Para as Marias

Eu vejo o feminismo gourmetizado, polido e bilíngue nas discussões em redes sociais, grupos, sites, blogs, política, mídias.
Eu vejo mulheres, em sua maioria, jovens, engajadas, sedentas, impacientes, com fome do agora e do já, cansadas das imposições de um patriarcado machista.
Eu vejo campanhas, hashtags, protestos, porque machistas não passarão.
Eu observo mulheres inteligentes, cultas, fortes, politizadas, exigentes.
Vejo também mulheres alheias. Que não acreditam na causa, na luta, desnecessária elas dizem, coisa de desocupada, coisa de puta.
Vejo mulheres que se atacam, se destroem, competem, se anulam, se matam, morrem, sofrem, desunião.
Mas, elas não me preocupam. Escolhas, elas tiveram.
Me preocupam mais as Marias.
Me chame de seletiva, sim, talvez seja.
Mas as Marias, essas eu tenho quase uma insônia ao lembrá-las.
As Marias, que são de outras gerações, não são bilíngues, nem politizadas, quiçá alfabetizadas.
As Marias, que nunca ouviram Elza Soares ou Pitty, nem Karol Konka, Mulamba ou Elis.
As Marias, que desconhecem o significado de vontade, de prazer, de não.
As Marias, que a única opção foi o sim, o casamento, o marido provedor, que jurou amar e cuidar, até o fim.
As Marias, que só aprenderam as receitas da vovó, a dizer sim Senhor, nunca questionar e servir sempre.
As Marias, que conheceram o amor/ dor, que são apontadas como culpadas pela infidelidade ou infelicidade. Aquelas que a salvação é a novela das 8, a globo, a bíblia, a missa de domingo, o terço na mão, a prece.
As Marias que não descansam, de pés inchados, que sobem e descem ladeiras, que as mãos estão calejadas do fogo, que o serviço não tem fim. E nem valor.
As Marias que não sabem quem é Simone de Beauvoir. Nem Frida. Nem o atual Girl Power.
E por essas Marias, eu luto, pacificamente.
As vezes só emprestando meus ouvidos ao teu choro, ou meu carinho ao teu rosto marcado.
Por essas Marias eu falo português mal falado, mal conjugado, simplista.
Por elas permaneço, resisto, persisto, canto, protesto, sacrifício.
Por elas tenho fé, esperança. Esperança que as Marias das periferias, ladeiras, cortiços, roças, sertões, tenham força, voz, e uma nova história, uma chance, escolha.
Às Marias eu desejo amor genuíno, paz, e que cesse sua dor.

Tomo a liberdade de usar meu espaço nesta coluna, onde explicamos e falamos sobre o feminismo para lembrar das milhares de mulheres humildes, às vezes sem instrução e sem acesso à informação, sem a liberdade e oportunidade que muitas de nós temos. Lembrarmos que antes de julgar uma mulher é preciso calçar seus chinelos, andar por seus caminhos, vestir a sua pele.
É maravilhoso que podemos ter entendimento sobre a causa, termos, livros, pautas. Mas há mulheres presas em uma realidade aquém à nossa.
O feminismo é coletivo, uníssono, e para todas. Até para as que não o querem.
Segregação não é o caminho para a libertação das mulheres.
Seremos mais fortes quando descobrirmos que juntas podemos muito mais.

10 canais para seguir

    A internet hoje é muito mais que um veículo de entretenimento. Através delas é possível se comunicar, aprender, conhecer pessoas, participar de debates, trabalhar, entre outras coisas.

    O YouTube surgiu há mais ou menos 11 anos e hoje é uma plataforma de multifunções. Uma plataforma que tem crescido e dado oportunidade para pessoas compartilharem opiniões sobre diversos assuntos. E  o feminismo tem sido mais explorado e mais falado em muitos canais.

Pensando no crescimento dos debates sobre o tema, separei alguns canais voltados para o empoderamento feminino, canais que também falam de questões importantes sobre a mulher na sociedade atual, feminismo, desconstrução de conceitos e entretenimento com informação de qualidade. Canais de mulheres que falam sobre mulheres, que valem a pena acompanhar e abrir mais espaço para a discussão desses temas, de forma saudável.

 

1- Alexandrismos por Alexandra Gurgel

O canal fala sobre a vida da mulher gorda na sociedade, machismo, empoderamento, aceitação e situações atuais de forma clara, objetiva, abrindo nossa mente para questionamentos e reflexões.

