz interna dizendo que eu preciso continuar, mesmo sabendo que essa voz interna é um pedaço meu, não tão quebrado quanto o resto, eu escolho ignorar. Sério, ver pessoas? Explicar o inchaço nos meus olhos ou repetir que eu não estou fumando, apesar dos olhos vermelhos? Não, obrigada. Me parece um cansaço mental totalmente desnecessário e que não irá ajudar a me manter de pé. Apesar que, nessa altura do campeonato, a única pessoa que pode me manter de pé sou eu mesma.

Mas talvez amanhã.

Mesmo sem querer, me lembro de todas as outras vezes que me tornei melhor amiga da minha cama, enquanto perdia peso e via meu cabelo se desmanchar em meio as cobertas. As frases prontas choviam como folhas secas flutuando com o vento de outono e, na mesma pegada das folhas secas, eu não me importava. Eu não me importo.

“São coisas da vida”, “Aconteceu comigo também”, “Você precisa continuar” e, o que eu mais sinto vontade de jogar uma bazuca, “Não precisa ficar assim”. “Não precisa”?

O riso irônico se mantém fixo no meu rosto, mas me jogo do outro lado da cama enquanto aquela voz reaparece dizendo que eu preciso continuar. Ok, talvez eu precise. Talvez tudo isso seja mesmo coisas da vida, talvez tenha mesmo acontecido com outras pessoas, talvez eu não precisasse ficar nesse poço infinito de tristeza e vontade de chorar eternamente, mas talvez esse tenha sido o molde que eu criei para sobreviver. Talvez essa seja a minha forma de ser resiliente.

Em um devaneio longo e detalhado, todas as coisas ruins passaram pela minha cabeça e, logo em seguida, veio a mulher que eu me tornei com o que a vida jogou no meu colo. Assumo que não escolhi nem metade daquilo tudo, mas era o que tinha, então tinha que ser feito alguma coisa. Minha cabeça foi invadida por situações de quase morte, divórcios, perdas, lutos e, principalmente, luta. Luta essa que, no meu caso, não foi nada físico. Luta essa que me ensinou a valorizar noites de sono e comidas gordurosas nos fins de semana. Que me ensinou a falar, a abraçar, a não fugir e, a segunda palavra mais linda do mundo, empatia. Se colocar no lugar dos outros, usar o sapato dos outros, respeitar a escolha dos outros.

Talvez a vida tenha, sim, jogado várias merdas a esmo em cima de mim e, talvez, eu tenha mesmo fugido para o meu lar doce lar – minha cama –, mas talvez eu só precisasse de tempo. Não de cigarro ou de pessoas sem empatia vendendo frases prontas na fila do pão. Talvez eu só precisasse de tempo.

Fecho os olhos, respiro fundo e, ao me preparar para enfrentar sabe-se lá o que estava por vir, eu sinto seu cheiro. Forte, presente. Por vários momentos, eu respirei só para continuar sentindo seu cheiro, e parecia um sinal, sabe. Parecia um “Eu sempre vou estar aqui.” seguido de um “É hora de voltar”.

Você tem razão.

Chuto a coberta, abro a janela, esfrego a cara e vejo suas coisas enquanto sento na cama. “Eu te amo” é a primeira coisa que eu penso.

Amor: a palavra mais linda do mundo.

E o que você faz com o que a vida fez de você?

7 músicas da Pitty que me colocaram no cantinho da disciplina para pensar na vida

“Cantinho da disciplina”, para quem não sabe, é para onde as crianças que não foram tão boazinhas ficam para realizar o maior ato de crescimento pessoal: pensar na vida. Cada música dessa lista me fez sentar no meu cantinho imaginário e pensar. Na vida, nas pessoas, na sociedade, nos meus atos e, principalmente, onde eu posso melhorar. Segue a lista:

7 – Admirável Chip Novo

Nome do primeiro álbum da baiana, que saiu em 2003, “Admirável Chip novo” me fez ver e pensar na manipulação que sofremos mesmo sem perceber. Fora o clipe que é uma chacoalhada digna de “eita”.

(Informação inútil: o Duda, baterista, ainda tinha cabelo)

A música fala sobre a sensação de nos sentirmos únicos e totalmente independentes (“Nada é orgânico/É tudo programado/E eu achando que tinha me libertado”). Mostra também algo que lembra uma lista de coisas que precisam ser feitas (“Pense, fale, compre, beba/Leia, vote, não se esqueça/ Use, seja, ouça diga/ Tenha, more, gaste, viva”) e finaliza o refrão com aquele tapa carinhoso no meio da nossa cara, mostrando a nossa submissão (“Não senhor, sim senhor, não senhor, sim senhor”).

