Liberdade de escrita

Tudo pode ser descrito

Escrito

Até mesmo o silêncio

         O vácuo também transpassa entre meus dedos

Atravessa o azul

Alcançando o branco

E assim nada mais é silêncio

De repente o mundo transborda sobre mim

          E tudo é música

Vento, desejo, fome, insegurança

Revista, trabalho, viagem

Ovos, animais, imagens

Sexo, raiva, fantasia

Cores, futuro, revolta

Tudo pode ser escrito

 

 

   Essa é a beleza das palavras, elas revelam tudo, me mostram tudo, amo a liberdade de escrita. Não importa quão bloqueada eu me sinta, todos os meus pensamentos podem dançar por entre meus dedos.

 

   Comecei no ensino médio, quando aproveitava pequenos intervalos para escrever o que eu sentia naquele momento. Meus escritos deveriam ficar escondidos naquela época.

 

   Trancado à 10.000.000 de chaves, mas hoje não! Tudo o que sinto eu preciso deixar bem à vista, aberto, escancarar ao mundo o que sou e penso sem temer as críticas e os risos.

 

   Hoje foi assim, um breve lampejo que pode parecer insignificante para você, mas para a Alessandra foi libertador. Então eu escrevi, me faz bem, então por quê não?

   De agora em diante, vou escrever e mostrar tudo o que vier de mim.

 

 

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O Jardim de ossos

O Jardim de Ossos, Tess Gerritsen

Sinopse

Ossos desconhecidos, segredos não revelados e crimes não resolvidos lançam sombras ameaçadoras sobre o presente.

A recém-divorciada Julia Hamill acaba de se mudar para a casa de seus sonhos, uma mansão em um enorme terreno. Tudo parece perfeito, até que, durante a reforma do jardim, Julian desenterra um crânio humano com indícios de homicídio. E o mais intrigante: a cova data do século XIX.

O ano é 1830. O jovem estudante de medicina Norris Marshall é o principal suspeito das atrocidades cometidas pelo Estripador de West End. Na companhia do amigo Oliver e da imigrante irlandesa Rose, Norris parte em busca do homem mais perigoso de Boston, a fim de provar a própria inocência, visitando desde lúgubres cemitérios e salas de necropsia até elegantes mansões.
Separadas por quase dois séculos, as duas histórias se desenvolvem de forma precisa e instigante, conduzindo o leitor a um final tão chocante quanto engenhosamente concebido.

Título: O jardim de ossos
Autor (a): Tess Gerritsen
Editora: Record
Páginas: 447
Ano: 2009


Quem gosta de suspense médico, precisa conhecer os livros da Tess Gerritsen. Ela era médica, mas abandonou sua carreira para se dedicar completamente a vida de escritora. Jardim de ossos foi o primeiro livro que li dela e me apaixonei completamente.

O livro trata duas histórias, cada uma ambientada em anos (séculos) diferentes. Nos capítulos que tratam os dias atuais, conhecemos a professora Julia Hamill, que após um divórcio, compra uma casa nova e se muda, em uma tentativa de recomeçar sua vida. Enquanto trabalhava em seu novo jardim ela acaba desenterrando um crânio. Ao descobrir que essa cova é de meados dos ano de 1800, ela se une a familiares da antiga moradora de sua casa para encontrar respostas. Em sua busca, ela encontra cartas que a levam ao nosso segundo personagem: Norris Marshall.

Norris é um fazendeiro, estudante de medicina da cidade de Boston no ano de 1830, ele também é suspeito de ser um serial killer. Tentando se misturar ao seu novo mundo da faculdade, rodeado por pessoas de classe média alta e correndo o risco de perder sua bolsa de estudos, ele também quer respostas. Então pede ajuda a Oliver e Rose, que é perseguida por uma misteriosa pessoa, para encontrar o verdadeiro assassino.

As duas histórias são cheias de tramas, mistérios e vai nos prendendo a cada página. Sem falar em como você se espanta com a medicina do século XIX, é assustador a forma com os pacientes eram tratados e a maneira como conseguiam os corpos para estudos.