Link para o canal: www.youtube.com/channel/UC2LQ5jMieMZjb5k5Gprp2JQ

 

2- Nunca te pedi nada por Maíra Medeiros

Além de falar sobre situações cotidianas, o canal aborda entretenimento, quadros que ressaltam feitos de mulheres importantes na nossa história e no mundo.

Maíra também criou a série Por que mulher?, onde cada vídeo falava sobre os estigmas impostos às mulheres pela sociedade.

Link para o canal: www.youtube.com/channel/UCYWtYb0GcYrhDxOykcUpzJw

 

3- Mais magenta por Dani Cruz

Dani traz temas mais relacionados ao feminismo didático, falando sobre vertentes, também aborda tutoriais de maquiagem, faça você mesmo e música.

Link para o canal: www.youtube.com/user/BlogMaisMagenta

 

4- Olívia do Olivices por Olívia Godoy

Olívia é uma pessoa que reflete pura luz, fala sobre autoconhecimento, vida, sexualidade e feminismo de uma forma leve, além de compartilhar experiências pessoais

Link para o canal: www.youtube.com/user/ligmoreira101

 

5-  Ellora Haone

Um canal que fala sobre relacionamentos, sexualidade, feminismo, vivências e saúde mental. Totalmente descontraída e genuína.

Hellora fala sobre também aceitação, privilégios e assuntos cotidianos.

Link para o canal: www.youtube.com/user/ElloraHaonne

 

6- Jana Viscardi

Fala sobre tudo. Educação, feminismo, machismo, como lidar com algumas frustrações da vida, sobre saúde e sobre assuntos polêmicos, política, atualidades. Sempre abrindo o espaço para refletirmos enquanto parte dessa sociedade cheia de tabus e conceitos padronizados e impostos ao longo dos tempos.

Link para o canal: www.youtube.com/user/janaisaviscardi

 

7- DePretas por Gabi Oliveira

Um canal sobre questões raciais e estética da mulher negra, vivências e atualidades. A pessoa mais sorridente que está plataforma já teve, mesmo quando fala de assuntos mais sérios como racismo.

Link para o canal: www.youtube.com/channel/UCF108KZPnFVxP8lILiJ1kng

 

8-  Bonjur monamour por Ju Giampaoli

Um misto de ativismo lgbt, feminismo, arte e vivências. Problematizações, políticas, ocupação do nosso espaço são uns dos assuntos que ela também aborda no canal.

Link para o canal:  https://www.youtube.com/channel/UCQMkZR8vkwPdxzgOxvTwd2Q

 

9- Barraco da Rosa

Vivências da mulher transsexual, periférica e negra e afro-latina, em toda sua extensão.

Um canal que todos, independente de gênero deveriam conhecer, e consequentemente ter maior visibilidade.

Link para o canal: www.youtube.com/channel/UCCX7dUMgO8_ORxWQ4PU4ISA

 

10- Sheylli Caleffi

Aborda a liberdade de expressão e a liberdade sexual da mulher, quebra de tabus, experiências pessoais, formas de amor, feminismo, arte e cultura.

Link para o canal: www.youtube.com/channel/UCUf6JNKUrzEdppdOt2-Xk-Q

 

    Há vários outros canais que poderiam ter sido listados, mas além de canais já conhecidos houve a intenção de mostrar os canais que tem surgido com a proposta de sempre abrir mais espaço ao debate e a discussão de temas importantes para a nossa desconstrução pessoal, além de uma quebra de padrões e uma série de possibilidades para as mulheres.

     Aproveita esse fim de semana e dá uma passada nesses canais para fortalecer as criadoras de conteúdo e abrir seu leque de conhecimentos​ não só sobre feminismo, mas também sobre a vida e o universo.

 

Poliamor e o Feminismo

Imagem: Sucesso nos Relacionamentos

Com toda a discussão sobre liberdade, escolhas, relações abusivas, denúncias, machismo, é quase impossível não falar sobre Poliamor.

Primeiro, gostaria de deixar claro que se trata de um ponto de vista e opinião pessoal. E a liberdade para contrapor sua opinião é assegurada aqui nos comentários.

O Poliamor é muitas vezes confundido com o relacionamento aberto. Mas são formas de se relacionar bem distintas.