6 – Na Sua Estante

 

Música do segundo álbum, “Anacrônico”, lançado em 2005, “Na Sua Estante” conta a história de amor de um robô por uma humana. Deixo o clipe aqui pois a versão ao vivo é a que mais me faz sentir, seja lá o que for isso que sobe pelo meu corpo quando a música começa.

Essa música me fez ter gotas maiores de amor próprio e me preparar para as pessoas que vêm e vão (“Você está sempre indo e vindo, tudo bem/Dessa vez eu já vesti minha armadura”), mostrando também que, independente do que aconteça, eu sou mais do que isso (“E mesmo que nada funcione/Eu estarei de pé/De queixo erguido”). Me fez ver que eu não sou troféu de ninguém (“Eu não ficaria bem na sua estante”) e que eu sou suficiente, mesmo que demore, mesmo que doa, mesmo que seja difícil, um dia de cada vez (“Só por hoje não quero mais te ver/Só por hoje não vou tomar minha dose de você/Cansei de chorar feridas que não se fecham, não se curam/ E essa abstinência uma hora vai passar”).

5 – Seu Mestre Mandou

Do álbum “Des{concerto}”, de 2007, ela nós trás um tapa ainda maior do que em “Admirável Chip Novo” porque, convenhamos, me sinto submissa só de ler o nome da música.

A letra fala sobre nós, no sentido de sociedade, e em como somos mandados a tudo, indo da parte pessoal (“Pra que emprego? Que coisa chata/Aproveite o carnaval/Mesmo sem luz, proteção nem dinheiro/Por favor, não mude o canal”) passando pela política (“Vote em mim/Não discuta”) e uma cutucada em religião (“Tenha fé/Carregue a cruz”). A música termina com “E daqui a pouco vão querer/Morar em você.” Sim, sobra tapa e falta luva.

4 – Todos Estão Mudos

Do álbum “Chiaroscuro”, de 2009, “Todos Estão Mudos” me disse, com todas as letras, que era hora lutar.

Com frases como “Não parece haver mais motivos/Ou coragem pra botar a cara pra bater” e “Não espere, levante/Sempre vale a pena bradar/ É hora/ Alguém tem que falar” ela acendeu uma luz dentro de mim que eu não sabia que existia. Pela primeira vez eu havia sentido um sensação de que eu posso, sim, lutar contra as coisas que eu considero errado, e me orgulhar de lutar.

3 – Desconstruindo Amélia

Também do álbum “Chiaroscuro”, “Desconstruindo Amélia” afoga aquela famosa música que diz “Amélia que é a mulher de verdade”. Não, não é. Ouça o hino:

(Informação inútil²: Nunca vi tanto sentido na frase “Hoje aos 30 é melhor que aos 18/ Nem Balzac poderia prever”)

Não comentarei, apenas deixarei o refrão:

“Disfarça e segue em frente, todo dia, até cansar (ÔH-ÔH)

E, eis que, de repente, ela resolve então mudar

Vira a mesa, assume o jogo, faz questão de se cuidar (ÔH-ÔH)

Nem serva nem objeto, já não quer ser o outro

Hoje ela é um também”

2 – Pra Onde Ir

Faixa do DVD “Chiaroscope”, também de 2009, “Pra Onde Ir” me deixou menos perdida e mais tranquila para enfrentar o começo da vida adulta.

Cada ônibus que eu peguei na vida, depois dessa música, me fez sentir leveza e pensar que tudo bem ficar meio perdida as vezes, porque “A vida, as vezes, cansa por demais/Dispersa e enlouquece até o mais capaz”. Eu senti muito o peso que eu colocava nas coisas e o quanto a minha auto-cobrança me endoidava e que, com o tempo, eu saberia para onde ir (“Endurecer sem perder a ternura jamais/E descobrir pra onde ir”).

1 – Serpente

Do último álbum de estúdio chamado “SeteVidas”, que saiu em 2014, “Serpente” é a música que fecha.

Me vem uma sensação de evolução, de crescimento, de recomeço. Aquela sensação de ser sobrevivente e que “O que sobra é cicatriz/A sustentação é que o amanhã já vem”. É quase a vida me dizendo que as mudanças acontecem, nós gostando ou não, e temos que fazer o melhor (“Chega dessa pele, é hora de trocar/Por baixo ainda é serpente e devora a calda/Pra continuar”).

Porque “Logo mais o amanhã já vem”.

Gostou da lista? Mudaria alguma coisa? Conta aí!

Mulheres fortes em séries que vimos por aí – mas não enxergamos – Parte II

Na semana passada eu comecei uma lista com mulheres fortes e emponderadas enfiadas em “meios masculinos”, mas que raramente prestamos atenção. Perdeu a parte I? Clica aqui!

Continuando…

4 – Miranda Hobbes (Sex And The City)

Sex And The City conta, basicamente, a história de quatro amigas (Carrie, Charlotte, Samantha e Miranda) e suas vidas, tanto pessoal quanto profissional. No início da série, todas são solteiras, cada uma com seu sonho e sua forma de imaginar a vida, mas algumas com a parte profissional um tanto quanto encaminhada. Caso de Miranda.