Eu terminei de ler em dois dias, porque queria muito saber o que vinha depois. E esse depois é sempre muito bom, sempre uma surpresa, tanto que se eu contar mais do que isso estaria dando muitos spoilers. 

Tess Gerritsen (reprodução/Google)

Tess Gerritsen escreve muito bem, a forma como ela une as duas épocas é perfeita e em momento algum você estranha. É uma leitura simples, direta, envolvente e você consegue enxergar cada cena em sua mente. Acredito que você vai querer conhecer muitos outros livros dela e espero que seja tão gratificante quanto foi pra mim.

Se ficou afim de ler, pode clicar aqui para comprar.

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Cinco poemas contemporâneos escritos por brasileiras

Esvaziar-se

Glossário LGBT+, entenda e nos ajude a entender

Não se esqueça, nossos glossário sempre serão corrigidos/atualizados de acordo com o que aprendemos, nos deixe suas considerações nos comentários.

Existem muitas nomenclaturas no mundo LGBT+ e nem todas são familiares. Por isso, resolvi criar nosso segundo glossário (o primeiro), para que possa ajudar a todos os que tenham interesse em saber mais.

De acordo com o site www.lgbt.pt/, a sigla LGBT possui o seguinte significado:

“Antigamente como GLS (Gays, Lésbicas e simpatizantes) e atualmente como LGBT, a sigla indicada refere-se a: Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgêneros, Transexuais e Simpatizantes. Como a própria sigla e o seu conceito indicam não é necessário ter traços ou características homossexuais para se identificar dentro do conceito LGBT, os simpatizantes também são englobados, visto que prestam o seu apoio  a toda esta comunidade.”

ORIENTAÇÃO SEXUAL – diz respeito a atração que sentimos por outras pessoas. Essa atração pode ou não ser por indivíduos do mesmo sexo. Orientação sexual NÃO É UMA ESCOLHA, nós nascemos com ela.

 

HETEROSSEXUAL – sente atração apenas por pessoas do mesmo sexo.  

 

HOMOSSEXUAL – sente atração por pessoas do mesmo sexo. Os termos GAY e LÉSBICA são usados para definir homens e mulheres homossexuais.  

 

BISEXUAL – uma pessoa bi sente atração tanto por homens quanto por mulheres.

 

PANSEXUAL – a pansexualidade representa pessoas que se relacionam (de forma sexual e/ou amorosa) com qualquer pessoa, independente do sexo ou gênero dela, ou seja, se atraem por homens, mulheres, trans, interssexuais, etc. Também é chamado de trissexualidade, polissexualidade ou omnissexualidade.

 

POLISEXUAL – é que sente atração por várias pessoas, de vários gêneros, mas não por todos.

 

ASSEXUAL – quem se identifica dessa forma não sente atração sexual por pessoa alguma. Ela pode se relacionar emocionalmente com alguém, namorar, casar, mas sem interesse pela prática sexual.

 

DEMISEXUAL – as pessoas demisexuais são passiveis a sentir atração sexual, mas apenas quando existe uma forte relação emocional entre ela e a pessoa com a qual está envolvida. Existe também a graysexual (zona cinza), grupo ao qual pertence as pessoas que transitam entre a demi e a assexualidade. Entenda, essa transição não é feita por escolha.

reprodução/Diário Paraíba

IDENTIDADE DE GÊNERO – diz respeito à forma como você se identifica com o seu corpo e o sexo com o qual você nasceu. Podemos nos identificar como homem, mulher, ambas ou nenhuma das opções.

 

GÊNERO – socialmente definido como sendo binário (feminino, masculino), mas sabemos agora que pode variar de acordo com a identidade de cada um.

 

TRANSGÊNERO – é quem tem uma identidade de gênero diferente daquele atribuída ao sexo com o qual nasceu. A orientação sexual independe da transgeneridade, podendo um transgênero ser hetero, gay, pan, bi, etc… Travestis e Drag queens são considerados neste grupo.

