Chega de Correr

Fim da linha

O que fazer quando um sentimento não vai embora?
Como agir quando não se consegue fugir?
A quem pedir socorro, quando o socorro falha?
Onde se esconder, quando todos os esconderijos se esgotaram?

A todas as perguntas, a mesma resposta
Simplesmente porque não há solução
Não há nada o que fazer
Não há maneira melhor de fugir
Ninguém mais pode dar o socorro
Não há lugar onde se esconder

A única saída é se deixar ficar onde está
É firmar os pés no chão e enfrentar o que vem pela frente
Aprender a lidar
Você, sozinho, tem que aprender a ser forte
Porque mais ninguém pode sê-lo por você

 

Nota sobre o poema: Até alguns anos atrás, eu tinha um padrão recorrente em alguns sonhos meus. Neles eu estava sempre correndo de alguma coisa, que geralmente mudava (um assassino, uma criatura, um espírito). Eu corria sem parar, desesperadamente, sempre esperando chegar a algum lugar onde eu estaria enfim segura. A coisa nunca me alcançava, mas o local seguro também nunca chegava. E o pesadelo só acabava quando eu acordava: era o fim da linha. Os sonhos pararam, por algum motivo. Não sei se também parei de fugir dos meus medos da minha vida real. Acho que ainda preciso aprender a ser forte.

Achei o poema acima por acaso, enquanto procurava outro completamente diferente no meu computador. Não me lembrava dele, e também não sei se o escrevi inspirada nos pesadelos. Só achei extremamente pertinente a eles, por isso escolhi escrever esta pequena nota sobre o assunto. Talvez você ache que a minha decisão de escrever um relato em texto corrido tenha tornado este post menos artístico ou literário. Mas para mim essas pequenas curiosidades e coincidências da vida são um poema por conta própria, por isso a história ficará aqui.

atemporal

Atemporal

Tic tac, tic tac

Para mim funciona diferente.

Diferente de você,

Dela,

Dos outros,

Diferente de mim.

Por vezes passei por ele com indiferença,

Mas hoje corro atrás, só quero andar lado a lado.

 

Há quem não goste de ver o tempo passar.

As despedidas, muitas mudanças, velhice, vem a morte.

Então voltemos,

Voltemos tudo o que for possível

E ficaremos lá.

Escolha o melhor momento

Pressione o botão e fique por lá.

Atrás.

Vegete!

 

Você quer continuar,

Ou melhor, atropelar, sobrepor a ordem certa.

Nada está certo!?

Por que esperar? Não precisa.

Apenas se erga até o fim de tudo.

É necessário acelerar os dias

Para que o melhor surja,

Esse é o seu momento.

Perder tudo.

 

O meio é mais adequado a mim.

Lembra-se? Lado a lado.

Sentir cada brisa gélida,

Ouvir todas as notas,

Talvez conhecer ontem, amar hoje, terminar amanhã.

Hoje!!

Esse é o único momento.