O que chamou nossa atenção em 2017: 4 séries, 1 filme e 1 bônus

2017 foi um ano marcante para o entretenimento, especialmente no que diz respeito às mulheres. Por um lado, inúmeras denúncias de casos de assédio, violência sexual e machismo escancararam a face mais feia dessa indústria, ao mesmo tempo em que foram uma vitória da voz feminina, que começa a se fazer ouvir. Por outro, o protagonismo das mulheres teve destaque na mídia, com feitos históricos e grandes sucessos de público, crítica e premiações.

Alguns acontecimentos importantes e recordes (como Lady Bird, de Greta Gerwig, se tornando o filme mais bem avaliado da história do Rotten Tomatoes) estão na ótima retrospectiva do Mulher no Cinema. Inclusive, além do próprio site, fica a recomendação do post deles Os 10 melhores filmes de/sobre mulheres de 2017.

Para o último post do ano da coluna Culturarte, optamos por uma visão pessoal, e escolhemos algumas das produções que mais chamaram a nossa atenção ao longo dele. As indicações vêm com os nomes das autoras do blog que as fizeram. A última e o bônus são as minhas. Confira:

 

Desirré

As telefonistas (Las Chicas del Cable)

Las Chicas del Cable

Netflix
2 temporadas – 16 episódios

Sinopse: Na Madrid dos anos 20, quatro amigas vivem a revolução dos costumes ao entrar na força de trabalho e lidar com relacionamentos longe de casa.

A primeira série latina da Netflix, que segue bem o clichê da novela mexicana, com muito drama, romance, reviravoltas e intrigas.

Uma série de tom feminista e progressista que, apesar de ser de época aborda assuntos atuais como divórcio, relacionamento abusivo, violência doméstica, sexo e liberdade sexual, machismo e aborto.

Quatro mulheres que se conhecem durante o processo seletivo de uma companhia telefônica e a partir daí, criam um laço, protegendo umas às outras, numa época onde as mulheres eram enfeites de seus maridos. Uma época onde surgiram as sufragistas, líderes feministas e a luta de mulheres pelo reconhecimento e igualdade de oportunidades e direitos.

The Handmaid’s Tale

The Handmaid's Tale

Hulu. Exibida no Brasil pela Paramount Channel
1 temporada – 10 episódios.

Sinopse: é uma série de televisão estadunidense criada por Bruce Miller com base no romance homônimo de 1985 da escritora canadense Margaret Atwood. Foi encomendada pelo serviço de streaming Hulu com uma ordem direta para 10 episódios, com produção no final de 2016 porém a estréia foi em abril de 2017.

Uma série baseada no livro O conto da Aia, que conta uma realidade em que as taxas de fertilidade caem por conta de DST’s e da poluição.. Uma Sociedade religiosa com líderes sedentos de poder seleciona mulheres que ainda são férteis para trabalhar nas casas da elite, sendo empregadas e subjugadas, não tendo direito ao trabalho, dinheiro, ler,  submetidas a sessões de estupro ritualizados pelos seus mestres masculinos para engravidar e ter filhos para aqueles homens e suas respectivas esposas.

Chewing Gum

chewing gum

Netflix
2 temporadas – 12 episódios

Sinopse: Criada em uma família muito religiosa, Tracey está pronta para alcançar seu potencial. E o primeiro passo é perder a virgindade!

Irreverência e um toque de nonsense dão o tom da série que conta a história de Tracey, uma garota de família religiosa que quer perder a virgindade. A criadora e protagonista da série, Michaela Coel, acerta ao criar uma narrativa centrada em uma jovem negra periférica que, mais do que transar, está tentando se entender e descobrir quem é. Em meio a situações bem constrangedoras, ela aborda o extremismo religioso, relacionamento interracial e vários outros temas. Além da protagonista, a série traz várias personagens secundárias maravilhosas, humanizadas e, claro, hilárias.

 

Alessandra

Ela quer tudo (She’s Gotta Have It)

She's gotta have it

Netflix
1 temporada – 10 episódios

Sinopse: Criada e dirigida por Spike Lee e baseada em seu filme homônimo de 1986, a série mostra a vida da Nola Darling, uma mulher negra, artista e poliamorista que mora no Brooklin e tem toda a certeza de si.