 

TRANSEXUAL – quem faz mudança de sexo para se adequar ao gênero com o qual realmente se identifica.

 

GÉNERO BINÁRIO – é a divisão entre dois gêneros: feminino e masculino

 

GENDERQUEER (GÊNERO NÃO-BINÁRIO) – pessoas que não se identificam como homem ou mulher, ou transitam entre ambos os gêneros ou, até mesmo, são uma junção de ambos.

 

BIGÊNERO – Se apresenta com os gêneros feminino e masculino ao mesmo tempo.

 

CISGENERO – é quem se identifica com o gênero com qual o qual nasceu (homem cis e mulher cis).

 

GÊNERO FLUIDO – pessoas que mudam de gênero de acordo com o que se sentirem melhor no momento.

 

GÊNERO NÃO-CONFORMISTA – pessoas cuja aparência e/ou comportamento não condiz com o que a sociedade espera de determinado gênero. Como os chamados transformistas e garotas masculinas.

 

AGÊNERO – ausência de gênero. Quem usa esse termo não se encaixa nas definições de gênero binário ou não aceita a divisão e o conceito de gênero.

 

Há muitos outros termos usados nas rodas de conversas e nos textos que lemos pela internet.

 

SEXO BIOLÓGICO – forma de se identificar a genitália de alguém.

 

PAPEL SOCIAL DE GÊNERO – é o conjunto de expectativas e atitudes esperadas de cada gênero específico.

 

HOMOFOBIA – é a rejeição e aversão aos homossexuais. Que pratica homofobia é o chamado homofóbico.

 

HETEROFOBIA – as manas aqui do Elas são unânimes em dizer que isso não existe.

 

CROSS-DRESSING –  é um termo que se refere a pessoas que vestem roupa ou usam objetos associados ao sexo oposto.

 

Nossos glossários são eternos fontes de aprendizagem e mudanças. Portanto, sempre que encontrarmos confiança para falar de algum termo em específicos, faremos um texto unicamente para esse termo e conversaremos a fundo sobre ele.  Nossos leitores são convidados a nos ajudar, corrigir e até a enviarem seus próprios textos para publicação aqui no blog.

 

Fontes

www.lgbt.pt

www.memorialgbt.com

www.lgbtbrasil.com.br

www.demisexuality.org

 

 

Sangria e a história do Brasil

O Brasil sob a ótica de um útero

 

Muitos não admitem, muitos nem ao menos o sabem, mas a historia do Brasil é composta por um silenciamento feminino escancarado e continuo. Por inúmeras vezes me deparei com vãos em meus livros de história quando se travado uma personagem feminina, muitas mulheres nem são citadas em notas de roda pé.

Hoje estamos lutando cada dia mais para que nossas marcas seja reconhecidas e mantidas nas nova história do nosso pais, mas quem luta pelas marcas deixadas por mulheres que não estão mais aqui?

Acho que é nesse momento que devemos encontrar pessoas como Luiza Romão, atriz, poetisa e escritora do livro Sangria.

O projeto (sim, projeto, pois é a composição do livro com trabalhos multimídia) é uma coletânea de 28 poemas (como os 28 dias do ciclo menstrual) e cada um deles possui uma foto representando o silenciamento histórico das mulheres. Também foi criada uma websérie onde cada poema é declamado e acompanhado de uma performance, feito por diferentes mulheres de diferentes áreas artísticas.

Reprodução Catarse

 

Segundo a própria autora do livro, ” Nosso intuito é revisitar a história do Brasil sob a ótica de um útero. O que dizer de um país nominalmente fálico (“pau”-brasil)? Pra isso, misturamos os ciclos econômicos (borracha, café, ouro) com os ciclos biológicos e as fases do útero (ovulação, menstruação, concepção). Representamos o país do futuro” como uma gestação impossível (sempre interrompida por golpes de Estado ou “pílulas do dia seguinte”) e contrapomos a figura do patriarca com as “mães solteiras” e as mulheres “para lida, para farra, para fotografias oficiais” “.

