uma mulher nada de bem

Uma mulher – nada – de bem

Short curto e cabelos na cintura

Via de baixo para cima pela falta de altura

Inocência minha pela falta de idade

Mas metralhavam a moça por estar à vontade

Apelido não positivo é o que mais chovia

E, vira e mexe, na rua eu a via

As mulheres daqui a olhavam com desdém

As mesmas que se auto chamavam “mulheres de bem”

 

O tempo então, como sempre, voava

E sempre que a mesma moça passava, eu olhava

Percebi que xingava a moça sem nem perceber

Até que um dia pensei “O que ela fez para você?”

Me choquei com a resposta, pois não havia nenhuma

Se ela quiser, use salto, vestido ou pluma

Dali senti a liberdade saindo de dentro

Quando aprendi a ver a moça sem julgamento

 

Enxerguei a rivalidade que me foi imposta

Nos jogam contra todas com um tapa nas costas

Passei a vê-la com inveja branca

Abri a cabeça e quebrei a tranca

Soltei o cabelo, abusei do decote

Não somos cabritas, não existe “o bode”

Permiti me tornar um ser humano só meu

Hoje a cabeluda de short sou eu

Megan Garcia

Megan Garcia

Megan Garcia, 25. Palmeirense, rockeira-sambista e guitarrista por paixão. Fã incondicional da minha avó (te amo!), curtidora de animações, roedores, jogos de zumbis e cheiro de pipoca. Frito ovo na manteiga e ouço Britney (sim, a Spears) enquanto faço faxina.
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