ceder

Ceder

Um bicho sem nenhum senso de nada abanando o rabo, balançando o rabo, babando, sacudindo. Eu-festa. Cheiro, dedo, olho, desaconselhável. Eu que sempre trava, peso, ombro doído. Eu que sempre chão agora tenho asas. Meu bem, eu preciso pousar em algum momento, mas estou acoplada ao mundo no céu. Estou fodendo. Não tomei nenhuma droga. Não bebi nenhuma gota. A garganta estava completamente seca. Um bicho com sede de boca e de barba. Um olho com sede de tudo que a vida pode pra sempre. Não consigo ser gente depois de ver de dentro o homem da minha vida.

Aline Dias

 

Assista ao vídeo poesia: Elas Declamam – Ceder

 

Autora Convidada

Aline Dias nasceu em Cachoeiro de Itapemirim, em 1988. Publicou “Vermelho” (2012), “Além das Pernas,” (2015) e organizou a coletânea “Sem a Loucura não Dá” (2017), com contos inspirados em músicas de Sergio Sampaio. Aprendeu a chorar este ano e acredita no amor. O texto “Ceder” integra as páginas de seu mais recente livro, “A única coisa que fere é manhã pós-amor” (2017). Assista a entrevista com a autora.

sociedade idolatra machistas

Dudu Camargo é a prova que nossa sociedade idolatra machistas

Antes de tudo, uma contextualização: no dia 18/06, foi ao ar uma edição do Programa Silvio Santos, com participação de Maisa e Dudu Camargo no Jogo das 3 Pistas. Na ocasião, o apresentador começou a fazer “brincadeiras”, dizendo que eles deveriam formar um casal, já que ambos estavam solteiros. Além de dizer que o rapaz não fazia seu tipo, a insistência de Silvio a levou a criticar o rapaz e chamá-lo de engessado. Durante o quadro, as brincadeiras e as provocações se seguiram, e ainda com o ingresso de Dudu em certo ponto.

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Incentivado por Silvio, Dudu dançou em torno de Maisa para provocá-la (Imagem: reprodução/internet)

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O Jardim de ossos

O Jardim de Ossos, Tess Gerritsen

Sinopse

Ossos desconhecidos, segredos não revelados e crimes não resolvidos lançam sombras ameaçadoras sobre o presente.

A recém-divorciada Julia Hamill acaba de se mudar para a casa de seus sonhos, uma mansão em um enorme terreno. Tudo parece perfeito, até que, durante a reforma do jardim, Julian desenterra um crânio humano com indícios de homicídio. E o mais intrigante: a cova data do século XIX.

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uma mulher nada de bem

Uma mulher – nada – de bem

Short curto e cabelos na cintura

Via de baixo para cima pela falta de altura

Inocência minha pela falta de idade

Mas metralhavam a moça por estar à vontade

Apelido não positivo é o que mais chovia

E, vira e mexe, na rua eu a via

As mulheres daqui a olhavam com desdém

As mesmas que se auto chamavam “mulheres de bem”

O tempo então, como sempre, voava

E sempre que a mesma moça passava, eu olhava

Percebi que xingava a moça sem nem perceber

Até que um dia pensei “O que ela fez para você?”

Me choquei com a resposta, pois não havia nenhuma

Se ela quiser, use salto, vestido ou pluma

Dali senti a liberdade saindo de dentro

Quando aprendi a ver a moça sem julgamento

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Precisamos falar sobre Kelvin

