O que chamou nossa atenção em 2017: 4 séries, 1 filme e 1 bônus

2017 foi um ano marcante para o entretenimento, especialmente no que diz respeito às mulheres. Por um lado, inúmeras denúncias de casos de assédio, violência sexual e machismo escancararam a face mais feia dessa indústria, ao mesmo tempo em que foram uma vitória da voz feminina, que começa a se fazer ouvir. Por outro, o protagonismo das mulheres teve destaque na mídia, com feitos históricos e grandes sucessos de público, crítica e premiações.

Alguns acontecimentos importantes e recordes (como Lady Bird, de Greta Gerwig, se tornando o filme mais bem avaliado da história do Rotten Tomatoes) estão na ótima retrospectiva do Mulher no Cinema. Inclusive, além do próprio site, fica a recomendação do post deles Os 10 melhores filmes de/sobre mulheres de 2017.

Para o último post do ano da coluna Culturarte, optamos por uma visão pessoal, e escolhemos algumas das produções que mais chamaram a nossa atenção ao longo dele. As indicações vêm com os nomes das autoras do blog que as fizeram. A última e o bônus são as minhas. Confira:

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Não peça por paz. Transforme-se

Desde pequena eu usei o fim de ano para fazer promessas e pedir coisas. Geralmente, eu fundia as duas coisas e tentava tirar o máximo da minha responsabilidade sobre esses atos, já que, né, quem dá presente é o Papai Noel. Eu só recebo. E olhe lá, já que eu nunca levei a sério essa coisa de ser uma boa menina.

Conforme o tempo passa e amadurecer deixa de ser opcional, você começa a sentir o peso dos pedidos, pelo menos eu comecei a sentir. Parei de pedir amigos e relacionamentos novos, porque amigos não são plantas que você vai lá as vezes e coloca um pouco de água; parei de pedir para perder peso, já que me amar é mais importante do que o número da minha roupa e, principalmente, parei de pedir paz.

Sim, eu sei que eu sou responsável apenas por aquilo que me rodeia, e olhe lá, mas se eu não puder transformar esse espaço em um espaço pacífico, como eu posso pedir consciência por outras pessoas que ainda fogem das responsabilidades, independentemente de quais sejam?

A ideia, deixaremos claro, não é entrar em crenças, mas entrar em um ponto que toda a humanidade tem em comum: o ato de mudar.

Nós, como seres pensantes, agimos da mesma forma todos os finais de ano, pedindo coisas que poderíamos conseguir – se isso depender só de nós – e tirando a nossa responsabilidade sobre atos que envolvem mais do que um cara rico nos dar um emprego. É fácil acendermos uma vela pedindo por um ano melhor, sendo que na nossa primeira oportunidade de transformar o nosso ambiente em um ambiente mais amigável e pacífico, nós distribuímos pedras e paus à todos os navegantes.

Paz não deveria ser um pedido, mas um exercício de consciência diário.

É super fácil jogarmos a responsabilidade de uma humanidade sedenta de sangue em um ser acima de nós. É cômodo, prático, simples. É super fácil fazermos pedidos de paz pra o Bom Velhinho enquanto fazemos da vida dos outros um inferno particular.

Que nesse finzinho de ano nós possamos colocar as duas mãos na consciência – as duas porque as coisas andam complicadas – e que estejamos aptos a arrumar os nossos erros e excessos, para que o ano que está chegando não venha com preconceitos sobre os humanos pidões. Todos nós queremos um ano bom, mas ninguém se preocupa em ser bom para o ano que está vindo, muito menos com as coisas que estão vindo.

E ainda dá tempo. De mudar, melhorar, evoluir. A paz não vem dos outros, mas vem de nós.

Transforme-se.

Prazer, Norma Jeane

Símbolo sexual, suicídio, estereótipos, abuso, casos escandalosos. Tudo isso misturado a um caos mental que se pode ouvir em suas sessões gravadas e expostas no documentário “Marilyn no Divã”. A mídia, como sempre, impecável quando se trata de diminuir mulheres e desvalorizar seres humanos, a via como louca. Mas o quanto escolhemos não ver e o quanto crescemos com a ideia de que ela era, nada mais e nada menos, que uma loira burra em Hollywood?

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Mulheres Cabulosas da História

Mulheres Cabulosas da História retrata grandes figuras femininas do passado

A História como conhecemos foi escrita e protagonizada por homens brancos e poderosos. Ela menospreza e muitas vezes ignora por completo a participação feminina (e de membros de outras minorias) em eventos do passado, que na realidade é tão relevante quanto a masculina. Foi com isso em mente que as mulheres do Levante Popular da Juventude de Belo Horizonte idealizaram o projeto fotográfico Mulheres Cabulosas da História.

