Precisamos falar sobre Kelvin

Precisamos falar sobre Kelvin

A gente tem uma temperatura de pele incontrolada. Não podemos habitar o mesmo espaço, sem evitar abraços e afagos. Você me pergunta se isso é saudável para nós. Eu também não sei. Quero o que tivemos, quero a leveza e a sinceridade da paixão descomprometida. Era bom. Foi. Você me olha com olhar de apaixonado, mas eu sei que sou apaixonante e você também se apaixona fácil. Percebo o mesmo sobre você. “O melhor”, elas disseram. Não discordo. É difícil escrever sobre algo inacabado, diante desse meio com linhas desfiadas. Você não consegue me dizer o que quer. Não quero controlar o roteiro, só vivê-lo. Mas falta gás, falta cor. Volume. Quero ondas. Brisa do mar com aroma de melancia. Sim, melancia. Eu estou seca do seu silêncio, preciso dessa fruta fluída para hidratar o corpo. Quero água corrente misturada com chama flamejante, quero juntar as temperaturas de pele e chegar a uma escala bonita para nós dois, que dá para ir e voltar com fogo ardente. Não seja ausente. Detesto esse seu jeito incapaz de lidar com sentimentos. Você que tanto escreve e sente, por que se cala? Eu preciso achar novas temperaturas como a sua, mas sem tantas oscilações que só me ferem. Nosso Kelvin deveria permanecer em zero absoluto.

Ana

Ana

Ana Luiza Calmon, 26 anos, é jornalista e produtora audiovisual. Apaixonada pelas histórias dos outros, pela dança e toda a poesia que toma forma no corpo. Capixaba de Vila Velha, precisa ver o mar todos os dias, andar de bike ou apenas andar. Encontra na escrita uma forma de sentir o mundo.
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