ceder

Ceder

Um bicho sem nenhum senso de nada abanando o rabo, balançando o rabo, babando, sacudindo. Eu-festa. Cheiro, dedo, olho, desaconselhável. Eu que sempre trava, peso, ombro doído. Eu que sempre chão agora tenho asas. Meu bem, eu preciso pousar em algum momento, mas estou acoplada ao mundo no céu. Estou fodendo. Não tomei nenhuma droga. Não bebi nenhuma gota. A garganta estava completamente seca. Um bicho com sede de boca e de barba. Um olho com sede de tudo que a vida pode pra sempre. Não consigo ser gente depois de ver de dentro o homem da minha vida.

Aline Dias

 

Assista ao vídeo poesia: Elas Declamam – Ceder

 

Autora Convidada

Aline Dias nasceu em Cachoeiro de Itapemirim, em 1988. Publicou “Vermelho” (2012), “Além das Pernas,” (2015) e organizou a coletânea “Sem a Loucura não Dá” (2017), com contos inspirados em músicas de Sergio Sampaio. Aprendeu a chorar este ano e acredita no amor. O texto “Ceder” integra as páginas de seu mais recente livro, “A única coisa que fere é manhã pós-amor” (2017). Assista a entrevista com a autora.

sociedade idolatra machistas

Dudu Camargo é a prova que nossa sociedade idolatra machistas

Antes de tudo, uma contextualização: no dia 18/06, foi ao ar uma edição do Programa Silvio Santos, com participação de Maisa e Dudu Camargo no Jogo das 3 Pistas. Na ocasião, o apresentador começou a fazer “brincadeiras”, dizendo que eles deveriam formar um casal, já que ambos estavam solteiros. Além de dizer que o rapaz não fazia seu tipo, a insistência de Silvio a levou a criticar o rapaz e chamá-lo de engessado. Durante o quadro, as brincadeiras e as provocações se seguiram, e ainda com o ingresso de Dudu em certo ponto.

sociedade idolatra machistas
Incentivado por Silvio, Dudu dançou em torno de Maisa para provocá-la (Imagem: reprodução/internet)

Alguns dias depois, Dudu Camargo foi ao programa da Sônia Abrão, que não apenas defendeu o comportamento do apresentador, como rechaçou as críticas de Maisa. Nessa ocasião, inclusive, Dudu disse que convidou a garota para dormir com ele. E a mesma que criticou a “grosseria” de Maisa, gargalhou com um claro episódio de assédio. Lembrando ainda que Maisa é menor de idade (tem recém completados 15 anos) e Dudu já é um adulto de 19.

Até selinho o rapaz recebeu de Sônia (Imagem: reprodução/internet)

A novela se seguiu. Durante a última gravação de seu programa, Silvio Santos convidou Maisa para participar do Jogo dos 3 Pontinhos. E achou uma boa ideia fazer uma “surpresa” para a garota, levando Dudu Camargo sem avisar a menina. Sem suportar mais humilhações, assédio e provocações, Maisa teria abandonado o palco do programa aos prantos.

E no meio de toda essa polêmica, ainda surgiu nas redes sociais um relato de Robert Oliveira, que se diz ex-namorado de Dudu Camargo. O rapaz denunciava no texto que eles tiveram um relacionamento permeado por abusos psicológicos, físicos e sexuais. A assessoria de Dudu insiste que o conteúdo da postagem é falsa e que “Dudu é hétero”, bem como pretende processar Robert, ainda que haja na web fotos dos dois juntos e um vídeo em que eles dão um selinho.

Robert Oliveira e Dudu Camargo (Imagem: reprodução/internet)

Continuando sobre a repercussão que Dudu recebeu com tudo isso. O rapaz participou, no último domingo (25/06), do programa Pânico na Band. Quem está familiarizado com seu conteúdo já consegue imaginar o tipo de cena que ele protagonizou. Não faço a menor questão de incluir esse tipo de imagem aqui, então quem tiver interesse pode ver neste link (Fonte: Diva Depressão). Já na segunda-feira seguinte (26), participou do talk show The Noite, apresentado por Danilo Gentili.