As questões histórico-política-sociais que serão tratadas em Sangria são de suma relevância para nosso entendimento pessoal e para um melhor conhecimento do que é o Brasil e de como podemos trabalhar por uma boa gestação, para que o nascimento de um pais melhor seja realmente possível. Afinal, acredito que a melhor forma de garantirmos nosso amanhã é conhecendo os erros de ontem e não repeti-los.

Se você gostou e sabe que vale a pena, ainda da tempo de contribuir. O projeto continua em está em andamento no Catarse por mais 19 dias, você pode acessar para contribuir com um valor e ajudar na publicação do livro clicando aqui Para conhecer a Luiza Romão e seus outros trabalhos é só seguir o perfil dela no facebook

 

atemporal

Atemporal

Tic tac, tic tac

Para mim funciona diferente.

Diferente de você,

Dela,

Dos outros,

Diferente de mim.

Por vezes passei por ele com indiferença,

Mas hoje corro atrás, só quero andar lado a lado.

 

Há quem não goste de ver o tempo passar.

As despedidas, muitas mudanças, velhice, vem a morte.

Então voltemos,

Voltemos tudo o que for possível

E ficaremos lá.

Escolha o melhor momento

Pressione o botão e fique por lá.

Atrás.

Vegete!

 

Você quer continuar,

Ou melhor, atropelar, sobrepor a ordem certa.

Nada está certo!?

Por que esperar? Não precisa.

Apenas se erga até o fim de tudo.

É necessário acelerar os dias

Para que o melhor surja,

Esse é o seu momento.

Perder tudo.

 

O meio é mais adequado a mim.

Lembra-se? Lado a lado.

Sentir cada brisa gélida,

Ouvir todas as notas,

Talvez conhecer ontem, amar hoje, terminar amanhã.

Hoje!!

Esse é o único momento.

Pregresso

Ai está ele de novo
Nem ao menos cheguei ao meu destino
E meu corpo já reage com demasiada euforia
A ultima vez? Trezentos e sessenta e cinco luas atrás.
Ainda suspiro com tais momentos

Uma simples chamada
Onomatopeia capaz de violar um cofre há muito trancado
Revelando segredos, relembrando carícias acompanhadas de olhares maliciosos

Aí está ele mais uma vez
Nem ao menos cheguei ao meu destino
E o vento frio da montanha já me trouxe seu cheiro

Consigo ver suas ondas
Estão na cor água marinha
Já faz dez minutos que estacionei
Não quero sair do carro
Não quero sentar à mesa
Não quero relembrar
Consigo ver seus lábios
Vermelhos

Aí está ele novamente
Aquele arrepio

Sinto muito, mas eu não quero as suas flores! 8 de março – Dia Internacional (da luta) da Mulher

Participantes do velório das centenas de pessoas que morreram no incêndio na fábrica têxtil de Novo Iorque, em 1911

Pode parecer ingratidão da minha parte, mas as parabenizações que são entregues à nós mulheres no dia de hoje são dispensáveis. O dia Internacional da Mulher, oficializado na data de hoje pela ONU (Organização das Nações Unidas) em 1977, é o marca da luta das mulheres por melhores condições de trabalho, salário justo e igual ao dos homens, diminuição da carga horário trabalhada, extinção do assédio por parte de colegas e patrões, ou seja, reivindicações sérias e que nada tem haver com flores e bombons.

Gosto de dizer que 8 de março está no mesmo patamar de importância que datas como as de Tiradentes ou da Consciência Negra. Conhecendo as histórias que iniciaram toda a luta feminina, fica mais fácil entender toda real importância envolvida no dia da mulher.

Infográfico com breve história do Dia Internacional da Mulher

 

Devem ser incluídos em todos esses fatos históricos o lançamento do livro O Segundo Sexo, da autora francesa Simone de Beauvoir, considerado um dos grandes livros do feminismo. Também  podemos incluir o movimento realizado na França, 1968, em busca de garantir os direitos das minorias, incluindo os das mulheres, que lutavam para que pudessem ter direito de decidir sobre o uso das pílulas, o sexo livre e a decisão de constituir ou não uma família.

