“Mulher do fim do mundo, eu sou e vou até o fim: cantar” – Sejamos todas Elza Soares

“Não se faz mais músicas como antigamente” é uma frase clichê das pessoas com mais de 25 anos e, talvez, elas tenham razão. Porque, realmente, não existe nada nesse mundo que possa ser comparado com os tapas dados por Elza Soares no seu último CD, “A mulher do fim do mundo”, de 2015. Talvez um pouco exagerado esse título, não? Ok, não, não é nada exagerado.

Elza nasceu em 23 de junho de 1930 e, por ordem do pai, parou de estudar e se casou aos 13 anos, tendo seu primeiro filho com 14. Com o filho recém-nascido e doente, ela une sua vontade de cantar com a necessidade financeira e participa de um programa na Rádio Tupi. Por ser uma criança simples, foi vítima de chacota até mesmo do apresentador Ary Barroso, sendo perguntada de qual país ela veio. Não, ela não se abalou e levou o prêmio para casa. Seu filho, infelizmente, não sobreviveu.

Perdeu seu segundo filho com 15 anos, e, quando tinha 21, ficou viúva, com 5 filhos para criar. Dentre mais coisas negativas, incluindo o sequestro de uma de suas crianças, ela teve um relacionamento com o jogador Garrincha que durou de 1968 até 1982. Em 1969, em um acidente de carro, ela perdeu a mãe. Garrincha, bêbado, dirigia quando foi fechado por um caminhão. Estava o casal, sua mãe e uma de suas filhas. Como ele sempre teve um problema grave com bebidas, Elza era vista como a bruxa da história por tentar impedir seu marido de beber cada vez mais. Eles tiveram apenas um filho.

Por mais que já pareça muito, as tragédias não pararam por aí. Garrincha morreu de cirrose em 1983 e o filho do casal morreu em outro acidente de carro em 1986, com 9 anos. Nessa época, sua carreira musical estava alavancada e, após uma tentativa de suicídio, ela resolve fazer uma turnê pela Europa e pelos EUA.

Ela cresceu musicalmente, persistiu e se tornou alguém em que todas nós deveríamos nos inspirar. As perdas são mais do que significativas, claro, mas ela foi considerada a cantora no milênio em 1999, fora fatos incríveis como ir ao Chile em 1962 representando o Brasil na Copa do Mundo, ter conhecido Louis Armstrong e ter conseguido encontrar a filha sequestrada.

Talvez ela seja mesmo uma mulher do fim do mundo.

E que todas nós possamos ter um pouco de Elza dentro de nós.

Só… Sintam!

Megan Garcia

Megan Garcia

Megan Garcia, 25. Palmeirense, rockeira-sambista e guitarrista por paixão. Fã incondicional da minha avó (te amo!), curtidora de animações, roedores, jogos de zumbis e cheiro de pipoca. Frito ovo na manteiga e ouço Britney (sim, a Spears) enquanto faço faxina.
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