Para entender o que tudo isso significa, é muito importante fazer um exercício de distanciamento. Primeiro: nas redes sociais, Maisa recebeu um amplo apoio na forma como tratou Silvio Santos e Dudu Camargo. Se nos limitarmos a considerar esse espaço de amostra da reação do público, podemos ter uma interpretação favorável à garota. Mas mesmo esse apoio, no entanto, não foi unânime: assim como Sonia Abrão, muitos a consideraram grossa e/ou exagerada. Mesmo no ambiente em que recebeu o maior suporte, Maisa ainda encontrou opositores.

Segundo: numa primeira vista, a repercussão oferecida a Dudu aparenta vir apenas de seus semelhantes. Os programas onde ele teve palco são conhecidos pelo seu machismo escrachado (no caso do Pânico e The Noite), sua toxicidade e o desprezo pela dignidade humana. Mas mesmo nesses ambientes, é importante refletir sobre o que significa toda essa visibilidade que ele vem recebendo. E o que a audiência desses programas diz não apenas sobre a TV brasileira, como sobre o seu público.

A emissora de Silvio Santos constantemente comemora seu espaço garantido nas televisões brasileiras (muitas vezes apoiado por polêmicas)

Silvio Santos continuou se aproveitando da situação que beneficiava Dudu Camargo, contra o bem estar de Maisa. Importante abrir um parêntese para algo importante: a atitude do apresentador já no primeiro programa era errada de inúmeras formas. Insinuações e “brincadeiras” sobre relacionamentos podem ser meramente inconvenientes, mas a forma como ele as fez (como se o temperamento da garota fosse justificado por “sua falta de namorado”) já era machista por si só. E fazer esse tipo de brincadeira com uma menina de apenas 15 anos, dizendo inclusive que já estava na hora dela casar e pensar em ter filhos (!!!), é absurdo.

Retomando, sabemos que Silvio Santos gosta de alimentar sua audiência com boas doses de polêmica (não é de se espantar que o The Noite seja de sua emissora). De certo modo já era de se esperar algum tipo de atitude como a tomada em sua última gravação. Ele é, afinal, não apenas um dos que têm todo o caráter para dar palco para um indivíduo como Dudu Camargo, como aquele que o deu desde o início. O pseudo-jornalista (já que não é nem formado, nem competente) apresenta o telejornal sensacionalista Primeiro Impacto, bem adequado para o seu perfil caricato. Telejornal esse, do SBT.

Imagem: reprodução/internet

SBT esse, de Silvio Santos. O mesmo Silvio Santos que submeteu Maisa a tamanho assédio e humilhação. O mesmo Silvio Santos que levou Dudu Camargo mais uma vez a seu programa para aumentar a humilhação da menina. Que permite programas como o The Noite. E dono da emissora com a segunda maior audiência do Brasil. Do programa vice de audiência em seu horário – inclusive no domingo 18/06.

Não só é importante ver todos os envolvidos diretos nessa situação, como os indiretos. Essa audiência toda não é coisa de nicho. Nichos não sustentam por muito tempo – muito menos com tanto alcance – toda essa repercussão positiva. O problema é geral, e denuncia algo grave sobre nossa sociedade: ela não é apenas machista, como aplaude o machismo.

PS: E ainda é curioso que a idade justifique tanto as besteiras que Dudu (jovem demais) e Silvio Santos (velho demais) fazem. Mas não protege Maisa em instante algum. Nem do que passou, nem das críticas por sua suposta “grosseria”.

O Jardim de ossos

O Jardim de Ossos, Tess Gerritsen

Sinopse

Ossos desconhecidos, segredos não revelados e crimes não resolvidos lançam sombras ameaçadoras sobre o presente.

A recém-divorciada Julia Hamill acaba de se mudar para a casa de seus sonhos, uma mansão em um enorme terreno. Tudo parece perfeito, até que, durante a reforma do jardim, Julian desenterra um crânio humano com indícios de homicídio. E o mais intrigante: a cova data do século XIX.