 

Miranda é advogada, totalmente independente e sem nenhuma ideia de romance. Sonha em ter a sua própria firma e não se permite levar em quase nenhuma situação.

“Eu não consigo dizer ‘eu te amo’. Não consigo. Não está no meu DNA.”

O interessante de Miranda é ela aprender a respeitar as idéias diferentes que as amigas acreditam e as defende, não só graças a sua formação acadêmica, mas existe uma conexão entre elas, que defende a irmandade, independente da forma de pensar de cada uma.

3 – Kate Beckett (Castle)

A série conta a vida de Richard Castle, um escritor de suspense, com milhares de livros vendidos e um ego que não cabe aqui no texto. Esquece o Castle. Em uma festa de lançamento, Castle conhece a detetive Beckett.

Dando um spoiler fofo, ele começa a trabalhar junto com a equipe de polícia de Nova York para escrever outra franquia de livros. Mas, como eu disse, esquece o Castle. Kate entra para a polícia para investigar o assassinato da mãe e vingar a sua morte. A trama vai muito além de um romance e Kate acaba chegando a pessoas grandes, praticamente intocáveis, colocando sua carreira em risco.

SIM! TEM MUITO TIRO!

O mais importante? Ela não pára. Ela abre mão, muitas vezes, das suas relações para responder as perguntas que a levaram até ali. E, cá entre nós, o Castle nem faz muita diferença.

2 – Addison Montgomery (Private Practice)

Addison sai de Grey’s Anatomy no final da terceira temporada para ser dona da p… parada toda em Private Practice.

Ginecologista, obstetra e, simplesmente, a melhor cirurgiã uterina do país, Addison cai na ironia de se descobrir estéril quando decide ser mãe. Não posso mentir falando que isso não faz muita diferença, porque faz, não só da história da série, mas também na história da ruiva. O ponto é o foco.

Ela não desiste. Ela simplesmente coloca na cabeça que ela quer um filho, e luta para conseguir. Aja poder, gente. Eu não teria essa garra não…

E a número 1, na minha mega humilde opinião…

[tambores rufando]

1 – Samantha Jones (Sex And The City)

SIM! Samantha Jones!

Sam Jones é promotora de eventos e faz a sua maior descoberta ainda durante a série, onde ela encontra um cara simples e transforma em um dos maiores modelos do mundo. Eu escolhi a Sam para estar aqui, como número 1, pela forma simples que ela encara os problemas das amigas e, óbvio, pelo seu amor próprio.

“Eu te amo mas eu me amo mais.”

Que frase mais linda né, gente! Ainda não vi nada que me trouxesse mais amor próprio do que essa personagem. Vale até um coração!

<3

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Mulheres fortes em séries que vimos por aí – mas não enxergamos – Parte I

Eu poderia começar o texto falando da personagem de Viola Davis em How To Get Away With Murderer ou com a personagem de Kerry Washington em Scandal, mas acho que não fomos acostumadas a ver empoderamento em meio ao machismo, então decidi escolher mulheres fortes em séries que todos conhecemos. Ou quase.

Escolhi 10 personagens mulheres que nos mostram que empoderamento não é só ter seu nome em primeira mão.

Aliás, o texto pode definitivamente conter spoilers.

10 – Jane Villanueva (Jane, The Virgin)

Ok, nesse caso, ela tem o nome em primeira mão. 23 anos, noiva de Michael Cordeiro há 2.  Jane é fã de telenovelas e mora com a mãe, Xiumara, e com a avó, Alba. No começo, Jane não conhece o pai e, como diz o título, sim, ela é virgem.  Jane acidentalmente engravida através de uma inseminação artificial e decide manter a gravidez.

“- Michael, o que você está fazendo?

– Pedindo em casamento

– Eu estou grávida.

– O_O”

Como se a bagunça não fosse suficiente, o esperma do doador é de Rafael Solano, dono do hotel que ela trabalha e, 4 anos atrás, houve uma leve faísca entre eles.

“- Eu trabalhei no Clube Golden Harbor. É de lá que nos conhecemos.

– Isso!”

Ah! E hoje Rafael é casado com Petra, que quer um filho mais do que tudo.

O empoderamento? Jane engravida – mas não engravida – de um homem rico, renomeado e casado. Ela continua trabalhando, estudando e vivendo. Jane não abre mão da sua vida por ver uma oportunidade de diminuir o ritmo e, muito menos, desiste do seu noivado. Algumas vezes se dar o direito de dizer não também é ser forte.

9 – Calliope Torres ( Grey’s Anatomy)

Dando um breve resumo de Grey’s: a história começa com Meredith e mais 4 colegas (George, Izzie, Alex e Cristina) trabalhando como internos, sonhando com cirurgias de 18 horas e plantão de 3 dias. Após duas temporadas e meia, chega a deusa da ortopedia: Callie Torres.

