5 Produções que subvertem a rivalidade feminina

Há duas semanas, eu postei um texto sobre a falta de filmes, séries e etc sobre amizade feminina e o excesso de produções sobre rivalidade entre mulheres. Prometi que traria semana passada uma lista de obras que subvertem esse conceito machista, mas alguns contratempos me fizeram atrasar um pouco. Eu tardo, mas não falho, e aqui está ela!

Como recorte, trouxe produções que ou poderiam optar por seguir o caminho da rivalidade, mas não o fazem, ou que propositalmente trazem uma rivalidade e a abandonam (transformando-a em amizade, ou não). Apesar disso, sabemos que elas não são perfeitas e podem apresentar falhas (por exemplo, quanto à diversidade). Outro recorte: optei apenas por séries ou filmes dos quais nunca falei aqui no blog.

Apesar dos contras e da escassez de obras assim, é bom saber que ao menos temos opções. Vamos valorizar o que temos, e torcer para que haja cada mais espaço para essa subversão. Espero que gostem!

Meninas Malvadas

Meninas Malvadas

Sinopse: Cady Heron foi criada na África e educada em casa por seus pais biólogos. Sua família então se muda para os EUA, e ela precisa se inserir no Ensino Médio e se adaptar ao convívio social, já com 16 anos. Na nova escola, ela tem que lidar com as “panelinhas” e rivalidades estudantis, e ainda encarar as Plásticas, grupo de populares lideradas por Regina George.

Um clássico quando falamos desse assunto. A essência de Meninas Malvadas é exatamente a ideia de que mulheres não precisam ser rivais umas das outras. E o ato do final (não custa nada avisar: SPOILER), quando Cady quebra a coroa de rainha do baile e distribui para todas as meninas, é um símbolo e tanto disso.

Don't Trust The Bitch in Apartment 23

Don’t Trust The Bitch in Apartment 23

Sinopse: June é uma jovem do interior que se muda para Nova York em busca de um sonho. Certinha, com pouco trato social e (aparentemente) ingênua, ela vai morar com Chloe (a “Bitch” do título). Esta tenta aplicar em June o mesmo golpe que aplica às que vieram antes dela: infernizar sua vida ao ponto dela querer sair e deixar o dinheiro do adiantamento. Mas June se prova muito mais determinada que o esperado, não só vencendo Chloe em seu próprio jogo, mas também conquistando seu respeito e sua amizade.

Chloe e June são completos opostos. Logo no começo elas se encontram em uma situação de conflito, mas acabam se tornando amigas. Obviamente essa amizade não é perfeita (principalmente porque Chloe não se apega às pessoas). Mesmo assim, há um certo respeito por suas diferenças. Até há momentos em que uma tenta mudar a outra, mas isso serve apenas para elas aprenderem que essas divergências não precisam necessariamente atrapalhar a relação.

Legalmente Loira

Sinopse: Depois de ser dispensada pelo namorado, Warner, por ser superficial demais, Elle decide entrar no mesmo curso de Direito que ele, para provar sua inteligência. Vivian, nova namorada de seu ex, acaba se tornando sua rival também dentro do curso. Elle passa por vários obstáculos e enfrenta a descrença de muitos, mas acaba aprendendo que o curso pode ser mais que apenas uma forma de impressionar um homem.

Aqui temos a situação clássica da rivalidade feminina: a disputa por um homem. Mas esse filme, além de trazer a jornada de Elle enquanto descobre que não precisa impressionar homem nenhum (podendo ainda ser inteligente e gostar de coisas superficiais ao mesmo tempo), ainda desconstrói a rivalidade na raiz. (SPOILER) Quando Vivian descobre que Warner não era confiável, ela percebe também que não tinha motivos para perseguir Elle, e ainda aprende a respeitar sua personalidade.