Precisamos falar sobre Kelvin

A gente tem uma temperatura de pele incontrolada. Não podemos habitar o mesmo espaço, sem evitar abraços e afagos. Você me pergunta se isso é saudável para nós. Eu também não sei. Quero o que tivemos, quero a leveza e a sinceridade da paixão descomprometida. Era bom. Foi. Você me olha com olhar de apaixonado, mas eu sei que sou apaixonante e você também se apaixona fácil. Percebo o mesmo sobre você. “O melhor”, elas disseram. Não discordo. É difícil escrever sobre algo inacabado, diante desse meio com linhas desfiadas. Você não consegue me dizer o que quer. Não quero controlar o roteiro, só vivê-lo. Mas falta gás, falta cor. Volume. Quero ondas. Brisa do mar com aroma de melancia. Sim, melancia. Eu estou seca do seu silêncio, preciso dessa fruta fluída para hidratar o corpo. Quero água corrente misturada com chama flamejante, quero juntar as temperaturas de pele e chegar a uma escala bonita para nós dois, que dá para ir e voltar com fogo ardente. Não seja ausente. Detesto esse seu jeito incapaz de lidar com sentimentos. Você que tanto escreve e sente, por que se cala? Eu preciso achar novas temperaturas como a sua, mas sem tantas oscilações que só me ferem. Nosso Kelvin deveria permanecer em zero absoluto.

Rivalidade feminina Música

Rivalidade feminina na música pop: por quê?

Rivalidade feminina definitivamente é meu tema da vez. Já falei sobre ele nos meus dois últimos posts nesta coluna, que você pode ler aqui e aqui.

Disputas entre fanbases são o tipo de coisa que a gente até pensa que ficou lá em 2012, mas elas ainda são reais – e intensas. Um rápido passeio por portais do gênero pode chegar a ser assustador para os mais desavisados.

Fonte: @reasonyoutalita

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Glossário LGBT+, entenda e nos ajude a entender

Não se esqueça, nossos glossário sempre serão corrigidos/atualizados de acordo com o que aprendemos, nos deixe suas considerações nos comentários.

Existem muitas nomenclaturas no mundo LGBT+ e nem todas são familiares. Por isso, resolvi criar nosso segundo glossário (o primeiro), para que possa ajudar a todos os que tenham interesse em saber mais.

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Marcela

Marcela,

   Nós temos uma usina hidrelétrica no peito. Não cabemos em pouco. Queremos muito da gente mesmo e dos outros. Sem querer exigimos mais do que a realidade oferece. A realidade nunca nos foi palpável. Rasa demais, a propósito. Queremos é invenção, virar de ponta cabeça. Queremos o estômago saindo pela garganta, taquicardia. Que mundo fosse mais rasgado que toque na ponta dos dedos. Que fosse mais pele quente, mais braços, mais pernas. Olhos grandes encarando a gente do lado de cá. A gente faz prece vendo a ressaca do mar, porque a gente respeita a força da sua existência. Tudo que explode e lava tem nosso respeito. Diz: como é que podemos viver sempre ladeira abaixo, ladeira acima? Se arrebentar e se refazer tantas vezes. Com que cara a gente se ergue? Só sei que sobrevivemos. E ainda sobra cara para bater e peito aberto. Marcela, quantos navios já naufragaram no seu oceano?

   Assista ao vídeo poesia: Elas Declamam – Marcela,

 

Autora convidada

Maria Gabriela Verediano escolhe a cada dia quando vai ser Maria, quando vai ser Gabi, quando Gabriela e quando a gravidade de um nome composto. Maria não tem medo de nada, e o que sente escreve. Gira, gira, gira, e sonha. E samba. E mostra. Ela escreve no blog Sambaprasmoças

 

Sangria e a história do Brasil

O Brasil sob a ótica de um útero

Muitos não admitem, muitos nem ao menos o sabem, mas a historia do Brasil é composta por um silenciamento feminino escancarado e continuo. Por inúmeras vezes me deparei com vãos em meus livros de história quando se travado uma personagem feminina, muitas mulheres nem são citadas em notas de roda pé.

Hoje estamos lutando cada dia mais para que nossas marcas seja reconhecidas e mantidas nas nova história do nosso pais, mas quem luta pelas marcas deixadas por mulheres que não estão mais aqui?

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