Seria o Poliamor um relacionamento intimo e simultâneo entre três ou mais pessoas, de forma respeitosa, responsável e consciente de todos os envolvidos. Se trata de uma relação com vínculo afetivo, e não somente sexual ou casual. E é essa intimidade e compromisso que o difere do relacionamento aberto ou livre, que em sua grande maioria é uma busca por outros parceiros sexuais apenas.

A relação com base no Poliamor requer uma certa evolução, um autoconhecimento e autocontrole. Uma relação onde não há espaço para o ciúmes, as comparações, controle sobre a vida do parceiro ou exigências em relação a sua agenda ou disponibilidade. Há um acordo entre as partes, onde o respeito, a sinceridade, o amor e a estabilidade emocional são peças fundamentais para que a relação flua e seja prazerosa.

Mas onde entra o feminismo?

Justamente por ser uma relação não exclusiva que o feminismo tem uma preocupação para com as pessoas envolvidas, principalmente por essa relação ter potencial para servir como desculpa e apoio de um relacionamento abusivo e de infidelidade.

O mais importante antes de entrar em qualquer relacionamento é desconstruir a visão de amor romântico padrão das novelas e filmes.

Você precisa se conhecer, saber como seria lidar com seu parceiro ou parceira se relacionando com outra pessoa, com o seu conhecimento. Como vc lidaria com o ciúmes. Qual seria seu nível de satisfação nessa relação. Tudo deve ser questionado.

Você não pode e não deve se relacionar com o intuito de salvar uma relação monogâmica em crise, muito menos se anular para satisfazer a outra parte. Deve ser uma escolha mútua e negociável.

Entenda que uma pessoa infiel é diferente de uma pessoa com espírito livre, e que o pilar mais importante de toda relação, poli ou monogâmica, aberta ou livre deve ser o respeito.

É preciso avaliar se está pronto (a) para algo semelhante e se isso será prazeroso para ambos. A relação deve ser fluida, não um sacrifício. Tudo deve ser previamente discutido, consensual, garantindo a integridade e a segurança dos envolvidos.

Dessa forma o Poliamor exige um olhar para si, uma autoestima, uma desconstrução.

Questione- se, você se adaptaria à essa forma de relação? Você conseguiria controlar ou extinguir o ciúmes, as cobranças, saber do envolvimento sexual do seu parceiro ou parceira com outras pessoas?

Lembrem-se de se respeitar. De se cuidar. Não se anular em função de viver uma relação que não é prazerosa para você.

Não se intoxique para beneficiar outra pessoa.

 

 

Angélique Namaika

 

Imagem de reprodução Google imagens 

 

Uma mulher simples. Poucos recurso.       Um coração gigante.

     Tamanho é este coração, e tamanha é a sua fé na vida, no recomeço, que está simples mulher é a maior inspiração para nós.

     Uma freira congolesa, premiada pelo Alto Comissionado das Nações unidas (ACNUR), ganhadora do prêmio Nansen 2013, por ajudar mulheres vítimas de violência sexual e crimes brutais de gênero, cometidos pelo Exército de Resistência do Senhor (LRA, em inglês), e por outros grupos.

     Uma freira, que percorre todo o Nordeste da República Democrática do Congo, na tentativa de minimizar os danos e traumas sofridos por essas mulheres, covardemente agredidas, abusadas de todas as formas, e como se não bastasse, também privadas da convivência com suas famílias e a sociedade. Mulheres julgadas culpadas pela violência que sofreram.

     Namaika é líder no Centro de Reintegração e Desenvolvimento, e já ajudou mais de duas mil mulheres e meninas, que foram.obrigadas a deixar suas casa após sofrerem violência.

     Nakaima, considerada como mãe por muitas, tem um cuidado especial. Ajuda na recuperação da vida, incentiva a volta aos estudos e ensina atividades remuneradas, assim como empreender.

      Parte da motivação de Nakaima vem do seu próprio sofrimento, após ser vítima do LRA em 2009, e ser obrigada a deixar sua casa, e sair de sua cidade, Dungu.

     Uma mulher guerreira de verdade, que transformou sua dor em amor ao próximo, em empatia, em sororidade. Em compaixão.

“Jamais vou parar de fazer tudo o que estiver ao alcance para dar- lhes esperança é uma chance de viver de novo.”

Uma mulher que traz um sorriso, uma marca é uma lição à nós todas.