“O coração dispara/ Tropeça, quase pára…”

Callie cheira empoderamento. A personagem é uma daquelas histórias que a gente não acredita que o personagem sobreviveu. Callie (SPOILER!) casa com George e, logo em seguida, é traída (ele pega a Izzie. Sério). No primeiro momento ela tenta perdoar, mas não é algo que parece muito possível, então vem a separação. Um tempo depois ela se envolve com uma mulher que simplesmente a abandona, do dia para a noite. Em meio as bebedeiras de ter sido traída por um homem e abandonada por uma mulher, ela se apaixona por uma pediatra. O pai de Callie tentar levá-la de volta para casa e chama um padre para exorcizá-la (uma das cenas mais fortes desse atrito que se forma):

“ – Você acha que pode exorcizar a parte gay. Você não pode exorcizar a parte gay!”

A bissexualidade da Callie e a força com que ela abraça isso é a maior prova de amor próprio que eu já vi, fora essa fé na vida que, olha, que mulher, hein. Continuando…

8 – Olivia Benson (Law and Order – Special Victims Unit)

Law and Order – Special Victmis Unit é uma unidade especial que investiga crimes relacionados a mulheres e crianças. É uma série relativamente forte onde Olivia é uma detetive e tem um passado não muito bom de se lembrar, incluindo abuso sexual.

Olivia é, basicamente, um exemplo. O fato de só descobrirmos sobre seu passado não o deixa mais fácil de ser absorvido. Ela luta e faz o possível para prender homens que fizeram com outras mulheres exatamente aquilo que foi feito com ela. Se lutar de frente contra suas piores lembranças para salvar outras mulheres não for poder, então algo de errado não está certo.

7  – Lilly Rush (Cold Case)

Arquivo Morto é uma séria policial que investiga crimes antigos. Antigos tanto no sentido de 10 anos atrás quanto no começo do século passado. É uma daquelas séries que você consegue assistir uns episódios aleatórios que está tudo bem, mas a história de vida da detetive Rush merece uma atenção especial.

Rush mal fala da família e, em alguns episódios, onde a irmã aparece, a tensão é eminente. É aquela personagem fechada que quase nunca solta algo sobre a vida pessoal, sabe, mas que, quando solta, ficamos de boca aberta por 6 dias. E, como se não fosse suficiente, ela é a única mulher da equipe de detetives, com um passado muito bem escondido. Todo o tempo ela é testada por suspeitos com piadas machista e comentários desnecessários sobre sua aparência mas, claro, ela não se entrega e mostra que ela não está ali por ser mulher. Ela está ali por ser a melhor naquilo que faz.

 

6 – Cristina D-E-U-S-A Yang (Grey’s Anatomy)

Sim, Cristina. Uma das internas que começam a trabalhar no mesmo dia que Meredith.

“Se não tem comida, eu vou embora.”

Quem nunca, né.

Yang começa um relacionamento com seu chefe, Preston Burke, cirurgião cardíaco, que é exatamente a área onde ela mais ama, mas Burke queria casar. Bom, (OUTRO SPOILER), ela cedeu, mas (MAIS UM SPOILER) o casamento não aconteceu, pois (S-P-O-I-L-E-R) Burke desistiu de última hora, quando ele já estava no altar, dizendo que se ele realmente a amasse, ele não a faria passar por aquilo.

Faço questão de mostrar uma das minhas cenas favoritas (depois que Burke foi embora) :

 

Ela perde o marido, que nem chegou a ser marido, e deu a volta por cima. Colocou a cabeça no lugar e se tornou uma das melhores cirurgiãs cardíacas do mundo, criando procedimentos e cirurgias revolucionárias.

5 – Charlotte King (Private Practice)

Private Practice é uma história que anda junto com Grey’s Anatomy, começando quando Addison Montgomery deixa Seattle (cidade que se passa Grey’s Anatomy) atrás de um recomeço. Ela encontra esse recomeço em uma clínica particular. A clínica tem convênio com o hospital St. Ambrose. Sabe quem manda no St. Ambrose? Exatamente.

 

Charlotte é um demônio, mas é um demônio que você ama de paixão. Ela é a mais odiada no começo, por ser totalmente casca grossa e antipática, mas isso passa quando a história se desenrola. Ela passa por (PERIGO – SPOILER) perdas na família, acidentes com os médicos e, principalmente, ( FOGE QUE DÁ TEMPO) um abuso durante a série. A força de querer continuar é invejável e admiração é inevitável. Sua luta para associar sua vida junto com a mente no lugar nos faz ser fortes também, sabe. Ver uma mulher querendo ser melhor nos ajuda a sermos melhores também.