Reprodução/Internet

 

Os acontecimentos no Brasil também não ficam atrás. No site do Jornal Folha podemos encontrar uma lista com mais datas com acontecimentos importantes que devem ser incluídos nos assuntos abordados pela sociedade no dia de hoje. Como por exemplo as mulheres conquistando o direito ao voto em 1934 e a criação da Lei Maria da penha, em 2006. Clicando aqui você conseguira ver a lista completa.

 

Maria da Penha, responsável pela maior lei de proteção as mulheres.

Diante de tantas informações, não podemos mais tratar o dia 8 de março apenas como um dia de romance. hoje é dia de luta, de reivindicações, de busca pelo respeito e pelos direitos femininos. Se você, diferente de mim, gosta de receber suas flores e seus bombons, será levada para jantar e terá/teve um café na cama, aproveite bastante. Mas aproveite também para pensar em quais outras questões devem ser levados a sério hoje e divida essas questões com o mundo.

Enfim, hoje ainda é o nosso dia e eu desejo que seja uma data com muitas realizações e que o máximo de respeito possível seja direcionado a vocês manas.

 

Fontes:

Artigo: Dia Internacional da Mulher, por Prof.ª Joana Darc Faria de Souza e Silva

https://pt.wikipedia.org/wiki/Dia_Internacional_da_Mulher

http://www.scielo.br/pdf/ref/v9n2/8643

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2017/03/1864604-entenda-o-dia-da-mulher-confira-fatos-marcantes-da-historia-da-mulher.shtml

 

8 de Março! As Mulheres Vão Parar! Vamos juntas!

 

8 de março: para além das comemorações, a luta e o empoderamento das mulheres

 

Desculpa, mas é um simples desabafo.

Hoje cheguei em minha cidade natal para matar a saudade que sinto da minha família. Sempre que vou visitá-los acabo saindo para passear  com alguém, e dessa vez não foi diferente, sai com minha vozinha e uma de minhas primas.

Entre uma sessão e outra do supermercado, o assunto que surgiu foi o casamento da minha tia, que está muito próximo, e a necessidade de encontrar uma roupa que esconda todas as nossas gorduras. Nossa família só tem gordas e a preocupação em se boicotar é constante, principalmente com minhas primas adolescentes. Percebi como a festa do casamento aumentou ainda mais a gordofobia existente entre elas, “não tem vestido bonito para mim”, “nenhuma blusa vai esconder que sou gorda”, “vou de calça, para apertar minha barriga”.

Como é difícil ver como elas se menosprezam apenas para agradar toda uma sociedade que não as quer bonitas, mas sim padronizadas e adestradas.

Em uma das lojas em que estivemos paramos para escolher biquínis (o casamento será em um sítio com piscina), aí sim foi um menosprezo total. Não é fácil transmitir amor próprio, na verdade isso é impossível, não podemos transferir. Porém, a desconstrução que eu tenho cada dia mais não as alcança da mesma forma.

Estar de acordo com o que os outros querem é prioridade, cabelo liso e longo, corpo sarado, roupas da moda. Não conseguimos ser nós mesmos no dia a dia, imagina em uma festa de casamento? Onde tudo é  milimetricamente criticado.

Isso foi mais um desabafo eu acho, bem diferente dos textos que procuramos oferecer à vocês. Desculpe por isso, é que me canso do mal que provocam em mim e em todas as mulheres do mundo.

Casamento x Feminismo – Parte 1

Reprodução/internet

Eu nasci em um lar machista, onde a violência doméstica se alojou em cadeira cativa. Havia o controle sobre a esposa e sobre a filha.

Isso me fez decidir, desde muito nova, nunca me casar. Pra que arriscar uma réplica do casamento dos meus pais? Obviamente eu tentaria percorrer um caminho diferente, mas e se no meio desse caminho minha vida se tornasse um remake de toda aquela violência que eu presenciei e sofri quando criança?