Surgido em fevereiro de 2016, o trabalho retrata mulheres importantes no processo histórico nacional e internacional, em releituras fotográficas feitas e posadas pelas próprias integrantes do Levante. Junto às fotografias, há ainda um texto informativo sobre quem foi a mulher retratada e também sobre a modelo que a encarna, “fazendo assim uma relação de que nós, inspiradas pelas trajetórias delas, damos continuidade à luta em prol de uma sociedade feminista e popular”, como explicam as integrantes do projeto.

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 É tão agressivo assim limpar sujeira? E a sensibilidade do resíduo, como fica?

Helena sabe o que quer, mas não vê como pesar esse custo. Ela vai atrás, mas quem a segue e distancia ainda mais? Se vê cercada de pontos finais, algumas reticências e se aborrece com a quebra da continuidade. Helena quer. O quê? Viver(se). Ser. Clarear a vista nublada da miopia emocional dessa avenida de cruzamentos, semáforos e ladeiras. Mas então há subidas e descidas? E o topo, quanto dura? O verde apagou… Tudo agora é vermelho. O sangue pula das gengivas de Helena quando escova os dentes. É tão agressivo assim limpar sujeira? E a sensibilidade do resíduo, como fica? Tem tártaro nesse molho. Bom… é forte mas doce. Como Helena. Um toque azedo também, aquele azedinho na medida que faz falta no meio de tanto açúcar refinado. Amarelo seria o equilíbrio? Helena não clareia a mente para todos nem para si, sequer consegue clarear seus dentes. Não há retorno para o que foi nem desejo para voltar-se. Ela só segue a avenida a pé, sentindo a leveza do seu corpo limpar tanto vermelho. Helena não busca o branco. Espera por uma nova paleta de cor.

Para as Marias

Eu vejo o feminismo gourmetizado, polido e bilíngue nas discussões em redes sociais, grupos, sites, blogs, política, mídias.
Eu vejo mulheres, em sua maioria, jovens, engajadas, sedentas, impacientes, com fome do agora e do já, cansadas das imposições de um patriarcado machista.
Eu vejo campanhas, hashtags, protestos, porque machistas não passarão.
Eu observo mulheres inteligentes, cultas, fortes, politizadas, exigentes.
Vejo também mulheres alheias. Que não acreditam na causa, na luta, desnecessária elas dizem, coisa de desocupada, coisa de puta.
Vejo mulheres que se atacam, se destroem, competem, se anulam, se matam, morrem, sofrem, desunião.
Mas, elas não me preocupam. Escolhas, elas tiveram.
Me preocupam mais as Marias.
Me chame de seletiva, sim, talvez seja.
Mas as Marias, essas eu tenho quase uma insônia ao lembrá-las.
As Marias, que são de outras gerações, não são bilíngues, nem politizadas, quiçá alfabetizadas.
As Marias, que nunca ouviram Elza Soares ou Pitty, nem Karol Konka, Mulamba ou Elis.
As Marias, que desconhecem o significado de vontade, de prazer, de não.
As Marias, que a única opção foi o sim, o casamento, o marido provedor, que jurou amar e cuidar, até o fim.
As Marias, que só aprenderam as receitas da vovó, a dizer sim Senhor, nunca questionar e servir sempre.
As Marias, que conheceram o amor/ dor, que são apontadas como culpadas pela infidelidade ou infelicidade. Aquelas que a salvação é a novela das 8, a globo, a bíblia, a missa de domingo, o terço na mão, a prece.
As Marias que não descansam, de pés inchados, que sobem e descem ladeiras, que as mãos estão calejadas do fogo, que o serviço não tem fim. E nem valor.
As Marias que não sabem quem é Simone de Beauvoir. Nem Frida. Nem o atual Girl Power.
E por essas Marias, eu luto, pacificamente.
As vezes só emprestando meus ouvidos ao teu choro, ou meu carinho ao teu rosto marcado.
Por essas Marias eu falo português mal falado, mal conjugado, simplista.
Por elas permaneço, resisto, persisto, canto, protesto, sacrifício.
Por elas tenho fé, esperança. Esperança que as Marias das periferias, ladeiras, cortiços, roças, sertões, tenham força, voz, e uma nova história, uma chance, escolha.
Às Marias eu desejo amor genuíno, paz, e que cesse sua dor.

