O vulcão que me habita

 

Às vezes estonteante, lidando com o oco calado da paz de espirito e da alegria, outras a flor da pele, na angustia do simples fato de ser eu.

Vivendo a beira de erupções onde pequenas frases me fazem jorrar sangue. As vezes frases nunca ditas, mas vividas mentalmente implantadas por monstros que se alimentam do amargor das ruínas. Na boca o gosto amargo da solidão, a certeza da desistência do mundo em relação a mim.

A ansiedade de que a minha luta pela pacificidade interior pode estar sendo em vão domina meu ser, sinto como se minha guerra pessoal já tenha sido perdida a muito tempo. Me dispo de mim na esperança de esquecer o que realmente se foi.

Flocos de esperanças ainda fazem alguma morada dentro de mim, mas as memórias do que perdi fazem com que eu não saiba mais como lidar com meu eu sem trovoadas. Temo não conseguir reconquistar, temo não conseguir disposições para que o meu universo pessoal me reconheça na face da verdade.

Dói muito viver a beira de um vulcão em erupção, sem poder matar monstros por inseguranças de um abandono definitivo. Gotas de lagrimas lutam contra larvas que me consomem por dentro. Eu não sei como tapar a ferida, não sei como recomeçar, voltar ao tempo, reconstruir.

Eu que sempre admirei o estrago e a reconstrução, temo que não exista recomeços para uma vida em chamas.  Ainda sou uma menina tentando montar um quebra-cabeças com peças faltantes, sem conseguir desisti. Mas com a certeza de que alguns buracos jamais serão preenchidos novamente.

 

Bruna

Estudante de jornalismo, forasteira de si mesma, ainda (e talvez eterna ) amadora na arte de viver. Buscando a felicidade nos fragmentos que encontra dentro de si mesma, vive roubando um pouco da doçura e desencantos das almas que vez ou outra cruzam seu caminho de perturbações.

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