 

Sobre ela…

   São 2:29 da madrugada e não sei como começar, por onde começar, não consigo lembrar exatamente como começou. Só me lembro que de orgulho, passei a ser o motivo das piadinhas na mesa, nos almoços de domingo. Eu fui até meus 19 anos bem atlética, sempre fui padrão, praticava esporte. Aos 15 anos me chamavam de Viviane Araújo, pela semelhança.

     Altura, cabelos, perna grossa, acinturada.

     Ela, que me vestia, queria mesmo é que eu morasse o quanto era bonita, o quanto meu corpo era bonito.  Sempre calças justas, saltos, blusas decotadas.

     Aos 19 anos, engravidei. Tive minhas primeiras crises de ansiedade e pânico quando minha filha nasceu.

     Tive meus primeiros miomas, cauterizados, muito anticoncepcional pra regular.

     Engordei.

     Já era de se esperar. A genética da família também não ajuda. O gosto por cozinhar também contribui.

     De repente, eu estava gorda. E isso era o assunto principal de qualquer pessoa que me encontrasse. Antigos amigos de escola, familiares. E dela.

      Todo mundo que se aproxima ela faz questão de falar – ela era tão magra, tão bonita, agora é gorda. -, é o único assunto dela.

      Eu tentei de tudo para emagrecer. Quanto mais tentava mais engordava, mais as pessoas comentavam.

     No começo me doía, me angustiava. Eu chorava.

     Foi um longo processo até eu olhar no espelho sem chorar. Foi um longo caminho.

     E pasmem, meu maior apoio nesta jornada foi um homem.

     Durante anos eu me fui me escondendo em roupas de senhora, fui perdendo a vaidade.

     Até o dia em que lembrei que não era feliz magra. Eu vivia contando calorias, fazendo dias de jejum antes de festas, pra entrar numa roupa. Eu vivia com o estômago doendo de fome, mas não comia porque não queria engordar.

      Eu vivi de macarrão instantâneo por meses, apenas um por dia para não engordar.

     Eu não era feliz. Eu não era.

     Foram anos até olhar no espelho e não me incomodar com o braço grande, com as costas largas, com o quadril largo, com os seios enormes.

     Foi um processo doloroso até eu parar de ouvir a voz dela ecoando na minha cabeça todo dia, rindo, contando cada grama que aumentava no meu corpo.

      Foi um longo caminho até eu me impor, parar de aceitar calada as piadas e os insultos e falar que eu sou feliz, hoje, gorda.

     Foi difícil falar que gorda, e aceitar essa característica, sem pensar em perjúrio.

     Foi difícil. Mas eu consegui.

     Foram 10 anos.

     Foram longos anos, superados e comemorados com um cropped, um maiô branco na praia, um vestido de malha colado ao corpo, um top que deixa parte da barriga de fora, minha carta de alforria das dietas. Minha liberdade.

     Ela foi por muito tempo a causa do meu desgraçamento mental.

     Mas eu te agradeço hoje mãe, porque eu me torno a cada dia o melhor que eu poderia ser.

Ilustração by Rachele Cateyes

Becuz I Care

Esta é a sua chance de recuperar a fé na humanidade, e de reforçar aquele clichê de que a salvação do mundo são as nossas crianças.

     Uma iniciativa, um projeto, um chamado de uma garotinha de 10 anos durante suas férias tem alcançado milhares de pessoas ao redor do mundo, e consequentemente, fazendo muitos questionarem suas relações e ações enquanto sociedade e comunidade.

     Leah Nelson, começou nas férias de verão uma espécie de corrente do bem. Ela queria mostrar como ser gentil pode mudar a vida de alguém. E o objetivo dela é bem simples: tornar o mundo um lugar agradável e melhor de se viver.

     Uma criança, que poderia aproveitar as férias, brincar, dormir até tarde, jogar videogame. Uma criança que teoricamente não teria essa responsabilidade, que não precisaria se importar.

 

“Eu só quero que o mundo seja um lugar melhor”

-Leah Nelson

 

     A iniciativa é uma mistura de filantropia e experimento social. É simples. Basta ser gentil com alguém, ou ajudar uma família/ indivíduo em necessidade. Da forma que você puder. Seja arrecadando roupas, alimentos, seja proporcionando um dia melhor, ou apenas dedicando um tempo para alguém que se sente só. Você pode preparar uma refeição, entregando uma água, fazer um elogio, doar um agasalho… Coisas tão pequenas talvez para nós, mas para quem está em dificuldades se torna grandioso.