O ano é 1830. O jovem estudante de medicina Norris Marshall é o principal suspeito das atrocidades cometidas pelo Estripador de West End. Na companhia do amigo Oliver e da imigrante irlandesa Rose, Norris parte em busca do homem mais perigoso de Boston, a fim de provar a própria inocência, visitando desde lúgubres cemitérios e salas de necropsia até elegantes mansões.
Separadas por quase dois séculos, as duas histórias se desenvolvem de forma precisa e instigante, conduzindo o leitor a um final tão chocante quanto engenhosamente concebido.

Título: O jardim de ossos
Autor (a): Tess Gerritsen
Editora: Record
Páginas: 447
Ano: 2009


Quem gosta de suspense médico, precisa conhecer os livros da Tess Gerritsen. Ela era médica, mas abandonou sua carreira para se dedicar completamente a vida de escritora. Jardim de ossos foi o primeiro livro que li dela e me apaixonei completamente.

O livro trata duas histórias, cada uma ambientada em anos (séculos) diferentes. Nos capítulos que tratam os dias atuais, conhecemos a professora Julia Hamill, que após um divórcio, compra uma casa nova e se muda, em uma tentativa de recomeçar sua vida. Enquanto trabalhava em seu novo jardim ela acaba desenterrando um crânio. Ao descobrir que essa cova é de meados dos ano de 1800, ela se une a familiares da antiga moradora de sua casa para encontrar respostas. Em sua busca, ela encontra cartas que a levam ao nosso segundo personagem: Norris Marshall.

Norris é um fazendeiro, estudante de medicina da cidade de Boston no ano de 1830, ele também é suspeito de ser um serial killer. Tentando se misturar ao seu novo mundo da faculdade, rodeado por pessoas de classe média alta e correndo o risco de perder sua bolsa de estudos, ele também quer respostas. Então pede ajuda a Oliver e Rose, que é perseguida por uma misteriosa pessoa, para encontrar o verdadeiro assassino.

As duas histórias são cheias de tramas, mistérios e vai nos prendendo a cada página. Sem falar em como você se espanta com a medicina do século XIX, é assustador a forma com os pacientes eram tratados e a maneira como conseguiam os corpos para estudos.

Eu terminei de ler em dois dias, porque queria muito saber o que vinha depois. E esse depois é sempre muito bom, sempre uma surpresa, tanto que se eu contar mais do que isso estaria dando muitos spoilers. 

Tess Gerritsen (reprodução/Google)

Tess Gerritsen escreve muito bem, a forma como ela une as duas épocas é perfeita e em momento algum você estranha. É uma leitura simples, direta, envolvente e você consegue enxergar cada cena em sua mente. Acredito que você vai querer conhecer muitos outros livros dela e espero que seja tão gratificante quanto foi pra mim.

Se ficou afim de ler, pode clicar aqui para comprar.

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Cinco poemas contemporâneos escritos por brasileiras

Esvaziar-se

uma mulher nada de bem

Uma mulher – nada – de bem

Short curto e cabelos na cintura

Via de baixo para cima pela falta de altura

Inocência minha pela falta de idade

Mas metralhavam a moça por estar à vontade

Apelido não positivo é o que mais chovia

E, vira e mexe, na rua eu a via

As mulheres daqui a olhavam com desdém

As mesmas que se auto chamavam “mulheres de bem”

 

O tempo então, como sempre, voava

E sempre que a mesma moça passava, eu olhava

Percebi que xingava a moça sem nem perceber

Até que um dia pensei “O que ela fez para você?”

Me choquei com a resposta, pois não havia nenhuma

Se ela quiser, use salto, vestido ou pluma

Dali senti a liberdade saindo de dentro

Quando aprendi a ver a moça sem julgamento

 

Enxerguei a rivalidade que me foi imposta

Nos jogam contra todas com um tapa nas costas

Passei a vê-la com inveja branca

Abri a cabeça e quebrei a tranca

Soltei o cabelo, abusei do decote

Não somos cabritas, não existe “o bode”

