por que eu ainda me lembro de você

Por que eu ainda me lembro de você?

As quintas-feiras ficaram marcadas na minha vida assim que eu comecei a usar a minha insônia para ver séries durante a madrugada, mas algumas coisas mudam. Sempre mudam. Eu me lembro de uma ligação, na quinta à noite, com a ideia de parabenizar alguém, no caso eu, por ter sobrevivido ao último ano. Eu detesto ligações (colocarei isso na minha mini biografia ali em baixo). Detesto atendê-las, detesto falar no telefone, detesto ver o celular tocando e só quero que acabe logo para eu poder voltar ao meu mundo “digitativo”, mas foi algo que me trouxe sorrisos e uma conversa longa, de quase uma hora.

Me considerando alguém adaptável, posso afirmar que sobreviver à experiência de conversar com alguém por quase uma hora, no celular se transformou em algo de orgulho. Mas eu queria mais. Infelizmente, eu queria mais. Mais risadas, mais conversas, mais coisas, mais quintas, mais comidas. Sempre achei lindo o excesso quando se trata de algo somativo, mas quando temos a certeza de que algo realmente veio para somar? Será que foi com você que eu aprendi que conexão é só a ponta de um iceberg?

Eu queria te contar sobre os meus dias, sobre as minhas dúvidas, sobre as vontades que mudaram durante o tempo e sobre as coisas que eu cogito fazer hoje, que eu jamais cogitaria um tempo atrás, mas eu não mereço alguém que defenda a conexão sem demonstrar reciprocidade e respeito ao próximo.

Sinto muito, mas eu não mereço.

O tempo me deu muitos tapas na cara mostrando que nada vale mais do que pessoas; que uma tarde com amigos vale mais do que uma semana vivendo a base de fluoxetina ou serenata; que o melhor barbitúrico que alguém pode querer é ter uma mente quieta com um coração que transborda respeito e carinho pelo próximo. E, por mais irônico que isso pareça, foi você quem me ensinou isso. Nas quintas à noite, nos domingos de manhã, nos e-mails de sexta e nas histórias de terça.

Por mais irônico que isso realmente seja, eu aprendi isso quando você foi embora e, nesse momento, me veio uma música dos anos 2000, que diz: “Te perdendo eu cresci tanto que eu não sei/ Se eu quero mais ter encontrar”.

Talvez a reciprocidade seja mais importante do que a conexão em si.

Não.

Conexão me perdoa, mas quero algo mais palpável, mais real, mais possível.

A reciprocidade é mais importante do que a conexão em si.

Megan Garcia

Megan Garcia

Megan Garcia, 25. Palmeirense, rockeira-sambista e guitarrista por paixão. Fã incondicional da minha avó (te amo!), curtidora de animações, roedores, jogos de zumbis e cheiro de pipoca. Frito ovo na manteiga e ouço Britney (sim, a Spears) enquanto faço faxina.
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