Resolvi que não valia o risco.

Mas o padrão de vida esperado de uma mulher sempre envolve um homem. Somos educadas para gostar de cozinhar, lavar, limpar, cuidar da boneca. Qualidades muito valorizadas quando se diz respeito à uma boa futura esposa. Jamais me perguntaram se eu queria ser uma chef, mas eu era questionada se seria capaz de prender um homem pelo estômago. Me perguntavam se já tinha algum namoradinho, mas nunca qual profissão queria seguir.

Tudo me levando a crer que deveria almejar  um  bom casamento, com filhos felizes e blá blá blá. Então fui planejando minha vida… só que ela seguia a contramão.

  • **Viajar para Florianópolis
  • **Morar sozinha
  • **Curso Superior em Ciências Biológicas
  • **Adoção

Nada me levava aos homens, eu tive poucos namorados (poucas pegações, namorado mesmo foi só um). Fui seguindo os planos, criando novos, abandonando vários. Mas nada sobre longos relacionamentos. No fim, a vida amorosa da adolescência fugia de mim por livre e espontânea vontade.

Então, próxima dos 18 aninhos, conheci o feminismo. Ao contrário do que muitos podem estar pensando agora, ele não me afastou de vez dos homens, ele me aproximou das pessoas certas. Aprendi que desejar a igualdade é maior do que aceitar a submissão, é mais importante do que rejeitar os relacionamentos.

Eu AMO cozinhar, gosto de tudo muito bem organizado e sempre exijo tudo limpo. Aprendi essas essas quando criança para ser uma boa dona de casa, hoje faço tudo isso e gosto. Sabe o que mais aprendi e dessa vez com o feminismo? Que o marido deve cozinhar, organizar e limpar tanto quanto a esposa. Sabe o mais legal? Me casei com um homem que está aprendendo tudo isso.

Ser ou não uma feminista não é motivo  para casar ou não casar. Pare de procurar/aceitar a hierarquia no casamento. Procure pela igualdade, verá como é muito melhor.

Reprodução/internet

AMOR (IM)PROVÁVEL

Quando a noite cai, surge a mais solitária das estrelas. Sirius, a estrela mais brilhante do céu noturno, brilho esse que atrai muitos olhares. Nenhum que a fizesse feliz. Não posso dizer que ela não conhecia a felicidade, mas garanto a vocês, ela estava incompleta. Sempre cercada de outros como ela, sempre cercada de outros diferentes dela, sempre olhando ao redor à procura de algo mais.

A noite caiu, Sirius surgiu. Sua procura estava quase no fim quando se deparou com o olhar do Astrônomo. Seus lindos olhos a atraíam de forma extrema, era como se eles fizessem um pedido… “Sorria para mim, minha linda estrela”. E assim ela o fez.

E essa cena foi se repetindo por muitas noites. Eles se encontravam (da maneira que lhes era possível), conversavam, sorriam, se olhavam, se sentiam, se amavam. Mas Sirius tentava ir contra tudo o que se passava. Como poderia se deixar apaixonar por alguém tão inalcançável? Jamais poderiam ficar juntos!

Ela quis aumentar a distância entre eles, mas não conseguiu. E de que forma? Não era possível se afastar, tarde demais para fugir e intenso demais para ignorar.

Ao mesmo tempo em que ela negava seus sentimentos, ela também se apegava. Passou a enxergar um homem incrível. “Ele é tão inteligente, dedicado, carinhoso, verdadeiro, apaixonado… eu estou apaixonada”, assim ela começou a pensar.

O Astrônomo alcançou o coração da estrela. E de tal forma, que não foi necessário criar uma galáxia para viverem juntos, Sirius desceu do céu só para poder entregar todo o amor que ele despertou dentro dela. Não era mais necessário procurar por algo que a fizesse feliz. A estrela mais brilhante do céu noturno uniu-se a um Astrônomo para provar ao mundo que o amor existe para todos. Não importa onde você está.