O pesadelo

De repente me vi fazendo tudo certo
Escolhendo bem as palavras 
Os tons 
Os gestos

Os caminhos eram sempre retos
Sem buracos
Lombadas
Curvas
Descidas ou subidas
Nada de emoção ou surpresa

Os erros 
As falhas
As angústias do não sei
Os risos e os choros
De um tudo
De algumas coisas
E do nada
Eram apenas a sombra rala da imagem quase transparente de um horizonte inalcançável

Sufoquei.

Era a terra ou a era da perfeição?
Era um mundo sem Deus
Sem Cão
Sem as espertezas inocentes dos gatos
E os tropeços do homem

Éramos máquinas?

Assustei.

Enfim, acordei do pesadelo com minha angústia já denunciando o mundo real certificando-me de que minha vida é ainda é um verdadeiro jazz.

Suzan

Suzan

Suzan Magalhães, 28 anos, feminista. Habitante da terra de gente trabalhadeira que sabe da nó em pingo d'água e fazer das tripas coração. Nordeste-Salvador-Bahia. Psicóloga, equilibrista desde que me entendo por gente, viciada em livros e café e fugitiva da "normalidade".
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