Permiti me tornar um ser humano só meu

Hoje a cabeluda de short sou eu

Precisamos falar sobre Kelvin

Precisamos falar sobre Kelvin

A gente tem uma temperatura de pele incontrolada. Não podemos habitar o mesmo espaço, sem evitar abraços e afagos. Você me pergunta se isso é saudável para nós. Eu também não sei. Quero o que tivemos, quero a leveza e a sinceridade da paixão descomprometida. Era bom. Foi. Você me olha com olhar de apaixonado, mas eu sei que sou apaixonante e você também se apaixona fácil. Percebo o mesmo sobre você. “O melhor”, elas disseram. Não discordo. É difícil escrever sobre algo inacabado, diante desse meio com linhas desfiadas. Você não consegue me dizer o que quer. Não quero controlar o roteiro, só vivê-lo. Mas falta gás, falta cor. Volume. Quero ondas. Brisa do mar com aroma de melancia. Sim, melancia. Eu estou seca do seu silêncio, preciso dessa fruta fluída para hidratar o corpo. Quero água corrente misturada com chama flamejante, quero juntar as temperaturas de pele e chegar a uma escala bonita para nós dois, que dá para ir e voltar com fogo ardente. Não seja ausente. Detesto esse seu jeito incapaz de lidar com sentimentos. Você que tanto escreve e sente, por que se cala? Eu preciso achar novas temperaturas como a sua, mas sem tantas oscilações que só me ferem. Nosso Kelvin deveria permanecer em zero absoluto.

Rivalidade feminina Música

Rivalidade feminina na música pop: por quê?

Rivalidade feminina definitivamente é meu tema da vez. Já falei sobre ele nos meus dois últimos posts nesta coluna, que você pode ler aqui e aqui.

 

Disputas entre fanbases são o tipo de coisa que a gente até pensa que ficou lá em 2012, mas elas ainda são reais – e intensas. Um rápido passeio por portais do gênero pode chegar a ser assustador para os mais desavisados.

 

 

Fonte: @reasonyoutalita

 

Apesar de render piadas, o cenário de guerra, no entanto, denuncia algo extremamente grave: a mais pura misoginia. É verdade que no universo dos fandoms a rivalidade é bem comum, mesmo em assuntos que não envolvam, necessariamente, figuras femininas – vide disputas como Marvel x DC Comics, por exemplo.

Mas quando vamos para o campo das divas pop, a coisa fica muito mais séria. A rivalidade não só cria uma atmosfera hostil, como vira uma desculpa para serem destiladas ofensas machistas e ataques baixíssimos.

 

Rivalidade feminina - música
Alguns comentários coletados hoje em páginas do Facebook

 

O fato desse público ser composto principalmente por pessoas LGBT+ ainda reforça algo importante: gays também podem ser misóginos. Homens gays ainda são homens, e o fato deles sofrerem um tipo de opressão não apaga aquelas que eles venham a causar. Mulheres hétero sofrem machismo mas podem ser homofóbicas, não é? Opressões podem se complementar, mas não se anulam. E são justamente homens gays os que mais vemos perpetuando a rivalidade no universo da música pop.

 

O papel da mídia

Acontece que, como é falado diversas vezes no meio feminista, não é tão fácil resistir a uma opressão, muito menos a conceitos sociais que somos ensinadas a reproduzir. Em parte este é um dos motivos de existir sim rivalidade entre mulheres. E o ambiente competitivo – mercadologicamente falando – da música, com charts, premiações, e todo tipo de disputa do tipo “quem é melhor” apenas contribui para seu surgimento.

No entanto, mesmo quando a rivalidade simplesmente não existe, ela pode ser vista como extremamente lucrativa. A indústria musical faz rios de dinheiro com brigas reais, e disso é apenas um pulo para serem insinuadas em situações irreais. Afinal de contas, tudo é válido enquanto o dinheiro estiver entrando.

 

Money
Topa tudo por dinheiro

 

Tudo isso com aval – e incentivo – da mídia, que constrói narrativas inteiras ao redor dessas disputas, e do público, que compra um lado – mesmo nas situações onde não há lados a serem comprados. E isso se mostra também de forma sutil, não apenas com os ataques mostrados no início do texto, mas também com insinuações, alfinetadas e coisas do tipo.

Lutar contra a rivalidade feminina não necessariamente significa que não possam existir desavenças reais, muito menos que todas as mulheres devam passar pano umas para as outras. Existem sim ocasiões em que mulheres são nocivas e dignas de repreensão. E também não queremos culpabilizar mulheres que estão inseridas numa sociedade que as ensina a competirem entre si.