Curiosa para saber quem são as 4 mulheres empoderadas escondidas por trás de séries comuns? Volta aqui semana que vem que eu conto!

O rock’n’roll é filho de mãe – e ela é negra!

Sabe essa história que o pai do rock é aquele homem que nasceu nos anos 30, estourou nos anos 50, com um baita topete, toda aquela malemolência e jogatina nas pernas? Então. Pasmem, mas quem criou o rock foi uma mulher.

Apresento-lhes Irmã Rosetta!

Rosetta Nubin nasceu em Cotton Plant, na cidade de Arkansas, nos EUA, em 1915. Aos 4 anos, Rosetta já se apresentava acompanhando sua mãe em igrejas pelo sul do país. Quando a família se mudou para Chicago, no final da década de 20, ela tocava blues e jazz as escondidas, mas apresentava música gospel publicamente. Alguns anos depois, ela se casa com o pastor Thomas Thorpe, virando assim Rosetta Tharpe graças a um erro de ortografia.

Convenhamos, não deve ter sido fácil você se apaixonar por um estilo de música e ter que tocar outro. Até que ela uniu os dois!

Blues e Jazz tem características próprias, que nada tem a ver com as letras em si, mas é impossível negar o descontentamento de frequentadores da igreja quando, em 1938, ela gravou seu primeiro disco, pela gravadora Decca Records. A divisão entre os que a odiaram e os que a amaram era evidente. Alguns criticavam o fato dela unir duas coisas tão distintas em uma só (no caso, a música sacra com outros ritmos) enquanto outros se apaixonaram pela mistura.

Outro fato inegável é que o que tornou Irmã Rosetta no que é hoje foi exatamente essa mistura junto com, claro, uma guitarra SG pendurada no pescoço. Existem relatos de pessoas que conviveram com Rosetta dizendo que ninguém, até então, dominava uma guitarra como ela. Ela se tornou inspiração para nomes fortes como Elvis Presley e Johnny Cash.

Continuando…

Rosetta continuou gravando inclusive durante a segunda guerra mundial, onde exibe toda sua virtuosidade como guitarrista. Na música “Strange Things Happening Every Day”, gravada em 1944, seu sucesso foi tanto que essa foi a primeira música gospel a entrar para o top 10 da Billboard. Foi também considerada por algumas fontes como a primeira gravação de uma música de rock’n’roll. A passagem dos anos levou Irmã Rosetta para uma montanha russa. Divorciou e se casou mais duas vezes, se casando pela última vez em 1951. Quando se dedicou ao blues, sua popularidade diminuiu, mas ainda assim fez uma turnê pelo Reino Unido junto com outros músicos.

Em 1970, Rosetta sofreu um derrame e teve de amputar a perna graças a uma complicação de diabetes. Infelizmente, 3 anos depois, após outro derrame, ela faleceu, nos deixando com 6 álbuns gravados em estúdio: Gospel Train, Up Above My Head, Precious Memories, Didn’t It Rain, Rock Me e This Train.

 

Como pode não existir um filme sobre Sister Rosetta? Pensando com os meus botões e com as palhetas espalhadas pelo chão, em poucos minutos, eu consigo me lembrar de “Johnny & June”, que conta a história de Johnny Cash; e “Elvis and Me”, que conta a vida de Elvis Presley. A representatividade de Rosetta Nubin para mulheres instrumentistas com aquele pé no rock não podia ser maior, mesmo isso não sendo tão mostrado quanto os homens do mesmo período.  É como uma luz no fim do túnel.

Só consigo comparar com a sensação de pintar o cabelo de vermelho e sorrir após um único comentário: “Seu cabelo está parecendo o da Rita Lee.”

Sister Rosetta, obrigada por ter existido. Mulheres do rock, como eu, agradecemos.

Eu estou de pé

A bagunça se disfarça. É uma coisa doida. Cada respiração funda é uma viagem de ida e volta para qualquer situação aleatória que a minha mente lembra.

– Você precisa filtrar – Diz o Eu, o que mais sofre – Olha essas caixas! Como você vai arrumar isso?

Estou sentada no canto da mente, observando o Eu no meio da bagunça:

– E se eu não arrumar isso?

Ele me fita com raiva. E conheço aquela raiva. Ela é minha.

– Não quer mais histórias novas? Gostou de passar os últimos meses nesse canto, apenas existindo? – Ele chuta uma caixa – “Março a maio/2015”. Isso tem quase dois anos e você trás isso à tona como se fosse algo bom de se lembrar!

– Olha o tamanho disso. É maior do que eu e você juntos. E não foram só 3 meses, nós dois sabemos.

Ele chuta outra caixa, um pouco menor:

– “Novembro/2016”. E essa? Qual a sua desculpa? “Está recente”?

Sim, está.

– Queima essa merda. – Levanto do meu canto e vou até a caixa – De que adianta você ser dominado por um mês de esperança para depois acabar desse jeito de novo?

