Algumas concepções sobre a tristeza

 

      É preocupante ver como algumas pessoas se referem à tristeza como se esta fosse um demônio e não um sentimento legítimo e inerente a todos os seres humanos.

      Questiono em que ponto da história ela ganhou esse título, e percebo que no momento atual também é de se espantar com o que algumas pessoas fazem para serem “felizes”. A impressão que se tem é de que estas pessoas vivem apenas uma expectativa de futuro, um futuro onde todos os seus mais doces desejos seriam saciados, um futuro completamente feliz e em contrapartida, a vivência do presente segue sendo prejudicada.

      Honestamente, já tentou imaginar como seria o mundo se todas as pessoas fossem completamente felizes? acredito que o mundo seria um caos. Há quem viva seus dias tentando burlar cada sinal de tristeza que aparece, e isso é adoecedor.

      Eu penso que a tristeza é como se fosse a pitada de sal que equilibra o sabor do doce- é extremamente importante.

      Às vezes, quando escuto a palavra “felicidade” me vem instantaneamente à cabeça a palavra “venda”, que por sua vez me lembra a palavra “produto”. A ideia que fica é a de que “felicidade” é um produto que se vende no mercado, é algo que se vende e muita gente compra, mas ninguém tem- o que as pessoas compram na verdade é uma ideia de mercado.

      Acredito que o grande desafio é viver os dias como se é possível viver e não fazer da vivência dos dias uma busca insana pela felicidade. É se permitir ser capturado por um momento puro de alegria que pode surgir a qualquer hora pelos mais diversos motivos, é viver cada momento com suas dores e alegrias.

      A tristeza tem sua importância em nossas vidas, não me refiro aqui à depressão e seus desdobramentos, mas a tristeza nossa de cada dia. O grande desafio referente à tristeza é tentar produzir algo com essa experiência é usá-la a nosso favor ao invés de extirpar toda possibilidade de sentir.

      Por fim, se para ser feliz eu tiver que adoecer e prejudicar o tempo presente que é onde as coisas acontecem, eu desisto, e concordo plenamente com o que disse certa vez o psicanalista Contardo Calligares: “Não quero ser feliz, quero é ter uma vida interessante”.

 

Suzan

Suzan

Suzan Magalhães, 28 anos, feminista. Habitante da terra de gente trabalhadeira que sabe da nó em pingo d'água e fazer das tripas coração. Nordeste-Salvador-Bahia. Psicóloga, equilibrista desde que me entendo por gente, viciada em livros e café e fugitiva da "normalidade".
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