O que não pode acontecer é a naturalização desses discursos, especialmente quando isso significa inocentar os principais responsáveis pela sua manutenção. A crítica deve ser feita sempre ao sistema machista e suas consequências. E podemos sim apontar os problemas do comportamento de mulheres que reproduzem machismo, mas isso não é desculpa para julgá-las sem compreender o que há por trás disso.

 

Mas é só com as mulheres?

Como sempre, tudo fica mais gritante quando fazemos a comparação com o outro gênero. Na música, especificamente, além da competição entre homens não resultar em ataques direcionados ao sexo masculino e suas vidas pessoais, ela é definitivamente muito menos acirrada. Isso também em todas as esferas: indústria, mídia e público.

Fãs do Bruno Mars e do Drake não aproveitam toda matéria sobre eles para falarem mal um do outro, visando exaltar seus ídolos. Por que fãs da Lady Gaga e da Katy Perry precisam fazer o mesmo?

A coexistência entre homens talentosos e/ou que fazem sucesso parece ser algo completamente natural e aceitável. Mulheres, no entanto, só podem ser boas se forem melhores que as outras. E isso não é nada normal.

Glossário LGBT+, entenda e nos ajude a entender

Não se esqueça, nossos glossário sempre serão corrigidos/atualizados de acordo com o que aprendemos, nos deixe suas considerações nos comentários.

Existem muitas nomenclaturas no mundo LGBT+ e nem todas são familiares. Por isso, resolvi criar nosso segundo glossário (o primeiro), para que possa ajudar a todos os que tenham interesse em saber mais.

De acordo com o site www.lgbt.pt/, a sigla LGBT possui o seguinte significado:

“Antigamente como GLS (Gays, Lésbicas e simpatizantes) e atualmente como LGBT, a sigla indicada refere-se a: Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgêneros, Transexuais e Simpatizantes. Como a própria sigla e o seu conceito indicam não é necessário ter traços ou características homossexuais para se identificar dentro do conceito LGBT, os simpatizantes também são englobados, visto que prestam o seu apoio  a toda esta comunidade.”

ORIENTAÇÃO SEXUAL – diz respeito a atração que sentimos por outras pessoas. Essa atração pode ou não ser por indivíduos do mesmo sexo. Orientação sexual NÃO É UMA ESCOLHA, nós nascemos com ela.

 

HETEROSSEXUAL – sente atração apenas por pessoas do mesmo sexo.  

 

HOMOSSEXUAL – sente atração por pessoas do mesmo sexo. Os termos GAY e LÉSBICA são usados para definir homens e mulheres homossexuais.  

 

BISEXUAL – uma pessoa bi sente atração tanto por homens quanto por mulheres.

 

PANSEXUAL – a pansexualidade representa pessoas que se relacionam (de forma sexual e/ou amorosa) com qualquer pessoa, independente do sexo ou gênero dela, ou seja, se atraem por homens, mulheres, trans, interssexuais, etc. Também é chamado de trissexualidade, polissexualidade ou omnissexualidade.

 

POLISEXUAL – é que sente atração por várias pessoas, de vários gêneros, mas não por todos.

 

ASSEXUAL – quem se identifica dessa forma não sente atração sexual por pessoa alguma. Ela pode se relacionar emocionalmente com alguém, namorar, casar, mas sem interesse pela prática sexual.

 

DEMISEXUAL – as pessoas demisexuais são passiveis a sentir atração sexual, mas apenas quando existe uma forte relação emocional entre ela e a pessoa com a qual está envolvida. Existe também a graysexual (zona cinza), grupo ao qual pertence as pessoas que transitam entre a demi e a assexualidade. Entenda, essa transição não é feita por escolha.

reprodução/Diário Paraíba

IDENTIDADE DE GÊNERO – diz respeito à forma como você se identifica com o seu corpo e o sexo com o qual você nasceu. Podemos nos identificar como homem, mulher, ambas ou nenhuma das opções.

 

GÊNERO – socialmente definido como sendo binário (feminino, masculino), mas sabemos agora que pode variar de acordo com a identidade de cada um.