Fico de pé, encarando o último trauma, fingindo para o Eu que aquela caixa de traumas não é a mais perigosa.

– Megan, você precisa filtrar isso. O nosso lar sempre foi aqui e olha esse lugar agora! Tem trauma aberto desde 2008.

2008. Caixa de traumas lotada de crises que, até então, não sabia que eram crises. Lembro como se fosse ontem do dia que chorei desesperada no banheiro da escola, enquanto meu corpo todo tremia e suava.

– Megan, nós precisamos trabalhar juntos.

Eu já não sei mais separá-los. Virou simplesmente um chão cheio de lembranças negativas de histórias que simplesmente aparecem diante dos meus olhos. Dentre todos os meus erros, durante toda a minha vida, não valorizar a minha paz mental é, definitivamente, o que mais sai caro.

– Megan…

Encaro o meu Eu. Ainda apavorado, mas continua lutando. Houve um tempo onde ele não tinha forças para tentar, e hoje ele cobra algum tipo de melhora, seja qual for. Caminho diante todos os traumas espalhados e pego a caixa do ano passado. Pequena mas pesada, muito pesada:

– Não consigo tirar daqui…

– Mas podemos fechar.

– Já fizemos isso antes…

– Podemos fazer de novo. – Ele pega minha mão e me dá um sorriso – Nós merecemos mais do que existir.

Nos sentamos do lado da caixa, pegamos uma fita adesiva e dobramos as bordas. Saía da caixa seu cheiro, nossos assuntos, nossas risadas. Meus olhos lacrimejam enquanto eu ouço a cola da fita grudando. É hora de assumir para mim mesma que alguns ciclos precisam ser fechados e seguir em frente, porque não dá mais para deixar as caixas ali, daquele jeito, tropeçando em traumas dentro da minha própria cabeça.

Terminamos de fechar e, magicamente, a bagunça diminui.

– Faltam muitas ainda.

O Eu enxuga minhas lágrimas e sorri:

– Não importa o quanto falta, fechamos uma. Você não está mais apenas existindo, não nesse momento, e eu estou de pé.

Eu estou de pé. Faltam muitas caixas, de muitos anos, de muitos traumas, mas eu estou de pé. Sorrio para o Eu que, após um momento longo de desespero, eu reconheço. Ele me oferece o braço e sua aliança dourada brilha na mão direita. Nesse momento, minha cabeça não parece mais o inferno de algumas horas atrás, e a esperança de dias melhores invade minhas veias.

Porque eu estou de pé.

Conheça MinKa: a camisetaria feita para mudar o mundo

                                                                                               “O que a gente acredita é que para que uma mulher tenha forças para lutar por todas as outras ela precisa, primeiro, estar bem consigo mesma.”

 

É inegável que estamos cansadas das estampas fofas e várias coisas mais demonstrando a tão famosa “fragilidade feminina”. Não somos as únicas. As amigas Yasmin e Karim, também cansadas do senso comum, decidiram montar uma linha de camisetas com um toque especial: empoderamento.

Durante a semana tive o prazer de conversar com elas sobre a decisão de fazer parte da vida de outras mulheres através de roupas que são muito mais do que apenas peças: são demonstrações de amor próprio e autoconhecimento.

Megan Garcia: O que é a MinKa? De onde surgiu a ideia de criar uma marca voltada ao empoderamento feminino?

MinKa: MinKa é uma camisetaria que nasceu para empoderar! Partiu do ideal de duas amigas com um mesmo anseio, o de poder usar roupas que fossem muito mais que meros objetos utilizados para cobrir a pele. O desejo era o de poder permitir que as mulheres se vestissem da maneira que são e sentem, podendo expressar a força feminina, mostrar suas lutas e inspirar outras mulheres a lutar. Como mulheres que são, Yasmin e Karim, fundadoras da MinKa, sempre foram inquietas com as imposições sociais de um padrão machista que muitas vezes machuca e destrói, por isso resolveram lutar contra isso de maneira ativa, por meio de produtos que dão força à causa feminista e à luta diária das mulheres. Assim, em 22/02/2016, nasceu a MinKa, na cidade de Belo Horizonte – MG. Uma camisetaria cujo ideal é sair do básico e da superficialidade e provocar o empoderamento feminino por meio de paixões, inspirações e elementos de força feminina presentes em cada MinKa.

Imagem: MinKa Camisetas – Facebook

MG: Vocês usam a frase “Nossas camisetas não vão mudar o mundo, mas as mulheres que as usam sim”. Para vocês, qual a importância da mulher saber a força que ela tem perante o mundo?