Se você procura uma protagonista que mostra lutas e aceitações, a Nola não é bem para isso. Esses assuntos são abordados sim, todo o tempo, mas acaba não sendo o foco. O que podemos ver é que tudo é sobre a vivência de uma mulher que lida muito bem com sua sexualidade a ponto de não precisar provar ou ser aprovada em momento algum. Ela se envolve (de forma 100% casual e nada seria) com três homens.

A série é extremamente válida para quem quer estar “próxima” de alguém que ensina sobre aceitação, já que a Nola é muito dona de si, mas ainda tem que passar por momentos horríveis. O ponto alto da série é tratar uma mulher negra, no ápice da sua sexualidade, se envolvendo com várias pessoas de forma não objetificada. Claro que existe muito para se aprender com alguém assim.

 

Tamires

Mulher Maravilha

Wonder Woman

Direção: Patty Jenkins

Sinopse: Antes de se tornar Mulher-Maravilha, ela era Diana, princesa das Amazonas, treinada desde cedo para ser uma guerreira imbatível. Criada em uma paradisíaca ilha afastada de tudo, Diana descobre por um piloto americano acidentado que uma guerra sem precedentes está se espalhando pelo mundo e, certa de que pode parar o conflito, decide deixar seu lar pela primeira vez. Travando uma guerra para acabar com todas guerras, Diana toma ciência do alcance de seus poderes e de sua verdadeira missão.

O filme bateu inúmeros recordes (filme de origem de super-herói com a maior bilheteria da história, maior blockbuster dirigido por uma mulher, um dos mais lucrativos de 2017, etc). Além disso, o mais importante filme de uma super-heroína já lançado é extremamente relevante em termos de representatividade. A personagem é uma inspiração para meninas (e adultas) de todo o mundo, e ter um filme como esse, fazendo tanto sucesso, tem um imenso significado.

Bônus: Doctor Who

Doctor Who

BBC
1963 – 1989; 1996; 2005 – atualmente
26 temporadas – 1 telefilme – 10 temporadas

Sinopse: A série mostra as aventuras do Doutor (The Doctor), um Senhor do Tempo, alienígena do planeta Gallifrey, que explora o universo em sua máquina do tempo, uma sensível nave espacial conhecida como TARDIS (Time And Relative Dimension(s) In Space), cuja aparência exterior se assemelha a uma cabine de polícia londrina de 1963. Juntamente com os seus companheiros, O Doutor enfrenta uma variedade de inimigos, enquanto trabalha para salvar as civilizações, ajudar as pessoas comuns e corrigir erros.

A série de ficção científica mais duradoura da história finalmente teve sua primeira Doutora. Jodie Whitaker (Black Mirror, Broadchurch) fez sua aparição inicial no especial de natal deste ano, Twice Upon a Time, substituindo Peter Capaldi no papel. Ao protagonizar esse ícone da TV britânica e da cultura nerd, assim como Gal Gadot, Jodie tem a oportunidade de servir de inspiração não apenas para as novas, como para as antigas gerações de espectadoras.

Doctor Who, que sempre foi uma série progressista e representativa, também deu com essa escolha um dos mais importantes passos de sua história. Como fã, eu não poderia deixar de citar este como um dos acontecimentos mais marcantes de 2017, mesmo a série tendo estreado tantos anos atrás.

Finalizando

E é isso. Se você ainda não assistiu, ficam aí nossas sugestões. Se já viu, pode deixar suas impressões sobre elas nos comentários. E, claro, se quiser deixar sua lista de obras por/sobre mulheres que mais te marcaram em 2017, fique à vontade! Talvez renda uma menção honrosa mais tarde no blog ou na página. Até ano que vem!

Me segue aí!

Tamires Arsênio

24 anos, mineira, jornalista por formação, escritora por amor e atualmente envolvida nuns 2930281 projetos (a maioria sobre protagonismo feminino). Feminista, bem bruxona mesmo. Corvinal até o tutano, mesmo que o Pottermore teime que não. Ainda esperando que o Doctor pare com a TARDIS à minha porta e me chame pra ser companion.
Me segue aí!

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