Não dói em você, mas dói em mim. O que lhe falta é empatia

O tempo, como sempre, confuso. Frio e calor se tornam algo relativo e o uso de meias vira algo opcional. Minha paixão por moletons me faz mantê-lo até a sensação de sol do deserto invadir minhas canelas, que seria pouco depois do meio dia e não, eu não me importo. Primeiramente por ser domingo e segundamente porque…Bom, eu não me importo.

– Nossa, mas é mais de meio dia e você de moletom! – Sabe aquele tom? Então. Naquele tom.

– Eu gosto. – Naquele tom de “fazer o quê?”, junto com um sorriso que escondia palavrões de todos os tamanhos.

– Mas isso é roupa de dormir!

Sorrio com um “haha” sonoro, mas, mentalmente…

Segue o baile.

Tiro o moletom, coloco meias e pego um cobertor para me fundir com o sofá. E vem o mesmo elemento, de novo.

– De que adianta ter o cabelo comprido se ele só fica preso?

– Ué. – Qual a lógica dessa pergunta, gente?! – Eu gosto dele comprido.

– Mas grande assim tem que ficar solto.

Tem que…”

Sabe o “haha”? Então.

Nesse momento, me senti em uma propaganda da Polishop, naquela parte do “E NÃO É SÓ ISSO! E TEM MAIS ISSO” porque quando a oportunidade de humilhar outra pessoa bate na porta, tem gente que não a deixa escapar.

– Se for para fazer isso tudo e não deixar ele solto, nem adianta fazer. – E as “observações” continuam.

Porque essa cor não é bonita, porque ele está feio, porque ele está marcado, porque ele é volumoso…

O primeiro impulso é sempre aquele palavrão básico que termina com U, mas eu sempre sou aquela pessoa madura, que tem empatia, que pensa que algumas coisas não foram ensinadas, então eu vou ensinar na maior boa vontade do mundo, começando com o básico: se alguém se incomoda com suas observações, não é engraçado. Você é/se tornou uma pessoa babaca mesmo.

Não sei o que passa na cabeça dos observadores de plantão (ou “fofoqueiros”), mas, independente do que eu faço, eu faço por mim, não pelos outros. Eu faço pelo meu bem estar, e isso inclui a cor do meu cabelo, o tamanho dele, minha coleção de piranhas, de CD’s de jazz, de isqueiros. Por mais que eu fale por mim, eu também falo por outros nesse aspecto porque o foco da nossa vida somos nós mesmos, e nada vai mudar isso. Eu não sei em que parte no aprendizado da comunicação as pessoas são ensinadas a disfarçar falta de noção comentando “observações”, mas meu incômodo era evidente, e a falta de noção do elemento também. E aqui entra aquela palavra linda que as pessoas não dão SEQUER o trabalho de conhecer: empatia.

Pergunta clichê (“Você ia gostar se fizessem isso com você?”) com resposta clichê (“Não”) não parece que funciona mais. O incômodo, que antes era algo pessoal e praticamente intransferível, virou coisa de fresco e eu alguém cheia de mimimi.

Irônico porque, para mim, se meter em uma vida que não seja a sua, é, no mínimo, falta de [muita] educação.

O dia seguiu. Prendi o cabelo (porque eu quis), soltei o cabelo (porque eu quis), voltei meu pijama cinza (porque eu quis). Eu achava que a maioria das pessoas tivesse a decência de pedir desculpas, caso percebessem que alguém havia se incomodado com algo que disseram, mas eu errei. Ontem eu aprendi que só cresce quem quer mesmo e que esse negócio de empatia funciona para quem abre a cabeça e se permite ser ouvinte, mas as pessoas preferem falar. A esmo, sem foco, sem sentido. Humilham porque parece que a ideia de silenciar alguém e se sentir superior é tentadora.

Mal sabem elas, mas aprendemos tanto quando fechamos a boca que, quando eu fechei a minha, eu aprendi muito mais, ao contrário dessa história de rebater coisas que não nos agradam.

No fim era eu com meu cabelo de cor horrível, marcado e preso na cama com o meu gato mordendo meu pescoço. Não tive tempo de pensar em coisas vingativas, de fato, porque eu estava curtindo minha calça cinza enquanto prendia meu cabelo para dormir melhor.

Talvez não ter soltado aquele palavrão que termina com U tenha sido a melhor escolha do dia.

Ok, a segunda melhor.

Megan Garcia

Megan Garcia

Megan Garcia, 25. Palmeirense, rockeira-sambista e guitarrista por paixão. Fã incondicional da minha avó (te amo!), curtidora de animações, roedores, jogos de zumbis e cheiro de pipoca. Frito ovo na manteiga e ouço Britney (sim, a Spears) enquanto faço faxina.
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