     E para selar esta boa ação, você presenteia a pessoa com uma pulseira. Este é o símbolo do compromisso de fazer o mesmo a outro alguém, e assim repassar a pulseira de uma pessoa à outra.

https://www.facebook.com/becuzIcare11/

     Leah também criou um fundo para receber doações para projetos maiores como ajudar escolas, fazer projetos sociais maiores, e também para a produção das pulseiras símbolo de sua campanha. Hoje ela conta com a ajuda de amigos, dos familiares e de vários voluntários espalhados pelo mundo, incluindo aqui no Brasil.

     Um passo dado por Leah. No

     Uma coisa que seria tão óbvia, mas que esquecemos com a rotina: ser gentil.

     Faça parte. Seja uma pessoa melhor.

 

Obirin o Trio

Hoje é dia de luta

Hoje é dia de luto.

Não quero seu parabéns

Quero seu respeito

Não quero suas rosas

Quero meu direito

Meu corpo, meus pelos, meu peito…”

Foi através dessa canção que conheci o trabalho de Lana Lopes (bateria, percussão e voz), Elis Menezes e Raíssa Lopes (ambas violão, percussão e voz).

Três mulheres que se conheceram no carnaval de 2016, que em pouco mais de um ano já fizeram tanto pela representatividade da mulher no cenário da música popular brasileira. O amor pela música as uniu, com o intuito de estudar, pesquisar e resgatar a tradição dos ritmos da MPB, trazendo em suas letras a força do movimento feminista e a luta pela igualdade de gênero, bem como o reconhecimento da mulher enquanto indivíduo da sociedade, e não um corpo andante, trazendo em seu nome também essa representatividade (Obirin significa Mulher em Iorubá, uma língua nativa da África Ocidental).

A música Elas por elas foi lançada no dia 8 de março de 2017, dia mais conhecido como Dia internacional da Mulher. Uma música que fala sobre respeito, liberdade de ir, vir e de ser.

Um trio de Mulheres que falam sobre mulheres, machismo, lesbofobia, aborto, em forma de poema e de canção.

Um trio de Mulheres que em pleno 2017 precisa escrever sobre como a mulher é parte atuante desta sociedade, sobre como é ser mulher e sobre como tratar uma mulher, respeitando sua individualidade como pessoa. Um projeto lindo também de resgate da nossa cultura.

A arte com um propósito.

A luta.

 

Conheça mais sobre o trabalho dessas mulheres, agenda, eventos : https://www.facebook.com/ObinrinTrio/

 

*Algumas informações foram tiradas da página oficial do trio e de sites de pesquisa.
**Imagem de reprodução página oficial do trio, com autorização prévia das mesmas.

 

 

Sobre ser feminista e cristã

Muitas vezes ouvi de religiosos que a submissão era a liberdade para mulheres. Que nascer para servir ao seu esposo, à sua família e à sua igreja era perfeito e do agrado do Criador. Que isso estava na Bíblia, e que o contrário era pecado.
Mulheres independentes, decididas, de personalidade são mundanas e pecadoras.
O fato é que mais e mais mulheres têm se libertado desse conceito.
É diante disso afirmo, há sim como existir a dedicação à uma fé e ao mesmo tempo querer a igualdade social e a equidade entre homens e mulheres.
Estudando a Bíblia vemos passagens de mulheres importantes, mulheres de grande relevância histórica, e vemos também que Jesus, filho de Deus, Santo, e Messias não fez em nenhum momento de sua passagem na terra distinção entre homem ou mulher.
Há de se observar também que era uma outra época. Pouco ou quase nada era de fato “coisa de mulher”, elas sequer eram contadas nos censos das cidades.
Mas os tempos são outros.
E essa imposição de que o feminismo é promiscuidade vem imposto por líderes de igrejas, homens, o patriarcado que teme a perda do controle sobre as mulheres.
Que sente seu território ameaçado, que sente que perderá o poder sobre a mente e a vida das pessoas.
Tenho acompanhado de perto uma grande quantidade de mulheres cristãs, que vivem em intimidade com o Espírito Santo, mas que já não possuem os sonhos das moças do antigo catequese, casar, ser mãe ficou em segundo plano. Elas querem estudar, fazer a diferença.
Isso se dá ao fato de descobrirem a liberdade que o feminismo propõe à elas. De terem o poder de escolha sobre suas vidas, sem perder sua fé e sem desrespeitar sua crença.
Sem se transpor sobre nenhum gênero, sobre acolher e respeitar pessoas como indivíduos.
O cristianismo tem como base um livro histórico, mas que foi escrito por homens.
Vivemos outro tempo, mas infelizmente para as mulheres pouco mudou.
Ainda conquistamos nosso espaço, devagar. E você mulher, não precisa ser submissa se não for dá sua vontade.
Lembrem-se que Jesus quando veio à terra, era considerado rebelde, muito moderno, muito louco pra sua época. Aos poucos ele trouxe discernimento ao povo que só seguia ordens, e trouxe a liberdade.
Assim é o feminismo para as mulheres. Uma ideia ousada, radical, mas a janela para um mundo livre e de múltipla escolha, ou de escolha nenhuma. Você é dona de si, independente do Deus que você saúda.