 

TRANSGÊNERO – é quem tem uma identidade de gênero diferente daquele atribuída ao sexo com o qual nasceu. A orientação sexual independe da transgeneridade, podendo um transgênero ser hetero, gay, pan, bi, etc… Travestis e Drag queens são considerados neste grupo.

 

TRANSEXUAL – quem faz mudança de sexo para se adequar ao gênero com o qual realmente se identifica.

 

GÉNERO BINÁRIO – é a divisão entre dois gêneros: feminino e masculino

 

GENDERQUEER (GÊNERO NÃO-BINÁRIO) – pessoas que não se identificam como homem ou mulher, ou transitam entre ambos os gêneros ou, até mesmo, são uma junção de ambos.

 

BIGÊNERO – Se apresenta com os gêneros feminino e masculino ao mesmo tempo.

 

CISGENERO – é quem se identifica com o gênero com qual o qual nasceu (homem cis e mulher cis).

 

GÊNERO FLUIDO – pessoas que mudam de gênero de acordo com o que se sentirem melhor no momento.

 

GÊNERO NÃO-CONFORMISTA – pessoas cuja aparência e/ou comportamento não condiz com o que a sociedade espera de determinado gênero. Como os chamados transformistas e garotas masculinas.

 

AGÊNERO – ausência de gênero. Quem usa esse termo não se encaixa nas definições de gênero binário ou não aceita a divisão e o conceito de gênero.

 

Há muitos outros termos usados nas rodas de conversas e nos textos que lemos pela internet.

 

SEXO BIOLÓGICO – forma de se identificar a genitália de alguém.

 

PAPEL SOCIAL DE GÊNERO – é o conjunto de expectativas e atitudes esperadas de cada gênero específico.

 

HOMOFOBIA – é a rejeição e aversão aos homossexuais. Que pratica homofobia é o chamado homofóbico.

 

HETEROFOBIA – as manas aqui do Elas são unânimes em dizer que isso não existe.

 

CROSS-DRESSING –  é um termo que se refere a pessoas que vestem roupa ou usam objetos associados ao sexo oposto.

 

Nossos glossários são eternos fontes de aprendizagem e mudanças. Portanto, sempre que encontrarmos confiança para falar de algum termo em específicos, faremos um texto unicamente para esse termo e conversaremos a fundo sobre ele.  Nossos leitores são convidados a nos ajudar, corrigir e até a enviarem seus próprios textos para publicação aqui no blog.

 

Fontes

www.lgbt.pt

www.memorialgbt.com

www.lgbtbrasil.com.br

www.demisexuality.org

 

 

Marcela

Marcela,

   Nós temos uma usina hidrelétrica no peito. Não cabemos em pouco. Queremos muito da gente mesmo e dos outros. Sem querer exigimos mais do que a realidade oferece. A realidade nunca nos foi palpável. Rasa demais, a propósito. Queremos é invenção, virar de ponta cabeça. Queremos o estômago saindo pela garganta, taquicardia. Que mundo fosse mais rasgado que toque na ponta dos dedos. Que fosse mais pele quente, mais braços, mais pernas. Olhos grandes encarando a gente do lado de cá. A gente faz prece vendo a ressaca do mar, porque a gente respeita a força da sua existência. Tudo que explode e lava tem nosso respeito. Diz: como é que podemos viver sempre ladeira abaixo, ladeira acima? Se arrebentar e se refazer tantas vezes. Com que cara a gente se ergue? Só sei que sobrevivemos. E ainda sobra cara para bater e peito aberto. Marcela, quantos navios já naufragaram no seu oceano?

   Assista ao vídeo poesia: Elas Declamam – Marcela,

 

Autora convidada

Maria Gabriela Verediano escolhe a cada dia quando vai ser Maria, quando vai ser Gabi, quando Gabriela e quando a gravidade de um nome composto. Maria não tem medo de nada, e o que sente escreve. Gira, gira, gira, e sonha. E samba. E mostra. Ela escreve no blog Sambaprasmoças

 

Sangria e a história do Brasil

O Brasil sob a ótica de um útero

 

Muitos não admitem, muitos nem ao menos o sabem, mas a historia do Brasil é composta por um silenciamento feminino escancarado e continuo. Por inúmeras vezes me deparei com vãos em meus livros de história quando se travado uma personagem feminina, muitas mulheres nem são citadas em notas de roda pé.