Tomo a liberdade de usar meu espaço nesta coluna, onde explicamos e falamos sobre o feminismo para lembrar das milhares de mulheres humildes, às vezes sem instrução e sem acesso à informação, sem a liberdade e oportunidade que muitas de nós temos. Lembrarmos que antes de julgar uma mulher é preciso calçar seus chinelos, andar por seus caminhos, vestir a sua pele.
É maravilhoso que podemos ter entendimento sobre a causa, termos, livros, pautas. Mas há mulheres presas em uma realidade aquém à nossa.
O feminismo é coletivo, uníssono, e para todas. Até para as que não o querem.
Segregação não é o caminho para a libertação das mulheres.
Seremos mais fortes quando descobrirmos que juntas podemos muito mais.

Liberdade de escrita

Tudo pode ser descrito

Escrito

Até mesmo o silêncio

         O vácuo também transpassa entre meus dedos

Atravessa o azul

Alcançando o branco

E assim nada mais é silêncio

De repente o mundo transborda sobre mim

          E tudo é música

Vento, desejo, fome, insegurança

Revista, trabalho, viagem

Ovos, animais, imagens

Sexo, raiva, fantasia

Cores, futuro, revolta

Tudo pode ser escrito

 

 

   Essa é a beleza das palavras, elas revelam tudo, me mostram tudo, amo a liberdade de escrita. Não importa quão bloqueada eu me sinta, todos os meus pensamentos podem dançar por entre meus dedos.

 

   Comecei no ensino médio, quando aproveitava pequenos intervalos para escrever o que eu sentia naquele momento. Meus escritos deveriam ficar escondidos naquela época.

 

   Trancado à 10.000.000 de chaves, mas hoje não! Tudo o que sinto eu preciso deixar bem à vista, aberto, escancarar ao mundo o que sou e penso sem temer as críticas e os risos.

 

   Hoje foi assim, um breve lampejo que pode parecer insignificante para você, mas para a Alessandra foi libertador. Então eu escrevi, me faz bem, então por quê não?

   De agora em diante, vou escrever e mostrar tudo o que vier de mim.

 

 

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Eu sou meu próprio mar

Não preciso de um marinheiro para me navegar. Quero que ele fique se for para acompanhar meu movimento.  O controle não faz parte da minha travessia, mesmo o mar entende que as ondas do meu cabelo formam seu próprio caminho. Elas se tornam. O marinheiro tentou tomar posse dessas ondas. Ele quis prendê-las num coque, deixá-las menos selvagens e mais retas. Desde quando onda forma linha?  Marinheiro que é marinheiro respeita e compreende o mar, se deixa levar.  Entende essa mansidão que logo se transforma em tempestade, que vem chegando sereno, logo expande e te abraça para o fundo. Como estar com um homem que não aprecia as ondas? Não há fórmula para domar o oceano. Ele é seu próprio domínio, sua casa, sua morada, ele também só deixa entrar quem se entrega e mergulha profundo, não importa o tamanho. Só se apaixona pelo mar quem ama sua intensidade e imprecisão. Sei da minha impulsividade e fraqueza. Sei também da minha força, minha feminilidade. Só quero que o marinheiro entenda: sou eu quem escolho minha forma. São as minhas ondas que me levam.

Elas por Elas chegou!

É bom estar de volta. Estamos com cara e espírito renovados. Durante o período de hiato, aproveitamos para resolver questões pessoais e dar um fôlego antes de retornarmos à rotina. E também trabalhamos em mudanças e aprimoramentos para tornar o projeto algo não apenas mais agradável para a gente, mas principalmente mais bacana para vocês.

Entre as novidades, estamos de roupa nova! O template que usamos agora é mais completo (o antigo, por exemplo, não tinha nem barra de busca!) e com elementos que conversam melhor com nossa proposta. A navegação é mais fácil e dinâmica, e a aparência tem mais elementos do que queríamos para o nosso cantinho.

Também estamos nos organizando para trazer um conteúdo cada vez melhor e mais diversificado pro nosso público. Por isso, vamos mergulhar de cabeça em novos e maiores projetos e formatos. Vamos nos aventurar cada vez mais em vídeo e postagens mais elaboradas, posts colaborativos, reportagens, mas sem deixar nossas raízes de lado: a literatura. Inclusive, em breve devemos ter mais uma novidade com relação a isso, mas por enquanto fica o suspense!

Além disso tudo, esperamos poder ir além desse espaço de uma URL. Vamos produzir mais conteúdo para as redes sociais, tentando não apenas aumentar o nosso alcance em números, mas principalmente em engajamento na nossa causa. Que mais e mais mulheres possam ser lidas, ouvidas e respeitadas. E, quem sabe, não possamos logo derrubar mais uma barreira, e tirar o Elas por Elas do mundo virtual?

Agrademos a paciência de todos vocês e podemos dizer de peito aperto, em alto e bom som: o Elas por Elas está de volta.