M: O feminismo, como a gente sabe, é uma luta coletiva, ou seja, todas lutando por um todo. O que a gente acredita é que para que uma mulher tenha forças para lutar por todas as outras ela precisa, primeiro, estar bem consigo mesma. E é por isso que a gente acredita no empoderamento individual de cada mulher como uma grande arma do feminismo. Quando uma mulher está bem consigo mesma, está consciente de sua força e capacidade ela tem muito mais força para lutar coletivamente.

MG: Para vocês, qual a importância de aplicar o feminismo na vida profissional?

M: A gente acredita que feminismo é vivência. Então ele tem que estar presente em todos os aspectos da vida. De quando você vai à padaria à quando você vai falar em uma reunião de trabalho na empresa. Não significa que a vida de uma feminista se resume a discursos calorosos e militância, mas quando a gente se propõe a mudar uma sociedade, isso de certa forma acaba se aplicando a qualquer atitude nossa, o jeito que falamos, que agimos. E em cada lugar que passamos a gente pode plantar uma semente do questionamento, pode fazer as pessoas pararem para refletir determinadas situações. Na vida profissional, portanto, não seria diferente. Principalmente se levarmos em conta que o mercado de trabalho ainda é um dos grandes ambientes de luta da mulher, onde ainda somos muito subvalorizadas e ainda temos tanto a conquistar.

Imagem: MinKa Camisetas – Facebook

 

                                                                                                                              “Muitas vezes as próprias mulheres estão tão imersas nessa visão social que não sabem reconhecer quando determinada atitude é assédio. Ou, se reconhecem, não se sentem no direito de reclamar, reivindicar, rebater.”

 

MG: No último carnaval, vocês lançaram a campanha “#CarnavalSemAssédio”. Qual a sensação de ver outras pessoas abraçando uma causa que, para nós, mulheres, vai além do óbvio? É uma esperança de um Brasil menos machista?

 

M: Infelizmente o machismo é algo tão cultural e enraizado que não podemos tratar nenhuma questão como óbvia. Muitas vezes nós mulheres somos tão oprimidas que nós mesmas não conseguimos enxergar determinado ato como opressão. É o caso do assédio, por exemplo, principalmente quando se fala em carnaval, popularmente conhecido como a “Festa da Carne”. Muitas vezes as próprias mulheres estão tão imersas nessa visão social que não sabem reconhecer quando determinada atitude é assédio. Ou, se reconhecem, não se sentem no direito de reclamar, reivindicar, rebater. E essa foi a idéia da nossa campanha, mostrar de forma simples, com frases de fácil leitura e assimilação, que qualquer atitude que ultrapasse a vontade da mulher ou a deixe desconfortável pode sim, ser classificada como assédio e algo que podemos e devemos lutar contra. A campanha realmente teve uma aceitação muito bacana em todo o Brasil e isso com certeza nos enche de alegria e da uma pontinha de orgulho. Teve muita mulher desfilando empoderada no carnaval e mostrando que estamos cada vez mais conscientes e fortes e isso nos da, com certeza, muito mais força pra acreditar que a cada dia somos capazes de mudar um pouquinho, ainda que como um grãozinho de areia, a sociedade em que vivemos, na certeza de que um dia a gente chega lá!

MG: Vocês já sofreram algum tipo de ataque por defender o empoderamento feminino?

M: Sim! Já recebemos alguns comentários desagradáveis no nosso Instagram. Mas sempre que esses comentários vêm acompanhados de algum questionamento a gente faz questão de responder e colocar o nosso posicionamento. E algumas vezes recebemos em nosso chat no site algumas mensagens como “comunistas do diabo” e “peludas mal amadas” (risos). Nada que nos fizesse temer por continuar a fazer o trabalho que temos feito. Mas sabemos que estamos sujeitas a ataques mais severos, afinal, uma mudança social gera reflexos na vida de muita gente. Vai ter muita gente perdendo seu posto de “dono da sociedade” ou “dono das mulheres” e isso incomoda muito. Mas em sentido oposto, nós recebemos muitas mensagens de agradecimento, incentivo ou até mesmo um carinho puro e simples. Todos os dias temos algum tipo de retorno positivo e isso vai nos deixando tranquilas de que estamos no caminho certo.

Imagem: MinKa Camisetas – Facebook

 

                                                                                                                              “Nosso país, assim como, na verdade, a maior parte do mundo como um todo, é estruturado em uma base patriarcal, na qual as mulheres são, ainda hoje, subjugadas, relegadas, diminuídas.”

 

MG: No site da MinKa vocês abrem espaço para qualquer tipo de conversa, inclusive desabafos pessoais. Isso já aconteceu com vocês?

M: Sim! Nós nos colocamos sempre à disposição porque a MinKa nasceu pra isso, para empoderar mulheres! Já recebemos alguns contatos de desabafos, mas o tipo de contato que a gente geralmente recebe é mais como um agradecimento ou retorno positivo. Por exemplo, uma mana contando que determinada postagem nossa a ajudou a despertar um certo questionamento em uma amiga ou parceiro. Ou contando que não tinha uma boa visão do feminismo e que nossas postagens a ajudaram a mudar essa visão.

