Prazer, Norma Jeane

Símbolo sexual, suicídio, estereótipos, abuso, casos escandalosos. Tudo isso misturado a um caos mental que se pode ouvir em suas sessões gravadas e expostas no documentário “Marilyn no Divã”. A mídia, como sempre, impecável quando se trata de diminuir mulheres e desvalorizar seres humanos, a via como louca. Mas o quanto escolhemos não ver e o quanto crescemos com a ideia de que ela era, nada mais e nada menos, que uma loira burra em Hollywood?

Marilyn Monroe, nascida Norma Jeane Mortenson, foi descoberta pelo fotógrafo David Conover enquanto trabalhava em uma companhia de aviação que fabricava drones para a segunda guerra mundial, no final de 1944. Na época, com 18 anos, ela estava casada com James Dougherty, o que fez do seu início de carreira algo difícil de ser aceito, não só pelo marido, mas também pelos sogros. Em 1945, ela saiu da fábrica e começou a modelar para Conover e outros fotógrafos conhecidos; tirou o castanho escuro dos cabelos, abraçando o loiro para chamar atenção da publicidade e, em pouco menos de dois anos após ser descoberta, ela já havia feito 33 capas de revista. Em junho de 1946, lhe ofereceram um contrato em uma agência de modelos, onde ela conheceu o executivo da 20th Century-fox, Ben Lyon, que a ajudou a escolher um nome artístico para realizar seus trabalhos. No final de 1946, ela e James se divorciaram.

Até o início dos anos 50, Marilyn flutuava entre as empresas 20th e Columbia, além de se empenhar em aulas de canto e teatro. Nesse período, dentre tantos casos, seus affairs pagaram modificações como implante de silicone na mandíbula e correção dentária. No final do ano de 1949, Marilyn fez seu ensaio nu com o fotógrafo Tom Kelley. Sim, aquele ensaio que foi a primeira capa daquela revista, mas eu volto nisso daqui a pouco.

Nos cinco anos seguintes, Marilyn se casou de novo. Seu segundo casamento foi com o jogador de baseball Joe DiMaggio, que aconteceu em 1954. Nesse ano teve uma das cenas mais marcantes da sua carreira: Marilyn em cima de uma grade de metrô, com um vestido branco, quando o ar atravessa a grade e levanta seu vestido. A gravação da cena, que está no filme “O Pecado Mora Ao Lado”, foi acompanhada por dezenas de pessoas, incluindo curiosos, fotógrafos profissionais e seu marido, Joe. Sim, voltaremos aqui também.

De 1955 até o ano de sua morte, 1962, Marilyn se divorcia de Joe e se casa com escritor Arthur Miller, escolhendo se distanciar da carreira por 18 meses para se concentrar no casamento. Marilyn engravidou duas vezes, mas em ambas sofreu aborto e, após 4 anos de casamento, outro divórcio. Seus anos finais foram turbulentos, onde podemos incluir um caso com John F. Kennedy, com a famosa interpretação de “Happy Birthday to You”, e, mais tarde, com seu irmão Robert F. Kennedy. Marilyn foi encontrada morta em seu quarto na madrugada do dia 5 de agosto de 1962. Suicídio.

Agora que eu já fiz aquela introdução marota e superficial sobre um dos maiores nomes de Hollywood, lhes apresento Norma Jeane.

Norma cresceu em lares adotivos, já que sua mãe, Gladys Monroe, não tinha condições de educá-la e, mais tarde, foi diagnosticada com esquizofrenia. Dentre tantos lares que passou, sofreu vários tipos de abuso, incluindo abuso sexual e, em uma ocasião específica, ela quase foi morta pela própria avó materna. Dentre tantas mudanças, Norma acabou sendo criada por uma amiga de sua mãe, Grace McKee, até que, quando tinha 16 anos, o marido de Grace precisou se mudar por causa do emprego, e disse que não levaria uma filha que não era dele, foi então que Norma e Grace tiveram a ideia dela se casar com seu vizinho, James Dougherty, para que não precisasse voltar à lista de adoção.

Aí a gente já sabe, não é? Fábrica de drones, fotógrafo, descoberta.

No final dos anos 40, Norma, já Marilyn, não tinha tanto dinheiro nem tanto trabalho quanto nós acreditamos que ela teria, então, depois de muita insistência de Tom Kelley, ela fez um ensaio nu. Mas tinha uma condição: ela queria uma mulher no quarto, e a mulher foi a esposa do fotógrafo. Marilyn ganhou 50 dólares pelo ensaio, dinheiro usado para consertar seu carro, para que ela pudesse se mover tanto para as aulas de teatro e canto quanto para assistir outras gravações.

Sabe aquela cena do vestido branco esvoaçante? Joe, seu marido na época, tinha acabado de chegar de uma viagem quando um informante lhe contou sobre a gravação da cena e como ela seria. Joe foi até o lugar, esperou acabar as gravações, levou Marilyn para casa e lhe deu uma surra. No dia seguinte, Marilyn juntou alguns papéis, acionou o advogado e entrou com o pedido de divórcio.

Marilyn foi a principal responsável por nomes como Ella Fitzgerald terem conseguido seu lugar na mídia, pois Marilyn deixava claro que iria ao lugar apenas se Ella pudesse se apresentar. Marilyn, apesar do dinheiro que fazia girar, foi uma das atrizes mais mal pagas da indústria do cinema, chegando a ser 1/10 do salário de uma atriz da mesma importância.

Ela não teve filhos, mesmo querendo muito ser mãe, apesar de existir uma especulação sobre sua pausa repentina assim que seu primeiro contrato terminou. Foi considerada uma mulher difícil, além de colocarem em destaque todos os seus casos, incluindo seu caso com os irmãos Kennedy. Teve duas tentativas de suicídio, que terminaram com ela chorando em uma cama de hospital dizendo que seu maior medo era morrer sozinha.

No dia anterior a sua morte, ela marcou uma entrevista coletiva, onde prometeu que contaria todos os podres do governo, devido a sua proximidade com um dos políticos mais poderosos do Estados Unidos, mas as 3h da manhã foi encontrada morta pela empregada, que estava lavando roupa. No quarto de Marilyn estava um frasco de barbitúrico vazio em cima da escrivaninha e havia uma janela quebrada, enquanto ela estava jogada na cama com o telefone na mão. Claramente eu não estou criando teorias, mas eu não conheço ninguém que lava roupa as 3h da manhã.

A pesquisadora americana Lois Banner diz que o feminismo poderia ter salvado Marilyn, algo que não podemos bater o martelo para nenhum dos lados mas não tem como negar que eu faria um cafuné dizendo “Larga esse boy lixo” e, de quebra, ajudaria a consertar o carro.

Megan Garcia

Megan Garcia

Megan Garcia, 25. Palmeirense, rockeira-sambista e guitarrista por paixão. Fã incondicional da minha avó (te amo!), curtidora de animações, roedores, jogos de zumbis e cheiro de pipoca. Frito ovo na manteiga e ouço Britney (sim, a Spears) enquanto faço faxina.
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