Hoje estamos lutando cada dia mais para que nossas marcas seja reconhecidas e mantidas nas nova história do nosso pais, mas quem luta pelas marcas deixadas por mulheres que não estão mais aqui?

Acho que é nesse momento que devemos encontrar pessoas como Luiza Romão, atriz, poetisa e escritora do livro Sangria.

O projeto (sim, projeto, pois é a composição do livro com trabalhos multimídia) é uma coletânea de 28 poemas (como os 28 dias do ciclo menstrual) e cada um deles possui uma foto representando o silenciamento histórico das mulheres. Também foi criada uma websérie onde cada poema é declamado e acompanhado de uma performance, feito por diferentes mulheres de diferentes áreas artísticas.

Reprodução Catarse

 

Segundo a própria autora do livro, ” Nosso intuito é revisitar a história do Brasil sob a ótica de um útero. O que dizer de um país nominalmente fálico (“pau”-brasil)? Pra isso, misturamos os ciclos econômicos (borracha, café, ouro) com os ciclos biológicos e as fases do útero (ovulação, menstruação, concepção). Representamos o país do futuro” como uma gestação impossível (sempre interrompida por golpes de Estado ou “pílulas do dia seguinte”) e contrapomos a figura do patriarca com as “mães solteiras” e as mulheres “para lida, para farra, para fotografias oficiais” “.

As questões histórico-política-sociais que serão tratadas em Sangria são de suma relevância para nosso entendimento pessoal e para um melhor conhecimento do que é o Brasil e de como podemos trabalhar por uma boa gestação, para que o nascimento de um pais melhor seja realmente possível. Afinal, acredito que a melhor forma de garantirmos nosso amanhã é conhecendo os erros de ontem e não repeti-los.

Se você gostou e sabe que vale a pena, ainda da tempo de contribuir. O projeto continua em está em andamento no Catarse por mais 19 dias, você pode acessar para contribuir com um valor e ajudar na publicação do livro clicando aqui Para conhecer a Luiza Romão e seus outros trabalhos é só seguir o perfil dela no facebook

 

Chega de Correr

Fim da linha

O que fazer quando um sentimento não vai embora?
Como agir quando não se consegue fugir?
A quem pedir socorro, quando o socorro falha?
Onde se esconder, quando todos os esconderijos se esgotaram?

A todas as perguntas, a mesma resposta
Simplesmente porque não há solução
Não há nada o que fazer
Não há maneira melhor de fugir
Ninguém mais pode dar o socorro
Não há lugar onde se esconder

A única saída é se deixar ficar onde está
É firmar os pés no chão e enfrentar o que vem pela frente
Aprender a lidar
Você, sozinho, tem que aprender a ser forte
Porque mais ninguém pode sê-lo por você

 

Nota sobre o poema: Até alguns anos atrás, eu tinha um padrão recorrente em alguns sonhos meus. Neles eu estava sempre correndo de alguma coisa, que geralmente mudava (um assassino, uma criatura, um espírito). Eu corria sem parar, desesperadamente, sempre esperando chegar a algum lugar onde eu estaria enfim segura. A coisa nunca me alcançava, mas o local seguro também nunca chegava. E o pesadelo só acabava quando eu acordava: era o fim da linha. Os sonhos pararam, por algum motivo. Não sei se também parei de fugir dos meus medos da minha vida real. Acho que ainda preciso aprender a ser forte.

Achei o poema acima por acaso, enquanto procurava outro completamente diferente no meu computador. Não me lembrava dele, e também não sei se o escrevi inspirada nos pesadelos. Só achei extremamente pertinente a eles, por isso escolhi escrever esta pequena nota sobre o assunto. Talvez você ache que a minha decisão de escrever um relato em texto corrido tenha tornado este post menos artístico ou literário. Mas para mim essas pequenas curiosidades e coincidências da vida são um poema por conta própria, por isso a história ficará aqui.