Carta para uma versão mais evoluída de mim mesma

 

 

 

Poderia começar dizendo “Olá!”, mas ambas sabemos que eu não falo “olá”. Eu mal falo “oi”, apesar de não saber para qual lado pode ocorrer essa evolução, né. Hoje, nesse momento, as coisas estão em processo, como sempre. Talvez essa seja a hora que eu, ou você, consiga ver que eu posso fazer melhor do que isso, em alguns aspectos, e começar a arrumar a casa daqui.

(Será que daqui 5 anos vou estar morando em um apartamento? Espero que não, mas, se tiver, nada contra.)

Hoje as coisas não estão tão ruins, apesar de ainda ficar meio perdida por alguns momentos, sabe. Eu já consegui listar as coisas que me trazem mal estar – todo tipo de mal estar – e tenho desenrolado um por um, aos poucos, sem pressa, já que a noite é uma criança e, em milhões de aspectos, eu também. Tanto que, mesmo odiando recomeçar, tenho usado o otimismo para assumir que é preciso recomeçar quando se encontra algumas falhas. E pretendo não usar tanto os verbos “odiar/detestar”, porque né, convenhamos, que coisa boa isso pode trazer?

Consegui chegar no consenso de que não vale perder o meu – nosso – tempo falando sobre coisas que não gostamos, e isso inclui tanto vida de vizinhos quanto mal daquela banda ruim. Sabe aquela coisa de que, no fim das contas, não faz diferença? Porque não faz. Eu perder meu tempo para falar mal de alguém ou de alguma coisa não me faz ter mais tempo, não me faz ter mais dinheiro, não me faz ser um ser humano melhor, e é isso que eu tenho buscado nos últimos meses.

Ser um ser humano melhor.

Ser um ser humano que as pessoas possam contar, caso queiram, e que fique em paz com as escolhas que faz, porque hoje, especificamente, as coisas ainda não funcionam assim.

Só quero que você saiba que hoje eu estou tentando. Em vários sentidos, para vários lados. Quero que você saiba que hoje a vida anda meio bagunçada, e eu sei que você vai lembrar disso quando ler. Sei que você vai lembrar das dúvidas que rodeiam a minha cabeça, dos fantasmas que eu ando encarando no espelho, da falta de apoio que, nesse momento, é latente.

Mas eu não vou parar.

Apesar dos pesares, do medo, da vontade de fugir, eu não vou parar.

Nós merecemos coisas muito maiores do que eu tenho nesse exato momento, e eu sei que você vai ficar grata à essa adulta sem muita experiência por continuar tentando.

E, por favor, não alugue um apartamento. Se você estiver morando em um apartamento, receio não poder ter um gato, e eu quero muito ter um gato.

A gente se vê daqui uns anos.

Megan.