Não peça por paz. Transforme-se

Desde pequena eu usei o fim de ano para fazer promessas e pedir coisas. Geralmente, eu fundia as duas coisas e tentava tirar o máximo da minha responsabilidade sobre esses atos, já que, né, quem dá presente é o Papai Noel. Eu só recebo. E olhe lá, já que eu nunca levei a sério essa coisa de ser uma boa menina.

Conforme o tempo passa e amadurecer deixa de ser opcional, você começa a sentir o peso dos pedidos, pelo menos eu comecei a sentir. Parei de pedir amigos e relacionamentos novos, porque amigos não são plantas que você vai lá as vezes e coloca um pouco de água; parei de pedir para perder peso, já que me amar é mais importante do que o número da minha roupa e, principalmente, parei de pedir paz.

Sim, eu sei que eu sou responsável apenas por aquilo que me rodeia, e olhe lá, mas se eu não puder transformar esse espaço em um espaço pacífico, como eu posso pedir consciência por outras pessoas que ainda fogem das responsabilidades, independentemente de quais sejam?

A ideia, deixaremos claro, não é entrar em crenças, mas entrar em um ponto que toda a humanidade tem em comum: o ato de mudar.

Nós, como seres pensantes, agimos da mesma forma todos os finais de ano, pedindo coisas que poderíamos conseguir – se isso depender só de nós – e tirando a nossa responsabilidade sobre atos que envolvem mais do que um cara rico nos dar um emprego. É fácil acendermos uma vela pedindo por um ano melhor, sendo que na nossa primeira oportunidade de transformar o nosso ambiente em um ambiente mais amigável e pacífico, nós distribuímos pedras e paus à todos os navegantes.

Paz não deveria ser um pedido, mas um exercício de consciência diário.

É super fácil jogarmos a responsabilidade de uma humanidade sedenta de sangue em um ser acima de nós. É cômodo, prático, simples. É super fácil fazermos pedidos de paz pra o Bom Velhinho enquanto fazemos da vida dos outros um inferno particular.

Que nesse finzinho de ano nós possamos colocar as duas mãos na consciência – as duas porque as coisas andam complicadas – e que estejamos aptos a arrumar os nossos erros e excessos, para que o ano que está chegando não venha com preconceitos sobre os humanos pidões. Todos nós queremos um ano bom, mas ninguém se preocupa em ser bom para o ano que está vindo, muito menos com as coisas que estão vindo.

E ainda dá tempo. De mudar, melhorar, evoluir. A paz não vem dos outros, mas vem de nós.

Transforme-se.

Megan Garcia

Megan Garcia

Megan Garcia, 25. Palmeirense, rockeira-sambista e guitarrista por paixão. Fã incondicional da minha avó (te amo!), curtidora de animações, roedores, jogos de zumbis e cheiro de pipoca. Frito ovo na manteiga e ouço Britney (sim, a Spears) enquanto faço faxina.
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