Diane Arbus e o retrato da diferença

 

Dificilmente se consegue sair ileso do foco de Diane Arbus. Ainda hoje os seus registros mexem com os preconceitos, padrões e nervos da sociedade, do expectador que vê o belo como uma caixa, na qual poucos cabem. Uma vez que ela se concentrou em buscar pessoas que não estampavam revistas e nem caminhavam por passarelas.

Na contramão do American way of life, Diane abandonou a fotografia de moda – e um casamento – para se dedicar a modelos reais. A essência do seu trabalho consistia em conhecer, compreender e registrar pessoas, grupos e famílias que estavam em desacordo com o que era considerado certo ou normal.

Assim, Arbus registrou pessoas de quem a maioria desviava o olhar, que estavam à margem da sociedade. Seus modelos eram grupos discriminados, rotulados como anormais e impróprios para convivência. Muitos deles levavam a alcunha de freak e eram, por isso, atração de circo –literalmente.

Diane os fotografava em seus ambientes e momentos cotidianos, íntimos, como se não existissem o preconceito e a segregação. Clicados sem nenhuma vergonha de demonstrar o que eram. Por meio dessas fotos eles podiam expressar suas identidades, independente da imagem que as outras pessoas possuíssem deles.

O propósito dessa abordagem era fazer com que as pessoas se despissem da imagem pública que vestiam em busca de aceitação, tanto modelo, quanto expectador. A fotografia de Arbus procurou mostrar que por trás da imagem classificada (erroneamente) como bizarra, existiam os sentimentos de dor, alegria, ódio, amor, prazer. Emoções inerentes à humanidade e que nos tornam essencialmente iguais.

Dessa forma, ela fez de suas fotos não apenas imagens tocantes, mas um registro poético da história e dramaticidade carregadas pelo indivíduo retratado. Além disso, seus ensaios continuam pertinentes, levantando reflexões extremamente atuais e necessárias.

Afinal, vivemos na sociedade do espetáculo; cultuamos a imagem em detrimento da identidade; continuamos fazendo das diferenças uma justificativa para a exclusão e ainda metemos as pessoas em caixas chamadas carinhosamente de padrões.

Diane Arbus. Child with Toy Hand Grenade in Central Park, N.Y.C. 1962 (1962)

 

Diane Arbus. A Young man in curlers at home on West 20th Street (1966).

 

Diane Arbus. Child Crying, New Jersey, 1967
Diane Arbus. Mexican nation in his hotel room, 1970
Diane Arbus’s photograph of Eddie Carmel in “A Jewish giant at home with his parents, in the Bronx, N.Y., 1970,” is the centerpiece of a small exhibition at the Jewish Museum that runs
Diane Arbus. Patriotic young man with a flag, 1967
Diane Arbus, Tattooed man at a carnival, Md., 1970

Diane Arbus, Man Being a Woman, 1960

Diane Arbus. Untitled #21, 1970–1971 Robert Koch Gallery Price on Request

 

Dicas extras:

  • Mais fotos, informações e documentários sobre a vida e obra de Diane Arbus clique aqui e aqui
  • O filme A Pele (Fur: An Imaginary Portrait of Diane Arbus, 2006) com Nicole Kidman e Robert Downey Jr. apresenta um retrato imaginário e fictício da vida da fotógrafa Diane Arbus, apesar de não ser uma biografia, mostra um pouco do processo de criação de Diane, que consistia, entre outras coisas, de conhecer, conversar e conviver com que pousaria para ela. Confira o trailer:

 

Lane

Jocilane Rubert de Almeida, mas chama de Lane, por favor. Publicitária, redatora, planejamento, escrevedora e virginiana (não me julgue, please, tem mais onze casas no meu mapa). Uma apaixonada por arte (as onze), que crê na inexistência do acaso e no poder do autoconhecimento. E, sim, banho de mar lava a alma. Ah! Tenho 29 anos, mas não espalha.

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