 

Não entrarei no mérito de citar passagens da Bíblia, porque todo trecho tirado do contexto do todo é passível de interpretação pessoal. Porém, quando se fala de submissão na Bíblia, se fala de mutualidade. Ou seja, tanto homem quanto mulher se sacrificam em benefício de sua família.

 

Acima de tudo, e para finalizar, tudo que Jesus fez nessa terra foi espalhar amor ao próximo, incentivar a irmandade e o respeito entre todos.

E o feminismo puro e simples é isso. Igualdade, amor e respeito entre homens e mulheres.

Fé não é prisão. Fé é libertação, é amor, é paz, é respeito.

Fé não é religiosidade.

Fonte da imagem: imagem de reprodução Internet

O feminismo e o ensino fundamental

 

Imagem reprodução/internet

 Muito tem se falado sobre feminismo nos últimos anos. O movimento cresceu assim como o ódio por ele.

Mas em dias em que meninas ainda na infância são alvos de pequenos gestos machistas, de opressões mascaradas de brincadeiras e baixa estima, precisamos mais do que nunca iniciar ainda mais cedo a educação aliada ao feminismo.
E eu explico.

Em algumas escolas da região, meninas são obrigadas a passar parte do intervalo, recreio, ou chame como quiser, sentadas para que os meninos possam correr livremente, sem as tocar, sem as observar ou fazer “brincadeiras” sobre seus corpos ainda em formação.

Em algumas escolas é ensinado às meninas que devem se omitir perante os meninos. Que devem não se misturar, não devem fazer as mesmas atividades porque não são apropriadas para meninas.

Como se isso já não fosse ruim, as meninas são as únicas que sofrem a ditadura do uniforme, a advertência pelo tamanho do short, a pressão para estarem sempre alinhadas.

E tem mais: em casa, a rotina dessas meninas não muda. Pois os pais, por hora despreparados, incentivam a anulação das meninas, bem como romantizar os relacionamentos abusivos de desde a infância da criança.

Percebemos que as escolas que se intitulam a extensão de nossas casas, tomaram como regra punir as meninas por serem mulheres. Ora, é mais fácil do que ensinar o respeito aos meninos, afinal eles são homens. É isso é normal, não é?

Se um colega bate em você, isso é sinal de que ele te ama. Se ele puxa seu cabelo é demonstração de carinho. Se ele te zoa no intervalo é porque secretamente é apaixonado. Se ele passa a mão em seu corpo sem a sua permissão, você devia agradecer por ele te achar linda.

Esse tipo de atitude reforça o machismo e seus privilégios. Esses meninos precisam aprender que ser criança não invalida a crueldade de seus atos. E é na escola onde a gente começa a nossa formação social. É na escola que aprendemos como ser indivíduos de uma sociedade. E é nesta mesma escola que todos deveriam se sentir seguros e confortáveis, independente de sua condição sexual ou gênero.

Isso só vai mudar quando ensinarmos nossas meninas a não se calar. Quando ensinarmos que elas são mais especiais e importantes do que está refletido em um espelho. Que elas podem e devem experimentar toda e qualquer atividade escolar, desde o futebol até a horta comunitária. Que elas não vieram ao mundo para servir e sim para somar. Que elas são lindas, cada uma com sua característica, e que ninguém que diga o contrário deve ser levado em conta.

Isso vai mudar quando meninos, homens, forem punidos por invadir os corpos das nossas meninas. Quando forem punidos por agredirem e violarem o espaço delas. Quando entenderem que mulheres devem ser respeitadas. Quando pararem de responsabilizar as mulheres pelos seus atos.

Temos um longo caminho. Mas pra começar precisamos apenas de um passo.