Encantada

Encantada

Sinopse: A princesa Giselle é enfeitiçada para fora do reino de contos de fadas de Andalasia e vai parar em Manhattan, no mundo real. Lá ela conhece o advogado de divórcios Robert e sua filha Morgan. Enquanto Giselle descobre o novo mundo e enfrenta os perigos do seu próprio, ela e Robert começam a se envolver aos poucos.

Antes de conhecer Giselle, Robert era noivo de Nancy. A personagem poderia ser a figura típica da megera de comédias românticas. Aquela que geralmente aterroriza o/a(s) filho/a(s) do protagonista masculino, não aceita o término do relacionamento e ainda serve de contraponto para a “perfeição” da mocinha. Isso não acontece aqui. Nancy não chega a se tornar amiga de Giselle, mas elas nunca chegam a ser rivais. (SPOILER vai que, né) E ao término do relacionamento, quando Giselle obviamente acaba ficando com Robert, Nancy ainda tem um final feliz ao lado do príncipe Edward, pretendente anterior da princesa. Para esse filme ficar ainda melhor, só se a figura da bruxa malvada fosse trocada por um vilão.

Grande Menina, Pequena Mulher

Grande Menina, Pequena Mulher

Sinopse: Molly é uma jovem mimada que nunca precisou trabalhar, vivendo da fortuna deixada por seu falecido pai, um famoso astro do Rock. No entanto, ela é roubada por seu contador, sendo obrigada a arrumar um emprego. Molly acaba então como babá da pequena Ray, uma precoce menina de 8 anos.

A maturidade que falta a Molly, mesmo já passando da hora, mais que sobra a Ray. As duas vivem em pé de guerra em boa parte do filme por isso. Com o tempo, Molly vai aprendendo ao lado de Ray a ser mais madura, ao mesmo tempo em que conquista seu respeito e entende melhor seu comportamento. A amizade que as duas cultivam ainda é um exemplo de respeito acima da divergência etária.

Bônus:

É bônus, então posso trazer item repetido de outro post (já falei desse jogo aqui).

Life is Strange

Sinopse: Life is Strange conta a história de Max, uma estudante de fotografia que presencia o assassinato de uma jovem e ao impedi-lo, descobre ter o poder de voltar no tempo. Os primeiros momentos do jogo mostram um sonho de Max (que mais tarde se revela como um presságio) em que uma enorme tempestade ameaça Arcadia Bay, a cidade fictícia onde se passa a história, levando a garota a tentar salvá-la.

O jogo é definido pelas escolhas do jogador. Além da trama principal, várias subtramas e aspectos da história podem mudar de acordo com as ações da protagonista. (SPOILER) Entre elas, sua relação com os personagens, como Victoria Chase. Logo no começo do jogo ela é a jovem rica e popular, rival de Max. Entretanto, dependendo das suas escolhas ao longo da história (como apoiar ou zombar de Victoria em algum momento), essa rivalidade pode ser deixada de lado.

É uma forma interessante de observar como a rivalidade não é necessariamente algo inevitável na convivência feminina, e o quanto nossas próprias escolhas (na vida real) podem influenciar na sua manutenção ou subversão.

Gostaram da lista? Têm mais sugestões? Deixem nos comentários!

Tamires Arsênio
Me segue aí!

Tamires Arsênio

26 anos, mineira, jornalista por formação, escritora por amor e atualmente envolvida nuns 2930281 projetos (a maioria sobre protagonismo feminino). Feminista, bem bruxona mesmo. Corvinal até o tutano, mesmo que o Pottermore teime que não. Ainda esperando que o Doctor pare com a TARDIS à minha porta e me chame pra ser companion.
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Comentários

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One comment

  1. Rivalidade feminina na música pop: por quê? - Elas por Elas - Projeto Literário

    […] Rivalidade feminina definitivamente é meu tema da vez. Já falei sobre ele nos meus dois últimos posts nesta coluna, que você pode ler aqui e aqui. […]

    Responder

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