MG: Qual a sensação de saber que cada peça que vocês mandam chega a uma mulher que aprendeu a ser dona das próprias vontades?

M: Isso é maravilhoso. Foi pra isso que a gente criou essa marca, para poder empoderar mulheres por todo o Brasil por meio de nossas camisetas, fazer com que cada uma tenha plena consciência de que pode tudo! E a gente acaba tendo uma real noção disso a cada mensagem de retorno que a gente recebe das nossas clientes depois que o pacote chega a casa delas. É uma sensação indescritível de fazer parte de algo bom e poderoso, que desperta na gente a vontade de fazer cada vez mais, para atingir cada vez mais mulheres.

Imagem: MinKa Camisetas – Facebook

MG: Qual a importância de espalhar idéias feministas em um país machista?

M: Bom, como eu disse lá no início, a gente tem a plena noção de que o feminismo é uma luta coletiva. Mas por acreditar que para ter forças para lutar coletivamente uma mulher precisa, primeiro, estar consciente de sua própria força, a gente decidiu trabalhar dessa maneira, com o empoderamento feminino. A gente acredita que quanto mais mulheres a gente conseguir empoderar com nossas mensagens, mais somaremos à luta feminista enquanto movimento coletivo. E a importância disso no Brasil é extrema. Vide recente discurso da maior autoridade política do país, que, no Dia Internacional das Mulheres, reduziu o papel da mulher na sociedade aos afazeres do lar. Nosso país, assim como, na verdade, a maior parte do mundo como um todo, é estruturado em uma base patriarcal, na qual as mulheres são, ainda hoje, subjugadas, relegadas, diminuídas. E muitas realmente não possuem forças ou o conhecimento necessário para que sejam capazes de se dar conta do poder que têm. E é nesse sentido que a gente trabalha, na tentativa de mostrar a cada vez mais mulheres o seu real valor, para que possamos, todas juntas, construir um futuro melhor para todas as mulheres do nosso país e, assim, do mundo.

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A Liberdade do Poder

Image: Reprodução/Google

     “Onde estão minhas meninas?” pergunta Taylor Momsen em um show do The Pretty Reckless, na Argentina, em julho de 2012. No show, que eu já vi infinitas vezes, ela usa uma bota de cano longo, que fica acima dos joelhos, e uma camiseta do Che Guevara. Sim, apenas isso. O cabelo loiro, longo e fino chega até a cintura e a sexualidade transmitida vai além da ausência de sutiãs e meias. Vai além dos estereótipos, além do salto, do lápis preto, do rock no fundo: é liberdade que vaza.

     A representatividade da mulher que me transmite liberdade me faz vagar sobre a vida real. Aquela fora do palco, fazendo eu me encontrar com uma adolescente de 17 anos, que foi criada através da ideologia de mulheres comportadas e futuras mães de família. Cair no estereótipo de “boa moça” nunca esteve nos planos, mas a ideologia era forte e persistente. “Aumenta esse shorts”, “sobe esse blusa”, “eu não quero você transando por aí”. Legal, mas e o que eu quero? E a minha liberdade? E o meu prazer? Onde fica?

     Parece tendência podar asas de meninas que querem voar, porque, claro, pássaros fora de gaiolas são donos de si mesmos e sabe-se lá o que pode acontecer. Imagina se elas aprendem a se amar e descobrem, dentro delas, a liberdade da auto-suficiência?  A ideia de uma mulher mandando no próprio sexo deixa a sociedade em choque, já que é a sociedade que nos obriga a seguir roteiros escritos para nós, só que por outras pessoas. Querem que vivamos histórias que não são nossas, com pessoas que não se importam. Porque, seremos sensatas, eles não se importam. Eles não nos querem opinando, pensando, crescendo, vivendo. Mas, pasmem, quem tem que querer, seja o que for, somos nós.

     Não acredito que algum dia a sociedade vá deixar as nossas meninas em paz, mas eu me tornei uma fonte de criação de asas e, cada vez mais, pregadora da liberdade e do direito de viver a vida à sua própria forma. O tabu do sexo nos cria como se querer algo fora dos padrões fosse algo incomum, mas não é. Afinal, o que são padrões? Somos mais do que listas riscadas e mulheres sem histórias. Somos mais do que padrões.

     Hoje sinto minha liberdade vazar. Pelos olhos, pelos dedos, pela boca. Hoje eu entendo que tesão é dizer sim quando quer e, principalmente, falar não; é se permitir querer mudar e poder voltar ao começo quantas vezes quiser. É se sentir bem com suas escolhas e viver com elas; é ser amiga da pequena morte e, ao mesmo tempo, não querer dormir. Liberdade é poder.

     Que poder nunca nos falte.